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segunda-feira, 28 de março de 2016

Israel desiste de indicar líder colono para embaixador no Brasil

Diante da oposição do governo brasileiro, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu desistiu da nomeação do líder colono Dani Dayan, nascido na Argentina, para embaixador de Israel no Brasil, informou hoje o jornal The Times of Israel. Ele será indicado novo cônsul geral israelense em Nova York.

Netanyahu, que acumula o cargo de ministro do Exterior, nomeou Dayan em 5 de agosto de 2015 sem fazer as consultas diplomáticas de praxe para saber se a indicação seria aceita. O governo Dilma Rousseff rejeitou a indicação porque Dayan presidiu o Conselho Yesha, um comitê que representa os colonos assentados ilegalmente nos territórios árabes ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Com a guinada para a direita da política israelense nos últimos anos, partidos representantes dos colonos querem anexar a Cisjordânia, negando-se a devolver o território que seria a principal parte de uma Palestina independente. Isso levou a uma total estagnação no processo de paz.

Como o Brasil reconheceu a independência da Palestina, o governo brasileiro entende que aceitar Dayan seria uma contradição para sua política externa. Ele faz parte do grupo que quer simplesmente anexar a Cisjordânia.

Em janeiro, o primeiro-ministro Netanyahu deixou clara a intenção de manter a indicação de Dayan, mas, em 17 de março, o Ministério de Exterior de Israel publicou edital anunciando que procurava embaixadores para o Brasil, a Eritreia e a Hungria. No mesmo dia, declarou que a nomeação de Dayan estava mantida.

Nesta segunda-feira, em entrevista à Rádio do Exército de Israel, Dayan revelou que em agosto manifestara a Netanyahu o interesse em Nova York e tratou a rejeição brasileira com uma declaração triunfalista: "Aqueles que não queriam um líder dos colonos na sua capital agora terão um líder dos colonos na capital do mundo."

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Israel admite que embaixador nomeado não será aceito no Brasil

Israel já admite que Dani Dayan, designado há seis meses embaixador no Brasil, não será aceito pelo governo brasileiro por ser líder dos colonos assentados ilegalmente nos territórios árabes ocupados. O reconhecimento é do deputado Tzachi Hanegbi, presidente da Comissão de Defesa e Relações Exteriores da Knesset, o Parlamento israelense, noticiou hoje o jornal The Times of Israel.

"Não precisamos nos iludir. Dani Dayan não será embaixador no Brasil. Condenamos o comportamento do Brasil", declarou o deputado, um aliado próximo do primeiro-ministro linha-ura Benjamin Netanyahu durante um debate na comissão. Ele prometeu a Dayan a representação num país da "mesma importância".

A deputada Anat Berko, do partido Likud, do primeiro-ministro, manifestou a preocupação de que a decisão brasileira crie um precedente e leve outros países a impor quem devem ser os diplomatas de Israel.

Presente no debate, o diretor para a América Latina do Ministério do Exterior de Israel, Moti Efraim, alegou "ainda estar esperando uma resposta oficial de Brasília, embora esta seja uma situação sem precedentes".

Apesar da recusa, Netanyahu se nega a retirar a indicação e a nomear outro embaixador em Brasília. O Itamaraty afirma que o primeiro-ministro israelense violou a tradição diplomática de sondar as autoridades do país antes de indicar o embaixador.

As relações entre os dois países estão abaladas desde que o Brasil reconheceu a independência da Palestina, em 3 de dezembro de 2010, e em crise diplomática desde que o Brasil chamou para consultas seu embaixador em Israel em protesto contra a guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza, em julho de 2014.

Na época, o porta-voz da chanceleria israelense, Yigal Palmor, chamou o Brasil de "anão diplomático". Ele foi afastado, mas não diria isso sem autorização de seus superiores.

Por reconhecer a independência da Palestina, o Brasil não poderia aceitar um embaixador que foi líder dos colônias ilegais da Cisjordânia ocupada. Netanyahu é aliado de partidos favoráveis à anexação dos territórios ocupados, o que inviabilizaria a criação de um país independente para os palestinos.

Antes das últimas eleições, o primeiro-ministro prometeu que, se fosse reeleito, "jamais será criado um Estado palestino".

Israel enfrenta no momento uma nova revolta palestina, a chamada intifada das facas. Na semana passada, quando o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, atribuiu a violência à estagnação do processo de paz, Netanyahu reagiu afirmando que o chefe da ONU estava defendendo "terroristas". É sua forma de deslegitimar o movimento nacional palestino depois de quase 50 anos de ocupação.

Em 30 de janeiro, o ministro do Exterior da França, Laurent Fabius, prometeu novos esforços diplomáticos para relançar as negociações de paz entre israelenses e palestinos. Se não houver avanços no processo de paz, a França ameaça reconhecer a independência da Palestina na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com capital no setor árabe de Jerusalém.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Israel não vai nomear novo embaixador no Brasil

O primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, não vai nomear um novo embaixador no Brasil. Se o governo brasileiro não aceitar a indicação da Dani Dayan, um líder das colônias ilegais instaladas na Cisjordânia ocupada, o país não terá um embaixador em Brasília, noticiou ontem o Canal 2 da televisão israelense, citado pelo jornal The Times of Israel.

Para o Brasil, que reconheceu a independência da Palestina, a nomeação de Dayan é vista como uma provocação. Não houve consultas prévias entre os dois governos, como prevê a praxe diplomática. Sua presença no país seria uma contradição à política externa brasileira, como ressaltou um manifesto assinado por 40 embaixadores.

Na prática, a decisão de Netanyahu de não indicar outro embaixador degrada as relações bilaterais entre os dois países, que não são boas.

Em julho de 2014, durante a última guerra de Israel contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza, o governo brasileiro convocou seu embaixador no país para consultas e o porta-voz da chancelaria israelense, Yigal Palmor, chamou o Brasil de "anão diplomático".

Dayan, nascido na Argentina, é contra a devolução da Cisjordânia. Quer a ocupação definitiva do território conquista na Guerra dos Seis Dias, em 1967, o que viola o direito internacional, que veda a guerra de conquista.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Brasil veta embaixador designado por Israel

Depois de chamar o Brasil de "anão diplomático", o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, indicou em 5 de agosto um novo embaixador em Brasília, Dani Dayan, rejeitado pelo governo Dilma Rousseff por ser líder dos colonos assentados ilegalmente nos territórios árabes ocupados. O prazo-limite é o Natal, revelou na semana passada o jornal The Times of Israel.

A nomeação de Dayan foi elogiada até mesmo pelo Partido Trabalhista, de esquerda, favorável a uma paz negociada com a criação de um Estado Nacional para o povo palestino, com a retirada israelense dos territórios árabes ocupados na Guerra dos Seis Dias, em

Imediatamente, no Brasil e em Israel, começou um movimento para pressionar o governo brasileiro a rejeitar a indicação. Em 20 de setembro, o mesmo jornal noticiou que a presidente Dilma Rousseff vetou Dayan, que tivera a nomeação aprovada pelo governo em 6 de setembro.

"O Brasil não vai aceitar Dayan", comentou anonimamente um ex-diplomata israelense. "Eles não nos deram nenhuma resposta, o que significa que esperam que a gente entenda a mensagem por nós mesmos. Para o Brasil, é um escândalo que mande um líder dos colonos como embaixador."

Desde a indicação, Dayan estuda português e mantém contato com organizações judaicas e parlamentares brasileiros. Terá tempo de sobra para aprender a língua, mas talvez não tenha onde usá-la.