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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Ditadura de Mianmar quer US$ 11 bilhões

A ditadura militar de Mianmar, a antiga Birmânia, quer uma ajuda externa de US$ 11 bilhões para reconstruir o país e ajudar os 2,5 milhões de flagelados pelo ciclone Nargis, que arrasou parte do país há 20 dias. Mas o secretário-geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) avisou que uma ajuda substancial vai depender de planos claros, monitoramento e transparência no uso do dinheiro e dos recursos oferecidos pela sociedade internacional.

Ontem, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, chegou a Mianmar e sobrevoou a área mais atingida pela catástrofe, o Delta do Rio Irrauade, onde viu corpos jogados pelo chão, casas, ruas e estradas destruídas.

Profundamente chocado, Ban declarou que está na hora do governo de Mianmar e a ONU elaborarem um amplo programa de ajuda para as vítimas da tragédia, que teria matado cerca de 134 mil pessoas. Pela avaliação da ONU, só 25% dos 2,5 milhões de flagelados receberam ajuda até agora.

Hoje, o secretário-geral da ONU se encontra com o chefe da Junta Militar, general Than Shwe.

A Junta Militar quer US$ 11 bilhões, mas é acusada por organizações não-governamentais de roubar os biscoitos energéticos enviados pelo Programa Mundial de Alimentos para usar em operações militares.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Reino Unido estima mortes em Mianmar em 200 mil

A junta militar que desgoverna Mianmar, a antiga Birmânia, elevou para 78 mil o número total de mortos e para 56 mil o de desaparecidos no ciclone Nargis, há duas semanas. Mas o governo da Grã-Bretanha, a antiga potência colonial que dominou o país, estima que o total chegue a 200 mil.

Apesar dos renovados apelos de organizações internacionais, a ditadura militar birmanesa insiste em que a operação de socorro aos 2,5 milhões de flagelados vai bem e não precisa da ajuda de pessoal externo.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, considerou "desumano" o que os generais birmaneses estão fazendo com seu próprio povo, ao não oferecer o máximo de ajuda possível.

Na Tailândia, o comissário europeu para desenvolvimento e ajuda humanitária, Louis Michel, manifestou mais uma vez a frustração da União Européia: "Queremos ajudar. Nenhum país é capaz de lidar sozinho com uma tragédia dessas dimensões."

Mais quatro aviões militares de transporte C-130 dos Estados Unidos pousaram hoje em Yangum. Metade da carga será entregue diretamente a organizações não-governamentais, declarou Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado, acrescentado que haveria progresso nas negociações para obter mais vistos para estrangeiros entrarem em Mianmar.

O embaixador da França nas Nações Unidas acusou a ditadura de estar à beira de um "crime contra a humanidade" por não autorizar a entrada no país de um navio francês equipado com helicópteros, pequenos botes e um hospital de campanha: "É operado pela Marinha francesa mas não é um navio de guerra. Ainda estamos tentado conseguir autorização. Espero que não recusem."

quarta-feira, 14 de maio de 2008

ONU diz que Mianmar tem 2,5 milhões de flagelados

A Cruz Vermelha estimou hoje em até 128 mil o total de vítimas e as Nações Unidas elevaram para até 2,5 milhões sua estimativa sobre o número de flagelados pela passagem do ciclone Nargis há 11 dias em Mianmar, a antiga Birmânia. Mas a ditadura militar que desgoverna o país há 46 anos insiste em não aceitar a presença estrangeira e já é acusada por organizações não-governamentais de roubar os alimentos enviados para as vítimas da tragédia.

Depois de um encontro de duas horas em Yangum entre os primeiros-ministros da Tailândia, Samak Sundaravej, e de Mianmar, Thein Sein, coube ao chefe de governo tailandês mandar a mensagem da junta militar mianmarense: "Mianmar é um país de 60 milhões de habitantes. Tem governo, povo e setor privado que podem resolver o problema sozinhos. Não há fome nem epidemias no país."

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, David Miliband, herdeiro da corrente de Tony Blair no Partido Trabalhista britânico, ameaçou mais uma vez usar a força.

A ONU está negociando com a Tailândia a abertura de um corredor terrestre para entregar a ajuda aos milhões de flagelados, já que o regime militar de Mianmar rejeitou a proposta de abertura de um corredor aéreo e marítimo.

Mais cinco aviões militares de transporte dos Estados Unidos levaram suprimentos hoje para Yangum. Até agora, houve oito vôos com ajuda americana, no total de 90 toneladas. Mas a junta rejeitou a entrada no país da Marinha dos EUA.

"Água, comida, equipamento sanitário, suprimentos médicos e material para fazer abrigos estão chegando ao país em quantidades cada vez maiores", declarou o subsecretário-geral da ONU para ajuda humanitária, John Holmes. "A questão é quanto desta ajuda está chegando às áreas e pessoas afetadas. O quadro não é muito claro."

Sem a ajuda de estrangeiros, o socorro às vítimas é mais lento. Aumenta o risco de epidemias: "Os especialistas dizem que entre 10 a 14 dias depois de um desastre desses, quando as condições são insanas e as pessoas não recebendo a ajuda que necessitam, comida, água limpa e abrigo, e se juntam para enfrentar a situação, uma doença pode se propagar rapidamente."

Corriam rumoes pelas ruas de Yangum nesta quarta-feira que a junta militar trocou os biscoitos energéticos enviados pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU, que contêm todos os nutrientes e vitaminas necessários para pessoas em situação de emergência, por biscoitos comuns de água e sal. Teria guardado o melhor para os militares de Mianmar.

Para agravar ainda mais uma situação que já é trágica, outra grande tempestade que pode se transformar num ciclone tropical está se formando na região e deve cruzar o Delta do Rio Irrauade, arrasado pelo ciclone Nargis.

domingo, 11 de maio de 2008

Ajuda lenta agrava tragédia em Mianmar

Especialistas em ajuda de emergência contra catástrofes naturais - ainda proibidos de entrar em Mianmar, a antiga Birmânia, nove dias depois do ciclone Nargis, que arrasou o país matando cerca de 100 mil pessoas -, advertem que podem ser necessárias semanas para atingir muitas vítimas por causa da infra-estrutura precária do país.

Cerca de 1,5 milhão de flagelados, dos quais 200 mil estariam se concentrando em acampamentos ao longo da costa do Oceano Índico, correm sério risco de pegar malária, cólera e outras doenças capazes de matar. Para a organização não-governamental britânica Oxfam (Oxford Famine Relief), o maior problema é a contaminação da água por cadáveres em estado de putrefação.

"Uma catástrofe natural está se transformando numa tragédia ainda maior por causa da negligência maligna do regime militar", alertou o secretário do Exterior britânico, David Miliband.

No aeroporto de Yangum, a ajuda continua a ser descarregada manualmente dos aviões que chegam com suprimentos para as vítimas do ciclone.

A possibilidade de revolta popular também aumenta, embora os rumores divulgados até agora não tenham sido confirmados. Mas o desespero dos flagelados cresce. Muitos estariam vagando em busca de água e comida.