O Exército Real britânico encerrou à zero hora desta quinta-feira sua intervenção na Irlanda do Norte, iniciada em 1969 para tentar conter, sem sucesso, a violência sectária entre católicos e protestantes.
A intervenção não pacificou a província do Úlster. Ao contrário, ajudou a fomentar uma guerra civil que matou cerca de 3,3 mil pessoas. Neste período, mais de 300 mil soldados britânicos serviram na Irlanda do Norte; 763 foram mortos.
O conflito só acabou com a decisão do Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, de entregar as armas em 2005 e a formação de um governo de união nacional reunindo os ex-inimigos do Sinn Féin, partido político ligado ao IRA, e o Partido Unionista Democrático, liderado pelo reverendo Ian Paisley, há dois meses.
Agora, a segurança ficará totalmente a cargo da Polícia da Irlanda do Norte, formada por católicos e protestantes.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 1 de agosto de 2007
terça-feira, 8 de maio de 2007
Ex-inimigos formam governo na Irlanda do Norte
Sem aperto de mãos, os quase ex-arquiinimigos Partido Unionista Democrático (PUD), protestante, e Sinn Féin, católico e ligado ao agora desarmado Exército Republicano Irlandês (IRA), acabam de formar um novo governo semi-autônomo da Irlanda do Norte, rompendo com anos de impasse. A decisão do IRA de entregar as armas, anunciada em 2005, foi decisiva.
O primeiro-ministro será o reverendo protestante Ian Paisley e seu vice, com poderes iguais, Martin McGuinness, ex-comandante militar do IRA.
A posse do goveno formado pelos ex-inimigos mais radicais marca o fim de 800 anos de conflito entre Inglaterra e Irlanda, e de uma guerra civil em que mais de 3,6 mil pessoas morreram desde 1969.
O acordo de paz foi firmado em 9 de abril de 1998. Para evitar o domínio da maioria protestante, favorável à união com a Grã-Bretanha no Reino Unido, sobre a minoria católica e republicana, a favor da unificação da Irlanda, há um poder de veto para quem conseguir 40% dos votos na Assembléia da Irlanda do Norte.
Desde então, diversas tentativas de formar um governo semi-autônomo de união fracassaram porque os protestantes insistiam no total desarmamento do IRA, finalmente anunciado em 2005, depois que o impacto dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos secou o financiamento que o grupo recebia de americanos de origem irlandesa.
Outro fator importante para a paz foi a integração européia, que promoveu o desenvolvimento da Irlanda, hoje o país com a maior renda per capita na União Européia depois de Luxemburgo, e a tornou uma aliada da Grã-Bretanha, ajudando-a a superar os ressentimentos históricos até evidentes na Irlanda do Norte.
O filme Ventos de Liberdade, de Ken Loach, que está em cartaz, conta a história da divisão do movimento nacionalista irlandês diante da proposta de paz oferecida pelos britânicos quando da independência da Irlanda em 1921. Desta vez, a História se repete.
Para a linha dura do IRA, entregar as armas antes do fim do domínio britânico e da unificação da irlanda equivalia a uma rendição. Felizmente agora os dois lados entenderam que a democracia é a melhor maneira de atingir seus objetivos políticos.
Os nacionalistas irlandeses continuam sonhando com a reunificação de sua pequena ilha. Mas sabem que isso só será possível quando seus antigos inimigos tiveram confiança de que não serão discriminados numa Irlanda unida.
A paz na Irlanda traz esperança de solução de outros conflitos. Um editorial do jornal libanês Daily Star argumenta que, se a paz é possível na Irlanda do Norte, é possível também no Oriente Médio.
O primeiro-ministro será o reverendo protestante Ian Paisley e seu vice, com poderes iguais, Martin McGuinness, ex-comandante militar do IRA.
A posse do goveno formado pelos ex-inimigos mais radicais marca o fim de 800 anos de conflito entre Inglaterra e Irlanda, e de uma guerra civil em que mais de 3,6 mil pessoas morreram desde 1969.
O acordo de paz foi firmado em 9 de abril de 1998. Para evitar o domínio da maioria protestante, favorável à união com a Grã-Bretanha no Reino Unido, sobre a minoria católica e republicana, a favor da unificação da Irlanda, há um poder de veto para quem conseguir 40% dos votos na Assembléia da Irlanda do Norte.
Desde então, diversas tentativas de formar um governo semi-autônomo de união fracassaram porque os protestantes insistiam no total desarmamento do IRA, finalmente anunciado em 2005, depois que o impacto dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos secou o financiamento que o grupo recebia de americanos de origem irlandesa.
Outro fator importante para a paz foi a integração européia, que promoveu o desenvolvimento da Irlanda, hoje o país com a maior renda per capita na União Européia depois de Luxemburgo, e a tornou uma aliada da Grã-Bretanha, ajudando-a a superar os ressentimentos históricos até evidentes na Irlanda do Norte.
O filme Ventos de Liberdade, de Ken Loach, que está em cartaz, conta a história da divisão do movimento nacionalista irlandês diante da proposta de paz oferecida pelos britânicos quando da independência da Irlanda em 1921. Desta vez, a História se repete.
Para a linha dura do IRA, entregar as armas antes do fim do domínio britânico e da unificação da irlanda equivalia a uma rendição. Felizmente agora os dois lados entenderam que a democracia é a melhor maneira de atingir seus objetivos políticos.
Os nacionalistas irlandeses continuam sonhando com a reunificação de sua pequena ilha. Mas sabem que isso só será possível quando seus antigos inimigos tiveram confiança de que não serão discriminados numa Irlanda unida.
A paz na Irlanda traz esperança de solução de outros conflitos. Um editorial do jornal libanês Daily Star argumenta que, se a paz é possível na Irlanda do Norte, é possível também no Oriente Médio.
segunda-feira, 26 de março de 2007
Ex-inimigos formam governo na Irlanda do Norte
Num acordo surpreendente, o líder do Partido Unionista Democrático (PUD), reverendo protestante Ian Paisley, e o presidente do Sinn Féin, Gerry Adams, anunciaram hoje a formação de um governo na Irlanda do Norte, a partir de 8 de maio.
O PUD é o mais radical dos grandes partidos católicos, e por isso ganhou as últimas eleições. Foi contra o chamado Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, de 1998.
Já o SF é o partido político do Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte e a unificação da Irlanda. O IRA entregou as armas em 2005 mas Paisley se recusava a formar governo com o SF. Agora, anuncia que vai testar na prática o compromisso de seus ex-inimigos com a democracia.
É mais um sinal da consolidação da paz na Irlanda do Norte.
O PUD é o mais radical dos grandes partidos católicos, e por isso ganhou as últimas eleições. Foi contra o chamado Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, de 1998.
Já o SF é o partido político do Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte e a unificação da Irlanda. O IRA entregou as armas em 2005 mas Paisley se recusava a formar governo com o SF. Agora, anuncia que vai testar na prática o compromisso de seus ex-inimigos com a democracia.
É mais um sinal da consolidação da paz na Irlanda do Norte.
quinta-feira, 8 de março de 2007
Radicais vencem eleições na Irlanda do Norte
Dois partidos radicais ganharam as eleições de ontem e hoje na Irlanda do Norte, dificultando a formação de um governo de união entre protestantes e católicos para que o Reino Unido transfira mais uma vez o poder para a província.
Entre os protestantes, que são maioria entre os 2 milhões de norte-irlandeses, venceu o Partido Unionista Democrático, do reverendo Ian Paisley. O problema é que ele se nega a negociar com o Sinn Féin, partido político ligado ao Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta pelo fim do domínio britânico sobre a província do Úlster.
Com 30% dos votos, o PUD conquistou 36 cadeiras na Assembléia da Irlanda do Norte, contra 28 para o SF, que teve 26% da votação, e 18 para os Unionistas do Úlster, que assinaram o Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa pela comunidade protestante. O Partido Trabalhista e Social-Democrata, católico moderado, cujo ex-líder, John foi o grande articulador das negociações entre o movimento republicado e o governo de Londres que levaram ao primeiro cessar-fogo do IRA em 1994 e ao processo de paz, elegeu apenas 16 deputados. Partidos menores, quase todos moderados, ficaram com 10 cadeiras.
Pelo Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, assinado em 9 de abril de 1998, não sendo possível formar um governo de união nacional, a Irlanda do Norte continua sendo governada diretamente por Londres. Um dos principais líderes do Sinn Féin, Martin McGuinness, sugeriu que, se Paisley se negar a formar governo com seu partido, os governos do Reino Unido e da Irlanda assumam a administração da Irlanda do Norte.
Entre os protestantes, que são maioria entre os 2 milhões de norte-irlandeses, venceu o Partido Unionista Democrático, do reverendo Ian Paisley. O problema é que ele se nega a negociar com o Sinn Féin, partido político ligado ao Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta pelo fim do domínio britânico sobre a província do Úlster.
Com 30% dos votos, o PUD conquistou 36 cadeiras na Assembléia da Irlanda do Norte, contra 28 para o SF, que teve 26% da votação, e 18 para os Unionistas do Úlster, que assinaram o Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa pela comunidade protestante. O Partido Trabalhista e Social-Democrata, católico moderado, cujo ex-líder, John foi o grande articulador das negociações entre o movimento republicado e o governo de Londres que levaram ao primeiro cessar-fogo do IRA em 1994 e ao processo de paz, elegeu apenas 16 deputados. Partidos menores, quase todos moderados, ficaram com 10 cadeiras.
Pelo Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, assinado em 9 de abril de 1998, não sendo possível formar um governo de união nacional, a Irlanda do Norte continua sendo governada diretamente por Londres. Um dos principais líderes do Sinn Féin, Martin McGuinness, sugeriu que, se Paisley se negar a formar governo com seu partido, os governos do Reino Unido e da Irlanda assumam a administração da Irlanda do Norte.
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