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domingo, 15 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Março

ASSASSINATO DE CÉSAR

    Em 44 antes de Cristo, 60 conspiradores liderados por Caio Cássio Longino e Marco Júnio Bruto matam a facadas nos Idos de Março na escadaria do Senado da República Romana Caio Júlio César, um dos maiores generais de todos os tempos, que se tornara um ditador.

O general agoniza e morre aos pés da estátua de seu inimigo Cneu Pompeu. Ao ser esfaqueado por Bruto, seu protegido por ser filho de uma de suas amantes, não esconde seu espanto: "Até tu, Bruto, filho meu?"

César nasce em 13 de julho de 100 AC na família Julii, de patrícios, mas sem uma posição de destaque na aristocracia romana. Começa a vida pública em 78 AC como promotor público do Partido Popular, que é contra o patriciado, e conquista apoio por causa das propostas reformistas e do talento como orador.

Em 78 AC, Júlio César organiza um exército particular para enfrentar o rei de Pontus, um reino ao sul do Mar Negro. Ele se alia a Cneu Pompeu, o líder do Partido Popular, mas toma a liderança quando Pompeu sai de Roma para ser comandante das forças do Leste da República Romana, em 67 AC.

Quatro anos depois, em 63 AC, César é eleito Pontifex Maximus (Supremo Pontífice), possivelmente com muito suborno e compra de votos. Em 61 AC, é nomeado governador da Hispânia Ulterior. Volta a Roma em 60AC com a ambição de se tornar cônsul, o mais alto cargo da república, ocupado por dois políticos ao mesmo tempo por períodos de um ano.

Os cônsules comandam o Exército, presidem o Senado, executam seus decretos e representam Roma nas relações exteriores. César forma então o Primeiro Triunvirato, uma aliança com Pompeu e Marco Licínio Crasso, o homem mais rico de Roma. Em 59 AC, é eleito cônsul.

Em 58 AC, César assume o comando de quatro legiões romanas na Gália Cisalpina e na Ilíria. Conquista toda a Gália, que incluía o que hoje é a França, a Bélgica, a Suíça e partes da Alemanha e da Itália, mas não consegue invadir o que hoje é a Inglaterra.

O sucesso militar provoca o rompimento da aliança. Sob pressão de Pompeu, o Senado manda César dissolver seu exército. Ele se nega a fazer isso. Ao cruzar o Rio Rubicão, na fronteira da Gália Cisalpina com a Itália, declara guerra a Pompeu.

César vence na Espanha e na Itália, mas é obrigado a fugir para a Grécia. Em agosto de 48 AC, com exército menos numeroso, arma uma emboscada para as forças do Senado Romano sob o comando de Pompeu, que foge para o Egito, onde é assassinado por um agente do rei.

Depois de alguns anos percorrendo os domínios romanos para consolidar o poder, César volta a Roma em 45 AC. É proclamado ditador perpétuo e anuncia uma série de reformas. A mais duradoura é o Calendário Juliano, o primeiro baseado no ano solar e não nas fases da Lua, substituído a partir do século 16 pelo Calendário Gregoriano. Também planeja expansão do império pela Europa Central e Oriental.

Os conspiradores acreditam que a morte de César vai restaurar a República Romana. Mas há uma nova guerra civil. Marco Antônio, Otávio e Lépido formam o Segundo Triunvirato na guerra contra os assassinos de Júlio César. 

Depois da vitória, eles brigam entre si. Lépido vai para o exílio e Marco Antônio se suicida com a derrota para Otávio na Batalha de Ácio, em 31 AC.

Caio Júlio César Otávio é proclamado primeiro imperador romano em 16 de janeiro de 27 AC e acrescenta o nome de Augusto. É o fim da República. 

Augusto governa até a morte, em 19 de agosto de 14 depois de Cristo. Quando Jesus nasce, Otávio César Augusto é o imperador romano. Apesar das guerras expansionistas nas fronteiras do império, Roma em si vive um período de 200 anos de paz, a Pax Romana, quebrada em 68 e 69 DC por uma guerra civil em torno da sucessão.

EXPOSIÇÃO DE VAN GOGH

    Em 1901, onze anos depois de sua morte por suicídio, 71 pinturas do genial artista holandês Vincent Van Gogh são expostas na Galeria Bernheim-jeune, em Paris. Com sua riqueza de cores e estilo, causam sensação no meio artístico.

Van Gogh nasce em Zundert, na Holanda, em 1853. Trabalha como vendedor em galeria de arte, professor, vendedor de livros e pregador entre os mineiros da Bélgica antes de descobrir sua vocação artística.

Sua década produtiva começa em 1880. Ele estuda desenho na Academia de Bruxelas e vai para a Holanda em busca do contato com a terra e a natureza. Pinta Os Comedores de Batata, um quadro sombrio sobre a vida dura dos camponeses, considerado sua primeira grande obra.

Em 1886, vai viver com o irmão, Theo, em Paris, onde conhece grandes pintores pós-impressionistas, Henri de Toulouse-Latrec, Paul Gauguin, Camille Pissarro e Georges Seurat. A conselho de Pissarro, passa a usar uma palheta multicolorida que provoca uma explosão de cores nas suas telas.

A toxicidade das tintas coloridas contribui para os problemas mentais que o abalam. Em 1888, Van Gogh vai para Arles, no Sudeste da França, onde tem um ano de extraordinária criatividade, quando pinta sua série Girassóis.

Van Gogh quer formar uma comunidade de artistas. Convida Gauguin para ir para Arles. No fim de dois meses de convivência difícil, num gesto de loucura, Van Gogh ameaça Gauguin com uma navalha e corta um pedaço da própria orelha.

Depois de dois meses no hospital de Arles, Van Gogh vai para um asilo em Saint-Remy-de-Provence, onde fica 12 meses e continua produzindo entre surtos de doença mental. A Noite Estrelada (1889) é desta época.

Em maio de 1890, deixa o asilo. Vai para Paris e depois se muda para a casa do Dr. Ferdinand Gachet, um médico homeopata amigo de Pissarro, em Auvers-sur-Oise. Ainda trabalha, mas a saúde mental se deteriora. 

Deprimido, Van Gogh se considera um peso para um irmão, se dá um tiro em 27 de julho de 1890 e morre dois depois, nos braços de Theo.

Ao longo da carreira, criou 2,5 mil obras de artesAntes de se matar, só vende um único quadro, A Vinha Encarnada, por 400 francos, na Bélgica. Em 1990, o Retrato do Dr. Gachet é leiloado em Nova York por US$ 82,5 milhões.

A exposição em Paris é a primeira a reconhecer sua genialidade.

FIM DO CZARISMO

    Em 1917, durante a Revolução de Fevereiro (março pelo calendário atual), o czar Nicolau II, o Sanguinário, é forçado a abdicar. É o fim do Império Russo e da Dinastia Romanov, que governa o país por mais de 300 anos.

Nicolau II (I894-1917) é o último imperador da Rússia, rei da Polônia e grão-duque da Finlândia. Passa a ser chamado de Nicolau, o Sanguinário, por causa do Massacre de Khodinka na festa de sua coroação. quando morrem 1.389 pessoas, da perseguição aos judeus, das execuções de inimigos políticos pelo Domingo Sangrento, quando manda atirar na multidão que cerca o palácio durante a Revolução de 1905, precursora das revoluções de 1917.

Durante o reinado do último czar, a Rússia vai de uma das grandes potências mundiais para um país em colapso total. É humilhada pelo Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), a primeira derrota de uma potência branca e europeia para um país não europeu desde que a expansão do Império Otomano foi barrada nos portões de Viena, em 1684. Nicolau II pretende usar a guerra para revigorar o nacionalismo russo.

VOTO PARA OS NEGROS

    Em 1965, diante de uma sessão conjunta do Congresso dos Estados Unidos, o presidente Lyndon Johnson (1963-69) defende a aprovação de uma lei para garantir o direito de voto para todos e usa o lema do movimento negro: "We shall overcome" (Nós devemos superar).

A 15ª Emenda à Constituição dos EUA, aprovada depois da Guerra da Secessão (1861-65), dá o direito de votos a todos, mas vários estados criam legislações contra o voto dos negros, os Leis Jim Crow, com exigências como alfabetização ou testes de caráter a que os eleitores brancos não são submetidos.

O discurso é feito dias depois da violenta repressão policial a uma marcha de protesto contra a segregação racial, em Selma, no Alabama, um dos estados mais conservadores do Sul dos EUA.

Em 6 de agosto, Johnson sanciona a Lei dos Direitos de Voto, que torna ilegal qualquer medida para impor restrições aos direitos de votos. O presidente Richard Nixon (1969-74) amplia os direitos e reduz a idade mínima para votar para 18 anos em todo o país.

SEXTAS PELO FUTURO

    Em 2019, mais de 1,5 milhão de estudantes participam de protestos contra o aquecimento global como parte das Sextas-Feiras pelo Futuro, uma iniciativa da jovem ativista sueca Greta Thunberg.

Greta Tintin Eleonora Ernman Thunberg nasce em Estocolmo em 3 de janeiro de 2003. Ela tem a chamada Síndrome de Asperger, hoje considerada parte do espectro autista. Durante três semanas antes das eleições de 2018 na Suécia, ela mata aula para se sentar diante do Parlamento com uma faixa dizendo "Greve Escolar pelo Clima".

No primeiro dia, ela fica sozinha, mas a cada dia mais gente se junta ao protesto. Depois das eleições, ela volta à escola, mas continua faltando nas sextas-feiras para manter o protesto, chamado de Sextas-Feiras pelo Futuro. A greve escolar se espalha por outros países, inclusive a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, os Estados Unidos, a Finlândia, a França e a Holanda.

Ela discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, no Parlamento Europeu, nos parlamentos dos EUA, da França, da Itália e do Reino Unido. Em setembro de 2019, vai a Nova York num barco a vela que não emite gases que agravam o efeito estufa para falar num evento das Nações Unidas e faz um discurso pungente: "Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. (...) Estamos no começo de uma extinção em massa e tudo o que vocês conseguem falar é sobre dinheiro e seus contos de fadas de um crescimento econômico eterno. Como ousam?"

sábado, 15 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 15 de Março

 ASSASSINATO DE CÉSAR

    Em 44 antes de Cristo, 60 conspiradores liderados por Caio Cássio Longinus e Marco Júnio Brutus matam a facadas nos Idos de Março na escadaria do Senado da República Romana Caio Júlio César, um dos maiores generais de todos os tempos, que se tornara um ditador.

Ele agoniza e morre aos pés da estátua de seu inimigo Cneu Pompeu. Ao ser esfaqueado por Brutus, seu protegido por ser filho de uma de suas amantes, não esconde seu espanto: "Até tu, Brutus, filho meu?"

César nasce em 13 de julho de 100 AC na família Julii, de patrícios, mas sem uma posição de destaque na aristocracia romana. Começa a vida pública em 78 AC como promotor público do Partido Popular, que é contra o patriciado, e conquista apoio por causa das propostas reformistas e do talento como orador.

Em 78 AC, Júlio César organiza um exército particular para enfrentar o rei de Pontus, um reino ao sul do Mar Negro. Ele se alia a Cneu Pompeu, o líder do Partido Popular, mas toma a liderança quando Pompeu sai de Roma para ser comandante das forças do Leste da República Romana, em 67 AC.

Quatro anos depois, em 63 AC, César é eleito Pontifex Maximus (Supremo Pontífice), possivelmente com muito suborno e compra de votos. Em 61 AC, é nomeado governador da Hispânia Ulterior. Volta a Roma em 60AC com a ambição de se tornar cônsul, o mais alto cargo da república, ocupado por dois políticos ao mesmo tempo por períodos de um ano.

Os cônsules comandam o Exército, presidem o Senado, executam seus decretos e representam Roma nas relações exteriores. César forma então o Primeiro Triunvirato, uma aliança com Pompeu e Marco Licínio Crasso, o homem mais rico de Roma. Em 59 AC, é eleito cônsul.

Em 58 AC, César assume o comando de quatro legiões romanas na Gália Cisalpina e na Ilíria. Conquista toda a Gália, que incluía o que hoje é a França, a Bélgica, a Suíça e partes da Alemanha e da Itália, mas não consegue invadir o que hoje é a Inglaterra.

O sucesso militar provoca o rompimento da aliança. Sob pressão de Pompeu, o Senado manda César dissolver seu exército. Ele se nega a fazer isso. Ao cruzar o Rio Rubicão, na fronteira da Gália Cisalpina com a Itália, declara guerra a Pompeu.

César vence na Espanha e na Itália, mas é obrigado a fugir para a Grécia. Em agosto de 48 AC, com exército menos numeroso, arma uma emboscada para as forças do Senado Romano sob o comando de Pompeu, que foge para o Egito, onde é assassinado por um agente do rei.

Depois de alguns anos percorrendo os domínios romanos para consolidar o poder, César volta a Roma em 45 AC. É proclamado ditador perpétuo e anuncia uma série de reformas. A mais duradoura é o Calendário Juliano, o primeiro baseado no ano solar e não nas fases da Lua, substituído a partir do século 16 pelo Calendário Gregoriano. Também planeja expansão do império pela Europa Central e Oriental.

Os conspiradores acreditam que a morte de César vai restaurar a República Romana. Mas há uma nova guerra civil. Marco Antônio, Otávio e Lépido formam o Segundo Triunvirato na guerra contra os assassinos de Júlio César. 

Depois da vitória, eles brigam entre si. Lépido vai para o exílio e Marco Antônio se suicida com a derrota para Otávio na Batalha de Ácio, em 31 AC.

Caio Júlio César Otávio é proclamado primeiro imperador romano em 16 de janeiro de 27 AC e acrescenta o nome de Augusto. É o fim da República. 

Augusto governa até a morte, em 19 de agosto de 14 depois de Cristo. Quando Jesus nasceu, Otávio César Augusto era o imperador romano. Apesar das guerras expansionistas nas fronteiras do império, Roma em si vive um período de 200 anos de paz, a Pax Romana, quebrada em 68 e 69 DC por uma guerra civil em torno da sucessão.

EXPOSIÇÃO DE VAN GOGH

    Em 1901, onze anos depois de sua morte por suicídio, 71 pinturas do genial artista holandês Vincent Van Gogh são expostas na Galeria Bernheim-jeune, em Paris. Com sua riqueza de cores e estilo, causam sensação no meio artístico.

Van Gogh nasce em Zundert, na Holanda, em 1853. Trabalha como vendedor em galeria de arte, professor, vendedor de livros e pregador entre os mineiros da Bélgica antes de descobrir sua vocação artística.

Sua década produtiva começa em 1880. Ele estuda desenho na Academia de Bruxelas e vai para a Holanda em busca do contato com a terra e a natureza. Pinta Os Comedores de Batata, um quadro sombrio sobre a vida dura dos camponeses, considerado sua primeira grande obra.

Em 1886, vai viver com o irmão, Theo, em Paris, onde conhece grandes pintores pós-impressionistas, Henri de Toulouse-Latrec, Paul Gauguin, Camille Pissarro e Georges Seurat. A conselho de Pissarro, passa a usar uma palheta multicolorida que provoca uma explosão de cores nas suas telas.

A toxicidade das tintas coloridas contribui para os problemas mentais que o abalam. Em 1888, Van Gogh vai para Arles, no Sudeste da França, onde tem um ano de extraordinária criatividade, quando pinta sua série Girassóis.

Van Gogh quer formar uma comunidade de artistas. Convida Gauguin para ir para Arles. No fim de dois meses de convivência difícil, num gesto de loucura, Van Gogh ameaça Gauguin com uma navalha e corta um pedaço da própria orelha.

Depois de dois meses no hospital de Arles, Van Gogh vai para um asilo em Saint-Remy-de-Provence, onde fica 12 meses e continua produzindo entre surtos de doença mental. A Noite Estrelada (1889) é desta época.

Em maio de 1890, deixa o asilo. Vai para Paris e depois se muda para a casa do Dr. Ferdinand Gachet, um médico homeopata amigo de Pissarro, em Auvers-sur-Oise. Ainda trabalha, mas a saúde mental se deteriora. 

Deprimido, Van Gogh se considera um peso para um irmão, se dá um tiro em 27 de julho de 1890 e morre dois depois, nos braços de Theo.

Ao longo da carreira, criou 2,5 mil obras de artesAntes de se matar, só vende um único quadro, A Vinha Encarnada, por 400 francos, na Bélgica. Em 1990, o Retrato do Dr. Gachet é leiloado em Nova York por US$ 82,5 milhões.

A exposição em Paris é a primeira a reconhecer sua genialidade.

FIM DO CZARISMO

    Em 1917, durante a Revolução de Fevereiro (março pelo calendário atual), o czar Nicolau II, o Sanguinário, é forçado a abdicar. É o fim do Império Russo e da Dinastia Romanov, que governou o país por mais de 300 anos.

Nicolau II (I894-1917) é o último imperador da Rússia, rei da Polônia e grão-duque da Finlândia. Passa a ser chamado de Nicolau, o Sanguinário, por causa do Massacre de Khodinka na festa de sua coroação. quando morrem 1.389 pessoas, da perseguição aos judeus, das execuções de inimigos políticos pelo Domingo Sangrento, quando mandou atirar na multidão que cercava o palácio durante a Revolução de 1905, precursora das revoluções de 1917.

Durante o reinado do último czar, a Rússia vai de uma das grandes potências mundiais para um país em colapso total. É humilhada pelo Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), a primeira derrota de uma potência branca e europeia para um país não europeu desde que a expansão do Império Otomano foi barrada nos portões de Viena, em 1684. Nicolau II pretende usar a guerra para revigorar o nacionalismo russo.

VOTO PARA OS NEGROS

    Em 1965, diante de uma sessão conjunta do Congresso dos Estados Unidos, o presidente Lyndon Johnson (1963-69) defende a aprovação de uma lei para garantir o direito de voto para todos e usa o lema do movimento negro: "We shall overcome" (Nós devemos superar).

A 15ª Emenda à Constituição dos EUA, aprovada depois da Guerra da Secessão (1861-65), dá o direito de votos a todos, mas vários criam legislações contra o voto dos negros, com exigências como alfabetização ou testes de caráter a que os eleitores brancos não são submetidos.

O discurso é feito dias depois da violenta repressão policial a uma marcha de protesto contra o racismo em Selma, no Alabama, um dos estados mais conservadores do Sul dos EUA.

Em 6 de agosto, Johnson sanciona a Lei dos Direitos de Voto, que torna ilegal qualquer medida para impor restrições aos direitos de votos. O presidente Richard Nixon (1969-74) amplia os direitos e reduz a idade mínima para votar para 18 anos em todo o país.

SEXTAS PELO FUTURO

    Em 2019, mais de 1,5 milhão de estudantes participam de protestos contra o aquecimento global como parte das Sextas-Feiras pelo Futuro, uma iniciativa da jovem ativista sueca Greta Thunberg.

Greta Tintin Eleonora Ernman Thunberg nasce em Estocolmo em 3 de janeiro de 2003. Ela tem a chamada Síndrome de Asperger, hoje considerada parte do espectro autista. Durante três semanas antes das eleições de 2018 na Suécia, ela mata aula para se sentar diante do Parlamento com uma faixa dizendo "Greve Escolar pelo Clima".

No primeiro dia, ela fica sozinha, mas a cada dia mais gente se junta ao protesto. Depois das eleições, ela volta à escola, mas continua faltando nas sextas-feiras para manter o protesto, chamado de Sextas-Feiras pelo Futuro. A greve escolar se espalha por outros países, inclusive a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, os Estados Unidos, a Finlândia, a França e a Holanda.

Ela discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, no Parlamento Europeu, nos parlamentos dos EUA, da França, da Itália e do Reino Unido. Em setembro de 2019, vai a Nova York num barco a vela que não emite gases que agravam o efeito estufa para falar num evento das Nações Unidas e faz um discurso pungente: "Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. (...) Estamos no começo de uma extinção em massa e tudo o que vocês conseguem falar é sobre dinheiro e seus contos de fadas de um crescimento econômico eterno. Como ousam?"

sexta-feira, 15 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 15 de Março

ASSASSINATO DE CÉSAR

    Em 44 antes de Cristo, 60 conspiradores liderados por Caio Cássio Longinus e Marco Júnio Brutus matam a facadas nos Idos de Março na escadaria do Senado da República Romana Caio Júlio César, um dos maiores generais de todos os tempos, que se tornara um ditador.

Ele agoniza e morre aos pés da estátua de seu inimigo Cneu Pompeu. Ao ser esfaqueado por Brutus, seu protegido por ser filho de uma de suas amantes, não esconde seu espanto: "Até tu, Brutus, filho meu?"

César nasce em 13 de julho de 100 AC na família Julii, de patrícios, mas sem uma posição de destaque na aristocracia romana. Começa a vida pública em 78 AC como promotor público do Partido Popular, que é contra o patriciado, e conquista apoio por causa das propostas reformistas e do talento como orador.

Em 78 AC, Júlio César organiza um exército particular para enfrentar o rei de Pontus, um reino ao sul do Mar Negro. Ele se alia a Cneu Pompeu, o líder do Partido Popular, mas toma a liderança quando Pompeu sai de Roma para ser comandante das forças do Leste da República Romana, em 67 AC.

Quatro anos depois, em 63 AC, César é eleito Pontifex Maximus (Supremo Pontífice), possivelmente com muito suborno e compra de votos. Em 61 AC, é nomeado governador da Hispânia Ulterior. Volta a Roma em 60AC com a ambição de se tornar cônsul, o mais alto cargo da república, ocupado por dois políticos ao mesmo tempo por períodos de um ano.

Os cônsules comandam o Exército, presidem o Senado, executam seus decretos e representam Roma nas relações exteriores. César forma então o Primeiro Triunvirato, uma aliança com Pompeu e Marco Licínio Crasso, o homem mais rico de Roma. Em 59 AC, é eleito cônsul.

Em 58 AC, César assume o comando de quatro legiões romanas na Gália Cisalpina e na Ilíria. Conquista toda a Gália, que incluía o que hoje é a França, a Bélgica, a Suíça e partes da Alemanha e da Itália, mas não consegue invadir o que hoje é a Inglaterra.

O sucesso militar provoca o rompimento da aliança. Sob pressão de Pompeu, o Senado manda César dissolver seu exército. Ele se nega a fazer isso. Ao cruzar o Rio Rubicão, na fronteira da Gália Cisalpina com a Itália, declara guerra a Pompeu.

César vence na Espanha e na Itália, mas é obrigado a fugir para a Grécia. Em agosto de 48 AC, com exército menos numeroso, arma uma emboscada para as forças do Senado Romano sob o comando de Pompeu, que foge para o Egito, onde é assassinado por um agente do rei.

Depois de alguns anos percorrendo os domínios romanos para consolidar o poder, César volta a Roma em 45 AC. É proclamado ditador perpétuo e anuncia uma série de reformas. A mais duradoura é o Calendário Juliano, o primeiro baseado no ano solar e não nas fases da Lua, substituído a partir do século 16 pelo Calendário Gregoriano. Também planeja expansão do império pela Europa Central e Oriental.

Os conspiradores acreditam que a morte de César vai restaurar a República Romana. Mas há uma nova guerra civil. Marco Antônio, Otávio e Lépido formam o Segundo Triunvirato na guerra contra os assassinos de Júlio César. 

Depois da vitória, eles brigam entre si. Lépido vai para o exílio e Marco Antônio se suicida com a derrota para Otávio na Batalha de Ácio, em 31 AC.

Caio Júlio César Otávio é proclamado primeiro imperador romano em 16 de janeiro de 27 AC e acrescenta o nome de Augusto. É o fim da República. 

Augusto governa até a morte, em 19 de agosto de 14 depois de Cristo. Quando Jesus nasceu, Otávio César Augusto era o imperador romano. Apesar das guerras expansionistas nas fronteiras do império, Roma em si vive um período de 200 anos de paz, a Pax Romana, quebrada em 68 e 69 DC por uma guerra civil em torno da sucessão.

EXPOSIÇÃO DE VAN GOGH

    Em 1901, onze anos depois de sua morte por suicídio, 71 pinturas do genial artista holandês Vincent Van Gogh são expostas na Galeria Bernheim-jeune, em Paris. Com sua riqueza de cores e estilo, causam sensação no meio artístico.

Van Gogh nasce em Zundert, na Holanda, em 1853. Trabalha como vendedor em galeria de arte, professor, vendedor de livros e pregador entre os mineiros da Bélgica antes de descobrir sua vocação artística.

Sua década produtiva começa em 1880. Ele estuda desenho na Academia de Bruxelas e vai para a Holanda em busca do contato com a terra e a natureza. Pinta Os Comedores de Batata, um quadro sombrio sobre a vida dura dos camponeses, considerado sua primeira grande obra.

Em 1886, vai viver com o irmão, Theo, em Paris, onde conhece grandes pintores pós-impressionistas, Henri de Toulouse-Latrec, Paul Gauguin, Camille Pissarro e Georges Seurat. A conselho de Pissarro, passa a usar uma palheta multicolorida que provoca uma explosão de cores nas suas telas.

A toxicidade das tintas coloridas contribui para os problemas mentais que o abalam. Em 1888, Van Gogh vai para Arles, no Sudeste da França, onde tem um ano de extraordinária criatividade, quando pinta sua série Girassóis.

Van Gogh quer formar uma comunidade de artistas. Convida Gauguin para ir para Arles. No fim de dois meses de convivência difícil, num gesto de loucura, Van Gogh ameaça Gauguin com uma navalha e corta um pedaço da própria orelha.

Depois de dois meses no hospital de Arles, Van Gogh vai para um asilo em Saint-Remy-de-Provence, onde fica 12 meses e continua produzindo entre surtos de doença mental. A Noite Estrelada (1889) é desta época.

Em maio de 1890, deixa o asilo. Vai para Paris e depois se muda para a casa do Dr. Ferdinand Gachet, um médico homeopata amigo de Pissarro, em Auvers-sur-Oise. Ainda trabalha, mas a saúde mental se deteriora. 

Deprimido, Van Gogh se considera um peso para um irmão, se dá um tiro em 27 de julho de 1890 e morre dois depois, nos braços de Theo.

Ao longo da carreira, criou 2,5 mil obras de artesAntes de se matar, só vende um único quadro, A Vinha Encarnada, por 400 francos, na Bélgica. Em 1990, o Retrato do Dr. Gachet é leiloado em Nova York por US$ 82,5 milhões.

A exposição em Paris é a primeira a reconhecer sua genialidade.

FIM DO CZARISMO

    Em 1917, durante a Revolução de Fevereiro (março pelo calendário atual), o czar Nicolau II, o Sanguinário, é forçado a abdicar. É o fim do Império Russo e da Dinastia Romanov, que governou o país por mais de 300 anos.

Nicolau II (I894-1917) é o último imperador da Rússia, rei da Polônia e grão-duque da Finlândia. Passa a ser chamado de Nicolau, o Sanguinário, por causa do Massacre de Khodinka na festa de sua coroação. quando morrem 1.389 pessoas, da perseguição aos judeus, das execuções de inimigos políticos pelo Domingo Sangrento, quando mandou atirar na multidão que cercava o palácio durante a Revolução de 1905, precursora das revoluções de 1917.

Durante o reinado do último czar, a Rússia vai de uma das grandes potências mundiais para um país em colapso total. É humilhada pelo Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), a primeira derrota de uma potência branca e europeia para um país não europeu desde que a expansão do Império Otomano foi barrada nos portões de Viena, em 1684. Nicolau II pretende usar a guerra para revigorar o nacionalismo russo.

VOTO PARA OS NEGROS

    Em 1965, diante de uma sessão conjunta do Congresso dos Estados Unidos, o presidente Lyndon Johnson (1963-69) defende a aprovação de uma lei para garantir o direito de voto para todos e usa o lema do movimento negro: "We shall overcome" (Nós devemos superar).

A 15ª Emenda à Constituição dos EUA, aprovada depois da Guerra da Secessão (1861-65), dá o direito de votos a todos, mas vários criam legislações contra o voto dos negros, com exigências como alfabetização ou testes de caráter a que os eleitores brancos não são submetidos.

O discurso é feito dias depois da violenta repressão policial a uma marcha de protesto contra o racismo em Selma, no Alabama, um dos estados mais conservadores do Sul dos EUA.

Em 6 de agosto, Johnson sanciona a Lei dos Direitos de Voto, que torna ilegal qualquer medida para impor restrições aos direitos de votos. O presidente Richard Nixon (1969-74) amplia os direitos e reduz a idade mínima para votar para 18 anos em todo o país. 

quarta-feira, 13 de junho de 2018

RÚSSIA: Pedro o Grande transformou o país numa grande potência

 O reinado de Pedro I, o Grande (1689-1725), foi um dos períodos de reformas mais importantes da história da Rússia, uma tentativa de modernizar, ocidentalizar e desenvolver tecnologicamente o país.
Antes de chegar ao trono, Pedro chegou a se trabalhar na indústria naval da Holanda e da Inglaterra com o objetivo de criar uma Marinha na Rússia.
Ao se aliar à Polônia-Saxônia, à Dinamarca e à Noruega para combater a ameaça do Império Otomano na região da Crimeia, no Mar Negro, Pedro acabou deflagrando a Grande Guerra do Norte (1700-21) contra a Suécia, que bloqueava o acesso da Rússia ao Mar Báltico.

SÃO PETERSBURGO

Em 27 de maio de 1703, o czar iniciou a construção da Fortaleza de São Pedro e São Paulo, marco da fundação de São Petersburgo, às margens do Rio Neva, na entrada do Golfo da Finlândia.
Para construir uma Veneza no Báltico, Pedro, o Grande, obrigou os nobres a contratar arquitetos europeus para construir mansões na nova cidade, que foi capital do Império Russo de 1713 a 1728 e de 1732 a 1918.
São Petersburgo, “uma janela para a Europa”, foi rebatizada como Petrogrado em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial e como Leningrado depois da morte do líder da revolução, em 1924, retomando seu nome original em 1991, meses antes do fim da URSS.

IMPÉRIO

Sob Pedro, o Grande, a Rússia foi proclamada um império em1721 e se tornou uma potência mundial.
O Império Russo foi o maior estado nacional do mundo e o terceiro maior império da história, depois do britânico e do mongol, chegando a 23,7 milhões de km2 em 1866. Com 176,4 milhões de súditos, tinha a maior população do mundo no século 19.

GOLPES

Pedro I foi sucedido por sua serva, amante e segunda mulher, Catarina I, que reinou por apenas dois anos, dando início a um período marcado por uma sucessão de golpes de Estado.
Pedro II, único neto homem de Pedro I, reinou pouco mais de um ano até morrer de varíola  em 30 de janeiro de 1730 aos 14 anos, terminando com a linhagem masculina da Dinastia Romanov. Foi sucedido por Ana Ivanovna.

ANA I

A czarina Ana I (1730-40), filha de Ivã V, irmão de Pedro I, chegou a ser pressionada pela nobreza para reduzir seus poderes e instaurar uma monarquia constitucional. Com a ameaça da Guerra da Sucessão Polonesa (1733-35), conquistou o apoio de parte da aristocracia e se impôs como monarca absolutista.
Ana I restabeleceu a polícia de segurança nacional criada por Pedro, o Grande, para combater seus inimigos. Para humilhar a antiga nobreza, armou um casamento do príncipe Demétrio Galitzine com uma de suas criadas em que os dois estava vestidos de palhaço e foram obrigados a passar a lua de mel num palácio de gelo no terrível inverno de 1739-40.
Pouco antes de morrer, Ana I indicou como sucessor o sobrinho neto recém-nascidoIvã VI, bisneto de Ivã V. Treze meses depois, um golpe incruento levava ao poder Elizabeth I (1741-62), filha de Pedro, o Grande, e Catarina I.

ELIZABETH I

Elizabeth I aboliu a pena de morte, criou o Senado (1743) e um conselho político supremo (1743), suprimiu as aduanas nas fronteiras internas do império (1754), fundou a Universidade de Moscou (1755) e a Academia de Artes da Rússia (1757). Também ampliou os poderes da nobreza às custas do campesinato, fortalecendo as leis de servidão.
No seu reinado, a Rússia apoiou Maria Teresa da Áustria na Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48). Na Guerra dos Sete Anos (1756-63), aliou-se à Austria, Espanha, França, Saxônia e Suécia contra Frederico II, o Grande, da Prússia, a Grã-Bretanha, Portugal e Hanôver.
A morte de Elizabeth I, em 5 de janeiro de 1762, salvou a Prússia no que é chamado de milagre da casa da Brandemburgo. 

PEDRO III

Seu sucessor, Pedro III, neto de Pedro o Grande, tirou a Rússia da guerra e abriu mão dos territórios prussianos conquistados, ajudando Frederico, o Grande, da Prússia.
Pedro III iniciou a modernização do Exército da Rússia que derrotaria a França 50 anos depois, salvando a Europa de Napoleão Bonaparte. Criou o primeiro banco estatal, incentivou a exportação de grãos e proibiu a importação de açúcar e de outros produtos encontráveis no mercado interno.
A admiração por um inimigo como Frederico, o Grande, tornou Pedro III bastante impopular. Seis meses depois da ascensão ao trono, foi morto numa conspiração armada por sua esposa, Catarina II, a Grande, que seria a czarina mais poderosa da História da Rússia, com a cumplicidade de nobres da corte e da guarda palaciana, chefiada por seu amante Grigori Orlov.

CATARINA A GRANDE

Catarina II, a Grande, recriou a polícia política, rebatizada como Tcheka pelos bolcheviques, NKVD no período stalinista e KGB (Comitê de Defesa do Estado) de 1954 até o fim da URSS, em 1991, quando foi substituída pelo Serviço Federal de Segurança, do qual o atual presidente Vladimir Putin foi diretor.
Sofia Frederica Augusta de Anhalt-Zerbst, princesa de Holstein, foi rebatizada Catarina Alexeieva quando se converteu à Igreja Cristã Ortodoxa em 28 de junho de 1744 para se casar.

DESPOTISMO ESCLARECIDO

Culta e inteligente, Catarina era amiga de intelectuais do Iluminismo francês como Denis Diderot, Voltaire e o Barão de Montesquieu, o que não a tornou menos despótica.
Catarina, a Grande, pensou em acabar com a servidão, base da economia russa, 95% agrária. Os servos eram propriedade de seus senhores. Foi dissuadida pelos nobres, de quem seu poder dependia.
Durante seu reinado, o Império Russo ganhou mais 520 mil km2 na Crimeia, no Norte do Cáucaso, na Ucrânia, na Bielorrússia, na Lituânia e na Curlândia.
Para equilibrar as contas públicas, ela começou secularizando as propriedades do clero, que tinha um terço das terras e dos servos da Rússia.

GUERRA TURCO-RUSSA

Na Guerra Russo-Turca (1768-74), o Império Russo anexou o Sul da Ucrânia e o Norte do Cáucaso. A Crimeia seria anexada em 1783, o que levaria a nova guerra de 1787-92, uma tentativa inútil do Império Otomano de reconquistar os territórios perdidos.
Em 1774, ano da primeira vitória sobre o Império Otomano, Grigori Potemkin, que se destacara em combate, torna-se amante e conselheiro da Imperatriz. Parte do esplendor e da glória do reinado de Catarina II é atribuída a Potemkin.

REVOLTA DE PUGACHEV

Durante a Primeira Guerra Turco-Russa, em 1773, estourou a Revolta de Pugachev. Declarando ser Pedro III, o rei morto na conspiração que levara Catarina ao trono, Iemelian Pugachev liderou uma rebelião camponesa e cossaca, a maior da Rússia antes das revoluções de 1917, prometendo acabar com a servidão.
Quando 40 mil rebeldes se preparavam para marchar rumo a Moscou, a guerra com o Império Otomano terminou. Assim que as tropas russas voltaram, a czarina mandou-as esmagar a rebelião. Pugachev foi preso e decapitado em 1775.
O grande poeta russo Alexander Pushkin escreveu a História de Pugachev contando a história da Revolta Camponesa de 1773-75.

DIVISÃO DA POLÔNIA

A guerra contra a Comunidade Polaco-Lituana levou à divisão da Polônia entre o Império Russo, o Império Austríaco e o Reino da Prússia. Em 1764, Catarina nomeou um de seus ex-amantes, Stanislau Poniatowski, rei da Polônia.
A primeira divisão da Polônia foi decidida em 5 de agosto de 1772. Duas décadas mais tarde, a Rússia e a Prússia invadiram a Polônia e Lituânia, e fizeram a segunda divisão da Polônia, em 23 de janeiro de 1793.
Com a terceira divisão, em que também entrou o Império Austríaco, em 24 de outubro de 1795, a Polônia desaparece como país independente. Só volta a existir com o fim da Primeira Guerra Mundial, em 11 de novembro de 1918.
Ao conquistar a Polônia, a Rússia deixou de ter um país como zona de proteção. Passou a ter fronteiras com a Áustria e a Prússia, além de incorporar ao império bielorrussos, lituanos, poloneses, ucranianos e judeus.

ANTISSEMITISMO

Desde 1742, os judeus enfrentavam discriminação na Rússia. Eram considerados estrangeiros. 
Um decreto de 3 de janeiro de 1792 limitou a área onde os judeus poderiam morar a 20% da Rússia Europeia, mais ou menos onde hoje ficam a Bielorrússia, a Lituânia, a Polônia, a Moldova e a Ucrânia, criando as condições para futuras perseguições.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Grande Guerra forjou o século 20

Em 28 de julho de 1914, o Império Austro-Húngaro declarou guerra à Sérvia em resposta ao assassinato do herdeiro do trono, arquiduque Francisco Ferdinando, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip um mês antes em Sarajevo. A Alemanha apoiou a Áustria. A França e a Rússia ficaram do lado da Sérvia.

No início de agosto 1914, as grandes potências da Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália) e da Tríplice Entente (França, Grã-Bretanha e Rússia) iniciavam os combates da Primeira Guerra Mundial.

Era para ser uma guerra curta. Todos voltariam para casa no Natal. Virou a Grande Guerra. Quando os canhões silenciaram, às 11h de 11 de novembro de 1918, pelo menos 18 milhões de pessoas tinham sido mortas. Outros milhões morreram na pandemia de gripe espanhola, propagada pelo soldados que voltavam das frentes de batalha.

Foi o fim do que o historiador britânico Eric Hobsbawm chamou de Era dos Impérios. Os impérios Alemão, Áustro-Húngaro, Russo e Otomano (turco) desapareceram, redesenhando os mapas da Europa e do Oriente Médio. A Polônia renasceu das cinzas dos impérios europeus.

Os impérios Britânico e Francês criaram o moderno Oriente Médio, fonte de tantos conflitos e ressentimentos históricos. A criação de Israel começou com a Declaração de Balfour, de 1917, em que o ministro do Exterior britânico, Arthur James Balfour, prometeu ao Barão de Rothschild criar uma pátria para o povo judeu na Palestina.

A guerra deixava definitivamente de ser um esporte de aristocratas montados a cavalo com espadas e penachos na cabeça para se transformar numa atividade industrial com milhões de soldados enviados de trem para as linhas de frente, onde eram submetidos a um incessante bombardeio da artilharia inimiga. Os franceses ainda usavam um uniforme branco que os tornavam alvos mais fáceis para as novas tecnologias militares.

Num único dia de agosto de 1914, a França perdeu 22 mil soldados. No primeiro dia da Batalha do Somme, 1º de julho de 1916, morreram 19.240 britânicos, no pior dia da história do Exército Real.

O avião se tornou uma arma de guerra pela primeira vez. Os tanques e as armas químicas também. Um grande impasse na frente ocidental fez com que os dois lados estagnassem numa longa linha de trincheiras que ia da Bélgica à França. Quando a Alemanha parecia estar em vantagem, em março de 1918, os americanos entraram na guerra e romperam o equilíbrio.

Derrotados e humihados na frente oriental, os soldados do Exército Imperial da Rússia voltaram para casa e se juntaram às revoluções que derrubaram o czar e levaram os comunistas ao poder, em 1917. No mesmo ano, os Estados Unidos declaravam guerra à Alemanha depois de terem vários navios afundados no Oceano Atlântico. O Brasil faz o mesmo.

Quando a guerra acabou, o presidente dos EUA, Woodrow Wilson, apresentou seu plano de paz de 14 pontos que incluía a criação da Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial.

Wilson convencera os americanos de que era "a guerra para acabar com todas as guerras". Mas a Conferência de Versalhes produziu "a paz para acabar com todas as pazes", e o Congresso dos EUA não ratificou a Convenção da Liga das Nações. O isolacionismo dos EUA e o fracasso da Liga contribuíram para minar a paz.

Sem o colapso da economia alemã no começo dos anos 1920s sob o peso das dívidas de guerra impostas pelo Tratado de Versalhes, de 1919, talvez o nazismo não tivesse tomado conta da Alemanha e deflagrado a Segunda Guerra Mundial.

Poetas e escritores que serviram nas trincheiras produziram vasta literatura sobre a agonia nas frentes de combate. Adeus às Armas, de Ernest Hemingway; Terra Arrasada, de Thomas Stearn Eliot; e Nada de Novo na Frente Ocidental, de Erich Maria Remarque; estão entre as obras-primas do século 20. O poeta britânico Siegfried Sassoon, condecorado na frente ocidental, ironizou em versos o patriotismo exaltado que empolgou e desgraçou o mundo.