A ditadura militar de Mianmar, a antiga Birmânia, quer uma ajuda externa de US$ 11 bilhões para reconstruir o país e ajudar os 2,5 milhões de flagelados pelo ciclone Nargis, que arrasou parte do país há 20 dias. Mas o secretário-geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) avisou que uma ajuda substancial vai depender de planos claros, monitoramento e transparência no uso do dinheiro e dos recursos oferecidos pela sociedade internacional.
Ontem, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, chegou a Mianmar e sobrevoou a área mais atingida pela catástrofe, o Delta do Rio Irrauade, onde viu corpos jogados pelo chão, casas, ruas e estradas destruídas.
Profundamente chocado, Ban declarou que está na hora do governo de Mianmar e a ONU elaborarem um amplo programa de ajuda para as vítimas da tragédia, que teria matado cerca de 134 mil pessoas. Pela avaliação da ONU, só 25% dos 2,5 milhões de flagelados receberam ajuda até agora.
Hoje, o secretário-geral da ONU se encontra com o chefe da Junta Militar, general Than Shwe.
A Junta Militar quer US$ 11 bilhões, mas é acusada por organizações não-governamentais de roubar os biscoitos energéticos enviados pelo Programa Mundial de Alimentos para usar em operações militares.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 23 de maio de 2008
domingo, 18 de maio de 2008
Milhares estão sob ameaça de fome em Mianmar
Milhares de crianças correm risco de passar fome nas próximas semanas em Mianmar, a antiga Birmânia, onde a junta militar se nega a receber pessoal estrangeiro para distribuir os suprimentos recebidos como ajuda de outros países para os flagelados pelo ciclone Nargis, que arrasou a região do Delta do Rio Irrauade, há 16 dias. O alerta é da organização não-governamental Save the Children.
Há um grande frustração da sociedade internacional para resistência da ditadura militar que desgoverna Mianmar de permitir a entrada no país, por exemplo, de soldados americanos ou de um navio-hospital da Marinha da França, por medo de uma intervenção militar.
Os generais estão com a paranóia da invasão. Temem ser enquadrados na guerra contra o terrorismo. Na prática, estão aprisionando seu próprio povo, matando-o de fome e de doenças curáveis. Há diversas barreiras e pontos de controle pelas estradas, e não só para estrangeiros. A ditadura controla a movimentação dos birmaneses temendo uma revolta.
A estratégia das Nações Unidas para contornar a resistência do regime que, em 46 anos, transformou o maior exportador mundial de arroz num dos países mais pobres da Ásia é apelar para os países vizinhos da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a China e a Índia, que mantêm boas relações com a ditadura.
No domingo, o chefe da Junta Militar, general Than Shwe, finalmente visitou as vítimas do ciclone. Mais tarde, chegou ao país o subsecretário-geral para ajuda humanitária da ONU, John Holmes, em sua primeira viagem ao país depois da tragédia. Na quarta ou quinta-feira, o secretário-geral Ban Ki Moon vai a Yangum pressionar a junta a aceitar mais ajuda internacional e permitir o acesso de estrangeiros aos locais mais distantes e de difícil acesso.
Há um grande frustração da sociedade internacional para resistência da ditadura militar que desgoverna Mianmar de permitir a entrada no país, por exemplo, de soldados americanos ou de um navio-hospital da Marinha da França, por medo de uma intervenção militar.
Os generais estão com a paranóia da invasão. Temem ser enquadrados na guerra contra o terrorismo. Na prática, estão aprisionando seu próprio povo, matando-o de fome e de doenças curáveis. Há diversas barreiras e pontos de controle pelas estradas, e não só para estrangeiros. A ditadura controla a movimentação dos birmaneses temendo uma revolta.
A estratégia das Nações Unidas para contornar a resistência do regime que, em 46 anos, transformou o maior exportador mundial de arroz num dos países mais pobres da Ásia é apelar para os países vizinhos da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a China e a Índia, que mantêm boas relações com a ditadura.
No domingo, o chefe da Junta Militar, general Than Shwe, finalmente visitou as vítimas do ciclone. Mais tarde, chegou ao país o subsecretário-geral para ajuda humanitária da ONU, John Holmes, em sua primeira viagem ao país depois da tragédia. Na quarta ou quinta-feira, o secretário-geral Ban Ki Moon vai a Yangum pressionar a junta a aceitar mais ajuda internacional e permitir o acesso de estrangeiros aos locais mais distantes e de difícil acesso.
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terça-feira, 9 de outubro de 2007
Oposição rejeita exigências da ditadura birmanesa
A Liga Nacional pela Democracia, principal partido de oposição em Mianmar (ex-Birmânia), rejeitou hoje as exigências da ditadura militar para que sua líder, Aung Sang Suu Kyi, se encontre com o ditador, general Than Shwe. Quer conversar sem precondições.
Os militares querem que Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1991, teria de parar de pedir sanções internacionais contra o regime e de "abandonar a postura confrontacionista". Para a oposição, isso equivaleria a assumir a responsabilidade por crimes que ela não cometeu, inclusive os da Junta Militar, ao reprimir com violências manifestações lideradas por monges budistas a partir de 19 de agosto.
Acredita-se que centenas de pessoas foram mortas e que centenas de monges estariam presos. O repórter Fergal Keane, da BBC, famoso por cobrir o genocídio em Ruanda, entrou como turista em Mianmar e mostrou ontem imagens de espiões do regime nos principais templos budistas de Yangum, a maior cidade e antiga capital do país.
Os militares querem que Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1991, teria de parar de pedir sanções internacionais contra o regime e de "abandonar a postura confrontacionista". Para a oposição, isso equivaleria a assumir a responsabilidade por crimes que ela não cometeu, inclusive os da Junta Militar, ao reprimir com violências manifestações lideradas por monges budistas a partir de 19 de agosto.
Acredita-se que centenas de pessoas foram mortas e que centenas de monges estariam presos. O repórter Fergal Keane, da BBC, famoso por cobrir o genocídio em Ruanda, entrou como turista em Mianmar e mostrou ontem imagens de espiões do regime nos principais templos budistas de Yangum, a maior cidade e antiga capital do país.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Ditador pode encontrar líder da oposição birmanesa
O general Than Shwe, chefe da Junta Militar de Mianmar (ex-Birmânia), concordou em encontrar, sob condições, a líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, depois da onda de protestos liderados por monges budistas contra a ditadura que desgoverna o país há 45 anos, anunciou o enviado especial das Nações Unidas, Ibrahim Gambari.
As condições são duas:
• Suu Kyi deve parar de pedir sanções internacionais ao país; e
• deve convocar seus seguidos para que parem o que ditadura chama de "confrontação".
Para seus partidários no movimento pela democracia, isso equivale a assumir a responsabilidades por crimes que ela não cometeu, o que complica o encontro.
Centenas de pessoas podem ter sido mortas durante a violenta repressão. Depois da partida do enviado da ONU, o regime teria feito operações noturnas para prender opositores.
Suu Kyi, líder da Liga Nacional pela Democracia, venceu as eleições de 1990 mas não levou. Ganhou o Prêmio Nobel da Paz 1991, mas não pôde recebê-lo. Passou 11 dos últimos 18 anos sob prisão domiciliar.
Na mídia oficial, Suu Kyi é responsável pelas manifestações, para confrontação com as forças de segurança e pelas mortes, é "um fantoche de interesses estrangeiros". Quando uma marcha de monges budistas chegou até sua casa, ela foi colocada numa prisão de verdade.
Os protestos começaram em 19 de agosto, quando um corte de subsídios provocou uma alta de até 500% nos preços dos combustíveis, com efeito sobre toda a economia, inclusive com aumento de 35% no óleo de cozinha.
Numa sociedade altamente controlada, onde há 20 anos uma onda de manifestações estudantis terminou com 3 mil mortes, os monges budistas lideraram o movimento. Quando a polícia deu tiros para o ar por sobre a cabeça dos monges budistas, que são pacifistas por vocação, a revolta cresceu até que os militares fecharam o país, cortaram a Internet e mataram centenas de manifestantes.
Gambari já voltou a Nova Iorque e fez um relato da situação ao secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon.
As condições são duas:
• Suu Kyi deve parar de pedir sanções internacionais ao país; e
• deve convocar seus seguidos para que parem o que ditadura chama de "confrontação".
Para seus partidários no movimento pela democracia, isso equivale a assumir a responsabilidades por crimes que ela não cometeu, o que complica o encontro.
Centenas de pessoas podem ter sido mortas durante a violenta repressão. Depois da partida do enviado da ONU, o regime teria feito operações noturnas para prender opositores.
Suu Kyi, líder da Liga Nacional pela Democracia, venceu as eleições de 1990 mas não levou. Ganhou o Prêmio Nobel da Paz 1991, mas não pôde recebê-lo. Passou 11 dos últimos 18 anos sob prisão domiciliar.
Na mídia oficial, Suu Kyi é responsável pelas manifestações, para confrontação com as forças de segurança e pelas mortes, é "um fantoche de interesses estrangeiros". Quando uma marcha de monges budistas chegou até sua casa, ela foi colocada numa prisão de verdade.
Os protestos começaram em 19 de agosto, quando um corte de subsídios provocou uma alta de até 500% nos preços dos combustíveis, com efeito sobre toda a economia, inclusive com aumento de 35% no óleo de cozinha.
Numa sociedade altamente controlada, onde há 20 anos uma onda de manifestações estudantis terminou com 3 mil mortes, os monges budistas lideraram o movimento. Quando a polícia deu tiros para o ar por sobre a cabeça dos monges budistas, que são pacifistas por vocação, a revolta cresceu até que os militares fecharam o país, cortaram a Internet e mataram centenas de manifestantes.
Gambari já voltou a Nova Iorque e fez um relato da situação ao secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon.
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Junta mata pelo menos mais nove em Mianmar
As forças de segurança de Mianmar, no Sudeste Asiático, voltaram a atacar hoje os manifestantes que lutam pela democratização do país, depois de 45 anos de ditadura militar, matando pelo menos nove pessoas, inclusive um jornalista japonês.
Diversas vozes se erguem para pedir moderação à junta militar que transformou a antiga Birmânia num dos países mais fechados e corruptos do mundo, onde uma máfia de generais divide o poder e os lucros. O sociólogo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, relator das Nações Unidas para direitos humanos, que não tem autorização para entrar no país desde 2003, fez um apelo, pedindo uma intervenção internacional para "evitar um banho de sangue".
A chamada "via birmanesa para o socialismo" é o mercado negro explorado pelos déspotas.
Com o país virtualmente isolado e os jornalistas impedidos de entrar, os próprios mianmarense encarregam-se de produzir imagens das manifestações, muitas com câmeras simplificadas, de telefones celulares, e de difundi-las via internet. Na era da informação, é cada mais difícil para ditadores controlar as notícias sobre o massacre de seu próprio povo.
Entre as imagens que circulam na Internet, está a festa de casamento da filha do ditador-mor, general Than Shwe.
Os Estados Unidos anunciaram o reforço das sanções econômicas que impõem a Mianmar e seus dirigentes sanguinários e corruptos desde 1997. Podem, por exemplo, fazer o que fizeram contra o regime stalinista da Coréia do Norte: bloquear suas contas bancárias no exterior.
Diversas vozes se erguem para pedir moderação à junta militar que transformou a antiga Birmânia num dos países mais fechados e corruptos do mundo, onde uma máfia de generais divide o poder e os lucros. O sociólogo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, relator das Nações Unidas para direitos humanos, que não tem autorização para entrar no país desde 2003, fez um apelo, pedindo uma intervenção internacional para "evitar um banho de sangue".
A chamada "via birmanesa para o socialismo" é o mercado negro explorado pelos déspotas.
Com o país virtualmente isolado e os jornalistas impedidos de entrar, os próprios mianmarense encarregam-se de produzir imagens das manifestações, muitas com câmeras simplificadas, de telefones celulares, e de difundi-las via internet. Na era da informação, é cada mais difícil para ditadores controlar as notícias sobre o massacre de seu próprio povo.
Entre as imagens que circulam na Internet, está a festa de casamento da filha do ditador-mor, general Than Shwe.
Os Estados Unidos anunciaram o reforço das sanções econômicas que impõem a Mianmar e seus dirigentes sanguinários e corruptos desde 1997. Podem, por exemplo, fazer o que fizeram contra o regime stalinista da Coréia do Norte: bloquear suas contas bancárias no exterior.
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