Há 43 anos, em 6 de outubro de 1973, começava a última guerra de vários países árabes contra Israel. Mais de 100 mil soldados cruzaram o Canal de Suez rumo à Península do Sinai, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Foi a maior empreitada militar árabe da era moderna. A guerra provocou a primeira crise do petróleo e acabou com o modelo ecônomico da ditadura militar.
Sob a orientação política do então conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, os Estados Unidos fizeram a maior ponte aérea militar da história, entregando 22 mil toneladas de equipamentos militares a Israel no campo de batalha, duas vezes mais do que a União Soviética com seus aliados árabes, especialmente o Egito e a Síria.
Em 22 de outubro, os EUA e a URSS negociaram um cessar-fogo, mas Kissinger avisou a primeira-ministra Golda Meir que o governo americano não se importaria se Israel realizasse operações militares antes do início da trégua.
À noite e no dia seguinte, Israel cercou o III Exército do Egito no Sinai e estava prestes a aniquilar o inimigo quando a URSS entrou em alerta nuclear e ameaçou intervir na guerra, salvando o Exército do Egito. Dos cerca de 20 alertas nucleares da Guerra Fria, foi a única ameaça soviética de iniciar uma guerra atômica.
Isso não impediu que o presidente egípcio Anuar Sadat abandonasse a aliança com a URSS, se aproximasse dos EUA e visitasse Israel em 1977, abrindo caminho para as negociações que levaram ao Acordo de Paz de Camp David, a residência de verão do presidente dos EUA, em 1979.
Sadat sabia que era a única maneira de recuperar o Sinai. Pagou pela paz com a própria vida. Em 6 de outubro de 1981, durante a parada militar de comemoração do início da guerra, soldados ligados a grupos extremistas muçulmanos metralharam e mataram o presidente egípcio. O atual líder da rede terrorista Al Caeda, o médico Ayman al-Zawahiri participou da conspiração.
Mas o impacto imediato da Guerra do Yom Kippur. Em resposta ao apoio dos EUA a Israel, sob a liderança do rei Faissal, da Arábia Saudita, em 16 de outubro, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) iniciou um boicote à venda de petróleo aos EUA e aliados.
Começava a primeira crise do petróleo. Quando o embargo acabou, em março de 1974, o preço do petróleo tinha subido de US$ 3 para US$ 12. A alta de preços viabilizou a exploração em águas profundas, como no Mar do Norte e no mar territorial brasileiro, mas causou uma recessão mundial e longas filas nos postos de gasolina.
No Brasil, a crise do petróleo foi responsável, na minha opinião, pelo fim do modelo econômico da ditadura militar (1964-85), baseado em energia e mão de obra baratas, e a longo prazo do próprio regime de exceção. O Brasil nunca retomou as taxas de crescimento do pós-guerra, de 7% a 8% por ano em média.
Durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-74), o período mais sombrio da ditadura, o país cresceu a taxas de 7% a 14% ao ano no milagre econômico brasileiro. Quando o general Ernesto Geisel assumiu o poder, em março de 1974, anunciou a "distensão lenta, gradual e segura" que levaria à redemocratização, em 1985.
A segunda crise do petróleo, em 1979, depois da vitória da Revolução Islâmica no Irã, agravou ainda mais a crise econômica do Brasil, que na época importava 75% do petróleo que consumia. A alta nos preços do petróleo também está na origem da hiperinflação brasileira, que só seria derrotada pelo Plano Real, em 1994. Mas o crescimento forte não voltou.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Ernesto Geisel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ernesto Geisel. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Guerra do Yom Kippur acabou com o modelo econômico da ditadura
Marcadores:
Anuar Sadat,
Brasil,
Crise do Petróleo,
Ditadura Militar,
Egito,
Embargo,
Emílio Garrastazu Médici,
Ernesto Geisel,
EUA,
Golda Meir,
Guerra do Yom Kippur,
Henry Kissinger,
Israel,
ponte aérea militar,
URSS
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Coluna do Castello está na Internet
A coluna política do jornalista Carlos Castello Branco, no Jornal do Brasil, talvez a mais famosa da História da Imprensa no Brasil está à disposição do público a partir de hoje no site www.carloscastellobranco.com.br.
Todas as 7.446 colunas publicados por Castello Branco de 1962 até 1993, ano de sua morte, estarão disponíveis tanto por data como por palavra-chave. O site tem ainda a biografia do jornalista e uma fotobiografia.
Castellinho, como era conhecido, foi assessor de imprensa do tumultuado governo Jânio Quadros, que durou apenas sete meses, em 1961. Depois, tornou-se o maior colunista político da imprensa brasileira. Tinha a fama de reproduzir todas as suas entrevistas de cabeça, sem notas nem gravador.
Seus textos registram o período conturbado que antecedeu ao golpe militar de 1964, todo o período da ditadura, o golpe dentro do golpe com o Ato Institucional nº 5 (AI-5), o afastamento de Costa e Silva pela juntar militar, a abertura lenta e gradual do general Ernesto Geisel, a campanha das diretas, a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, as desilusões com a redemocratização até o impeachment de Fernando Collor, em 1992.
Todas as 7.446 colunas publicados por Castello Branco de 1962 até 1993, ano de sua morte, estarão disponíveis tanto por data como por palavra-chave. O site tem ainda a biografia do jornalista e uma fotobiografia.
Castellinho, como era conhecido, foi assessor de imprensa do tumultuado governo Jânio Quadros, que durou apenas sete meses, em 1961. Depois, tornou-se o maior colunista político da imprensa brasileira. Tinha a fama de reproduzir todas as suas entrevistas de cabeça, sem notas nem gravador.
Seus textos registram o período conturbado que antecedeu ao golpe militar de 1964, todo o período da ditadura, o golpe dentro do golpe com o Ato Institucional nº 5 (AI-5), o afastamento de Costa e Silva pela juntar militar, a abertura lenta e gradual do general Ernesto Geisel, a campanha das diretas, a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, as desilusões com a redemocratização até o impeachment de Fernando Collor, em 1992.
Marcadores:
AI-5,
Arthur da Costa e Silva,
Carlos Castello Branco,
Castellinho,
Diretas-já,
Ernesto Geisel,
Imprensa,
Jânio Quadros,
JB,
Tancredo Neves
Assinar:
Postagens (Atom)