Um dia antes de embarcar para Nova York, onde vai discursar na reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, o ditador do Egito, marechal Abdel Fattah al-Sissi, deu indulto a 100 presos, inclusive três jornalistas da televisão árabe Al Jazira.
O canadense Mohamed Fahmy, o egípcio Baher Mohamed e o australiano Peter Greste foram condenados a três anos de prisão num segundo julgamento no mês passado sob as acusações de trabalhar sem autorização e transmitir material danoso para o Egito. Greste foi deportado para a Austrália em fevereiro.
Outros prisioneiros indultados foram enquadrados numa lei que proíbe manifestações de protesto sem autorização. Ela foi imposta depois do golpe militar de 3 de julho de 2013, quando Al-Sissi derrubou o único presidente eleito democraticamente da história do Egito, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, que fazia um governo sectário e desastroso.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 23 de setembro de 2015
sábado, 30 de maio de 2015
Boko Haram volta a atacar no Nordeste da Nigéria
Alvo de uma ofensiva do Exército da Nigéria com o apoio de países vizinhos, a milícia terrorista Boko Haram atacou ontem uma pequena cidade perto de Maiduguri, capital do estado de Borno, no Nordeste do país, reportou hoje a televisão catarina Al Jazira.
A ação foi realizada pouco antes da posse do presidente Muhamadu Buhari na primeira transferência democrática do poder para a oposição da história do mais rico e mais populoso país africano. Buhari, ex-ditador de 1983-85, promete jogar dura com os rebeldes.
Desde que aderiu à luta armada para tentar impor a lei islâmica na África Ocidental, o grupo Boko Haram, cujo nome significa "não à educação ocidental", deflagrou uma guerra civil em que morreram cerca de 15 mil pessoas.
A ação foi realizada pouco antes da posse do presidente Muhamadu Buhari na primeira transferência democrática do poder para a oposição da história do mais rico e mais populoso país africano. Buhari, ex-ditador de 1983-85, promete jogar dura com os rebeldes.
Desde que aderiu à luta armada para tentar impor a lei islâmica na África Ocidental, o grupo Boko Haram, cujo nome significa "não à educação ocidental", deflagrou uma guerra civil em que morreram cerca de 15 mil pessoas.
terça-feira, 24 de junho de 2014
Egito condena três jornalistas a anos de prisão
A ditadura militar do Egito condenou ontem três jornalistas do serviço em inglês da televisão árabe Al Jazira, especializada em notícias, sob a acusação de conspirar com terroristas para divulgar notícias falsas numa suposta conspiração para derrubar o governo, noticia o jornal The New York Times.
O australiano Peter Greste e o egípcio-canadense Mohamed Fahmy pegaram sete anos, e o egípcio Baher Mohamed, dez anos de prisão. Eles estão detidos desde dezembro de 2013, quando foram presos durante um protesto da Irmandade Muçulmana contra o golpe militar de 3 de julho daquele ano.
O processo provocou uma reação internacional negativa. É um ataque à liberdade de imprensa e ao direito de fazer oposição, 24 horas depois de uma visita do secretário de Estado americano, John Kerry, ao Cairo no último fim de semana para restaurar a "importante parceria" entre Estados Unidos e Egito.
Kerry ligou para o ministro do Exterior egípcio para manifestar "nosso descontentamento": "Injustiças como estas não podem ser aceitas", alertou o chefe da diplomacia dos EUA, se o novo presidente, marechal Abdel Fattah al-Sissi, e seus assessores "quiserem levar o país adiante, como me disseram ontem".
Em nota, a Casa Branca declarou que o caso "viola os princípios mais básicos da liberdade de informação e representa um golpe no processo democrático no Egito", exigindo a anulação das sentenças e a libertação imediata dos condenados.
O governo egípcio endossou o veredito e destacou sua "completa rejeição a qualquer interferência estrangeira nos assuntos internos do país."
O australiano Peter Greste e o egípcio-canadense Mohamed Fahmy pegaram sete anos, e o egípcio Baher Mohamed, dez anos de prisão. Eles estão detidos desde dezembro de 2013, quando foram presos durante um protesto da Irmandade Muçulmana contra o golpe militar de 3 de julho daquele ano.
O processo provocou uma reação internacional negativa. É um ataque à liberdade de imprensa e ao direito de fazer oposição, 24 horas depois de uma visita do secretário de Estado americano, John Kerry, ao Cairo no último fim de semana para restaurar a "importante parceria" entre Estados Unidos e Egito.
Kerry ligou para o ministro do Exterior egípcio para manifestar "nosso descontentamento": "Injustiças como estas não podem ser aceitas", alertou o chefe da diplomacia dos EUA, se o novo presidente, marechal Abdel Fattah al-Sissi, e seus assessores "quiserem levar o país adiante, como me disseram ontem".
Em nota, a Casa Branca declarou que o caso "viola os princípios mais básicos da liberdade de informação e representa um golpe no processo democrático no Egito", exigindo a anulação das sentenças e a libertação imediata dos condenados.
O governo egípcio endossou o veredito e destacou sua "completa rejeição a qualquer interferência estrangeira nos assuntos internos do país."
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terça-feira, 3 de setembro de 2013
Egito fecha Al Jazira e outras três televisões
A Justiça do Egito fechou hoje o canal da rede de televisão árabe especializada em notícias Al Jazira no país e mais três emissoras de televisão, todas ligadas a movimentos fundamentalistas muçulmanos.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Forças de segurança do Egito invadem Al Jazira
Horas depois da queda do presidente Mohamed Mursi num golpe militar, quatro emissoras de televisão foram retiradas do ar no Egito, a da Irmandade Muçulmana e três de grupos radicais salafistas. Há pouco, as forças de segurança invadiram o escritório no Cairo da TV Al Jazira, a rede árabe de notícias com sede no Catar, prendendo funcionários e convidados que discutiam a situação do país.
Al Jazira foi proibida de transmitir ao vivo uma manifestação da Irmandade Muçulmana em apoio ao presidente deposto, que está em prisão domiciliar. Mais tarde, cinco jornalistas foram presos na sede da emissora na capital egípcia; quatro foram libertados.
O porta-voz da Frende Salvação Nacional, uma aliança oposicionista, Khaled Dawoud, não condenou o fechamento das TVs: "Infelizmente, estas são circunstâncias excepcionais. Não acredito que fechar jornais ou TVs seja uma boa medida... mas estamos num momento crítico e a situação é perigosa", alegou.
"Estamos preocupados por causa de relatos de que as autoridades estão fechando canais de televisão por sua perspectiva política", declarou Sherif Mansour, do Comitê de Proteção a Jornalistas, com sede em Nova York.
O presidente do Supremo Tribunal, que será presidente interino durante a transição, é o juiz Adli Mansour, que deve tomar posse amanhã. Ele tem 67 anos e três filhos. Estudou na Escola Nacional de Administração da França, em Paris, por onde passam os principais líderes franceses.
Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama declarou que cabe ao povo do Egito decidir o futuro do país. Evitou falar com golpe. Pela legislação americana, se o governo reconhecer que houve golpe não poderá mais dar ajuda oficial ao país.
Ao lado da Arábia Saudita, o Egito é o principal aliado dos EUA no mundo árabe. Como maior país árabe em população, é um líder e uma inspiração, além de ter assinado um acordo de paz com Israel considerado chave pelos EUA para a estabilidade do Oriente Médio.
Al Jazira foi proibida de transmitir ao vivo uma manifestação da Irmandade Muçulmana em apoio ao presidente deposto, que está em prisão domiciliar. Mais tarde, cinco jornalistas foram presos na sede da emissora na capital egípcia; quatro foram libertados.
O porta-voz da Frende Salvação Nacional, uma aliança oposicionista, Khaled Dawoud, não condenou o fechamento das TVs: "Infelizmente, estas são circunstâncias excepcionais. Não acredito que fechar jornais ou TVs seja uma boa medida... mas estamos num momento crítico e a situação é perigosa", alegou.
"Estamos preocupados por causa de relatos de que as autoridades estão fechando canais de televisão por sua perspectiva política", declarou Sherif Mansour, do Comitê de Proteção a Jornalistas, com sede em Nova York.
O presidente do Supremo Tribunal, que será presidente interino durante a transição, é o juiz Adli Mansour, que deve tomar posse amanhã. Ele tem 67 anos e três filhos. Estudou na Escola Nacional de Administração da França, em Paris, por onde passam os principais líderes franceses.
Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama declarou que cabe ao povo do Egito decidir o futuro do país. Evitou falar com golpe. Pela legislação americana, se o governo reconhecer que houve golpe não poderá mais dar ajuda oficial ao país.
Ao lado da Arábia Saudita, o Egito é o principal aliado dos EUA no mundo árabe. Como maior país árabe em população, é um líder e uma inspiração, além de ter assinado um acordo de paz com Israel considerado chave pelos EUA para a estabilidade do Oriente Médio.
domingo, 28 de abril de 2013
Iraque suspende TVs por incitar à violência
A Comissão de Mídia e Comunicações do Iraque suspendeu as licenças de 10 canais de televisão, inclusive da rede Al Jazira, acusando-as de promover a violência e o sectarismo no momento em que aumentou os conflitos entra árabes sunitas e árabes xiitas, acirrados pela guerra civil na vizinha Síria.
Há cinco dias, houve um violento confronto entre manifestantes sunitas e as forças de segurança do governo predominantemente xiita do primeiro-ministro Nuri al-Maliki. Ele tenta resolver o conflito alternando repressão com apaziguamento. Até agora, não conseguiu.
Há cinco dias, houve um violento confronto entre manifestantes sunitas e as forças de segurança do governo predominantemente xiita do primeiro-ministro Nuri al-Maliki. Ele tenta resolver o conflito alternando repressão com apaziguamento. Até agora, não conseguiu.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Restos mortais de Arafat são exumados
Os restos mortais do líder histórico da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, foram exumados hoje em Ramalá, na Cisjordânia, para examinar se sua morte, em novembro de 2004, foi causada por envenenamento com o elemento radioativo polônio.
A Autoridade Nacional Palestina, que controla a Cisjordânia, está convencida de que Israel matou Arafat. Médicos legistas da França, onde ele morreu, da Rússia e da Suíça, pegaram amostras dos restos do líder palestino para fazer exames laboratoriais. Os resultados saem em três meses.
Quem levantou a suspeita foi a televisão árabe especializada em notícias Al Jazira, com base em exames feitos pelo Instituto de Radiofísica de Lausanne, na Suíça, que descobriram altos níveis de polônio-210 nas roupas, na escova de dentes e no turbante de Arafat.
A viúva, Suha Arafat, fez então uma denúncia formal, e a ANP ordenou a exumação do corpo, realizada hoje, informa a televisão americana CNN.
O polônio-210 foi o elemento usado para matar o ex-agente secreto russo Alexander Litvinenko em Londres, em novembro de 2006, um homicídio atribuído ao governo da Rússia. O principal suspeito virou deputado da Duma do Estado.
A Autoridade Nacional Palestina, que controla a Cisjordânia, está convencida de que Israel matou Arafat. Médicos legistas da França, onde ele morreu, da Rússia e da Suíça, pegaram amostras dos restos do líder palestino para fazer exames laboratoriais. Os resultados saem em três meses.
Quem levantou a suspeita foi a televisão árabe especializada em notícias Al Jazira, com base em exames feitos pelo Instituto de Radiofísica de Lausanne, na Suíça, que descobriram altos níveis de polônio-210 nas roupas, na escova de dentes e no turbante de Arafat.
A viúva, Suha Arafat, fez então uma denúncia formal, e a ANP ordenou a exumação do corpo, realizada hoje, informa a televisão americana CNN.
O polônio-210 foi o elemento usado para matar o ex-agente secreto russo Alexander Litvinenko em Londres, em novembro de 2006, um homicídio atribuído ao governo da Rússia. O principal suspeito virou deputado da Duma do Estado.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Ditadura de Assad ataca Al Jazira na Internet
Em plena guerra civil na Síria, partidários da ditadura de Bachar Assad invadiram o sítio da televisão árabe especializada em notícias Al Jazira, com sede no Catar, um dos países que apoiam os rebeldes. A TV foi acusada de "apoiar grupos terroristas armados, espalhando mentiras e notícias fabricadas".
Uma bandeira síria tomou o centro da tela e uma declaração denunciou as "posições d'Al Jazira conta o governo e o povo sírios", reporta a agência de notícias Reuters.
Uma bandeira síria tomou o centro da tela e uma declaração denunciou as "posições d'Al Jazira conta o governo e o povo sírios", reporta a agência de notícias Reuters.
terça-feira, 8 de maio de 2012
China expulsa Al Jazira
O regime comunista da China expulsou do país o canal em inglês da televisão árabe especializada em notícias Al Jazira, com sede no Catar. É a primeira vez que isso acontece em 14 anos, num sinal de endurecimento em relação à atividade de jornalistas estrangeiros.
A causa seria um documentário sobre campos de reeducação com trabalhos forçados que desagradou as autoridades de Beijim, noticia o jornal The New York Times.
A causa seria um documentário sobre campos de reeducação com trabalhos forçados que desagradou as autoridades de Beijim, noticia o jornal The New York Times.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Repórter presa na Síria agora é detida no Irã
A repórter Dorothy Parvaz, do serviço em inglês da televisão árabe de notícias Al Jazira, presa quando chegou na Síria, em 29 de abril, e deportada para o Irã, está detida neste país.
"Dorothy Parvaz, jornalista da Al Jazira, está desaparecida há duas semanas", diz uma nota publicada no sítio da TV na Internet. "Recebemos a informação que ela está sendo detida em Teerã. Queremos ela de volta".
"Dorothy Parvaz, jornalista da Al Jazira, está desaparecida há duas semanas", diz uma nota publicada no sítio da TV na Internet. "Recebemos a informação que ela está sendo detida em Teerã. Queremos ela de volta".
terça-feira, 1 de março de 2011
Guerra civil líbia está num impasse militar
Depois de usar aviões, helicópteros e forças especiais para tentar retomar cidades a leste de Trípoli, hoje o coronel Muamar Kadafi enviou tropas para o oeste. A capital, Sirte, a terra natal de Kadafi e o Sul continuam sob controle do ditador. A revista americana Foreign Policy fala num impasse militar. O NY Times observa que as forças do ditador não conseguem avançar.
Os rebeldes repeliram a ofensiva contra Zauia, mas as forças leais a Kadafi ainda lutam na periferia da cidade e em Missurata. A estrada de 50 km entre a capital e Zauia tinha hoje 12 postos de controle militar.
Para sufocar a rebelião, o regime impede a chegada de comida e medicamentos à cidade, que resistiu a um assalto com aviões, helicópteros e forças especiais.
Para sufocar a rebelião, o regime impede a chegada de comida e medicamentos à cidade, que resistiu a um assalto com aviões, helicópteros e forças especiais.
Em Bengázi, a segunda maior cidade líbia, desde a semana passada em poder dos rebeldes, um funeral virou protesto contra o regime. Policiais de cidades liberadas voltam a trabalhar no trânsito para mostrar apoio à revolta. Uma prisão da cidade revela os porões da ditadura. A base militar da cidade foi tomada.
Um comboio com ajuda oficial saiu hoje de Trípoli para Bengázi sob o aplauso de partidários de Kadafi. Também houve manifestação a favor do governo em Sabrata, perto da fronteira com a Tunísia.
O Hospital Geral de Trípoli nega ter falta de material e disse ter recebido poucos feridos em duas semanas de revolta. A TV estatal mostrou cadetes da Academia da Aeronáutica em Missurata, negando o bombardeio a civis e a morte de colegas. Eles alegam que as bases foram atacadas e saquedas por indivíduos “anormais”, seguindo o discurso de defesa da ditadura.
• Mais três altos oficiais desertaram e aderiram à revolução, divulgando notas reproduzidas pela TV árabe Al Jazira.
• A Juventude do Levante de 17 de Fevereiro divulgou comunicado na Internet em apoio ao governo provisório que está sendo articulado em Bengázi (AJ) e rejeitando qualquer negociação com “esse regime criminoso”. Uma grande manifestação foi convocada para sexta-feira.
• O chefe do Comando Central dos EUA, general James Mattis, não tem ilusões. Para impor uma zona de proibição de voo, será preciso primeiro destruir as defesas antiaéreas da Líbia. Ou seja, será uma operação de guerra com todos os riscos de matar civis inocentes e provocar uma escalada no conflito, envolvendo o país numa terceira guerra num país muçulmano..
• A Itália autoriza o uso de suas bases militares para uma operação na Líbia.
• O Instituto de Pesquisas sobre a Paz Internacional de Estocolmo suspeita que a Bielorrússia tenha enviado armas para o coronel Kadafi, informou Al Jazira.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Era da Informação leva a difusão do poder
Além do declínio relativo dos Estados Unidos e da Europa, e da ascensão da China e de outros países emergentes, a revolução nas comunicações está difundido o poder no mundo, argumenta o professor Joseph Nye jr., da Universidade de Harvard, ex-secretário da Defesa adjunto para política de defesa e criador do conceito de poder suave, o poder da comunicação e da persuasão.
Com o Twitter, o Facebook e a TV Al Jazira, os jovens ligados estão promovendo uma revolução democrática e liberal no mundo árabe, que tinha fica para trás nas revoluções democráticas que varreram a América Latina e a Europa Oriental nos anos 80 e de parte de África nos anos 90.
Em artigo publicado no jornal Korea Herald, o professor Nye fala da força real do poder virtual.
Com o Twitter, o Facebook e a TV Al Jazira, os jovens ligados estão promovendo uma revolução democrática e liberal no mundo árabe, que tinha fica para trás nas revoluções democráticas que varreram a América Latina e a Europa Oriental nos anos 80 e de parte de África nos anos 90.
Em artigo publicado no jornal Korea Herald, o professor Nye fala da força real do poder virtual.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
ANP ofereceu concessões demais a Israel
Mais de 1,6 mil documentos obtidos pela rede de TV árabe Al Jazira revelam que os negociadores palestinos ofereceram secretamente concessões em 2008 como aceitar todos os assentamentos israelenses no setor árabe de Jerusalém menos um e reduzir o número dos refugiados que teriam direito de retorno. Isso seria uma traição ao povo palestino.
Durante visita ao Egito, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, negou a oferta. O negociador Saeb Erekat é citado tentando convencer os israeleses com o argumento de que “esta é a maior Jerusalém da História de Israel”; hoje, negou tudo, descrevendo os documentos como “um monte de mentiras".
A Organização para a Libertação da Palestina acusou o emir do Catar, sede d’al Jazira, de aprovar o vazamento dos documentos.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Obama apoia plano de paz do Egito
O presidente Barack Obama concorda com a visão do Egito sobre o processo de paz no Oriente Médio, afirmou ontem a rede de televisão árabe especializada em notícias Al Jazira, do Catar.
Entre os pontos comuns, estariam a congelamento da construção nas colônias israelenses nos territórios árabes ocupados, a libertação de altos dirigentes palestinos presos em Israel e a transferência de responsabilidade sobre a segurança de partes da Cisjordânia de Israel (área B, pelos acordos de paz de Oslo) para a ANP (área A).
Com esses gestos de boa vontade de Israel, seria possível convencer o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, a retomar as negociações de paz. No domingo, Abbas esteve no Cairo, onde conversou com o presidente egípcio, Hosni Mubarak.
O governo direitista de Israel teria de concordar com a proposta. É difícil. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu depende de partidos ultraortodoxos como o Shas e ultranacionalistas como Yisrael Beiteinu, que consideram a Cisjordânia parte da terra prometida que Deus teria reservado ao povo judeu.
No momento, apesar da promessa de congelamento, o governo Netanyahu abriu concorrência para a construção de mais 700 apartamentos no setor oriental (árabe) de Jerusalém. Alega que a cidade não é um território ocupado, mas a "eterna e indivisível capital de Israel".
Abbas fica numa situação complicada. Ele promete não voltar a negociar enquanto Israel não congelar totalmente as construções nos territórios ocupados, que são ilegais pelo direito internacional, inclusive em Jerusalém.
Mas Egito e EUA se movimentam para relançar as negociações de paz, e o dirigente máximo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Khaled Mechal, acaba de declarar que a reconciliação com a Fatah (Luta), o partido de Abbas, nunca esteve tão próxima.
Com a divisão no momento nacional palestino, Israel alega que fazer a paz com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), liderada por Abbas, não acaba com a guerra contra o Hamas.
Entre os pontos comuns, estariam a congelamento da construção nas colônias israelenses nos territórios árabes ocupados, a libertação de altos dirigentes palestinos presos em Israel e a transferência de responsabilidade sobre a segurança de partes da Cisjordânia de Israel (área B, pelos acordos de paz de Oslo) para a ANP (área A).
Com esses gestos de boa vontade de Israel, seria possível convencer o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, a retomar as negociações de paz. No domingo, Abbas esteve no Cairo, onde conversou com o presidente egípcio, Hosni Mubarak.
O governo direitista de Israel teria de concordar com a proposta. É difícil. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu depende de partidos ultraortodoxos como o Shas e ultranacionalistas como Yisrael Beiteinu, que consideram a Cisjordânia parte da terra prometida que Deus teria reservado ao povo judeu.
No momento, apesar da promessa de congelamento, o governo Netanyahu abriu concorrência para a construção de mais 700 apartamentos no setor oriental (árabe) de Jerusalém. Alega que a cidade não é um território ocupado, mas a "eterna e indivisível capital de Israel".
Abbas fica numa situação complicada. Ele promete não voltar a negociar enquanto Israel não congelar totalmente as construções nos territórios ocupados, que são ilegais pelo direito internacional, inclusive em Jerusalém.
Mas Egito e EUA se movimentam para relançar as negociações de paz, e o dirigente máximo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Khaled Mechal, acaba de declarar que a reconciliação com a Fatah (Luta), o partido de Abbas, nunca esteve tão próxima.
Com a divisão no momento nacional palestino, Israel alega que fazer a paz com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), liderada por Abbas, não acaba com a guerra contra o Hamas.
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Ben Laden acusa EUA de errar como URSS no Afeganistão ao não sair logo do Iraque
Em mensagem de vídeo de 30 minutos divulgada hoje pela TV árabe Al Jazira, o líder terrorista Ossama ben Laden acusou o governo dos Estados Unidos de repetir o erro cometido pela União Soviética no Afeganistão ao não retirar suas forças no Iraque, numa insinuação de que a vitória americana é impossível. Propôs que os americanos se convertam ao islamismo.
"Povo americano, o mundo está acompanhando o noticiário sobre sua invasão do Iraque", disse o terrorista saudita. "Depois das várias tragédias desta guerra, a imensa maioria de vocês quer pará-la. Então, vocês elegeram o Partido Democrata com este propósito, masos democratas não tomaram nenhuma medida que valha a pena mencionar. Ao contrário, continuaram concordando em gastar dezenas de bilhões para continuar a matança."
Ben Laden parece mais gordo. Sua barba foi aparada e tingida de preto. Isso provocou uma discussão nos fóruns de jihadistas na Internet questionando se o islamismo permite aparar a barba.
Para o professor Bruce Hoffman, da Universidade Georgetown, nos EUA, esta mudança de imagem reflete uma necessidade de se camuflar, de se apresentar como um mutante capaz de iludir o inimigo. Já Mohammed Hafez, professor convidado da Universidade de Missouri, vê Ben Laden tentando falar diretamente ao povo americano, por cima de seus dirigentes, republicanos e democratas, que nas suas palavras nada fazem para acabar com a guerra no Iraque.
Com suas visões conspiratórias, Ben Laden vê a mão invisível das grandes empresas multinacionais, que na sua opinião estariam se beneficiando com a guerra, numa interpretação mais para marxista revolucionária do que islâmica.
Este é o verdadeiro Ossama, um guerrilheiro messiânico que mistura o Corão doutrinas revolucionárias, a exemplo do que o aiatolá Khomeini fizera na revolução islâmica no Irã, e usa as mais modernas tecnologias para lutar por um puritanismo extremado que mais representa a volta a um passado idealizado que nunca existiu.
Da mesma forma que os marxistas, Ben Laden culpa o capitalismo e a democracia liberal para males do mundo, e adota a interpretação leninista de que esses sistemas são intrinsecamente corruptos e militaristas. Kennedy "poderia ter encerrado a Guerra do Vietnã, não fosse o complexo industrial-militar".
Na sua visão simplista da História, o líder do grupo responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001 sugere que os judeus teriam escapado do Holocausto se tivessem pedido proteção aos muçulmanos, como se árabes e judeus não estivessem se matando no Oriente Médio já naquela época, entre outras razões por causa da crescente imigração de judeus que fugiam do nazismo mesmo antes do início da Segunda Guerra Mundial.
A última aparição de Ben Laden em vídeo tinha sido há quase três anos, antes das eleições americanas de novembro de 2004. Ele falou de temas recentes, como as eleições muncipais na Grã-Bretanha e as eleições presidenciais e legislativas na França.
Ao abordar uma variedade tão grande de temas, Ossama parece muito empenhado ter opinião e dar palpite sobre tudo. Isso indica um desejo de reassumir o controle de um movimento que ele lançou mas que hoje está nas mãos de milhares de militantes fanáticos cada vez mais autônomos. Refugiado nas montanhas da fronteira do Paquistão com o Afeganistão, onde se acredita que ele esteja, Ben Laden está distante da jihad cotidiana.
Em certo sentido, observa o professor Mohammed Hafez, "o que Ben Laden está tentando realmente fazer é pegar temas de Ahmadinejad e Chávez, isto é, tentar retratar a América como uma potência hegemônica agressiva que não se preocupa com questões como, por exemplo, o meio ambiente e o aquecimento global. Essencialmente, está dizendo ao mundo: vocês devem ficar longe dos EUA, não devem cooperar com os EUA, aí estarão seguros. Esta é a mensagem".
Ao mesmo tempo, está tentando apelar para uma subcultura jovem, sobretudo na Europa, onde jovens têm se convertido ou Islã ou pode ser convertidos, uma juventude antiglobalização, anti-hegemônica, antiimperialista e anticapitalista.
A mensagem pode ter sido calibrada para ter apelo junto a um público maior, incluindo não apenas os jihadistas tradicionais, no caso, jovens muçulmanos que se sentem discriminados na Europa, mas também jovens que possam se converter ao islamismo.
Ossama mencionou Arrogância Imperial: Por Que o Ocidente Está Perdendo a Guerra contra o Terror?, do livro do ex-analista da CIA Michael Scheuer, e recomendou a leitura de Noam Chomsky mas não do profeta Maomé ou de Saïd Kutub, egípcio, o ideólogo do jihadismo universal, defensor da idéia de que o mundo só terá paz quando todos estiverem convertidos ao verdadeiro Deus.
Mais uma vez, Ben Laden assume, desta vez claramente, a responsabilidade pelos atentados terroristas contra os EUA ao dizer que os americanos não podem negar sua culpa pelas mortes no Iraque: "Seria o mesmo se eu negasse que derramei o sangue de seus filhos."
Nos últimos dois anos, quando Ben Laden não mandou mensagens de vídeo, ele foi superado por seu lugar-tenente, o médico egípcio Ayman al Zawahiri. Nesse período, Zawahiri divulgou mais de 30 mensagens de áudio e vídeo, quadruplicou o braço de mídia d'al Caeda e teria sido o responsável pelo ressurgimento da rede terrorista depois da queda dos talebã no Afeganistão.
"Povo americano, o mundo está acompanhando o noticiário sobre sua invasão do Iraque", disse o terrorista saudita. "Depois das várias tragédias desta guerra, a imensa maioria de vocês quer pará-la. Então, vocês elegeram o Partido Democrata com este propósito, masos democratas não tomaram nenhuma medida que valha a pena mencionar. Ao contrário, continuaram concordando em gastar dezenas de bilhões para continuar a matança."
Ben Laden parece mais gordo. Sua barba foi aparada e tingida de preto. Isso provocou uma discussão nos fóruns de jihadistas na Internet questionando se o islamismo permite aparar a barba.
Para o professor Bruce Hoffman, da Universidade Georgetown, nos EUA, esta mudança de imagem reflete uma necessidade de se camuflar, de se apresentar como um mutante capaz de iludir o inimigo. Já Mohammed Hafez, professor convidado da Universidade de Missouri, vê Ben Laden tentando falar diretamente ao povo americano, por cima de seus dirigentes, republicanos e democratas, que nas suas palavras nada fazem para acabar com a guerra no Iraque.
Com suas visões conspiratórias, Ben Laden vê a mão invisível das grandes empresas multinacionais, que na sua opinião estariam se beneficiando com a guerra, numa interpretação mais para marxista revolucionária do que islâmica.
Este é o verdadeiro Ossama, um guerrilheiro messiânico que mistura o Corão doutrinas revolucionárias, a exemplo do que o aiatolá Khomeini fizera na revolução islâmica no Irã, e usa as mais modernas tecnologias para lutar por um puritanismo extremado que mais representa a volta a um passado idealizado que nunca existiu.
Da mesma forma que os marxistas, Ben Laden culpa o capitalismo e a democracia liberal para males do mundo, e adota a interpretação leninista de que esses sistemas são intrinsecamente corruptos e militaristas. Kennedy "poderia ter encerrado a Guerra do Vietnã, não fosse o complexo industrial-militar".
Na sua visão simplista da História, o líder do grupo responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001 sugere que os judeus teriam escapado do Holocausto se tivessem pedido proteção aos muçulmanos, como se árabes e judeus não estivessem se matando no Oriente Médio já naquela época, entre outras razões por causa da crescente imigração de judeus que fugiam do nazismo mesmo antes do início da Segunda Guerra Mundial.
A última aparição de Ben Laden em vídeo tinha sido há quase três anos, antes das eleições americanas de novembro de 2004. Ele falou de temas recentes, como as eleições muncipais na Grã-Bretanha e as eleições presidenciais e legislativas na França.
Ao abordar uma variedade tão grande de temas, Ossama parece muito empenhado ter opinião e dar palpite sobre tudo. Isso indica um desejo de reassumir o controle de um movimento que ele lançou mas que hoje está nas mãos de milhares de militantes fanáticos cada vez mais autônomos. Refugiado nas montanhas da fronteira do Paquistão com o Afeganistão, onde se acredita que ele esteja, Ben Laden está distante da jihad cotidiana.
Em certo sentido, observa o professor Mohammed Hafez, "o que Ben Laden está tentando realmente fazer é pegar temas de Ahmadinejad e Chávez, isto é, tentar retratar a América como uma potência hegemônica agressiva que não se preocupa com questões como, por exemplo, o meio ambiente e o aquecimento global. Essencialmente, está dizendo ao mundo: vocês devem ficar longe dos EUA, não devem cooperar com os EUA, aí estarão seguros. Esta é a mensagem".
Ao mesmo tempo, está tentando apelar para uma subcultura jovem, sobretudo na Europa, onde jovens têm se convertido ou Islã ou pode ser convertidos, uma juventude antiglobalização, anti-hegemônica, antiimperialista e anticapitalista.
A mensagem pode ter sido calibrada para ter apelo junto a um público maior, incluindo não apenas os jihadistas tradicionais, no caso, jovens muçulmanos que se sentem discriminados na Europa, mas também jovens que possam se converter ao islamismo.
Ossama mencionou Arrogância Imperial: Por Que o Ocidente Está Perdendo a Guerra contra o Terror?, do livro do ex-analista da CIA Michael Scheuer, e recomendou a leitura de Noam Chomsky mas não do profeta Maomé ou de Saïd Kutub, egípcio, o ideólogo do jihadismo universal, defensor da idéia de que o mundo só terá paz quando todos estiverem convertidos ao verdadeiro Deus.
Mais uma vez, Ben Laden assume, desta vez claramente, a responsabilidade pelos atentados terroristas contra os EUA ao dizer que os americanos não podem negar sua culpa pelas mortes no Iraque: "Seria o mesmo se eu negasse que derramei o sangue de seus filhos."
Nos últimos dois anos, quando Ben Laden não mandou mensagens de vídeo, ele foi superado por seu lugar-tenente, o médico egípcio Ayman al Zawahiri. Nesse período, Zawahiri divulgou mais de 30 mensagens de áudio e vídeo, quadruplicou o braço de mídia d'al Caeda e teria sido o responsável pelo ressurgimento da rede terrorista depois da queda dos talebã no Afeganistão.
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