O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reavivou seu conflito com o rei Juan Carlos de Bourbon ao insistir em "congelar as relações com a Espanha" exigindo que o rei peça desculpas por tê-lo mandado calar a boca no encerramento da Conferência de Cúpula Ibero-Americana realizada há duas semanas em Santiago, no Chile.
"Até que o rei da Espanha se desculpe, eu congelo as relações, porque aqui há dignidade", declarou o caudilho, em plena campanha pela aprovação, em referendo marcado para 2 de dezembro, de uma reforma constitucional que lhe dará poderes ditatoriais para implantar o "socialismo do século 21".
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 26 de novembro de 2007
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Kirchner elogia rei da Espanha
Com seu estilo turrão, o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, não gosta de conferências de cúpula. Não estava em Santiago do Chile quando o rei Juan Carlos de Bourbon mandou o caudilho venezuelano Hugo Chávez calar a boca. Mas agora, manda seu recado: "O rei Juan Carlos é o melhor político da Espanha e um dos melhores do mundo".
Sobre Chávez, o mandatário argentino não deu uma palavra em público.
Para o jornalista Joaquín Morales Solá, colunista do jornal conservador La Nación, Kirchner de aborrece com discussões ideológicas. Parecem-lhe resquícios da Guerra Fria: "Gostaria de falar sobre as coisas concretas de hoje. Disse a alguns que podemos convocar um seminário para falar de ideologias, mas não vamos gastar o tempo de uma reunião de cúpula com este tipo de debate".
Os comentários sobre Chávez partem de assessores próximos ao presidente: "O que justifica o plebiscito de Chávez? Para que ficar mais tempo no poder além dos 16 anos que lhe estão assegurados? Para que correr o risco de uma derrota?"
Talvez por isso, tenha escolhido sua mulher, a senadora e presidente eleita Cristina Fernández de Kirchner para disputar a eleição de 28 de outubro passado.
Sobre Chávez, o mandatário argentino não deu uma palavra em público.
Para o jornalista Joaquín Morales Solá, colunista do jornal conservador La Nación, Kirchner de aborrece com discussões ideológicas. Parecem-lhe resquícios da Guerra Fria: "Gostaria de falar sobre as coisas concretas de hoje. Disse a alguns que podemos convocar um seminário para falar de ideologias, mas não vamos gastar o tempo de uma reunião de cúpula com este tipo de debate".
Os comentários sobre Chávez partem de assessores próximos ao presidente: "O que justifica o plebiscito de Chávez? Para que ficar mais tempo no poder além dos 16 anos que lhe estão assegurados? Para que correr o risco de uma derrota?"
Talvez por isso, tenha escolhido sua mulher, a senadora e presidente eleita Cristina Fernández de Kirchner para disputar a eleição de 28 de outubro passado.
domingo, 11 de novembro de 2007
Chávez: "O rei é rei mas não pode me calar"
Ao falar no encerramento da Cúpula dos Povos, paralela à 17ª Cúpula Ibero-Americana, em Santiago do Chile, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, respondeu ao rei Juan Carlos, da Espanha, que o mandara calar a boca quando o caudilho chamou o ex-primeiro-ministro espanhol José María Aznar de fascista.
"O rei é rei mas não pode me calar", afirmou Chávez. "Exijo respeito porque também sou chefe de Estado, e eleito democraticamente. Ele é tão chefe de Estado quanto eu, com a diferença de que fui eleito três vezes. O rei Juan Carlos de Bourbon é tão chefe de Estado quanto o índio Evo Morales".
Também participaram do encerramento da cúpula paralela organizada pela Universidade de Artes e Ciências Sociais os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Nicarágua, Daniel Ortega, e o vice-presidente de Cuba, Carlos Lage.
Chávez recebeu o título de doutor honoris causa e discursou durante uma hora e 45 minutos.
"O rei é rei mas não pode me calar", afirmou Chávez. "Exijo respeito porque também sou chefe de Estado, e eleito democraticamente. Ele é tão chefe de Estado quanto eu, com a diferença de que fui eleito três vezes. O rei Juan Carlos de Bourbon é tão chefe de Estado quanto o índio Evo Morales".
Também participaram do encerramento da cúpula paralela organizada pela Universidade de Artes e Ciências Sociais os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Nicarágua, Daniel Ortega, e o vice-presidente de Cuba, Carlos Lage.
Chávez recebeu o título de doutor honoris causa e discursou durante uma hora e 45 minutos.
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Argentina protesta contra autorização a papeleira
O embaixador do Uruguai em Buenos Aires recebeu hoje uma carta de protesto do governo Néstor Kirchner. A Argentina denuncia uma "conduta ilegítima do governo uruguaio e expressa seu "mais enérgico protesto" pela autorização para que a fábrica de papel e celulose da companhia finlandesa Botnia comece a funcionar neste sábado, em Fray Bentos, na margem oriental do Rio Uruguai. A questão provocou o conflito conhecido como 'guerra das papeleiras".
Em Santiago do Chile, na abertura da Conferência de Cúpula Ibero-Americana, os presidentes da Argentina, Néstor Kirchner, e do Uruguai, Tabaré Vázquez, trocaram farpas.
A Espanha, mediadora das negociações entre os dois países, pedira ao Uruguai que adiasse a autorização para o funcionamento da fábrica para fazer uma última tentativa de chegar a um acordo.
Na carta, “a Argentina expressa seu mais formal e enérgico protesto diante desta decisão unilateral", que la “lesa gravemente os direitos da Argentina previstos no Estatuto do Rio Uruguai, de 1975”.
Mais adiante, acrescenta que “a colocação em marcha do Projeto Orión [nome oficial da fábrica da Botnia] decidida pelo Uruguai sem esperar a sentença que deve pronunciar a Corte Internacional de Justiça, constitui uma evidência adicional da conduta ilegítima do Uruguai, que vem se manifestando desde que decidiu não respeitar o Estatuto de 1975, o tratado bilateral que regulamenta um recurso fluvial compartilhado entre ambos os países”.
Para os argentinos, a grande preocupação é com a poluição do rio. O Uruguai fechou uma ponte para impedir uma manifestação de protesto e garante que a Botnia opera com as mais modernas tecnologia para não contaminar a água.
Em Santiago do Chile, na abertura da Conferência de Cúpula Ibero-Americana, os presidentes da Argentina, Néstor Kirchner, e do Uruguai, Tabaré Vázquez, trocaram farpas.
A Espanha, mediadora das negociações entre os dois países, pedira ao Uruguai que adiasse a autorização para o funcionamento da fábrica para fazer uma última tentativa de chegar a um acordo.
Na carta, “a Argentina expressa seu mais formal e enérgico protesto diante desta decisão unilateral", que la “lesa gravemente os direitos da Argentina previstos no Estatuto do Rio Uruguai, de 1975”.
Mais adiante, acrescenta que “a colocação em marcha do Projeto Orión [nome oficial da fábrica da Botnia] decidida pelo Uruguai sem esperar a sentença que deve pronunciar a Corte Internacional de Justiça, constitui uma evidência adicional da conduta ilegítima do Uruguai, que vem se manifestando desde que decidiu não respeitar o Estatuto de 1975, o tratado bilateral que regulamenta um recurso fluvial compartilhado entre ambos os países”.
Para os argentinos, a grande preocupação é com a poluição do rio. O Uruguai fechou uma ponte para impedir uma manifestação de protesto e garante que a Botnia opera com as mais modernas tecnologia para não contaminar a água.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Uruguai recua na 'guerra das papeleiras'
A pedido da Espanha, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, adiou a autorização para que a fábrica de papel e celulose construída pela companhia finlandesa Botnia em Fray Bentos, na margem oriental do Rio Uruguai, entre em funcionamento.
Na última hora, ontem de manhã, quando já havia uma entrevista preparada para fazer o anúncio oficial, o presidente uruguaio atendeu a um apelo do ministro do Exterior da Espanha, Miguel Ángel Moratinos. Como mediador, o governo espanhol quer facilitar as negociações entre Argentina e Uruguai para resolver o conflito conhecido como 'guerras das papeleiras'.
Uma empresa espanhola, a Ence, está estudando a "relocalização" de sua fábrica. A Botnia terminou a obra e agora aguarda a licença do governo uruguaio para entrar em operações.
O chanceler espanhol pediu que o Uruguai espere até a Reunião de Cúpula Ibero-Americana a ser realizada na próxima semana em Santiago do Chile.
Leia mais no jornal argentino La Nación.
Na última hora, ontem de manhã, quando já havia uma entrevista preparada para fazer o anúncio oficial, o presidente uruguaio atendeu a um apelo do ministro do Exterior da Espanha, Miguel Ángel Moratinos. Como mediador, o governo espanhol quer facilitar as negociações entre Argentina e Uruguai para resolver o conflito conhecido como 'guerras das papeleiras'.
Uma empresa espanhola, a Ence, está estudando a "relocalização" de sua fábrica. A Botnia terminou a obra e agora aguarda a licença do governo uruguaio para entrar em operações.
O chanceler espanhol pediu que o Uruguai espere até a Reunião de Cúpula Ibero-Americana a ser realizada na próxima semana em Santiago do Chile.
Leia mais no jornal argentino La Nación.
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