As forças da Rússia invadiram hoje o quartel-general da Frota do Mar Negro, em Sebastopol, e outra base naval no Oeste da Crimeia. Cerca de 50 soldados ucranianos deixaram as instalações enquanto a bandeira russa era hasteada.
Apesar das pressões internacionais, a Rússia invocou direitos históricos para aceitar ontem o resultado de um referendo para reanexar a península da Crimeia, que pertencia à Ucrânia desde 1954. A Ucrânia está sob intervenção militar da Rússia desde o fim de fevereiro de 2014.
Hoje a Ucrânia deixou oficialmente a Comunidade de Estados Independentes (CEI), que reúne ex-repúblicas soviéticas e passou a exigir visto de entrada para russos.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 19 de março de 2014
domingo, 2 de março de 2014
Kerry vai à Ucrânia apoiar governo provisório
Diante da intervenção militar da Rússia na república autônoma da Crimeia, o secretário de Estado americano, John Kerry, vai amanhã a Kiev levar o apoio dos Estados Unidos ao governo provisório da Ucrânia. O ministro do Exterior britânico, William Hague, chegou hoje à capital ucraniana.
Com mais de 6 mil soldados e forças navais da Frota do Mar Negro, militares russos tomaram posições na Crimeia em repúdio à revolução que derrubou o presidente Viktor Yanukovich, um aliado de Moscou. É uma região onde 58% da população é étnica ou culturalmente russa.
Os EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) acusam a Rússia de violar a Carta das Nações Unidas e Memorando de Budapeste, assinado em 1994 com o aval americano e britânico para que a Ucrânia abrisse mão das armas nucleares que herdou da extinta União Soviética, entregando-as ao controle do Kremlin.
Com mais de 6 mil soldados e forças navais da Frota do Mar Negro, militares russos tomaram posições na Crimeia em repúdio à revolução que derrubou o presidente Viktor Yanukovich, um aliado de Moscou. É uma região onde 58% da população é étnica ou culturalmente russa.
Os EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) acusam a Rússia de violar a Carta das Nações Unidas e Memorando de Budapeste, assinado em 1994 com o aval americano e britânico para que a Ucrânia abrisse mão das armas nucleares que herdou da extinta União Soviética, entregando-as ao controle do Kremlin.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Ucrânia denuncia invasão russa
Com a ocupação dos aeroportos de Sebastopol e Simferopol por homens armados em uniforme militar, o ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, denunciou uma invasão russa. Uma dezena de helicópteros da Rússia sobrevoou o território ucraniano.
A aeroporto de Sebastopol teria sido ocupado por soldados russos da Frota do Mar Negro, baseada na cidade. "São cerca de 300 homens com dois tipos de uniformes militares sem identificação de país. Chegaram no meio da noite. Estão armados com fuzis de assalto AK-47 e fuzis de atiradores", declarou um militar ucraniano.
Ao meio-dia de sexta-feira, cerca de 30 civis patrulhavam o aeroporto de Simferopol, a capital da república autônoma ucraniana da Crimeia, onde a maioria da população é russa.
O presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchinov, pediu ao homem-forte da Rússia, Vladimir Putin, para "parar com as provocações". Putin fez carreira dentro da polícia política da União Soviética (KGB) e era chefe do órgão sucessor no governo Boris Yeltsin quando foi nomeado primeiro-ministro.
A aeroporto de Sebastopol teria sido ocupado por soldados russos da Frota do Mar Negro, baseada na cidade. "São cerca de 300 homens com dois tipos de uniformes militares sem identificação de país. Chegaram no meio da noite. Estão armados com fuzis de assalto AK-47 e fuzis de atiradores", declarou um militar ucraniano.
Ao meio-dia de sexta-feira, cerca de 30 civis patrulhavam o aeroporto de Simferopol, a capital da república autônoma ucraniana da Crimeia, onde a maioria da população é russa.
O presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchinov, pediu ao homem-forte da Rússia, Vladimir Putin, para "parar com as provocações". Putin fez carreira dentro da polícia política da União Soviética (KGB) e era chefe do órgão sucessor no governo Boris Yeltsin quando foi nomeado primeiro-ministro.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Parlamento da Crimeia convoca sessão extraordinária
Diante da virtual queda do presidente Viktor Yanukovitch, as regiões da Ucrânia de maior presença russa se mobilizam para lutar por autonomia regional, uma estratégia da Rússia para manter a influência no país. Ontem, o parlamento regional da Crimeia convocou uma sessão extraordinária.
A Crimeia é uma região de maioria russa. Foi doada à Ucrânia em 1954 para marcar os 300 anos de união do país com a Rússia pelo então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, o ucraniano Nikita Kruschev.
Na prática, embora a Constituição da URSS permitisse em tese a separação e a independência das repúblicas soviéticas, havia uma expectativa de que isso jamais aconteceria. A história da Ucrânia está intimamente ligada à da Rússia.
O primeiro Estado da história russa é a chamada Rússia Kievana. O primeiro documento da história russa é uma carta de 988 em que Vladimir I, príncipe de Kiev, adota o cristianismo como religião oficial do principado.
Assim, para o nacionalismo russo, a Ucrânia sempre fez parte da Rússia. É parte inalienável do país.
Com o colapso da URSS, em 1991, a Ucrânia declarou uma independência que nunca tinha tido ao longo da história. O Acordo de Minsk, em que Rússia, Ucrânia e Bielorrússia deixaram a URSS, em 8 de dezembro de 1991, foi o golpe definitivo na pátria-mãe do comunismo. Mas os termos do divórcio não eram claros.
Desde o século 18, a Rússia mantinha a Frota do Mar Negro, em Sebastopol, na Crimeia. Um acordo prorrogou o acordo para uso da base naval pela Rússia até 2017. Em 2010, Yanukovitch estendeu o prazo até 2047.
Se a Ucrânia se aproximar do Ocidente, a Frota do Mar Negro será um novo ponto de atrito com a Rússia. Por isso, o parlamento da Crimeia se mobiliza para conquistar autonomia regional.
A Crimeia é uma região de maioria russa. Foi doada à Ucrânia em 1954 para marcar os 300 anos de união do país com a Rússia pelo então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, o ucraniano Nikita Kruschev.
Na prática, embora a Constituição da URSS permitisse em tese a separação e a independência das repúblicas soviéticas, havia uma expectativa de que isso jamais aconteceria. A história da Ucrânia está intimamente ligada à da Rússia.
O primeiro Estado da história russa é a chamada Rússia Kievana. O primeiro documento da história russa é uma carta de 988 em que Vladimir I, príncipe de Kiev, adota o cristianismo como religião oficial do principado.
Assim, para o nacionalismo russo, a Ucrânia sempre fez parte da Rússia. É parte inalienável do país.
Com o colapso da URSS, em 1991, a Ucrânia declarou uma independência que nunca tinha tido ao longo da história. O Acordo de Minsk, em que Rússia, Ucrânia e Bielorrússia deixaram a URSS, em 8 de dezembro de 1991, foi o golpe definitivo na pátria-mãe do comunismo. Mas os termos do divórcio não eram claros.
Desde o século 18, a Rússia mantinha a Frota do Mar Negro, em Sebastopol, na Crimeia. Um acordo prorrogou o acordo para uso da base naval pela Rússia até 2017. Em 2010, Yanukovitch estendeu o prazo até 2047.
Se a Ucrânia se aproximar do Ocidente, a Frota do Mar Negro será um novo ponto de atrito com a Rússia. Por isso, o parlamento da Crimeia se mobiliza para conquistar autonomia regional.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Ucrânia quer renegociar frota com a Rússia
O presidente da Ucrânia, Victor Iuvchenko, quer renegociar com a Rússia o acordo sobre a Frota do Mar Negro, uma parte importante das Forças Armadas da União Soviética que foi objeto de disputa entre as suas duas principais repúblicas quando a URSS acabou, em 1991. Não quer que seu território seja usado para atacar outros países.
Neste momento de alta tensão por causa da invasão russa na Geórgia a pretexto de proteger cidadãos russos, a Ucrânia teme ser o próximo alvo do neoimperialismo russo. Na região da Criméia, onde está baseada a Frota do Mar Negro, com diversos navios de guerra da Rússia, a maioria da população (70%) é russa.
Neste momento de alta tensão por causa da invasão russa na Geórgia a pretexto de proteger cidadãos russos, a Ucrânia teme ser o próximo alvo do neoimperialismo russo. Na região da Criméia, onde está baseada a Frota do Mar Negro, com diversos navios de guerra da Rússia, a maioria da população (70%) é russa.
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