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domingo, 1 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Março

CAÇA ÀS BRUXAS

    Em 1692, Sarah Goode, Sarah Osbornee e Tituba, uma escrava de Barbados, são acusadas de bruxaria na vila de Salém, na Colônia da Baía de Massachusetts, parte do Império Britânico. No mesmo dia, Tituba, provavelmente sob tortura confessa o crime, o que leva as autoridades a iniciar uma caça às "feiticeiras" de Salém.

O problema começou um mês antes, quando Elizabeth Parris, de 9 anos, e Abigail Williams, de 11 anos, filha e sobrinha do reverendo Samuel Parris, começam a sofrer distúrbios e doenças misteriosas. Um médico atribui os problemas a bruxaria.

Sob pressão dos adultos, as duas crianças e outros residentes de Salém acusam mais de 150 homens e mulheres de práticas satânicas.

NASCIMENTO DE CHOPIN

    Em 1810, o músico polonês radicado na França Frédéric François Chopin, um dos maiores compositores de todos os tempos, o poeta do piano, nasce em Zelazowa Mola, filho de um imigrante francês que trabalha como tutor da aristocracia na Polônia.

Quando Frédéric tem oito meses, o pai, Nicholas, se torna professor de francês do Liceu de Varsóvia. Chopin estuda no liceu de 1823 a 1826.

Sempre muito atento quando a mãe ou a irmã toca piano, aos seis anos ele tenta reproduzir o que ouve. No ano seguinte, começa a estudar piano. Aos oito anos, faz a primeira apresentação em público num concerto beneficente. Três anos depois, toca para o czar Alexandre I, da Rússia, que vai à abertura do Parlamento em Varsóvia.

Na segunda metade do século 18, há três divisões da Polônia entre a Rússia, a Prússia e a Áustria. Em 1795, a Polônia deixa de existir. Só recupera a independência em 1918, depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18). É nessa Polônia ocupada que Chopin nasce e cresce.

O menino-prodígio também compõe. Aos sete anos, escreve a primeira Polonaise. Aos 16 anos, Chopin entra para o recém-criado Conservatório de Varsóvia, sob a direção do compositor polonês Joseph Elsner, com quem Chopin havia estudado. 

Elsner compreende que precisa lhe dar total liberdade de criação, em vez de submetê-lo ao rigor acadêmico. Chopin estuda harmonia e composição, e tem ampla liberdade para se desenvolver como pianista.

Chopin vai a Berlim em 1828 e se apresenta pela primeira vez em Viena, capital do Império Austríaco, um dos grandes centros culturais do mundo, especialmente para música clássica, em 1829. Quando sai da Polônia, em 1830, para estudar na Alemanha e na Itália, estoura uma revolta polonesa contra a Rússia. Ele está em Viena quando recebe a notícia.

Em julho de 1831, Chopin vai para Paris, onde encontra o ambiental ideal para o florescimento de sua arte. Logo estabelece ligações com os imigrantes e refugiados poloneses e com compositores como Franz Liszt, Hector Berlioz, Vincenzo Bellini e Felix Mendelssohn.

Também conhece Aurora Dudevant, uma escritora que usa o pseudônimo de George Sand, com quem começa um relacionamento amoroso em 1838. Eles alugam uma casa em Mayorca, uma das Ilhas Baleares, da Espanha, onde Chopin fica doente. Quando o dono da casa ouve rumores de tuberculose, manda eles saírem.

Durante 10 anos, Chopin luta contra a tuberculose. Faz a última apresentação no Guildhall, em Londres, em 16 de novembro de 1848, para arrecadar dinheiro para os exilados poloneses. Morre em Paris em 17 de outubro de 1849.


FIM DA GUERRA DO PARAGUAI

    Em 1870, com a morte do ditador Francisco Solano López na Batalha de Cerro Corá, termina a Guerra do Paraguai ou a Guerra da Tríplice Aliança de Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, que a chama de Guerra Grande.

Maior conflito armado internacional da história da América Latina, a Guerra do Paraguai começa em 12 de outubro de 1864. Neste ano, o Brasil invade o Uruguai, intervém na Guerra do Uruguai, uma guerra civil, ao lado do Partido Colorado na luta contra o Partido Blanco. Cai o presidente Bernardo Berro, alvo da Cruzada Libertadora lançada no ano anterior pelo líder colorado, general Venancio Flores.

Berro é aliado de Solano López e dos federalistas argentinos. Além do Brasil, Flores tem o apoio de Bartolomeu Mitre, presidente da Argentina, um unitário que se opõe aos federalistas.

Em 11 de novembro, o Paraguai apreende o navio brasileiro Marquês de Olinda. Ele transporta o presidente da província do Mato Grosso, que morre numa prisão paraguaia. Um mês depois, em 14 de dezembro, o Paraguai invade o Sul do Mato Grosso.

López sonha em criar um Grande Paraguai, conquistando o Uruguai, o Mato Grosso, o Rio Grande do Sul e as províncias argentinas de Missiones e Corrientes. Em 1865, o Paraguai invade Corrientes e o Rio Grande do Sul, e a Argentina entra na guerra.

O Paraguai invade Corrientes em 13 de abril. A Argentina, o Brasil e o Uruguai firmam o Tratado da Tríplice Aliança em 1º de maio de 1865. O tratado prevê que "o Paraguai deve ser responsabilizado por todas as consequências do conflito, pagar todas as dívidas de guerra" e "ficar sem qualquer fortaleza e força militar".

Solano López conta com o apoio do general federalista Justo José de Urquiza, inimigo de Mitre na política argentina, mas Urquiza prefere apoiar seu país a um líder estrangeiro.

Em 11 de junho de 1865, uma esquadra brasileira sob o comando do almirante Francisco Manuel Barroso, destrói a poderosa marinha paraguaia na Batalha Naval do Riachuelo e impede o Paraguai de ocupar permanentemente o território argentino. 

Ao dar o controle da navegação na Bacia do Rio da Prata aos aliados, é a batalha decisiva da guerra. Os paraguaios avançam até o Rio Grande do Sul. Tomam São Borja, Itaqui e Uruguaiana. O Barão de Porto Alegre sai da capital da província para enfrentar o inimigo. Em 18 de setembro de 1865, a guarnição paraguaia se rende.

Em 16 de abril de 1866, os aliados invadem o Paraguai. Depois de duas vitórias do general brasileiro Manuel Luís Osório, os paraguaios contêm a contraofensiva na primeira grande batalha terrestre da guerra, em Estero Bellaco, em 2 de maio.

Vitorioso, Solano López aposta numa vitória na Batalha de Tuiuti. Em 24 de maio de 1866, 25 mil paraguaios enfrentam 35 mil aliados no combate mais sangrento da guerra, que termina com 6 mil vítimas entre os aliados e 12 mil entre os paraguaios.

O Paraguai se recupera e vence as forças de Mitre e Flores na Batalha do Boqueirão, mas perde a Batalha do Curuzu para o general brasileiro Porto Alegre.

Em 12 de setembro de 1866, depois de perder a Batalha do Curuzu, Solano López convida Mitre e Flores para uma conferência de paz em Yatayty Cora. Há uma "discussão acalorada". Percebendo que a guerra está perdida, Solano López quer negociar a paz. Mitre exige que ele cumpra o que está no Tratado da Tríplice Aliança, que inviabiliza a paz com Solano López no poder. Ele não aceita.

Dias depois, na Batalha de Curupaiti, em 22 de setembro de 1866, os aliados atacam as forças paraguaias frontalmente e sofrem sua maior derrota, o que atrasa a ofensiva por 10 meses, até 18 de julho de 1867.

O Brasil decide então criar um comando unificado das forças brasileiras. O imperador nomeia o general Luís Alves de Lima e Silva, o Marquês e futuro Duque de Caxias, como comandante em 10 de outubro de 1866. Com a saída de Mitre em fevereiro de 1867, Caxias se torna o comandante geral aliado. Obtém vitórias decisivas como em Humaitá. Em 1869, passa o comando para o Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel.

Ao todo, o Império do Brasil manda 150 mil homens para a guerra, dos quais 50 mil morrem. Com mais 10 mil civis mortos, 60 mil brasileiros morrem na Guerra do Paraguai. A Argentina e o Uruguai perdem a metade de suas tropas, e o Paraguai 300 mil pessoas entre mortos em combate, de fome e de doenças causadas pela guerra. Só 10% da população adulta masculina do Paraguai sobrevivem.

Por causa da invasão e tentativa de conquistar o território brasileiro, o imperador Dom Pedro II só aceita a rendição incondicional de Solano López. A Guerra do Paraguai marca a entrada dos militares na política brasileira.

PRIMEIRO PARQUE NACIONAL

    Em 1872, o Congresso dos Estados Unidos aprova a criação do Parque Nacional de Yellowstone, o primeiro parque nacional do país e talvez do mundo, dividido entre os estados de Montanha, Wyoming e Idaho.

Com quase 9 mil quilômetros quadrados, Yellowstone não é só o mais antigo e mais conhecido parque nacional dos EUA. É também o maior. Alguns naturalistas alegam que não é o mais antigo do mundo por causa do Parque Nacional Bogd Khan, na Mongólia, que seria de 1778.

Yellowstone é declarado reserva da biosfera em 1976 pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) e patrimônio da humanidade em 1978. Fica numa região com atividade sísmica e geológica há dezenas de milhares de ano. Tem a maior quantidade de fontes geotérmicas do mundo.

PROIBIDA EXECUÇÃO DE MENORES

    Em 2005, por 5-4, a Suprema Corte dos Estados Unidos decide que é inconstitucional executar condenados que cometeram crimes antes dos 18 anos de idade.


O tribunal considera que a execução de menores viola das emendas nºs 8 e 14 à Constituição dos EUA. A Emenda nº 8 proíbe a "punição cruel e incomum". A Emenda nº 14 garante a proteção igual para todos.

No voto vencedor, o ministro-relator Anthony Kennedy escreve que, "quando um jovem criminoso comete um crime odioso, o Estado pode tirar algumas liberdades básicas, mas não pode extinguir sua vida e o potencial de alcançar uma compreensão madura de sua própria humanidade."

terça-feira, 20 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 20 de Maio

 VASCO DA GAMA CHEGA À ÍNDIA

    Em 1498, o navegador português Vasco da Gama chega a Calicute, tornando-se o primeiro europeu a chegar à Índia pelos oceanos Atlântico e Índico, contornando a costa da África.

A frota de Vasco da Gama sai de Lisboa em 8 de julho de 1497 e dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que o guia até a Índia.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

MORTE DE COLOMBO

    Em 1506, o navegador genovês Cristóvão Colombo, primeiro europeu a explorar a América desde que os vikings estabeleceram colônias na Groenlândia e no Canadá, no século 10, morre em Valladolid, na Espanha, sem saber que descobrira um novo continente. Ele acredita ter chegado às Índias.

Colombo se convence de que a Terra é redonda, mas não sabe da existência do Oceano Pacífico e estima que o planeta seja muito menor.

Depois de ser rejeitado uma vez pelo rei Dom João II, de Portugal, e duas vezes pelos reis da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, na terceira tentativa, os reis católicos, fortalecidos pela conquista de Granada e a expulsão dos mouros da Península Ibérica em 2 de janeiro de 1492, decidem bancar a viagem.

Em 3 de agosto do mesmo ano, Colombo sai de Palos com três pequenos navios, Santa Maria, Pinta e Niña, e chega à América em 12 de outubro, provavelmente a uma das ilhas Bahamas. No mês seguinte, vai a Cuba. Em dezembro funda uma pequena colônia na ilha de Hispaniola, hoje dividida entre Haiti e República Dominica.

Ao todo, Colombo faz quatro viagens à América sem se dar conta de que não está na Ásia. Em 1507, um ano após sua morte, é publicado o primeiro mapa múndi, incluindo o novo continente, batizado como América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que a chamara de Novo Mundo.

LEI DE TERRAS

    Em 1862, o presidente Abraham Lincoln sanciona a Lei de Propriedade Rural dos Estados Unidos, que garante a propriedade de até 160 acres (64 hectares) de terras públicas sem qualquer ônus para quem vive na terra e a cultiva por pelo menos 5 anos.

Assim, o acesso à terra nos EUA se dá através da posse. No Brasil, em contraste, a lei de terras é de 1850 e estabelece como princípio de acesso à terra a propriedade. 

Desta maneira, os grandes fazendeiros compram terras para seus descendentes, enquanto a maioria não tem acesso à terra e trabalha como agregado às grandes propriedades.

TRÍPLICE ALIANÇA

    Em 1882, a Alemanha, a Áustria-Hungria e a Itália formam a Tríplice Aliança, um acordo militar defensivo para se proteger de ataques de outras potências europeias. Com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Itália deixa a aliança em 1915 sob a alegação de que é só para defesa.

A Alemanha e a Áustria-Hungria são estreitamente ligadas desde 1879. A Itália busca apoio contra a França, inimiga histórica da Alemanha, que se unifica depois da Guerra Franco-Prussiana (1870-71).

O principal responsável pela Tríplice Aliança é o chanceler (primeiro-ministro) alemão, Otto von Bismarck, o Chanceler de Ferro, interessado em preservar o status quo na Europa para evitar que a França tente reconquistar a Alsácia e a Lorena.

Como a Primeira Guerra Mundial começa com uma declaração de guerra da Áustria-Hungria à Sérvia em 28 de julho de 1914, um mês depois do assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro, arquiduque Francisco Ferdinando, em Sarajevo, na Bósnia, a Itália inicialmente não entra na guerra sob a alegação de que a Áustria é agressora.

Em 1915, a Itália abandona a Tríplice Aliança e entra na guerra ao lado da Tríplice Entente (Reino Unido, França e Rússia), formada em 1907, na esperança de ganhar territórios da Áustria com isso.

No fim da guerra, com a derrota da Tríplice Aliança, desaparecem os impérios Alemão, Austro-Húngaro e Otomano (Turco), que adere às potências centrais. Também desaparece o Império Russo, que perde a guerra para a Alemanha antes da derrota final alemã em 11 de novembro de 1918.

PRIMEIRO VOO TRANSATLÂNTICO

    Em 1926, o aviador norte-americano Charles Lindbergh parte para o primeiro voo sem parar através do Oceano Atlântico. Vai de Nova York a Paris no avião monomotor Espírito de São Luís em 33 horas e meia.

Lindbergh nasce em Detroit, no estado de Michigan, em 4 de fevereiro de 1902. É criado em Little Falls, em Minnesota, e em Washington, a capital dos Estados Unidos. Seu pai é deputado eleito para a Câmara dos Representantes pelo 6º distrito de Minnesota.

O jovem Lindbergh deixa a Universidade de Wisconsin em Madison no segundo ano para se dedicar à aviação. Entra para uma escola em Lincoln, em Nebraska, e compra um avião Jenny da Primeira Guerra Mundial  para viajar pelo Sul e o Meio-Oeste dos EUA.

Depois de ficar um ano numa escola de pilotos do Exército, Lindbergh vai ser piloto do correio aéreo. Em 1926, faz a rota de São Luís, no Missouri, a Chicago, em Illinois. Aí surge a ideia de concorrer ao Prêmio Orteig, de US$ 25 mil, oferecido a quem primeiro cruzar o Atlântico sem parar.

De 10 a 12 de maio de 1926, LIndbergh leva o Espírito de São Luís de São Diego para Nova York com escala em São Luís. 

Depois de dias de atraso por causa do meu tempo, ele decola do Campo Roosevelt, em Long Island, ao lado de Nova York, às 7h52 de 20 de maio. Pouco antes do anoitecer, sobrevoa a Terra Nova, no Canadá, e se aventura em mar aberto. Chega ao aeroporto de Le Bourget, perto de Paris, 33 horas e meia e 5,8 mil km depois, às 22h21 de 21 de maio.

A vida do herói é tumultuosa. Em março de 1932, Charles Augustus Jr., filho de Charles e Anne Lindbergh, é sequestrado e encontrado morto.

O casal sai dos EUA e vai para a Europa em dezembro de 1935, primeiro para a Inglaterra e depois para a Alemanha, onde Lindbergh claramente flerta com as ideias de supremacia racial do nazismo, que vê como única força capaz de conter o comunismo da União Soviética, a maior ameaça em sua opinião. 

De volta aos EUA, Lindbergh defende a neutralidade dos EUA na Segunda Guerra Mundial (1939-45) e trava um debate com o presidente Franklin Roosevelt em 1941, quando a intervenção militar norte-americana parece inevitável mesmo antes do ataque japonês a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941. Lindbergh tem um comício do grupo América Primeiro (o mesmo slogan de Donald Trump) em dezembro, que é cancelado.

Durante a guerra, Lindbergh é enviado para a Guerra no Pacífico em abril de 1944 e participa de 50 mísseis de combate como tripulante que arma e dispara bombas e tiros de artilharia. Mas ele era acima de tudo um técnico. Reduz o consumo de combustível dos aviões P-38, aumentando a autonomia de voo e o alcance dos ataques.

Depois da guerra, o casal leva uma vida tranquila em Connecticut e no Havaí, onde Charles Lindbergh morre em 26 de agosto de 1974 aos 72 anos.

sábado, 1 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 1º de Março

 CAÇA ÀS BRUXAS

    Em 1692, Sarah Goode, Sarah Osbornee e Tituba, uma escrava de Barbados, são acusadas de bruxaria na vila de Salém, na Colônia da Baía de Massachusetts, parte do Império Britânico. No mesmo dia, Tituba, provavelmente sob tortura confessa o crime, o que leva as autoridades a iniciar uma caça às "feiticeiras" de Salém.

O problema começou um mês antes, quando Elizabeth Parris, de 9 anos, e Abigail Williams, de 11 anos, filha e sobrinha do reverendo Samuel Parris, começam a sofrer distúrbios e doenças misteriosas. Um médico atribui os problemas a bruxaria.

Sob pressão dos adultos, as duas crianças e outros residentes de Salém acusam mais de 150 homens e mulheres de práticas satânicas.

NASCIMENTO DE CHOPIN

    Em 1810, o músico polonês radicado na França Frédéric François Chopin, um dos maiores compositores de todos os tempos, o poeta do piano, nasce em Zelazowa Mola, filho de um imigrante francês que trabalha como tutor da aristocracia na Polônia.

Quando Frédéric tem oito meses, o pai, Nicholas, se torna professor de francês do Liceu de Varsóvia. Chopin estuda no liceu de 1823 a 1826.

Sempre muito atento quando a mãe ou a irmã toca piano, aos seis anos ele tenta reproduzir o que ouve. No ano seguinte, começa a estudar piano. Aos oito anos, faz a primeira apresentação em público num concerto beneficente. Três anos depois, toca para o czar Alexandre I, da Rússia, que vai à abertura do Parlamento em Varsóvia.

Na segunda metade do século 18, há três divisões da Polônia entre a Rússia, a Prússia e a Áustria. Em 1795, a Polônia deixa de existir. Só recupera a independência em 1918, depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18). É nessa Polônia ocupada que Chopin nasce e cresce.

O menino-prodígio também compõe. Aos sete anos, escreve a primeira Polonaise. Aos 16 anos, Chopin entra para o recém-criado Conservatório de Varsóvia, sob a direção do compositor polonês Joseph Elsner, com quem Chopin havia estudado. 

Elsner compreende que precisa lhe dar total liberdade de criação, em vez de submetê-lo ao rigor acadêmico. Chopin estuda harmonia e composição, e tem ampla liberdade para se desenvolver como pianista.

Chopin vai a Berlim em 1828 e se apresenta pela primeira vez em Viena, capital do Império Austríaco, um dos grandes centros culturais do mundo, especialmente para música clássica, em 1829. Quando sai da Polônia, em 1830, para estudar na Alemanha e na Itália, estoura uma revolta polonesa contra a Rússia. Ele está em Viena quando recebe a notícia.

Em julho de 1831, Chopin vai para Paris, onde encontra o ambiental ideal para o florescimento de sua arte. Logo estabelece ligações com os imigrantes e refugiados poloneses e com compositores como Franz Liszt, Hector Berlioz, Vincenzo Bellini e Felix Mendelssohn.

Também conhece Aurora Dudevant, uma escritora que usa o pseudônimo de George Sand, com quem começa um relacionamento amoroso em 1838. Eles alugam uma casa em Mayorca, uma das Ilhas Baleares, da Espanha, onde Chopin fica doente. Quando o dono da casa ouve rumores de tuberculose, manda eles saírem.

Durante 10 anos, Chopin luta contra a tuberculose. Faz a última apresentação no Guildhall, em Londres, em 16 de novembro de 1848, para arrecadar dinheiro para os exilados poloneses. Morre em Paris em 17 de outubro de 1849.


FIM DA GUERRA DO PARAGUAI

    Em 1870, com a morte do ditador Francisco Solano López na Batalha de Cerro Corá, termina a Guerra do Paraguai ou a Guerra da Tríplice Aliança de Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, que a chama de Guerra Grande.

Maior conflito armado internacional da história da América Latina, a Guerra do Paraguai começa em 12 de outubro de 1864. Neste ano, o Brasil invade o Uruguai, intervém na Guerra do Uruguai, uma guerra civil, ao lado do Partido Colorado na luta contra o Partido Blanco. Cai o presidente Bernardo Berro, alvo da Cruzada Libertadora lançada no ano anterior pelo líder colorado, general Venancio Flores.

Berro é aliado de Solano López e dos federalistas argentinos. Além do Brasil, Flores tem o apoio de Bartolomeu Mitre, presidente da Argentina, um unitário que se opõe aos federalistas.

Em 11 de novembro, o Paraguai apreende o navio brasileiro Marquês de Olinda. Ele transporta o presidente da província do Mato Grosso, que morre numa prisão paraguaia. Um mês depois, em 14 de dezembro, o Paraguai invade o Sul do Mato Grosso.

López sonha em criar um Grande Paraguai, conquistando o Uruguai, o Mato Grosso, o Rio Grande do Sul e as províncias argentinas de Missiones e Corrientes. Em 1865, o Paraguai invade Corrientes e o Rio Grande do Sul, e a Argentina entra na guerra.

O Paraguai invade Corrientes em 13 de abril. A Argentina, o Brasil e o Uruguai firmam o Tratado da Tríplice Aliança em 1º de maio de 1865. O tratado prevê que "o Paraguai deve ser responsabilizado por todas as consequências do conflito, pagar todas as dívidas de guerra" e "ficar sem qualquer fortaleza e força militar".

Solano López conta com o apoio do general federalista Justo José de Urquiza, inimigo de Mitre na política argentina, mas Urquiza prefere apoiar seu país a um líder estrangeiro.

Em 11 de junho de 1865, uma esquadra brasileira sob o comando do almirante Francisco Manuel Barroso, destrói a poderosa marinha paraguaia na Batalha Naval do Riachuelo e impede o Paraguai de ocupar permanentemente o território argentino. 

Ao dar o controle da navegação na Bacia do Rio da Prata aos aliados, é a batalha decisiva da guerra. Os paraguaios avançam até o Rio Grande do Sul. Tomam São Borja, Itaqui e Uruguaiana. O Barão de Porto Alegre sai da capital da província para enfrentar o inimigo. Em 18 de setembro de 1865, a guarnição paraguaia se rende.

Em 16 de abril de 1866, os aliados invadem o Paraguai. Depois de duas vitórias do general brasileiro Manuel Luís Osório, os paraguaios contêm a contraofensiva na primeira grande batalha terrestre da guerra, em Estero Bellaco, em 2 de maio.

Vitorioso, Solano López aposta numa vitória na Batalha de Tuiuti. Em 24 de maio de 1866, 25 mil paraguaios enfrentam 35 mil aliados no combate mais sangrento da guerra, que termina com 6 mil vítimas entre os aliados e 12 mil entre os paraguaios.

O Paraguai se recupera e vence as forças de Mitre e Flores na Batalha do Boqueirão, mas perde a Batalha do Curuzu para o general brasileiro Porto Alegre.

Em 12 de setembro de 1866, depois de perder a Batalha do Curuzu, Solano López convida Mitre e Flores para uma conferência de paz em Yatayty Cora. Há uma "discussão acalorada". Percebendo que a guerra está perdida, Solano López quer negociar a paz. Mitre exige que ele cumpra o que está no Tratado da Tríplice Aliança, que inviabiliza a paz com Solano López no poder. Ele não aceita.

Dias depois, na Batalha de Curupaiti, em 22 de setembro de 1866, os aliados atacam as forças paraguaias frontalmente e sofrem sua maior derrota, o que atrasa a ofensiva por 10 meses, até 18 de julho de 1867.

O Brasil decide então criar um comando unificado das forças brasileiras. O imperador nomeia o general Luís Alves de Lima e Silva, o Marquês e futuro Duque de Caxias, como comandante em 10 de outubro de 1866. Com a saída de Mitre em fevereiro de 1867, Caxias se torna o comandante geral aliado. Obtém vitórias decisivas como em Humaitá. Em 1869, passa o comando para o Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel.

Ao todo, o Império do Brasil manda 150 mil homens para a guerra, dos quais 50 mil morrem. Com mais 10 mil civis mortos, 60 mil brasileiros morrem na Guerra do Paraguai. A Argentina e o Uruguai perdem a metade de suas tropas, e o Paraguai 300 mil pessoas entre mortos em combate, de fome e de doenças causadas pela guerra. Só 10% da população adulta masculina do Paraguai sobrevivem.

Por causa da invasão e tentativa de conquistar o território brasileiro, o imperador Dom Pedro II só aceita a rendição incondicional de Solano López. A Guerra do Paraguai marca a entrada dos militares na política brasileira.

PRIMEIRO PARQUE NACIONAL

    Em 1872, o Congresso dos Estados Unidos aprova a criação do Parque Nacional de Yellowstone, o primeiro parque nacional do país e talvez do mundo, dividido entre os estados de Montanha, Wyoming e Idaho.

Com quase 9 mil quilômetros quadrados, Yellowstone não é só o mais antigo e mais conhecido parque nacional dos EUA. É também o maior. Alguns naturalistas alegam que não é o mais antigo do mundo por causa do Parque Nacional Bogd Khan, na Mongólia, que seria de 1778.

Yellowstone é declarado reserva da biosfera em 1976 pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) e patrimônio da humanidade em 1978. Fica numa região com atividade sísmica e geológica há dezenas de milhares de ano. Tem a maior quantidade de fontes geotérmicas do mundo.

PROIBIDA EXECUÇÃO DE MENORES

    Em 2005, por 5-4, a Suprema Corte dos Estados Unidos decide que é inconstitucional executar condenados que cometeram crimes antes dos 18 anos de idade.


O tribunal considera que a execução de menores viola das emendas nºs 8 e 14 à Constituição dos EUA. A Emenda nº 8 proíbe a "punição cruel e incomum". A Emenda nº 14 garante a proteção igual para todos.

No voto vencedor, o ministro-relator Anthony Kennedy escreve que, "quando um jovem criminoso comete um crime odioso, o Estado pode tirar algumas liberdades básicas, mas não pode extinguir sua vida e o potencial de alcançar uma compreensão madura de sua própria humanidade."

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Hoje na História do Mundo: 20 de Maio

 VASCO DA GAMA CHEGA À ÍNDIA

    Em 1498, o navegador português Vasco da Gama chega a Calicute, tornando-se o primeiro europeu a chegar à Índia pelos oceanos Atlântico e Índico, contornando a costa da África.

A frota de Vasco da Gama sai de Lisboa em 8 de julho de 1497 e dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que o guia até a Índia.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

MORTE DE COLOMBO

    Em 1506, o navegador genovês Cristóvão Colombo, primeiro europeu a explorar a América desde que os vikings estabeleceram colônias na Groenlândia e no Canadá, no século 10, morre em Valladolid, na Espanha, sem saber que descobrira um novo continente. Ele acredita ter chegado às Índias.

Colombo se convence de que a Terra é redonda, mas não sabe da existência do Oceano Pacífico e estima que o planeta seja muito menor.

Depois de ser rejeitado uma vez pelo rei Dom João II, de Portugal, e duas vezes pelos reis da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, na terceira tentativa, os reis católicos, fortalecidos pela conquista de Granada e a expulsão dos mouros da Península Ibérica em 2 de janeiro de 1492, decidem bancar a viagem.

Em 3 de agosto do mesmo ano, Colombo sai de Palos com três pequenos navios, Santa Maria, Pinta e Niña, e chega à América em 12 de outubro, provavelmente a uma das ilhas Bahamas. No mês seguinte, vai a Cuba. Em dezembro funda uma pequena colônia na ilha de Hispaniola, hoje dividida entre Haiti e República Dominica.

Ao todo, Colombo faz quatro viagens à América sem se dar conta de que não estava na Ásia. Em 1507, um ano após sua morte, é publicado o primeiro mapa múndi, incluindo o novo continente, batizado como América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que a chamara de Novo Mundo.

LEI DE TERRAS

    Em 1862, o presidente Abraham Lincoln sanciona a Lei de Propriedade Rural dos Estados Unidos, que garante a propriedade de até 160 acres (64 hectares) de terras pública sem qualquer ônus para quem vive na terra e a cultiva por pelo menos 5 anos.

Assim, o acesso à terra nos EUA se dá através da posse. No Brasil, em contraste, a lei de terras é de 1850 e estabelece como princípio de acesso à terra a propriedade. Desta maneira, os grandes fazendeiros compram terras para seus descendentes, enquanto a maioria não tem acesso à terra e trabalha como agregado às grandes propriedades.

TRÍPLICE ALIANÇA

    Em 1882, a Alemanha, a Áustria-Hungria e a Itália formam a Tríplice Aliança, um acordo militar defensivo para se proteger de ataques de outras potências europeias. Com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Itália deixa a aliança em 1915 sob a alegação de que é só para defesa.

A Alemanha e a Áustria-Hungria são estreitamente ligadas desde 1879. A Itália busca apoio contra a França, inimiga histórica da Alemanha, que se unifica depois da Guerra Franco-Prussiana (1870-71).

O principal responsável pela Tríplice Aliança é o chanceler (primeiro-ministro) alemão, Otto von Bismarck, o Marechal de Ferro, interessado em preservar o status quo na Europa para evitar que a França tente reconquistar a Alsácia e a Lorena.

Como a Primeira Guerra Mundial começa com uma declaração de guerra da Áustria-Hungria à Sérvia em 28 de julho de 1914, um mês depois do assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro em Sarajevo, na Bósnia, a Itália inicialmente não entra na guerra sob a alegação de que a Áustria é agressora.

Em 1915, a Itália abandona a Tríplice Aliança e entra na guerra ao lado da Tríplice Entente (Reino Unido, França e Rússia), formada em 1907.

No fim da guerra, com a derrota da Tríplice Aliança, desaparecem os impérios Alemão, Austro-Húngaro e Otomano (turcos), que adere às potências centrais. Também desaparece o Império Russo, que perde a guerra para a Alemanha antes da derrota final alemã em 11 de novembro de 1918.

PRIMEIRO VOO TRANSATLÂNTICO

    Em 1926, o aviador norte-americano Charles Lindbergh parte para o primeiro voo sem parar através do Oceano Atlântico. Vai de Nova York a Paris no avião monomotor Espírito de São Luís em 33 horas e meia.

Lindbergh nasce em Detroit, no estado de Michigan, em 4 de fevereiro de 1902. É criado em Little Falls, em Minnesota, e em Washington, a capital dos Estados Unidos. Seu pai é deputado eleito para a Câmara dos Representantes pelo 6º distrito de Minnesota.

O jovem Lindbergh deixa a Universidade de Wisconsin em Madison no segundo ano para se dedicar à aviação. Entra para uma escola em Lincoln, em Nebraska, e compra um avião Jenny da Primeira Guerra Mundial  para viajar pelo Sul e o Meio-Oeste dos EUA.

Depois de ficar um ano numa escola de pilotos do Exército, Lindbergh vai ser piloto do correio aéreo. Em 1926, faz a rota de São Luís, no Missouri, a Chicago, em Illinois. Aí surge a ideia de concorrer ao Prêmio Orteig, de US$ 25 mil, oferecido a quem primeiro cruzar o Atlântico sem parar.

De 10 a 12 de maio de 1926, LIndbergh leva o Espírito de São Luís de São Diego para Nova York com escala em São Luís. 

Depois de dias de atraso por causa do meu tempo, ele decola do Campo Roosevelt, em Long Island, ao lado de Nova York, às 7h52 de 20 de maio. Pouco antes do anoitecer, sobrevoa a Terra Nova, no Canadá, e se aventura em mar aberto. Chega ao aeroporto de Le Bourget, perto de Paris, 33 horas e meia e 5,8 mil km depois, às 22h21 de 21 de maio.

A vida do herói é tumultuosa. Em março de 1932, Charles Augustus Jr., filho de Charles e Anne Lindbergh, é sequestrado e encontrado morto.

O casal sai dos EUA e vai para a Europa em dezembro de 1935, primeiro para a Inglaterra e depois para a Alemanha, onde Lindbergh claramente flerta com as ideias de supremacia racial do nazismo, que via como única força capaz de conter o comunismo da União Soviética, a maior ameaça em sua opinião. 

De volta aos EUA, Lindbergh defende a neutralidade dos EUA na Segunda Guerra Mundial (1939-45) e trava um debate com o presidente Franklin Roosevelt em 1941, quando a intervenção militar norte-americana parece inevitável, antes do ataque japonês a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941. Lindbergh tem um comício do grupo América Primeiro (o mesmo slogan de Donald Trump) em dezembro, que é cancelado.

Durante a guerra, Lindbergh é enviado para a Guerra no Pacífico em abril de 1944 e participa de 50 mísseis de combate como tripulante que arma e dispara bombas e tiros de artilharia. Mas ele era acima de tudo um técnico. Reduz o consumo de combustível dos aviões P-38, aumentando a autonomia de voo e o alcance dos ataques.

Depois da guerra, o casal levou uma vida tranquila em Connecticut e no Havaí, onde Charles Lindbergh morre em 26 de agosto de 1974 aos 72 anos.

sexta-feira, 1 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 1º de Março

 CAÇA ÀS BRUXAS

    Em 1692, Sarah Goode, Sarah Osbornee e Tituba, uma escrava de Barbados, são acusadas de bruxaria na vila de Salém, na Colônia da Baía de Massachusetts, parte do Império Britânico. No mesmo dia, Tituba, provavelmente sob tortura confessa o crime, o que levou as autoridades a iniciar uma caça às feiticeiras de Salém.

O problema começa um mês antes, quando Elizabeth Parris, de 9 anos, e Abigail Williams, de 11 anos, filha e sobrinha do reverendo Samuel Parris, começam a sofrer distúrbios e doenças misteriosas. Um médico atribui os problemas a bruxaria.

Sob pressão dos adultos, as duas crianças e outros residentes de Salém acusam mais de 150 homens e mulheres de práticas satânicas.

NASCIMENTO DE CHOPIN

    Em 1810, o músico polonês radicado na França Frédéric François Chopin, um dos maiores compositores de todos os tempos, o poeta do piano, nasce em Zelazowa Mola, filho de um imigrante francês que trabalha como tutor da aristocracia na Polônia.

Quando Frédéric tem oito meses, o pai, Nicholas, se torna professor de francês do Liceu de Varsóvia. Chopin estuda no liceu de 1823 a 1826.

Sempre muito atento quando a mãe ou a irmã toca piano, aos seis anos ele tenta reproduzir o que ouve. No ano seguinte, começa a estudar piano. Aos oito anos, faz a primeira apresentação em público num concerto beneficente. Três anos depois, toca para o czar Alexandre I, da Rússia, que vai à abertura do Parlamento em Varsóvia.

Na segunda metade do século 18, há três divisões da Polônia entre a Rússia, a Prússia e a Áustria. Em 1795, a Polônia deixa de existir. Só recupera a independência em 1918, depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18). É nessa Polônia ocupada que Chopin nasce e cresce.

O menino-prodígio também compõe. Aos sete anos, escreve a primeira Polonaise. Aos 16 anos, Chopin entra para o recém-criado Conservatório de Varsóvia, sob a direção do compositor polonês Joseph Elsner, com quem Chopin havia estudado. 

Elsner compreende que precisa lhe dar total liberdade de criação, em vez de submetê-lo ao rigor acadêmico. Chopin estuda harmonia e composição, e tem ampla liberdade para se desenvolver como pianista.

Chopin vai a Berlim em 1828 e se apresenta pela primeira vez em Viena, capital do Império Austríaco, um dos grandes centros culturais do mundo, especialmente para música clássica, em 1829. Quando sai da Polônia, em 1830, para estudar na Alemanha e na Itália, estoura uma revolta polonesa contra a Rússia. Ele está em Viena quando recebe a notícia.

Em julho de 1831, Chopin vai para Paris, onde encontra o ambiente ideal para o florescimento de sua arte. Logo estabelece ligações com os imigrantes e refugiados poloneses e com compositores como Franz Liszt, Hector Berlioz, Vincenzo Bellini e Felix Mendelssohn.

Também conhece Aurora Dudevant, uma escritora que usa o pseudônimo de George Sand, com quem começa um relacionamento amoroso em 1838. Eles alugam uma casa em Mayorca, uma das Ilhas Baleares, da Espanha, onde Chopin fica doente. Quando o dono da casa ouve rumores de tuberculose, manda eles saírem.

Durante 10 anos, Chopin luta contra a tuberculose. Faz a última apresentação no Guildhall, em Londres, em 16 de novembro de 1848, para arrecadar dinheiro para os exilados poloneses. Morre em Paris aos 39 anos em 17 de outubro de 1849.


FIM DA GUERRA DO PARAGUAI

    Em 1870, com a morte do ditador Francisco Solano López na Batalha de Cerro Corá, termina a Guerra do Paraguai ou a Guerra da Tríplice Aliança de Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, que a chama de Guerra Grande.

Maior conflito armado internacional da história da América Latina, a Guerra do Paraguai começa em 12 de outubro de 1864. Neste ano, o Brasil invade o Uruguai, intervém na Guerra do Uruguai, uma guerra civil, ao lado do Partido Colorado na luta contra o Partido Blanco. Cai o presidente Bernardo Berro, alvo da Cruzada Libertadora lançada no ano anterior pelo líder colorado, general Venancio Flores.

Berro é aliado de Solano López e dos federalistas argentinos. Além do Brasil, Flores tem o apoio de Bartolomeu Mitre, presidente da Argentina, um unitário que se opõe aos federalistas.

Em 11 de novembro, o Paraguai apreende o navio brasileiro Marquês de Olinda. Ele transporta o presidente da província do Mato Grosso, que morre numa prisão paraguaia. Um mês depois, em 14 de dezembro, o Paraguai invade o Sul do Mato Grosso.

López sonha em criar um Grande Paraguai, conquistando o Uruguai, o Mato Grosso, o Rio Grande do Sul e as províncias argentinas de Missiones e Corrientes. Em 1865, o Paraguai invade Corrientes e o Rio Grande do Sul, e a Argentina entra na guerra.

O Paraguai invade Corrientes em 13 de abril. A Argentina, o Brasil e o Uruguai firmam o Tratado da Tríplice Aliança em 1º de maio de 1865. O tratado prevê que "o Paraguai deve ser responsabilizado por todas as consequências do conflito, pagar todas as dívidas de guerra" e "ficar sem qualquer fortaleza e força militar".

Solano López conta com o apoio do general federalista Justo José de Urquiza, inimigo de Mitre na política argentina, mas Urquiza prefere apoiar seu país a um líder estrangeiro.

Em 11 de junho de 1865, uma esquadra brasileira sob o comando do almirante Francisco Manuel Barroso, destrói a poderosa marinha paraguaia na Batalha Naval do Riachuelo e impede o Paraguai de ocupar permanentemente o território argentino. 

Ao dar o controle da navegação na Bacia do Rio da Prata aos aliados, é a batalha decisiva da guerra. Os paraguaios avançam até o Rio Grande do Sul. Tomam São Borja, Itaqui e Uruguaiana. O Barão de Porto Alegre sai da capital da província para enfrentar o inimigo. Em 18 de setembro de 1865, a guarnição paraguaia se rende.

Em 16 de abril de 1866, os aliados invadem o Paraguai. Depois de duas vitórias do general brasileiro Manuel Luís Osório, os paraguaios contêm a contraofensiva na primeira grande batalha terrestre da guerra, em Estero Bellaco, em 2 de maio.

Vitorioso, Solano López aposta numa vitória na Batalha de Tuiuti. Em 24 de maio de 1866, 25 mil paraguaios enfrentam 35 mil aliados no combate mais sangrento da guerra, que termina com 6 mil vítimas entre os aliados e 12 mil entre os paraguaios.

O Paraguai se recupera e vence as forças de Mitre e Flores na Batalha do Boqueirão, mas perde a Batalha do Curuzu para o general brasileiro Porto Alegre.

Em 12 de setembro de 1866, depois de perder a Batalha do Curuzu, Solano López convida Mitre e Flores para uma conferência de paz em Yatayty Cora. Há uma "discussão acalorada". Percebendo que a guerra está perdida, Solano López quer negociar a paz. Mitre exige que ele cumpra o que está no Tratado da Tríplice Aliança, que inviabiliza a paz com Solano López no poder. Ele não aceita.

Dias depois, na Batalha de Curupaiti, em 22 de setembro de 1866, os aliados atacam as forças paraguaias frontalmente e sofrem sua maior derrota, o que atrasa a ofensiva por 10 meses, até 18 de julho de 1867.

O Brasil decide então criar um comando unificado das forças brasileiras. O imperador nomeia o general Luís Alves de Lima e Silva, o Marquês e futuro Duque de Caxias, como comandante em 10 de outubro de 1866. Com a saída de Mitre em fevereiro de 1867, Caxias se torna o comandante geral aliado. Obtém vitórias decisivas como em Humaitá. Em 1869, passa o comando para o Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel.

Ao todo, o Império do Brasil manda 150 mil homens para a guerra, dos quais 50 mil morrem. Com mais 10 mil civis mortos, 60 mil brasileiros morrem na Guerra do Paraguai. A Argentina e o Uruguai perdem a metade de suas tropas, e o Paraguai 300 mil pessoas entre mortos em combate, de fome e de doenças causadas pela guerra. Só 10% da população adulta masculina do Paraguai sobrevive.

Por causa da invasão e tentativa de conquistar o território brasileiro, o imperador Dom Pedro II só aceita a rendição incondicional de Solano López. A Guerra do Paraguai marca a entrada dos militares na política brasileira. Em 1943, o presidente Getúlio Vargas perdoa a dívida do Paraguai.

PRIMEIRO PARQUE NACIONAL

    Em 1872, o Congresso dos Estados Unidos aprova a criação do Parque Nacional de Yellowstone, o primeiro parque nacional do país e talvez do mundo, dividido entre os estados de Montanha, Wyoming e Idaho.

Com quase 9 mil quilômetros quadrados, Yellowstone não é só o mais antigo e mais conhecido parque nacional dos EUA. É também o maior. Alguns naturalistas alegam que não é o mais antigo do mundo por causa do Parque Nacional Bogd Khan, na Mongólia, que seria de 1778.

Yellowstone é declarado reserva da biosfera em 1976 pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) e patrimônio da humanidade em 1978. Fica numa região com atividade sísmica e geológica há dezenas de milhares de ano. Tem a maior quantidade de fontes geotérmicas do mundo.

PROIBIDA EXECUÇÃO DE MENORES

    Em 2005, por 5-4, a Suprema Corte dos Estados Unidos decide que é inconstitucional executar condenados que cometeram crimes antes dos 18 anos de idade.


O tribunal considera que a execução de menores viola das emendas nºs 8 e 14 à Constituição dos EUA. A Emenda nº 8 proíbe a "punição cruel e incomum". A Emenda nº 14 garante a proteção igual para todos.

No voto vencedor, o ministro-relator Anthony Kennedy escreve que, "quando um jovem criminoso comete um crime odioso, o Estado pode tirar algumas liberdades básicas, mas não pode extinguir sua vida e o potencial de alcançar uma compreensão madura de sua própria humanidade."

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Grande Guerra forjou o século 20

Em 28 de julho de 1914, o Império Austro-Húngaro declarou guerra à Sérvia em resposta ao assassinato do herdeiro do trono, arquiduque Francisco Ferdinando, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip um mês antes em Sarajevo. A Alemanha apoiou a Áustria. A França e a Rússia ficaram do lado da Sérvia.

No início de agosto 1914, as grandes potências da Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália) e da Tríplice Entente (França, Grã-Bretanha e Rússia) iniciavam os combates da Primeira Guerra Mundial.

Era para ser uma guerra curta. Todos voltariam para casa no Natal. Virou a Grande Guerra. Quando os canhões silenciaram, às 11h de 11 de novembro de 1918, pelo menos 18 milhões de pessoas tinham sido mortas. Outros milhões morreram na pandemia de gripe espanhola, propagada pelo soldados que voltavam das frentes de batalha.

Foi o fim do que o historiador britânico Eric Hobsbawm chamou de Era dos Impérios. Os impérios Alemão, Áustro-Húngaro, Russo e Otomano (turco) desapareceram, redesenhando os mapas da Europa e do Oriente Médio. A Polônia renasceu das cinzas dos impérios europeus.

Os impérios Britânico e Francês criaram o moderno Oriente Médio, fonte de tantos conflitos e ressentimentos históricos. A criação de Israel começou com a Declaração de Balfour, de 1917, em que o ministro do Exterior britânico, Arthur James Balfour, prometeu ao Barão de Rothschild criar uma pátria para o povo judeu na Palestina.

A guerra deixava definitivamente de ser um esporte de aristocratas montados a cavalo com espadas e penachos na cabeça para se transformar numa atividade industrial com milhões de soldados enviados de trem para as linhas de frente, onde eram submetidos a um incessante bombardeio da artilharia inimiga. Os franceses ainda usavam um uniforme branco que os tornavam alvos mais fáceis para as novas tecnologias militares.

Num único dia de agosto de 1914, a França perdeu 22 mil soldados. No primeiro dia da Batalha do Somme, 1º de julho de 1916, morreram 19.240 britânicos, no pior dia da história do Exército Real.

O avião se tornou uma arma de guerra pela primeira vez. Os tanques e as armas químicas também. Um grande impasse na frente ocidental fez com que os dois lados estagnassem numa longa linha de trincheiras que ia da Bélgica à França. Quando a Alemanha parecia estar em vantagem, em março de 1918, os americanos entraram na guerra e romperam o equilíbrio.

Derrotados e humihados na frente oriental, os soldados do Exército Imperial da Rússia voltaram para casa e se juntaram às revoluções que derrubaram o czar e levaram os comunistas ao poder, em 1917. No mesmo ano, os Estados Unidos declaravam guerra à Alemanha depois de terem vários navios afundados no Oceano Atlântico. O Brasil faz o mesmo.

Quando a guerra acabou, o presidente dos EUA, Woodrow Wilson, apresentou seu plano de paz de 14 pontos que incluía a criação da Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial.

Wilson convencera os americanos de que era "a guerra para acabar com todas as guerras". Mas a Conferência de Versalhes produziu "a paz para acabar com todas as pazes", e o Congresso dos EUA não ratificou a Convenção da Liga das Nações. O isolacionismo dos EUA e o fracasso da Liga contribuíram para minar a paz.

Sem o colapso da economia alemã no começo dos anos 1920s sob o peso das dívidas de guerra impostas pelo Tratado de Versalhes, de 1919, talvez o nazismo não tivesse tomado conta da Alemanha e deflagrado a Segunda Guerra Mundial.

Poetas e escritores que serviram nas trincheiras produziram vasta literatura sobre a agonia nas frentes de combate. Adeus às Armas, de Ernest Hemingway; Terra Arrasada, de Thomas Stearn Eliot; e Nada de Novo na Frente Ocidental, de Erich Maria Remarque; estão entre as obras-primas do século 20. O poeta britânico Siegfried Sassoon, condecorado na frente ocidental, ironizou em versos o patriotismo exaltado que empolgou e desgraçou o mundo.