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sábado, 2 de abril de 2022

Hoje na História do Mundo: 2 de Abril

MALVINAS ARGENTINAS

    Em 1982, em meio à guerra suja contra as esquerdas, sob pressão internacional por causa das violações dos direitos humanos, a ditadura militar da Argentina invade as Ilhas Malvinas, que os ingleses chamam de Falklands, uma colônia do Império Britânico desde 1833, perdida no Sul do Oceano Atlântico.

Nos anos 1970, há uma possibilidade de negociação de soberania, a exemplo do acertado em 1984 para devolver Hong Kong à China, mas a violência do regime militar instalado em Buenos Aires em 24 de março de 1976, acusado da morte de 30 mil pessoas, inibe qualquer iniciativa.

A Argentina proclama a independência em 1816. Quatro anos depois, reivindica a soberania sobre as Malvinas. Chega a erguer um forte na Ilha do Leste, em 1832, destruída pela Marinha Real.

Em 1981, em plebiscito, os 1,8 mil kelpers, nome dos colonos britânicos, decidem manter o vínculo com a coroa britânica. No mesmo ano, em 22 de dezembro, o comandante do Exército, general Leopoldo Fortunato Galtieri, assume a Presidência da Argentina.

Para dar um golpe dentro do golpe e se tornar ditador, Galtieri promete à Marinha, a mais poderosa força armada argentina, tomar as Malvinas, pressupondo que o Império Britânico não iria à guerra por "umas ilhotas". 

As forças de assalto anfíbio da Argentina logo dominaram a pequena guarnição de fuzileiros navais britânicos em Porto Stanley, a capital das Falklands. No dia seguinte, tomam as ilhas Sanduíche e a Geórgia do Sul. 

Mas grandes potências não costumam ser humilhadas. A primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, envia uma força-tarefa de 30 navios de guerra, que percorrem 13 mil quilômetros para chegar às Malvinas.

Em 25 de abril, os britânicos reconquistam a Geórgia do Sul e prendem o governador militar argentino, o capitão Alfredo Astiz, mais conhecido como o Anjo da Morte, um notório torturador e assassino, responsável pela morte de Dagmar Hagelin, uma adolescente sueco-argentina de 17 anos, e de freiras francesas, quando servia na Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), o pior centro de detenção e tortura da ditadura militar. Depois da guerra, Thatcher ignora os pedidos de extradição e solta o monstro.

As tropas britânicas desembarcam na Malvina do Leste em 21 de maio. Os argentinos se rendem em 14 de junho. Ao todo, 649 argentinos, 255 militares três civis britânicos morrem na Guerra das Malvinas. Desmoralizada, a junta militar argentina convoca eleições e devolve o poder aos civis em 10 de dezembro de 1983.

Thatcher obtém, em 1983, sua maior vitória eleitoral e a mais ampla maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico desde 1935. A partir daí, adota suas medidas mais radicais, enfrenta e derrota uma grave de mineiros de um ano e amplia o programa de privatização.

MORTE DE JOÃO PAULO II

    Em 2005, João Paulo II, o papa que mais viajou na história e o primeiro não italiano desde o século 16, no fim de um pontificado que fez história ao lutar contra o comunismo na Europa Oriental e na sua nativa Polônia. 

Seis dias depois, dois milhões de pessoas participaram do funeral, um dos maiores da história, na Cidade do Vaticano.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Moradores das Malvinas votam para ficar no Reino Unido

Dos 1.513 eleitores que foram às urnas ontem e hoje nas Ilhas Malvinas ou Falklands, 98,8% votaram a favor de permanecer ligados ao Reino Unido, rejeitando a reivindicação da Argentina de soberania sobre o arquipélago.

A Argentina nega legitimidade ao referendo alegando que a população britânica foi introduzida na ilha. Cerca de 75% dos argentinos apoiam a reivindicação de soberania, que vem de 1820.

O holandês Sebald de Weerdt foi o primeiro navegador a comprovadamente avistar as ilhas, em 1600. Os índios araucanos podem ter estado lá, mas não havia seres humanos nas ilhas naquela época. Quem primeiro desembarcou lá foi o inglês John Strong, que batizou o estreito entre as duas ilhas em homenagem ao Visconde Falkland. Essa foi a origem do nome britânico.

Malvinas vêm de Malouines, nome dado pelo francês Louis-Antoine de Bouganville, que fundou a primeira povoação nas ilhas, em 1764, na Malvina Leste. Os ingleses se instalaram na Malvina Oeste em 1765, de onde foram expulsos em 1770 pela Espanha, que haviam comprado as ilhas da França em 1767. Isso reforça o argumento da Argentina, herdeira do Império Espanhol.

Sob ameaça de guerra, o Império Britânico restabeleceu sua presença em 1771, mas abandonou o arquipélago em 1774 por razões econômicas. Só voltou em 1833, definitivamente, expulsando os argentinos das ilhas.

A Espanha manteve a colônia na Malvina Leste, que chamava de Ilha de Solidão até 1811, quando estava sob a ocupação da França de Napoleão, o que deflagrou a independência de suas colônias na América Latina, a começar pelo México em 1810.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a Argentina aproveitou a onda de descolonização da Ásia e da África para levar sua reivindicação de soberania sobre as Malvinas às Nações Unidas, em 1964. As alegações argentinas citam o Tratado de Tordesilhas, de 1494, a herança como ex-colônia espanhola, a proximidade das ilhas da América do Sul e a necessidade de acabar com o colonialismo.

Em 1965, a Assembleia Geral da ONU aprovou resolução aconselhando as duas partes a negociar. Havia uma negociação em andamento nos moldes da que levou à devolução de Hong Kong à China, em 1997, mas os crimes contra a humanidade cometidos pela ditadura militar argentina implantada em 1976 tornaram um acordo inviável.

Durante a guerra suja argentina, que teve 30 mil mortos ou desaparecidos, as juntas militares delinquentes que aterrorizaram o país resolveram invadir as ilhas, talvez para aplacar a oposição interna com um inimigo externo. O general Leopoldo Galtieri teria oferecido as Malvinas para obter o apoio da Marinha para derrubar o general Roberto Eduardo Viola e se tornar presidente da Argentina.

Em 2 de abril de 1982, sob as ordens de Galtieri, convencidos de que "os ingleses não iam brigar por umas ilhotas", a Argentina tomou de assalto as Ilhas Malvinas. O Reino Unido, na época governado por Margaret Thatcher, enviou uma força-tarefa liderada por dois porta-aviões a uma distância de 13 mil quilômetros do país.

Na época, o embaixador brasileiro Roberto Campos, que representava os interesses da Argentina, rompida com o Reino Unido, disse a Thatcher que sairia muito mais barato reassentar os menos de 2 mil kelpers, como são conhecidos os habitantes das Malvinas, no Norte da Escócia, onde o clima é semelhante. Mas uma grande potência não aceita ser humilhada. Thatcher foi à guerra.

Em 25 de abril, uma força que estava na Ilha da Ascensão, outra possessão britânica no Atlântico Sul, retomou as Ilhas Geórgias do Sul, onde o capitão Alfredo Astiz, o Anjo da Morte, acusado de atirar pelas costas numa menina sueco-argentina de 17 durante a guerra suja, se rendeu sem disparar um tiro. Thatcher se negou a entregá-lo para julgamento na França ou na Suécia, onde era acusado pelos crimes da ditadura.

A fraqueza argentina ficou evidente quando o obsoleto cruzador General Belgrano foi afundado fora da zona de exclusão, em 2 de maio. Mais de 300 argentinos morreram. A reação argentina mais forte partiu de aviões de guerra franceses Super Etendard da Marinha, que faziam voos rasantes para escapar dos radares e disparavam mísseis Exocet. Em 4 de maio, eles botaram a pique o destróiter Sheffield. A esta altura da guerra, a Argentina tinha perdido 20% de sua frota áerea.

Os britânicos desembarcaram nas Malvinas em 21 de maio, mas só conseguiram tomar a capital, Porto Stanley, em 14 de junho, quando os argentinos se renderam. Pelo menos 649 argentinos e 258 britânicos foram mortos na Guerra das Malvinas.

Desde então, o Reino Unido se nega a negociar e alega que qualquer decisão terá de ser aprovada pelos atuais moradores das ilhas, que não têm a menor intenção de viver sob a soberania da Argentina. A Grã-Bretanha usa o mesmo argumento para rejeitar a reivindicação da Espanha sobre Gibraltar. Mas quando Thatcher fez um acordo com Deng Xiaoping, em 1984, para devolver Hong Kong à China em 1997, não submeteu a decisão aos moradores da então colônia britânica.