Mesmo com a saúde delicada, o ex-presidente francês Jacques Chirac não vai escapar do processo em que é acusado de corrupção quando era prefeito de Paris.
Ao contrário do Brasil, na França, ninguém que ex-presidentes são seres acima de qualquer suspeita.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011
sábado, 31 de outubro de 2009
Chirac será primeiro presidente francês processado
O ex-presidente Jacques Chirac foi denunciado por corrupção e desvio de fundos, inclusive a criação de 21 empregos fictícios, quando era prefeito de Paris, de 1977 a 1995. Será o primeiro presidente da França a ser processado.
Chirac teve sua longa carreira salpicada por acusações de corrupção. Ele se beneficiou de uma lei que impede o julgamento de presidentes durante o exercício do cargo, a não ser em processos de impeachment.
Chirac teve sua longa carreira salpicada por acusações de corrupção. Ele se beneficiou de uma lei que impede o julgamento de presidentes durante o exercício do cargo, a não ser em processos de impeachment.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Chirac é investigado por corrupção
O ex-presidente francês Jacques Chirac está sendo investigado por desvio de fundos quando era prefeito de Paris (1977-95).
Notório corrupto, o ex-presidente da França dificilmente teria sido reeleito em 2002 se a divisão da esquerda não levasse o líder neofascista Jean-Marie Le Pen para o segundo turno da eleição presidencial.
Como presidente, Chirac tinha imunidade, perdida quando transferiu o poder para Nicolas Sarkozy, em maio deste ano.
Notório corrupto, o ex-presidente da França dificilmente teria sido reeleito em 2002 se a divisão da esquerda não levasse o líder neofascista Jean-Marie Le Pen para o segundo turno da eleição presidencial.
Como presidente, Chirac tinha imunidade, perdida quando transferiu o poder para Nicolas Sarkozy, em maio deste ano.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Sarkozy emenda relações França-EUA
Em sua primeira visita oficial aos Estados Unidos, o novo presidente da França, Nicolas Sarkozy, foi recebido com grande intimidade ontem na Casa Branca pelo presidente George Walker Bush e prometeu restaurar as relações com Washington, abaladas pela oposição francesa à invasão do Iraque e ao antiamericano de seu antecessor, Jacques Chirac, que gostaria de usar a União Européia como um contra peso ao poderio americano.
É um nítido contraste com a frieza do novo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, em relação a Bush. Brown sabe que Tony Blair caiu por sua participação na guerra. Como ainda precisa passar pelo teste das urnas, faz pose de durão para o eleitorado. Já Sarkozy joga todo o seu chamar para se aproximar dos EUA, afirmando que a França quer e precisa ter influência no pensamento político americano.
É um nítido contraste com a frieza do novo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, em relação a Bush. Brown sabe que Tony Blair caiu por sua participação na guerra. Como ainda precisa passar pelo teste das urnas, faz pose de durão para o eleitorado. Já Sarkozy joga todo o seu chamar para se aproximar dos EUA, afirmando que a França quer e precisa ter influência no pensamento político americano.
domingo, 11 de março de 2007
Chirac não será candidato à Presidência da França
Como era esperado, o presidente Jacques Chirac anunciou hoje em pronunciamento pela televisão que não vai concorrer a um terceiro mandato como presidente da França.
Chirac começou na política na Reunião para a República (RPR), partido do presidente Charles de Gaulle. Foi ministro da Agricultura, prefeito de Paris durante 18 anos e duas vezes primeiro-ministro, antes de se tornar presidente em 1995, no fim da era François Mitterrand (1995-2002).
Acusado de incompetência e corrupção, Chirac estava prestes a perder a eleição presidencial de 2002 para o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin. Mas Jospin implantara reformas impopulares para que a França se enquadrasse nas normas da união monetária européia. Parte da esquerda votou em candidatos radicais. Só os trotskistas tiveram 11% dos votos.
Resultado: em 21 de abril de 2002, o líder neofascista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, bateu Jospin e conquistou uma vaga no segundo turno. A esquerda tapou o nariz e votou em Chirac, reeleito com uma votação estrondosa mas claramente como o mal menor.
A invasão do Iraque pelos Estados Unidos, deu ao presidente francês uma oportunidade de voltar ao cenário internacional reivindicando uma autoridade moral superior à da superpotência. Ao liderar a oposição à guerra no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a França apresentou-se como defensora do Direito Internacional.
O candidato da direita francesa será mesmo o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, da União por um Movimento Popular, herdeira do RPR.
No momento, as pesquisas dão a vitória a Sarkozy num possível segundo turno contra a candidata socialista, Ségolène Royal, por 55% a 45%. Mas o avanço do centrista François Bayrou, da União pela Democracia Francesa (UDF), do ex-presidente Valéry Giscard d'Estaing, já ameaça aquela que pode ser a primeira mulher a presidir a França.
A esquerda já teme uma repetição da tragédia de 2002, quando ficou sem candidato no segundo turno e teve de adiar em cinco anos a aposentadoria de Chirac.
Chirac começou na política na Reunião para a República (RPR), partido do presidente Charles de Gaulle. Foi ministro da Agricultura, prefeito de Paris durante 18 anos e duas vezes primeiro-ministro, antes de se tornar presidente em 1995, no fim da era François Mitterrand (1995-2002).
Acusado de incompetência e corrupção, Chirac estava prestes a perder a eleição presidencial de 2002 para o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin. Mas Jospin implantara reformas impopulares para que a França se enquadrasse nas normas da união monetária européia. Parte da esquerda votou em candidatos radicais. Só os trotskistas tiveram 11% dos votos.
Resultado: em 21 de abril de 2002, o líder neofascista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, bateu Jospin e conquistou uma vaga no segundo turno. A esquerda tapou o nariz e votou em Chirac, reeleito com uma votação estrondosa mas claramente como o mal menor.
A invasão do Iraque pelos Estados Unidos, deu ao presidente francês uma oportunidade de voltar ao cenário internacional reivindicando uma autoridade moral superior à da superpotência. Ao liderar a oposição à guerra no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a França apresentou-se como defensora do Direito Internacional.
O candidato da direita francesa será mesmo o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, da União por um Movimento Popular, herdeira do RPR.
No momento, as pesquisas dão a vitória a Sarkozy num possível segundo turno contra a candidata socialista, Ségolène Royal, por 55% a 45%. Mas o avanço do centrista François Bayrou, da União pela Democracia Francesa (UDF), do ex-presidente Valéry Giscard d'Estaing, já ameaça aquela que pode ser a primeira mulher a presidir a França.
A esquerda já teme uma repetição da tragédia de 2002, quando ficou sem candidato no segundo turno e teve de adiar em cinco anos a aposentadoria de Chirac.
segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
Sarkozy ganha candidatura da direita
O ministro do Interior da Françca, Nicolas Sarkozy, foi confirmado neste domingo como candidato da governista União por um Movimento Popular (UMP), de direita, à Presidência da França nas eleições deste ano.
Sarkozy deve disputar o Palácio do Eliseu, no segundo turno, em maio, com a candidata socialista Ségolène Royal. No momento, as pesquisas dão uma pequena vantagem a Ségolène.
Filho de um imigrantes húngaro, Sarkozy é visto como um liberal em economia e conservador em política, um linha-dura no combate ao crime e à imigração ilegal. Seu liberalismo econômico de inspiração anglo-americana é considerado uma ameaça ao modelo social-democrata francês.
O próprio presidente Jacques Chirac, que se apresenta como um guardião dos valores tradicionais da Europa, da França e do gaullismo, fez recentemente uma crítica aos modelos importados, defendendo a economia social de mercado e a primazia das questões sociais no modelo francês.
Sarkozy deve disputar o Palácio do Eliseu, no segundo turno, em maio, com a candidata socialista Ségolène Royal. No momento, as pesquisas dão uma pequena vantagem a Ségolène.
Filho de um imigrantes húngaro, Sarkozy é visto como um liberal em economia e conservador em política, um linha-dura no combate ao crime e à imigração ilegal. Seu liberalismo econômico de inspiração anglo-americana é considerado uma ameaça ao modelo social-democrata francês.
O próprio presidente Jacques Chirac, que se apresenta como um guardião dos valores tradicionais da Europa, da França e do gaullismo, fez recentemente uma crítica aos modelos importados, defendendo a economia social de mercado e a primazia das questões sociais no modelo francês.
segunda-feira, 1 de janeiro de 2007
Chirac propõe temas para campanha presidencial
Em sua mensagem de Ano Novo, o presidente Jacques Chirac lançou as questões que considera mais importantes para os debates da campanha eleitoral para a Presidência da França:
- os valores republicanos,
- o progresso econômico e social,
- a ajuda ao desenvolvimento,
- a Europa
- e o meio ambiente.
Entre os sucessos do seu governo, citou a queda no desemprego, que caiu 10% no ano passado, a reforma da Previdência Social, "a duplicação do número de habitações de caráter social desde 2002", o aumento da segurança nas estradas e avanços no combate ao câncer.
Chirac defendeu uma campanha com "debates abertos, democráticos e responsáveis". Prometeu se engajar "plenamente". E pediu atenção aos franceses: "Não dêem ouvido aos aprendizes de feiticeiro do extremismo", advertiu o presidente da França. "Projetam-se das ideologias, das ilusões e das receitas que não funcionam".
Ao defender o modelo francês, disse que "não basta imitar. São o trabalho, a formação e a pesquisa que fazem a forças das economias modernas.
O candidato do partido de Chirac, a União por um Movimento Popular (UMP), é o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, acusado de ser direita e liberal demais. Quando falou de imigração, um dos temas favoritos de Sarkozy, filho de um imigrante húngaro, o presidente defendeu a ajuda ao desenvolvimento como "uma exigência moral" e também para "prevenir o afluxo a nossas fronteiras de todos os que deixam seus países porque não têm mais esperança".
À esquerda, a principal candidata será a socialista Ségolène Royal, nova sensação da política francesa. Como Sarkozy, ele representa uma renovação. Mais do que isso, tem chance real de ser a primeira mulher a presidir a França, depois do fiasco socialista em 2002, quando o primeiro-ministro Lionel Jospin ficou atrás do líder neofascista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, deixando a esquerda fora do segundo turno.
A questão é saber se Chirac falou como magistrado ou como candidato. O Palácio do Eliseu nega qualquer possibilidade de candidatura à reeleição. Mas ainda há tempo até abril, quando será realizado o primeiro turno da eleição presidencial.
- os valores republicanos,
- o progresso econômico e social,
- a ajuda ao desenvolvimento,
- a Europa
- e o meio ambiente.
Entre os sucessos do seu governo, citou a queda no desemprego, que caiu 10% no ano passado, a reforma da Previdência Social, "a duplicação do número de habitações de caráter social desde 2002", o aumento da segurança nas estradas e avanços no combate ao câncer.
Chirac defendeu uma campanha com "debates abertos, democráticos e responsáveis". Prometeu se engajar "plenamente". E pediu atenção aos franceses: "Não dêem ouvido aos aprendizes de feiticeiro do extremismo", advertiu o presidente da França. "Projetam-se das ideologias, das ilusões e das receitas que não funcionam".
Ao defender o modelo francês, disse que "não basta imitar. São o trabalho, a formação e a pesquisa que fazem a forças das economias modernas.
O candidato do partido de Chirac, a União por um Movimento Popular (UMP), é o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, acusado de ser direita e liberal demais. Quando falou de imigração, um dos temas favoritos de Sarkozy, filho de um imigrante húngaro, o presidente defendeu a ajuda ao desenvolvimento como "uma exigência moral" e também para "prevenir o afluxo a nossas fronteiras de todos os que deixam seus países porque não têm mais esperança".
À esquerda, a principal candidata será a socialista Ségolène Royal, nova sensação da política francesa. Como Sarkozy, ele representa uma renovação. Mais do que isso, tem chance real de ser a primeira mulher a presidir a França, depois do fiasco socialista em 2002, quando o primeiro-ministro Lionel Jospin ficou atrás do líder neofascista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, deixando a esquerda fora do segundo turno.
A questão é saber se Chirac falou como magistrado ou como candidato. O Palácio do Eliseu nega qualquer possibilidade de candidatura à reeleição. Mas ainda há tempo até abril, quando será realizado o primeiro turno da eleição presidencial.
sábado, 25 de novembro de 2006
Neofascista tem 17% das preferências na França
O líder neofascista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, tem 17% das intenções de voto para a eleição presidencial do ano que vem na França, repetindo seu desempenho em 2002, quando surpreendentemente chegou ao segundo turno, provocando um terremoto na política francesa.
Em pesquisa divulgada ontem pelo jornal Le Monde, Le Pen aparece em terceiro lugar, atrás da candidata socialista Ségolène Royal, a grande sensação eleitoral francesa, e do ministro do Interior, Nicolás Sarkozy, provável candidato da direita.
Mas é improvável que Le Pen chegue ao segundo turno mais uma vez. Em 2002, o eleitorado de esquerda estava insatisfeito com o então primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que governava em coabitação com o presidente conservador Jacques Chirac.
Jospin tomara medidas impopulares para controlar o déficit orçamentário e a dívida pública, desagradando a esquerda francesa. Num voto de protesto, 11% votaram em candidatos de extrema esquerda, na certeza de que estariam com Jospin no segundo turno. Em 21 de abril de 2002, num dia tristemente histórico para a França, pela primeira vez um neofascista que nega a ocorrência do Holocausto, chegava ao segundo turno.
Resultado: a esquerda foi obrigada a tapar no nariz e votar em Chirac, um líder corrupto e conservador. Le Pen, que conseguira pouco menos de 17% dos votos no primeiro turno, mal passou de 18%. Mas o estrago estava feito.
Agora, será diferente. O Partido Socialista escolheu uma candidata para ganhar, mesmo que algumas correntes a considerem liberal demais. Ségolène Royal pode ser a primeira mulher a chegar à Presidência da França.
Do outro lado, Sarkozy é um ministro do Interior linha-dura que dá ênfase à segurança pública, com um discurso para roubar votos da Frente Nacional. Mas, no momento, Le Pen mantém o desempenho de 2002.
Em pesquisa divulgada ontem pelo jornal Le Monde, Le Pen aparece em terceiro lugar, atrás da candidata socialista Ségolène Royal, a grande sensação eleitoral francesa, e do ministro do Interior, Nicolás Sarkozy, provável candidato da direita.
Mas é improvável que Le Pen chegue ao segundo turno mais uma vez. Em 2002, o eleitorado de esquerda estava insatisfeito com o então primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que governava em coabitação com o presidente conservador Jacques Chirac.
Jospin tomara medidas impopulares para controlar o déficit orçamentário e a dívida pública, desagradando a esquerda francesa. Num voto de protesto, 11% votaram em candidatos de extrema esquerda, na certeza de que estariam com Jospin no segundo turno. Em 21 de abril de 2002, num dia tristemente histórico para a França, pela primeira vez um neofascista que nega a ocorrência do Holocausto, chegava ao segundo turno.
Resultado: a esquerda foi obrigada a tapar no nariz e votar em Chirac, um líder corrupto e conservador. Le Pen, que conseguira pouco menos de 17% dos votos no primeiro turno, mal passou de 18%. Mas o estrago estava feito.
Agora, será diferente. O Partido Socialista escolheu uma candidata para ganhar, mesmo que algumas correntes a considerem liberal demais. Ségolène Royal pode ser a primeira mulher a chegar à Presidência da França.
Do outro lado, Sarkozy é um ministro do Interior linha-dura que dá ênfase à segurança pública, com um discurso para roubar votos da Frente Nacional. Mas, no momento, Le Pen mantém o desempenho de 2002.
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
Ségolène será candidata à Presidência da França
Ela pode ser a primeira mulher a presidir a França.
O secretário nacional eleitoral do Partido Socialista, Bruno Le Roux, afirmou hoje à noite que "os militantes fizeram uma escolha clara". Entre 55% e 60% dos votos da eleição prévia para decidir quem será o candidato do PS em 2007 foram para Ségolène Royal, que derrota assim o ex-primeiro-ministro Laurent Fabius e o ex-ministro das Finanças Dominique Strauss-Kahn.
Nas pesquisas, Ségolène está em primeiro lugar, empatada com o ministro do Exterior, Nicolás Sarkozy, provável candidato da direita, com 34% das preferências, bem à frente do neofascista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, que tirou o ex-primeiro-ministro socialista Lionel Jospin do segundo turno em 2002.
Como a esquerda se dividiu em 2002 , com 11% dos votos sendo dados a candidatos de esquerda radical, os neofascistas foram para o segundo turno, obrigando a esquerda a votar no presidente Jacques Chirac, que consideram corrupto e conservador.
Naquela época, o PS tinha um candidato desgastado pelo poder, por cinco anos de coabitação com Chirac e pelas reformas econômicas para a adoção do euro como moeda comum européia. Isto exigiu controle do déficit e da dívida públicos, cortes de gastos que a esquerda francesa associa ao liberalismo econômico.
Para punir Jospin, votou no primeiro turno, em 21 de abril de 2002, em candidatos mais à esquerda, na certeza de que votaria em Jospin no segundo turno. Teve de tapar o nariz e votar em Chirac para evitar o mal maior do fascismo.
Agora o PS vem para ganhar, com a grande novidade destas eleições: uma mulher com chance de conquistar o Palácio do Eliseu. Ela é inteligente, bonita e liberal. Talvez seja liberal demais para a esquerda mais radical. Mas é a única chance de vitória da esquerda.
O secretário nacional eleitoral do Partido Socialista, Bruno Le Roux, afirmou hoje à noite que "os militantes fizeram uma escolha clara". Entre 55% e 60% dos votos da eleição prévia para decidir quem será o candidato do PS em 2007 foram para Ségolène Royal, que derrota assim o ex-primeiro-ministro Laurent Fabius e o ex-ministro das Finanças Dominique Strauss-Kahn.
Nas pesquisas, Ségolène está em primeiro lugar, empatada com o ministro do Exterior, Nicolás Sarkozy, provável candidato da direita, com 34% das preferências, bem à frente do neofascista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, que tirou o ex-primeiro-ministro socialista Lionel Jospin do segundo turno em 2002.
Como a esquerda se dividiu em 2002 , com 11% dos votos sendo dados a candidatos de esquerda radical, os neofascistas foram para o segundo turno, obrigando a esquerda a votar no presidente Jacques Chirac, que consideram corrupto e conservador.
Naquela época, o PS tinha um candidato desgastado pelo poder, por cinco anos de coabitação com Chirac e pelas reformas econômicas para a adoção do euro como moeda comum européia. Isto exigiu controle do déficit e da dívida públicos, cortes de gastos que a esquerda francesa associa ao liberalismo econômico.
Para punir Jospin, votou no primeiro turno, em 21 de abril de 2002, em candidatos mais à esquerda, na certeza de que votaria em Jospin no segundo turno. Teve de tapar o nariz e votar em Chirac para evitar o mal maior do fascismo.
Agora o PS vem para ganhar, com a grande novidade destas eleições: uma mulher com chance de conquistar o Palácio do Eliseu. Ela é inteligente, bonita e liberal. Talvez seja liberal demais para a esquerda mais radical. Mas é a única chance de vitória da esquerda.
sexta-feira, 31 de março de 2006
Presidente francês sanciona lei do primeiro emprego mas promete mudanças
O presidente da França, Jacques Chirac, sancionou hoje a lei que cria o contrato do primeiro emprego, apesar da onda de protestos das últimas semanas. Em pronunciamento pela televisão, Chirac prometeu reduzir de dois anos para um o período no qual jovens de até 26 anos, no primeiro contrato de trabalho, poderão ser demitidos sem qualquer compensação. Disse ainda que os empregadores serão obrigados a justificar a demissão.
Chirac tenta um meio termo capaz de salvar o primeiro-ministro Dominique de Villepin, cuja demissão está sendo exigida pelos manifestantes. Villepin formulou a proposta depois da rebelião de jovens de origem estrangeira na periferia de Paris, em outubro e novembro do ano passado.
O desemprego na França atinge quase 10% de população ativa, chegando a 23% entre os jovens e a 40% entre os jovens de origem estrangeira. Mas estudantes e sindicalistas não vêem na proposta uma saída para gerar empregos e, sim, um primeiro passo para cortar direitos sociais e trabalhistas. Eles rejeitaram as mudanças anunciadas por Chirac e mantiveram a convocação de greves e marchas de protestos para terça-feira, 4 de abril.
Na liderança do movimento estudantil francês, estão os universitários. Eles têm mais facilidade de assinar contratos de prazo indeterminado. Dos formandos em 2001, 71% tinham emprego estável três anos depois. Mas a ameaça de desemprego e de ter de aceitar trabalho temporário apontam para uma degradação das relações de trabalho na França, um efeito perverso da globalização que inquieta e assusta a sociedade francesa.
Uma das explicações para este medo é a deterioração da economia francesa nos últimos quatro anos. O desemprego entre bacharéis caiu de 12% em 2001 para 8% em 2003 mas voltou a subir para 11% em 2004. Este fantasma do desemprego tem um impacto psicológico devastador.
Outro fator é a desvalorização do diploma universitário. A porcentagem dos que recebiam abaixo da expectativa para o diploma que possuíam passou de 22% em 1981 para 43% em 1997. "Mais do que a precariedade do mercado de trabalho, a realidade é que o diploma universitário não garante mais o mesmo status e o mesmo salário de 15 anos atrás", constata Alberto Lopez, chefe do departamento de entrada na vida ativa do Centro de Estudos e Pesquisas sobre Emprego e Qualificação.
Chirac tenta um meio termo capaz de salvar o primeiro-ministro Dominique de Villepin, cuja demissão está sendo exigida pelos manifestantes. Villepin formulou a proposta depois da rebelião de jovens de origem estrangeira na periferia de Paris, em outubro e novembro do ano passado.
O desemprego na França atinge quase 10% de população ativa, chegando a 23% entre os jovens e a 40% entre os jovens de origem estrangeira. Mas estudantes e sindicalistas não vêem na proposta uma saída para gerar empregos e, sim, um primeiro passo para cortar direitos sociais e trabalhistas. Eles rejeitaram as mudanças anunciadas por Chirac e mantiveram a convocação de greves e marchas de protestos para terça-feira, 4 de abril.
Na liderança do movimento estudantil francês, estão os universitários. Eles têm mais facilidade de assinar contratos de prazo indeterminado. Dos formandos em 2001, 71% tinham emprego estável três anos depois. Mas a ameaça de desemprego e de ter de aceitar trabalho temporário apontam para uma degradação das relações de trabalho na França, um efeito perverso da globalização que inquieta e assusta a sociedade francesa.
Uma das explicações para este medo é a deterioração da economia francesa nos últimos quatro anos. O desemprego entre bacharéis caiu de 12% em 2001 para 8% em 2003 mas voltou a subir para 11% em 2004. Este fantasma do desemprego tem um impacto psicológico devastador.
Outro fator é a desvalorização do diploma universitário. A porcentagem dos que recebiam abaixo da expectativa para o diploma que possuíam passou de 22% em 1981 para 43% em 1997. "Mais do que a precariedade do mercado de trabalho, a realidade é que o diploma universitário não garante mais o mesmo status e o mesmo salário de 15 anos atrás", constata Alberto Lopez, chefe do departamento de entrada na vida ativa do Centro de Estudos e Pesquisas sobre Emprego e Qualificação.
quarta-feira, 29 de março de 2006
Estudantes e sindicalistas marcam nova jornada de greve a manifestações na França
Um dia depois de protestos que reuniram de 1 a 3 milhões de pessoas em toda a França, as 12 organizações estudantis e sindicais que lideram o movimento contra a lei do primeiro emprego marcaram nova jornada de greves e manifestações para 4 de abril.
A pressão sobre o governo conservador do primeiro-ministro Dominique de Villepin vai se tornando irresistível. A maioria dos franceses não só apóia os protestos como entende que o presidente Jacques Chirac deveria se envolver mais na solução da crise. Sua assessoria anunciou que ele pretende se manifestar nos próximos dias. Até agora, Chirac apóia o primeiro-ministro.
Villepin propôs a lei do primeiro emprego, que permite demissão sem justa causa nos dois primeiros anos de contrato, depois da rebelião dos jovens de origem estrangeira na periferia de Paris em outubro e novembro.
O índice de desemprego na França é de 9,7% mas chega a 23% entre os jovens e a 40% entre os jovens imigrantes ou de origem estrangeira.
Villepin pretendia ao menos atenuar o problema facilitando contratações e demissões. Mas estudantes e sindicalistas vêem na medida um primeiro passo para acabar com direitos e garantias sociais, e impor um modelo socioeconômico anglo-saxão e liberal.
Como o projeto já foi aprovado pela Assembléia Nacional, qualquer recuo será considerando humilhante para Villepin, que gostaria de concorrer à Presidência da França em 2007. Diante de sua negativa em revogar a lei, estudantes e sindicalistas exigem agora a demissão do governo. Ao que tudo indica, não aceitarão nada menos do que a queda de Villepin.
A pressão sobre o governo conservador do primeiro-ministro Dominique de Villepin vai se tornando irresistível. A maioria dos franceses não só apóia os protestos como entende que o presidente Jacques Chirac deveria se envolver mais na solução da crise. Sua assessoria anunciou que ele pretende se manifestar nos próximos dias. Até agora, Chirac apóia o primeiro-ministro.
Villepin propôs a lei do primeiro emprego, que permite demissão sem justa causa nos dois primeiros anos de contrato, depois da rebelião dos jovens de origem estrangeira na periferia de Paris em outubro e novembro.
O índice de desemprego na França é de 9,7% mas chega a 23% entre os jovens e a 40% entre os jovens imigrantes ou de origem estrangeira.
Villepin pretendia ao menos atenuar o problema facilitando contratações e demissões. Mas estudantes e sindicalistas vêem na medida um primeiro passo para acabar com direitos e garantias sociais, e impor um modelo socioeconômico anglo-saxão e liberal.
Como o projeto já foi aprovado pela Assembléia Nacional, qualquer recuo será considerando humilhante para Villepin, que gostaria de concorrer à Presidência da França em 2007. Diante de sua negativa em revogar a lei, estudantes e sindicalistas exigem agora a demissão do governo. Ao que tudo indica, não aceitarão nada menos do que a queda de Villepin.
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