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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Setembro

RIO HUDSON

    Em 1609, em busca de uma passagem para a Ásia a serviço da Companhia Holandesa das Índias Orientais, o navegador inglês Henry Hudson entra no que hoje é o porto de Nova York e sobe o rio batizado com seu nome.

Na sua última viagem, também em busca de um caminho marítimo para a Ásia, é o primeiro europeu a chegar ao Estreito de Hudson e à Baía de Hudson, no que hoje é o Canadá. 

Em 1611, passa o inverno na Baía de São Jaime e tenta seguir no rumo oeste. Alvo de um motim da tripulação, é abandonado à deriva na região ártica com o filho e outros sete marujos e nunca mais é visto.

MORTE DE CROMWELL

    Em 1658, morre em Londres aos 59 anos Oliver Cromwell, o Eleito de Deus, líder da Revolução Puritana e do breve período republicano da história da Inglaterra.

Cromwell nasce em Huntingdon numa família da nobreza rural. As primeiras décadas de sua vida são pouco conhecidas. Nos anos 1630, ele se converte ao protestantismo e se torna um homem profundamente religioso. Acredita que Deus o guia em suas vitórias.

É eleito para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico em 1628 pelo distrito de Huntingdon e por Cambridge para o Pequeno Parlamento (1640) e para o Longo Parlamento (1640-1649).

Na Guerra Civil, Cromwell se torna um militar e estadista, comandante das forças do Parlamento Britânico na Guerra Civil Inglesa contra o rei Carlos I (1625-49) e derruba a Dinastia Stuart. Um dos signatários da sentença de morte de Carlos I, executado em 30 de janeiro de 1649, vira Lorde Protetor (1853-58) da Commonwealth, como é chamado o governo republicano, e restaura o poderio do país, abalado desde a morte da rainha Elizabeth I (1558-1603).

Durante as Guerras Confederadas Irlandesas ou Guerra dos Onze Anos (1641-53), parte da Guerra dos Três Reinos (1639-53), travada entre Inglaterra, Escócia e Irlanda, Cromwell lidera as forças protestantes contra os monarquistas e a Confederação dos Católicos da Irlanda. Ele impõe uma série de leis penais contra os católicos, que são minoria na Inglaterra e na Escócia, mas ampla maioria na Irlanda, para onde faz uma imigração forçada de presbiterianos escoceses que viram maioria no que hoje é a Irlanda do Norte.

Cromwell morre de malária no Palácio de Whitehall e é enterrado como herói na Abadia de Westminster. Com a restauração da monarquia, em 1660, seu cadáver é exumado, pendurado em correntes e decapitado.

Por seu radicalismo político, é comparado ao líder revolucionário francês Maximiliano Robespierre e ao ditador soviético Josef Stalin.

LISTRAS E ESTRELAS

    Em 1777, a bandeira dos Estados Unidos é usada pela primeira vez no campo de batalha, numa escaramuça com as tropas britânicas na ponte de Cooch, em Delaware, durante a Guerra da Independência (1775-83).

O general William Maxwell manda erguer a bandeira quando a infantaria e a cavalaria enfrentam uma força do Império Britânico. Os rebeldes perdem e se retiram até encontrar as tropas do general George Washington, comandante do Exército Continental.

A bandeira original, aprovada pelo Congresso Continental em 14 de junho de 1777, tem 13 listras horizontais, sete vermelhas e seis brancas, e 13 estrelas de cinco pontas contra um fundo azul no canto superior esquerdo. Cada listra e cada estrela representa uma das 13 colônias que formavam os EUA no momento da independência.

Com a entrada na União dos estados de Kentucky e Vermont, a bandeira passa a ter 15 listras e 15 estrelas. Depois, volta a ter apenas 13 listras e uma estrela para cada estado.

A bandeira atual, com 50 estrelas, depois da inclusão do Havai como 50º estado, é hasteada pela primeira vez à zero hora de 4 de julho de 1960 em Baltimore, no estado de Maryland.

INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1783, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Espanha e a França assinam o Tratado de Paris reconhecendo a independência dos EUA.

A guerra começa em 19 de abril 1775, em Lexington, na colônia de Massachusetts, quando os colonos norte-americanos não aceitam a recusa o rei George III de lhes dar mais autonomia econômica e administrativa. Mais de um ano depois, em 4 de julho de 1776, os norte-americanos declaram independência.

A última grande batalha é travada em outubro de 1781 em Yorktown, na Virgínia. A paz começa a ser negociada por Benjamin Franklin, John Adams e John Jay em setembro de 1782. Franklin pede que o Canadá seja entregue aos colonos americanos. Não consegue, mas com a guerra as 13 Colônias dobram o tamanho de seu território.

INVASÃO DA ITÁLIA

    Em 1943, sob o comando do marechal Bernard Montgomery, o 8º Exército Britânico cruza da ilha da Sicília para o território continental da Itália, iniciando a invasão aliada da Europa ocupada pelas potências do Eixo (Alemanha e Itália) durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O governo que derruba o regime fascista de Benito Mussolini se rende imediatamente, mas a rendição fica em segredo até 8 de setembro. Mussolini sonha em reconstruir o poder e a glória do Império Romano, mas uma série de derrotas o deixa totalmente dependente da Alemanha Nazista de Adolf Hitler.

Em 10 de julho de 1943, os aliados invadem a Sicília. Quando a notícia chega a Roma, em 25 de julho, o Grande Conselho Fascista depõe Mussolini. No dia seguinte, assume o poder o marechal Pietro Badoglio, que negocia em segredo com os aliados.

Os alemães libertam Mussolini en 12 de setembro de 1943 e vão à guerra contra o governo Badoglio. Roma cai de novo em junho de 1944, quando os aliados se concentram na invasão da Normandia, no Norte da França.

Uma nova ofensiva aliada começa em abril de 1945. Mussolini é capturado, executado e pendurado de cabeça para baixo em 28 de abril, dias antes da rendição da Alemanha e do fim da guerra na Europa, em 8 de maio.

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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Abril

 CROMWELL DISSOLVE O PARLAMENTO

    Em 1653, o ditador Oliver Cromwell dissolve o Parlamento Manco ou Parlamento Residual da Inglaterra, substituído pelo Pequeno Parlamento ou Assembleia Nomeada, que seria fechado no mesmo ano com a instauração do Protetorado, com Cromwell como Lorde Protetor, o que o torna definitivamente um ditador.

O Parlamento Manco, última fase do Longo Parlamento, convocado pelo rei em novembro de 1640, começa quando o coronel Thomas Pride faz um grande expurgo, em 13 de dezembro de 1648, destituindo 121 deputados que são contra o julgamento e a execução do rei Carlos I no auge da Guerra Civil Inglesa entre um rei católico e um Parlamento com maioria protestante.. 

Esse parlamento reduzido aprova em 4 de janeiro de 1649 a criação de um Supremo Tribunal de Justiça para processar o rei. Carlos I contesta a autoridade do tribunal numa audiência em 20 de janeiro. É condenado à morte por traição. 

A execução é adiada para dar tempo à aprovação de uma lei tornando crime proclamar um novo rei. Todo o poder fica com a Câmara dos Comuns, representante do povo. O rei é decapitado em Whitehall, no Centro de Londres, em 31 de janeiro de 1649.

Em 6 de fevereiro do mesmo ano, a Câmara dos Lordes é abolida. No dia seguinte, é abolida a monarquia. Em 14 de fevereiro, é criado o Conselho de Estado. Em abril, nasce a Comunidade da Inglaterra. Com o controle da Câmara dos Comuns, Cromwell acumula poderes. Em 1653, dissolve o Parlamento, instaura o Protetorado e se torna Lorde Protetor da Inglaterra, do País de Gales, da Escócia e da Irlanda. 

Com a morte de Cromwell em 3 de setembro de 1653 e o fim do Protetorado, o Parlamento é restaurado em maio de 1659, dissolvido em outubro e reconvocado em dezembro de 1659 com a inclusão dos expurgados em 1648 para finalmente se dissolver. Uma Convenção Parlamentar eleita inicia negociações para a restauração da monarquia sob Carlos II, filho de Carlos I, em 1660. 

NASCIMENTO DE HITLER

    Em 1889, nasce em Braunau, na Áustria, Adolf Hitler, líder do Partido Nazista, chanceler (primeiro-ministro) e ditador da Alemanha, o grande genocida, o pior tirano de todos os tempos e o maior responsável pela Segunda Guerra Mundial (1939-45), com uma visão de mundo baseada na supremacia da raça ariana e na expansão territorial através da guerra.

Hitler passa a maior parte da infância em Linz, na Áustria. Aluno medíocre, não passa do ensino médio. Sonha em ser pintor, mas é reprovado em duas tentativas de entrar para a Academia de Artes de Viena.

Em 1913, Hitler se muda para Munique, na Alemanha. Por falta de vigor físico, é rejeitado para o serviço militar na Áustria. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), consegue entrar para um regimento de infantaria da Baviera. 

Ele participa da Primeira Batalha de Ypres, na Bélgica. É condecorado duas vezes por bravura. No fim da guerra, está hospitalizado por ter sofrido um ataque com armas químicas.

A guerra, a disciplina militar e a camaradagem com os companheiros de armas compensam a frustração da vida civil. Hitler vê a guerra e o heroísmo como a exaltação do espírito humano.

Em setembro de 1919, ele entra para o pequeno Partido Alemão dos Trabalhadores, que em 1920 muda de nome para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista). Torna-se responsável pela propaganda do partido.

O ressentimento pela derrota da Alemanha, as duras condições impostas ao país pela Conferência de Paz de Versalhes (1919) e a crise econômica decorrente causam grande descontentamento. Deixam um terreno fértil para a demagogia populista.

Sua personalidade carismática e liderança dinâmica atraem membros do partido como Alfred Rosenberg, Rudolf Hess, Herman Göring e Julius Streicher.

A primeira tentativa de tomar o poder é o Golpe de Cervejaria de Munique, deflagrado em 8 de novembro de 1923. Hitler é preso e condenado por traição a 5 anos de cadeia. Na prisão, escreve o livro Mein Kampf (Minha Luta), o manual da propaganda nazista. É solto em 20 de dezembro de 1924, depois de cumprir apenas nove meses de detenção.

Suas ideias incluem uma visão desigual e hierárquica de povos, países e indivíduos numa ordem natural imutável com a raça ariana e o povo alemão no topo como líderes e guias da humanidade. No centro de seu pensamento estão o pangermanismo, o antissemitismo e o anticomunismo.

O maior inimigo do nazismo não é a democracia liberal, que está em crise na Alemanha com o fracasso da República de Weimar. É o marxismo, que para Hitler inclui a social-democracia e o comunismo, e o povo judeu, para Hitler a encarnação de todo o mal.

Seu antissemitismo é evidente desde 1919, quando escreve que "o objetivo final deve ser a remoção de todos os judeus. Em Mein Kampf, Hitler descreve o judeu como "destruidor da cultura", "ameaça" e "parasita da nação".

A Grande Depressão (1929-39) da economia gera a instabilidade política que leva os nazistas ao poder. 

Depois de eleições em que o Partido Nazista conquista 33% dos votos em 6 de novembro de 1932, Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro) em 30 de janeiro, quando a taxa de desemprego está em 34%. Menos de um mês depois, em 27 de fevereiro, há o incêndio do parlamento. Os nazistas são suspeitos e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão de Hitler ao poder total.

O primeiro campo de concentração, Dachau, é criado em 22 de março de 1933. Até 1945, os nazistas operam mais de mil campos de concentração.

A Lei Habilitante é aprovada em 23 de março de 1933 pelo Partido Nazista, pelo Partido Nacional Popular da Alemanha e pelo Partido de Centro. Dá os primeiros poderes ditatoriais a Hitler, permitindo que o governo crie leis e assine tratados com outros países sem a aprovação do Reichstag, censure a imprensa e proíba partidos políticos.

Entre 10 de maio e 21 de junho de 1933, os nazistas organizam grandes queimas de livros justificadas pela "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".

Nos seus primeiros anos do poder, a Alemanha vence a depressão econômica com uma política agressiva de industrialização e rearmamento. O desemprego cai de 34% em janeiro de 1933 para 13,5% em julho de 1934.

Com a morte do presidente Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o regime nazista convoca um plebiscito para unificar os cargos de presidente e primeiro-ministro na figura do Führer (Líder). Em 19 de agosto, os alemães aprovam a ditadura de Adolf Hitler com quase 90% dos votos.

Em setembro de 1935, são aprovadas as Leis de Pureza Racial de Nurembergue. Desde o século 19, os judeus eram aceitos como membros da sociedade alemã com plenos direitos e cidadãos iguais aos outros.

A Lei de Cidadania do Reich determina que só pessoas com "sangue ou ascendência alemã" podem ser cidadãos. Os judeus são "súditos do Estado", não cidadãos. A Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemãs proíbe o casamento e as relações sexuais entre judeus, acusados de serem "poluidores raciais", e não judeus.

De 11 a 13 de março de 1938, a Alemanha Nazista anexa a Áustria, país de origem de Hitler. Em 30 de setembro de 1938, Hitler toma a região dos Sudetos, na Tcheco-Eslováquia, onde há uma grande população de origem alemã, com a conivência da França e do Reino Unido no Pacto de Munique, uma tentativa de evitar a guerra na Europa. A invasão da Boêmia e da Morávia, em 15 de março de 1939, completa a anexação da Tcheco-Eslováquia.

A Segunda Guerra Mundial começa em 1º de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha. Dias antes, em 23 de agosto, Hitler e o ditador Josef Stalin fazem o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão que Hitler usa para dividir a Polônia e garantir a paz na frente oriental enquanto toma a Europa Ocidental.

A derrota na Batalha da Inglaterra, um combate aéreo travado de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, impede Hitler de invadir o Reino Unido.

Em 22 de junho de 1941, Hitler rompe o pacto de não agressão com Stalin e ordena a invasão da União Soviética. No fim daquele ano, em 7 de dezembro, o Império do Japão, aliado da Alemanha, ataca a Frota do Pacífico dos Estados Unidos em Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA entram na guerra.

A Conferência de Wannsee, um subúrbio de Berlim, adota em 20 de janeiro de 1942 a "solução final" para a questão judaica, uma tentativa de exterminar os judeus da Europa. Cerca de 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto, 6 milhões de judeus, 60% dos judeus europeus, 1,5 milhão de ciganos, socialistas, comunistas, negros e opositores do regime nazista.

Em meados de 1942, o Exército nazista domina grande parte da Europa continental, o Norte da África e quase um quarto da URSS. Com a derrota nas batalhas de Moscou (1941-42), Stalingrado (1942-43) e Kursk (1943), a Alemanha Nazista para de avançar. O Afrika Korps, o exército alemão no Norte da África, se rende em 12 de maio de 1943.

Em 9 de julho de 1943, os aliados invadem a Sicília e começam a acabar com a ditadura de Benito Mussolini na Itália, o principal aliado de Hitler.

A Invasão da Normandia, em 6 de junho de 1944, abre uma nova frente de combate na Europa Ocidental. Na frente oriental, o Exército Vermelho da URSS avança rumo a Berlim. 

Em 20 de julho de 1944, Hitler sobrevive a um atentado na Toca do Lobo, seu esconderijo secreto na Prússia Oriental, na Operação Valquíria, uma conspiração para dar um golpe de Estado liderada pelo coronel Claus von Stauffenberg.

A Batalha de Ardenne, de 16 de dezembro de 1944 a 25 de janeiro de 1945, é a última grande contraofensiva alemã na frente ocidental, uma tentativa de deter o avanço das forças norte-americanas.

O Exército Vermelho ganha a corrida rumo a Berlim. Toma a capital da Alemanha em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa. Hitler se suicida oito dias antes, em 30 de abril, um seu bunker em Berlim. As bombas atômicas de Hiroxima e Nagasáki, em 6 e 9 de agosto de 1945, levam à rendição do Japão e ao fim da Segunda Guerra Mundial.

RÁDIO ISOLADO

    Em 1902, quatro anos depois de descobrir os elementos radioativos rádio e polônio, o casal Marie e Pierre Curie consegue isolar sais de rádio de um minério em seu laboratório.

Maria Salomea Sklodowska nasce em Varsóvia, na Polônia, então parte do Império Russo, em 7 de novembro de 1867. Aos 24 anos, em 1891, ela segue a irmã mais velha, Bronislawa, e vai estudar na Universidade de Paris, onde se forma em física e química.

Na França, ela passa a ser chamada de Marie. Em 1894, quando obtém o segundo diploma, conhece Pierre Curie, instrutor da Escola Superior de Física e Química Industriais de Paris, apresentado pelo físico polonês Józef Kowalski, que sabia que Marie estava procurando um espaço maior para seu laboratório. Pierre lhe oferece o espaço.

A paixão pela ciência aproxima os dois. Pierre Curie a pede em casamento. Marie recusa. Quer voltar para a Polônia. De volta a Varsóvia, ela percebe que não pode fazer carreira em seu país, onde o acesso à universidade lhe é negado por ser mulher.

Por carta, Pierre Curie a convence a voltar para Paris para fazer um doutorado. Eles se casam em 26 de julho de 1895 sem cerimônia religiosa. Uma piada na época era que Marie era "a grande descoberta de Pierre".

No mesmo ano, Wilhelm Roentgen descobre os raios-X, mas não o fenômeno que os causa. Em 1896, Henri Becquerel percebe que o urânio emite raios semelhantes aos raios-X. Ela decide investigar o fenômeno para sua tese.

Marie Curie levanta a hipótese de que a radiação não seja resultado da interação entre moléculas, venha do próprio átomo. 

Entre suas realizações, estão a teoria da radioatividade, palavra que ela criou, técnicas para isolar isótopos radioativos e a descoberta de dois elementos químicos, o polônio e o rádio.

Ela é a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel e a primeira professora da Universidade de Paris. Divide o Nobel de Física de 1903 com Becquerel e o marido pela descoberta da radioatividade. É também a primeira pessoa a ganhar duas vezes o Nobel. Ganha o prêmio de Química em 2011 pela descoberta do rádio e do polônio.

FIM DO IMPÉRIO OTOMANO

    Em 1924, a Grande Assembleia Nacional da Turquia aprova uma Constituição plenamente republicana e conclui a dissolução do Império Otomano, que durante seis séculos é o centro das interações entre Europa e Ásia. O general Mustafá Kemal, que proclama a república seis meses antes, é o primeiro presidente. Em 20 de novembro de 1934, ele adota o sobrenome de Atatürk, o Pai dos Turcos.

O Império Otomano é fundado pelo sultão Osmã I em 1299. Em 29 de maio de 1453, o imperador Mehmet II toma Constantinopla. É o fim do Império Romano do Ocidente e da Idade Média. O Império Otomano atinge o auge nos séculos 16 e 17, quando é uma das maiores potências mundiais. 

Os otomanos chegam a cercar Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes. O Primeiro Cerco Otomano a Viena, de 27 de setembro a 14 de outubro de 1529, é um marco do fim da invencibilidade turca.

No mar, uma aliança de potências católicas sob a liderança de Felipe II, da Espanha, vence os otomanos na Batalha de Lepanto, na costa da Grécia, em 7 de outubro de 1571.

A derrota na Batalha de Viena, em 12 de setembro de 1683, depois de dois meses do Segundo Cerco Otomano a Viena, marca o início do recuo na Europa.

Nos séculos 17 e 18, o Império Otomano perde a supremacia militar sobre os europeus. Em 1821, a Grécia se torna o primeiro país dos Bálcãs e proclamar a independência, conquistada em 1830. Com uma reforma modernizante, a Tanzimat (1839-76), que significa reestruturação, o império recupera seus poderes ao longo do século 19. 

Depois de derrotas nas  Guerras dos Bálcãs (1912-13), os otomanos se aliam aos impérios Alemão e Austro-Húngaro na Primeira Guerra Mundial (1914-18). A Revolta Árabe (1916-18), apoiada pelo Império Britânico a conselho do major Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia, vence o Império Otomano nas províncias árabes.

Os impérios Alemão, Austro-Húngaro e Otomano, derrotados, desaparecem no fim da guerra, assim como o Império Russo, vencido pela Alemanha e dissolvido pela Revolução de Fevereiro de 1917 na Rússia.

A partilha do Império Otomano no Tratado de Sèvres, de 10 de agosto de 1920, dá a origem ao que são hoje 40 países, inclusive a República Turca de Chipre do Norte, não reconhecida internacionalmente. Com a ocupação de Constantinopla, o movimento nacionalista turco luta pela independência de 1919 a 1922 sob a liderança de Mustafá Kemal. A monarquia acaba em 1º de novembro de 1922.

O Tratado de Lausanne reconhece a República da Turquia em 24 de julho de 1923. A Grande Assembleia Nacional proclama oficialmente a independência em 29 de outubro do mesmo ano. O califado é abolido em 3 de março de 1924.

MAIOR VAZAMENTO DE PETRÓLEO

    Em 2010, uma explosão na plataforma de petróleo Horizonte de Águas Profundas, no Golfo do México, a 66 quilômetros da costa da Louisiana, nos Estados Unidos, mata 11 funcionários, fere outros 17 e causa o maior vazamento acidental de petróleo da história, superado apenas para guerra ecológica do ditador do Iraque, Saddam Hussein, contra o Kuwait no fim da Guerra do Golfo Pérsico de 1991.

A plataforma, operada para companhia BP, antiga British Petroleum, afunda dois dias depois. O poço na sua base só é selado em 19 de setembro, depois de um vazamento de 4,9 milhões de barris, 780 mil metros cúbicos de petróleo.

O petróleo bruto chega à Baia de Tampa e ao Panhandle, na Flórida. Em 2013, 2,2 mil toneladas de material oleoso são removidas das praias da Louisiana, o dobro de 2012. O ambiente marinho, a vida selvagem e as indústrias de pesca e do turismo são abaladas fortemente.

Em abril de 2016, a BP faz um acordo com o Departamento da Justiça dos EUA para pagar multas no valor de US$ 20,8 bilhões. Em 2018, os custos de limpeza, encargos e penalidades chegam a US$ 65 bilhões.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 16 de Dezembro

 LORDE PROTETOR

Em 1653, o militar e político Oliver Cromwell assume o poder no curto período republicano da história britânica como Lorde Protetor da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda. Governa como um ditador até a morte, em 3 de setembro de 1658, talvez envenenado.

Cromwell nasce em Huntingdon, na Inglaterra, em 25 de abril de 1599. É o único filho de Robert Crowmell e Elizabeth Steward. Por parte de pai, é descendente indireto de Thomas Cromwell, primeiro-ministro do rei Henrique VIII. Seu pai é latifundiário, juiz de paz e membro do Parlamento durante o reinado de Elizabeth I.

Calvinista convicto, acredita que é "o maior dos pecadores" até se considerar um "eleito de Deus". Nos seus 30 anos, vende suas terras e vira arrendatário de Henry Lawrence, que planeja emigrar para a Nova Inglaterra, mas desiste. Provavelmente, Cromwell iria junto.

Quando entra para a Câmara dos Comuns, ataca em 1628-29 os bispos de Carlos I. Protestante, não confia na hierarquia da Igreja Anglicana. Entende que todo cristão pode estabelecer contato direto com Deus através de orações e da Bíblia, sem necessidade de intermediários.

Reeleito em 1640 com o apoio de puritanos radicais do Condado de Cambridge, critica os aumentos de impostos e os monopólios da Coroa, mas sua principal oposição ao rei tem motivos religiosos. 

Em novembro de 1641, John Pym e aliados apresentam a Grande Remonstrância. É uma lista de mais de 200 demandas e reclamações, da censura aos bispos à corrupção do clero e à tirania e usurpação eclesiásticas. Exige o fim da imposição de impostos sem o consentimento do Parlamento. Repudia a promoção de reformas religiosas indesejadas, a injustiça dos tribunais e a não punição dos católicos.

A Grande Remonstrância é aprovada na Câmara dos Comuns em 22 de novembro de 1641 e não é enviada à Câmara dos Lordes antes de ser entregue ao rei, que a rejeita. Cromwell diz que, se não fosse aprovada pelos Comuns, deixaria a Inglaterra para sempre "no dia seguinte". Sua rejeição pelo rei é uma das causas da Revolução Puritana (1642-49) e da Guerra Civil Inglesa (1642-51) .

Durante a guerra civil, em 1643, Cromwell conquista reputação de ser um grande líder militar, capaz de organizar forças de combate. Nomeado coronel, organiza um regimento de cavalaria de primeira classe com uma disciplina rígida. Passa a ser conhecido como Velho Braços de Ferro.

Como um dos generais das forças protestantes do Parlamento, luta contra o rei Carlos I (1625-49), da Dinastia Stuart, católica e escocesa, decapitado em 30 de janeiro de 1649, e governa como um ditador absolutista até a morte. É sucedido pelo filho Ricardo, que não tem o mesmo carisma.

A monarquia é restaurada em 1660, quando o Parlamento convida o rei Carlos II (1660-85), filho mais velho de Carlos I, a voltar do exílio na França e ocupar o trono.

Em 1661, por ordem da Câmara dos Comuns, o cadáver de Cromwell é desenterrado, exumado e enforcado. O corpo é reenterrado sob a forca em Tyburn, hoje Marble Arch. A cabeça fica exposta publicamente no Palácio de Westminster até 1685.

Carlos II é sucedido pelo irmão Jaime II, derrotado pelo protestante holandês Guilherme de Orange na Revolução Gloriosa (1688-89), que o coroa como Guilherme II, estabelece a supremacia do Parlamento e aprova a Lei ou Carta de Direitos, sob a influência do filósofo John Locke, pai do liberalismo político.

A Carta de Direitos proíbe o rei de ascender ao trono, exercer o poder, criar impostos, aplicar a lei, impor multas excessivas, infligir punições cruéis e ilegais, e convocar e manter um exército permanente sem o consentimento do Parlamento. 

FESTA DO CHÁ EM BOSTON

    Em 1773, milhares de colonos norte-americanos invadem o porto de Boston e um grupo de 50 a 70, disfarçados de índios mohawk, entra em três navios britânicos e joga no mar 342 caixas de uma carga de chá da Companhia das Índias Orientais, uma das pontas de lança do Império Britânico, num episódio marcante da luta pela independência dos Estados Unidos.

A Lei do Chá, aprovada naquele ano, reduz os impostos e dá à empresa o virtual monopólio do comércio de chá no que viriam a ser os EUA. O valor da carga de chá é de US$ 1,7 milhão pela cotação da época. Pela cotação de 2022, é estimado em US$ 18,6 milhões. 

O governo britânico está exaurido financeiramente pelos gastos na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando toma as possessões da França na Índia e na maior parte do que hoje é Canadá. A revolta dos colonos norte-americanos começa em protesto contra a Lei do Selo, de 1765, que tenta restaurar as finanças do Reino Unido.

Por sua vez, os colonos tinham colaborado para o esforço de guerra com homens e impostos. Não querem pagar mais por impostos aprovados pelo Parlamento Britânico, onde não têm representação. Daí, nasce um dos lemas da luta pela independência: "Não à taxação sem representação."

Em 1774, a Lei Coercitiva fecha o porto de Boston a navios mercantes, impõe um governo militar à colônia, torna militares britânicos inimputáveis e obriga os colonos a alojar as tropas do rei George III. Está aceso o estopim da rebelião.

Na Guerra da Independência (1775-83), os colonos têm o apoio da França. Em 1783, no Tratado de Paris, o Reino Unido e a França reconhecem a independência dos EUA.

AFRICÂNERES MASSACRAM ZULUS

    Em 1838, sob o comando de Andries Pistorius, 464 voortrekkers (pioneiros em holandês) matam mais de 3 mil zulus na Batalha do Rio do Sangue, hoje parte da província de KwaZulu-Natal, na África do Sul.

A Grande Jornada é uma migração de colonos de origem holandesa (africâneres) da Colônia do Cabo para o interior do que hoje é a África do Sul iniciada em 1836. Leva à criação de várias repúblicas autônomas bôeres (do holandês boer, agricultor) como a República da África do Sul (Transvaal), o Estado Livre de Orange e a República de Natália.

Os voortrekkers, liderados por Piet Retief, migram para a Zululândia em 1837 e negociam um acordo com o rei Dingane para ocupar terras entre o Rio Tugela e Port Saint Johns. Em 6 de fevereiro de 1838, Dingane trai os pioneiros e mata a delegação, inclusive Retief, mas o tratado é encontrado entre seus restos mortais.

A Batalha do Rio do Sangue acontece porque o rei zulu Dingane desrespeita mais uma vez o acordo para conviver pacificamente com os voortrekkers. Com uma força muito maior numericamente, de 25 a 30 mil homens, o rei Dingane acredita que pode expulsar os pioneiros. Eles veem a vitória como um triunfo do cristianismo sobre a barbárie. O rio ganha este nome supostamente por ficar vermelho com o sangue zulu.

Em janeiro de 1840, com o apoio de Pistorius, o príncipe Mpande vence o rei Dingane na Batalha de Maqongpe e é coroado novo rei zulu. O Império Britânico conquista e anexa a República de Natália em 1843.

Na Guerra Anglo-Zulu, em 22 de janeiro de 1879, um exército de cerca de 20 mil africanos sem armas de fogo sob o comando de Ntshingwayo Khosa derrota uma força do Império Britânico de 1,8 mil homens na Batalha de Isandlwana. Depois de uma série de confrontos, os britânicos ganham a guerra na Batalha de Ulundi, derrotando o rei zulu Cetshwayo.

Em 1877, o Império Britânico anexa a República do Transvaal, onde há uma grande descoberta de ouro em 1886. A revolta dos colonos de origem holandesa causa a Guerra dos Bôeres (1899-1902), quando os britânicos consolidam o domínio sobre a região ao vencer o que chamam de "tribo branca da África", alegando que os bôeres haviam se tornado primitivos e inferiores, na visão imperialista, como os africanos negros.

INÍCIO DA BATALHA DE ARDENAS

    Em 1944, a Alemanha Nazista lança sua última grande ofensiva na frente ocidental durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Começa numa floresta da região da Valônia, na Bélgica, a Batalha de Ardenas, que se estende para o Norte da França e Luxemburgo.


Depois da invasão da Normandia, no Norte da França, em 6 de junho de 1944, os aliados libertam a França, em agosto, e avançam rumo à Alemanha. Quase toda a cúpula militar alemã entende que deve concentrar suas tropas na frente oriental para deter a ofensiva do Exército Vermelho da União Soviética em direção a Berlim, menos o ditador Adolf Hitler.

Os objetivos dos nazistas são impedir que os aliados usem o porto de Antuérpia e dividir as linhas inimigas para tentar cercar e destruir quatro forças inimigas. Hitler, que assume o comando militar da Alemanha em dezembro de 1941, acredita que ainda pode forçar os aliados ocidentais a negociar a paz com as potências do Eixo. Assim, poderia se concentrar na guerra contra a URSS.

A Alemanha lança a Operação Vigília sobre o Vale do Rio Reno com um ataque de surpresa em 16 de dezembro, aproveitando o excesso de confiança dos aliados e a dificuldade de reconhecimento aéreo por causa do mau tempo no fim do outono.

Com o reforço do 3º Exército dos EUA, sob o comando do general George Patton, e uma enorme superioridade aérea, os aliados retomam Bastogne em 26 de dezembro de 1944. Em 3 de janeiro de 1945, começam a contraofensiva. A vitória vem em 28 de janeiro. Para os alemães, fica evidente que a derrota é inevitável. 

A União Soviética toma Berlim, em 8 de maio de 1945, Dia da Vitória na Europa.

TALEBÃ DO PAQUISTÃO ATACAM ESCOLA

    Em 2014, a Milícia dos Estudantes (Talebã) do Paquistão ataca uma escola pública do Exército na cidade de Peshawar, matando 150 pessoas, sendo 134 crianças.

Sob a orientação do serviço secreto militar do Paquistão, a Milícia dos Talebã (Estudantes) nasce em 1994 no Afeganistão em reação à anarquia que toma conta do país depois do fim de 10 anos de invasão pela União Soviética, em 1989. As milícias extremistas muçulmanas que expulsam os soviéticos com o apoio dos Estados Unidos, da Arábia Saudita, da China e do Paquistão começam a brigar entre si.

A situação é tão caótica que inviabiliza as rotas de comércio entre Irã e Paquistão passando pelo Afeganistão. O serviço secreto militar do Paquistão cria a milícia extremista, formada por estudantes das madrassas, as escolas religiosas que só ensinam a língua árabe; os hádices, ditos do profeta Maomé; o Corão, o livro sagrado do islamismo; e a História do Islã. São os talebã, plural de taleb, estudante em árabe.

Sua ideologia mistura a tradição deobandista, o puritanismo wahabista (versão saudita do islamismo) e a cultura pastó, do povo que vive naquela região, que sempre ignorou a Linha Durand, traçada pelo Império Britânico em 1893 dividindo Afeganistão e Paquistão.

Dois anos depois da fundação, em 1996, os talebã tomam o poder em Cabul e impõe o integrismo muçulmano. Discriminam mulheres, proibidas de estudar e andar sem um parente masculino, obrigadas a sair na rua de burca, aquela roupa que cobre da cabeça aos pés e deixa seus olhos verem o mundo por um tecido rendado, homossexuais e homens que não se submetem ao rigoroso código de costumes do Ministério da Propagação da Virtude e Combate ao Vício, inspirado na polícia religiosa da Arábia Saudita.

Só a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Paquistão reconhecem o governo dos Talebã, que abriga a rede terrorista Al Caeda, fundada por Ayman al-Zawahiri e Ossama ben Laden em 1988 para, depois de combater a URSS, lutar contra os EUA.

Washington apoia veladamente o novo governo afegão e chega a dar dinheiro para o regime talebânico combater a produção de papoula e opioides. Em 1998, depois de atentados contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, o presidente Bill Clinton manda bombardear os acampamentos e centros de treinamento d'al Caeda no Afeganistão.

A resposta do terror vem nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Pouco menos de um mês depois, os EUA invadem o Afeganistão, em três semanas derrubam o governo dos talebã. A maior parte da liderança d'al Caeda, inclusive Ben Laden, sobrevive à Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, e foge para o Paquistão. Os EUA ocupam o Afeganistão durante 20 anos sem conseguir estabelecer um governo estável.

Os Talebã do Paquistão surgem como um braço dos Talebã do Afeganistão em 2007 em resposta a um ataque do Exército paquistanês contra Al Caeda em áreas tribais do país. No ano seguinte, o Paquistão declara a ilegalidade do grupo. Mais tarde, o acusa pelo atentado terrorista que mata a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto em dezembro de 2007, quando ela fazia campanha eleitoral para voltar ao poder.

No ataque à escola, homens armados vestidos com uniformes da polícia de fronteiras entram no colégio, situado numa área de classe média, por volta das 10h00 e atiram indiscriminadamente para todos os lados. 

Em 2019, o grupo tem 3 e 4 mil milicianos. Quando os talebã retomam o poder no Afeganistão, em agosto de 2021, o Paquistão tem a expectativa de que vão ajudar a combater a milícia paquistanesa, mas os afegãos preferem mediar negociações.

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quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 3 de Setembro

 RIO HUDSON

    Em 1609, em busca de uma passagem para a Ásia a serviço da Companhia Holandesa das Índias Orientais, o navegador inglês Henry Hudson entra no que hoje é o porto de Nova York e sobe o rio batizado com seu nome.

Na sua última viagem, também em busca de um caminho marítimo para a Ásia, é o primeiro europeu a chegar ao Estreito de Hudson e à Baía de Hudson, no que hoje é o Canadá. 

Em 1611, passa o inverno na Baía de São Jaime e tenta seguir no rumo oeste. Alvo de um motim da tripulação, é abandonado à deriva na região ártica com o filho e outros sete marujos e nunca mais é visto.

MORTE DE CROMWELL

    Em 1658, morre em Londres aos 59 anos Oliver Cromwell, o Eleito de Deus, líder da Revolução Puritana e do breve período republicano da história da Inglaterra.

Cromwell nasce em Huntingdon numa família da nobreza rural. As primeiras décadas de sua vida são pouco conhecida. Nos anos 1630, ele se converte ao protestantismo e se torna um homem profundamente religioso. Acredita que Deus o guia em suas vitórias.

É eleito para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico em 1628 pelo distrito de Huntingdon e por Cambridge para o Pequeno Parlamento (1640) e para o Longo Parlamento (1640-1649).

Na Guerra Civil, Cromwell se torna um militar e estadista, comandante das forças do Parlamento Britânico na Guerra Civil Inglesa contra o rei Carlos I (1625-49) e derruba a Dinastia Stuart. Um dos signatários da sentença de morte de Carlos I, executado em 30 de janeiro de 1649, vira Lorde Protetor (1853-58) da Commonwealth, como é chamado o governo republicano, e restaura o poderio do país, abalado desde a morte da rainha Elizabeth I (1558-1603).

Durante as Guerras Confederadas Irlandesas ou Guerra dos Onze Anos (1641-53), parte da Guerra dos Três Reinos (1639-53), travada entre Inglaterra, Escócia e Irlanda, Cromwell lidera as forças protestantes contra os monarquistas e a Confederação dos Católicos da Irlanda. Ele impõe uma série de leis penais contra os católicos, que são minoria na Inglaterra e na Escócia, mas ampla maioria na Irlanda, para onde faz uma imigração forçada de presbiterianos escoceses que viram maioria no que hoje é a Irlanda do Norte.

Cromwell morre de malária no Palácio de Whitehall e é enterrado como herói na Abadia de Westminster. Com a restauração da monarquia, em 1660, seu cadáver é exumado, pendurado em correntes e decapitado.

Por seu radicalismo político, é comparado ao líder revolucionário francês Maximiliano Robespierre e ao ditador soviético Josef Stalin.

LISTRAS E ESTRELAS

    Em 1777, a bandeira dos Estados Unidos é usada pela primeira vez no campo de batalha, numa escaramuça com as tropas britânicas na ponte de Cooch, em Delaware, durante a Guerra da Independência (1775-83).

O general William Maxwell manda erguer a bandeira quando a infantaria e a cavalaria enfrentam uma força do Império Britânico. Os rebeldes perdem e se retiram até encontrar as tropas do general George Washington, comandante do Exército Continental.

A bandeira original, aprovada pelo Congresso Continental em 14 de junho de 1777, tem 13 listras horizontais, sete vermelhas e seis brancas, e 13 estrelas de cinco pontas contra um fundo azul no canto superior esquerdo. Cada listra e cada estrela representa uma das 13 colônias que formavam os EUA no momento da independência.

Com a entrada na União dos estados de Kentucky e Vermont, a bandeira passa a ter 15 listras e 15 estrelas. Depois, volta a ter apenas 13 listras e uma estrela para cada estado.

A bandeira atual, com 50 estrelas, depois da inclusão do Havai como 50º estado, é hasteada pela primeira vez à zero hora de 4 de julho de 1960 em Baltimore, no estado de Maryland.

INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1783, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Espanha e a França assinam o Tratado de Paris reconhecendo a independência dos EUA.

A guerra começa em 19 de abril 1775, em Lexington, na colônia de Massachusetts, quando os colonos norte-americanos não aceitam a recusa o rei George III de lhes dar mais autonomia econômica e administrativa. Mais de um ano depois, em 4 de julho de 1776, os norte-americanos declaram independência.

A última grande batalha é travada em outubro de 1781 em Yorktown, na Virgínia. A paz começa a ser negociada por Benjamin Franklin, John Adams e John Jay em setembro de 1782. Franklin pede que o Canadá seja entregue aos colonos americanos. Não consegue, mas com a guerra as 13 Colônias dobram o tamanho de seu território.

INVASÃO DA ITÁLIA

    Em 1943, sob o comando do marechal Bernard Montgomery, o 8º Exército Britânico cruza da ilha da Sicília para o território continental da Itália, iniciando a invasão aliada da Europa ocupada pelas potências do Eixo (Alemanha e Itália) durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O governo que derruba o regime fascista de Benito Mussolini se rende imediatamente, mas a rendição fica em segredo até 8 de setembro. Mussolini sonha em reconstruir o poder e a glória do Império Romano, mas uma série de derrotas o deixa totalmente dependente da Alemanha Nazista de Adolf Hitler.

Em 10 de julho de 1943, os aliados invadem a Sicília. Quando a notícia chega a Roma, em 25 de julho, o Grande Conselho Fascista depõe Mussolini. No dia seguinte, assume o poder o marechal Pietro Badoglio, que negocia em segredo com os aliados.

Os alemães libertam Mussolini en 12 de setembro de 1943 e vão à guerra contra o governo Badoglio. Roma cai de novo em junho de 1944, quando os aliados se concentram na invasão da Normandia, no Norte da França.

Uma nova ofensiva aliada começa em abril de 1945. Mussolini é capturado, executado e pendurado de cabeça para baixo em 28 de abril, dias antes da rendição da Alemanha e do fim da guerra na Europa, em 8 de maio. 

domingo, 20 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 20 de Abril

CROMWELL DISSOLVE O PARLAMENTO

    Em 1653, o ditador Oliver Cromwell dissolve o Parlamento Manco ou Parlamento Residual da Inglaterra, substituído pelo Pequeno Parlamento ou Assembleia Nomeada, que seria fechado no mesmo ano com a instauração do Protetorado, com Cromwell como Lorde Protetor, o que o torna definitivamente um ditador.

O Parlamento Manco, última fase do Longo Parlamento, convocado pelo rei em novembro de 1640, começa quando o coronel Thomas Pride faz um grande expurgo, em 13 de dezembro de 1648, destituindo 121 deputados que são contra o julgamento e a execução do rei Carlos I no auge da Guerra Civil Inglesa entre um rei católico e um Parlamento com maioria protestante.. 

Esse parlamento reduzido aprova em 4 de janeiro de 1649 a criação de um Supremo Tribunal de Justiça para processar o rei. Carlos I contesta a autoridade do tribunal numa audiência em 20 de janeiro. É condenado à morte por traição. 

A execução é adiada para dar tempo à aprovação de uma lei tornando crime proclamar um novo rei. Todo o poder fica com a Câmara dos Comuns, representante do povo. O rei é decapitado em Whitehall, no Centro de Londres, em 31 de janeiro de 1649.

Em 6 de fevereiro do mesmo ano, a Câmara dos Lordes é abolida. No dia seguinte, é abolida a monarquia. Em 14 de fevereiro, é criado o Conselho de Estado. Em abril, nasce a Comunidade da Inglaterra. Com o controle da Câmara dos Comuns, Cromwell acumula poderes. Em 1653, dissolve o Parlamento, instaura o Protetorado e se torna Lorde Protetor da Inglaterra, do País de Gales, da Escócia e da Irlanda. 

Com a morte de Cromwell em 3 de setembro de 1653 e o fim do Protetorado, o Parlamento é restaurado em maio de 1659, dissolvido em outubro e reconvocado em dezembro de 1659 com a inclusão dos expurgados em 1648 para finalmente se dissolver. Uma Convenção Parlamentar eleita inicia negociações para a restauração da monarquia sob Carlos II, filho de Carlos I, em 1660. 

NASCIMENTO DE HITLER

    Em 1889, nasce em Braunau, na Áustria, Adolf Hitler, líder do Partido Nazista, chanceler (primeiro-ministro) e ditador da Alemanha, o grande genocida, o pior tirano de todos os tempos e o maior responsável pela Segunda Guerra Mundial (1939-45), com uma visão de mundo baseada na supremacia da raça ariana e na expansão territorial através da guerra.

Hitler passa a maior parte da infância em Linz, na Áustria. Aluno medíocre, não passa do ensino médio. Sonha em ser pintor, mas é reprovado em duas tentativas de entrar para a Academia de Artes de Viena.

Em 1913, Hitler se muda para Munique, na Alemanha. Por falta de vigor físico, é rejeitado para o serviço militar na Áustria. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), consegue entrar para um regimento de infantaria da Baviera. 

Ele participa da Primeira Batalha de Ypres, na Bélgica. É condecorado duas vezes por bravura. No fim da guerra, está hospitalizado por ter sofrido um ataque com armas químicas.

A guerra, a disciplina militar e a camaradagem com os companheiros de armas compensam a frustração da vida civil. Hitler vê a guerra e o heroísmo como a exaltação do espírito humano.

Em setembro de 1919, ele entra para o pequeno Partido Alemão dos Trabalhadores, que em 1920 muda de nome para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista). Torna-se responsável pela propaganda do partido.

O ressentimento com a derrota da Alemanha, as duras condições impostas ao país pela Conferência de Paz de Versalhes (1919) e a crise econômica decorrente causam grande descontentamento. Deixam um terreno fértil para a demagogia populista.

Sua personalidade carismática e liderança dinâmica atraem membros do partido como Alfred Rosenberg, Rudolf Hess, Herman Göring e Julius Streicher.

A primeira tentativa de tomar o poder é o Golpe de Cervejaria de Munique, deflagrado em 8 de novembro de 1923. Hitler é preso e condenado por traição a 5 anos de cadeia. Na prisão, escreve o Mein Kampf (Minha Luta), o manual da propaganda nazista. É solto em 20 de dezembro de 1924, depois de cumprir apenas nove meses de detenção.

Suas ideias incluem uma visão desigual e hierarquica de povos, países e indivíduos numa ordem natural imutável com a raça ariana e o povo alemão no topo como líderes e guias da humanidade. No centro de seu pensamento estão o pangermanismo, o antissemitismo e o anticomunismo.

O maior inimigo do nazismo não é a democracia liberal, que está em crise na Alemanha com o fracasso da República de Weimar. É o marxismo, que para Hitler inclui a social-democracia e o comunismo, e o povo judeu, para Hitler a encarnação de todo o mal.

Seu antissemitismo é evidente desde 1919, quando escreve que "o objetivo final deve ser a remoção de todos os judeus. Em Mein Kampf, Hitler descreve o judeu como "destruidor da cultura", "ameaça" e "parasita da nação".

A Grande Depressão (1929-39) da economia gera a instabilidade política que leva os nazistas ao poder. 

Depois de eleições em que o Partido Nazista conquista 33% dos votos em 6 de novembro de 1932, Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro) em 30 de janeiro, quando a taxa de desemprego está em 34%. Menos de um mês depois, em 27 de fevereiro, há o incêndio do parlamento. Os nazistas são suspeitos e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão de Hitler ao poder total.

O primeiro campo de concentração, Dachau, é criado em 22 de março de 1933. Até 1945, os nazistas operam mais de mil campos de concentração.

A Lei Habilitante é aprovada em 23 de março de 1933 pelo Partido Nazista, pelo Partido Nacional Popular da Alemanha e pelo Partido de Centro. Dá os primeiros poderes ditatoriais a Hitler, permitindo que o governo crie leis e assine tratados com outros países sem a aprovação do Reichstag, censure a imprensa e proíba partidos políticos.

Entre 10 de maio e 21 de junho de 1933, os nazistas organizam grandes queimas de livros justificadas pela "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".

Nos seus primeiros anos do poder, a Alemanha vence a depressão econômica com uma política agressiva de industrialização e rearmamento. O desemprego cai de 34% em janeiro de 1933 para 13,5% em julho de 1934.

Com a morte do presidente Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o regime nazista convoca um plebiscito para unificar os cargos de presidente e primeiro-ministro na figura do Führer (Líder). Em 19 de agosto, os alemães aprovam a ditadura de Adolf Hitler com quase 90% dos votos.

Em setembro de 1935, são aprovadas as Leis de Pureza Racial de Nurembergue. Desde o século 19, os judeus eram aceitos como membros da sociedade alemã com plenos direitos e cidadãos iguais aos outros.

A Lei de Cidadania do Reich determina que só pessoas com "sangue ou ascendência alemã" podem ser cidadãos. Os judeus são "súditos do Estado", não cidadãos. A Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemãs proíbe o casamento e as relações sexuais entre judeus, acusados de serem "poluidores raciais", e não judeus.

De 11 a 13 de março de 1938, a Alemanha Nazista anexa a Áustria, país de origem de Hitler. Em 30 de setembro de 1938, Hitler toma a região dos Sudetos, na Tcheco-Eslováquia, onde há uma grande população de origem alemã, com a conivência da França e do Reino Unido no Pacto de Munique, uma tentativa de evitar a guerra na Europa. A invasão da Boêmia e da Morávia, em 15 de março de 1939, completa a anexação da Tcheco-Eslováquia.

A Segunda Guerra Mundial começa em 1º de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha. Dias antes, em 23 de agosto, Hitler e o ditador Josef Stalin fazem o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão que Hitler usa para dividir a Polônia e garantir a paz na frente oriental enquanto toma a Europa Ocidental.

A derrota na Batalha da Inglaterra, um combate aéreo travado de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, impede Hitler de invadir o Reino Unido.

Em 22 de junho de 1941, Hitler rompe o pacto de não agressão com Stalin e ordena a invasão da União Soviética. No fim daquele ano, em 7 de dezembro, o Império do Japão, aliado da Alemanha, ataca a Frota do Pacífico dos Estados Unidos em Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA entram na guerra.

A Conferência de Wannsee, um subúrbio de Berlim, adota em 20 de janeiro de 1942 a "solução final" para a questão judaica, uma tentativa de exterminar os judeus da Europa. Cerca de 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto, 6 milhões de judeus, 60% dos judeus europeus, 1,5 milhão de ciganos, socialistas, comunistas, negros e opositores do regime nazista.

Em meados de 1942, o Exército nazista domina grande parte da Europa continental, o Norte da África e quase um quarto da URSS. Com a derrota nas batalhas de Moscou (1941-42), Stalingrado (1942-43) e Kursk (1943), a Alemanha Nazista para de avançar. O Afrika Korps, o exército alemão no Norte da África, se rende em 12 de maio de 1943.

Em 9 de julho de 1943, os aliados invadem a Sicília e começam a acabar com a ditadura de Benito Mussolini na Itália, o principal aliado de Hitler.

A Invasão da Normandia, em 6 de junho de 1944, abre uma nova frente de combate na Europa Ocidental. Na frente oriental, o Exército Vermelho da URSS avança rumo a Berlim. 

Em 20 de julho de 1944, Hitler sobrevive a um atentado na Toca do Lobo, seu esconderijo secreto na Prússia Oriental, na Operação Valquíria, uma conspiração para dar um golpe de Estado liderada pelo coronel Claus von Stauffenberg.

A Batalha de Ardenne, de 16 de dezembro de 1944 a 25 de janeiro de 1945, é a última grande contraofensiva alemão na frente ocidental, uma tentativa de deter o avanço das forças norte-americanas.

O Exército Vermelho ganha a corrida rumo a Berlim. Toma a capital da Alemanha em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa. Hitler se suicida oito dias antes, em 30 de abril, um seu bunker em Berlim.

RÁDIO ISOLADO

    Em 1902, quatro anos depois de descobrir os elementos radioativos rádio e polônio, o casal Marie e Pierre Curie consegue isolar sais de rádio de um minério em seu laboratório.

Maria Salomea Sklodowska nasce em Varsóvia, na Polônia, então parte do Império Russo, em 7 de novembro de 1867. Aos 24 anos, em 1891, ela segue a irmã mais velha, Bronislawa, e vai estudar na Universidade de Paris, onde se forma em física e química.

Na França, ela passa a ser chamada de Marie. Em 1894, quando obtém o segundo diploma, conhece Pierre Curie, instrutor da Escola Superior de Física e Química Industriais de Paris, apresentado pelo físico polonês Józef Kowalski, que sabia que Marie estava procurando um espaço maior para seu laboratório. Pierre lhe oferece o espaço.

A paixão pela ciência aproxima os dois. Pierre Curie a pede em casamento. Marie recusa. Quer voltar para a Polônia. De volta a Varsóvia, ela percebe que não pode fazer carreira em seu país, onde o acesso à universidade lhe é negado por ser mulher.

Por carta, Pierre Curie a convence a voltar para Paris para fazer um doutorado. Eles se casam em 26 de julho de 1895 sem cerimônia religiosa. Uma piada na época era que Marie era "a grande descoberta de Pierre".

No mesmo ano, Wilhelm Roentgen descobre os raios-X, mas não o fenômeno que os causa. Em 1896, Henri Becquerel percebe que o urânio emite raios semelhantes aos raios-X. Ela decide investigar o fenômeno para sua tese.

Marie Curie levanta a hipótese de que a radiação não seja resultado da interação entre moléculas, venha do próprio átomo. 

Entre suas realizações, estão a teoria da radioatividade, palavra que ela criou, técnicas para isolar isótopos radioativos e a descoberta de dois elementos químicos, o polônio e o rádio.

Ela é a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel e a primeira professora da Universidade de Paris. É também a primeira pessoa a ganhar duas vezes o Nobel. Ganha o prêmio de Química em 2011.

FIM DO IMPÉRIO OTOMANO

    Em 1924, a Grande Assembleia Nacional da Turquia aprova uma Constituição plenamente republicana e conclui a dissolução do Império Otomano, que durante seis séculos é o centro das interações entre Europa e Ásia. O general Mustafá Kemal, que proclama a república seis meses antes, é o primeiro presidente. Em 20 de novembro de 1934, ele adota o sobrenome de Atatürk, o Pai dos Turcos.

O Império Otomano é fundado pelo sultão Osmã I em 1299. Em 29 de maio de 1453, o imperador Mehmet II toma Constantinopla. É o fim do Império Romano do Ocidente e da Idade Média. O Império Otomano atinge o auge nos séculos 16 e 17, quando é uma das maiores potências mundiais. 

Os otomanos chegam a cercar Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes. O Primeiro Cerco Otomano a Viena, de 27 de setembro a 14 de outubro de 1529, é um marco do fim da invencibilidade turca.

No mar, uma aliança de potências católicas sob a liderança de Felipe II, da Espanha, vence os otomanos na Batalha de Lepanto, na costa da Grécia, em 7 de outubro de 1571.

A derrota na Batalha de Viena, em 12 de setembro de 1683, depois de dois meses do Segundo Cerco Otomano a Viena, marca o início do recuo na Europa.

Nos séculos 17 e 18, o Império Otomano perde a supremacia militar sobre os europeus. Em 1821, a Grécia se torna o primeiro país dos Bálcãs e proclamar a independência, conquistada em 1830. Com uma reforma modernizante, a Tanzimat (1839-76), que significa reestruturação, o império recupera seus poderes ao longo do século 19. 

Depois de derrotas nas  Guerras dos Bálcãs (1912-13), os otomanos se aliam aos impérios Alemão e Austro-Húngaro na Primeira Guerra Mundial (1914-18). A Revolta Árabe (1916-18), apoiada pelo Império Britânico a conselho do major Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia, 

Os impérios Alemão, Austro-Húngaro e Otomano, derrotados, desaparecem no fim da guerra, assim como o Império Russo, vencido pela Alemanha e dissolvido pela Revolução de Fevereiro de 1917 na Rússia.

A partilha do Império Otomano no Tratado de Sèvres, de 10 de agosto de 1920, dá a origem ao que são hoje 40 países, inclusive a República Turca de Chipre do Norte, não reconhecida internacionalmente. Com a ocupação de Constantinopla, o movimento nacionalista turco luta pela independência de 1919 a 1922 sob a liderança de Mustafá Kemal. A monarquia acaba em 1º de novembro de 1922.

O Tratado de Lausanne reconhece a República da Turquia em 24 de julho de 1923. A Grande Assembleia Nacional proclama oficialmente a independência em 29 de outubro do mesmo ano. O califado é abolido em 3 de março de 1924.

MAIOR VAZAMENTO DE PETRÓLEO

    Em 2010, uma explosão na plataforma de petróleo Horizonte de Águas Profundas, no Golfo do México, a 66 quilômetros da costa da Louisiana, nos Estados Unidos, mata 11 funcionários, fere outros 17 e causa o maior vazamento acidental de petróleo da história, superado apenas para guerra ecológica do ditador do Iraque, Saddam Hussein, contra o Kuwait no fim da Guerra do Golfo Pérsico de 1991.

A plataforma, operada para companhia BP, antiga British Petroleum, afunda dois dias depois. O poço na sua base só é selado em 19 de setembro, depois de um vazamento de 4,9 milhões de barris, 780 mil metros cúbicos.

O petróleo bruto chega à Baia de Tampa e ao Panhandle, na Flórida. Em 2013, 2,2 mil toneladas de material oleoso são removidas das praias da Louisiana, o dobro de 2012. O ambiente marinho, a vida selvagem e as indústrias de pesca e do turismo são abaladas fortemente.

Em abril de 2016, a BP faz um acordo com o Departamento da Justiça dos EUA para pagar multas no valor de US$ 20,8 bilhões. Em 2018, os custos de limpeza, encargos e penalidades chegam a US$ 65 bilhões.