Mostrando postagens com marcador Plaid Cymru. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Plaid Cymru. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Conservadores estão perto da maioria no Reino Unido, diz pesquisa

O Partido Conservador, do primeiro-ministro David Cameron, venceu as eleições gerais no Reino Unido e deve eleger 316 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, dez a menos do que a maioria absoluta, indica uma pesquisa de boca de urna divulgada há pouco pela televisão pública britânica BBC.

Pela mesma pesquisa, a oposição trabalhista conquistou 239 cadeiras, 19 a menos do que tem hoje, uma derrota de seu líder, Ed Miliband, que chegou a ser apontado como favorito para formar um governo de coalizão, mas é considerado inapto para governar o país pela maioria dos eleitores.

A terceira maior bancada no Palácio de Westminster será do Partido Nacional Escocês, que luta pela independência da Escócia. Os nacionalistas escoceses se encaminham para eleger 58 dos 59 deputados escoceses no parlamento do qual querem se livrar.

A maior derrota foi do Partido Liberal-Democrata, do vice-primeiro-ministro Nick Clegg, parceiro menor da coalizão governante, que sofreu o desgaste de estar no governo sem mandar nele. Deve perder 47 deputados e ter sua bancada reduzida para apenas 10. É o suficiente para garantir uma nova maioria a Cameron, se os números da pesquisa se confirmarem.

Em princípio, a maioria absoluta na Câmara dos Comuns seria de 326 deputados. Mas os deputados do partido nacionalista e republicano irlandês Sinn Féin não assumem as cadeiras que conquistam na Irlanda do Norte por se negarem a jurar lealdade ao Reino Unido. Assim, a maioria cai para 323 deputados.

O ultradireitista Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), que culpa os imigrantes por todos os males do país e quer sair da União Europeia, mais votado nas eleições do ano passado para o Parlamento Europeu, terá apenas dois deputados. Sua votação poderia ter dado a maioria absoluta aos conservadores.

O Partido Verde deve eleger dois deputados e o partido nacionalista galês Plaid Cymru quatro deputados, no País de Gales.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Primeira debate na TV da campanha eleitoral britânica dá empate

Com líderes de sete partidos, o primeiro debate na televisão da campanha para as eleições parlamentares de 7 de maio de 2015 no Reino Unido, realizado ontem à noite, revela pelo número de participantes a mudança no panorama político do país. Mas os candidatos a primeiro-ministro ainda vêm dos partidos dominantes no pós-guerra e para os eleitores eles empataram, indica uma pesquisa publicada pelo jornal The Guardian.

Além do primeiro-ministro David Cameron, do Partido Conservador, do vice-primeiro-ministro Nick Clegg, do Partido Liberal-Democrata; e do principal líder da oposição, Ed Miliband, do Partido Trabalhista; estavam na bancada Nigel Farage, do ultradireitista Partido da Independência do Reino Unido (UKIP); Natalie Bennett, do Partido Verde; Nicola Sturgeon, do Partido Nacional Escocês; e Leanne Wood, do Plaid Cymru, o partido nacionalista do País de Gales.

Esta proliferação de partidos deixou o debate ainda mais tenso e caótico, a exemplo do que o Reino Unido pode esperar da próxima Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. De acordo com a pesquisa, 25% gostaram mais de Miliband e 24% de Cameron. Quando a pergunta foi sobre qual dos dois foi melhor, houve empate em 50%.

Todos atacaram Cameron e Clegg pelas políticas de cortes nos gastos públicos e aumentos de impostos adotadas para enfrentar a crise financeira internacional.

O primeiro-ministro se defendeu dizendo que era preciso reduzir despesas e que a economia voltou a crescer. Com avanço de 2,8%, o Reino Unido teve  acusou todos os outros candidatos de planejarem aumentos de impostos para financiar suas promessas.

À ultradireita, Farage atacou: "Todos os outros partidos aqui presentes são iguais. São todos a favor da União Europeia."

Em seguida, culpou a UE e o que chamou de "migração em massa" por todos os problemas do país, dizendo que 300 mil imigrantes entrou no Reino todos os anos, agravando os problemas habitacionais, educacionais e de saúde.

Sob pressão, até o líder trabalhista foi obrigado a propor limitações aos imigrantes de outros países da UE. Eles teriam de ficar mais de dois anos no país para ter direito a benefícios previdenciários. Farage denunciou o "turismo da saúde", que custaria dois bilhões de libras por ano ao país, alegando que qualquer portador do vírus da aids que se mudar para o Reino Unido terá tratamento garantido pelo Serviço Nacional de Saúde.

A líder escocesa Nicola Sturgeon e Miliband aproveitaram o tema da imigração para criticar Cameron por prometer convocar, se for reeleito, um plebiscito sobre a associação à UE, descrito como um enorme risco para a economia, os empregos e o bem-estar social dos britânicos.

De sua parte, Farage argumentou que "este país precisa governar a si mesmo" e declarou que a única garantia de que vai haver uma consultar popular será a eleição de uma grande bancada de seu partido xenófobo e neofascista.

Cameron fuzilou Farage com o olhar, acusando-o de contribuir para uma vitória trabalhista ao roubar votos dos conservadores à direita. Com Miliband no poder, não vai haver plebiscito para sair da Europa.

Neste caso, se o Reino Unido deixar o bloco europeu, a líder do Partido Nacional Escocês disse que, além da independência, vai lutar para que a Escócia permaneça na UE. Da mesma forma, Leanne Wood, do partido nacionalista galês, defendeu o modelo social-democrata europeu, temendo perder ajuda e benefícios sociais se o Reino Unido deixar a UE.

O grande defensor da integração europeia foi Clegg. O líder liberal-democrata lembrou que são mais de 500 milhões de pessoas que produzem uma riqueza de mais de US$ 18 trilhões por ano.

A candidata verde, Natalie Bennett, tentou convencer o eleitor de que o voto em seu partido não será inútil. No sistema eleitoral britânico, que adota o voto distrital em turno único, há uma forte tendência para o voto útil nos grandes partidos. Os pequenos têm pouca chance e sempre formam bancadas proporcionalmente menores do que sua votação.

Em 7 de maio, os eleitores britânicos vão escolher deputados em 650 distritos. A maioria absoluta seria de 326 cadeiras, mas o partido republicano e nacionalista irlandês Sinn Féin, braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA), tem hoje cinco deputados que não tomaram posse porque se recusam a jurar lealdade à coroa britânica. Deve manter a bancada, o que reduz o total de deputados empossados para 645 e a maioria para 323 cadeiras.

Pelas atuais pesquisas, conservadores e trabalhistas teriam em torno de 260 a 290 deputados cada. Cabe ao líder da maior bancada a primeira tentativa de formar um governo. 

O primeiro-ministro tem os liberais-democratas como parceiros naturais, mas estes podem perder muitas cadeiras pelo desgaste de ser governo sem chefiar o governo. Talvez não baste para ter maioria absoluta. Pode ser necessário atrair os partidos unionistas da Irlanda do Norte, que apoiaram o governo John Major (1992-97).

Historicamente o Partido Trabalhista sem dependeu dos deputados da Escócia para ter maioria na Câmara dos Comuns. Os trabalhistas ganharam o plebiscito sobre a independência da Escócia no ano passado, mas o Partido Nacional Escocês deve ganhar as eleições para o Parlamento de Westminster, do qual gostaria de se livrar.

Se Miliband precisar do apoio dos nacionalistas da Escócia e do País de Gales, terá de prometer mais autonomia a estas nações que, com a Inglaterra, formam a Grã-Bretanha desde 1707.

O mais provável no momento é uma vitória conservadora. David Cameron continuaria como primeiro-ministro. Mas a parada está indefinida.