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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"Mursi deixou Egito à beira do abismo", diz ElBaradei

Quase dois anos depois do início da revolução que derrubou a ditadura de Hosni Mubarak, o Egito está profundamente dividido entre os islamitas e o resto da população, sob risco de uma nova rebelião popular, de uma intervenção militar ou de uma guerra civil, adverte o ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica Mohamed ElBaradei, ganhador do Prêmio Nobel da Paz.

Em artigo publicado hoje no jornal inglês Financial Times, ElBaradei pergunta: "Depois de 23 meses de luta para trazer a democracia ao Egito, isto é o melhor que podemos fazer? Um presidente reivindicando poderes ditatoriais. Um parlamento cheio de islamitas. E um projeto de Constituição feito às pressas sem as garantias básicas para mulheres, cristãos e todos os egípcios?"

Na sua opinião, "o Exército, para proteger seus privilégios e evitar processos, estragou a transição pós-revolucionária. Permitiu que a Irmandade Muçulmana, interessada em tirar vantagem de seus 80 anos de organização e trabalho de campo, apressasse a realização de eleições parlamentares. O resultado foi uma vitória esmagadora para os islamitas, muito além de sua verdadeira base de poder".

Com uma Assembleia Constituinte dominada por islamitas, os partidos liberais, as minorias e outras facções da sociedade civil abandonaram o processo de redação da nova Constituição. "A assembleia produziu então um documento que viola a liberdade de expressão e a liberdade religiosa, e não controla o Poder Executivo. Também quer dar o direito de instituições religiosas de desafiar o Poder Judiciário", acrescenta o ex-diretor-geral da AIEA.

Por isso, a multidão voltou a tomar a Praça da Libertação, no Centro do Cairo, nos últimos dias e hoje cerca o palácio presidencial.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Oposição autoriza ElBaradei a negociar

Diante do perigoso impasse no sexto dia seguido de manifestações pedindo a queda do presidente Hosni Mubarak, a oposição do Egito autorizou o ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) Mohamed ElBaradei, ganhador do Prêmio Nobel de Paz 2005, a negociar com o regime, que se fortalece para resistir às pressões.

ElBaradei discursou hoje para a multidão na Praça Tahrir, no centro do Cairo. Em entrevista à rede de televisão americana CNN, ele advertiu: "Se Mubarak quiser salvar sua pele, se tiver um pingo de patriotismo, deve ir embora hoje e salvar o país".

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Egito reprime protestos com dureza

Com balas de borracha, gás lacrimogênio e jatos d’água, o governo do Egito reprimiu duramente a grande manifestação de protesto realizada hoje no Cairo depois das orações da sexta-feira, a folga religiosa semanal dos muçulmanos. O número de mortos subiu para oito em quatro dias de protesto.

Em mais um Dia de Ira para pedir a queda do presidente Hosni Mubarak, também houve protestos em Alexandria e Suez em mais um Dia de Ira. Um líder da Irmandade Muçulmana foi preso. 

• O ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e Nobel da Paz Mohamed ElBaradei não escapou. Teve de se refugiar numa mesquita. A Associated Press disse que ele está em prisão domiciliar.

• Os serviços de comunicação móvel, Internet, telefonia celular e mensagem de texto, foram bloqueados.

• Até agora, o governo prometeu uma reforma ministerial e liberdade de expressão.

• Os EUA relutam em apoiar o movimento pela democracia por medo dos islamitas da Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista muçulmano do mundo.

• O secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, pediu ao governo egípcio que respeite a liberdade de expressão.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ElBaradei chega ao Egito para liderar oposição

O ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) Mohamed eElBaradei, ganhador do Prêmio Nobel da Paz chegou hoje ao Cairo para se associar às manifestações que exigem a renúncia do presidente Hosni Mubarak, no poder há quase 30 anos.

Para amanhã, está convocada um novo dia da ira, com uma grande marcha na capital, da qual participarão El Baradei e a oposição muçulmana.

Enquanto o partido do governo declara estar pronto para iniciar um diálogo com os jovens que lideram os protestos, a Irmandade Muçulmana, maior grupo de oposição do país, que estava quieta, afirma que a repressão vai levar a uma "explosão".

Mais uma vez, os manifestantes ignoram a proibição e voltam a sair às ruas do Cairo, mas aparentemente não houve conflitos com a polícia.

Em três dias de protestos, pelo menos seis pessoas morreram e mais de mil manifestantes foram presos.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

ONU aprova resolução para desarmamento nuclear

Em reunião de cúpula presidida pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o Conselho de Segurança da ONU aprovou hoje uma resolução para impedir a proliferação nuclear em que as potências nucleares reafirmam o compromisso de abrir mão de suas armas atômicas.

A medida prepara as negociações para renovar o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que deve ser revisado em maio.

Na prática, o objetivo é conter a proliferação. Não há precedentes na História de grandes potências abrindo mão de seu poder. O Senado dos EUA nunca ratificou o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares, aprovado em 1996.

• O mundo tem hoje cerca de 23,5 mil armas nucleares, 13 mil russas e 9,5 mil. Também tem a bomba atômica Reino Unido, França, China, Israel, Índia e Paquistão, os três últimos contrariando o TNP. A Coreia do Norte realizou duas explosões nucleares, mas isso não significa que tenha capacidade de fazer uma bomba. O Irã já teria urânio enriquecido para fazer a bomba e estaria desenvolvimento ogivas e tecnologia de mísseis. A oposição iraniana diz ter identificado mais duas instalações nucleares.

• O diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, disse que houve pelo menos 200 tentativas de roubo e tráfico de material nuclear no ano passado.

sábado, 21 de junho de 2008

Ataque ao Irã incendiaria o Oriente Médio

Um bombardeio aéreo dos Estados Unidos ou de Israel para tentar destruir o programa nuclear do Irã, suspeito de desenvolver armas atômicas, transformaria o Oriente Médio numa "bola de fogo", adverte o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o egípcio Mohamed el-Baradei. Ele ameaça renunciar ao cargo, se isto acontecer.

Na sua opinião, um ataque teria o efeito contrário ao esperado. O Irã aceleraria ainda mais as pesquisas para fabricar armas nucleares para garantir sua defesa.

El-Baradei comentava a notícia de que Israel fez uma grande manobra militar no Leste do Mar Mediterrâneo na primeira semana de junho como treinamento para um possível ataque ao Irã.

sábado, 8 de dezembro de 2007

ElBaradei quer enriquecimento multinacional de urânio para evitar proliferação de armas atômicas


Para que os países possam desenvolver tecnologia para fins pacíficos sem que seus vizinhos suspeitam que estão fazendo a bomba atômica, o diretor-geral da Agência Internacional, Mohamed El Baradei, propôs o compartilhamento do processo de enriquecimento de urânio. Assim, cada país dominaria apenas uma parte do processo.

O diretor da AIEA, Prêmio Nobel da Paz junto com sua agência, órgão das Nações Unidas, discursou na sexta-feira, 7 de dezembro, no Rio, no seminário Energia Nuclear Como Alternativa Sustentável? Um diálogo Europa-America Latina, promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Nos comentários finais, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, reafirmou a intenção brasileira de "dominar o ciclo completo do urânio". Há grande resistência internacional porque é uma tecnologia de uso duplo.

Para evitar que os países não-nucleares façam a bomba, nos termos do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), há uma série de salvaguardas que incluem inspeções de surpresa de suas instalações atômica pela AIEA.

O Brasil não assinou o protocolo adicional ao TNP, e algumas autoridades o consideram intrusivo demais, a ponto de violar a soberania nacional.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Mohamed elBaradei vem ao Rio


O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed ElBaradei, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2005 junto com a AIEA, vem ao Rio de Janeiro participar de uma conferência internacional sobre Energia Nuclear na América Latina e na Europa, organizada pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais, a ser realizada em 6 e 7 de dezembro deste ano, na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro.

ElBaradei, um embaixador egípcio, está no olho do furacão gerado pela acusação dos Estados Unidos de que o programa nuclear do Irã visa ao desenvolvimento de armas atômicas. Ele deu um ultimato ao regime dos aiatolás para que abra suas instalações à AIEA, um órgão da ONU.

Antes da guerra do Iraque, seus relatórios desmentiram todas as alegações americanas de que a ditadura de Saddam Hussein teria retomada seu programa nuclear para fabricar armas atômicas. ElBaradei considerou uma falsificação grosseira uma suposta tentativa iraquiana de comprar urânio no Níger, atribuída inicialmente ao serviço secreto da Itália.

A alegação foi usada pelo presidente George Walker Bush no discurso sobre o Estado da União, em janeiro de 2002, preparando a opinião pública americana para a guerra. Mesmo depois de derrubada por um relatório do embaixador americano Joseph Wilson, Bush voltou a tocar no assunto, atribuindo a informação ao serviço secreto britânico.

Em junho de 2003, quando ficou evidente que não havia armas de destruição em massa no Iraque, Wilson publicou artigo no jornal The New York Times. O governo Bush retaliou revelando que sua mulher, Valerie Plame, era agente da CIA, o que gerou o escândalo conhecido como Plamegate. É crime contra a segurança nacional dos EUA revelar a identidade de espiões.

O chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, Lewis Libby, foi condenado por falso testemunho, perjúrio e obstrução de Justiça. Recebeu o indulto presidencial de Bush.

Na semana passada, Israel pediu a demissão de ElBaradei, declarando-o incapaz de negociar a questão nuclear iraniana por ter declarado que não há provas de que a república islâmica esteja mesmo fazendo a bomba.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

AIEA pede que Irã abra programa nuclear

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o embaixador egípcio Mohamed ElBaradei, considerou na segunda-feira "lamentável" que o Irã não tenha suspendido o enriquecimento de urânio e a construção de um novo reator nuclear. Cabe ao Irã, alertou ElBaradei, resolver o conflito abrindo seu programa nuclear a inspeções internacionais para dissipar suspeitas.

A AIEA, órgão da ONU, está na terceira rodada de negociações com o Irã em torno das centrífugas P-1 e P-2, usadas para enriquecer urânio. Em baixos teores, o urânio enriquecido em baixos teores serve para produção de energia; em alto grau, vira carga de bomba atômica de urânio, como a de Hiroxima. O Irã também está fazendo um reator nuclear para produzir plutônio, carga da bomba de Nagasaque.

No domingo, em defesa da solução diplomática, ElBaradei alegou não ter provas de que o Irã está desenvolver armas nucleares. Quando visitei a agência, em Viena, em 1998, disseram que o Irã estaria desenvolvendo um programa nuclear, e não o Iraque. Não havia indícios contra Saddam Hussein, como o diretor-geral da AIEA deixou claro em seus depoimentos ao Conselho de Segurança das Nações Unidas nas audiências sobre as inspeções internacionais no Iraque.

Em novembro, ElBaradei apresentará relatório ao Conselho de Segurança sobre o programa nuclear iraniano. Sua declaração pede abertura. É improvável que o Irã concorde em abrir suas instalações nucleares.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad está sendo acusado de todos os lados pela crise econômica, o que o enfraquece politicamente. Mas o projeto nuclear é uma decisão estratégica. Começou por ordem do aiatolá Ruhollah Khomeini, em 1987.

Khomeini era contra a bomba atômica, que considerava antiislâmica, por matar todos indiscriminadamente. Mudou de idéia durante a Guerra Irã-Iraque, quando o país era arrasado na 'guerra das cidades'.

Então o mais provável é que o Irã negocie para ganhar tempo, sem real intenção de abrir mão de um programa estratégico para o regime dos aiatolás.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Irã pode enriquecer urânio em escala industrial

O Irã atingiu em agosto um nível de desenvolvimento tecnológico que pode lhe permitir enriquecer urânio em escala industrial dentro de seis meses, advertiu ontem o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei.

Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, ElBaradei, um diplomata egípcio, previu que o Irã não suspenderá o enriquecimento de urânio amanhã, quarta-feira, como exige uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ele se encontra hoje com o principal negociar nuclear iraniano, Ali Larijani, antes de encaminhar seu relatório à ONU.

Desde agosto, o Irã usa 164 centrífugas instaladas num projeto piloto na central nuclear de Natanz, apontada como um dos possíveis alvos de um bombardeio americano ou israelense para tentar destruir o programa nuclear do Irã.

Embora o regime fundamentalista iraniano insista em que seu programa nuclear tem fins pacíficos, os Estados Unidos estão convencidos de que o objetivo maior é desenvolver armas atômicas.