Num apelo desesperado para não perder as eleições de amanhã em Israel, o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu enterrou definitivamente seu compromisso com a paz baseada em dois países, um israelense e outro palestino, convivendo lado a lado, informa o jornal liberal Haaretz.
As últimas pesquisas indicam uma vantagem de quatro deputados para a União Sionista, liderada por Isaac Herzog, do Partido Trabalhista, favorável às negociações de paz com a Autoridade Nacional Palestina e à criação de uma pátria para o povo palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
"Se eu for eleito, não haverá Estado palestino", declarou Netanyahu. Numa última tentativa de tirar votos do partido de ultradireita Casa Judaica, que defende a manutenção das colônias implantadas ilegalmente nos territórios árabes ocupados, o chefe de governo de Israel abandonou a proposta de paz que prevê a criação de uma Palestina independente, feita em discurso na Universidade Bar-Ilan, em 2009.
Em entrevista a um sítio do magnata americano Sheldon Adelson, o líder do partido Likud acusou mais uma vez a esquerda de comprometer a segurança de Israel: "Acredito que qualquer um que se mude para estabelecer um Estado palestino e evacuar territórios está cedendo território para ataques de radicais islamitas contra Israel. A esquerda enterrou sua cabeça na areia e ignorou isso várias vezes, mas nós somos realistas e entendemos."
Se a União Sionista vencer amanhã, "vai se associar à comunidade internacional e suas propostas" como o congelamento das colônias na Cisjordânia ocupada, inclusive no setor oriental (árabe) de Jerusalém, e o retorno de Israel às fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Durante visita nesta segunda-feira ao assentamento de Bar Homa, no setor árabe de Jerusalém, Netanyahu afirmou que uma vitória da oposição, o "Hamastão B" incluiria a parte oriental da cidade: "Se Tzipi [Livni] e Bougie [Isaac Herzog] formarem um governo, o Hamastão B será estabelecido aqui."
O primeiro Hamastão seria a Faixa de Gaza, onde no ano passado Netanyahu travou mais uma guerra inútil sem conseguir destruir o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 16 de março de 2015
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Maioria da direita israelense apoia Estado palestino
Dois terços dos israelenses apoiariam um acordo de paz que criasse um Estado palestino desmilitarizado com capital no setor árabe (oriental) de Jerusalém em troca da manutenção de algumas colônias na Cisjordânia. Até mesmo a maioria dos eleitores dos partidos direitistas Likud e Yisrael Beitenu seria a favor, indicam duas pesquisas de opinião citadas hoje pelo jornal liberal israelense Haaretz.
Pela proposta, os palestinos refugiados desde a criação do Estado de Israel, em 1948, só poderiam voltar para a Palestina. Os lugares históricos da Cidade Antiga de Jerusalém seriam administrados conjuntamente por palestinos, israelenses e as Nações Unidas.
Pela proposta, os palestinos refugiados desde a criação do Estado de Israel, em 1948, só poderiam voltar para a Palestina. Os lugares históricos da Cidade Antiga de Jerusalém seriam administrados conjuntamente por palestinos, israelenses e as Nações Unidas.
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