A Alemanha, a França e o Reino Unido anunciaram ontem a criação de um mecanismo para fazer negócios com o Irã, apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos. O sistema de pagamentos será chamado de instrumento de apoio a trocas comerciais (Instex). Vai permitir às empresas negociar com o Irã fora do mercado do dólar.
O Instex será uma entidade estatal, com sede na França, sob a gerência de um alemão e a direção superior de um conselho com sede no Reino Unido, tudo sob a supervisão da União Europeia. Países de fora do bloco, como China, Índia e Rússia, podem aderir, se quiserem.
Pelo sistema, as empresas iranianas poderão vender seus produtos na Europa e obter crédito para importar produtos europeus. O foco inicial será em remédios e alimentos, que estão excluídos das sanções impostas pelo presidente Donald Trump ao se retirar do acordo negociado pelo governo Barack Obama para desarmar o programa nuclear iraniano.
Agora, o Irã tem de fazer sua parte, criar um sistema para se conectar ao Instex. Isso pode levar meses.
Em depoimento nesta semana ao Congresso, os diretores dos serviços de inteligência dos EUA fizeram uma análise de riscos diferente de posições do presidente Trump, especialmente em relação ao Irã e à Coreia do Norte.
Enquanto a ditadura comunista da Coreia do Norte tem todo o interesse em preservar sua capacidade nuclear já adquirida, o Irã estaria cumprindo o acordo assinado em 2015 com as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha.
O interesse da Europa está em manter o acordo. Também manda um recado aos EUA de Trump: está pronta para agir por conta própria, a exercer sua "autonomia estratégica" e independência em relação a Washington, uma posição defendida pela França.
Ao transformar o dólar em mais uma arma de sua política externa, Trump, com sua visão de mundo ultranacionalista, abala a posição do dólar como moeda dominante do sistema financeiro internacional. É um alerta a outros grandes atores da economia internacional, como a Europa, a China, o Japão e a Índia. Devem se preparar para a era pós-dólar.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
terça-feira, 21 de agosto de 2018
"Europa deve criar sistema de pagamentos independente dos EUA"
Para salvar o acordo nuclear com o Irã, a União Europeia deveria criar um sistema de pagamentos alternativo aos Estados Unidos e ao dólar, afirmou hoje o ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Mass, noticiou a agência de notícias Reuters.
O papel hegemônico dos EUA no sistema financeiro internacional torna difícil para a UE e o Irã manterem o acordo. Ao criar seu próprio sistema de pagamentos com base no euro, a Europa diminuiria o impacto das sanções unilaterais impostas pelo governo Donald Trump, mas não eliminaria.
Em 8 de maio, Trump retirou os EUA do acordo negociado no governo Barack Obama entre as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e o Irã para congelar por pelo menos dez anos o programa nuclear militar iraniano.
A partir de 5 de novembro, os EUA vão aplicar sanções contra o Irã e as empresas que negociarem com a ditadura teocrática iraniana. Quase todas as empresas transnacionais devem optar por fazer negócios em dólar e manter o acesso ao mercado americano.
De qualquer forma, a declaração do ministro do Exterior alemão indica uma preocupação da UE de ter uma alternativa própria diante da imprevisibilidade dos EUA de Trump.
O papel hegemônico dos EUA no sistema financeiro internacional torna difícil para a UE e o Irã manterem o acordo. Ao criar seu próprio sistema de pagamentos com base no euro, a Europa diminuiria o impacto das sanções unilaterais impostas pelo governo Donald Trump, mas não eliminaria.
Em 8 de maio, Trump retirou os EUA do acordo negociado no governo Barack Obama entre as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e o Irã para congelar por pelo menos dez anos o programa nuclear militar iraniano.
A partir de 5 de novembro, os EUA vão aplicar sanções contra o Irã e as empresas que negociarem com a ditadura teocrática iraniana. Quase todas as empresas transnacionais devem optar por fazer negócios em dólar e manter o acesso ao mercado americano.
De qualquer forma, a declaração do ministro do Exterior alemão indica uma preocupação da UE de ter uma alternativa própria diante da imprevisibilidade dos EUA de Trump.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Suécia pode ser primeiro país a abandonar o dinheiro de papel
A Suécia está em condições de se tornar o primeiro país a acabar com o papel moeda por causa do amplo uso da tecnologia digital e de ações contra o crime organizado e o terrorismo, indica uma pesquisa do Instituto Real de Tecnologia, com sede em Estocolmo.
"O dinheiro é um importante meio de pagamento em muitos países, mas isso não acontece mais aqui na Suécia", declarou o pesquisador de gestão em alta tecnologia Niklas Arvidsson, observando que o uso generalizado de um sistema de pagamentos digital chamado Swish está substituindo o papel moeda. "Usamos pouco dinheiro e cada vez menos."
Num país em que cartões de crédito e débito são usados mesmo em pequenas compras, a quantidade de dinheiro em circulação está hoje em 80 bilhões de coroas suecas, cerca de 8 bilhões de euros ou R$ 35 bilhões. Seis anos atrás, eram 106 bilhões de coroas.
"Desta quantia, só 40% a 60% estão em circulação", acrescentou o pesquisador. O resto está guardado em casa, em cofres bancários ou no mercado negro.
O Swish é um sistema de pagamentos diretos em tempo real via aplicativo usado em transações entre indivíduos desenvolvido em conjunto por bancos da Suécia e da Dinamarca.
"Com a forte penetração da tecnologia da informação, os serviços financeiros da Suécia se tornaram mais competitivos. O sucesso depende da tradição do consumidor sueco de aceitar sistemas de pagamento eletrônico, comentou Arvidsson.
A Suécia já tem agências bancárias com 100% dos serviços digitalizados que não aceitam dinheiro em espécie, notou o pesquisador. "Nas agências que ainda aceitam notas e moedas, o cliente deve explicar a origem do dinheiro de acordo com leis para combater o terrorismo, o crime organizado e a lavagem de dinheiro."
Em casos suspeitos, os funcionários do banco devem encaminhar relatório à polícia.
O último desafio é convencer as pessoas idosas, especialmente das zonas rurais, a aderir os sistema de pagamentos de última geração. Quem depende de dinheiro, como os excluídos como os sem-teto e os imigrantes ilegais, ficará ainda mais dependente do poder público.
"O dinheiro é um importante meio de pagamento em muitos países, mas isso não acontece mais aqui na Suécia", declarou o pesquisador de gestão em alta tecnologia Niklas Arvidsson, observando que o uso generalizado de um sistema de pagamentos digital chamado Swish está substituindo o papel moeda. "Usamos pouco dinheiro e cada vez menos."
Num país em que cartões de crédito e débito são usados mesmo em pequenas compras, a quantidade de dinheiro em circulação está hoje em 80 bilhões de coroas suecas, cerca de 8 bilhões de euros ou R$ 35 bilhões. Seis anos atrás, eram 106 bilhões de coroas.
"Desta quantia, só 40% a 60% estão em circulação", acrescentou o pesquisador. O resto está guardado em casa, em cofres bancários ou no mercado negro.
O Swish é um sistema de pagamentos diretos em tempo real via aplicativo usado em transações entre indivíduos desenvolvido em conjunto por bancos da Suécia e da Dinamarca.
"Com a forte penetração da tecnologia da informação, os serviços financeiros da Suécia se tornaram mais competitivos. O sucesso depende da tradição do consumidor sueco de aceitar sistemas de pagamento eletrônico, comentou Arvidsson.
A Suécia já tem agências bancárias com 100% dos serviços digitalizados que não aceitam dinheiro em espécie, notou o pesquisador. "Nas agências que ainda aceitam notas e moedas, o cliente deve explicar a origem do dinheiro de acordo com leis para combater o terrorismo, o crime organizado e a lavagem de dinheiro."
Em casos suspeitos, os funcionários do banco devem encaminhar relatório à polícia.
O último desafio é convencer as pessoas idosas, especialmente das zonas rurais, a aderir os sistema de pagamentos de última geração. Quem depende de dinheiro, como os excluídos como os sem-teto e os imigrantes ilegais, ficará ainda mais dependente do poder público.
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