Mostrando postagens com marcador Império Austro-Húngaro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Império Austro-Húngaro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de junho de 2022

Hoje na História do Mundo: 28 de Junho

SACRO IMPÉRIO

     Em 1519, o rei Carlos I, da Espanha, é eleito imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Carlos, neto dos reis católicos Fernando II e Isabel, subornou príncipes germânicos para que votassem nele. Assim, venceu Henrique VIII, da Inglaterra, e Francisco I, da França, e Frederico, o Sábio, Duque da Saxônia.

TIRO QUE MUDOU A HISTÓRIA

    Em 1914, o estudante radical sérvio Gavrilo Princip matou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, e sua mulher, Sophia, durante uma visita a Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina. Foi um tiro que mudou a história.

Um mês depois, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia, aliada do Reino Unido, da França e da Rússia, que formavam a Triplice Entente. 

Por outro lado, a Alemanha apoiou a Áustria. A Alemanha, a Áustria-Hungria e a Itália eram a Tríplice Aliança. Começava a Primeira Guerra Mundial (1914-18), o conflito que forja o século 20. A Itália não entra, sob a alegação de que a aliança era defensiva.

PAZ PARA ACABAR COM TODAS AS PAZES

    Em 1919, o economista britânico John Maynard Keynes adverte que o Tratado de Versalhes, assinado neste dia pela Alemanha, causaria o caos econômico

Keynes abandona a conferência de paz, realizada no Palácio de Versalhes, perto de Paris, em protesto contra as cláusulas punitivas do acordo.

Se o presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, convence os norte-americanos a entrar na Primeira Guerra Mundial (1914-18) afirmando que é "a guerra para acabar com todas as guerras", o Tratado de Versalhes é descrito como a paz para acabar com todas as guerras.

A humilhação imposta à Alemanha levou à ascensão do nazismo e ao revanchismo de Adolf Hitler, que iniciou a Segunda Guerra Mundial (1939-45) ao invadir a Polônia em 1º de setembro de 1939.

OFENSIVA NO VIETNÃ

    Em 1965, os Estados Unidos lançam sua primeira grande ofensiva na Guerra do Vietnã (1955-75) 

Três mil soldados americanos da 173ª Brigada Aerotransportada, 800 soldados da Austrália e uma unidade aerotransportada do Vietnã do Sul participam do ataque a guerrilheiros do Vietcongue numa floresta a pouco mais de 30 quilômetros de Saigon, a capital sul-vietnamita. 

A operação é suspensa três dias depois por não ter encontrado uma quantidade significativa de inimigos.

GRANDE REVOLTA GAY

  Em 1969, começa a Rebelião de Stonewall, em reação a uma invasão violenta da polícia ao bar gay Stonewall Inn, no Greenwich Village, em Nova York.

A revolta dura cinco dias. É o marco do início da luta pelos direitos dos homossexuais nos Estados Unidos, hoje celebrado como Dia do Orgulho Gay.

As primeiras paradas do orgulho gay foram realizadas um ano depois, em Nova York, São Francisco, Los Angeles e Chicago.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Hoje na História do Mundo: 6 de Outubro

ÁUSTRIA-HUNGRIA ANEXA BÓSNIA-HERZEGOVINA

    Em 1908, o Império Austro-Húngaro anuncia a anexação da Bósnia-Herzegovina, que formalmente estava sob o controle do Império Otomano.

Desde o Congresso de Berlim, em 1878, a Áustria-Hungria controla a região. Uma revolta dos Jovens Turcos contra o Império Otomano cria a oportunidade para a Áustria-Hungria reafirmar seu controle sobre a região dos Bálcãs, sob protesto dos sérvios e do movimento pan-eslavista na Europa.

O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho de 1914, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip é a causa imediata da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que começa um mês depois.

GUERRA DO YOM KIPPUR

    Em 1973, durante o feriado religioso do Dia do Perdão (Yom Kippur), mais de 100 mil soldados do Egito atravessem o Canal de Suez e invadem a Península do Sinai enquanto a Síria ataca em outra frente na maior empreitada militar árabe da era moderna, dando início à Guerra do Yom Kippur, numa tentativa de recuperar os territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Os Estados Unidos fazem então a maior ponte aérea militar da história, a Operação Nickel Grass. Durante 32 dias, entregam 22.325 toneladas de equipamentos, tanques, peças de artilharia, munição e peças de reposição para aviões a Israel diretamente no campo de batalha, a ponto do então ditador do Egito, Anuar Sadat, reclamar que podia enfrentar Israel, mas não os EUA.

A confrontação entre as superpotências quase deflagra uma guerra nuclear. Quando Israel domina o espaço aéreo, cerca e ameaça destruir o 3º Exército do Egito no Sinai, a União Soviética entra em alerta nuclear e ameaça ir à guerra. É o único alerta nuclear da URSS durante a Guerra Fria.

Diante da impotência no campo de batalha, os países árabes, liderados pelo rei Faissal, da Arábia Saudita, iniciam um embargo à venda de petróleo aos aliados de Israel, provocando a primeira crise do petróleo. Os preços do petróleo bruto quadruplicam. Nos países ocidentais, os motoristas fazem fila em postos de gasolina. Acaba a era dos carrões.

Quatro anos depois, Sadat rompe a aliança com a URSS, aproxima-se dos EUA, visita Israel e negocia a paz nos Acordos de Camp David como única maneira de recuperar o Sinai. Israel aceita porque o Egito tem o maior exército do mundo árabe e há um adágio no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito nem paz sem a Síria."

Nunca mais os países árabes realizaram um ataque conjunto contra Israel. Sadat e o primeiro-ministro israelense, Menachem Begin ganham o Prêmio Nobel da Paz, mas o ditador egípcio paga com a vida.

A crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar brasileira, baseado em energia e mão de obra baratas. É o fim do milagre econômico e a origem da hiperinflação, herança maldita da ditadura militar que só seria debelada pelo Plano Real em 1994.

ASSASSINATO DE SADAT

    Em 1981, durante uma festividade militar para comemorar o aniversário do início da Guerra do Yom Kippur, extremistas muçulmanos do grupo Jihad Islâmica metralham o palanque das autoridades e matam o ditador do Egito, Anuar Sadat, numa vingança porque ele fez a paz com Israel.

Os terroristas, liderados por Khaled el-Islambouli, tenente do Exército do Egito, param em frente ao palanque, dão tiros e jogam granadas contra o ditador e outras autoridades. Sadat leva quatro tiros e morre duas horas depois. Outras 10 pessoas morrem no atentado.

Em novembro, 25 pessoas vão a julgamento. Todos, inclusive o futuro líder da rede terrorista Al Caeda Ayman al-Zawahiri, admitem com orgulho sua participação. Islambouli e outros quatro são condenados à morte e executados. Os outros pegam diferentes penas de prisão.

domingo, 11 de novembro de 2018

Primeira Guerra Mundial forjou o trágico mundo do século 20

Os canhões silenciaram na undécima hora do 11º dia do 11º primeiro mês de 1918. Há exatamente cem anos, terminava a Grande Guerra. O conflito que deveria durar semanas ou alguns meses se arrastou por mais de quatro anos. Matou 10 milhões de soldados, 8,7 milhões de civis e mais 50 a 100 milhões de pessoas, contando as vítimas da gripe espanhola, a pandemia mais letal da história.

A Primeira Guerra Mundial acabou com quatro impérios. Plantou as sementes do comunismo, do fascismo e do nazismo. Provocou o primeiro genocídio do século 20. Levou à criação da primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz. E marcou a entrada em cena das superpotências que dominariam a segunda metade do século: os Estados Unidos e a União Soviética.

O conflito começou porque o motorista do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, tomou o caminho errado nas ruas de Sarajevo, cruzando com o estudante radical sérvio Gavrilo Princip, do grupo terrorista Mão Negra, que lutava contra o domínio austríaco sobre os eslavos do sul na região dos Bálcas. Princip matou o príncipe em 28 de junho de 1914.

Um mês depois, com a chamada Crise de Julho, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia. Desde 1882, o Império Austro-Húngaro fazia parte da Tríplice Aliança com o Império Alemão e o Reino da Itália. No dia seguinte, 29 de julho, a Rússia, aliada da Sérvia, entrou em prontidão.

A Alemanha protestou, declarou guerra ao império czarista em 1º de agosto e exigiu que a França ficasse neutra. Os impérios russo, francês e britânico formavam a Tríplice Entente. O Exército alemão invadiu Luxemburgo no dia 2 e declarou guerra à França no dia 3.

Em 4 de agosto, a Alemanha invadiu a Bélgica. O Reino Unido exigiu que a Alemanha respeitasse a neutralidade da Bélgica e declarou guerra à Alemanha no mesmo dia. Ainda em 1914, o Império Otomano (turco) entrou na guerra ao lado das potências centrais.

A guerra chegou à África em 6 e 7 agosto de 1914, quando forças britânicas e francesas invadiram Camarões e a Togolândia, que eram protetorados alemães. A África do Sudoeste, uma colônia alemã, invadiu a África do Sul e travou uma guerra de guerrilhas até o fim da Grande Guerra.

No Oceano Pacífico, em 30 de agosto de 1914, a Nova Zelândia ocupou a Samoa Alemã, depois chamada de Samoa Oriental. Em 11 de setembro, uma força naval de Austrália tomou a Nova Pomerânia, parte da Nova Guiné Alemã. O Japão declarou guerra à Alemanha e à Áustria-Hungria. A Índia entrou na guerra ao lado do Império Britânico na esperança de obter a independência

Depois que a ofensiva alemã rumo a Paris parou na Primeira Batalha do Marne, em 12 de setembro de 1914, a guerra na frente ocidental entrou num impasse. Virou uma guerra de trincheiras com poucos avanços até 1917. Em 1915, a Itália deixou a Tríplice Aliança alegando que era uma aliança defensiva e mudou de lado.

Foi a primeira guerra industrial da história. Os soldados eram colocados em trens e enviados às frentes de combate. Cerca de 70 milhões lutaram na guerra, sendo 60 milhões europeus.

A tática usada com sucesso pela Alemanha na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), de infiltrar colunas de soldados em marcha forçada para romper as linhas de defesa do inimigo, fracassou diante do uso em massa de metralhadoras e de artilharia pesada.

Só no primeiro dia da Batalha do Somme, 1º de julho de 1916, o Exército britânico perdeu 20 mil homens. Outros 37.470 foram feridos. Foi o pior dia da história militar do Reino Unido.

A luta no Rio Somme terminou em 18 de novembro sem vencedor, com 456 mil baixas entre os britânicos, 200 mil entre os franceses e pelo menos 434 mil entre os alemães. O Exército Imperial Britânico sofreu mais baixas no Somme do que nas guerras da Crimeia (1853-56), dos Bôeres (1899-1902) e da Coreia (1950-53) juntas.

Em 1915, as forças alemãs atacaram um batalhão do Canadá que lutava ao lado do Exército Imperial Britânico com armas químicas, matando 2 mil soldados. O uso de armas químicas pelos dois lados tornou-se indiscriminado. Cerca de 1,3 milhão de soldados foram atingidos e 90 mil mortos.

A deportação e o extermínio de 1,5 milhão e meio de armênios pelo Império Otomano, a partir de 24 de abril de 1915, foi considerado o primeiro genocídio do século. Os massacres de sírios e gregos pelos otomanos também são considerados genocidas.

Na frente oriental, a Rússia obteve vantagem nos primeiros combates com as forças austro-húngaras, mas foi vencida pela Alemanha. A derrota e a desmoralização do Exército russo causaram a revolução de fevereiro de 1917, que derrubou o czar Nicolau II, e a Revolução Comunista, em outubro de 1917.

A Alemanha cercou Moscou e pressionou os bolcheviques a assinar a Paz de Brest-Litovski, em 3 de março de 1918. Os alemães queriam concentrar seus esforços na frente ocidental para ganhar a guerra antes da entrada dos EUA.

Diante da derrota iminente do Império Otomano, em 2 de novembro de 1917, o ministro do Exterior britânico, Arthur Balfour, enviou carta ao Barão de Rothschild, líder da comunidade judaica no Reino Unido prometendo criar uma pátria para o povo judeu na Palestina.

A Declaração de Balfour foi incluída no Tratado de Sèvres, que selou a paz com os turcos, em 10 de agosto de 1920. O Estado de Israel seria fundado em 14 de maio de 1948, depois do genocídio de 6 milhões de judeus no Holocausto, na Segunda Guerra Mundial.

O moderno Oriente Médio e países como a Turquia, a Arábia Saudita, a Jordânia e o Iraque são o resultado do colapso do Império Otomano. O atual presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, sonha em restaurar aquele passado de glória. Em 1683, os turcos haviam cercado Viena durante dois meses.

Os americanos abandonaram seu isolacionismo histórico depois de uma série de ataques de submarinos alemães a navios mercantes e de passageiros no Oceano Atlântico e do Telegrama Zimmermann, de 16 de janeiro de 1917, que propunha uma aliança da Alemanha com o México para que o país latino-americano reconquistasse os territórios perdidos na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

 Em 6 de abril de 1917, o Congresso atendeu ao pedido do presidente Woodrow Wilson para entrar na "guerra para acabar com todas as guerra". Wilson acreditava que a guerra era resultado do imperialismo europeu e esperava que a democracia destronasse os impérios beligerantes.

O Brasil também foi alvo dos ataques alemães no Atlântico. Declarou guerra às potências em 1º de junho de 1917, mas não mandou forças para o combate. Foi o único país latino-americano a participar da Primeira Guerra Mundial.

Como não tinham soldados e armamentos na Europa, os EUA só enfrentaram efetivamente em combate um ano depois e foram decisivos para a rendição das potências centrais no armistício que entrou em vigor em 11 de novembro de 1918.

Wilson apresentara ao Congresso dos EUA, em 8 de janeiro de 1918, seus 14 Pontos para a Paz. Eles seriam a base para a Conferência de Paz de Versalhes, na França. Entre outros itens, Wilson propunha a livre navegação nos mares, o livre comércio, a redução dos armamentos e a criação da Liga das Nações, a primeira organização de caráter universal dedicada à paz mundial, precursora da Organização das Nações Unidas (ONU).

Os impérios Alemão, Áustro-Húngaro, Russo e Otomano desapareceram, dando origem ao moderno Oriente Médio, aos países da Europa Oriental (Polônia, Tcheco-Eslováquia, Hungria, Iugoslávia, Estônia, Letônia e Lituânia) e à União Soviética, que nasceria em 1922.

Mas o Senado dos EUA, que tem a obrigação constitucional de ratificar todos os tratados internacionais, nunca aprovou a Convenção da Liga das Nações.

Sem a grande potência emergente, a Liga não teve força para impedir a invasão da Manchúria pelo Japão, em 1931, e do resto da China em 1937, da Etiópia pela Itália, em 1935, nem a anexação da Áustria, em 1938, e da Tcheco-Eslováquia, em 1939, pela Alemanha nazista.

A guerra para acabar com todas as guerras resultou na paz para acabar com todas as pazes. O Tratado de Versalhes, assinado em 28 de junho de 1919, cinco anos depois do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, impôs condições humilhantes à Alemanha, responsabilizada por todas as perdas e danos da guerra.

A Alemanha teve de devolver a região da Alsácia-Lorena tomada da França na Guerra Franco-Prussiana e ceder a Prússia Oriental à Polônia. Perdeu todas as colônias. Foi praticamente desmilitarizada. O vale do Rio Reno foi ocupado e o país ficou com uma dívida de guerra impagável.

Isso levou à hiperinflação de 1923, que minou a República de Weimar, e à ascensão do Nazismo, que chegou ao poder em 1933, quando Adolf Hitler foi nomeado chanceler (primeiro-ministro). Só em 2010, 20 anos depois da reunificação do país, dividido e ocupado no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a dívida foi liquidada.

A Segunda Guerra Mundial começaria em 1º de setembro de 1939, com o bombardeio ao porto de Danzig (Gdansk) e a invasão da Polônia. Até seu final, com a explosão das bombas atômicas em Hiroxima e Nagasake, no Japão, 55 milhões de pessoas foram mortas,

Desde então, os EUA mantiveram suas forças na Europa, no Japão e na Coreia do Sul, forjando alianças que foram a base da ordem internacional do pós-guerra. Ao desprezar os aliados com sua política de "Primeiro, a América" (EUA), o presidente Donald Trump abala os pilares de uma paz internacional entre as grandes potências que sobreviveu à Guerra Fria entre os EUA e a URSS.

Mais de 70 chefes de Estado e de governo participam na França das comemorações do centenário do fim da guerra. Trump cancelou uma visita ao cemitério de Belleau, provocando uma dura resposta do ex-ministro da Defesa do Reino Unido Nicholas Soames, neto do primeiro-ministro Winston Churchill, que liderou a resistência ao nazismo na Europa.

"Eles morreram enfrentando o inimigo de frente e o patético e inadequado Donald Trump não pode enfrentar o tempo para homenagear os caídos. Não está apto para representar este grande país", tuitou o neto de Churchill.

A visão de mundo de Donald Trump, com o desengajamento dos EUA, representa um retrocesso ao ultranacionalismo e à Era dos Impérios anterior à Primeira Guerra Mundial. É um mundo dividido em esferas de influência das grandes potências militares, os EUA, a China e a Rússia. No momento, assistimos à maior ascensão do fascismo desde os anos 1930s.

Não é à toa que o presidente da França, Emmanuel Macron, falou na semana passada na criação de um Exército da Europa. Macron teme que os EUA não cumpram o compromisso assumido em Washington em 4 de abril de 1949, com a criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN),  diante da ameaça comunista soviética. Seu princípio básico é que um ataque contra um é um ataque contra todos.

Ao todo, estima-se que pelo menos 193 milhões de pessoas morreram em guerras no século 20, o equivalente a 10% da população mundial em 1900.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Grande Guerra forjou o século 20

Em 28 de julho de 1914, o Império Austro-Húngaro declarou guerra à Sérvia em resposta ao assassinato do herdeiro do trono, arquiduque Francisco Ferdinando, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip um mês antes em Sarajevo. A Alemanha apoiou a Áustria. A França e a Rússia ficaram do lado da Sérvia.

No início de agosto 1914, as grandes potências da Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália) e da Tríplice Entente (França, Grã-Bretanha e Rússia) iniciavam os combates da Primeira Guerra Mundial.

Era para ser uma guerra curta. Todos voltariam para casa no Natal. Virou a Grande Guerra. Quando os canhões silenciaram, às 11h de 11 de novembro de 1918, pelo menos 18 milhões de pessoas tinham sido mortas. Outros milhões morreram na pandemia de gripe espanhola, propagada pelo soldados que voltavam das frentes de batalha.

Foi o fim do que o historiador britânico Eric Hobsbawm chamou de Era dos Impérios. Os impérios Alemão, Áustro-Húngaro, Russo e Otomano (turco) desapareceram, redesenhando os mapas da Europa e do Oriente Médio. A Polônia renasceu das cinzas dos impérios europeus.

Os impérios Britânico e Francês criaram o moderno Oriente Médio, fonte de tantos conflitos e ressentimentos históricos. A criação de Israel começou com a Declaração de Balfour, de 1917, em que o ministro do Exterior britânico, Arthur James Balfour, prometeu ao Barão de Rothschild criar uma pátria para o povo judeu na Palestina.

A guerra deixava definitivamente de ser um esporte de aristocratas montados a cavalo com espadas e penachos na cabeça para se transformar numa atividade industrial com milhões de soldados enviados de trem para as linhas de frente, onde eram submetidos a um incessante bombardeio da artilharia inimiga. Os franceses ainda usavam um uniforme branco que os tornavam alvos mais fáceis para as novas tecnologias militares.

Num único dia de agosto de 1914, a França perdeu 22 mil soldados. No primeiro dia da Batalha do Somme, 1º de julho de 1916, morreram 19.240 britânicos, no pior dia da história do Exército Real.

O avião se tornou uma arma de guerra pela primeira vez. Os tanques e as armas químicas também. Um grande impasse na frente ocidental fez com que os dois lados estagnassem numa longa linha de trincheiras que ia da Bélgica à França. Quando a Alemanha parecia estar em vantagem, em março de 1918, os americanos entraram na guerra e romperam o equilíbrio.

Derrotados e humihados na frente oriental, os soldados do Exército Imperial da Rússia voltaram para casa e se juntaram às revoluções que derrubaram o czar e levaram os comunistas ao poder, em 1917. No mesmo ano, os Estados Unidos declaravam guerra à Alemanha depois de terem vários navios afundados no Oceano Atlântico. O Brasil faz o mesmo.

Quando a guerra acabou, o presidente dos EUA, Woodrow Wilson, apresentou seu plano de paz de 14 pontos que incluía a criação da Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial.

Wilson convencera os americanos de que era "a guerra para acabar com todas as guerras". Mas a Conferência de Versalhes produziu "a paz para acabar com todas as pazes", e o Congresso dos EUA não ratificou a Convenção da Liga das Nações. O isolacionismo dos EUA e o fracasso da Liga contribuíram para minar a paz.

Sem o colapso da economia alemã no começo dos anos 1920s sob o peso das dívidas de guerra impostas pelo Tratado de Versalhes, de 1919, talvez o nazismo não tivesse tomado conta da Alemanha e deflagrado a Segunda Guerra Mundial.

Poetas e escritores que serviram nas trincheiras produziram vasta literatura sobre a agonia nas frentes de combate. Adeus às Armas, de Ernest Hemingway; Terra Arrasada, de Thomas Stearn Eliot; e Nada de Novo na Frente Ocidental, de Erich Maria Remarque; estão entre as obras-primas do século 20. O poeta britânico Siegfried Sassoon, condecorado na frente ocidental, ironizou em versos o patriotismo exaltado que empolgou e desgraçou o mundo.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Croácia voltou a ser independente depois de 900 anos

A República da Croácia, que enfrenta o Brasil na abertura da Copa do Mundo, é uma nação forjada em mais de mil anos de guerras e invasões, e ao mesmo tempo um jovem país nascido das guerras que destruíram a antiga Iugoslávia, criada pelo marechal croata Josip broz Tito, líder comunista e da resistência antinazista na Segunda Guerra Mundial.

Com 4,47 milhões de habitantes e produto interno bruto de US$ 58 bilhões, a Croácia é um dos países mais novos do mundo. Se foi campo de batalha para invasores por estar numa fronteira de continentes, culturas e religiões, sua cultura está firmemente ancorada na civilização ocidental, no direito romano, no alfabeto latino e na religião católica, dominante, embora não seja oficial.

Sua independência foi conquistada a ferro e fogo, em 1991. Na época, quando o presidente Franjo Tudjman declarou que era “um sonho de mil anos”, o país estava sob ataque do Exército Federal da Iugoslávia, de um exército de sérvios da Croácia e de vários grupos paramilitares sérvios.

A paz só veio quando os Estados Unidos armaram e treinaram o Exército da Croácia para uma contraofensiva em agosto de 1995 e depois intermediaram os Acordos da Dayton entre Bósnia-Herzogovina, Croácia e Sérvia.

Por isso, o terceiro lugar na Copa de 1998 foi tão festejado. Era uma afirmação da nacionalidade. Mas o nacionalismo croata chegou a ter um caráter fascistoide por causa da guerra e da rivalidade histórica com a Sérvia.

A Croácia entrou para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 2009 e para a União Europeia em 2013.

GEOGRAFIA
O atual território da Croacia tem 56,594 quilômetros quadrados. Fica no Noroeste da península dos Bálcãs. Tem a forma de um arco, boomerangue ou lua crescente que circunda o Oeste e o Norte da Bósnia-Herzegovina. Faz fronteira com a Bósnia, a Hungria, a Sérvia, Montenegro e a Eslovênia. Em nenhum ponto, tem mais do que centenas de quilômetros de largura.

A Croácia é formada pela região da Eslavônia, o braço norte que entra pela continente, pela península da Ístria, no norte da costa do mar Adriático e pela Dalmácia, que ocupa o resto da parte costeira do país.

Com um litoral no mar Adriático recortado por 1,2 mil ilhas, baías e penínsulas, o turismo atrai milhões de turistas e se transformou numa importante fonte de renda na era pós-comunismo.

CLIMA
A Croácia tem duas zonas climáticas:
• uma continental com verões quentes, quando a temperatura pode chegar a 40ºC, e inverno frios, com médias perto de zero em janeiro;
• e outra mediterrânea, na costa da Dalmácia, na península da Ístria e nas ilhas, onde os verões são ensolarados, quentes e secos, e os invernos, chuvosos.

POPULAÇÃO
Cerca de 90,4% dos 4,47 milhões habitantes são croatas, seguidos dos sérvios (4,4%). Há ainda bósnios, húngaros, eslovenos, tchecos e ciganos. Em 2010, 58% viviam em cidades; 0,4% deixam o campo anualmente.

A expectativa para 2014 é que a população da Croácia seja reduzida em 0,12%. Sua taxa de fertilidade é baixíssima, a 201ª do mundo. O desemprego jovem chega a 43,1%.

SAÚDE
A Croácia gastou em 2010 7,8% do PIB com a saúde. Tinha 2,72 médicos e 6 leitos hospitalares para cada mil pessoas. A expectativa de vida é de 76,41 anos.

Quase toda a população (98,5%) têm acesso a água tratada e suas casas estão ligadas à rede de esgotos (98,2%). A obesidade atinge 24,2% dos croatas. A incidência do HIV é de 0,1%.

EDUCAÇÃO
A Croácia gastou 4,3% do PIB em educação em 2010. Os croatas ficam em média 15 anos na escola. O índice de alfabetização é de 98,9%.

RELIGIÃO
86,3% dos croatas são católicos, 4,4% cristãos ortodoxos, 1,5% muçulmanos e 3,8% ateus.

POLÍTICA
A Croácia é uma república democrática e parlamentarista. O presidente é eleito diretamente pelo voto popular para um mandato de cinco anos. O atual presidente é Zoran Milanovic. A próxima eleição presidencial será em dezembro de 2014.

O parlamento é unicameral, a Assembleia Nacional, de 151 deputados eleitos por voto em listas partidárias para mandatos de quatro anos.

ORIGEM
Há duas hipóteses sobre a origem dos croatas. Alguns historiadores citam relatos gregos sobre Horvatos ou Horoatos, uma comunidade iraniana que vivia na foz do rio Don por volta de 200 antes de Cristo.

Outros acreditam que o povo croata nasceu da miscigenação dos eslavos com os ostrogodos, uma das tribos bárbaras que destruíram o Império Romano do Ocidente, em 476.

Os croatas não tiveram contato direto com o Império Romano. A região onde viviam, chamada de Croácia Branca, ficava onde hoje estão a Ucrânia, a Bielorrúsia e a Polônia, a centenas de quilômetros ao norte da província romana da Dácia.

IMPÉRIO ROMANO
Quando o imperador Teodósio dividiu o Império Romano em Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla, em 395, a Dalmácia ficou no Ocidente. Na época, ia da costa do Adriático até os rios Sava e Drina.

Com a queda de Roma, a Dalmácia passou a fazer parte do Império Bizantino, que pouco fez para proteger a província dos invasores avaros e eslavos, inclusive croatas.

MIGRAÇÃO
Os croatas migraram para uma terra arrasada. As cidades romanas tinham sido destruídas pelos bárbaros. A principal era Salona, sede de uma diocese católica desde o século 4, elevada a arquidiocese em 527.

No ano 600, o papa Gregócio escreveu uma carta a Máximo, arcebispo de Solana, lamentando a impotência para defender as cidades romanas. Seus habitantes fugiram para as ilhas do Adriático. Na volta, os refugiados de Salona construíram uma nova cidade nas ruínas do grande palácio do imperador romano Diocleciano, em Spalato, hoje Split.

No séculos 7 e 8, entre 614 e 795, as tribos croatas atravessaram as montanhas dos Cárpatos e cruzaram o rio Danúbio. Numa migração de quase 2 mil quilômetros, se estabeleceram na península dos Bálcãs junto ao mar Adriático, na antiga província romana da Ilíria, dividida nas províncias da Dalmácia e da Panônia.

Depois de extensa pesquisa arqueológica, Huw Evans concluiu no livro Arqueologia Medieval na Croácia: 600-900 (Oxford, 1989) que a migração ou invasão esvala foi “um avanço lento, firme e desordenado, um movimento sem um objetivo específico, mas que seguia em frente continuamente”.

No fim do período migratório dos croatas, os francos estavam em guerra na região com os ávaros, um povo nômade da Eurásia que migrara para a Europa Central no século 6.

DUCADOS
No século 8, formaram-se dois ducados, um sob o domínio dos francos e o outro do Império Bizantino. Em 800, o rei franco Carlos Magno anexa a Dalmácia ao Sacro Império Romano Germânico, o que o Império Bizantino reconheceu no Tratado de Aächen, em 812.

O batismo do rei Vicheslav, por volta do ano 800, é o marco inicial da história da Croácia, já que os croatas mais antigos não sabiam escrever. A unificação dos dois ducados da Dalmácia e da Panônia criou o primeiro reino croata independente.

Sob o rei Tomislav (910-929), a antiga Croácia atingiu o auge. Tomislav uniu a Dalmácia e a Panônia e obteve a permissão do papa para elevar o status de seus domínios de ducado para reino.

Como um país que fica na fronteira entre a Europa e a Ásia, o catolicismo, o cristianismo ortodoxo e o islamismo, a Croácia passou a maior parte de sua história em guerra.

PRAGA REAL
Nos séculos 10 e 11, eram os venezianos que cruzavam o Adriático para saquear a incendiar cidades da costa da Dalmácia, que chegou a pertencer à República Sereníssima de Veneza. O grande herói nacional desse período de independência da Croácia foi Demétrio Zvonimir, rei da Croácia e da Dalmácia de 1075 até sua morte em 1089.

Várias lendas cercam sua morte. A maioria dos historiadores acreditam que ele morreu de causas naturais. Outros dizem que foi morto por seus próprios soldados ou morrer em combate. Antes de morrer, reza a lenda, sentindo-se abandonado por seu próprio povo, rogou a Praga do Rei Zvonimir: durante mil anos os croatas não seriam governados por um croata.

INVASÕES
Depois de uma invasão magiar, a Croácia se une à Hungria em 1102. Essa união não foi suficiente para evitar as invasões dos mongóis, no século 13; do Império Otomano, que aniquilou a nobreza em 1493 e conquistou a Croácia e a Hungria em 1526, quando o papa pediu aos croatas que resistissem como “baluartes da Cristandade”.

A Hungria dominou a Croácia por oito séculos a partir de 1102. O Império Otomano (turco) conquistou a Croácia e a Hungria em 1526. A ocupação otomana foi até 1699, quando as duas nações passaram a fazer parte do Império dos Habsburgo, o antigo Sacro Império Romano-Germânico de Carlos Magno, que a partir de 1868 se chamaria Império Austro-Húngaro.

IUGOSLÁVIA
A Croácia fez parte do Império Austro-Húngaro até o fim da Primeira Guerra Mundial, quando ele foi extinto, permitindo o renascimento de vários países na Europa Central, como Hungria, Polônia e Tcheco-Eslováquia. Em 1918, croatas, sérvios e eslovenos formaram um reino que passou a se chamar Iugoslávia em 1929.

Com sua ação centralizadora, o rei sérvio Alexandre I acabou fomentando o nacionalismo croata, divido entre os ustaches fascistas e o Partido dos Camponeses, de esquerda.

FASCISMO
Quando a Alemanha e a Itália invadiram a Iugoslávia, em 1941, na Segunda Guerra Mundial, o líder ustache Ante Pavelic proclamou a independência de um Estado croata e criou um governo-fantoche das potências do Eixo que exterminou 700 mil sérvios, além de ciganos, judeus e esquerdistas.

COMUNISMO
Depois da ocupação pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Iugoslávia tornou-se uma república federativa comunista sob a liderança do marechal croata Josip Broz Tito, que liderara a resistência contra o nazismo e seus aliados croatas.

Tito, um croata, conseguiu criar uma federação de seus repúblicas (Sérvia, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Eslovênia, Montenegro e Macedônia) reprimindo os nacionalismos em nome do internacionalismo socialista. Desde sua morte, em 1980, esperava-se a desintegração da Iugoslávia.

NACIONALISMO
Ela viria com o colapso do comunismo, que abriu caminho para o ressurgimento do nacionalismo nos Bálcãs com a mesma virulência que deflagara a Primeira Guerra Mundial. O principal responsável foi o ditador sérvio Slobodan Milosevic, que assumiu o controle do Partido Comunista da Iugoslávia em 1986.

Com o declínio da ideologia comunista, já em 1987 Milosevic começou a fomentar o nacionalismo sérvio como forma de consolidar seu poder. Num famoso discurso na província sérvia do Kossovo, de maioria albanesa, ele afirmou que “os sérvios não mais se curvariam”.

Foi o sinal para desatar os nacionalismos longamente reprimidos. A Sérvia, a mais forte das repúblicas iugoslavas, começava a mostrar suas garras. Ivan Stambolic, o líder comunista que Milosevic derrubara, diz que naquele dia a Iugoslávia acabou.

Milosevic presidiu a Sérvia de 1989 a 1997 e o que restou da Iugoslávia de 1997 a 5 de outubro de 2000, quando foi derrubado por uma revolução. Neste período, foi o anti-Tito, presidindo à dissolução sangrenta da Iugoslávia.

GUERRA
Em março de 1991, quando a população sérvia saiu às ruas para protestar contra a falta de democracia e de liberdade de expressão, Milosevic fomentou uma revolta da maioria sérvia na província croata da Krajina. Lá começaram as guerras que destruíram a Iugoslávia e terminou a luta pela independência da Croácia.

Os sérvios eram maioria na Krajina, onde se refugiaram depois de sua histórica derrota para o Império Otomano na Batalha do Kossovo, em 28 de junho de 1389, que eles comemoram até hoje, como um marco da nacionalidade e um símbolo da vitimização histórica.
 

Nesta mesma data, em 1914, um estudante radical sérvio, Gavrilo Princip, matou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, nas ruas de Sarajevo, deflagrando a Primeira Guerra Mundial.

INDEPENDÊNCIA
A Croácia e a Eslovênia foram as duas primeiras repúblicas iugoslavas a proclamar sua independência, em 25 de junho de 1991, com base na Constituição da Iugoslávia de 1974, que lhes garantia este direito. Se o Exército Federal da Iugoslávia reagiu primeiro na Eslovênia, a guerra foi rápida porque não havia uma população sérvia significativa.

Na Croácia, além da maioria sérvia na Krajina, havia uma presença sérvia na Eslavônia Oriental, junto à fronteira Leste, com a Sérvia. A guerra foi particularmente brutal na cidade de Vukovar, com atuação de esquadrões da morte sérvios e do notório terrorista Zeljko Raznatovic, conhecido como Arkan.

Em dezembro de 1991, depois da reunião de cúpula que criou a União Européia em Maastricht, na Holanda, a Alemanha, tradicional aliada da Croácia, rompeu com a recém-criada política externa comum européia. Decidiu reconhecer as independências da Croácia e da Eslovênia. Isto transformaria a guerra na Croácia numa questão internacional e não numa guerra civil, permitindo a intervenção de organizações internacionais.

GUERRA DA BÓSNIA-HERZEGOVINA
Ao mesmo tempo, provocou a realização de um plebiscito na vizinha Bósnia-Herzegovina, a mais multiétnica das repúblicas iugoslavas, com 44% de muçulmanos, 31% de sérvios e 25% de croatas. A guerra da Bósnia foi a mais sangrenta na Europa desde 1945. O conflito começou logo depois da independência, aprovada em 1º de março de 1992.

Com a superioridade militar sérvia, Sarajevo foi sitiada e bombardeada durante anos. A política externa européia mostrou-se impotente e o presidente dos Estados Unidos, George Bush, pai, não queria se envolver em guerras na Europa no ano em que disputava a reeleição. Na geopolítica pós-Guerra Fria, a solução de conflitos na Europa cabia à UE.

Mas a UE se mostrou impotente e o presidente Bill Clinton percebeu que só os EUA poderiam acabar com o conflito. Os EUA armaram e treinaram o Exército da Croácia, violando o embargo das Nações Unidas que proibia a venda de armas para as ex-repúblicas iugoslavas, o que na verdade cristalizava a supremacia sérvia.

RECONQUISTA
Foi uma ofensiva croata para retomar a Krajina, em agosto de 1995, que quebrou o mito da invencibilidade sérvia e criou um equilíbrio de forças no campo de batalha que levou os presidentes da Sérvia, Milosevic; da Croácia, Franjo Tudjman; e da Bósnia-Herzegovina, Alija Izetbegovic, a negociar o acordo de paz de Dayton, Ohio, em novembro de 1995, sob pressão dos EUA, da UE e da Rússia.

Uma nova guerra se iniciaria com o surgimento, em junho de 1996, do Exército de Libertação do Kossovo para lutar contra a dominação sérvia sobre a maioria albanesa. A violenta repressão ordenada por Milosevic levou à Guerra do Kossovo.
 

GUERRA DO KOSSOVO
Por 78 dias, a partir de 24 de março de 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, que interviera na Guerra da Bósnia, bombardeou a Iugoslávia (agora formada apenas pela Sérvia e Montenegro), até a rendição de Milosevic, que seria deposto no ano seguinte e entregue ao Tribunal de Crimes de Guerra para a Iugoslávia, em Haia, na Holanda, onde morreu em 11 de março de 2006.

TRIBUNAL DE HAIA
Dos 161 réus processados pelo tribunal, a grande maioria é sérvia. Mas há também diversos croatas. A Sérvia reclama que a retomada da Krajina, onde viviam cerca de 200 mil sérvios, foi a maior operação de “limpeza” étnica das guerras que destruíram a Iugoslávia. Em quatro dias, atesta o tribunal de Haia, 150 a 200 mil sérvios fugiram da Croácia.

ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS
Em 2000, a vitória do Partido Social-Democrata nas eleições parlamentares e do moderado Stjepan Mesic para presidente, a Croácia entrou para a Organização Mundial do Comércio.

As negociações para entrar na União Europeia começaram em 2003. O país aderiu ao bloco em 1º de janeiro de 2013.

ECONOMIA
Embora fosse a mais rica república da antiga Iugoslávia, a economia da Croácia sofreu duramente com a guerra da independência (1991-95). De 1989 a 1993, o produto interno bruto caiu 40,5%. A situação melhorou entre 2000 e 2007, quando cresceu de 4% a 6%, com aumento do turismo e do consumo interno.

A Croácia foi duramente atingida pela crise mundial de 2008 e ainda não se recuperou. A economia encolheu 0,2% em 2011, 1,9% em 2012 e 1% em 2013. O desemprego chegou a 21,6% em 2013.

RENDA MÉDIA
Com PIB nominal de US$ 58 bilhões em 2013 pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e renda média por habitante de US$ 12.975, a Croácia é uma economia de mercado e um país de renda média, com 21,1% de pobres em 2011.

SETORES
Em 2013, os serviços respondiam por 69,2% do PIB, a indústria por 25,8% e a agricultura por 5%. Graças às praias da costa da Dalmácia, o turismo é um dos setores mais importantes, responsável por 20% da economia do país. O consumo doméstico corresponde a 60% da economia croata.

A taxa de poupança estava em 19,9% do PIB em 2013. A carga fiscal em 2013 foi de 36,9% do PIB. A dívida pública equivalia no ano passado a 66,2%. A inflação ficou em 2,2% e a taxa básica de juros em 7% ao ano.

COMÉRCIO EXTERIOR
As exportações somaram US$ 12,36 bilhões em 2013, com destaque para equipamentos de transportes, máquinas, têxteis, químicos, alimentos e combustíveis. Os maiores compradores de produtos croatas são Itália (14,1%), Bósnia-Herzegovina (13,1%), Alemanha (11,1%), Eslovênia (10,1%) e Áustria (6,3%).

As importações totalizaram US$ 21,74 bilhões em 2013, com destaque para máquinas, equipamentos elétricos e de transportes, produtos químicos, combustíveis, lubrificantes e alimentos. Os maiores fornecedores da Croácia são Alemanha (13,7%), Itália (12,5%), Eslovênia (11,5%), Áustria (9,1%), Hungria (6,2%) e Rússia (5,4%).

ENERGIA
Quase 46% da energia elétrica é gerada por combustíveis fósseis e 44,7% por hidrelétricas.

TELECOMUNICAÇÕES
Em 2013, havia 1,64 milhão de linhas de telefone fixo instaladas e 4,97 milhões de celulares ativos, mais de um por habitante.

Em 2009, 2,234 milhões de croatas estavam ligados à Internet.

TRANSPORTES

A Croácia tem 69 aeroportos, sendo 24 com pistas de pouso pavimentadas. Em 2011, havia 2.722 km de estradas de ferro e as rodovias se estendiam por 29.410 km.

domingo, 21 de outubro de 2007

Rebeldes curdos matam 12 soldados turcos

Em um choque que aumenta a tensão na fronteira norte do Iraque, guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) atacaram soldados da Turquia. Pelo menos 12 soldados e 23 rebeldes foram mortos, informou o Exército turco.

Na semana passada, o Parlamento da Turquia autorizou o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan a invadir o Norte do Iraque para atacar bases do PKK, que luta desde 1984 pelo independência do Curdistão. O governo dos Estados Unidos pediu moderação aos turcos, temendo que um ataque desestabilize o Curdistão iraquiano, única região estável do Iraque.

Com mais de 40 milhões de pessoas, os curdos são o maior povo do mundo que não tem um Estado Nacional. Vivem na Turquia, no Irã, no Iraque e na Síria. No fim da Primeiro Guerra Mundial, em que os curdos lutaram ao lado da França, da Grã-Bretanha e da Rússia contra o Império Otomano, aliado da Alemanha e da Áustria-Hungria, eles receberam a promessa de que teriam seu país.

Mas, ao redesenhar o mapa político do Oriente Médio no pós-guerra, o então subsecretário para o Oriente Médio do governo britânico, Winston Churchill, enterrou a promessa de criar o Curdistão ao juntar a província curda de Kirkuk, rica em petróleo, às províncias de Bagdá e Bássora para criar um Iraque suficientemente forte para conter o Irã.

A questão curda está viva até hoje. Na Turquia, há um conflito permanente entre o Exército nacionalista e grupos radicais como o PKK.

No Iraque, os curdos foram os maiores aliados dos EUA na invasão do Iraque. Os xiitas sempre duvidiram das reais intenções do governo Bush. E os sunitas foram os grandes perdedores porque eram o núcleo do poder desde que o que hoje é o Iraque passou para o domínio do Império Otomano, em 1638.

Por isso, o Norte do Iraque é a região mais tranqüila do país.

Quanto à Turquia, ao que tudo indica se dá o direito de atacar se de lá partirem ações armadas contra seu território. Uma incursão mais firme e decidida certamente mereceria o repúdio da União Européia, complicando as negociações de acesso da Turquia. Seria mais um pretexto para quem é contra o ingresso dos turcos na casa comum européia.

Para os EUA, a Turquia é um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e um país-chave no relacionamento com o mundo islâmico. É uma arena importante para vencer o debate de idéias entre o iluminismo liberal e os fundamentalistas muçulmanos.