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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Assessor do príncipe-herdeiro comandou assassinato via Skype

O assessor real Saud al-Kahtani, responsável pelas mídias sociais do príncipe-herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman, e por centenas de prisões, comandou pessoalmente a operação que matou a esquartejou o jornalista Jamal Khashoggi no consulado saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro, noticiou o jornal liberal israelense Haaretz, citando fontes árabes.

Depois de insultar o jornalista, ele deu aprovação ao assassinato político: "Tragam-me a cabeça deste cão", vociferou Al Kahtani ao autorizar o "crime bárbaro", como definiu ontem o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

O líder turco prometeu revelar tudo o que sabia, mas não acrescentou muito. Acusou os sauditas de homicídio premeditado e pediu a extradição dos 18 sauditas presos pela monarquia absolutista. Entre eles, está Al-Kahtani.

A televisão britânica Sky News afirmou que restos mortais do jornalista foram encontrados enterrados na residência do cônsul saudita em Istambul. Esta notícia não foi confirmada. Erdogan disse que o corpo não foi encontrado.

Também apareceu um vídeo de um sósia de Khashoggi que fazia parte do esquadrão da morte saudita. Ele usava as roupas do morto, mas foi denunciado pelos sapatos.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump descreveu a manobra para encobrir o assassinato como "um dos piores acobertamentos da história".

Trump insiste na versão oficial saudita de que foi uma operação não autorizada que não deu certo, como se fosse possível mobilizar a segurança pessoal do príncipe-herdeiro sem seu consentimento. Não quer abrir mão de um contrato de venda de armas no valor de US$ 110 bilhões.

"Era um projeto muito ruim desde a origem, foi mal executado e a operação de acobertamento foi uma das piores da história", declarou o presidente americano na Casa Branca", defendendo a versão oficial da monarquia absolutista.

Na segunda-feira, Trump falou pelo telefone com o príncipe Mohamed ben Salman, principal suspeito de ser o mandante do crime e aceitou suas desculpas: "Ele disse firmemente que não teve nada a ver com aquilo, que foi a um nível inferior." É difícil imaginar que isso seja possível num regime totalitário.

A primeira retaliação oficial dos EUA foi cancelar os vistos de entrada no país de 21 sauditas implicados no assassinato.

Em Riade, a capital saudita, o príncipe Mohamed ben Salman foi aplaudido numa conferência internacional para atrair investimentos para a Arábia Saudita. Apesar do boicote de várias empresas e governos ocidentais, no primeiro dia, o governo saudita anunciou negócios da ordem de US$ 50 bilhões.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Arábia Saudita confirma morte de jornalista em "briga" no sindicato

É o grande acobertamento de um crime bárbaro em marcha. Diante de uma reação internacional sem precedentes, a monarquia absolutista da Arábia Saudita confirmou hoje que o jornalista dissente Jamal Khashoggi foi morto dentro do consulado do país em Istambul, na Turquia. De início, os sauditas alegaram que o jornalista saíra do consulado. Agora, a desculpa oficial é que houve uma "confrontação com pessoas reunidas no consulado".

Dezoito pessoas foram presas. Dois altos funcionários foram presos, o subchefe do serviço secreto, general Ahmed Assiri, e o assessor real Saud al-Kahtani. O sultão Salman ben Abdul Aziz al-Saud mandou uma comissão formada pelo príncipe-herdeiro e homem-forte do reino, Mohamed ben Salman, principal suspeito de ser o mandante do crime, para reestruturar o serviço.

"As pessoas que ele conheceu no consulado do reino em Istambul provocaram uma briga que levou à sua morte", afirmou a agência oficial de notícias saudita. "As investigações estão em andamento e 18 súditos do reino foram presos."

Nenhum esclarecimento sobre o que foi feito do corpo. Ninguém vai comprar esta versão mentirosa ou talvez só o presidente Donald Trump. Ele deixou claro que não pretende cancelar negócios de venda de armas no valor de US$ 110 bilhões nem mudar sua política para o Oriente Médio, de isolar o Irã e defender Israel.

MbS, como o príncipe é conhecido popularmente, prometeu enfrentar o clero ultraconservador, combater o terrorismo, se aproximar de Israel, contribuir para a paz com os palestinos e modernizar o país para prepará-lo para a era pós-petróleo com o programa Arábia Saudita 2030.

Tudo isso e seu próprio futuro como sultão estão ameaçados pela morte de Khashoggi, um ex-assessor da família real que se mudou para os EUA no ano passado e era colunita do jornal The Washington Post. Ele entrou no consulado em 2 de outubro para pegar um documento para se casar e nunca mais saiu.

Gravações vazadas para a imprensa pela inteligência turca revelaram que Jamal foi esquartejado vivo até a morte. Para o jornalista americano Thomas Friedman, que considerava a missão do príncipe quase impossível, agora entende que ele nunca poderá ser rei.