sexta-feira, 15 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 15 de Março

ASSASSINATO DE CÉSAR

    Em 44 antes de Cristo, 60 conspiradores liderados por Caio Cássio Longinus e Marco Júnio Brutus matam a facadas nos Idos de Março na escadaria do Senado da República Romana Caio Júlio César, um dos maiores generais de todos os tempos, que se tornara um ditador.

Ele agoniza e morre aos pés da estátua de seu inimigo Cneu Pompeu. Ao ser esfaqueado por Brutus, seu protegido por ser filho de uma de suas amantes, não esconde seu espanto: "Até tu, Brutus, filho meu?"

César nasce em 13 de julho de 100 AC na família Julii, de patrícios, mas sem uma posição de destaque na aristocracia romana. Começa a vida pública em 78 AC como promotor público do Partido Popular, que é contra o patriciado, e conquista apoio por causa das propostas reformistas e do talento como orador.

Em 78 AC, Júlio César organiza um exército particular para enfrentar o rei de Pontus, um reino ao sul do Mar Negro. Ele se alia a Cneu Pompeu, o líder do Partido Popular, mas toma a liderança quando Pompeu sai de Roma para ser comandante das forças do Leste da República Romana, em 67 AC.

Quatro anos depois, em 63 AC, César é eleito Pontifex Maximus (Supremo Pontífice), possivelmente com muito suborno e compra de votos. Em 61 AC, é nomeado governador da Hispânia Ulterior. Volta a Roma em 60AC com a ambição de se tornar cônsul, o mais alto cargo da república, ocupado por dois políticos ao mesmo tempo por períodos de um ano.

Os cônsules comandam o Exército, presidem o Senado, executam seus decretos e representam Roma nas relações exteriores. César forma então o Primeiro Triunvirato, uma aliança com Pompeu e Marco Licínio Crasso, o homem mais rico de Roma. Em 59 AC, é eleito cônsul.

Em 58 AC, César assume o comando de quatro legiões romanas na Gália Cisalpina e na Ilíria. Conquista toda a Gália, que incluía o que hoje é a França, a Bélgica, a Suíça e partes da Alemanha e da Itália, mas não consegue invadir o que hoje é a Inglaterra.

O sucesso militar provoca o rompimento da aliança. Sob pressão de Pompeu, o Senado manda César dissolver seu exército. Ele se nega a fazer isso. Ao cruzar o Rio Rubicão, na fronteira da Gália Cisalpina com a Itália, declara guerra a Pompeu.

César vence na Espanha e na Itália, mas é obrigado a fugir para a Grécia. Em agosto de 48 AC, com exército menos numeroso, arma uma emboscada para as forças do Senado Romano sob o comando de Pompeu, que foge para o Egito, onde é assassinado por um agente do rei.

Depois de alguns anos percorrendo os domínios romanos para consolidar o poder, César volta a Roma em 45 AC. É proclamado ditador perpétuo e anuncia uma série de reformas. A mais duradoura é o Calendário Juliano, o primeiro baseado no ano solar e não nas fases da Lua, substituído a partir do século 16 pelo Calendário Gregoriano. Também planeja expansão do império pela Europa Central e Oriental.

Os conspiradores acreditam que a morte de César vai restaurar a República Romana. Mas há uma nova guerra civil. Marco Antônio, Otávio e Lépido formam o Segundo Triunvirato na guerra contra os assassinos de Júlio César. 

Depois da vitória, eles brigam entre si. Lépido vai para o exílio e Marco Antônio se suicida com a derrota para Otávio na Batalha de Ácio, em 31 AC.

Caio Júlio César Otávio é proclamado primeiro imperador romano em 16 de janeiro de 27 AC e acrescenta o nome de Augusto. É o fim da República. 

Augusto governa até a morte, em 19 de agosto de 14 depois de Cristo. Quando Jesus nasceu, Otávio César Augusto era o imperador romano. Apesar das guerras expansionistas nas fronteiras do império, Roma em si vive um período de 200 anos de paz, a Pax Romana, quebrada em 68 e 69 DC por uma guerra civil em torno da sucessão.

EXPOSIÇÃO DE VAN GOGH

    Em 1901, onze anos depois de sua morte por suicídio, 71 pinturas do genial artista holandês Vincent Van Gogh são expostas na Galeria Bernheim-jeune, em Paris. Com sua riqueza de cores e estilo, causam sensação no meio artístico.

Van Gogh nasce em Zundert, na Holanda, em 1853. Trabalha como vendedor em galeria de arte, professor, vendedor de livros e pregador entre os mineiros da Bélgica antes de descobrir sua vocação artística.

Sua década produtiva começa em 1880. Ele estuda desenho na Academia de Bruxelas e vai para a Holanda em busca do contato com a terra e a natureza. Pinta Os Comedores de Batata, um quadro sombrio sobre a vida dura dos camponeses, considerado sua primeira grande obra.

Em 1886, vai viver com o irmão, Theo, em Paris, onde conhece grandes pintores pós-impressionistas, Henri de Toulouse-Latrec, Paul Gauguin, Camille Pissarro e Georges Seurat. A conselho de Pissarro, passa a usar uma palheta multicolorida que provoca uma explosão de cores nas suas telas.

A toxicidade das tintas coloridas contribui para os problemas mentais que o abalam. Em 1888, Van Gogh vai para Arles, no Sudeste da França, onde tem um ano de extraordinária criatividade, quando pinta sua série Girassóis.

Van Gogh quer formar uma comunidade de artistas. Convida Gauguin para ir para Arles. No fim de dois meses de convivência difícil, num gesto de loucura, Van Gogh ameaça Gauguin com uma navalha e corta um pedaço da própria orelha.

Depois de dois meses no hospital de Arles, Van Gogh vai para um asilo em Saint-Remy-de-Provence, onde fica 12 meses e continua produzindo entre surtos de doença mental. A Noite Estrelada (1889) é desta época.

Em maio de 1890, deixa o asilo. Vai para Paris e depois se muda para a casa do Dr. Ferdinand Gachet, um médico homeopata amigo de Pissarro, em Auvers-sur-Oise. Ainda trabalha, mas a saúde mental se deteriora. 

Deprimido, Van Gogh se considera um peso para um irmão, se dá um tiro em 27 de julho de 1890 e morre dois depois, nos braços de Theo.

Ao longo da carreira, criou 2,5 mil obras de artesAntes de se matar, só vende um único quadro, A Vinha Encarnada, por 400 francos, na Bélgica. Em 1990, o Retrato do Dr. Gachet é leiloado em Nova York por US$ 82,5 milhões.

A exposição em Paris é a primeira a reconhecer sua genialidade.

FIM DO CZARISMO

    Em 1917, durante a Revolução de Fevereiro (março pelo calendário atual), o czar Nicolau II, o Sanguinário, é forçado a abdicar. É o fim do Império Russo e da Dinastia Romanov, que governou o país por mais de 300 anos.

Nicolau II (I894-1917) é o último imperador da Rússia, rei da Polônia e grão-duque da Finlândia. Passa a ser chamado de Nicolau, o Sanguinário, por causa do Massacre de Khodinka na festa de sua coroação. quando morrem 1.389 pessoas, da perseguição aos judeus, das execuções de inimigos políticos pelo Domingo Sangrento, quando mandou atirar na multidão que cercava o palácio durante a Revolução de 1905, precursora das revoluções de 1917.

Durante o reinado do último czar, a Rússia vai de uma das grandes potências mundiais para um país em colapso total. É humilhada pelo Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), a primeira derrota de uma potência branca e europeia para um país não europeu desde que a expansão do Império Otomano foi barrada nos portões de Viena, em 1684. Nicolau II pretende usar a guerra para revigorar o nacionalismo russo.

VOTO PARA OS NEGROS

    Em 1965, diante de uma sessão conjunta do Congresso dos Estados Unidos, o presidente Lyndon Johnson (1963-69) defende a aprovação de uma lei para garantir o direito de voto para todos e usa o lema do movimento negro: "We shall overcome" (Nós devemos superar).

A 15ª Emenda à Constituição dos EUA, aprovada depois da Guerra da Secessão (1861-65), dá o direito de votos a todos, mas vários criam legislações contra o voto dos negros, com exigências como alfabetização ou testes de caráter a que os eleitores brancos não são submetidos.

O discurso é feito dias depois da violenta repressão policial a uma marcha de protesto contra o racismo em Selma, no Alabama, um dos estados mais conservadores do Sul dos EUA.

Em 6 de agosto, Johnson sanciona a Lei dos Direitos de Voto, que torna ilegal qualquer medida para impor restrições aos direitos de votos. O presidente Richard Nixon (1969-74) amplia os direitos e reduz a idade mínima para votar para 18 anos em todo o país. 

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