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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Trump condena neonazistas com dois dias de atraso

Dois dias depois dos acontecimentos em Charlottesville, sob intensa pressão de seu próprio Partido Republicano, visivelmente a contragosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, finalmente condenou expressamente os grupos de ultradireita responsáveis pela violência que deixou três mortos, "inclusive o Ku Klux Klan, os neonazistas e supremacistas brancos".

"O racismo é um mal", declarou Trump, "e aqueles que causam violência em seu nome são bandidos e criminosos, inclusive o Ku Klux Klan, neonazistas, supremacistas brancos e outros grupos repugnantes diante do que consideramos mais caro como americanos."

Horas antes de sua declaração conciliatória, onde usou as palavras "amor", "alegria" e "justiça", o presidente havia atacado duramente no Twitter o diretor-geral do grupo Merck, Ken Frasier, que abandonou o Conselho Manufatureiro Americano, órgão consultivo da Casa Branca, em protesto contra "a intolerância e o extremismo".

Isso indica que Trump foi fortemente pressionado para condenar o racismo e os grupos supremacistas brancos explicitamente, depois de fazer uma acusação genérica de intolerância e extremismo de "muitas partes".

Trump relutou porque os grupos racistas de extrema direita fazem parte do núcleo duro de sua base de apoio. O ex-líder do KKK David Duke reclamou do presidente, lembrando que "ele foi eleito pelos americanos brancos, não por radicais de esquerda".

A campanha de Trump resgatou a legitimidade desses grupos e em nenhum momento, pelo menos até agora, ele havia se distanciado claramente desses partidários extremistas.

domingo, 13 de agosto de 2017

Prefeito critica Trump por não condenar neonazistas

Um dia depois do conflito entre neonazistas e antifascistas em Charlottesville, na Virgínia, o prefeito democrata Michael Signer criticou hoje as "repetidas falhas" do presidente Donald Trump ao não condenar explicitamente os supremacistas brancos que invadiram a cidade.

"Vejam a campanha que ele fez. Vejam a aproximação a grupos supremacistas brancos, nacionalistas brancos", declarou o prefeito de Charlottesville em entrevista à televisão americana CNN.

O movimento Una a Direita convocou uma manifestação de protesto contra a remoção de uma estátua do general Robert Lee, comandante militar dos Estados Confederados do Sul, que lutaram para manter a escravidão e dividir os Estados Unidos na Guerra da Secessão (1861-65).

Quando viram símbolos nazistas, da organização racista Ku Klux Klan e da campanha de Trump no coração de uma cidade universitária americana, ativistas liberais, esquerdistas e antifascistas decidiram reagir.

Houve confronto e confusão. Um homem jogou um carro contra um grupo de manifestantes antifascistas, matando uma mulher de 32 anos e ferindo outras 19 pessoas.

Ao comentar o caso, Trump condenou a violência, o fanatismo e a intolerância de "muitas partes", generalizando, sem responsabilizar explicitamente os neonazistas.