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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Terrorismo de extrema direita assombra os EUA

Dois massacres a tiros mataram 31 pessoas e deixaram outras 50 feridas em duas cidades relativamente pequenas e pacatas, e chocaram os Estados Unidos no fim de semana. Realimentaram o debate sobre controle de armas e deixaram um alerta sobre a ameaça crescente do terrorismo de extrema direita, dos ultranacionalistas e supremacistas brancos.

O ex-presidente Barack Obama reclamava que há pessoas proibidas de viajar de avião nos Estados Unidos por suspeita de terrorismo, mas podem comprar armas. Com esta facilidade de comprar armas, houve 251 ataques a tiros nos Estados Unidos nos últimos 216 dias. 

Dezoito anos depois dos atentados cometidos por extremistas muçulmanos em 11 de setembro de 2001, a maioria dos atos de terrorismo nos Estados Unidos vem da extrema direita. 

Nos últimos dez anos, ultradireitistas foram responsáveis por mais de 70% das mortes por terrorismo político. No ano passado, supremacistas brancos cometeram 39 das 50 matanças causadas por extremismo político. Meu comentário:

Supremacistas brancos são nova ameaça do terror nos EUA

Treze horas depois de um ataque com 22 mortes em El Paso, no Texas, um homem mascarado identificado como Connor Betts, com colete a prova de bala e um fuzil de assalto metralhou dezenas de pessoas numa região de bares noturnos em Dayton, no estado de Ohio. 

O atirador matou nove pessoas e feriu outras 27 em 30 segundos, até ser morto pela polícia. Os ataques realimentam o debate sobre controle de armas e também para a ameaça crescente do terrorismo dos ultranacionalistas, de extrema direita, nos Estados Unidos.

Em El Paso, na fronteira com o México, a polícia descobriu um manifesto atribuído a Patrick Crusius, o terrorista de 21 anos, um admirador do presidente Donald Trump, denunciando uma "invasão hispânica do Texas". Ele alegou: "Estou simplesmente defendendo meu país contra uma substituição étnica e cultural trazida por uma invasão."

Para o jornal The New York Times, é um eco do discurso do presidente Trump contra os imigrantes, especialmente da América Latina, reproduzido por jornalistas e comentaristas alinhados ao presidente.

"O ódio não tem lugar no nosso país, vamos tomar conta disso", declarou Trump, atribuindo os ataques a "problemas de doença mental". Mas o ex-deputado por El Paso Beto O'Rourke, aspirante à candidatura democrata à Presidência dos EUA em 2020, afirmou que "o presidente Trump tem muito a ver com o que aconteceu ontem em El Paso. Trump semeia um um tipo de medo e o tipo de reação que vimos ontem."

Em entrevista à rede de televisão ABC, o chefe da Casa Civil interino da Casa Branca, Mick Mulvaney, negou mais uma vez que o presidente tenha qualquer simpatia por grupos racistas ou supremacistas brancos: "São pessoas doentes. Você não pode ser um supremacista branca e ser bom da cabeça. Eu sei, você sabe e o presidente sabe disso. Este tipo de coisa tem de parar. Temos de imaginar uma maneira de corrigir o problema e não de a quem atribuir a culpa."

Desde 2015, Trump usou várias a palavra invasão para se referir aos imigrantes que tentam entrar nos EUA pela fronteira com o México. Manipula a questão para agradar ao eleitorado mais conservador, branco e sem curso superior, que se sente ameaçado pelos estrangeiros.

Em 2011, Trump alegou que o então presidente Barack Obama não tinha nascido nos EUA. Assim, não poderia ser presidente. Ao lançar sua candidatura, em junho de 2016, chamou os imigrantes mexicanos de "traficantes, estupradores e assassinos", e prometeu erguer um muro na fronteira.

Naquele mesmo ano, propôs a proibição da entrada de muçulmanos no país, uma discriminação religiosa inaceitável à luz da Constituição dos EUA. Depois da marcha de nazistas em Charlottesville, na Virgínia, em 12 de agosto de 2017, e de confrontos violentos com antifascistas, Trump disse que "havia gente boa e gente ruim dos dois lados".

Nas últimas semanas, o presidente atacou quatro jovens deputadas de primeiro mandato da ala mais à esquerda do Partido Democrata, todas de origem estrangeira e nenhuma branca. Ainda discutiu com um deputado negro da Comissão de Supervisão da Câmara de Representantes que criticou as condições de alojamento dos imigrantes na fronteira descrevendo a cidade de Baltimore como "infestada de ratos".

Hoje, no México, o ministro do Exterior, Marcelo Ebrard, considerou o ataque em El Paso uma agressão aos mexicanos e ofereceu a ajuda do país às vítimas. Sete mexicanos foram mortos e outros sete saíram feridos em El Paso.

A maioria dos atentados hoje nos EUA vem da extrema direita. No ano passado, supremacistas brancos cometeram 39 das 50 matanças realizadas por extremistas políticos. Oito foram responsabilidade de assassinos com posições contrárias ao governo.

Nos últimos dez anos, extremistas de direita causaram mais de 70% das mortes por terrorismo político. "A violência do extremismo de direita é nossa maior ameaça", denuncia o presidente da Liga Antidifamação, uma organização não governamental que luta contra a discriminação.

O discurso eleitoreiro de Trump no mínimo banaliza o racismo e o lobby das armas garante o acesso fácil a armas de guerra. O projeto de Trump, como acusa a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, está mais para "tornar os EUA brancos de novo".

sexta-feira, 15 de março de 2019

Terrorista da Nova Zelândia é supremacista branco e critica Brasil multirracial

O australiano Brenton Tarrant, de 28 anos, responsável pelo pior ataque terrorista da história da Nova Zelândia, com 49 mortos e 48 feridas hoje em Christchurch, publicou um manifesto na Internet declarando ser "etnonacionalista e fascista", e transmitiu a ação ao vivo no Facebook. 

Admirador do presidente Donald Trump, o terrorista descreveu-se como "um homem branco comum, da uma família comum" da classe trabalhadora e de baixa renda, de origem europeia.

"As origens da minha língua são europeias, minha cultura, minhas crenças filosóficas, minha identidade é europeia e, mais importante, meu sangue é europeu", vangloriou-se o assassino patológico, descendente de escoceses, ingleses e irlandeses.

Tarrant transmitiu o massacre ao vivo no Facebook, que já retirou as imagens da rede. No manifesto de 74 páginas, revelou ter planejado o ataque durante dois anos. Sua intenção era amedrontar os candidatos a imigrantes para o que chamou de "terras europeias"e "mostrar aos invasores que nossas terras nunca serão deles enquanto um homem branco viver e que eles nunca irão nos substituir."

Sob o subtítulo Diversidade é fraqueza, ele citou o Brasil no manifesto como exemplo do fracasso de sociedades multiculturais, locais de "conflito social, político, religioso e étnico": "O Brasil, com toda a sua diversidade racial, está completamente fraturado como nação, as pessoas não se dão umas com as outras, se separam e se segregam sempre que possível."

O atentado foi inspirado pelo livro A Grande Substituição, do escritor francês Renaud Camus, que em 2012 apoiou a candidata neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, hoje Reunião Nacional. Em sua teoria conspiratória, ele imagina que a Europa será dominada por imigrantes de outras origens étnicas e religiões.

"Diariamente, nós [brancos] nos tornamos menos numerosos" por causa da queda nas taxas de natalidade, em contraste com "as altas taxas de fertilidade dos imigrantes", argumentou o terrorista. Isso terminaria por "uma completa substituição racial e cultural dos povos europeus".

Outras inspirações foram o terrorista inglês Darren Osborne, que atacou um centro de acolhimento a muçulmanos em Londres em 2017, matando uma pessoa e ferindo outras novas, e foi condenado à prisão perpétua, e o norueguês Anders Behring Breivik, que matou 77 pessoas em ataques na Noruega em 2011.

O manifesto e a transmissão do ataque ao vivo tiveram a clara intenção de estimular atentados não só contra muçulmanos, mas também contra o multiculturalismo e os defensores da globalização.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Maioria dos americanos vê Trump dividindo o país

Cerca de 62% dos eleitores americanos entendem que o presidente Donald Trump está dividindo os Estados Unidos, enquanto 31% acreditam que ele está unindo o país, indica uma pesquisa nacional divulgada ontem pela Universidade Quinnipiac.

A aprovação de Trump caiu de 39,57% em 17 de agosto para 35,59%. Eleitores de todos os partidos, gêneros, níveis educacionais, idades e grupos raciais desaprovam o presidente, à exceção dos republicanos. Entre os eleitores do seu partido, Trump tem 77,14% de apoio.

O presidente consegue maiorias escassas no eleitorado branco sem curso superior (52,4%) e entre os homens brancos (50,46%).

Depois dos conflitos racistas provocados por neonazistas em Charlottesville, na Virgínia, quando Trump culpou primeiro "muitos lados" e "ambos os lados", 60,32% não gostaram da reação do presidente.

Para 59% dos entrevistados na pesquisa, 59% concordaram que as declarações, as decisões e o comportamento de Trump encorajam os supremacistas brancos, enquanto 3% disseram que desencoraja e 35% que não têm maior impacto.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Trump recua e culpa "ambos os lados" em Charlottesville

Durou pouco mais de 24 horas a condenação explícita do presidente Donald Trump aos grupos neonazistas que entraram em choque com militantes antifascistas no sábado em Charlottesville, no estado da Virgínia. Hoje o presidente dos Estados Unidos voltou a culpar "ambos os lados" pela violência.

Depois de ficar em silêncio durante dois dias, sob intensa pressão dentro de seu próprio partido, Trump responsabilizou ontem grupos de extrema direita e citou nominalmente a organização do Ku Klux Klan e os supremacistas brancos. Voltou atrás hoje para incluir o que chamou de extrema esquerda.

"Penso que há culpa dos dois lados", declarou o presidente em entrevista na Trump Tower, sua residência particular em Nova York. "Você tinha de um lado um grupo que era ruim e do outro lado um grupo que também era violento e ninguém quer dizer isso, mas eu vou dizer agora. Você tinha um grupo do outro lado que não tinha permissão [para protestar] e saiu atacando. Eles foram muito violentos."

Sempre rápido ao atacar inimigos reais ou imaginários e a denunciar terroristas islâmicos, desta vez o presidente justificou a demora de dois dias para culpar os supremacistas brancos com base na cautela: "Antes de fazer uma declaração, preciso saber dos fatos." Ele não chamou o jovem que jogou um carro contra manifestantes antifascistas de terrorista.

No sábado, o presidente afirmou: "Condenamos nos termos mais fortes possíveis esta demonstração escandalosa de ódio, violência e intolerância de muitos lados." E repetiu: "muitos lados".

Desde então, quatro altos dirigentes industriais deixaram o Conselho Manufatureiro Americano, um órgão cosultivo da Casa Branca. Raivoso, Trump disse que eles saíram do governo "porque não estão levando seu trabalho a sério em relação a este país. Estão saindo constrangidos porque fabricam seus produtos no exterior."

Em seguida, o presidente argumentou que muitos manifestantes não eram neonazistas, estavam lá simplesmente protestando contra a remoção da estátua do general Robert Lee, comandante militar dos estados do Sul que lutaram para manter a escravidão e dividir os EUA na Guerra da Secessão (1861-65), o pior conflito armado da história do país, com mais de 600 mil mortes.

"Eu condenei os neonazistas", alegou Trump. "Condenei vários grupos diferentes. Mas nem todas aquelas pessoas eram neonazistas, acreditem em mim. Nem todas aquelas pessoas eram supremacistas brancos, em nenhuma medida. Aquelas pessoas estavam lá porque decidiram protestar contra a retirada da estátua de Robert Lee."

Trump questionou a remoção dos símbolos da Confederação, que lutou contra as forças abolicionistas da União, liderada pelo presidente Abraham Lincoln, dizendo que os presidentes e fundadores dos EUA George Washington e Thomas Jefferon tinham escravos: "George Washington será o próximo? Onde isso vai parar?"

Mais uma vez, o presidente acusou os jornalistas de distorcerem a realidade: "O que dizer da ultraesquerda que chegou atacando o que vocês chamam de ultradireita? O que dizer do fato que eles chegaram atacando com porretes na mão?"

Imediatamente, foi elogiado pelo ex-líder do KKK David Duke, que estava na manifestação neonazista em Charlottesville: "Obrigado, presidente Donald Trump, por sua honestidade e coragem ao dizer a verdade sobre Charlottesville e condenar os terroristas de esquerda."

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Trump condena neonazistas com dois dias de atraso

Dois dias depois dos acontecimentos em Charlottesville, sob intensa pressão de seu próprio Partido Republicano, visivelmente a contragosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, finalmente condenou expressamente os grupos de ultradireita responsáveis pela violência que deixou três mortos, "inclusive o Ku Klux Klan, os neonazistas e supremacistas brancos".

"O racismo é um mal", declarou Trump, "e aqueles que causam violência em seu nome são bandidos e criminosos, inclusive o Ku Klux Klan, neonazistas, supremacistas brancos e outros grupos repugnantes diante do que consideramos mais caro como americanos."

Horas antes de sua declaração conciliatória, onde usou as palavras "amor", "alegria" e "justiça", o presidente havia atacado duramente no Twitter o diretor-geral do grupo Merck, Ken Frasier, que abandonou o Conselho Manufatureiro Americano, órgão consultivo da Casa Branca, em protesto contra "a intolerância e o extremismo".

Isso indica que Trump foi fortemente pressionado para condenar o racismo e os grupos supremacistas brancos explicitamente, depois de fazer uma acusação genérica de intolerância e extremismo de "muitas partes".

Trump relutou porque os grupos racistas de extrema direita fazem parte do núcleo duro de sua base de apoio. O ex-líder do KKK David Duke reclamou do presidente, lembrando que "ele foi eleito pelos americanos brancos, não por radicais de esquerda".

A campanha de Trump resgatou a legitimidade desses grupos e em nenhum momento, pelo menos até agora, ele havia se distanciado claramente desses partidários extremistas.