Uma bomba explodiu ontem numa estação rodoviária na cidade de Azare, no estado de Bauchi. Além de matar cinco pessoas e feriu outras 12, suscitou dúvidas sobre o acordo de cessar-fogo anunciado pelo governo da Nigéria com a promessa de que 219 adolescentes sequestradas há seis meses seriam libertadas.
O ataque foi atribuído à milícia terrorista muçulmana Boko Haram (Não à educação ocidental), responsável pelo sequestro das meninas, que luta para criar um califado na Nigéria.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Malala e engenheiro indiano ganham Prêmio Nobel da Paz
A jovem paquistanesa Malala Yussafzai baleada na cabeça há dois anos pela milícia terrorista dos Talebã por defender a educação feminina, e o engenheiro indiano Kailash Satyarthi, que luta contra o trabalho infantil e a escravidão de adultos, ganharam hoje o Prêmio Nobel da Paz, anunciou hoje de manhã em Oslo o comitê norueguês do Nobel.
"As crianças devem frequentar a escola e não serem exploradas financeiramente", declarou o presidente do comitê, Thorbjorn Jagland. "O Comitê do Nobel considera importante que um hindu e uma muçulmana, um indiano e uma paquistanesa participem da luta comum pela educação e contra o extremismo." Agraciou-os por "sua luta contra a opressão de criança e jovens e pelo direito de todas as crianças à educação".
Com apenas 17 anos, Malala é a pessoas mais jovem a receber um prêmio Nobel até hoje. Ao agradecer o prêmio, neste momento, ela lembrou que "a luta está apenas começando" porque ainda há milhões de crianças sem escola e defende a plena liberdade para as mulheres e a paz.
Malala recebeu a notícia da professora de química, em Birmingham, no Reino Unido, para onde foi levada para tratamento e descreveu a vida na terra onde nasceu, no Noroeste do Paquistão, como um reino do terror, onde os mulheres não podiam estudar nem sair de casa sozinhas.
Aos 11 anos, ela começou a escrever um blogue defendendo a educação feminina. Por isso, virou alvo dos talebã. Em outubro de 2012, terroristas invadiram um ônibus escolar e perguntaram: "Quem é Malala?" Identificada, a menina levou um tiro na cabeça.
O primeiro-ministro Nawaz Sharif disse que ela é um orgulho para o Paquistão. É a primeira pessoa do país a ganhar um prêmio Nobel.
Satyarthi, de 60 anos, foi agraciado por salvar 80 mil menores da escravidão. Ele dedicou o prêmio às crianças escravas e agradeceu ao Comitê do Nobel por "reconhecer o sofrimento de milhões de crianças", considerando-o "uma homenagem a todas as crianças que ainda sofrem com a escravidão, os trabalhos forçados e o tráfico de pessoas". E acrescentou: "Estima-se que 168 milhões de crianças trabalhem hoje em todo no mundo. No ano 2000, eram 78 milhões a mais. O mundo está mais perto de eliminar o trabalho infantil."
Eles vão dividir o prêmio de US$ 1,1 milhão a ser entregue em Oslo, na Noruega, em 10 dezembro, data da morte de Alfred Nobel, o inventor da dinamite, que deixou parte de sua fortuna para financiar o prêmio.
A Índia e o Paquistão travaram três guerras desde que se tornaram independentes do Império Britânico, em 1947, e vivem em estado de guerra. Neste mês, pelo menos 17 soldados foram mortos em trocas de tiros ao longo da "linha de controle" como é chamada a fronteira estabelecida num armistício. Ao dividir o prêmio entre os dois países, o Comitê do Nobel manda também um recado sobre um dos conflitos mais intratáveis do mundo.
"As crianças devem frequentar a escola e não serem exploradas financeiramente", declarou o presidente do comitê, Thorbjorn Jagland. "O Comitê do Nobel considera importante que um hindu e uma muçulmana, um indiano e uma paquistanesa participem da luta comum pela educação e contra o extremismo." Agraciou-os por "sua luta contra a opressão de criança e jovens e pelo direito de todas as crianças à educação".
Com apenas 17 anos, Malala é a pessoas mais jovem a receber um prêmio Nobel até hoje. Ao agradecer o prêmio, neste momento, ela lembrou que "a luta está apenas começando" porque ainda há milhões de crianças sem escola e defende a plena liberdade para as mulheres e a paz.
Malala recebeu a notícia da professora de química, em Birmingham, no Reino Unido, para onde foi levada para tratamento e descreveu a vida na terra onde nasceu, no Noroeste do Paquistão, como um reino do terror, onde os mulheres não podiam estudar nem sair de casa sozinhas.
Aos 11 anos, ela começou a escrever um blogue defendendo a educação feminina. Por isso, virou alvo dos talebã. Em outubro de 2012, terroristas invadiram um ônibus escolar e perguntaram: "Quem é Malala?" Identificada, a menina levou um tiro na cabeça.
O primeiro-ministro Nawaz Sharif disse que ela é um orgulho para o Paquistão. É a primeira pessoa do país a ganhar um prêmio Nobel.
Satyarthi, de 60 anos, foi agraciado por salvar 80 mil menores da escravidão. Ele dedicou o prêmio às crianças escravas e agradeceu ao Comitê do Nobel por "reconhecer o sofrimento de milhões de crianças", considerando-o "uma homenagem a todas as crianças que ainda sofrem com a escravidão, os trabalhos forçados e o tráfico de pessoas". E acrescentou: "Estima-se que 168 milhões de crianças trabalhem hoje em todo no mundo. No ano 2000, eram 78 milhões a mais. O mundo está mais perto de eliminar o trabalho infantil."
Eles vão dividir o prêmio de US$ 1,1 milhão a ser entregue em Oslo, na Noruega, em 10 dezembro, data da morte de Alfred Nobel, o inventor da dinamite, que deixou parte de sua fortuna para financiar o prêmio.
A Índia e o Paquistão travaram três guerras desde que se tornaram independentes do Império Britânico, em 1947, e vivem em estado de guerra. Neste mês, pelo menos 17 soldados foram mortos em trocas de tiros ao longo da "linha de controle" como é chamada a fronteira estabelecida num armistício. Ao dividir o prêmio entre os dois países, o Comitê do Nobel manda também um recado sobre um dos conflitos mais intratáveis do mundo.
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sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Paquistão prende talebã que atacaram Malala
O Exército do Paquistão anunciou hoje a prisão de dez suspeitos de atirar na adolescente Malala Youssafzai, que faz campanha em defesa da educação feminina. Para calar a menina, a milícia dos Talebã (Estudantes) invadiu um ônibus escolar e disparou contra as estudantes, em 2012.
Aos 11 anos, em 2009, ela começou a escrever um blogue na língua urdu sobre sua vida no vale do Swat, no Paquistão, uma região dominada por milícias tribais e grupos jihadistas. Isso irritou os extremistas muçulmanos, que decidiram matá-la.
Malala levou um tiro no rosto e passou por longo tratamento na Inglaterra. Sobreviveu e se tornou um símbolo da luta pelo direito das mulheres à educação. Outras duas meninas foram feridas.
Aos 11 anos, em 2009, ela começou a escrever um blogue na língua urdu sobre sua vida no vale do Swat, no Paquistão, uma região dominada por milícias tribais e grupos jihadistas. Isso irritou os extremistas muçulmanos, que decidiram matá-la.
Malala levou um tiro no rosto e passou por longo tratamento na Inglaterra. Sobreviveu e se tornou um símbolo da luta pelo direito das mulheres à educação. Outras duas meninas foram feridas.
terça-feira, 6 de maio de 2014
EUA e Reino Unido ajudam Nigéria a encontrar meninas
Mais oito meninas foram sequestradas hoje no Nordeste da Nigéria, elevando para 284 o total de reféns tomadas pelo grupo terrorista muçulmano Boko Haram, que luta para implantar a lei islâmica na região. A Nigéria aceitou ajuda tecnológica dos Estados Unidos e do Reino Unido para tentar localizar as estudantes.
Sob intensa pressão, o governo nigeriano alega estar fazendo todo o possível, mas só ontem pediu ajuda internacional. As primeiras estudantes foram sequestradas à noite de uma escola em regime de internato da cidade de Chibok em 14 de abril de 2014.
Ontem, um líder do grupo divulgou um vídeo na Internet ameaçando vender as meninas como escravas. Boko Haram significa "a educação ocidental é pecaminosa". Pela ideologia do grupo, mulher deve casar e não estudar.
Em entrevista à televisão americana CNN, o escritor nigeriano Wole Soyinka, ganhar do Prêmio Nobel de Literatura, lamentou o atraso, o subdesenvolvimento e a ignorância dos militantes do Boko Haram, que comparou com o Exército de Libertação do Senhor, cristão, liderado pelo criminoso de guerra procurado vivo ou morto Joseph Kony: "A estupidez é fruto da ignorância, não da religião."
Sob intensa pressão, o governo nigeriano alega estar fazendo todo o possível, mas só ontem pediu ajuda internacional. As primeiras estudantes foram sequestradas à noite de uma escola em regime de internato da cidade de Chibok em 14 de abril de 2014.
Ontem, um líder do grupo divulgou um vídeo na Internet ameaçando vender as meninas como escravas. Boko Haram significa "a educação ocidental é pecaminosa". Pela ideologia do grupo, mulher deve casar e não estudar.
Em entrevista à televisão americana CNN, o escritor nigeriano Wole Soyinka, ganhar do Prêmio Nobel de Literatura, lamentou o atraso, o subdesenvolvimento e a ignorância dos militantes do Boko Haram, que comparou com o Exército de Libertação do Senhor, cristão, liderado pelo criminoso de guerra procurado vivo ou morto Joseph Kony: "A estupidez é fruto da ignorância, não da religião."
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Boko Haram escraviza e ameaça vender meninas
O grupo terrorista muçulmano Boko Haram assumiu hoje a responsabilidade pelo sequestro de 276 meninas numa escola secundária da cidade de Chibok, no estado de Borno, no Norte da Nigéria, em 14 de abril de 2014, ameaçando obrigá-las a se casar ou vendê-las como escravas.
"Eu raptei suas meninas. Vamos vendê-las no mercado, por Alá. Alá mandou vendê-las. Eu vendo mulheres", afirmou em vídeo de tom delirante o líder jihadista Abubakar Shekau. Uma menina que conseguiu fugir acusou os terroristas de estuprarem as meninas várias vezes por dia.
De pé diante de um blindado, ele atacou a educação feminina: "Já disse que a educação ocidental deve parar. Vocês, meninas, devem deixar a escola e se casar." Por enquanto, as raptadas serão tratadas como "escravas".
Antes mesma de declaração delirante, várias mães das vítimas e grupos de defesa dos direitos humanos compararam o sequestro das meninas com o que acontecia durante o tráfico de escravos, quando tribos africanas vendiam inimigos capturados para a escravidão. O objetivo central dos terroristas foi atingido: aterrorizadas, as meninas nigerianos não querem mais ir à escola.
Hoje o presidente Goodluck Jonathan fez o primeiro pronunciamento sobre o caso na televisão nigeriana. Prometeu libertar todas as meninas, mas ficou claro que o governo não sabe onde elas estão. Está perdendo a guerra para os fundamentalistas, alinhados ideologicamente com a rede terrorista Al Caeda.
Na língua hauçá, Boko Haram significa "a educação ocidental é pecaminosa". Desde 2009, o grupo matou mais de 3 mil pessoas na sua luta para impor a lei islâmica ao Norte de Nigéria, o mais rico e mais populoso país da África. Inicialmente suas ações se concentraram no Norte do país. No fim de semana, houve um segundo ataque contra um terminal de ônibus de Abuja, a capital nigeriana.
Como o presidente Jonathan é cristão e sulista, políticos muçulmanos e nortistas insuflariam a revolta para enfraquecer o presidente e eleger um presidente muçulmano sob a alegação de que teria mais condições de conter a ofensiva jihadista.
"Eu raptei suas meninas. Vamos vendê-las no mercado, por Alá. Alá mandou vendê-las. Eu vendo mulheres", afirmou em vídeo de tom delirante o líder jihadista Abubakar Shekau. Uma menina que conseguiu fugir acusou os terroristas de estuprarem as meninas várias vezes por dia.
De pé diante de um blindado, ele atacou a educação feminina: "Já disse que a educação ocidental deve parar. Vocês, meninas, devem deixar a escola e se casar." Por enquanto, as raptadas serão tratadas como "escravas".
Antes mesma de declaração delirante, várias mães das vítimas e grupos de defesa dos direitos humanos compararam o sequestro das meninas com o que acontecia durante o tráfico de escravos, quando tribos africanas vendiam inimigos capturados para a escravidão. O objetivo central dos terroristas foi atingido: aterrorizadas, as meninas nigerianos não querem mais ir à escola.
Hoje o presidente Goodluck Jonathan fez o primeiro pronunciamento sobre o caso na televisão nigeriana. Prometeu libertar todas as meninas, mas ficou claro que o governo não sabe onde elas estão. Está perdendo a guerra para os fundamentalistas, alinhados ideologicamente com a rede terrorista Al Caeda.
Na língua hauçá, Boko Haram significa "a educação ocidental é pecaminosa". Desde 2009, o grupo matou mais de 3 mil pessoas na sua luta para impor a lei islâmica ao Norte de Nigéria, o mais rico e mais populoso país da África. Inicialmente suas ações se concentraram no Norte do país. No fim de semana, houve um segundo ataque contra um terminal de ônibus de Abuja, a capital nigeriana.
Como o presidente Jonathan é cristão e sulista, políticos muçulmanos e nortistas insuflariam a revolta para enfraquecer o presidente e eleger um presidente muçulmano sob a alegação de que teria mais condições de conter a ofensiva jihadista.
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