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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Governo e oposição assinam acordo de paz em Moçambique

O presidente Filipe Nyusi, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Ossufo Momade, assinaram ontem um acordo de paz para evitar a volta da guerra civil a este país da África Austral. 

Se a paz entre os dois inimigos histórico for finalmente alcança, Moçambique poderá se concentrar na luta contra uma crescente rebelião de extremistas muçulmanos no Norte do país.

O sucesso do acordo depende da desmobilização ou integração às Forças Armadas de 5 mil milicianos da Renamo. Isto não aconteceu em acordos de paz anteriores por desconfiança dos rebeldes quanto às reais intenções do governo.

Afonso Dhlakama, líder histórico da Renamo, falecido em 3 de maio de 2018, nunca depôs as armas. Sua morte enfraqueceu o grupo, que luta para se manter politicamente relevante como eterno partido de oposição que nunca chegou ao poder.

A Renamo nasceu em 1975 como uma organização anticomunista para se contrapor à Frelimo, que governa o país desde a independência de Portugal, alguns meses antes, naquele mesmo. Foi criada pela Organização Central de Inteligência da Rodésia, hoje Zimbábue, na época governada por uma ditadura da minoria branca no modelo do regime do apartheid na África do Sul.

O ditador branco Ian Smith queria impedir que Moçambique servisse de refúgio para os rebeldes negros da União Nacional Africana do Zimbábue, que lutavam contra o regime segregacionista da minoria branca e conquistariam a vitória em 1980, sob a liderança de Robert Mugabe.

Em plena Guerra Fria, o governo de Samora Machel, da Frelimo, era aliada da União Soviética, do Congresso Nacional Africano, que lutava contra o apartheid na África do Sul, e dos rebeldes do Zimbábue, enquanto as ditaduras da minoria branca eram aliadas do Ocidente até começarem a ser alvo de sanções internacionais contra seus regimes racistas.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Líder histórico da oposição de Moçambique morre aos 65 anos

O veterano líder rebelde Afonso Dhlakama, chefe da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), o maior partido de oposição de Moçambique, morreu aos 65 anos em seu refúgio na Floresta da Gorongosa, aparentemente depois de sofrer um ataque cardíaco, informou hoje a Agência France Presse (AFP).

A Resistência Nacional Moçambicana nasceu com nome inglês em 1976 na antiga Rodésia, hoje Zimbábue, na época governada por uma ditadura da minoria branca, como a vizinha África do Sul. Era uma aliança anticomunista sustentada pelos regime brancos do Sul da África e os conservadores nos Estados Unidos para combater o governo marxista da Frente da Libertação de Moçambique (Frelimo), aliada da União Soviética na Guerra Fria.

Para o ditador rodesiano Ian Smith, a preocupação era que a Frelimo desse refúgio aos guerrilheiros da União Nacional Africana do Zimbábue (ZANU, em inglês), que chegaria ao poder em 1980 com Robert Mugabe. Ironicamente, o governo Margaret Thatcher chegou a apoiar a Frelimo porque o Reino Unido queria acabar com a ditadura de Ian Smith.

Dhlakama chegou a ser membro da Frelimo na luta pela independência, mas foi um dos fundadores da Renamo. Depois da morte em combate do primeiro presidente, André Maitsangaíssa, em 17 de outubro de 1979, Dhlakama assumiu o comando da luta armada contra o governo comunista da Frelimo.

A guerra civil moçambicana durou até 1992. Com o acordo de paz, garantido por uma força de paz das Nações Unidas com grande participação brasileira, Dhlakama disputou cinco eleições presidenciais e a Renamo, cinco eleições legislativas. Ficaram sempre em segundo lugar, atrás da Frelimo, que governa Moçambique até hoje. Seu melhor resultado foi 2.133.655 votos (47,7%), em 1999, quando perdeu para o então presidente Joaquim Chissano (1986-2005), com 2.338.888 votos (52,3%).

Como na África o chefe é o chefe, não pode ser segundo de ninguém, Dhlakama nunca aceitou ser vice-presidente ou líder da oposição na Assembleia Nacional, em Maputo. Viveu sempre em regiões onde a Renamo ganhava as eleições. Defendia um regime federativo onde a Renamo pudesse ter uma base de poder.

De tempos em tempos, a frágil trégua entre o eterno governo e a eterna oposição se rompeu. Em outubro de 2013, a Renamo rejeitou o acordo de paz de 1992. Houve combates esporádicos, mas não um conflito generalizado.

Um segundo acordo de paz foi acertado em setembro de 2014. A Frelimo deu à Renamo a chance de integrar seus homens às Forças Armadas, uma anistia ampla e maior acesso às finanças públicas. Mas não durou, Dhlakama não reconhecei a eleição de Filipe Nyusi e, em dezembro de 2014, ameaçou declarar a independência da República do Centro e Norte de Moçambique.

Em fevereiro de 2015, os dois negociaram a aprovação de uma lei para dar mais autonomia às províncias. O Parlamento rejeitou a proposta como inconstitucional em maio daquele ano.

A Renamo mantém seus redutos, como a Floresta de Gorongosa. A violência ocasional tende a continuar, prevê a empresa de consultoria e análise estratégica Stratfor.

Desde o acordo de paz, a Frelimo se concentrou no desenvolvimento da região da capital, Maputo, no Sul de Moçambique, que fica perto de Joanesburgo, a capital econômica da África do Sul, negligenciando o Centro e o Norte do país, onde estão as bases da Frelimo.

A partir da década passada, aumentou o interesse pelas regiões mais pobres por causa de suas jazidas de carvão e gás natural. A exploração do gás pelas empresas Anadarko, ENI e Statoil deve mobilizar investimentos de US$ 31 bilhões nos próximos cinco anos.

É uma quantia importante num país com produto interno bruto estimado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) US$ 12,345 bilhões no ano passado. Em duas décadas, o gás natural deve render US$ 37 bilhões a Moçambique e há potencial para novas descobertas.

Com esta riqueza, Moçambique deve se tornar uma economia baseada em hidrocarbonetos como Angola, segunda maior produtora de petróleo da África, depois da Nigéria. Como país litorâneo, os portos de Maputo, Beira e Nacala podem ser centros logísticos para o comércio exterior dos países sem saída para o mar.

Os recursos para um projeto de desenvolvimento capaz de fortalecer a unidade nacional estão dados. Ao mesmo tempo em que Moçambique crescia, a legitimidade do sistema eleitoral passou a ser contestada. Em 2009, o presidente Armando Guebuza ganhou um segundo mandato com 75% dos votos.

A seguir, houve uma mudança de gerações. Saíram os heróis da independência. O novo presidente, Filipe Nyusi, teve a eleição contestada por Dhlakama.

sábado, 18 de junho de 2016

Vale suspende transporte de carvão após ataques em Moçambique

Depois da dois ataques na semana passada, a companhia mineradora brasileira Vale suspendeu o transporte de carvão na Ferrovia do Sena, em Moçambique, noticiou a agência Lusa.

"O transporte na linha do Sena está interrompido desde 8 de junho, quando houve o último incidente", declarou uma porta-voz da empresa, ressalvando que "até o momento não há impacto na produção nem na exportação".

A locomotiva foi alvo de tiros. Um tripulante saiu ferido. "Ocorreram recentemente dois incidentes envolvendo trens da Vale na linha férrea do Sena, o primeiro no dia 6 de junho às 10 horas e o segundo no dia 8 de junho por volta das 20h", acrescentou a porta-voz.

A polícia de Moçambique acusa a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), o maior partido de oposição, que se recusou a aceitar o resultado das eleições de 2014 e exige o direito de governar as províncias onde venceu.

No início de junho, representantes do governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e da Renamo se reuniram pela terceira vez desde o reinício do diálogo, no fim de maio de 2016, para preparar um encontro entre o presidente do país, Filipe Nyusi, e o líder da oposição, Afonso Dhlakama.

A Frelimo, originalmente um grupo guerrilheiro comunista, governa Moçambique desde a independência, em 1975. A Renamo nasceu na vizinha Rodésia, hoje Zimbábue, na época governada por um regime supremacista branco ligado ao regime do apartheid na África do Sul.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Renamo ataca trem da Vale em Moçambique

Rebeldes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), o maior partido de oposição de Moçambique atacaram um trem da mineradora brasileira Vale na região de Lavos, no distrito de Cheringoma, na província de Sofala, no centro desta antiga colônia portuguesa no Oceano Índico.

Os atiradores dispararam contra a locomotiva do trem, que ia descarregado para uma mina de carvão, ferindo um ajudante do condutor, revelou o chefe de polícia de Moçambique, Alfredo Mussa, destacando ter sido o primeiro ataque da Renamo contra um trem neste ano.

A composição estava num corredor ferroviário que liega a vila produtora de carvão de Moatize, na província central de Tete, com o porto da Beira, em Sofala. Depois do ataque, o trem seguiu  viagem para seu destino.

Insatisfeita com sucessivas derrotas na eleições nacionais, na prática o país é desde a independência uma ditadura de partido único, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), a Renamo defende autonomia regional para as províncias onde é maioria de modo a ter uma base política.

Nas últimas semanas, há preparações para um encontro do presidente Filipe Nyusi com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Moçambique expulsa espanhola que defendia minissaia nas escolas

Em nome dos "bons costumes", o Serviço Nacional de Migração de Moçambique deportou há dois dias a espanhola Eva Anadon Moreno por ter participado de uma manifestação de protesto na capital, Maputo, contra a proibição do uso de minissaias nas escolas.

A manifestação foi convocada por organizações da sociedade civil em protesto contra a exigência de uso de saias abaixo do joelho em escolas primárias e secundárias.

Pela nota oficial do governo, "a cidadã dirigia um grupo de crianças vestidas de uniforme escolar e empunhando dísticos com dizeres ofensivos aos bons costumes da República de Moçambique, violando de forma clara e manifesta a Lei 5/93, que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiros e fixa as respectivas normas de entrada, permanência e saída do país."

Numa contradição com sua própria narrativa, o governo afirma que a manifestação convocada para 28 de março "não chegou a ocorrer pelo fato de ter sido inviabilizada pela polícia da República de Moçambique por se tratar de uma marcha ilegal."

Desde a independência de Portugal, em 1975, o mesmo partido, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) governa o país do Sul da África. Isso levou a uma guerra civil com a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) que acabou oficialmente em 1992, mas de tempo em tempo ainda há escaramuças no interior do país.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Filipe Nyusi toma posse como presidente de Moçambique

Em cerimônia na Praça da Independência, em Maputo, o ex-ministro da Defesa Filipe Nyusi assumiu hoje a Presidência da República de Moçambique. Ferroviário, filho de camponeses, é o quarto presidente da história do país, depois do líder da independência, Samora Machel, de Joaquim Chissano e de Armando Guebuza.

Filipe Jacinto Nyusi, de 55 anos, toma posse para um mandato de cinco anos, com direito a uma reeleição. Estavam presentes os presidentes da África do Sul, Jacob Zuma, e de Portugal, a antiga potência colonial, Aníbal Cavaco Silva.

O secretário-geral da Presidência da República, ministro Miguel Rossetto, representou o Brasil.

Na eleição presidencial de 15 de outubro de 2014, Nyusi, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) obteve 57% dos votos contra 36,6% para Afonso Dhlakama, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo); e 6,4% para Daviz Samango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM). Mas os oposicionistas contestaram o resultado oficial.

Dhlakama ameaçou impedir a posse da nova Assembleia da República e reiniciar a guerra civil. Ele só participou das eleições depois de um novo acordo de paz, no ano passado. Este será um desafio inicial do novo governo, manter a paz. A Renamo exige uma divisão de poder em que governaria as províncias onde ganhou a votação.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Frelimo e Renamo não acertam reintegração de rebeldes em Moçambique

Uma reunião do governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e da oposicionista Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) não chegou a um acordo ontem para integrar os rebeldes nas forças de segurança do país.

A Renamo insiste em negociar um modelo de integração. Numa reunião anterior, o governo admitiu integrar 300 rebeldes. Um novo encontro está previsto para amanhã.

Outro tema na pauta é a despartidarização do governo, dominado pela Frelimo desde a independência de Portugal, em 1975.

Quatro equipes de observadores internacionais já se instalaram nas províncias de Inhambane, Sofala, Tete e Nampula para fiscalizar a trégua entre Frelimo e Renamo acertada em 5 de setembro pelo presidente Armando Guebuza e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

A guerra civil moçambicana terminou oficialmente em 1992. Desde então, houve confrontos esporádicos, na maioria dos casos, no interior do país.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Resultado oficial confirma vitória da Frelimo em Moçambique

A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder desde a independência do país, em 1975, e seu candidato a presidente, Filipe Nyusi, venceram as eleições nacionais de 15 de outubro de 2014, indicam os resultados oficiais provisórios das 11 provínciais moçambicanos.

Afonso Dhlakama, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), um antigo grupo rebelde direitista, ficou em segundo lugar com 36%. Daviz Simango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), uma dissidência da Renamo, ficou em terceiro com 6,5%.

Nas eleições parlamentares, a Frelimo teve os mesmos 57%, uma queda forte em reação a 2009, quando teve 75% dos votos. A Renamo obteve 34% e o MDM, 9%. Outros 27 partidos não conquistaram nenhuma cadeira no Parlamento.

Em pelo menos três províncias do Norte de Moçambique, a oposição denunciou fraude e a situação é tensa.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Moçambique suspende apuração em meio a fraude

Depois da descoberta de indícios de fraude, a apuração dos votos nas eleições de Moçambique foi suspensa na província de Tete, no Noroeste do país, anunciou hoje a comissão nacional eleitoral. Quando a apuração passava de 60% dos votos, a comissão percebeu que havia recebido folhas com resultados de 234 urnas. Como havia na província 178 seções eleitorais, a fraude ficou evidente.

No dia da eleição, 15 de outubro de 2014, o presidente Armando Guebuza declarou que o país estava em festa, com quase 11 milhões de moçambicanos aptos a votar. Mas eleitores queimaram urnas em Tete, alegando que estavam estufadas de votos fraudulentos a favor do candidato Filipe Nyussi, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), que governa o país desde a independência de Portugal, em 1975.

Pela contagem oficial em outras províncias, Nyusi lidera a apuração. Estaria praticamente eleito, com 62% dos votos válidos contra 32% para Afonso Dhlakama, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), um antigo grupo rebelde direitista criado com o apoio dos regimes segregacionistas da Rodésia e da África do Sul, e 6% para Daviz Simango, filho de um ex-vice-presidente da Frelimo que criou um dissidência da Renamo, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Estas foram as eleições mais disputadas da história de Moçambique. Em 1994, nas primeiras eleições depois da guerra civil entre Frelimo e Renamo (1975-92) denúncias de fraude ameaçaram reiniciar o conflito, mais o país estava esgotado.

Ao fim de três décadas de guerra, contando a luta pela independência, a renda média anual era de US$ 80 por pessoa. Parte da população que vivia no interior numa agricultura de subsistência havia sido forçada a fugir para as grandes cidades. Um cinturão de miséria com casas de pau a pique e sapê e 2 milhões de pessoas cercava a capital, Maputo.

Hoje a renda per capita subiu para US$ 650 por ano. Pelo critério de paridade do poder de compra, a renda média sobe para US$ 1.045, a sétima pior do mundo, à frente apenas de outros países africanos: Níger, Libéria, Maláui, Burúndi, República Democrática do Congo e República Centro-Africana.

Com salário mínimo equivalente a US$ 60, a pobreza generalizada ainda é o maior problema dos 25 milhões de habitantes de Moçambique, apesar dos investimentos estrangeiros, especialmente no setor de energia (gás natural, petróleo e hidrelétricas). O crescimento médio foi de 8% ao ano de 1994 a 2006. Caiu para 6% a 7% de 2007 a 2011. Chegou a 7,5% em 2012 e voltou a 8% no ano passado.

O português é a língua mais falada em Moçambique. Pelos dados oficiais, mais da metade fala português, mas, em casa, só 12,8% o usam como primeira língua.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Líder da Renamo deixa refúgio nas montanhas

O líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição de Moçambique, Afonso Dhlakama, deve deixar na quinta-feira seu refúgio na Serra da Gorongosa e ir a Maputo para se encontrar com o presidente Armando Guebuza, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido que governa o país desde a independência, em 1975.

Durante o lançamento da campanha do partido para as eleições gerais de outubro, na cidade de Nampula, no Norte do país, Ivone Soares, sobrinha de Dhlakama e líder da Liga Jovem da Renamo, declarou ter encontrado o tio em Gorongosa, onde ele vive desde agosto de 2013. Ela confirmou o encontro dos dois líderes na próxima sexta-feira na capital moçambicana.

Ivone Soares foi até o refúgio de Dhlakama em companhia de três italianos, o vice-ministro para o Desenvolvimento, Carlo Calenda, o embaixador Roberto Vellano e o líder da comunidade religiosa de Santo Egídio, Matteo Zuppi, um dos mediadores do acordo de paz assinado entre a Frelimo e a Renamo em 4 de outubro de 1992, em Roma.

Será a primeira vez que Dhlakama irá à capital desde 2009. Ele não é visto em público desde maio. Depois de dois anos de uma guerra de guerrilhas de baixa intensidade, os dois grupos assinaram há pouco novo acordo para cessação das hostilidades e a realização das eleições.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Frelimo e Renamo fazem acordo de paz em Moçambique

A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), que governa o país africano desde sua independência, em 1975, e a oposicionista Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) assinaram um acordo de paz em 24 de agosto de 2014 para cessar as hostilidades.

Havia a expectativa de que o presidente Armando Guebuza e o líder da oposição, Afonso Dhlakama, selassem pessoalmente o pacto em público. Por razões de segurança invocadas por Dhlakama, isso não aconteceu. O acordo foi assinado pelos presidente da Frelimo, José Pacheco, e da Renamo, Saimone Macuiana.

Dhlakama exige garantias para deixar seu refúgio nas montanhas e passar de comandante rebelde a líder da oposição. Na tradição política tribal da África, o chefe é tudo. O líder da oposição tem uma expressão política muito menor.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Frelimo e Renamo fazem acordo de paz em Moçambique

Depois de um ano de choques armados, a governista Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e a oposicionista Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) chegaram a um acordo de paz a ser anunciado em breve, noticiou hoje o boletim Africa Confidential.

A longa negociação de paz foi deliberadamente arrastada ou sabotada pelos dois lados. Agora, eles decidiram desengajar suas forças sob supervisão internacional. Com o acordo, o líder da oposição, Afonso Dhlakama poderá concorrer à eleição presidencial de outubro e a organização do pleito poderá ser realizada sem sustos, ameaças e emboscadas.

Os dois maiores partidos de Moçambique, uma antiga colônia portuguesa no Sul da África, travaram uma guerra civil depois da independência do país, de 1975 a 1992. A Frelimo governa o país desde a independência.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Renamo suspende cessar-fogo em Moçambique

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal grupo de oposição do país, anunciou hoje o fim da trégua com o governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder desde a independência nacional, em 1975.

O partido oposicionista pretende participar das eleições de outubro, mas advertiu que não pode garantir a segurança de quem trafega na Rodovia Nacional 1, especialmente entre Muxungue e Save, onde veículos de transporte de carga e de passageiros têm sido escoltados pelo Exército.

A Renamo crescentou que as hostilidades só vão cessar quando mediadores internacionais foram incluídas nas negociações. A guerrilha nascida na vizinha Rodésia, hoje Zimbábue, na época dominada por uma ditadura da minoria branca, desafiou o regime comunista até 1992. Recentemente, realizou ataques isolados às forças de segurança, em estradas e para roubar suprimentos. Esses ataques devem ser retomados.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Moçambique acusa Renamo por ataque a trem da Vale

O ministro do Interior de Moçambique, José Mandra, acusou hoje o grupo rebelde Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) por um ataque realizado ontem contra um trem da empresa brasileira Vale que transportava carvão na ferrovia Sena, na província de Sofala, no Centro do país, um reduto da oposição.

A Renamo negou responsabilidade pelo ataque. O grupo rebelde nasceu em 1975 na vizinha Rodésia (hoje Zimbábue) com o apoio do governo segregacionista da minoria branca que dominava aquele país, em reação à tomada do poder pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), de orientação comunista, no fim da guerra pela independência do país, ocorrida no mesmo ano.

Desde então, a Frelimo governa o país. A Renamo virou um partido político depois do acordo de paz de 1992, mas nunca chegou ao poder. Apesar da presença da oposição no parlamento, para todos os efeitos a Frelimo mantém o monopólio do poder em Moçambique.

Isso levou a Renamo a retomar as ações armadas no ano passado. Em 22 de outubro de 2013, um dia depois de repudiar a paz de 1992, os rebeldes atacaram uma delegacia de polícia.

Para a maioria dos analistas estratégicos, a Renamo não tem capacidade militar nem patrocinadores externos que a habilitem a retomar a luta armada e chegar ao poder pela força. Mas pode fazer uma guerra de guerrilhas, uma guerra de atrito para prejudicar a atividade econômica nas províncias de Sofala e Tete, no Centro de Moçambique, sua principal base política, grande zona produtora de carvão e de energia hidrelétrica.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Renamo ataca delegacia de polícia em Moçambique

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), um antigo grupo rebelde, hoje maior partido de oposição do país, atacou uma delegacia de polícia na cidade central de Maringue, depois de declarar expirado o acordo de paz assinado há 21 anos, noticiou a agência France Presse.

Quando Moçambique se tornou independente, em 1975, descendentes dos colonos portugueses se refugiaram na vizinha Rodésia, hoje Zimbábue, na época governada por um regime segragacionista da minoria branca, a exemplo da África do Sul.

Com o apoio desses regimes brancos, criaram a Renamo, que lutou contra o regime de inspiração marxista imposto pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) até 1992.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Oposição ameaça atacar governo em Moçambique

O líder da Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), Afonso Dhlakama, ameaçou ontem realizar novos ataques contra forças governamentais se o Exército não recuar de posições próximas ao quartel-general do grupo, no centro do país, informou o serviço de notícias sul-africano News24.

Dhlakama confirmou ter ordenado um ataque recente contra uma delegacia em que quatro policiais foram mortos, em resposta à prisão de 15 militantes da Renamo.

Maior partido de oposição moçambicano, a Renamo nega querer reiniciar a guerra civil que arrasou o país depois da independência, em 1975, mas exige uma participação maior no governo para ter acesso aos recursos do Estado. Desde o acordo de paz de 1992, a governante Frente de Libertação de Moçambique ignora essa reivindicação.

A Renamo nasceu no vizinho Zimbábue, que na época se chamava Rodésia e como a África do Sul era governada por uma ditadura da minoria branca. Para lá, fugiu a maioria dos brancos e portugueses que mandavam em Moçambique antes da independência.