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domingo, 18 de dezembro de 2022

França participou de momentos decisivos da história da Argentina

A Argentina venceu a França nos pênaltis numa das finais mais emocionantes da história das Copas. Os dois países tiveram vários encontros ao longo da história.

A França foi o primeiro país a ocupar uma das Ilhas Malvinas. As guerras napoleônicas deflagraram a independência dos países da América Latina. A França interveio em guerras contra o caudilho Juan Manuel de Rosas. Levou a indústria do frio, que transformou a Argentina num dos países mais ricos do mundo no início do século 20. Durante a guerra suja da última ditadura militar contra a esquerda, o capitão Alfredo Astiz, o Anjo Louro da Morte, assassinou duas freiras francesas. Meu comentário:

segunda-feira, 11 de março de 2013

Moradores das Malvinas votam para ficar no Reino Unido

Dos 1.513 eleitores que foram às urnas ontem e hoje nas Ilhas Malvinas ou Falklands, 98,8% votaram a favor de permanecer ligados ao Reino Unido, rejeitando a reivindicação da Argentina de soberania sobre o arquipélago.

A Argentina nega legitimidade ao referendo alegando que a população britânica foi introduzida na ilha. Cerca de 75% dos argentinos apoiam a reivindicação de soberania, que vem de 1820.

O holandês Sebald de Weerdt foi o primeiro navegador a comprovadamente avistar as ilhas, em 1600. Os índios araucanos podem ter estado lá, mas não havia seres humanos nas ilhas naquela época. Quem primeiro desembarcou lá foi o inglês John Strong, que batizou o estreito entre as duas ilhas em homenagem ao Visconde Falkland. Essa foi a origem do nome britânico.

Malvinas vêm de Malouines, nome dado pelo francês Louis-Antoine de Bouganville, que fundou a primeira povoação nas ilhas, em 1764, na Malvina Leste. Os ingleses se instalaram na Malvina Oeste em 1765, de onde foram expulsos em 1770 pela Espanha, que haviam comprado as ilhas da França em 1767. Isso reforça o argumento da Argentina, herdeira do Império Espanhol.

Sob ameaça de guerra, o Império Britânico restabeleceu sua presença em 1771, mas abandonou o arquipélago em 1774 por razões econômicas. Só voltou em 1833, definitivamente, expulsando os argentinos das ilhas.

A Espanha manteve a colônia na Malvina Leste, que chamava de Ilha de Solidão até 1811, quando estava sob a ocupação da França de Napoleão, o que deflagrou a independência de suas colônias na América Latina, a começar pelo México em 1810.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a Argentina aproveitou a onda de descolonização da Ásia e da África para levar sua reivindicação de soberania sobre as Malvinas às Nações Unidas, em 1964. As alegações argentinas citam o Tratado de Tordesilhas, de 1494, a herança como ex-colônia espanhola, a proximidade das ilhas da América do Sul e a necessidade de acabar com o colonialismo.

Em 1965, a Assembleia Geral da ONU aprovou resolução aconselhando as duas partes a negociar. Havia uma negociação em andamento nos moldes da que levou à devolução de Hong Kong à China, em 1997, mas os crimes contra a humanidade cometidos pela ditadura militar argentina implantada em 1976 tornaram um acordo inviável.

Durante a guerra suja argentina, que teve 30 mil mortos ou desaparecidos, as juntas militares delinquentes que aterrorizaram o país resolveram invadir as ilhas, talvez para aplacar a oposição interna com um inimigo externo. O general Leopoldo Galtieri teria oferecido as Malvinas para obter o apoio da Marinha para derrubar o general Roberto Eduardo Viola e se tornar presidente da Argentina.

Em 2 de abril de 1982, sob as ordens de Galtieri, convencidos de que "os ingleses não iam brigar por umas ilhotas", a Argentina tomou de assalto as Ilhas Malvinas. O Reino Unido, na época governado por Margaret Thatcher, enviou uma força-tarefa liderada por dois porta-aviões a uma distância de 13 mil quilômetros do país.

Na época, o embaixador brasileiro Roberto Campos, que representava os interesses da Argentina, rompida com o Reino Unido, disse a Thatcher que sairia muito mais barato reassentar os menos de 2 mil kelpers, como são conhecidos os habitantes das Malvinas, no Norte da Escócia, onde o clima é semelhante. Mas uma grande potência não aceita ser humilhada. Thatcher foi à guerra.

Em 25 de abril, uma força que estava na Ilha da Ascensão, outra possessão britânica no Atlântico Sul, retomou as Ilhas Geórgias do Sul, onde o capitão Alfredo Astiz, o Anjo da Morte, acusado de atirar pelas costas numa menina sueco-argentina de 17 durante a guerra suja, se rendeu sem disparar um tiro. Thatcher se negou a entregá-lo para julgamento na França ou na Suécia, onde era acusado pelos crimes da ditadura.

A fraqueza argentina ficou evidente quando o obsoleto cruzador General Belgrano foi afundado fora da zona de exclusão, em 2 de maio. Mais de 300 argentinos morreram. A reação argentina mais forte partiu de aviões de guerra franceses Super Etendard da Marinha, que faziam voos rasantes para escapar dos radares e disparavam mísseis Exocet. Em 4 de maio, eles botaram a pique o destróiter Sheffield. A esta altura da guerra, a Argentina tinha perdido 20% de sua frota áerea.

Os britânicos desembarcaram nas Malvinas em 21 de maio, mas só conseguiram tomar a capital, Porto Stanley, em 14 de junho, quando os argentinos se renderam. Pelo menos 649 argentinos e 258 britânicos foram mortos na Guerra das Malvinas.

Desde então, o Reino Unido se nega a negociar e alega que qualquer decisão terá de ser aprovada pelos atuais moradores das ilhas, que não têm a menor intenção de viver sob a soberania da Argentina. A Grã-Bretanha usa o mesmo argumento para rejeitar a reivindicação da Espanha sobre Gibraltar. Mas quando Thatcher fez um acordo com Deng Xiaoping, em 1984, para devolver Hong Kong à China em 1997, não submeteu a decisão aos moradores da então colônia britânica.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Empresa britânica descobre gás nas Ilhas Malvinas

A empresa britânica Borders & Southern Petroleum anunciou hoje ter feito uma descoberta de gás significativa no campo de Darwin ao sul das Ilhas Malvinas, o que deve acirrar o conflito entre o Reino Unido e a Argentina, que reivindica a soberania sobre as ilhas, motivo de uma guerra entre os dois países há 30 anos.

É cedo para estimar o tamanho da jazida, mas a companhia aposta que se trata de um grande volume. As ações da empresa caíram 30% hoje por não ter sido encontrado petróleo, depois de terem subido 90% na semana passada na esperança de descoberta de óleo.

domingo, 10 de outubro de 2010

Argentina protesta contra manobra militar nas Malvinas

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, enviou carta às Nações Unidas protestando contra a realização de manobras militares do Reino Unido nas Ilhas Malvinas, que os britânicos chamam de Falklands.

Em uma de suas frequentes mensagens pelo Twitter, o ministro do Exterior argentino, Héctor Timerman, denunciou uma suposta tentativa de militarização do Sul do Oceano Atlântico e atribuiu isso ao imperialismo e à prospecção de petróleo nas ilhas.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Reino Unido envia submarino para Malvinas

Diante dos protestos da Argentina contra a exploração de petróleo, o Reino Unido enviou um submarino para reforçar a segurança das Ilhas Malvinas, revelaram hoje os jornais ingleses The Times e Daily Telegraph.

Ontem à noite, o ministro do Exterior da Argentina, Jorge Taiana, protestou pessoalmente junto ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, em Nova York.

A Argentina invoca uma resolução da ONU que exigiria um acordo para a exploração econômica das ilhas, mas o governo britânico alega que a soberania das Malvinas, que chama de Falklands, não está em questão.

A plataforma da discórdia está estacionada a 240 quilômetros das ilhas. Na segunda-feira, começou a perfurar o fundo do mar em busca de petróleo.

Em reunião de cúpula no México, os países latino-americanos deram apoio à reivindicação argentina de soberania sobre as ilhas. A imprensa britânica atribui a crise ao "desespero político" da presidente Cristina Kirchner, que hoje só tem o apoio de 20% do eleitorado.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Argentina ameaça empresas que explorem Malvinas

A Argentina ameaçou aplicar sanções contra empresas que explorem petróleo e gás nas Ilhas Malvinas e o mar territorial a seu redor. Aproveita a oportunidade para exigir a reabertura das negociações sobre a soberania sobre as ilhas.

O conflito, que provocou uma guerra contra o Reino Unido em 1982, voltou agora com a decisão britânica de procurar petróleo e gás na região.

Há quatro dias, a presidente Cristina Kirchner proibiu que navios a caminho das ilhas façam escala em portos argentinos, numa tentativa de impedir que os equipamentos para prospecção cheguem às Malvinas.

Ontem, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, declarou estar confiante numa solução diplomática para aliviar a tensão, mas reafirmou o que considera o direito de explorar as ilhas, que os britânicos chamam de Faklands.

As Ilhas Malvinas foram descobertas por navegadores europeus no fim do século 17. Fazem parte de um arquipélago situado no Sul do Oceano Atlântico, com duas grande ilhas que ficam a cerca de 480 quilômetros da Patagônia argentina.

Em 1764, os franceses iniciaram a primeira tentativa de colonização, estabelecendo uma base na ilha que os argentinos chamam de Grande Malvina e os ingleses de Falkland Oriental. Em 1765, os britânicos ocuparam a ilha de Soledad ou Falkland Ocidental.

Cinco anos depois, em 1770, a Espanha comprou a possessão francesa e expulsou os britânicos, mas eles voltaram no ano seguinte.

Diante do custo elevado de manter uma colônia a 10 mil quilômetros de distância da metrópole, o Império Britânico abandonou as Falklands, mas não sua reivindicação de soberania sobre as ilhas.

Em 1820, depois que a Argentina se tornou independente da Espanha, ocupou as Malvinas, retomadas pelo Império Britânico em 1833.

Desde então, a Argentina exige a devolução das ilhas, consideradas um enclave colonialista na América do Sul. Nas escolas argentinas, as crianças do país aprendem caligrafia escrevendo "Las Malvinas son argentinas" e "Son argentinas las Malvinas".

Nos anos 70 do século passado, o Reino Unido, querendo se livrar do fardo de colônias de custo elevado, começou uma negociação diplomata discreta no mesmo modelo que seria usado no acordo de 1984 que devolveu Hong Kong à China em 1º de julho de 1997. Mas o golpe militar de 24 de março de 1976 e o regime sanguinário que tomou o poder, acusado pelo desaparecimento de 30 mil pessoas, fizeram o governo britânico congelar as negociações.

Em 2 de abril de 1982, a Argentina invadiu as ilhas. O assalto seria fruto de um acordo do ditador Leopoldo Fortunato Galtieri com a Marinha argentina. Para obter o apoio da mais poderosa das três armas argentinas para sua ambição de passar do comando do Exército para a Presidência, Galtieri teria oferecido as Malvinas.

O ditador estaria convencido de que "os ingleses não iriam lutar por uma ilhazinhas". Mas a primeira-ministra britânica conservadora Margaret Thatcher não aceitou a humilhação. Afinal, grandes potências não costumam aceitar a conquista de seus territórios.

Depois de muita discussão no Parlamento Britânico, uma força expedicionária foi enviada para retomar as ilhas. Em missões heroicas, pilotos da Marinha argentina fizeram voos rasantes, a cinco a dez metros acima da superfície do Atlântico para iludir os radares e atacar a frota inimiga com mísseis franceses Exocet.

Se tivessem afundado mais navios britânicos, talvez a opinião pública do Reino Unido tivesse mudado de ideia e passado a rejeitar a ação militar. Mas, quando a força expedicionária chegou às ilhas, obteve uma vitória fácil.

Os primeiros comandos britânicos desembarcaram nas Malvinas em 21 de abril. Sob pressão do clima rigoroso do outono no Sul do Atlântico, se retiraram no dia seguinte.

Em 1º de maio, as forças britânicas lançaram a operação terrestre. No dia seguinte, o submarino nuclear britânico Conqueror afundou o cruzador argentino General Belgrano, matando 323 argentinos fora da zona de exclusão imposta pelos britânicos ao redor das ilhas, o que provocou uma reação internacional negativa para Thatcher.

Mais de 700 marinheiros foram salvos das águas geladas. Acuada, a ditadura militar argentina radicalizou ainda mais sua posição, mas a ameaça da Marinha estava neutralizada.

Dois dias depois, um Exocet atingiu o contratorpedeiro britânico Sheffield, que foi abandonado e queimou durante seis dias. Foi um dos episódios que poderiam ter virado a opinião pública na Grã-Bretanha.

Por causa da eficiência dos aviões franceses Etendart e dos mísseis Exocet, os britânicos chegaram a fazer plano para ataque sua base, em Rio Grande, na Terra do Fogo. Seria um ataque ao território continental da Argentina, numa ampliação significativa da guerra.

Para o comando das forças de elite das Forças Armadas britânicas, seria uma operação suicida.

Em 21 de maio, a força-tarefa britânica lançou uma operação de assalto anfíbio nas praias próximas da Baía de São Carlos, na costa noroeste da Grande Malvina.

Sem treinamento, armas adequadas e roupas para resistir ao frio e ao exército profissional do Reino Unido, os reservistas argentinos, convocados sob a ameaça de pena de morte por deserção, se entregaram em alguns casos em troca de abrigo e comida.

A última batalha da guerra, para tomada da capital, que os britânicos chamam de Porto Stanley e os argentinos de Porto Argentino, começou em 11 de junho.

Em 14 de junho, depois de 74 dias de guerra, a Argentina se rendeu. Ao todo, 907 pessoas morreram na Guerra das Malvinas: 649 argentinos, 255 militares britânicos e três mulheres civis residentes nas ilhas.

A derrota vergonhosa completou a desmoralização da ditadura militar argentina e apressou a volta de democracia, com impacto sobre toda a América Latina.

O capitão Alfredo Astiz era conhecido como Anjo da Morte por suas atividades terroristas nos esqudrões da morte da Escola de Mecânica da Armada (ESMA) contra grupos esquerdistas, inclusive o assassinato de uma garota sueco-argentina de 17 anos, Dagmar Hagelin, com um tiro pelas costas. Nomeado governador das Ilhas Geórgias do Sul, se entregou sem disparar um tiro.

Vários grupos de defesa dos direitos humanos e o governo da Suécia pressionaram o governo Thatcher a entregar Astiz. Thatcher, que apoiara a ditadura no seu confronto com grupos de esquerda, assim como sempre apoiou a ditadura do general Augusto Pinochet no Chile, preferiu devolvê-lo à Argentina.

Galtieri e sua junta militar caíram, sendo substituídos pelo general Reinaldo Bignone, que convocaria eleições diretas em 1983, vencidas por Raúl Alfonsín, marco da redemocratização do país.

Se a Guerra das Malvinas serviu para algo na Argentina, foi para acabar com a ditadura.

No Reino Unido, fortalecida politicamente pela vitória, Margaret Thatcher obteve sua maior vitória eleitoral nas eleições parlamentares de 1983. Consolidou o poder, ampliou o programa de privatizações e partiu para o enfrentamento com os sindicatos.

A prova de fogo foi uma greve de mineiros de carvão que durou 11 meses, em 1984 e 1985. Thatcher venceu, reduzindo o poder do sindicalismo britânico.

Desde 1994, a Constituição da Argentina obriga o presidente a lutar pela soberania sobre as Ilhas Malvinas. Caso contrário, pode ser alvo de processo de impedimento por crime de responsabilidade. Mas será preciso um governo menos oportunista do que o do casal Kirchner em Buenos Aires para que as negociações diplomáticas avancem.

Na posição do governo britânico, qualquer mudança de status nas últimas colônias do império depende da aprovação dos moradores do território. Isso impede as negociações com a Espanha sobre Gibraltar, já que os habitantes, na maioria britânicos, são contra.

Pouco mais de 3 mil kelpers vivem nas Malvinas e não aceitam viver sob domínio argentino.

Durante a guerra, o embaixador do Brasil em Londres, Roberto Campos, argumentou junto ao governo Thatcher que seria muito mais barato reassentar os kelpers na Escócia, que tem um clima semelhante ao das Malvinas. Mas impérios, mesmo decadentes, não aceitam ser humilhados.

O Brasil apoiava a reivindicação argentina de soberania sobre as ilhas, mas rejeitava o uso da força. Mantém essa posição até hoje.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Cristina Kirchner assume presidência argentina

A senadora e primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner assumiu nesta segunda-feira, 10 de novembro de 2007, a Presidência da Argentina para cumprir um mandato de quatro anos.

Primeira mulher eleita para o cargo, tragicamente ocupado pela viúva do general Juan Domingo Perón, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, após a morte do caudilho, em 1974, Cristina quer ser comparada à sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

Como em 1952, Evita foi rejeitada mesmo para vice, houve uma inegável evolução na Argentina. Mas Cristina não se ilude: o poder em seu país ainda é um ambiente dominado pelos homens.

No seu discurso de posse, ela prometeu reforçar as instituições, que não é a regra do peronismo. Defendeu um modelo de crescimento econômico com inclusão social e plena inserção no mundo, o que fortalece a opinião de que tentará um acordo com os credores que não aceitaram a renegociação da dívida argentina feita pelo governo de seu marido, Néstor Kirchner.

Cristina Kirchner pediu ainda a aceleração dos processos por violação dos direito shumanos durante a última ditadura militar argentina (1976-83). Disse que o pacto social não se resume a controlar preços e salários. E, como não poderia deixar de ser, reivindicou a soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Kirchner responde a Thatcher sobre Malvinas

Um tiroteio verbal marcou o 25º aniversário da vitória britânica sobre a Argentina na Guerra das Malvinas, que os ingleses chamam de Ilhas Falklands.

Na Grã-Bretanha, a ex-primeira-ministra Margaret Thatcher defendeu ontem a decisão de ir à guerra, afirmando que foi "uma grande vitória por uma causa nobre".

O presidente argentino, Néstor Kirchner, que não perde a oportunidade para comprar uma briga, deu o troco prometendo lutar pela "soberania das Ilhas Malvinas até o último momento": "Quero dizer à senhora Thatcher que pode nos ter ganho uma batalha, mas nunca vai nos tirar a razão de justiça de que as Malvinas são argentinas e que pela paz voltarão a ser argentinas".

Thatcher, de 81 anos enviou ontem uma mensagem de rádio saudando os habitantes, conhecidos como 'kelpers', das ilhas do Sul do Atlântico, tomadas pelo Império Britânico em 1833. Desde então, a Argentina reivindica a soberania sobre as Malvinas.

A "experiência intensa" da guerra "une em espírito" todos os britânicos, declarou Thatcher, que aproveitou a oportunidade para justificar o apelido de Dama de Ferro, consolidou seu poder, conquistou uma ampla vitória nas eleições de 1983 e pôde então aplicar seu programa de reformas econômicas neoliberais.

"Vocês estão em meus pensamentos e minhas preces. Há 25 anos, as forças britânicas garantiram uma grande vitória, por uma causa nobre. A nação inteira se encheu de júbilo e deveríamos seguir cheios de alegria. A agressão foi derrotada", disse a ex-líder conservadora e agora Baronesa Thatcher. "Os desejos dos habitantes das ilhas foram respeitados e defendidos. A honra e os interesses da Grã-Bretanha prevaleceram".

domingo, 1 de abril de 2007

Argentina veta empresas que operam nas Malvinas

Às vésperas do 25º quinto aniversário da invasão das Ilhas Malvinas, a Argentina anunciou que empresas que operam nas ilhas serão proibidas de atuar no continente. Uma das empresas que podem ser atingidas é a transnacional petrolífera anglo-holandesa Shell.

O governo britânico reagiu dizendo que a decisão é arbitrária e não ajuda em nada a reclamação argentina de soberania sobre as ilhas, ocupadas pela Grã-Bretanha em 1833. Em 2 de abril de 1982, durante a última ditadura militar argentina, as Malvinas, que os britânicos chamam de Falklands, foram invadidas, assim como as ilhas Sanduíche e as Geórgias do Sul, outras possessões britânicas.

Apesar da condenação internacional, com exceção da América Latina, a Argentina não recuou. A primeira-ministra Margaret Thatcher enviou, então, uma força tarefa para retomar as ilhas. Depois de uma série de batalhas aeronavais, os britânicos chegaram às ilhas em 21 de maio de 1982, e os argentinos renderam-se em 14 de julho.

Ao todo, 649 argentinos e 258 britânicos foram mortos.

Na verdade, a decisão de tomar as ilhas parece ter sido tomada como resultado de um golpe dentro do golpe na sangrenta ditadura militar argentina de 1976-83, acusada por 30 mil mortes.

Havia uma negociação em curso para devolução das Malvinas, a exemplo do que aconteceu com Hong Kong. O governo Thatcher chegou a um acordo com o regime comunista chinês, em 1984, e a última jóia do Império Britânico foi devolvida à China em 2 de julho de 1997. Mas os britânicos não entregariam as ilhas a uma ditadura sanguinária.

Para derrubar o general-presidente Roberto Viola, o comandante do Exército, general Leopoldo Galtieri, teria feito uma aliança com a poderosa Marinha argentina, comprometendo-se a reconquistar as Malvinas.

De um dia para o outro, o odiado regime militar tornou-se popular. Os argentinos foram para a Praça de Maio festejar a retomada das ilhas diante da Casa Rosada, a sede de governo, ocupada por um ditador sanguinário e irresponsável, um delinqüente que chegou a acreditar nas suas próprias ilusões, dizendo que "os ingleses não brigar por umas ilhotas".

Mas uma potência mundial não pode ceder à chantagem de um governo criminoso. Seria uma desmoralização. No final, a humilhada ditadura militar argentina acabou caindo. Logo a junta militar foi substituída pelo general Reinaldo Bignone, que convocou eleições presidenciais diretas para 1983, vencidas por Raúl Alfonsín (1983-89).

Ao desmoralizar a ditadura argentina, a Guerra das Malvinas foi um marco na redemocratização da América Latina. Os argentinos mantêm sua reivindicação de soberania sobre as ilhas. Como no caso de Gibraltar, reclamado pela Espanha, o governo britânico insiste em que qualquer solução depende da concordância democrática das moradores.

Os cerca de 3 mil habitantes das Malvinas podem ser reassentados no Reino Unido. Jamais concordarão em ser governados pela Argentina.

Durante a guerra, o Brasil apoiou a reivindicação argentina mas rejeitou o uso da força. Chegou a intermediar as negociações. Ajudou a Argentina mas permitiu pousos de reabastecimento de aviões britânicos a caminho das ilhas. Hoje os historiadores entendem que a posição brasileira reforçou os laços com o vizinho, abrindo caminho para a integração econômica do Cone Sul da América Latina após a queda das ditaduras militares nos dois países.