Em cerimônia na Praça da Independência, em Maputo, o ex-ministro da Defesa Filipe Nyusi assumiu hoje a Presidência da República de Moçambique. Ferroviário, filho de camponeses, é o quarto presidente da história do país, depois do líder da independência, Samora Machel, de Joaquim Chissano e de Armando Guebuza.
Filipe Jacinto Nyusi, de 55 anos, toma posse para um mandato de cinco anos, com direito a uma reeleição. Estavam presentes os presidentes da África do Sul, Jacob Zuma, e de Portugal, a antiga potência colonial, Aníbal Cavaco Silva.
O secretário-geral da Presidência da República, ministro Miguel Rossetto, representou o Brasil.
Na eleição presidencial de 15 de outubro de 2014, Nyusi, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) obteve 57% dos votos contra 36,6% para Afonso Dhlakama, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo); e 6,4% para Daviz Samango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM). Mas os oposicionistas contestaram o resultado oficial.
Dhlakama ameaçou impedir a posse da nova Assembleia da República e reiniciar a guerra civil. Ele só participou das eleições depois de um novo acordo de paz, no ano passado. Este será um desafio inicial do novo governo, manter a paz. A Renamo exige uma divisão de poder em que governaria as províncias onde ganhou a votação.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Resultado oficial confirma vitória da Frelimo em Moçambique
A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder desde a independência do país, em 1975, e seu candidato a presidente, Filipe Nyusi, venceram as eleições nacionais de 15 de outubro de 2014, indicam os resultados oficiais provisórios das 11 provínciais moçambicanos.
Afonso Dhlakama, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), um antigo grupo rebelde direitista, ficou em segundo lugar com 36%. Daviz Simango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), uma dissidência da Renamo, ficou em terceiro com 6,5%.
Nas eleições parlamentares, a Frelimo teve os mesmos 57%, uma queda forte em reação a 2009, quando teve 75% dos votos. A Renamo obteve 34% e o MDM, 9%. Outros 27 partidos não conquistaram nenhuma cadeira no Parlamento.
Em pelo menos três províncias do Norte de Moçambique, a oposição denunciou fraude e a situação é tensa.
Afonso Dhlakama, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), um antigo grupo rebelde direitista, ficou em segundo lugar com 36%. Daviz Simango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), uma dissidência da Renamo, ficou em terceiro com 6,5%.
Nas eleições parlamentares, a Frelimo teve os mesmos 57%, uma queda forte em reação a 2009, quando teve 75% dos votos. A Renamo obteve 34% e o MDM, 9%. Outros 27 partidos não conquistaram nenhuma cadeira no Parlamento.
Em pelo menos três províncias do Norte de Moçambique, a oposição denunciou fraude e a situação é tensa.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Moçambique suspende apuração em meio a fraude
Depois da descoberta de indícios de fraude, a apuração dos votos nas eleições de Moçambique foi suspensa na província de Tete, no Noroeste do país, anunciou hoje a comissão nacional eleitoral. Quando a apuração passava de 60% dos votos, a comissão percebeu que havia recebido folhas com resultados de 234 urnas. Como havia na província 178 seções eleitorais, a fraude ficou evidente.
No dia da eleição, 15 de outubro de 2014, o presidente Armando Guebuza declarou que o país estava em festa, com quase 11 milhões de moçambicanos aptos a votar. Mas eleitores queimaram urnas em Tete, alegando que estavam estufadas de votos fraudulentos a favor do candidato Filipe Nyussi, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), que governa o país desde a independência de Portugal, em 1975.
Pela contagem oficial em outras províncias, Nyusi lidera a apuração. Estaria praticamente eleito, com 62% dos votos válidos contra 32% para Afonso Dhlakama, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), um antigo grupo rebelde direitista criado com o apoio dos regimes segregacionistas da Rodésia e da África do Sul, e 6% para Daviz Simango, filho de um ex-vice-presidente da Frelimo que criou um dissidência da Renamo, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM).
Estas foram as eleições mais disputadas da história de Moçambique. Em 1994, nas primeiras eleições depois da guerra civil entre Frelimo e Renamo (1975-92) denúncias de fraude ameaçaram reiniciar o conflito, mais o país estava esgotado.
Ao fim de três décadas de guerra, contando a luta pela independência, a renda média anual era de US$ 80 por pessoa. Parte da população que vivia no interior numa agricultura de subsistência havia sido forçada a fugir para as grandes cidades. Um cinturão de miséria com casas de pau a pique e sapê e 2 milhões de pessoas cercava a capital, Maputo.
Hoje a renda per capita subiu para US$ 650 por ano. Pelo critério de paridade do poder de compra, a renda média sobe para US$ 1.045, a sétima pior do mundo, à frente apenas de outros países africanos: Níger, Libéria, Maláui, Burúndi, República Democrática do Congo e República Centro-Africana.
Com salário mínimo equivalente a US$ 60, a pobreza generalizada ainda é o maior problema dos 25 milhões de habitantes de Moçambique, apesar dos investimentos estrangeiros, especialmente no setor de energia (gás natural, petróleo e hidrelétricas). O crescimento médio foi de 8% ao ano de 1994 a 2006. Caiu para 6% a 7% de 2007 a 2011. Chegou a 7,5% em 2012 e voltou a 8% no ano passado.
O português é a língua mais falada em Moçambique. Pelos dados oficiais, mais da metade fala português, mas, em casa, só 12,8% o usam como primeira língua.
No dia da eleição, 15 de outubro de 2014, o presidente Armando Guebuza declarou que o país estava em festa, com quase 11 milhões de moçambicanos aptos a votar. Mas eleitores queimaram urnas em Tete, alegando que estavam estufadas de votos fraudulentos a favor do candidato Filipe Nyussi, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), que governa o país desde a independência de Portugal, em 1975.
Pela contagem oficial em outras províncias, Nyusi lidera a apuração. Estaria praticamente eleito, com 62% dos votos válidos contra 32% para Afonso Dhlakama, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), um antigo grupo rebelde direitista criado com o apoio dos regimes segregacionistas da Rodésia e da África do Sul, e 6% para Daviz Simango, filho de um ex-vice-presidente da Frelimo que criou um dissidência da Renamo, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM).
Estas foram as eleições mais disputadas da história de Moçambique. Em 1994, nas primeiras eleições depois da guerra civil entre Frelimo e Renamo (1975-92) denúncias de fraude ameaçaram reiniciar o conflito, mais o país estava esgotado.
Ao fim de três décadas de guerra, contando a luta pela independência, a renda média anual era de US$ 80 por pessoa. Parte da população que vivia no interior numa agricultura de subsistência havia sido forçada a fugir para as grandes cidades. Um cinturão de miséria com casas de pau a pique e sapê e 2 milhões de pessoas cercava a capital, Maputo.
Hoje a renda per capita subiu para US$ 650 por ano. Pelo critério de paridade do poder de compra, a renda média sobe para US$ 1.045, a sétima pior do mundo, à frente apenas de outros países africanos: Níger, Libéria, Maláui, Burúndi, República Democrática do Congo e República Centro-Africana.
Com salário mínimo equivalente a US$ 60, a pobreza generalizada ainda é o maior problema dos 25 milhões de habitantes de Moçambique, apesar dos investimentos estrangeiros, especialmente no setor de energia (gás natural, petróleo e hidrelétricas). O crescimento médio foi de 8% ao ano de 1994 a 2006. Caiu para 6% a 7% de 2007 a 2011. Chegou a 7,5% em 2012 e voltou a 8% no ano passado.
O português é a língua mais falada em Moçambique. Pelos dados oficiais, mais da metade fala português, mas, em casa, só 12,8% o usam como primeira língua.
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