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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Governo de união nacional da Irlanda do Norte entra em colapso

O vice-primeiro-ministro católico Martin MacGuinness, ex-comandante militar do Exército Republicano Irlandês (IRA), renunciou hoje ao cargo provocando o colapso do governo de união nacional na Irlanda do Norte, criado pelo Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, em 1998. Sua decisão vai levar a uma nova eleição para a Assembleia provincial, noticiou o jornal inglês The Independent.

Pelo acordo para dividir o poder entre católicos favoráveis à unificação com a Irlanda e os protestantes defensores da união com o Reino Unido, a primera-ministra protestante Arlene Foster não pode continuar no cargo sem um vice representante da minoria católica.

Ela está no centro de um escândalo de corrupção que custou 400 milhões de libras aos cofres públicos. Esse dinheiro deveria ser usado num programa criado em 2012 para estimular o uso de fontes renováveis de energia e reduzir o consumo de carvão na Irlanda do Norte.

Como o resultado foi pífio, os empresários acabaram recebendo incentivo para queimar carvão. O caso ficou conhecido como dinheiro por cinzas.

O deputado Jonathan Bell rompeu o silêncio do Partido Unionista Democrático (DUP). Ele acusou Arlene Foster de alterar documentos oficiais para encobrir sua participação, mas ela nega qualquer responsabilidade e se recusa a renunciar.

Pequenos partidos apresentaram uma moção de desconfiança que não avançcou na Assembleia. No fim de semana, o presidente do Sinn Féin, o partido político do movimento católico, republicano e nacionalista irlandês, Gerry Adams, indicou que McGuinness poderia renunciar para forçar a queda de Foster.

Na carta de demissão, McGuinness apela a Foster para "sair a fim de garantir a credibilidade necessária para a investigação e o interesse público mais amplo."

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Rainha aperta a mão de ex-comandante do IRA

Durante visita à Irlanda do Norte, a última dos festejos de seus 60 anos de reinado, a rainha Elizabeth II se encontrou hoje em Belfast com o vice-primeiro-ministro norte-irlandês Martin McGuinness, ex-comandante militar do Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutou contra o domínio britânico sobre a província por quase 30 anos, numa guerra civil que deixou cerca de 3,5 mil mortos.

Em encontro reservado, a rainha da Inglaterra, vestida de verde, a cor dos nacionalistas irlandeses, apertou a mão do ex-chefe do IRA, que usava uma gravata verde. McGuinness não mostrou o menor constrangimento de ser visto em público com a chefe de Estado do Reino Unido, cuja autoridade o movimento republicano, católico e nacionalista irlandês nunca reconheceu.

O ex-comandante do IRA chegou a se aproximar do príncipe Philip como quem quer puxar assunto, mas o marido da rainha se afastou, provavelmente porque o IRA matou seu tio, o Lorde Louis Mountbatten, Conde Mountbatten, último governador-geral da Índia, num atentado na República da Irlanda em 1979.

A visita tem como objetivo reafirmar o compromisso com o Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, assinado em 1998. Nos últimos 12 meses, aumentaram os atos de agressão sectária entre as comunidades católica, a favor da unificação da Irlanda, e protestante, que prefere fazer parte do Reino da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Ex-inimigos formam governo na Irlanda do Norte

Sem aperto de mãos, os quase ex-arquiinimigos Partido Unionista Democrático (PUD), protestante, e Sinn Féin, católico e ligado ao agora desarmado Exército Republicano Irlandês (IRA), acabam de formar um novo governo semi-autônomo da Irlanda do Norte, rompendo com anos de impasse. A decisão do IRA de entregar as armas, anunciada em 2005, foi decisiva.

O primeiro-ministro será o reverendo protestante Ian Paisley e seu vice, com poderes iguais, Martin McGuinness, ex-comandante militar do IRA.

A posse do goveno formado pelos ex-inimigos mais radicais marca o fim de 800 anos de conflito entre Inglaterra e Irlanda, e de uma guerra civil em que mais de 3,6 mil pessoas morreram desde 1969.

O acordo de paz foi firmado em 9 de abril de 1998. Para evitar o domínio da maioria protestante, favorável à união com a Grã-Bretanha no Reino Unido, sobre a minoria católica e republicana, a favor da unificação da Irlanda, há um poder de veto para quem conseguir 40% dos votos na Assembléia da Irlanda do Norte.

Desde então, diversas tentativas de formar um governo semi-autônomo de união fracassaram porque os protestantes insistiam no total desarmamento do IRA, finalmente anunciado em 2005, depois que o impacto dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos secou o financiamento que o grupo recebia de americanos de origem irlandesa.

Outro fator importante para a paz foi a integração européia, que promoveu o desenvolvimento da Irlanda, hoje o país com a maior renda per capita na União Européia depois de Luxemburgo, e a tornou uma aliada da Grã-Bretanha, ajudando-a a superar os ressentimentos históricos até evidentes na Irlanda do Norte.

O filme Ventos de Liberdade, de Ken Loach, que está em cartaz, conta a história da divisão do movimento nacionalista irlandês diante da proposta de paz oferecida pelos britânicos quando da independência da Irlanda em 1921. Desta vez, a História se repete.

Para a linha dura do IRA, entregar as armas antes do fim do domínio britânico e da unificação da irlanda equivalia a uma rendição. Felizmente agora os dois lados entenderam que a democracia é a melhor maneira de atingir seus objetivos políticos.

Os nacionalistas irlandeses continuam sonhando com a reunificação de sua pequena ilha. Mas sabem que isso só será possível quando seus antigos inimigos tiveram confiança de que não serão discriminados numa Irlanda unida.

A paz na Irlanda traz esperança de solução de outros conflitos. Um editorial do jornal libanês Daily Star argumenta que, se a paz é possível na Irlanda do Norte, é possível também no Oriente Médio.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Radicais vencem eleições na Irlanda do Norte

Dois partidos radicais ganharam as eleições de ontem e hoje na Irlanda do Norte, dificultando a formação de um governo de união entre protestantes e católicos para que o Reino Unido transfira mais uma vez o poder para a província.

Entre os protestantes, que são maioria entre os 2 milhões de norte-irlandeses, venceu o Partido Unionista Democrático, do reverendo Ian Paisley. O problema é que ele se nega a negociar com o Sinn Féin, partido político ligado ao Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta pelo fim do domínio britânico sobre a província do Úlster.

Com 30% dos votos, o PUD conquistou 36 cadeiras na Assembléia da Irlanda do Norte, contra 28 para o SF, que teve 26% da votação, e 18 para os Unionistas do Úlster, que assinaram o Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa pela comunidade protestante. O Partido Trabalhista e Social-Democrata, católico moderado, cujo ex-líder, John foi o grande articulador das negociações entre o movimento republicado e o governo de Londres que levaram ao primeiro cessar-fogo do IRA em 1994 e ao processo de paz, elegeu apenas 16 deputados. Partidos menores, quase todos moderados, ficaram com 10 cadeiras.

Pelo Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, assinado em 9 de abril de 1998, não sendo possível formar um governo de união nacional, a Irlanda do Norte continua sendo governada diretamente por Londres. Um dos principais líderes do Sinn Féin, Martin McGuinness, sugeriu que, se Paisley se negar a formar governo com seu partido, os governos do Reino Unido e da Irlanda assumam a administração da Irlanda do Norte.