A crise dos migrantes e refugiados das guerras no Oriente Médio saiu das manchetes, mas continua matando. Desde o início do ano, o total de mortos em naufrágios no Mar Mediterrâneo chegou a 4.752, enquanto 175 mil conseguiram realizar a travessia.
O problema foi discutido mais uma vez hoje em Bruxelas pelos líderes da União Europeia, sem que tenha sido encontrada uma solução. Na discussão sobre de quem é a culpa pela tragédia humanitária, a agência europeia de patrulhamento de fronteiras Frontex acusou organizações não governamentais como Save the Children (Salve as Crianças) e Médicos sem Fronteiras (MsF) de estimular o tráfico humano por atuarem muito perto da costa da Líbia.
Em muitos casos, os traficantes embarcam os refugiados e migrantes em embarcações precárias, avisam as guardas costeiras europeias e as ONGs e abandonam seus passageiros em pleno mar.
Desde a morte de mais de mil pessoas numa semana, a UE mudou de atitude e passou a tentar resgatar ativamente as embarcações à deriva e os náufragos. Neste ano, o total de mortos aumentou 25%, mas não sensibilizou os europeus. Há uma rejeição generalizada a imigrantes e refugiados, especialmente muçulmanos, vistos como terroristas em potencial.
Na Alemanha, que recebeu quase 1 milhão de refugiados, a medida abalou a popularidade da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel e provocou a criação de um novo partido de ultradireita, Alternativa para a Alemanha, contrário à política de migração e à união monetária europeia. Outros governos, sob a pressão de populistas de extrema direita, se recusam a aceitar uma cota de refugiados proporcional à população.
Mais de 5 milhões de pessoas fugiram da Síria por causa da guerra civil deflagrada pelo regime terrorista de Bachar Assad contra seu próprio povo. A vitória na Batalha de Alepo, com o apoio da Rússia, do Irã e de milícias xiitas iranianas, iraquianas e libanesas, pode ser o inicio do fim da guerra. Como o ditador foi o principal responsável pela matança e a maioria da população síria é sunita, justamente o alvo das forças governistas, o fim da fuga para a Europa é improvável.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Um quarto das crianças do mundo passa fome
Uma em cada quatro crianças, cerca de 25%, não come o necessário para um crescimento sadio e 300 morrem de fome a cada hora, denuncia um novo relatório divulgado pela organização não governamental Save the Children (Salve as Crianças).
Cerca de 170 milhões de crianças de menos de 5 anos são subnutridas desde o nascimento porque suas mães não se alimentaram adequadamente para amamentá-las, e a situação está se agravando com a inflação mundial nos preços dos alimentos.
No início de 2008, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas alertou para uma crise causada pela alta nos preços dos alimentos. Com a crise financeira internacional, a inflação cedeu, mas o forte aumento do desemprego reduziu o poder de compra das populações mais pobres.
Agora, os preços voltam a subir. No Afeganistão, a alta foi de 25%; no Quênia, de 40%.
A inflação de alimentos e o desemprego foram as principais causas das revoltas populares da chamada Primavera Árabe, que derrubou ditadores na Tunísia, no Egito e na Líbia.
No relatório Uma Vida Livre da Fome: Atacando a Desnutrição Infantil, um terço dos pais disseram que seus filhos se queixam rotineiramente de que não têm comida suficiente. Uma em cada seis famílias nunca tem dinheiro para comprar carne, leite e legumes. No Afeganistão, 60% das crianças não comem o mínimo necessário para crescer.
"Se não houver uma ação conjunta, nos próximos 15 anos, teremos meio bilhão de crianças com desenvolvimento físico e mental prejudicado", adverte Justin Forsyth, ouvido pelo jornal inglês The Independent.
Como os pobres gastam a maior parte de sua renda com comida, uma em cada quatro famílias foi forçada a reduzir seu consumo de alimentos. Uma em cada seis crianças deixou a escola para ajudar seus pais a sustentar a família.
Cerca de 170 milhões de crianças de menos de 5 anos são subnutridas desde o nascimento porque suas mães não se alimentaram adequadamente para amamentá-las, e a situação está se agravando com a inflação mundial nos preços dos alimentos.
No início de 2008, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas alertou para uma crise causada pela alta nos preços dos alimentos. Com a crise financeira internacional, a inflação cedeu, mas o forte aumento do desemprego reduziu o poder de compra das populações mais pobres.
Agora, os preços voltam a subir. No Afeganistão, a alta foi de 25%; no Quênia, de 40%.
A inflação de alimentos e o desemprego foram as principais causas das revoltas populares da chamada Primavera Árabe, que derrubou ditadores na Tunísia, no Egito e na Líbia.
No relatório Uma Vida Livre da Fome: Atacando a Desnutrição Infantil, um terço dos pais disseram que seus filhos se queixam rotineiramente de que não têm comida suficiente. Uma em cada seis famílias nunca tem dinheiro para comprar carne, leite e legumes. No Afeganistão, 60% das crianças não comem o mínimo necessário para crescer.
"Se não houver uma ação conjunta, nos próximos 15 anos, teremos meio bilhão de crianças com desenvolvimento físico e mental prejudicado", adverte Justin Forsyth, ouvido pelo jornal inglês The Independent.
Como os pobres gastam a maior parte de sua renda com comida, uma em cada quatro famílias foi forçada a reduzir seu consumo de alimentos. Uma em cada seis crianças deixou a escola para ajudar seus pais a sustentar a família.
domingo, 18 de maio de 2008
Milhares estão sob ameaça de fome em Mianmar
Milhares de crianças correm risco de passar fome nas próximas semanas em Mianmar, a antiga Birmânia, onde a junta militar se nega a receber pessoal estrangeiro para distribuir os suprimentos recebidos como ajuda de outros países para os flagelados pelo ciclone Nargis, que arrasou a região do Delta do Rio Irrauade, há 16 dias. O alerta é da organização não-governamental Save the Children.
Há um grande frustração da sociedade internacional para resistência da ditadura militar que desgoverna Mianmar de permitir a entrada no país, por exemplo, de soldados americanos ou de um navio-hospital da Marinha da França, por medo de uma intervenção militar.
Os generais estão com a paranóia da invasão. Temem ser enquadrados na guerra contra o terrorismo. Na prática, estão aprisionando seu próprio povo, matando-o de fome e de doenças curáveis. Há diversas barreiras e pontos de controle pelas estradas, e não só para estrangeiros. A ditadura controla a movimentação dos birmaneses temendo uma revolta.
A estratégia das Nações Unidas para contornar a resistência do regime que, em 46 anos, transformou o maior exportador mundial de arroz num dos países mais pobres da Ásia é apelar para os países vizinhos da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a China e a Índia, que mantêm boas relações com a ditadura.
No domingo, o chefe da Junta Militar, general Than Shwe, finalmente visitou as vítimas do ciclone. Mais tarde, chegou ao país o subsecretário-geral para ajuda humanitária da ONU, John Holmes, em sua primeira viagem ao país depois da tragédia. Na quarta ou quinta-feira, o secretário-geral Ban Ki Moon vai a Yangum pressionar a junta a aceitar mais ajuda internacional e permitir o acesso de estrangeiros aos locais mais distantes e de difícil acesso.
Há um grande frustração da sociedade internacional para resistência da ditadura militar que desgoverna Mianmar de permitir a entrada no país, por exemplo, de soldados americanos ou de um navio-hospital da Marinha da França, por medo de uma intervenção militar.
Os generais estão com a paranóia da invasão. Temem ser enquadrados na guerra contra o terrorismo. Na prática, estão aprisionando seu próprio povo, matando-o de fome e de doenças curáveis. Há diversas barreiras e pontos de controle pelas estradas, e não só para estrangeiros. A ditadura controla a movimentação dos birmaneses temendo uma revolta.
A estratégia das Nações Unidas para contornar a resistência do regime que, em 46 anos, transformou o maior exportador mundial de arroz num dos países mais pobres da Ásia é apelar para os países vizinhos da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a China e a Índia, que mantêm boas relações com a ditadura.
No domingo, o chefe da Junta Militar, general Than Shwe, finalmente visitou as vítimas do ciclone. Mais tarde, chegou ao país o subsecretário-geral para ajuda humanitária da ONU, John Holmes, em sua primeira viagem ao país depois da tragédia. Na quarta ou quinta-feira, o secretário-geral Ban Ki Moon vai a Yangum pressionar a junta a aceitar mais ajuda internacional e permitir o acesso de estrangeiros aos locais mais distantes e de difícil acesso.
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