O líder do setor jovem do Congresso Nacional Africano, Julius Malema, um rival em potencial do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, na luta pela liderança do partido e do governo, foi demitido do cargo e suspenso por cinco anos por desacreditar o partido.
"A falta de disciplina não é uma cura para a frustração", observou Derek Hanekon, presidente da comissão disciplinar que puniu Malema por exigir uma mudança na vizinha Botsuana, contrariando a orientação política do governo e do partido, informa a rádio e televisão estatal portuguesa RTP.
Malema apoiou Zuma quando o atual presidente afastou seu antecessor, Thabo Mbeki, da liderança do CNA, em 2007, e do governo, em 2008. Em 2009, já acusava Zuma de ter abandonado os pobres que o teriam levado ao poder, na revolta das bases do partido contra Mbeki, acusado de ser um "stalinista de mercado", insensível aos anseios dos excluídos durante décadas de regime segregacionista do apartheid.
Durante manifestações públicas, Malema cantou uma música do movimento negro mandando matar os bôeres, como são chamados os brancos sul-africanos.
Além de sua agressividade e indisciplina, Malema é acusado de levar uma vida principesca de luxo e riqueza enquanto luta pelos pobres.
Em 27 de outubro de 2011, ele liderou um protesto pelas ruas de Joanesburgo, a maior cidade do país, exigindo mais empregos, melhor distribuição da renda e a estatização das minas que são a grande riqueza da África do Sul.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Malema disputa com Zuma liderança do CNA
O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, está enfrentando um grande desafio dentro de seu próprio partido. Com o apoio de alas que ajudaram Zuma a derrubar o então presidente Thabo Mbeki em 2007, o líder do setor jovem Congresso Nacional Africano, Julius Malema, manobra para tomar a liderança e a presidência do país.
Ambos estão "mobilizando seus exércitos", observa a publicação especializada Africa Confidential.
Ambos estão "mobilizando seus exércitos", observa a publicação especializada Africa Confidential.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Mbeki não reconcilia Costa do Marfim
O ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki encerrou sua missão de reconciliação sem conseguir resolver a crise provocada pela anulação do segundo turno da eleição presidencial na Costa do Marfim, seguida pela posse do atual presidente, Laurent Gbagbo, para um segundo mandato.
O oposicionista Alassane Ouattara (1264) não admite abrir mão da presidência. De Washington, o presidente Barack Obama fez um apelo a Gbagbo para que deixe o poder e evite uma nova guerra civil.
O oposicionista Alassane Ouattara (1264) não admite abrir mão da presidência. De Washington, o presidente Barack Obama fez um apelo a Gbagbo para que deixe o poder e evite uma nova guerra civil.
domingo, 10 de maio de 2009
Zuma cria comissão de planejamento estratégico
O novo presidente da África do Sul, Jacob Zuma, nomeou o ex-ministro das Finanças Trevor Manuel para uma nova comissão de planejamento estratégico destinada a promover o desenvolvimento socioeconômico e a inclusão social, atacando a herança maldita da ditadura de maioria branca.
Quinze anos depois do fim do regime segregacionista do apartheid, com a eleição de Nelson Mandela, a desigualdade do país é enorme. É a principal causa da impopularidade do ex-presidente Thabo Mbeki, deposto no ano passado por Zuma sob a acusação de pressionar a Procuradoria Geral e o Poder Judiciário nos processos de corrupção contra o novo presidente. Todos foram anulados antes das eleições de 22 de abril.
Em entrevista em Pretória, a capital sul-africana, o novo presidente não quis prever a reação do mercado financeiro. Mas as nomeações de Manuel para superministro do Planejamento e do ex-secretário da Receita Federal Pravin Gordhan para ministro das Finanças indicam uma continuidade da política macroeconômica.
Além do desafio da inclusão social, o governo Zuma terá de enfrentar a primeira recessão em 17 anos na África do Sul. Para vice-presidente, Zuma nomeou o ex-presidente interino Kgalema Mothlante, que tinha colocado no lugar de Mbeki.
Quinze anos depois do fim do regime segregacionista do apartheid, com a eleição de Nelson Mandela, a desigualdade do país é enorme. É a principal causa da impopularidade do ex-presidente Thabo Mbeki, deposto no ano passado por Zuma sob a acusação de pressionar a Procuradoria Geral e o Poder Judiciário nos processos de corrupção contra o novo presidente. Todos foram anulados antes das eleições de 22 de abril.
Em entrevista em Pretória, a capital sul-africana, o novo presidente não quis prever a reação do mercado financeiro. Mas as nomeações de Manuel para superministro do Planejamento e do ex-secretário da Receita Federal Pravin Gordhan para ministro das Finanças indicam uma continuidade da política macroeconômica.
Além do desafio da inclusão social, o governo Zuma terá de enfrentar a primeira recessão em 17 anos na África do Sul. Para vice-presidente, Zuma nomeou o ex-presidente interino Kgalema Mothlante, que tinha colocado no lugar de Mbeki.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Sul-africanos votam com líder controvertido
Cerca de 23 milhões de sul-africanos estão aptos a votar hoje nas mais controvertidas eleições desde o fim do regime segragacionista do apartheid e de 300 anos de dominação pela maioria branca. O Congresso Nacional Africano deve vencer, mas pode perder pela primeira vez a maioria de dois terços que permite mudar a Constituição.
O novo parlamento deve eleger o atual presidente do partido, Jacob Zuma, para presidente. Zuma era vice-presidente de Thabo Mbeki e foi afastado em 2005 por causa de processos por corrupção anulados pelo Supremo Tribunal antes que fossem a julgamento. Ele também foi acusado de estupro, mas goza de grande popularidade entre a população mais pobre.
Com o afastamento de Mbeki da presidência, no ano passado, houve uma divisão do partido. Uma parte saiu para formar o Congresso do Povo, que está em terceiro lugar nas pesquisas, atrás também da Aliança Democrática, liderada por Helen Zille, uma branca que lutou contra o apartheid.
O maior risco é que, sob Zuma, a África do Sul se pareça com outros países africanos onde o partido que lutou pela independência acabou se encastelando no poder com esquemas de corrupção e abuso de poder.
O novo parlamento deve eleger o atual presidente do partido, Jacob Zuma, para presidente. Zuma era vice-presidente de Thabo Mbeki e foi afastado em 2005 por causa de processos por corrupção anulados pelo Supremo Tribunal antes que fossem a julgamento. Ele também foi acusado de estupro, mas goza de grande popularidade entre a população mais pobre.
Com o afastamento de Mbeki da presidência, no ano passado, houve uma divisão do partido. Uma parte saiu para formar o Congresso do Povo, que está em terceiro lugar nas pesquisas, atrás também da Aliança Democrática, liderada por Helen Zille, uma branca que lutou contra o apartheid.
O maior risco é que, sob Zuma, a África do Sul se pareça com outros países africanos onde o partido que lutou pela independência acabou se encastelando no poder com esquemas de corrupção e abuso de poder.
domingo, 2 de novembro de 2008
Facção rompe com CNA e cria novo partido
Um grupo descontente com o novo presidente do Congresso Nacional Africano, o ex-vice-presidente Jacob Zuma, afastado do cargo por corrupção, decidiu romper com o partido que liderou a luta histórica contra o regime segregacionista branco do apartheid para criar um novo partido e disputar as eleições do próximo ano na África do Sul.
O novo partido ainda não tem nome. Será lançado oficialmente em 16 de dezembro no Estado Livre de Orange.
É a maior mudança na política sul-africana desde o fim do controle do poder pela minoria branca, em 1994. Zuma chamou os adversários políticos de "cobras" e os acusou de planejarem se aliar à Aliança Democrática, de oposição, nas eleições de 2009.
O chefe de governo provincial Mbahazima Shilowa, um dos líderes da dissidência, afirmou que o novo partido quer ganhar as eleições e "governar províncias e a nação".
Desde que Nelson Mandela liderou a instalação de um regime democrático da maioria negra, o CNA detém o monopólio do poder. Zuma, que já foi processado por abuso sexual e se livrou há pouco de um julgamento por corrupção graças a erros processuais, é considerado indigno para seguir os ideais de Mandela.
Em dezembro do ano passado, Zuma derrotou o ex-presidente Thabo Mbeki na eleição interna para a liderança do partido. Quando os processos de corrupção contra ele foram anulados por interferência indevida do Executivo, Zuma forçou a renúncia de Mbeki, que cometeu diversos erros e acabou se isolando, mas é visto como o herdeiro de Mandela, de quem foi vice-presidente.
Para o arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 1984 por sua luta contra o apartheid, a renúncia forçada de Mbeki, em 20 de setembro, transformou a África do Sul numa república de bananas em que o partido muda o presidente, confundindo o partido com a nação.
O ex-ministro da Defesa Mosiuoa Lekota, outro dissidente importante, observou que o CNA está inferindo com as instituições do Estado sul-africano e enriquecendo seus líderes como faziam os governos da minoria branca: "A ameaça que paira sobre a nação é vermos a reafirmação de elementos importantes daquele legado terrível sob nossos novos senhores. Estamos prontos para nos levantar e lutar."
O novo partido ainda não tem nome. Será lançado oficialmente em 16 de dezembro no Estado Livre de Orange.
É a maior mudança na política sul-africana desde o fim do controle do poder pela minoria branca, em 1994. Zuma chamou os adversários políticos de "cobras" e os acusou de planejarem se aliar à Aliança Democrática, de oposição, nas eleições de 2009.
O chefe de governo provincial Mbahazima Shilowa, um dos líderes da dissidência, afirmou que o novo partido quer ganhar as eleições e "governar províncias e a nação".
Desde que Nelson Mandela liderou a instalação de um regime democrático da maioria negra, o CNA detém o monopólio do poder. Zuma, que já foi processado por abuso sexual e se livrou há pouco de um julgamento por corrupção graças a erros processuais, é considerado indigno para seguir os ideais de Mandela.
Em dezembro do ano passado, Zuma derrotou o ex-presidente Thabo Mbeki na eleição interna para a liderança do partido. Quando os processos de corrupção contra ele foram anulados por interferência indevida do Executivo, Zuma forçou a renúncia de Mbeki, que cometeu diversos erros e acabou se isolando, mas é visto como o herdeiro de Mandela, de quem foi vice-presidente.
Para o arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 1984 por sua luta contra o apartheid, a renúncia forçada de Mbeki, em 20 de setembro, transformou a África do Sul numa república de bananas em que o partido muda o presidente, confundindo o partido com a nação.
O ex-ministro da Defesa Mosiuoa Lekota, outro dissidente importante, observou que o CNA está inferindo com as instituições do Estado sul-africano e enriquecendo seus líderes como faziam os governos da minoria branca: "A ameaça que paira sobre a nação é vermos a reafirmação de elementos importantes daquele legado terrível sob nossos novos senhores. Estamos prontos para nos levantar e lutar."
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Ministros sul-africanos protestam contra golpe branco
Quatorze ministros da África do Sul descontentes com a renúncia do presidente Thabo Mbeki, forçado a deixar o cargo pelo partido do governo, pediram demissão ontem. Entre os demissionários, estão o ministro das Finanças, Trevor Manuel, e seu vice, o que deixa a maior economia africana sem comando.
É a pior crise política no país desde o fim do regime segregacionista do apartheid, em 1994. Mas o secretário-geral do Congresso Nacional Africano negou hoje que sua decisão de afastar o presidente eleito sete meses antes do fim do mandato tenha criado qualquer problema.
Por trás da decisão, está o novo presidente do CNA, Jacob Zuma, que derrotou Mbeki na disputa pela liderança do partido no final do ano passado. Zuma era vice-presidente e fora afastado por Mbeki por corrupção.
Quando a Suprema Corte anulou os processos de corrupção de pesavam sobre ele, e um juiz insinuou que o Executivo usou sua força política para denunciá-lo, Zuma partiu para dar o troco.
Foi um golpe de Estado branco. Para o arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 1984 pela luta contra o apartheid, ao colocar o partido na frente do Estado, o CNA transformou a África do Sul numa "república de bananas".
É a pior crise política no país desde o fim do regime segregacionista do apartheid, em 1994. Mas o secretário-geral do Congresso Nacional Africano negou hoje que sua decisão de afastar o presidente eleito sete meses antes do fim do mandato tenha criado qualquer problema.
Por trás da decisão, está o novo presidente do CNA, Jacob Zuma, que derrotou Mbeki na disputa pela liderança do partido no final do ano passado. Zuma era vice-presidente e fora afastado por Mbeki por corrupção.
Quando a Suprema Corte anulou os processos de corrupção de pesavam sobre ele, e um juiz insinuou que o Executivo usou sua força política para denunciá-lo, Zuma partiu para dar o troco.
Foi um golpe de Estado branco. Para o arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 1984 pela luta contra o apartheid, ao colocar o partido na frente do Estado, o CNA transformou a África do Sul numa "república de bananas".
domingo, 21 de setembro de 2008
Partidários de Mbeki podem fundar novo partido
Os aliados do presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, revoltados pela maneira como ele foi pressionado a renunciar pelo Congresso Nacional Africano (CNA), devem romper com o partido histórico que liderou a luta contra o regime segregacionista do apartheid e fundar um novo partido.
Em pronunciamento feito hoje em cadeia nacional de televisão, Mbeki explicou as razões de estar entregando o cargo sete meses antes do fim ao Parlamento da África do Sul. Foi um discurso sem mágoa e sem ressentimento, em que agradeceu a oportunidade de poder ter servido à nação e ao partido de Nelson Mandela, Albert Lutuli, Oliver Tambo e outros heróis.
Sob seu governo, a África do Sul atingiu taxas de crescimento razoáveis, mas a distribuição da renda piorou. O combate à aids foi negligenciado, inclusive por causa de declarações do presidente que associavam a doença mais à miséria do que ao vírus da imunodeficiência humana (HIV).
Em política externa, Mbeki é acusado de ter apoiado durante uma década as arbitrariedades do presidente Robert Mugabe, que levaram o vizinho Zimbábue a uma profunda crise, com uma inflação hoje em 40.000.000% ao ano.
A maior crítica da oposição interna em seu próprio partido era que Mbeki teria se convertido numa espécie de stalinista de mercado. Distante da realidade social do país, incapaz de se comunicar com o povo e o partido, ele não teria feito o suficiente para resgatar da miséria a grande maioria negra sul-africana, longamente massacrada pelo domínio da minoria branca, que durou três séculos e acabou em 1994, com a eleição de Nelson Mandela.
Quando a Suprema Corte anulou os processos por corrupção contra o ex-vice-presidente Jacob Zuma, afastado por corrupção, Zuma contra-atacou. Ele já tinha derrotado Mbeki na eleição para a liderança do CNA no final do ano passado. Só esses processos por corrupção num negócio de compra de armas o afastavam da presidência do país.
Agora, o parlamento pode até antecipar a eleição e Zuma garantiu a candidatura pelo CNA. Ele não conseguiu provar sua inocência. O processo foi anulado por erros de procedimentos da polícia na investigação. Um dos juízes revelou que houve pressões do Executivo para incriminá-lo.
Zuma não é inocente por causa disso. Já se apoderou da máquina do partido e do governo. A queda do presidente hoje foi uma espécie de golpe de Estado branco. O partido cassou o mandato do presidente.
Em pronunciamento feito hoje em cadeia nacional de televisão, Mbeki explicou as razões de estar entregando o cargo sete meses antes do fim ao Parlamento da África do Sul. Foi um discurso sem mágoa e sem ressentimento, em que agradeceu a oportunidade de poder ter servido à nação e ao partido de Nelson Mandela, Albert Lutuli, Oliver Tambo e outros heróis.
Sob seu governo, a África do Sul atingiu taxas de crescimento razoáveis, mas a distribuição da renda piorou. O combate à aids foi negligenciado, inclusive por causa de declarações do presidente que associavam a doença mais à miséria do que ao vírus da imunodeficiência humana (HIV).
Em política externa, Mbeki é acusado de ter apoiado durante uma década as arbitrariedades do presidente Robert Mugabe, que levaram o vizinho Zimbábue a uma profunda crise, com uma inflação hoje em 40.000.000% ao ano.
A maior crítica da oposição interna em seu próprio partido era que Mbeki teria se convertido numa espécie de stalinista de mercado. Distante da realidade social do país, incapaz de se comunicar com o povo e o partido, ele não teria feito o suficiente para resgatar da miséria a grande maioria negra sul-africana, longamente massacrada pelo domínio da minoria branca, que durou três séculos e acabou em 1994, com a eleição de Nelson Mandela.
Quando a Suprema Corte anulou os processos por corrupção contra o ex-vice-presidente Jacob Zuma, afastado por corrupção, Zuma contra-atacou. Ele já tinha derrotado Mbeki na eleição para a liderança do CNA no final do ano passado. Só esses processos por corrupção num negócio de compra de armas o afastavam da presidência do país.
Agora, o parlamento pode até antecipar a eleição e Zuma garantiu a candidatura pelo CNA. Ele não conseguiu provar sua inocência. O processo foi anulado por erros de procedimentos da polícia na investigação. Um dos juízes revelou que houve pressões do Executivo para incriminá-lo.
Zuma não é inocente por causa disso. Já se apoderou da máquina do partido e do governo. A queda do presidente hoje foi uma espécie de golpe de Estado branco. O partido cassou o mandato do presidente.
sábado, 20 de setembro de 2008
Presidente da África do Sul renuncia
Sob pressão de seu próprio partido, o Congresso Nacional Africano (CNA), o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, anunciou hoje sua renúncia ao cargo. Mbeki foi acusado pela Justiça de interferir no processo por corrupção contra o ex-vice-presidente Jacob Zuma.
No final do ano passado, Zuma derrotou Mbeki na disputa pela liderança do partido. Desde então, a única coisa que afastava Zuma da vitória na eleição presidencial do ano que vem era a denúncia por corrupção num negócio de compra de armas.
Há poucas semanas, a Justiça anulou os processos contra Zuma e acusou Mbeki de pressionar o tribunal. A partir daí, a ala pró-Zuma do CNA passou a exigir a renúncia do atual presidente.
Mbeki, que pertenceu ao Partido Comunista da África do Sul, é criticado por ter se tornado um stalinista de mercado. Desde o tempo em que era vice-presidente de Nelson Mandela, aplicava um receituário econômico ortodoxo para reafirmar a posição do país como maior potência econômica africana.
A contrapartida foi a falta dos investimentos sociais necessários para resgatar a maioria negra humilhada e empobrecida por séculos de regime segragacionistas. Zuma promete pagar essa dívida social.
No final do ano passado, Zuma derrotou Mbeki na disputa pela liderança do partido. Desde então, a única coisa que afastava Zuma da vitória na eleição presidencial do ano que vem era a denúncia por corrupção num negócio de compra de armas.
Há poucas semanas, a Justiça anulou os processos contra Zuma e acusou Mbeki de pressionar o tribunal. A partir daí, a ala pró-Zuma do CNA passou a exigir a renúncia do atual presidente.
Mbeki, que pertenceu ao Partido Comunista da África do Sul, é criticado por ter se tornado um stalinista de mercado. Desde o tempo em que era vice-presidente de Nelson Mandela, aplicava um receituário econômico ortodoxo para reafirmar a posição do país como maior potência econômica africana.
A contrapartida foi a falta dos investimentos sociais necessários para resgatar a maioria negra humilhada e empobrecida por séculos de regime segragacionistas. Zuma promete pagar essa dívida social.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
África do Sul prende dezenas de suspeitos
As forças de segurança da África do Sul prenderam dezenas de suspeitos numa tentativa de acabar com a onda de violência contra imigrantes africanos. Essa guerra de miseráveis, descrita pelo presidente Thabo Mbeki como "uma desgraça completa", causou a morte de 50 estrangeiros e colocou 35 mil em fuga.
"Desde o nascimento de nossa democracia, não tínhamos testemunhado tamanha insensibilidade", declarou o presidente em cadeia nacional de rádio e televisão. "Se criar raízes, vai nos levar de volta a um passado de conflitos violentos que nenhum de nós agüenta."
Mbeki defendeu a paz, a tolerância e a compreensão das causas de imigração. "Os atos vergonhosos de poucos mancharam o nome da África do Sul.
A maioria dos imigrantes atacados fugiu do colapso econômico do vizinho Zimbábue.
Ao visitar a periferia de Joanesburgo, o presidente do Congresso Nacional Africano, o ex-vice-presidente Jacob Zuma, foi hostilizado pela população, que exigiu mais eficiência do governo no combate ao crime e ao desemprego.
Cerca de 20 mil moçambicanos que buscavam uma vida melhor na África do Sul, o país mais rico da África, voltaram a seu país.
"Desde o nascimento de nossa democracia, não tínhamos testemunhado tamanha insensibilidade", declarou o presidente em cadeia nacional de rádio e televisão. "Se criar raízes, vai nos levar de volta a um passado de conflitos violentos que nenhum de nós agüenta."
Mbeki defendeu a paz, a tolerância e a compreensão das causas de imigração. "Os atos vergonhosos de poucos mancharam o nome da África do Sul.
A maioria dos imigrantes atacados fugiu do colapso econômico do vizinho Zimbábue.
Ao visitar a periferia de Joanesburgo, o presidente do Congresso Nacional Africano, o ex-vice-presidente Jacob Zuma, foi hostilizado pela população, que exigiu mais eficiência do governo no combate ao crime e ao desemprego.
Cerca de 20 mil moçambicanos que buscavam uma vida melhor na África do Sul, o país mais rico da África, voltaram a seu país.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Violência mata 40 estrangeiros na África do Sul
O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, manda o Exército conter a violência contra imigrantes, que causou a morte de pelo menos 40 estrangeiros nos últimos dias. Da periferia de Joanesburgo, a maior cidade sul-africano, o conflito se propagou, chegando até a província de Kwazulu-Natal, onde um bar de um nigeriano foi atacado.
Na favela Ramaphosa, nos arredores da capital econômica do país, o dia foi mais calmo. Lixeiros e moradores procuravam objetos de valor entre os casebres incendiados pela turba. Diversos veículos da polícia patrulhavam a área.
A África do Sul vive uma crise econômica, e os estrangeiros são acusados de crimes e de tirar empregos dos sul-africanos. Os principais alvos são zimbabueanos e moçambicanos.
Centenas de moçambicanos aterrorizados voltaram para seu país.
Na favela Ramaphosa, nos arredores da capital econômica do país, o dia foi mais calmo. Lixeiros e moradores procuravam objetos de valor entre os casebres incendiados pela turba. Diversos veículos da polícia patrulhavam a área.
A África do Sul vive uma crise econômica, e os estrangeiros são acusados de crimes e de tirar empregos dos sul-africanos. Os principais alvos são zimbabueanos e moçambicanos.
Centenas de moçambicanos aterrorizados voltaram para seu país.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Violência mata 24 imigrantes na África do Sul
Pelo menos 24 imigrantes foram mortos nos últimos dias nas favelas da perferia de Joanesburgo, a maior cidade da África do Sul, na pior onda de violência étnica no país desde o fim do regime segregacionista do apartheid, em 1994. A maioria dos mortos é do Zimbábue e de Moçambique, países vizinhos muito mais pobres.
Com a inflação de alimentos e o alto nível de desemprego na África do Sul, de cerca de 30% da população em idade de trabalhar, os estrangeiros são acusados de crimes e de tirar os empregos dos sul-africanos. É mais uma guerra de miseráveis, os sul-africanos pobres contra exilados do Zimbábue. Uma tragédia atrás da outra.
O problema da África do Sul é que não houve um programa de políticas sociais para compensar a maioria negra pela condição de inferioridade imposta pelo apartheid.
A situação na periferia do centro econômico do país é quase tão ruim quanto sob a dominação branca. Mas há uma diferença fundamental: a polícia usou balas de borracha para conter uma turba de 700 agressores que marchavam com machados, lanças e facas, paus e porretes, em busca da redenção pelo sangue.
Um stalinista convertido à economia de mercado, o presidente Thabo Mbeki, sucessor de Nelson Mandela e ex-ministro das Finanças, concentrou-se no equilíbrio macroeconômico e no crescimento da África do Sul, que se beneficiou com o aumento nos preços dos produtos primários. Faltou uma política social efetiva para superar as desigualdades criadas pelo regime segragionista.
Mbeki já pagou pessoalmente por isso. Foi derrotado pelo ex-vice-presidente Jacob Zuma, que havia sido afastado por corrupção, na disputa pela liderança do Congresso Nacional Africano (CNA), em 18 de dezembro de 2007. Isso significa que Zuma será o candidato à Presidência em 2009, se a Justiça não o condenar no processo sobre corrupção.
Jovem comunista da elite negra sul-africana, Mbeki fugiu para o exterior quando Nelson Mandela, Walter Sisulu e seu pai, Govan Mbeki, foram presos. Thabo Mbeki passou 28 anos no exílio. Fez Mestrado em Economia na Universidade de Sussex, na Inglaterra, e trabalhou no escritório do CNA em Londres, onde havia um protesto permanente diante da Embaixada da África do Sul, na praça Trafalgar.
É um líder distante, fechado sobre si mesmo. Perdeu o contato com a realidade mais dura do sul-africano preto e pobre, que não vê sua vida melhorar o suficiente 14 anos depois das eleições que transferiram o poder à maioria negra.
Com a inflação de alimentos e o alto nível de desemprego na África do Sul, de cerca de 30% da população em idade de trabalhar, os estrangeiros são acusados de crimes e de tirar os empregos dos sul-africanos. É mais uma guerra de miseráveis, os sul-africanos pobres contra exilados do Zimbábue. Uma tragédia atrás da outra.
O problema da África do Sul é que não houve um programa de políticas sociais para compensar a maioria negra pela condição de inferioridade imposta pelo apartheid.
A situação na periferia do centro econômico do país é quase tão ruim quanto sob a dominação branca. Mas há uma diferença fundamental: a polícia usou balas de borracha para conter uma turba de 700 agressores que marchavam com machados, lanças e facas, paus e porretes, em busca da redenção pelo sangue.
Um stalinista convertido à economia de mercado, o presidente Thabo Mbeki, sucessor de Nelson Mandela e ex-ministro das Finanças, concentrou-se no equilíbrio macroeconômico e no crescimento da África do Sul, que se beneficiou com o aumento nos preços dos produtos primários. Faltou uma política social efetiva para superar as desigualdades criadas pelo regime segragionista.
Mbeki já pagou pessoalmente por isso. Foi derrotado pelo ex-vice-presidente Jacob Zuma, que havia sido afastado por corrupção, na disputa pela liderança do Congresso Nacional Africano (CNA), em 18 de dezembro de 2007. Isso significa que Zuma será o candidato à Presidência em 2009, se a Justiça não o condenar no processo sobre corrupção.
Jovem comunista da elite negra sul-africana, Mbeki fugiu para o exterior quando Nelson Mandela, Walter Sisulu e seu pai, Govan Mbeki, foram presos. Thabo Mbeki passou 28 anos no exílio. Fez Mestrado em Economia na Universidade de Sussex, na Inglaterra, e trabalhou no escritório do CNA em Londres, onde havia um protesto permanente diante da Embaixada da África do Sul, na praça Trafalgar.
É um líder distante, fechado sobre si mesmo. Perdeu o contato com a realidade mais dura do sul-africano preto e pobre, que não vê sua vida melhorar o suficiente 14 anos depois das eleições que transferiram o poder à maioria negra.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
África do Sul pede resultado no Zimbábue
Em uma mudança da posição do presidente Thabo Mbeki, sob enormes pressões internas e externas, a África do Sul mudou de posição e, depois do Conselho de Segurança das Nações Unidas, decidiu exigir a divulgação dos resultados da eleição presidencial de 29 de março no Zimbábue.
Até agora, o governo Robert Mugabe não divulgou o resultado da apuração. A Comissão Nacional Eleitoral está recontando os votos das eleições parlamentares para fraudar a vitória da oposição também no Congresso.
Até agora, o governo Robert Mugabe não divulgou o resultado da apuração. A Comissão Nacional Eleitoral está recontando os votos das eleições parlamentares para fraudar a vitória da oposição também no Congresso.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Gangues de Mugabe intimidam zimbabueanos
Gangues de partidários do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, que se apresentam como veteranos da guerra pela independência do país, em 1980, embora a maioria não tenha idade para ter lutado naquela época, começaram uma campanha de intimidação em regiões do interior do país onde a oposição ganhou as eleições.
Os resultados oficiais da eleição presidencial de 29 de março ainda não foram divulgados. Mas o partido do governo, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), que falava em segundo turno, passou a pedir a recontagem dos votos. E a tropa de choque de Mugabe entra em ação para fraudar as esperanças de uma transição pacífica no país, que já foi chamado de celeiro do Sul da África e hoje vive um colapso econômico, com inflação de mais de 100.000% ao ano e desemprego de 80%.
Desde 2000, quando o Movimento pela Mudança Democrática (MDC, do inglês) passou a ser uma ameaça real a seu poder, Mugabe mobilizou gangues de supostos veteranos de guerra para invadir terras dos fazendeiros brancos. Tentava, assim, desviar a atenção para a verdadeira luta política, acusando a oposição de ser aliada dos brancos, dos Estados Unidos e do Reino Unido,
No acordo da Lancaster House, que selou a independência da antiga Rodésia do Sul, em 1980, acabando com o regime segragacionista da minoria branca, liderado por Ian Smith, o Reino Unido se comprometeu a financiar a reforma agrária, indenizando os fazendeiros brancos que teriam terras desapropriadas para serem distribuídas entre a maioria negra. Mugabe pegou o dinheiro e distribuiu terras entre seus aliados.
Diante da situação catastrófica, o governo insiste o discurso de que o país é vítima de uma conspiração internacional para recolonizar o Zimbábue, que não receberia ajuda econômica internacional por causa do veto dos EUA e da Grã-Bretanha.
Outros líderes africanos relutam em se manifestar. Também não querem ingerência estrangeira em seus assuntos internos ou enfrentam problemas de miséria, subdesenvolvimento e concentração da renda e da terra da mesma natureza não-resolvidos depois de anos de independência.
O país-chave, líder da África negra ou subsaariana, na expressão politicamente correta, é a África do Sul. Seu presidente, Thabo Mbeki, perdeu a reeleição para a liderança do partido dominante, o Congresso Nacional Africano, principalmente por causa de sua insensibilidade social, da falta de políticas agressivas de inclusão social da maioria negra longamente deserdada pelas políticas segregacionistas do apartheid.
Mas o risco de uma onda de violência como a que assolou o Quênia depois da fraude na eleição presidencial de 27 de dezembro assusta os países vizinhos, já sobrecarregados pelos imigrantes zimbabueanos.
Os resultados oficiais da eleição presidencial de 29 de março ainda não foram divulgados. Mas o partido do governo, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), que falava em segundo turno, passou a pedir a recontagem dos votos. E a tropa de choque de Mugabe entra em ação para fraudar as esperanças de uma transição pacífica no país, que já foi chamado de celeiro do Sul da África e hoje vive um colapso econômico, com inflação de mais de 100.000% ao ano e desemprego de 80%.
Desde 2000, quando o Movimento pela Mudança Democrática (MDC, do inglês) passou a ser uma ameaça real a seu poder, Mugabe mobilizou gangues de supostos veteranos de guerra para invadir terras dos fazendeiros brancos. Tentava, assim, desviar a atenção para a verdadeira luta política, acusando a oposição de ser aliada dos brancos, dos Estados Unidos e do Reino Unido,
No acordo da Lancaster House, que selou a independência da antiga Rodésia do Sul, em 1980, acabando com o regime segragacionista da minoria branca, liderado por Ian Smith, o Reino Unido se comprometeu a financiar a reforma agrária, indenizando os fazendeiros brancos que teriam terras desapropriadas para serem distribuídas entre a maioria negra. Mugabe pegou o dinheiro e distribuiu terras entre seus aliados.
Diante da situação catastrófica, o governo insiste o discurso de que o país é vítima de uma conspiração internacional para recolonizar o Zimbábue, que não receberia ajuda econômica internacional por causa do veto dos EUA e da Grã-Bretanha.
Outros líderes africanos relutam em se manifestar. Também não querem ingerência estrangeira em seus assuntos internos ou enfrentam problemas de miséria, subdesenvolvimento e concentração da renda e da terra da mesma natureza não-resolvidos depois de anos de independência.
O país-chave, líder da África negra ou subsaariana, na expressão politicamente correta, é a África do Sul. Seu presidente, Thabo Mbeki, perdeu a reeleição para a liderança do partido dominante, o Congresso Nacional Africano, principalmente por causa de sua insensibilidade social, da falta de políticas agressivas de inclusão social da maioria negra longamente deserdada pelas políticas segregacionistas do apartheid.
Mas o risco de uma onda de violência como a que assolou o Quênia depois da fraude na eleição presidencial de 27 de dezembro assusta os países vizinhos, já sobrecarregados pelos imigrantes zimbabueanos.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Procurador-geral tem "provas" contra Zuma
Aumenta a tensão política na África do Sul. O procurador-geral, Mokotedi Mpshe, acredita ter provas suficientes para denunciar o novo líder recém-eleito do Congresso Nacional Africano, Jacob Zuma, por corrupção.
Uma decisão é "iminente", declarou o procurador-geral.
Os aliados de Zuma protestaram. Alegam que a denúncia é uma jogada política para desmoralizar o ex-vice-presidente. Zuma foi afastado do governo por corrupção. Agora, derrotou o presidente Thabo Mbeki na eleição interna do grande partido construído pela maioria negra para lutar contra sua dominação pela minoria branca.
Uma decisão é "iminente", declarou o procurador-geral.
Os aliados de Zuma protestaram. Alegam que a denúncia é uma jogada política para desmoralizar o ex-vice-presidente. Zuma foi afastado do governo por corrupção. Agora, derrotou o presidente Thabo Mbeki na eleição interna do grande partido construído pela maioria negra para lutar contra sua dominação pela minoria branca.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Populista acusado de estupro e corrupção lidera CNA
Num verdadeiro terremoto político na África do Sul, o presidente Thabo Mbeki perdeu a eleição para a liderança do Congresso Nacional Africano (CNA), o partido que derrotou o regime segregacionista do apartheid. O vencedor é o ex-vice-presidente Jacob Zuma, um populista denunciado por estupro e corrupção que pode agora ser eleito presidente do país em 2009.
Zuma recebeu 2.329 votos, contra 1.505 para Mbeki, sucessor de Nelson Mandela desde 1999. Ambos têm 65 anos e fazem parte do grupo de líderes do CNA que viveu no exílio para fugir do regime racista branco que dominou a África do Sul até 1994.
Desde o fim do apartheid, a África do Sul entrou numa era de prosperidade e relativa paz social, manchada pelos altos índices de criminalidade. Mas a maioria da população negra ainda vive miseravelmente. Milhões ainda esperam as casas, as terras, os empregos e os serviços públicos que lhes foram negados pela segregação racial.
Mbeki é considerado um ex-stalinista convertido ao fundamentalismo de mercado. Faltou-lhe sensibilidade social para atender aos anseios dos excluídos. Refratário às críticas e distante das bases populares do CNA, o presidente recebeu nesta terça-feira o veredito das urnas da convenção partidária. Não fará seu sucessor, que provavelmente será seu maior inimigo político.
Sua derrota é uma vitória da democracia no país mais importante da África. Ao contrário da imensa maioria dos países do continente, houve uma disputa real, ainda que no seio do partido do governo. Afinal, o CNA tem a legitimidade de quase um século de luta contra a opressiva dominação da maioria branca.
Mbeki é um filho da elite negra sul-africana educada no exílio para assumir o poder na era pós-apartheid.
Zuma é zulu, maior etnia da África do Sul. Não recebeu educação formal. Foi um dos líderes do braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação), no exílio. Foi afastado da vice-presidência sul-africana por Mbeki quando um de seus assessores foi condenado por oferecer US$ 70 mil de suborno a investigadores de um escândalo de venda de armas que implicava seu chefe.
No ano passado, Zuma foi processado por estuprar uma amiga de sua família. Durante o julgamento, declarou ter mantido relações sexuais sem camisinha com uma aidética e em seguida tomado banho na certeza de que isso o protegeria.
Suscitou, assim, outra questão de importância fundamental na África do Sul, a relutância das autoridades em admitir que a causa da aids é o vírus da imunodeficiência humana (HIV). O país tem a maior incidência de aids do mundo.
Os partidários de Zuma alegam que as acusações são manobras políticas para afastá-lo da luta pelo poder. Mas ele pode ser forçado a sair e não concorrer à presidência, se a Procuradoria Nacional reapresentar as denúncias contra ele.
Cresce, portanto, a importância de seu vice no CNA, o ex-líder sindical Kgalema Motlanthe.
Zuma recebeu 2.329 votos, contra 1.505 para Mbeki, sucessor de Nelson Mandela desde 1999. Ambos têm 65 anos e fazem parte do grupo de líderes do CNA que viveu no exílio para fugir do regime racista branco que dominou a África do Sul até 1994.
Desde o fim do apartheid, a África do Sul entrou numa era de prosperidade e relativa paz social, manchada pelos altos índices de criminalidade. Mas a maioria da população negra ainda vive miseravelmente. Milhões ainda esperam as casas, as terras, os empregos e os serviços públicos que lhes foram negados pela segregação racial.
Mbeki é considerado um ex-stalinista convertido ao fundamentalismo de mercado. Faltou-lhe sensibilidade social para atender aos anseios dos excluídos. Refratário às críticas e distante das bases populares do CNA, o presidente recebeu nesta terça-feira o veredito das urnas da convenção partidária. Não fará seu sucessor, que provavelmente será seu maior inimigo político.
Sua derrota é uma vitória da democracia no país mais importante da África. Ao contrário da imensa maioria dos países do continente, houve uma disputa real, ainda que no seio do partido do governo. Afinal, o CNA tem a legitimidade de quase um século de luta contra a opressiva dominação da maioria branca.
Mbeki é um filho da elite negra sul-africana educada no exílio para assumir o poder na era pós-apartheid.
Zuma é zulu, maior etnia da África do Sul. Não recebeu educação formal. Foi um dos líderes do braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação), no exílio. Foi afastado da vice-presidência sul-africana por Mbeki quando um de seus assessores foi condenado por oferecer US$ 70 mil de suborno a investigadores de um escândalo de venda de armas que implicava seu chefe.
No ano passado, Zuma foi processado por estuprar uma amiga de sua família. Durante o julgamento, declarou ter mantido relações sexuais sem camisinha com uma aidética e em seguida tomado banho na certeza de que isso o protegeria.
Suscitou, assim, outra questão de importância fundamental na África do Sul, a relutância das autoridades em admitir que a causa da aids é o vírus da imunodeficiência humana (HIV). O país tem a maior incidência de aids do mundo.
Os partidários de Zuma alegam que as acusações são manobras políticas para afastá-lo da luta pelo poder. Mas ele pode ser forçado a sair e não concorrer à presidência, se a Procuradoria Nacional reapresentar as denúncias contra ele.
Cresce, portanto, a importância de seu vice no CNA, o ex-líder sindical Kgalema Motlanthe.
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