Mostrando postagens com marcador Crise do Petróleo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crise do Petróleo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco fundador do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita

Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja da ditadura militar contra as esquerdas, em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta é reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel no Egito e na Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, desabafa: "Posso entrar em guerra contra Israel, mas não contra os EUA."

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises do petróleo estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto de 1974, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972, que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito numa chapa presidencial da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford era o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas são totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.

ESTE BLOG DEPENDE DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

domingo, 29 de dezembro de 2024

Morre Jimmy Carter, presidente que defendeu os direitos humanos

 O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter (1977-81) morreu hoje aos 100 anos. Por causa das crises do petróleo e da ocupação da Embaixada dos EUA no Irã depois da Revolução Islâmica, Carter governou por apenas um mandato. 

Perdeu a reeleição para Ronald Reagan em 1980, mas nunca parou de promover a democracia e os direitos humanos. Ele negociou o histórico acordo de paz entre Israel e o Egito, e ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2002. O Centro Carter observa e fiscaliza eleições em vários países.

Carter foi uma resposta aos governos de Richard Nixon (1969-74), que renunciou para não sofrer impeachment por causa do Escândalo de Watergate, e uma punição ao presidente Gerald Ford (1974-77), que perdoou Nixon e foi derrotado por Carter em 1976. Ao tomar posse, Carter perdoou os desertores da Guerra do Vietnã (1955-75).

Quando Leonel Brizola recebeu um aviso para sair do Uruguai, em 1977, em plena Operação Condor, depois das mortes suspeitas dos ex-presidentes João Goulart, Juscelino Kubitschek e do ex-governador Carlos Lacerda em 1976, o presidente Carter o acolheu nos EUA.

Conservador, batista, produtor de amendoim na Geórgia, um estado do Sul onde foi governador, Carter talvez tenha sido o mais religioso de todos os presidentes dos EUA. Fazia sua orações diariamente na Casa Branca, mas nunca manipulou a fé por objetivos políticos, o que seria feito por seu sucessor, Ronald Reagan, que atraiu a direita religiosa, que tradicionalmente não votava, para o Partido Republicano.

Sua política de direitos humanos, um instrumento de propaganda na Guerra Fria contra a União Soviética, ignorou crimes cometidos por ditadores aliados como o Xá do Irã, Ferdinando Marcos nas Filipinas e Suharto na Indonésia. Mas serviu para expor e irritar as ditaduras militares da América Latina, que tinham o apoio explícito de Henry Kissinger, o secretário de Estado de Nixon e Ford. Apesar da hipocrisia da superpotência ao excluir aliados, teve um impacto nos países sob ditaduras, principalmente na América Latina.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

 AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco inicial do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja da ditadura militar contra as esquerdas, em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta é reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel no Egito e na Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, protesta: "Posso entrar em guerra contra Israel, mas não contra os EUA."

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises do petróleo estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto de 1974, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972, que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford é o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas foram totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

 AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco inicial do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta era reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel e a Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, protesta, alegando que pode enfrentar Israel, mas não os EUA.

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto daquele ano, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972 que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford é o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos no valor de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas foram totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

 AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem , jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafioso.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco inicial do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja em que morreram 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta era reduzir a venda de  em 5% ao mês até a retirada total d Israel dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel e a Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, faz então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, protesta, alegando que pode enfrentar Israel, mas não os EUA.

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômica da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto daquele ano, no dia seguinte à renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Falava do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972 que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford era o presidente da Câmara e por isso o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alegou que era importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbaria seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano é poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos no valor de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas foram totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906. Mais de 3 mil pessoas morreram, 80% da cidade foram arrasados e 225 mil ficaram sem teto.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Hoje na História do Mundo: 6 de Outubro

ÁUSTRIA-HUNGRIA ANEXA BÓSNIA-HERZEGOVINA

    Em 1908, o Império Austro-Húngaro anuncia a anexação da Bósnia-Herzegovina, que formalmente estava sob o controle do Império Otomano.

Desde o Congresso de Berlim, em 1878, a Áustria-Hungria controla a região. Uma revolta dos Jovens Turcos contra o Império Otomano cria a oportunidade para a Áustria-Hungria reafirmar seu controle sobre a região dos Bálcãs, sob protesto dos sérvios e do movimento pan-eslavista na Europa.

O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho de 1914, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip é a causa imediata da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que começa um mês depois.

GUERRA DO YOM KIPPUR

    Em 1973, durante o feriado religioso do Dia do Perdão (Yom Kippur), mais de 100 mil soldados do Egito atravessem o Canal de Suez e invadem a Península do Sinai enquanto a Síria ataca em outra frente na maior empreitada militar árabe da era moderna, dando início à Guerra do Yom Kippur, numa tentativa de recuperar os territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Os Estados Unidos fazem então a maior ponte aérea militar da história, a Operação Nickel Grass. Durante 32 dias, entregam 22.325 toneladas de equipamentos, tanques, peças de artilharia, munição e peças de reposição para aviões a Israel diretamente no campo de batalha, a ponto do então ditador do Egito, Anuar Sadat, reclamar que podia enfrentar Israel, mas não os EUA.

A confrontação entre as superpotências quase deflagra uma guerra nuclear. Quando Israel domina o espaço aéreo, cerca e ameaça destruir o 3º Exército do Egito no Sinai, a União Soviética entra em alerta nuclear e ameaça ir à guerra. É o único alerta nuclear da URSS durante a Guerra Fria.

Diante da impotência no campo de batalha, os países árabes, liderados pelo rei Faissal, da Arábia Saudita, iniciam um embargo à venda de petróleo aos aliados de Israel, provocando a primeira crise do petróleo. Os preços do petróleo bruto quadruplicam. Nos países ocidentais, os motoristas fazem fila em postos de gasolina. Acaba a era dos carrões.

Quatro anos depois, Sadat rompe a aliança com a URSS, aproxima-se dos EUA, visita Israel e negocia a paz nos Acordos de Camp David como única maneira de recuperar o Sinai. Israel aceita porque o Egito tem o maior exército do mundo árabe e há um adágio no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito nem paz sem a Síria."

Nunca mais os países árabes realizaram um ataque conjunto contra Israel. Sadat e o primeiro-ministro israelense, Menachem Begin ganham o Prêmio Nobel da Paz, mas o ditador egípcio paga com a vida.

A crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar brasileira, baseado em energia e mão de obra baratas. É o fim do milagre econômico e a origem da hiperinflação, herança maldita da ditadura militar que só seria debelada pelo Plano Real em 1994.

ASSASSINATO DE SADAT

    Em 1981, durante uma festividade militar para comemorar o aniversário do início da Guerra do Yom Kippur, extremistas muçulmanos do grupo Jihad Islâmica metralham o palanque das autoridades e matam o ditador do Egito, Anuar Sadat, numa vingança porque ele fez a paz com Israel.

Os terroristas, liderados por Khaled el-Islambouli, tenente do Exército do Egito, param em frente ao palanque, dão tiros e jogam granadas contra o ditador e outras autoridades. Sadat leva quatro tiros e morre duas horas depois. Outras 10 pessoas morrem no atentado.

Em novembro, 25 pessoas vão a julgamento. Todos, inclusive o futuro líder da rede terrorista Al Caeda Ayman al-Zawahiri, admitem com orgulho sua participação. Islambouli e outros quatro são condenados à morte e executados. Os outros pegam diferentes penas de prisão.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Guerra do Yom Kippur acabou com o modelo econômico da ditadura

Há 43 anos, em 6 de outubro de 1973, começava a última guerra de vários países árabes contra Israel. Mais de 100 mil soldados cruzaram o Canal de Suez rumo à Península do Sinai, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Foi a maior empreitada militar árabe da era moderna. A guerra provocou a primeira crise do petróleo e acabou com o modelo ecônomico da ditadura militar.

Sob a orientação política do então conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, os Estados Unidos fizeram a maior ponte aérea militar da história, entregando 22 mil toneladas de equipamentos militares a Israel no campo de batalha, duas vezes mais do que a União Soviética com seus aliados árabes, especialmente o Egito e a Síria.

Em 22 de outubro, os EUA e a URSS negociaram um cessar-fogo, mas Kissinger avisou a primeira-ministra Golda Meir que o governo americano não se importaria se Israel realizasse operações militares antes do início da trégua.

À noite e no dia seguinte, Israel cercou o III Exército do Egito no Sinai e estava prestes a aniquilar o inimigo quando a URSS entrou em alerta nuclear e ameaçou intervir na guerra, salvando o Exército do Egito. Dos cerca de 20 alertas nucleares da Guerra Fria, foi a única ameaça soviética de iniciar uma guerra atômica.

Isso não impediu que o presidente egípcio Anuar Sadat abandonasse a aliança com a URSS, se aproximasse dos EUA e visitasse Israel em 1977, abrindo caminho para as negociações que levaram ao Acordo de Paz de Camp David, a residência de verão do presidente dos EUA, em 1979.

Sadat sabia que era a única maneira de recuperar o Sinai. Pagou pela paz com a própria vida. Em 6 de outubro de 1981, durante a parada militar de comemoração do início da guerra, soldados ligados a grupos extremistas muçulmanos metralharam e mataram o presidente egípcio. O atual líder da rede terrorista Al Caeda, o médico Ayman al-Zawahiri participou da conspiração.

Mas o impacto imediato da Guerra do Yom Kippur. Em resposta ao apoio dos EUA a Israel, sob a liderança do rei Faissal, da Arábia Saudita, em 16 de outubro, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) iniciou um boicote à venda de petróleo aos EUA e aliados.

Começava a primeira crise do petróleo. Quando o embargo acabou, em março de 1974, o preço do petróleo tinha subido de US$ 3 para US$ 12. A alta de preços viabilizou a exploração em águas profundas, como no Mar do Norte e no mar territorial brasileiro, mas causou uma recessão mundial e longas filas nos postos de gasolina.

No Brasil, a crise do petróleo foi responsável, na minha opinião, pelo fim do modelo econômico da ditadura militar (1964-85), baseado em energia e mão de obra baratas, e a longo prazo do próprio regime de exceção. O Brasil nunca retomou as taxas de crescimento do pós-guerra, de 7% a 8% por ano em média.

Durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-74), o período mais sombrio da ditadura, o país cresceu a taxas de 7% a 14% ao ano no milagre econômico brasileiro. Quando o general Ernesto Geisel assumiu o poder, em março de 1974, anunciou a "distensão lenta, gradual e segura" que levaria à redemocratização, em 1985.

A segunda crise do petróleo, em 1979, depois da vitória da Revolução Islâmica no Irã, agravou ainda mais a crise econômica do Brasil, que na época importava 75% do petróleo que consumia. A alta nos preços do petróleo também está na origem da hiperinflação brasileira, que só seria derrotada pelo Plano Real, em 1994. Mas o crescimento forte não voltou.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Câmara dos EUA libera exportações de petróleo

Por 261 a 159 votos, a maioria oposicionista Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou hoje o fim da proibição de exportar petróleo adotada há mais de 40 anos durante a crise deflagrada pelo embargo árabe à venda do produto para países aliados de Israel.

Como o presidente Barack Obama é contra, o projeto, de interesse das grandes companhias de petróleo, pode enfrentar dificuldades no Senado, onde o Partido Republicano precisa de 60 votos para barrar a obstrução da minoria democrata.

As empresas argumentam que a liberação das exportações corrigiria distorções do mercado, geraria empregos e aumentaria a produção de petróleo dos EUA. Ela cresceu 80% desde 2008, especialmente com o óleo de xisto betuminoso, provocando a queda nos preços em mais da metade desde meados de 2014.

Para a Casa Branca, o Congresso deveria concentrar esforços na transição para uma economia de baixo carbono. Com a maioria dos republicanos contesta que o homem seja responsável pelo aquecimento do planeta, o conflito está armado.

Analistas do Departamento de Energia acreditam que o preço da gasolina não seria alterado com as exportações. O embargo visa a manter as reservas de petróleo do país por razões estratégicas e de segurança Nacional. É o petróleo que move as Forças Armadas dos EUA.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

China dá crédito de US$ 5,3 bilhões ao Equador

Sob pressão da queda nos preços internacionais do petróleo, o Equador terá acesso a uma linha de crédito de US$ 5,3 bilhões aberta pelo Banco de Exportações e Importações da China, revelou hoje a agência de notícias Bloomberg.

Em nota, o ministro das Finanças equatoriano declarou que o país deve investir US$ 1,5 bilhão em obras de infraestrutura de irrigação e transportes.

O petróleo é o principal produto de exportação do Equador, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), e o governo foi obrigado a cortar gastos no valor de US$ 1,5 bilhão por causa da baixa de 50% nos preços do produto nos últimos seis meses.

O presidente Rafael Correa foi à China atrás do empréstimo. O próximo é o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Seu país, riquíssimo em petróleo, enfrenta situação econômica muito mais difícil por causa dos desvarios da revolução chavista e seu fracassado socialismo do século 21.

Com seu apetite por matérias-primas, abalado pela desaceleração da economia, a China se tornou nos últimos anos o maior parceiro comercial da América Latina.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Crise do petróleo derrubou modelo econômico da ditadura

Na extensa rememoração dos 50 anos do golpe cívico-militar de 1964 e da ditadura que se manteve por longos e sombrios 21 anos, há um importante aspecto negligenciado: o papel da crise do petróleo de 1973 ao acabar com o modelo econômico da ditadura militar e o milagre brasileiro.

Apesar da violenta repressão do governo do ditador Emilio Garrastazu Médici (1969-74), a imensa maioria do país, especialmente as classes média e alta, navegava faceira com as benesses de um crescimento econômico que chegou a 14% ao ano. Quando faltou gasolina para seus Corcéis e Opalas, e a inflação disparou, passou a votar contra o governo.

Sob a batuta do ministro Delfim Netto, hoje um dos gurus dos governos petistas, e graças às reformas feitas por Roberto Campos e Octavio Gouveia de Bulhões sob o marechal Humberto Castelo Branco, a ditadura criou seu milagre econômico. O modelo combinava matérias-primas e mão de obra baratas, por causa da repressão imposta ao movimento sindical.

Enquanto jovens comunistas se sacrificavam no vale do Rio Araguaia na expectativa de criar uma longa guerra civil no campo, a exemplo do que Mao Tsé-tung fizeram na China, outros sequestravam embaixadores nas grandes cidades para libertar companheiros presos. Mas a maioria festejava o tricampeonato no México e acreditava na propaganda que cantava: "Este é um país que vai pra frente... de uma gente alegre e tão contente."

O Brasil Grande do general Médici se apresentava como "um oásis de paz" num mundo conturbado por guerras e revoluções.

Em 6 de outubro de 1973, na maior empreitada militar árabe da era moderna, mais de 100 mil soldados, mil tanques, 4 mil peças de artilharia e 250 aviões de combate do Egito cruzaram o Canal de Suez na tentativa de retomar a Península do Sinai, conquistada por Israel na Guerra dos Seis Dias, de 5 a 10 de junho de 1967. Para o historiador militar americano Trevor Dupuy, foi "uma das mais memoráveis travessias de água nos anais da guerra".

Ao mesmo tempo, 35 mil soldados e 800 tanques da Síria invadiram as Colinas do Golã. Era o início da Guerra do Yom Kippur (Dia do Perdão). Os árabes aproveitaram um feriado para atacar. Nem Israel nem os EUA acreditavam nos planos de guerra dos presidentes do Egito, Anuar Sadat, e da Síria, Hafez Assad, pai do atual ditador, Bachar Assad.

Na manhã seguinte, Israel tinha perdido 300 tanques. Mas, depois de vencer a batalha do cruzamento do canal e resistir ao primeiro contra-ataque israelense, o Exército do Egito se entrincheirou no Sinai logo após o Canal de Suez e não avançou, como queria a Síria. Naquele momento, sob pressão no Golã, Israel teria dificuldade para descolar aviões e tanques para conter a ofensiva egípcia.

A "pausa operacional" da ofensiva egípcia permitiu a Israel enfrentar separadamente seus dois grandes inimigos. Em 7 de outubro, Sadat enviou mensagem ao secretário de Estado americano, Henry Kissinger, expondo suas condições para a paz: "Não queremos aprofundar o conflito nem ampliar a confrontação". Exigia a devolução do Sinai.

Durante três dias, de 7 a 9 de outubro de 1973, a Força Aérea israelense fez mais de mil missões de combate por dia no Golã. Neutralizou a Força Aérea da Síria e conquistou supremacia aérea. A Síria recuou para as linhas anteriores ao início da guerra.

Só no dia 14, quando a artilharia de Israel ameaçava Damasco, o Egito retomou a ofensiva sobre o Sinai. Com o fracasso, em 16 de outubro, Sadat escreveu uma carta aberta ao presidente americano, Richard Nixon, propondo um cessar-fogo a ser seguido por uma conferência de paz patrocinada pela ONU para Israel devolver os territórios ocupados e reconhecer os direitos do povo palestino.

O recado de Sadat para os EUA e para o aliado Assad era claro: ele não queria mais lutar.

Kissinger, que tinha consolidado o apoio dos EUA a Israel no contexto da Guerra Fria, viu uma oportunidade para enfraquecer o poderio soviético no Oriente Médio.

Uma batalha logística entre as duas superpotências marcou a Guerra do Yom Kippur, em 1973. Os EUA e a União Soviética armaram pontes aéreas militares da história, que levaram milhares de toneladas de equipamentos para as partes em luta. A URSS entregou de 12 a 15 mil toneladas de equipamentos, armas e munições aos árabes e os EUA o dobro disso a Israel. Ao todo, até dezembro de 1973, por mar e ar, os EUA forneceram 90 mil toneladas de armas e equipamentos militares a Israel.

Em 24 de outubro, quando Israel cercou e ameaçava destruir o 3º Exército do Egito no Sinai, a URSS entrou em alerta nuclear e ameaçou entrar na guerra. Foi o único alerta nuclear soviético durante a Guerra Fria. O equilíbrio do terror nuclear entre as superpotências levou a um cessar-fogo em 25 de outubro de 1973. Pelo menos 2.521 israelenses e 8 mil árabes morreram no conflito.

Quatro anos depois, convencido de que era a única maneira de recuperar o Sinai, Sadat rompeu com a URSS, aproximou-se dos EUA e visitou Israel, com quem faria o primeiro acordo de paz de um país árabe com o Estado judaico. Em 1977, a URSS deixava de ser uma superpotência no Oriente Médio, posição que Vladimir Putin tenta restaurar agora apoiando a ditadura de Bachar Assad na guerra civil na Síria.

Sadat pagaria com a vida. Foi assassinado por soldados extremistas muçulmanos durante uma parada militar, em 6 de outubro de 1981, para comemorar o 8º aniversário da Guerra do Yom Kippur.

Humilhados mais uma vez no campo de batalha, sob a liderança do rei Faissal, da Arábia Saudita, em 16 de outubro de 1973, os países árabes exportadores de petróleo aumentaram o preço do barril em 17%, na época para apenas US$ 3,65. No dia seguinte, anunciaram um boicote à venda de petróleo aos EUA e outros países que apoiavam Israel, como Canadá, Holanda, Japão e Reino Unido.

Quando o embargo acabou, em março de 1974, mês da posse do ditador Ernesto Geisel (1974-79), o preço do barril de petróleo tinha quadruplicado para US$ 12. Uma das bases do milagre econômico brasileiro começava a ruir. O Brasil importava 75% do petróleo que consumia.

Logo, vieram aumentos de preços em cascata que levariam à hiperinflação só vencida em 1994 pelo Plano Real, filas nos postos, fechamento de postos de gasolina aos fins de semana, sobretaxas, déficits comerciais crescentes e crises de balanço de pagamentos.

Sob pressão, o general Geisel anunciaria a "distensão lenta, gradual e segura" que culminou com a revogação do Ato Institucional nº 5, em 31 de dezembro de 1978, e a anistia aos presos políticos, exilados e torturadores, em 1979.

Com a crise econômica, a Arena (Aliança Renovadora Nacional), o partido da ditadura, perdeu as eleições para o Senado em 16 dos 22 estados brasileiros em 15 de novembro de 1974. A opinião pública tinha virado contra o regime militar.

Em 1977, o general Geisel fechou o Congresso e decretou o Pacote de Abril. A volta das eleições diretas para governador, prevista para 1978, foi adiada para 1982. Para manter a maioria do governo, surgiu o senador biônico, em vez de ser eleito, nomeado pela ditadura.

Na visão do ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, em artigo na Folha, o Pacote de Abril leva a uma ruptura de setores importantes do empresariado com a ditadura.

A crise do petróleo, que causou uma recessão mundial nos anos 1970s, se agravou com a vitória da Revolução Islâmica o Irã, em 1979, no chamado segundo choque petrolífero, piorando ainda mais a situação econômica dos países dependentes de petróleo importado.

Na América Latina, as dívidas externas cresciam mesmo em países exportadores de petróleo como México e Venezuela, embriagados pelo dinheiro fácil. Com a forte alta de juros nos países ricos para combater a inflação causa pelo aumento nos preços dos combustíveis, vários países latino-americanos quebraram em 1982, entre eles México, Brasil e Argentina.

Assim, o Brasil foi alvo de uma sucessão de crises internacionais. Até hoje a economia brasileira não recuperou os índices de crescimento do pós-guerra até as crises do petróleo, de 7% a 8% ao ano. Em 1978, o produto interno bruto brasileiro era do tamanho do da China, de US$ 200 bilhões.

A crise econômica acabou com o prestígio da ditadura. Quem como eu sonhava em viver um dia num país rico, moderno e democrático acordou do pesadelo da ditadura sob uma crise econômica que obrigava a ligar para o banco várias vezes por dia, ou cada vez que se passava um cheque.

Com o Plano Real e as reformas econômicas da era Fernando Henrique Cardoso e os programas sociais dos governo Lula e Dilma, o Brasil recuperou sua autoestima, mas ainda está longe de definir um modelo econômico capaz de proporcionar desenvolvimento e bem-estar a seus 200 milhões de habitantes. O crescimento baixo e a desindustrialização ameaçam mais uma vez o eterno país do futuro.

No mundo globalizado, é importante aproveitar as oportunidades que o mercado internacional oferece. O extraordinário crescimento chinês foi um impulso fundamental para a aceleração do crescimento sob Lula na década passada. É bom também não esquecer as lições da crise que destruiu o milagre da ditadura.

Ontem como hoje, o Brasil precisa escapar da "armadilha de renda média". Para um país se tornar rico, tem de dar um salto tecnológico e fabricar produtos de alto valor agregado que o resto do mundo queira comprar. No Brasil, os setores de sucesso são o agronegócio e os aviões da Embraer. É muito pouco.

O Brasil precisa de um modelo de desenvolvimento para a revolução da biotecnologia. Como país mais biodiverso do mundo, o Brasil tem o maior banco genético do planeta, a maioria relativa das espécies animais e vegetais. Essa imensa a pouco explorada riqueza natural será transformada em produtos e processos que vão revolucionar a face da Terra muito além do que a revolução da tecnologia da informação fez nas últimas décadas.

É uma nova revolução tecnológica e industrial. O Brasil precisa embarcar neste trem-bala.