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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Obama: "Mandela libertou prisioneiros e carcereiros"

Ao participar hoje do funeral do herói negro sul-africano Nelson Mandela junto com a presidente Dilma Rousseff e chefes de Estado e de governo do mundo inteiro, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi muito aplaudido ao destacar que "Mandela libertou não só os prisioneiros, mas também os carcereiros".

Obama cumprimentou o ditador de Cuba, Raúl Castro. Foi a primeira vez desde a revolução de 1959 que um presidente dos EUA cumprimentou um dirigente supremo de Cuba em público.

sábado, 10 de julho de 2010

Lula não tem espírito esportivo

Ao rejeitar o convite para assistir à final da Copa na África do Sul, o presidente Luiz Inacio Lula da Silva se mostra um mau perdedor, sem espírito esportivas para ver outras seleções ganhando a competição.

Como presidente do país-sede da próxima Copa, Lula deveria ter cumprido seu papel de estadista e prestigiado a final da competição, ao lado de um verdadeiro estadista como Nelson Mandela.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

CNA é favorito em mais uma eleição sul-africana

A África do Sul realiza hoje suas quartas eleições democráticas desde o fim do regime segragacionista do apartheid, em 1994.

O favorito é o Congresso Nacional Africano, partido do presidente Nelson Mandela e agora do controvertido ex-vice-presidente Jacob Zuma, afastado por corrupção, que deve ser eleito presidente no fim do mês pela nova Assembléia Nacional.

Depois do afastamento do presidente Thabo Mbeki, sob pressão de Zuma, uma parte do CNA se rebelou e formou um novo partido, o Congresso do Povo. Mas o segundo lugar deve ficar com a Aliança Democrática.

A expectativa é que mais uma vez o CNA consiga maioria absoluta. Até hoje, ganhou todas as eleições com mais de 70% dos votos. Nos últimos 10 anos, 800 mil brancos deixaram o país mais rico da África, que produz 35% de toda a riqueza da África negra ou subsaariana (excluídos os países árabes do Norte da África, da Mauritânia ao Egito, a região do Magreb).

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Pirataria na África é fruto de anarquia e omissão

Os piratas que atacam perto da costa Nordeste e agora também no Leste da África são produto da total anarquia na Somália, um país que não tem governo desde a queda do ditador Mohammed Siad Barre, em 1991.

A situação era tão grave, com milhões de pessoas ameaçadas de morrer de fome, que, depois de perder a reeleição para Bill Clinton, em dezembro de 1992, o presidente George Bush sr. mandou soldados americanos para a Somália em missão humanitária para proteger a distribuição de alimentos pelas Nações Unidas a populações famintas.

No governo Clinton, o objetivo foi mudado para pacificar o país. Os americanos acabaram entrando na guerra civil somaliana contra o senhor da guerra que dominava a região da capital, Mogadíscio, Mohammed Farah Aidid.

Como ele era líder de um clã, os americanos passaram a ser vistos como inimigos por uma parte da população. Acabaram sendo vítimas de uma embosca na Batalha de Mogadíscio, em 3 e 4 de outubro de 1993. Pelo menos 18 fuzileiros navais dos EUA foram mortos e alguns corpos arrastadas pelas ruas da capital somaliana.

Aquela derrota humilhante de uma força que não tinha os meios necessários para fazer a guerra levou Clinton a retirar os soldados americanos da Somália e a rejeitar o princípio de intervenção militar por razões humanitárias na África.

Quando caiu o governo de Ruanda, em abril de 1994, os EUA vetaram qualquer intervenção do Conselho de Segurança da ONU.

A missão de paz liderada por belgas caiu fora diante de falta de meios para resistir à guerra civil. Ficou só a Operação Turquesa, da França, acusada até hoje pelo novo governo de Ruanda de acobertar a fuga do Exército hutu derrotado e das milícias hutus responsáveis pelo genocídio de 800 mil pessoas.

Os hutus em fuga entraram em conflito com os baniamulengues do Congo, que são da etnia tútsi, provocando o início da guerra civil congolesa. Em 1997, caiu o ditador Joseph Mobutu e o Congo, riquíssimo em minerais, virou palco da Primeira Guerra Mundial Africana, envolvendo exércitos de nove países e centenas de grupos irregulares.

Entre 1998 e 2003, estima-se que 5,4 milhões de pessoas morreram no Congo. Em agosto, um general rebelde tútsi que rompeu com o governo central de Kinshasa, começou a atacar o Exército, acusando-o de cumplicidade com a Frente Democrática para a Libertação de Ruanda, que reúne os hutus no exílio no Congo.

A omissão da sociedade internacional depois da humilhação dos americanos na Batalha de Mogadíscio e diante do genocídio em Ruanda abriu espaço para duas situações explosivas que atormentam a África e o resto do mundo hoje.

Na Somália, foi negociado um acordo de paz, mas o governo provisório nunca assumiu o controle do território. Desde 2006, o grupo extremista muçulmano União dos Tribunais Islâmicos controla a maior parcela do território somaliano.

Isso provocou uma intervenção militar da Etiópia, apoiada pelos EUA, para que o país não caia nas mãos de uma milícia alinhada ideologicamente com Al Caeda. Os muçulmanos ameaçam atacar os piratas para libertar o superpetroleiro saudita Sirius Star, um “navio islâmico”, carregado com 2 milhões de barris de petróleo, um quarto da produção diária da Arábia Saudita.

Mas os piratas têm o apoio de senhores da guerra que fornecem armas e os deixam atracar os navios e acomodar os reféns. Nos últimos 12 meses, ganharam US$ 150 milhões.

Lição da História: a África precisa de ajuda da sociedade internacional para resolver seus problemas, muitos herdados do passado colonial, e a omissão só agrava os problemas e aumenta o preço em vidas e dinheiro.

Quando a África do Sul acabou com ditadura da minoria branca, em 1994, o presidente Nelson Mandela prometeu que os direitos humanos seriam uma pedra fundamental na política externa do governo democrático.

Mas o governo sul-africano tem sido tolerante e omisso com o genocídio em Darfur, cometido pelo regime islamita do Sudão, e com as fraudes eleitorais e abusos e poder do ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, para só citar dois casos.

Os militantes indignados dizem que, se a maioria negra da África do Sul ainda estivesse lutando contra o regime segregacionista do apartheid, não teria o apoio do atual governo sul-africano.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Mandela lamenta situação no Zimbábue

Ao chegar a Londres para um concerto de música que vai celebrar seus 90 anos, um dos poucos heróis do nosso tempo, o líder negro sul-africano Nelson Mandela descreveu o conflito no Zimbábue como um "trágico fracasso da liderança" do presidente Robert Mugabe, o herói da independência nacional convertido em ditador brutal e sanguinário.

O jovem Nelson Mandela era líder do braço armado do Congresso Nacional Africano quando foi preso, em 1962. Dois anos depois, foi condenado à prisão perpétua.

Mandela ficou 27 anos na cadeia sem abrir mãos de seus princípios. Neste período, se negou a negociar com o regime segragacionista do apartheid: "Homens presos não podem negociar", dizia.

Durante décadas, ele foi o preso político mais famoso do mundo. Passou o aniversário de 70 anos, em 1988, na prisão.

Em 1991, finalmente, Nelson Mandela é libertado e negocia a transição para um governo democrático da maioria negra excluída pelo apartheid.

Com a transferência do poder da minoria branca para o governo eleito democraticamente, Mandela tornou-se, em 1994, o primeiro presidente negro da África do Sul e governou por apenas um mandato, entregando o poder ao sucessor, Thabo Mbeki, e se aposentando em 1999.

Há nove anos, Mandela é uma reserva moral da nação sul-africana e defendeu causas internacionais de direitos humanos e combate à pobreza, ao lado de sua nova mulher, Graça Machel, viúva de Samora Machel, o herói da independência de Moçambique.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Brancos sul-africanos se desculpam por vídeo

Dois dos quatro estudantes sul-africanos que aparecem num vídeo humilhando a maltratando funcionários negros na Universidade do Estado Livre, em Bloemfontein, pediram desculpas.

Eles obrigam os faxineiros e tomar cerveja de um só gole, a correr no pátio da faculdade, como nos trotes aplicados em calouros. As cenas mais ultrajantes mostram um dos alunos brancos urinando num cozido que depois é servida aos funcionários.

No final da gravação, uma frase escrita no vídeo diz: "É isso que nós pensamos da integração racial".

A África do Sul viveu 300 anos sob a dominação da minoria branca, que no século 20 submeteu a maioria negra ao regime segragacionista do apartheid. Os negros chegaram ao poder em 1994 em negociações lideradas por Nelson Mandela, um dos poucos mitos vivos nesta era de líderes medíocres.

Com a onda de protestos gerada pelo vídeo ultrajante, a direção da universidade resolveu acusar os estudantes criminalmente. Os manifestantes exigem que eles sejam expulsos.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Populista acusado de estupro e corrupção lidera CNA

Num verdadeiro terremoto político na África do Sul, o presidente Thabo Mbeki perdeu a eleição para a liderança do Congresso Nacional Africano (CNA), o partido que derrotou o regime segregacionista do apartheid. O vencedor é o ex-vice-presidente Jacob Zuma, um populista denunciado por estupro e corrupção que pode agora ser eleito presidente do país em 2009.

Zuma recebeu 2.329 votos, contra 1.505 para Mbeki, sucessor de Nelson Mandela desde 1999. Ambos têm 65 anos e fazem parte do grupo de líderes do CNA que viveu no exílio para fugir do regime racista branco que dominou a África do Sul até 1994.

Desde o fim do apartheid, a África do Sul entrou numa era de prosperidade e relativa paz social, manchada pelos altos índices de criminalidade. Mas a maioria da população negra ainda vive miseravelmente. Milhões ainda esperam as casas, as terras, os empregos e os serviços públicos que lhes foram negados pela segregação racial.

Mbeki é considerado um ex-stalinista convertido ao fundamentalismo de mercado. Faltou-lhe sensibilidade social para atender aos anseios dos excluídos. Refratário às críticas e distante das bases populares do CNA, o presidente recebeu nesta terça-feira o veredito das urnas da convenção partidária. Não fará seu sucessor, que provavelmente será seu maior inimigo político.

Sua derrota é uma vitória da democracia no país mais importante da África. Ao contrário da imensa maioria dos países do continente, houve uma disputa real, ainda que no seio do partido do governo. Afinal, o CNA tem a legitimidade de quase um século de luta contra a opressiva dominação da maioria branca.

Mbeki é um filho da elite negra sul-africana educada no exílio para assumir o poder na era pós-apartheid.

Zuma é zulu, maior etnia da África do Sul. Não recebeu educação formal. Foi um dos líderes do braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação), no exílio. Foi afastado da vice-presidência sul-africana por Mbeki quando um de seus assessores foi condenado por oferecer US$ 70 mil de suborno a investigadores de um escândalo de venda de armas que implicava seu chefe.

No ano passado, Zuma foi processado por estuprar uma amiga de sua família. Durante o julgamento, declarou ter mantido relações sexuais sem camisinha com uma aidética e em seguida tomado banho na certeza de que isso o protegeria.

Suscitou, assim, outra questão de importância fundamental na África do Sul, a relutância das autoridades em admitir que a causa da aids é o vírus da imunodeficiência humana (HIV). O país tem a maior incidência de aids do mundo.

Os partidários de Zuma alegam que as acusações são manobras políticas para afastá-lo da luta pelo poder. Mas ele pode ser forçado a sair e não concorrer à presidência, se a Procuradoria Nacional reapresentar as denúncias contra ele.

Cresce, portanto, a importância de seu vice no CNA, o ex-líder sindical Kgalema Motlanthe.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

"A esquerda não pode governar sozinha. Morales tem de enfrentar o dilema de Lula", adverte ex-presidente da Bolívia

As experiências de Salvador Allende no Chile, nos anos 70, e dos sandinistas na Nicarágua, nos anos 80, mostram que a esquerda não pode governar sozinha em nenhuma parte da América Latina, declarou o ex-presidente boliviano Jaime Paz Zamora, em entrevista ao jornal argentino La Nación.

"Para governar, para encabeçar o governo, a esquerda deve se aliar com o centro e com os setores democráticos de centro-direita", aconselhou, advertindo o presidente Evo Morales, o primeiro indígena a governar a Bolívia, de que lhe resta pouco tempo para mudar.

Paz Zamora, do Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR), oriundo da luta armada contra ditaduras militares, fez um acordo nos anos 80 com o ex-ditador Hugo Banzer, que o perseguira, para chegar à presidência (1989-93). Isto lhe valeu críticas ferozes dos setores mais à esquerda, que hoje apóiam o governo Morales e seu Movimento ao Socialismo (MAS).

Agora, acredita que Morales precisa enfrentar o "dilema de Lula": governar para todo o país ou apenas para seus seguidores ideológicos.

"Lula fez e Morales tem de se resolver", argumenta o ex-presidente boliviano. "Lula vinha de um partido muto radical, o PT, num país com grandes níveis de pobreza. Teve de resolver se governava para o PT ou governava para o Brasil. Foi doloroso para ele. Teve de enfrentar dramas de consciência mas decidiu: vou governar para o Brasil, não para o PT; não vou fazer experiências".

Morales enfrenta uma queda de braço com a elite de origem européia e quatro departamentos ricos do Leste da Bolívia, que exigem autonomia e ameaçam até se separar. O presidente apelou ao Exército para manter a unidade nacional, enquanto líderes departamentais fazem greve de fome.

A oposição exige ainda que Morales respeita a regra inicial da Assembléia Constituinte, que exigia maioria de dois terços. Teme ainda que, com sua reforma agrária, mande índios do altiplano para as planícies do

O MAS, que tem maioria absoluta mas não chega a dois terços, mudou a regra do jodo para metade mais. A oposição chegou a apelar ao presidente Lula, durante a reunião de cúpula da Comunidade Sul Americana (Casa), em Cochabamba, na Bolívia. Afinal. há muitos produtores rurais brasileiros ameaçados de confisco pela reforma agrária na Bolívia.

Lula preferiu não se intrometer nas questões internas bolivianas.

Na opinião de Paz Zamora, a América Latina de hoje é fruto de dois grandes processos ocorridos nos últimos 25 anos: a democratização e as reformas econômicas de livre mercado.

"Ainda que com problemas e falhas, temos democracia", observa o ex-presidente. "Os problemas estão sendo resolvidos democraticamente".

Para o ex-presidente, "Morales é um produto da democracia boliviana. Deve reconhecer que a democracia não é ocidental nem burguesa, como querem alguns setores indígenas. O que me surpreende é que, tendo chegado ao governo com a simpatia da maioria e da comunidade internacional, começou a desperdiçar oportunidades de maneira irresponsável.

"Evo começou a inventar inimigos atrás de cada pedra. Começou a ver conspirações. Caiu no velho esquema da esquerda de ver inimigos por toda parte. Chegou o momento da democracia, de dar o salto por cima do indígena, que na Bolívia é sinônimo de indigente. Queremos ser uma África do Sul e que Morales seja o nosso Nelson Mandela. Mas no momento ele se parece mais com Robert Mugabe, do Zimbábue, que está isolado".