Em reunião de chanceleres realizada hoje em São Paulo, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) decidiu por unanimidade suspender a participação da Venezuela por violar a cláusula democrática do bloco comercial.
A medida tem poucas consequências práticas. A Venezuela estava excluída do Mercosul desde o fim do ano passado por não ter internalizado as regras do bloco onde entrou pela janela em 2012.
Na época, numa manobra oportunista, as então presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner, aproveitaram a suspensão do Paraguai por causa do impeachment do presidente Fernando Lugo sem direito de defesa para colocar a Venezuela no Mercosul.
A Venezuela tinha pedido associação em 2006, mas o Congresso do Paraguai nunca ratificou o ingresso. Ao contrário do que acontece em blocos regionais de sucesso como a União Europeia, a Venezuela não negociou previamente a adesão às regras do bloco comercial. Isso foi usado pelos governos direitistas de Mauricio Macri, na Argentina, e Michel Temer, no Brasil, para suspender a Venezuela em 2016.
Agora, houve "ruptura da ordem democrática". A Venezuela só volta ao bloco quando acabar a ditadura imposta pela Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada pelo ditador Nicolás Maduro.
"Na Venezuela, não há democracia e sem democracia não se faz parte do Mercosul", declarou o chanceler argentino, Jorge Faurie. "É uma sanção grave, de natureza política", comentou o ministro brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira. "O objetivo é ter uma transição pacífica e a libertação de todos os presos políticos. Queremos que a Venezuela reencontre a democracia."
Aparentemente, o bloco perdeu a capacidade de mediar a crise venezuelana.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Michel Temer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Michel Temer. Mostrar todas as postagens
sábado, 5 de agosto de 2017
segunda-feira, 20 de março de 2017
Trump discutiu crise da Venezuela com Temer
Durante telefonema no último fim de semana, os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Michel Temer, discutiram as relações bilaterais e a crise na Venezuela, noticiou hoje o jornal Latin American Herald Tribune.
Trump passou o fim de semana no country club que tem em Mar-a-Lago, na Flórida. Lá, falou sábado com Temer e no domingo com a presidente do Chile, Michelle Bachelet. Passaram-se dois meses de governo até que Trump decidisse falar com o presidente brasileiro. Até com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, o novo presidente americano falou antes.
Pelo relato da Casa Branca, Trump e Temer mantiveram uma conversa longa e agradável. O presidente americano destacou a importância das relações bilaterais com o Brasil dentro do continente americano. Trump manifestou preocupação com a crise da democracia e o desrespeito aos direitos humanos pelo regime chavista da Venezuela.
Nas últimas semanas, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, iniciou uma guerra do pão, iniciando uma temporada de caça aos padeiros, que não conseguem comprar trigo importado por causa das políticas cambial e comercial do governo.
Trump passou o fim de semana no country club que tem em Mar-a-Lago, na Flórida. Lá, falou sábado com Temer e no domingo com a presidente do Chile, Michelle Bachelet. Passaram-se dois meses de governo até que Trump decidisse falar com o presidente brasileiro. Até com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, o novo presidente americano falou antes.
Pelo relato da Casa Branca, Trump e Temer mantiveram uma conversa longa e agradável. O presidente americano destacou a importância das relações bilaterais com o Brasil dentro do continente americano. Trump manifestou preocupação com a crise da democracia e o desrespeito aos direitos humanos pelo regime chavista da Venezuela.
Nas últimas semanas, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, iniciou uma guerra do pão, iniciando uma temporada de caça aos padeiros, que não conseguem comprar trigo importado por causa das políticas cambial e comercial do governo.
Marcadores:
Brasil,
Casa Branca,
Chile,
Democracia,
Direitos Humanos,
Donald Trump,
EUA,
guerra do pão,
Michel Temer,
Michelle Bachelet,
Nicolás Maduro,
relações bilaterais,
Venezuela
Assinar:
Postagens (Atom)