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sábado, 7 de janeiro de 2023

Hoje na História do Mundo: 7 de Janeiro

CAI REINO DO TERROR DE POL POT

    Em 1979, dias depois da uma invasão vietnamita, cai o regime terrorista do ditador Pol Pot, do Khmer Vermelho, responsável pela morte de 1,5 a 2 milhões desde que tomou o poder no Camboja, em 16 de abril de 1975, duas semanas antes do fim da Guerra do Vietnã, quando o país é bombardeado pelos Estados Unidos.

Desde os anos 1960, o Khmer Vermelho sonha em criar uma sociedade comunista primitiva, um maoísmo radical, uma sociedade agrária sem qualquer resquício do colonialismo ocidental, a partir de um Ano Zero.

Em 1970, um golpe militar apoiado pelos EUA derruba o rei Norodom Sihanouk, o Príncipe Vermelho, e leva ao poder o general Lon Nol, que governo até o Khmer Vermelho tomar o poder.

Durante a Guerra do Vietnã, os EUA bombardearam sistematicamente a Trilha de Ho Chi Minh, usada por guerrilheiros e soldados do Vietnã do Norte para atacar o Sul passando por território cambojano. O ataques aéreos com bombas incendiárias e armas químicas desfolhantes desestabilizaram o Camboja.

ATAQUE AO CHARLIE HEBDO

    Em 2015, extremistas muçulmanos atacam a redação do jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris, e matam 11 jornalistas, em protesto contra a publicação de caricaturas do profeta Maomé, e um policial que atende à ocorrência é fuzilado pelos terroristas em fuga.

O Charlie Hebdo tem um histórico de desafio à religião na França, que é um Estado laico. Em 2006, republica as caricaturas do profeta que saem no jornal dinamarquês Jyllands-Posten. É alvo de um ataque a bomba em 2011 depois de publicar uma edição com o título Sharia Hebdo, ironizando a charia, a lei corânica.

O diretor do jornal, Stéphane Charbonnie, grande crítico da religião e do fundamentalismo islâmico, entra na lista de alvos da rede terrorista Al Caeda em 2013.

Dois irmãos franceses de origem argelina, Chérif e Saïd Kouach, ligados à rede terrorista Al Caeda, cometem o atentado, fogem e morrem em tiroteio com a polícia nos arredores de Paris dias depois. Uma policial negra é morta no mesmo dia na capital francesa.

Três dias depois do ataque ao jornal, Ahmed Coulibaly, que jura lealdade à organização terrorista Estado Islâmico, toma um supermercado de comida kosher em Paris e mata quatro pessoas, todas judias, antes de ser morto pela polícia.

domingo, 15 de novembro de 2015

Terrorista francês do Bataclan passou meses na Síria

Um dos terroristas suicidas que atacaram em 13 de novembro o teatro Bataclan, onde pelo menos 90 pessoas morreram na onda de terror em Paris, foi identificado ontem como Ismael Omar Mostefaï, de 29 anos. Ele vivia no bairro de La Madeleine, na cidade de Chartres. Esteve na Síria do outono de 2013 à primavera de 2014, informa o jornal Le Monde.

Pelo menos 14 pessoas foram detidas e interrogadas neste fim de semana na investigação do pior atentado terrorista da história da França. A polícia procura dois irmãos franceses. Um se matou no Boulevard Voltaire sem ferir mais ninguém. O outro continua solto.

Mostefaï era conhecido dos serviços secretos franceses, assim como os irmãos Kouachi, que atacaram o jornal Charlie Hebdo em janeiro, e Amédy Coulibali, que aterrorizou Paris nos dias seguintes. Os estrangeiros mortos nos atentados não eram.

Com 5 a 7 milhões de muçulmanos, a França tem a maior população muçulmana da Europa. Pelo menos 1,5 mil franceses lutaram nas guerras do Oriente Médio ao lado do Estado Islâmico do Iraque e do Levane. Cerca de 250 já voltaram para casa com treinamento militar.

Ao todo, há 5 mil muçulmanos suspeitos de atividades extremistas. É muita gente para os serviços secretos vigiarem. O marroquino Ayoub el-Khazzani, desarmado quando se preparava para metralhar os passageiros de um trem Amsterdã-Paris em 21 de agosto de 2015 estava na lista de suspeitos. Saiu por falta de agentes para espioná-lo.

Outro homem-bomba, que se detonou no Estádio da França, em Saint-Denis, na Região Metropolitana de Paris, tinha um passaporte sírio. A Grécia revelou que ele entrou na União Europeia em 3 de outubro, mas a identidade não está confirmada.

Dois carros usados nos ataques foram abandonados pelos terroristas e encontrados pela polícia francesa. Um tinha vários fuzis Kalachnikov.

Em Bruxelas, a polícia da Bélgica localizou um carro que teria sido usado em Paris e prendeu sete suspeitos. Dois dos sete terroristas mortos nos atentados eram franceses que moravam na capital belga.

sábado, 14 de novembro de 2015

Estado Islâmico assume autoria da onda de terror em Paris

Em comunicado divulgado na Internet, a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou hoje a responsabilidade pelos atentados que mataram pelo menos 128 pessoas ontem em Paris, descrita pelos jihadistas como "a capital do adultério e do vício". Outras 237 pessoas estão feridas, 99 em estado grave.

O grupo declara que estudou os alvos e mobilizou oito milicianos com explosivos levados junto ao corpo, além de fuzis de guerra, para atacar seis pontos diferentes de Paris. Oito terroristas foram mortos, mas se acredita que os que atacaram bares e restaurantes tenham conseguido fugir. O comunicado tenta proteger a fuga dos outros participantes.

Três terroristas suicidas morreram em ataques ao redor do Estádio da França, alvejado por se tratarem de "dois países cristãos" e pela presença do presidente François Hollande, retirado às pressas pelo serviço secreto depois da primeira explosão. Suspeita-se que os homens-bomba tenha tentado entrar no estádio, que estava com a segurança reforçada por causa do presidente francês.

Além dos jihadistas que atacaram, muito mais gente deve ter participado da organização da noite de terror em Paris para escolher alvos, escalar os milicianos, conseguir as armas e levá-los aos locais atacados.

A maior matança foi no teatro Bataclan, onde uma banda de rock pesado americana, Eagles of Death Metal, dava um show. Pelo menos 90 pessoas e quatro terroristas morreram lá. Um vídeo da fuga do público foi divulgado pelas Notícias do Yahoo.

Os atentados foram os mais violentos em uma década, desde o auge dos ataques espetaculares da rede terrorista Al Caeda contra Nova York e o Pentágono, nos EUA, em 11 de setembro de 2001, com quase 3 mil mortes; Báli, na Indonésia, onde 202 pessoas morreram em 12 de outubro de 2002; Madri, na Espanha, onde 191 pessoas foram mortas em explosões no metrô; e Londres, no Reino Unido, em 7 de julho de 2005, quando 52 pessoas morreram em ataques coordenados ao sistema de transportes.

A onda de terror em Paris se parece mais com o que aconteceu em Mumbai de 26 a 29 de novembro de 2008, quando a maior e mais rica cidade da Índia foi atacada em 12 pontos por 10 terroristas paquistaneses do grupo Lashkar-e-Taiba (Exército dos Puros). Em quatro dias, 164 pessoas foram mortas e 308 saíram feridas de ações contra hotéis de luxo, uma estação ferroviária, um centro comercial e um clube judaico.

Em 7 de janeiro deste ano, os irmãos Chérif e Saïd Kouachi, cidadãos franceses, metralharam a redação do jornal satírico Charlie Hebdo, que havia publicado caricaturas do profeta Maomé consideradas ofensivas à religião muçulmana. Doze pessoas foram mortas no ataque e na fuga. Um dos terroristas havia sido treinado no Iêmen pela rede Al Caeda na Península Arábica.

No dia seguinte, Amédy Coulibali matou uma policial numa cidade-satélite de Paris. Em 9 de janeiro, ele invadiu um supermercado de comida kosher e matou quatro pessoas antes de ser morto pela polícia.

Neste verão no Hemisfério Norte, em 21 de agosto, o marroquino Ayoub el-Kazzani saiu do banheiro de um trem que fazia a rota Amsterdã-Paris sem camisa, com um fuzil de guerra AK-47 e nove cartuchos de munição com um total de 270 balas.

Por sorte, havia um militar das Forças Armadas dos EUA, Spencer Stone, e um membro da Guarda Nacional, Alex Skarlatos, em férias na Europa. Com a ajuda de um amigo e outros passageiros, eles dominaram o terrorista e evitaram um massacre. Eles foram condecorados pelo presidente Hollande como heróis da França. Não é todo dia que um terrorista desajeitado tenta carregar suas armas diante de dois militares americanos.

Com 224 mortos, o abate de um avião de passageiros Airbus da companhia russa Metrojet na Península do Sinai, no Egito, em 31 de outubro de 2015, reivindicado pelo Estado Islâmico, foi o pior contra a aviação civil desde 11 de setembro de 2001. Há dois dias, um duplo atentado terrorista matou pelo menos 43 pessoas no Sul de Beirute, no Líbano, reduto da milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus).

Sob bombardeios aéreos das duas maiores potências mundiais, os EUA e a Rússia, nos campos de batalha do Oriente Médio, o Estado Islâmico vê seu território encolher nas guerras civis do Iraque e da Síria - e apela ao terrorismo.

Para combater e acabar com o EI, é preciso primeiro lhe negar o controle dos territórios onde fundou um califado para se apresentar como um Estado. A discussão hoje é quem vai realizar a operação terrestre para reconquistar as terras tomadas pelos jihadistas.

Mas mesmo depois de derrotado no campo de batalha e acuado, o EI ainda terá o poder de realizar atentados espetaculares. A onda de terror em Paris é um exemplo. E o Rio de Janeiro deve estar preparado. Atacar pessoas que se divertem numa sexta-feira à noite no futebol, num show de rock, em bares e restaurantes é muito fácil.

O terror procura alvos fáceis e a sociedade democrática e liberal não tem como evitar essas tragédias sem uma militarização que comprometeria seus valores mais importantes.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Al Caeda toma três cidades do Sul do Iêmen

A rede terrorista Al Caeda na Península Arábica conquistou três cidades próximas ao porto de Áden, no Sul do Iêmen, noticiou a agência Associated Press (AP) citando fontes militares iemenitas. As cidades de Rabat, Al-Lahoum e Al-Massaabin foram transformadas em bases militares.

Al Caeda na Península Arábica se instalou no Iêmen para fugir da repressão na Arábia Saudita. Lá, treinou Umar Faruk Abdulmutallab, que tentou explodir um avião americano da Northwest Airlines quando chegava ao aeroporto de Detroit, nos Estados Unidos, vindo de Amsterdã, na Holanda, no Natal de 2009.

Os irmãos Chérif e Saïd Kouachi, responsáveis pelo atentado que matou 12 pessoas na sede do jornal francês Libération em 7 de janeiro de 2015, também foram treinados pela Al Caeda no Iêmen.

No momento, Al Caeda se beneficia da guerra civil dos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, contra o governo sunita deposto em fevereiro, que tem o apoio da Arábia Saudita. Desde 25 de março de 2015, os sauditas e aliados bombardeiam posições dos hutis.

Os Estados Unidos atacavam regularmente os acampamentos da rede terrorista no Iêmen com aviões não tripulados, mas a queda do governo reduziu sensivelmente a operação.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Reação ao terrorismo aumenta popularidade do governo da França

A reação aos atentados terroristas de 7 a 9 de janeiro de 2015 melhorou a popularidade do governo socialista da França, abalado pela estagnação econômica. A aprovação ao presidente François Hollande subiu dez pontos para 31%, enquanto o primeiro-ministro Manuel Valls ganhou oito pontos e chegou a 53%, indica pesquisa do instituto Odoxa divulgada hoje.

Pela análise do instituto, a popularidade de Hollande parou de subir. Seu avanço teria sido resultado da grande Marcha Republicana que reuniu mais de 1,5 milhão de pessoas em Paris em 11 de janeiro. Passado o efeito, não cresceu mais.

Em 7 de janeiro, os irmãos Saïd e Chérif Kouachi metralharam a redação do jornal satírico Charlie Hebdo, matando 11 pessoas e um policial que tentou interceptar sua fuga, em vingança pela publicação de caricaturas do profeta Maomé. No dia seguinte, outro extremista muçulmano, Amédy Coulibaly, matou uma policial na periferia de Paris.

Em 9 de janeiro, enquanto os irmãos Kouachi eram encurrados numa gráfica ao norte da capital, Coulibaly ocupou um supermercado de comida judaica em Paris, e matou quatro judeus antes de ser morto pela polícia.

Num primeiro momento, havia expectativa de um fortalecimento da extrema direita, que não pode ser descartado. Mas as propostas da Frente Nacional para combater o terrorismo não agradam muito nem trazem nada de novo: pena de morte, deixar a União Europeia e restringir a imigração.

Os partidos tradicionais podem ganhar com respostas mais equilibradas.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Terroristas que atacaram jornal foram mortos, diz Le Monde

Os irmãos franceses de origem argeliana Saïd e Chérif Kouachi, que atacaram há dois dias o jornal satírico Charlie Hebdo, matando 12 pessoas, foram mortos pela polícia da França no assalto a uma fábrica onde estavam escondidos, na cidade de Dammartin-en-Goële, perto do Aeroporto Charles de Gaulle, noticiou há pouco o jornal francês Le Monde.

O outro terrorista, Amédy Coulibaly, de origem africana, que ocupou um supermercado judaico perto da Porta de Vincennes, em Paris, também foi morto pela polícia, acrescentou o Monde. Antes, pelo telefone, ele declarou pertencer ao Estado Islâmico e disse ter coordenado a ação com os irmãos Kouachi. Ainda não se sabe o que ocorreu com sua mulher, Hayat Moubeddiene, que teria escapado em meio aos reféns e está sendo procurada pela polícia.

Há feridos e pelo menos quatro reféns teriam sido mortos, informa o jornal inglês The Independent citando fontes da imprensa francesa. Quando o supermercado foi tomado, houve uma notícia de que duas pessoas teriam sido mortas. A polícia desmentiu essa informação depois.

O prefeito de Dammartin-en-Goële, Michel Dutruge, confirmou há pouco as mortes dos irmãos Kouachi. Decididos a morrer como mártires, eles teriam saído atirando de um escritório da fábrica onde se refugiaram, na cidade de Dammmartin-en-Goële. Quando estavam cercados, em declaração a jornalistas por telefones, Chérif declarou que eles foram treinados e financiados pela rede terrorista Al Caeda na Península Ibérica, com sede no Iêmen.

Chérif Kouachi e Coulibaly se conheceram na prisão, em 2005, quando já eram extremistas muçulmanos. Depois de sair da prisão, ambos frequentavam a mesma mesquita do 19º distrito de Paris, e treinavam para a "guerra santa" correndo num parque nos arredores.

O jornal americano USA Today publicou hoje à tarde que os irmãos Kouachi estiveram na Síria no ano passado.

França enfrenta dois atos terroristas com tomada de reféns

Pelo menos duas pessoas teriam sido mortas num ataque a um supermercado judaico em que há pelo menos seis reféns, perto da Porta de Vincennes, em Paris. A polícia da França acredita que o responsável seja o mesmo terrorista que matou uma policial ontem em Montrouge, um subúrbio do Sul da capital.

Em outro incidente, os dois acusados pelo massacre na redação do jornal satírico Charlie Hebdo, os irmãos franceses Saïd e Chérif Kouachi, tomaram reféns e estão cercados em Dammartin-en-Goële, a 48 km de Paris. Eles abandonaram o último caso usado na fuga e se esconderam numa fábrica onde tomaram pelo menos um refém.

Quase 90 mil policiais participam das duas operações.

Os dois irmãos franceses de origem argeliana não admitem se render. Disseram aos negociadores da polícia estar "prontos para o martírio". Já o terrorista que está no supermercado exige a libertação dos assassinos dos cartunistas. Comandos de elite da polícia francesa estão de prontidão, tentando vencer os sequestradores pelo cansaço.

Toda a população da cidade de Dammartin-en-Goële foi evacuada. Os policiais tentam negociar a libertação dos reféns.

A polícia de Paris anunciou agora o fechamento do comércio no bairro do Marais, onde grande parte da população é judaica.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Suspeito do atentado recebeu treinamento no Iêmen

Um dos suspeitos pelo atentado com 12 mortes contra o jornal satírico Charlie Hebdo, Saïd Kouachi, de 34 anos, recebeu treinamento de guerrilha no Iêmen, revelaram hoje funcionários dos Estados Unidos. O serviço francês chegou à mesma conclusão. Ele e o irmão, Chérif Kouachi, estava na lista de pessoas proibidas de entrar nos EUA por suspeita de terrorismo.

O Iêmen é hoje a principal base da rede Al Caeda na Península Arábica, que fugiu da Arábia Saudita para escapar da repressão. Lá foi treinado o terrorista nigeriano Umar Faruk Abdulmutallab, que tentou explodiu um Airbus A330 da companhia aérea Northwest Airlines que fazia a rota Amsterdã-Detroit no Natal de 2009.

"Sabemos que eles foram inspirados pela Caeda, mas não sabemos até onde eles estão ligados à rede", comentou um funcionário do governo dos EUA citado anonimamente pelo jornal The Wall St. Journal.

Quando invadiram a sede do jornal, em 7 de janeiro de 2015, os terroristas berraram que eram d'al Caeda no Iêmen. Hoje o Estado Islâmico do Iraque e do Levante elogiou o atentado, mas não reivindicou a responsabilidade. Há uma concorrência entre os dois grupos jihadistas para ver qual provoca maior ultraje.

"O ataque foi muito complexo. Obviamente foi menos complexo do que os atentados de 11 de setembro, mas foi taticamente complexo. Exigiu planejamento, reconhecimento do terreno, logística e apoio", concluiu o general reforma Michael Flynn, ex-chefe da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA. "Eles treinaram para este ataque em algum outro lugar, mas hoje menos tempo é gasto em centros de treinamento. Claramente eles ensaiaram esse ataque."

Como analista de inteligência, Flynn está convencido de que os terroristas atingiram o objetivo desejado ao massacrar a redação do Charlie Hebdo: "O impacto estratégico é exatamente o que eles queriam. O que eles querem é a condenação internacional. Pode parecer estranho para nós, mas faz sentido para eles. É o que os transforma em heróis. O triunfo para eles é serem vistos como heróis no mundo dos islamitas radicais."

Polícia francesa fecha o cerco a terroristas numa área de 20 km2

A caçada aos dois irmãos Chérif e Saïd Kouachi, principais suspeitos do atentado terrorista contra o jornal Charlie Hebdo ontem em Paris, concentra-se neste momento numa área de 20 quilômetros quadrados de uma área de florestas do município de Crepy-en-Valois, informa o jornal conservador francês Le Figaro.

Neste momento, a polícia vasculha uma área próxima ao local onde Chérif e Saïd Kouachi, franceses de origem argeliana, abandonaram ontem um carro usado na fuga, na região da Picarcia, no Norte da França. Dentro dele, encontraram bandeiras jihadistas e coquetéis Molotov.

Chérif, que também usava o nome muçulmano Abu Issen, foi preso em 2005 e condenado em 14 de maio de 2008 por recrutar voluntários para lutar na guerra civil do Iraque, contou o jornal Le Monde. Teria sido motivado por uma revolta contra os presos torturados pelos Estados Unidos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque.

Os serviços secretos franceses o vigiaram até 2010. Pararam de fazer isso por falta de pessoal. As autoridades do país têm uma lista de 5 mil suspeitos de militar em grupos jihadistas.

Em entrevista a Le Figaro, seu advogado, Vincent Ollivier, como "um perdedor radicalizado", "um jovem nos seus 20 anos que não mais o que fazer da vida", "um motoboy entregador de pizza que fumava haxixe e trabalhava para comprar a droga". O islamismo radical deu sentido à sua vida.

A pista foi uma carteira de identidade de Saïd deixada no primeiro carro usado na fuga. Ele e o irmão formariam uma "célula terrorista familiar". Seu alcance e ramificações estão sendo investigadas pela polícia.

Na escola secundária, Chérif conheceu seus primeiros cúmplices. Juntos, eles usavam drogas, traficavam e cometiam pequenos roubos e furtos. Ele era considerado o mais arrojado e violento da gangue. Seu fascínio pela "guerra santa" islâmica começou em 2003, quando ele passou a frequentar a mesquita de Addawa, no bairro de Stalingrado, em Paris.

Lá, Chérif conheceu Farid Benyettou, o organizador do comitê de recrutamento de voluntários para a luta contra a invasão americana no Iraque. O guru fazia a doutrinação na casa dos novatos ou num prédio especial do bairro.

Seu estilo de vida mudou radicalmente. Chérif parou de fumar e traficar. Passou a pesquisar ativamente na Internet vídeos sobre a "guerra santa".

A invasão americano-britânica do Iraque para depor Saddam Hussein, em março de 2003, virou o exemplo máximo da maligna interferência ocidental nos países muçulmanos. Chérif se tornou recrutador.

Preso em Paris em janeiro de 2005, quando embarcava para a Síria rumo ao Iraque, ele ficou na cadeia até outubro de 2006. Quando foi condenado a três anos com direito a suspensão da pena, em 2008, ficou em liberdade por já ter cumprido metade da pena antes do julgamento.

Na prisão de Fleury-Mérogis, na região de Essone, Chérif conheceu seu novo guru: Djamel Beghal, que usava o nome de guerra de Abu Hamza, condenada a dez anos de cadeia por planejar um atentado frustrado contra a Embaixada dos EUA na França.

Em maio de 2010, ele foi preso sob suspeita de ajudar a fuga de um líder jihadista denunciado por um atentado contra o metrô de Paris. Cinco meses depois, foi solto. Saïd também era réu no mesmo caso.

Em 26 de julho de 2013, a Promotoria de Paris abandonou o caso por falta de provas, "apesar de sua adesão ao islamismo radical e de seu interesse em teses que defendem a legitimidade da 'guerra santa' armada".

Um juiz de instrução lamenta agora: "Naquela época, não podíamos adivinhar sua periculosidade."

França prende sete suspeitos e tem outros incidentes suspeitos

Sete pessoas ligadas aos suspeitos de atacar ontem o jornal humorístico Charlie Hebdo em Paris, matando 12 pessoas, foram presas, anunciou hoje de manhã o primeiro-ministro da França, Manuel Valls, mas não os principais suspeitos, Chérif e Saïd Kouachi, que teriam sido vistos num posto de gasolina no Norte do país.

Uma policial foi morta a tiros num subúrbio da periferia da capital francesa. O caso está sendo tratado como terrorismo. Também houve a explosão de uma bomba perto de um restaurante especializado em kebabs no interior do país.

Os franceses acordaram num pesadelo já comparado aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Paris, uma cidade-símbolo da cultura e da civilização ocidental está sitiada. E os jornalistas têm consciência de que alguém os espreita pela mira de fuzis Kalashnikov.

Suspeito mais jovem se entrega à polícia na França

O mais jovem dos três terroristas suspeitos de matar 12 pessoas hoje na sede do jornal francês Charlie Hebdo, Hamyd Mourad, de 18 anos, se entregou à polícia da França, noticiou há pouco a Agência France Presse (AFP).

A polícia divulgou fotos dos outros dois suspeitos, os irmãos Chérif e Saïd Kouachi, e pediu ajuda à população para localizá-los.

Chérif foi processado em 2008 por alistar voluntários para lutar no Iraque e cumpriu pena de um ano e meio de prisão. Já tinha passagens pela cadeia, um dos grandes centros de doutrinação do extremismo muçulmano na França. Estava nas listas de suspeitos de terrorismo do governo dos Estados Unidos. Alguns agentes americanos disseram anonimamente não entender como os serviços secretos franceses não estavam de olho nele e permitiram que conseguisse fuzis Kalachnikov.

Nas prisões, os jihadistas se aproximam de jovens marginais condenados por pequenos crimes comuns e tratam de convertê-los ao Islã e à guerra santa contra os infiéis.

Mais tarde, Mourad foi declarado inocente e livre de qualquer suspeita. Ele se entregou pretextando inocência.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Polícia francesa identifica suspeitos do atentado em Paris

A polícia da França já tem os nomes dos três suspeitos de atacar o jornal humorístico Charlie Hebdo hoje de manhã em Paris, matando 12 pessoas. Eles foram identificados como os irmãos franceses Saïd e Chérif Kouachi, de 34 e 32 anos, e Hamyd Mourad, um jovem de 18 anos de nacionalidade não revelada.

Há uma operação policial em andamento agora à noite em Reims, a cerca de 160 quilômetros da capital da França. Mais de 3 mil policiais participam das buscas. O Exército patrulha portos, aeroportos, estações de trem e metrô, centros comerciais e lojas de departamentos.

Os terroristas pareciam bem treinados e armados com fuzis Kalachnikov e granadas de mão, e balaclavas para esconder a identidade. A ação não parece ter sido planejada por uma microcélula terrorista como o ataque ao Chocolate Lindt Café, em Sídnei, na Austrália.

Um sobrevivente contou que eles pediram a cada uma das vítimas que se identificasse antes de atirar.