Minha entrevista ao canal da jornalista Leila Richers sobre as relações entre os Estados Unidos e a China, a nova realidade geopolítica, o risco de uma nova guerra fria, a posição do Brasil e outras repercussões da pandemia do novo coronavírus.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 2 de julho de 2020
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Departamento de Estado pede fuzileiros navais em Taiwan
O Departamento de Estado solicitou o envio de fuzileiros navais para proteger a representação diplomática dos Estados Unidos em Taiwan, a ilha que a República Popular da China considera uma província rebelde, revelou hoje a rede de televisão americana CNN.
A presença de fuzileiros navais americanos em Taiwan certamente será considerada em Beijim como um desafio ao regime comunista chinês. Será mais um ponto de atrito entre a China e os EUA, ao lado dos conflitos comerciais, da Coreia do Norte e do Mar do Sul da China.
Taiwan é a ilha para onde os nacionalistas comandados por Chiang Kai-shek fugiram quando a revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung tomou o poder, em 1º de outubro de 1949, criando na prática duas chinas com a República da China em Taiwan.
O regime comunista sempre adotou a política de que só existe uma China. Quando os EUA se reaproximaram da China com as visitas do assessor de segurança nacional Henry Kissinger, em 1971, e do presidente Richard Nixon, em 1972, Mao condicionou o estabelecimento de relações diplomáticas com os EUA ao rompimento dos EUA com Taiwan. O regime exige o mesmo de todo país que quiser manter relações com a China.
A República Popular da China também tomou de Taiwan a vaga da China como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em 1971.
Quando um partido favorável à independência estava prestes a vencer a eleição presidencial de 1996 em Taiwan, a China fez testes de mísseis ameaçadores. O então presidente americano, Bill Clinton, mandou uma força-tarefa de porta-aviões para o Estreito de Taiwan, de 180 quilômetros, que separa a ilha da China continental.
A China considerou uma humilhação. Desde aquela época, desenvolveu sistemas de mísseis, satélites e porta-aviões para desafiar a supremacia militar dos EUA no Leste de Ásia, que vem desde a Segunda Guerra Mundial.
Em Taiwan, com a democratização do país, as novas gerações têm um desejo crescente pela independência, considerada totalmente inaceitável pela ditadura comunista chinesa.
O Kuomintang (KMT), o partido de Chiang Kai-shek, que governou Taiwan na maior parte de sua história de relativa independência adota a política dos três nãos: não à unificação, não à independência e não à guerra. Defende a manutenção do status quo ambíguo, como quer a o regime comunista chinês, apostando numa reunificação até 2050.
Com a volta do Partido Democrático Progressista (PDP) ao poder, em 2016, aumenta a inquietação em Beijim sobre a independência de Taiwan. Há décadas, o regime comunista tenta controlar a ilha rebelde com um misto de intimidação militar e incentivos econômicos. Recentemente, aumentou a pressão militar.
Ao chegar à Casa Branca, o presidente Donald Trump, que não respeita protocolos nem políticas que não lhe agradem, recebeu cumprimentos pelo telefone da presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, para revolta da China. Foi a primeira vez que isto aconteceu desde o reatamento oficial entre os dois países, em 1978.
Como a estratégia de negociações de Trump é desestabilizar a outra parte, Taiwan volta a ser uma carta importante na disputa geopolítica entre os EUA e a China, que cada vez mais constrói uma máquina de guerra à altura do seu crescente poderio econômico e quer acabar com a hegemonia americana no Leste da Ásia.
Os EUA têm vários aliados ao redor da China, o Japão, a Coreia do Sul, as Filipinas e a Tailândia. Com Taiwan, assumiu o compromisso de garantir a segurança da ilha. Está reforçando a cooperação militar com a Índia, a Indonésia e o Vietnã. Se tivesse o controle de Taiwan, o regime comunista chinês teria acesso desimpedido ao Oceano Pacífico.
Sem uma declaração de independência de Taiwan, é improvável que a China invada Taiwan antes de 2030, quando terá acumulado grande poderio militar. A reunificação continuará sendo um objetivo central do regime comunista, mas ele deve seguir, ao menos por enquanto, as lições de Sun Tzu no clássico A Arte da Guerra: a maior vitória é derrotar o inimigo fora do campo de batalha, sem disparar um tiro.
A presença de fuzileiros navais americanos em Taiwan certamente será considerada em Beijim como um desafio ao regime comunista chinês. Será mais um ponto de atrito entre a China e os EUA, ao lado dos conflitos comerciais, da Coreia do Norte e do Mar do Sul da China.
Taiwan é a ilha para onde os nacionalistas comandados por Chiang Kai-shek fugiram quando a revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung tomou o poder, em 1º de outubro de 1949, criando na prática duas chinas com a República da China em Taiwan.
O regime comunista sempre adotou a política de que só existe uma China. Quando os EUA se reaproximaram da China com as visitas do assessor de segurança nacional Henry Kissinger, em 1971, e do presidente Richard Nixon, em 1972, Mao condicionou o estabelecimento de relações diplomáticas com os EUA ao rompimento dos EUA com Taiwan. O regime exige o mesmo de todo país que quiser manter relações com a China.
A República Popular da China também tomou de Taiwan a vaga da China como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em 1971.
Quando um partido favorável à independência estava prestes a vencer a eleição presidencial de 1996 em Taiwan, a China fez testes de mísseis ameaçadores. O então presidente americano, Bill Clinton, mandou uma força-tarefa de porta-aviões para o Estreito de Taiwan, de 180 quilômetros, que separa a ilha da China continental.
A China considerou uma humilhação. Desde aquela época, desenvolveu sistemas de mísseis, satélites e porta-aviões para desafiar a supremacia militar dos EUA no Leste de Ásia, que vem desde a Segunda Guerra Mundial.
Em Taiwan, com a democratização do país, as novas gerações têm um desejo crescente pela independência, considerada totalmente inaceitável pela ditadura comunista chinesa.
O Kuomintang (KMT), o partido de Chiang Kai-shek, que governou Taiwan na maior parte de sua história de relativa independência adota a política dos três nãos: não à unificação, não à independência e não à guerra. Defende a manutenção do status quo ambíguo, como quer a o regime comunista chinês, apostando numa reunificação até 2050.
Com a volta do Partido Democrático Progressista (PDP) ao poder, em 2016, aumenta a inquietação em Beijim sobre a independência de Taiwan. Há décadas, o regime comunista tenta controlar a ilha rebelde com um misto de intimidação militar e incentivos econômicos. Recentemente, aumentou a pressão militar.
Ao chegar à Casa Branca, o presidente Donald Trump, que não respeita protocolos nem políticas que não lhe agradem, recebeu cumprimentos pelo telefone da presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, para revolta da China. Foi a primeira vez que isto aconteceu desde o reatamento oficial entre os dois países, em 1978.
Como a estratégia de negociações de Trump é desestabilizar a outra parte, Taiwan volta a ser uma carta importante na disputa geopolítica entre os EUA e a China, que cada vez mais constrói uma máquina de guerra à altura do seu crescente poderio econômico e quer acabar com a hegemonia americana no Leste da Ásia.
Os EUA têm vários aliados ao redor da China, o Japão, a Coreia do Sul, as Filipinas e a Tailândia. Com Taiwan, assumiu o compromisso de garantir a segurança da ilha. Está reforçando a cooperação militar com a Índia, a Indonésia e o Vietnã. Se tivesse o controle de Taiwan, o regime comunista chinês teria acesso desimpedido ao Oceano Pacífico.
Sem uma declaração de independência de Taiwan, é improvável que a China invada Taiwan antes de 2030, quando terá acumulado grande poderio militar. A reunificação continuará sendo um objetivo central do regime comunista, mas ele deve seguir, ao menos por enquanto, as lições de Sun Tzu no clássico A Arte da Guerra: a maior vitória é derrotar o inimigo fora do campo de batalha, sem disparar um tiro.
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Homens armados tomam aeroporto na Crimeia
Pelo menos 150 homens armados e com uniforme militar tomaram o controle do aeroporto de Simferopol, a capital administrativa da república autônoma da Crimeia, na Ucrânia, informou a agência de notícias russa Interfax.
O grupo está tão bem armado quanto o que tomou mais cedo a sede do parlamento regional e hasteou a bandeira da Rússia. A queda do presidente Viktor Yanukovitch, um aliado de Moscou, não acaba com a influência e a ingerência do Kremlin na ex-república soviética da Ucrânia.
A Crimeia foi incorporada ao Império Russo no século 18, durante o reinado de Catarina II, a Grande (1762-96). Em 1954, para festejar os 300 anos da união entre Rússia e Ucrânia, foi dada de presente à Ucrânia pelo então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, Nikita Kruschev. Naquela época, a desintegração da URSS era inimaginável.
Hoje 60% da população da Crimeia é russa e gostaria de fazer parte da Rússia. O homem-forte do Kremlin, Vladimir Putin, manipula essa população para reafirmar o interesse imperial russo e evitar uma derrota total num país que considera parte da esfera de influência de Moscou.
O grupo está tão bem armado quanto o que tomou mais cedo a sede do parlamento regional e hasteou a bandeira da Rússia. A queda do presidente Viktor Yanukovitch, um aliado de Moscou, não acaba com a influência e a ingerência do Kremlin na ex-república soviética da Ucrânia.
A Crimeia foi incorporada ao Império Russo no século 18, durante o reinado de Catarina II, a Grande (1762-96). Em 1954, para festejar os 300 anos da união entre Rússia e Ucrânia, foi dada de presente à Ucrânia pelo então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, Nikita Kruschev. Naquela época, a desintegração da URSS era inimaginável.
Hoje 60% da população da Crimeia é russa e gostaria de fazer parte da Rússia. O homem-forte do Kremlin, Vladimir Putin, manipula essa população para reafirmar o interesse imperial russo e evitar uma derrota total num país que considera parte da esfera de influência de Moscou.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
China confrontou navio de guerra da Índia
A Marinha da China confrontou um navio de guerra da Índia que saía do Vietnã no fim do mês de julho, no primeiro incidente deste tipo entre as superpotências emergentes do século 21, noticiou hoje o jornal inglês Financial Times.
Um navio chinês não identificado interpelou o navio de assalto anfíbio Airavat no Mar da China Meridional, intimando-o a se identificar e explicar o que estava fazendo em águas internacionais.
Essa afirmação do crescente poderio naval da China irritou os militares da Índia e do Vietnã. O regime comunista chinês reivindica a soberania sobre todo o Mar da China Meridional. Tem disputas de limites com Brunei, Filipinas, Malásia, Taiwan e Vietnã.
“Qualquer Marinha do mundo tem ampla liberdade para navegar por alto mar e águas internacionais”, comentou um oficial indiano. “Proclamar soberania ou questionar o direito de passagem é totalmente inaceitável.”
Para o Vietnã, que entrou em guerra com a China em 1979, depois da invasão vietnamita ao Camboja para depor a ditadura genocida de Pol Pot, é mais uma provocação. Os dois países são inimigos históricos.
A China e a Índia também são inimigas históricas. Travaram uma guerra de fronteiras na região do Himalaia em 1962, e a China ganhou. Agora que os dois países passam por um período de extraordinário crescimento, a economia fortalece as relações bilaterais, mas a rivalidade política tende a crescer.
Ambas são membros do grupo BRICS, ao lado do Brasil, da Rússia e da África do Sul, mas têm pouco em comum, além da hostilidade ao imperialismo ocidental
Ambas são membros do grupo BRICS, ao lado do Brasil, da Rússia e da África do Sul, mas têm pouco em comum, além da hostilidade ao imperialismo ocidental
O governo chinês costurou uma série de alianças que cercam a Índia com o chamado colar de pérolas: Paquistão, Bangladesh, Sri Lanka, Mianmar e Nepal.
Por outro lado, a Índia se aproximou do Japão, inimigo histórico da China, e do Vietnã, e fez uma parceria nuclear com os EUA depois de testar armas atômicas, em 1998.
São os primeiros movimentos do xadrez geopolítico do século da Ásia.
São os primeiros movimentos do xadrez geopolítico do século da Ásia.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Navios de guerra do Irã cruzam Canal de Suez
Dois navios de guerra do Irã cruzaram hoje no Canal de Suez rumo à Síria, onde vão participar de manobras militares conjuntas. É a primeira vez que isso acontece desde a revolução islâmica no Irã, em 1979.
Israel, que considera as manobras uma provocação, entrou em estado de alerta.
Para o professor Uzi Rabi, especialista em Irã da Universidade de Telavive, em Israel, o Irã está testando a nova realidade geopolítica do Oriente Médio: "Os Estados Unidos estão mais fracos, e o regime militar do Egito que fez o acordo de paz com Israel está em crise. O Irã se aproveita disso para se afirmar como potência regional no Oriente Médio".
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