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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Janeiro

 IVÃ O TERRÍVEL

    Em 1547, Ivã IV, o Terrível, é coroado czar e grão-príncipe da Rússia.

Ivã Vassilievich nasce em 25 de agosto de 1530 em Kolomenskoye, perto de Moscou. É filho do grão-príncipe Basílio III, do Principado de Moscou e o penúltimo monarca da Dinastia Rurique. Aos 3 anos, com a morte do pai, é proclamado grão-príncipe de Moscou. A mãe reina em seu nome até morrer, em 1538.

O período de 1538 a 1547 é marcado por conflitos violentos entre uma casta de nobres guerreiros conhecidos como boiardos que marcam Ivã. 

O título de czar vem de césar. Depois da tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453, e do fim do Império Romano do Oriente, a Rússia se apresenta como o centro do cristianismo oriental, a Terceira Roma.

Pouco depois da coroação, em fevereiro de 1547, ele se casa com Anastássia Romanovna, tia-avó do primeiro czar da Dinastia Romanov, que mandaria na Rússia de 1613 até o fim do Império Russo na Revolução de Fevereiro de 1917.

Ivã IV completa a construção da Rússia como um Estado centralizado. Trava, sem sucesso, guerras longas contra a Suécia e a Polônia. Para manter a disciplina militar e a administração centralizada, impõe um reino de terror.

Com medo da traição de aristocratas, Ivã sai de Moscou em 3 de dezembro de 1564 e vai para Alexandrov. Em 3 de janeiro de 1565, envia uma carta ao arcebispo de Moscou anunciando a intenção de renunciar. Uma delegação composta pelo clero, inclusive o arcebispo de Moscou, boiardos e comerciantes vai até ele pedir que volte. Ivã IV exige um poder ilimitado.

Em fevereiro de 1565, Ivã IV retorna e baixa um decreto para dividir o Principado de Moscou em dois: a Zémschina, sob administração czarista, e a Opríchnina, onde ele tem poderes absolutos. O sistema da Opríchnina dura até 1572. Em sete anos, se esforça para aniquilar seus inimigos e acabar com o sistema de governo. Seus homens são conhecidos como a "tropa satânica". Vestem-se de preto e tem um cachorro e uma vassoura como insígnia.

Violento e impiedoso, Ivã o Terrível tem acessos de raiva e surtos psicóticos. Num desses ataques, mata o filho mais velho e sucessor, Ivã (quadro). Ao morrer, 28 de março de 1584, deixa o trono para o filho mais moço, Teodoro I, que tem problemas mentais.

LEI SECA RATIFICADA

    Em 1919, a 18ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, proibindo "manufatura, venda ou transporte de licores e bebidas intoxicantes", está ratificada por 75% dos estados, condição necessária para entrar em vigor.

O objetivo expresso da lei é evitar problemas como violência e pobreza. O resultado é muito diferente.

A Lei Seca, a proibição de produzir, vender, distribuir e ingerir bebidas alcoólicas, entra em vigor em 17 de janeiro de 1920 e dura até 5 de dezembro de 1933, criando um mercado negro onde imperam gângsters como Al Capone, a corrupção e a impunidade.

FIM DA GUERRA EM EL SALVADOR

    Em 1992, depois de cerca de 75 mil mortes 12 anos, 3 meses e 1 dia, termina a guerra civil em El Salvador, com a assinatura no México do Acordo de Paz de Chapultec entre o governo e a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN).

El Salvador tem uma longa história de concentração da riqueza nas mãos de uma oligarguia. A guerra civil começa com um golpe de Estado, em 15 de outubro de 1979, apoiado pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria, três meses depois da vitória da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Revolução da Nicarágua. Os militares salvadorenhos temem que o país siga o mesmo destino.

O presidente Carlos Humberto Romero é deposto por uma junta militar com o coronel Álvaro Magaña como presidente. A FMLN tem o apoio da União Soviética, de Cuba e dos sandinistas da Nicarágua.

Em 24 de março de 1980, o arcebispo de San Salvador, Dom Óscar Romero, é assassinado durante a missa na catedral da cidade. A guerra é marcada por sequestros, tortura e assassinados cometidos por esquadrões da morte. Os rebeldes são responsáveis por 5% das violações dos direitos humanos. Um dos grandes assassinos é o major Roberto d'Aubuisson, suspeito da morte de Dom Romero.

Uma anistia aprovada em 1993 impede a punição desses crimes. Em 2016, a Corte Suprema de El Salvador declara a anistia inconstitucional.

PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE AFRICANA

    Em 2006, Ellen Johnson Sirleaf, a primeira mulher eleita chefe de Estado na África, toma posse como presidente da Libéria.

Ellen nasce em 29 de outubro de 1938 em Monróvia, a capital do país. Em 1961, ela vai para os EUA estudar economia e administração de empresas. Depois de um mestrado em administração pública da Universidade de Harvard, ela entra no serviço público liberiano.

Em 1972-73, Ellen Johnson Sirleaf é a segunda no Ministéro das Finanças do presidente William Tolbert. De 1980-85, é ministra das Finanças da ditadura de Samuel Doe. Conhecida por sua integridade, entra em choque com os dois presidentes. Na ditadura, é presa duas vezes. Escapa por pouco da execução.

Durante a campanha eleitoral de 1985, Ellen luta por uma vaga no Senado denunciando a ditadura. É condenada a 10 anos de prisão e solta desde que saia do país. Fica 12 anos no Quênia e nos EUA, enquanto a Libéria mergulha numa guerra civil brutal.

Ela trabalha como economista do Banco Mundial. De 1992-97, dirige o Escritório Regional para a África do Programa das Nações para o Desenvolvimento (PNUD).

Em 1997, Ellen Johnson Sirleaf concorre à Presidência da Libéria contra o ditador Charles Taylor. O governo a acusa de traição e volta para o exílio. A guerra civil recomeça em 1999. Quando Taylor vai para o exílio, em 2003, ela volta para presidir a Comissão pela Boa Governança, que prepara o país para eleições democráticas.

Na segunda tentativa, em 2005, ela se elege presidente vencendo o ex-jogador de futebol George Weah no segundo turno e toma posse em janeiro.

Com 15 mil soldados da ONU no país e 80% de desemprego, os desafios são enormes. Em 2006, cria uma Comissão da Verdade e Reconciliação. Ela própria é citada por ter apoiado Taylor contra Doe no início da Primeira Guerra Civil Liberiana (1989-97).

Em 2011, Ellen Johnson Sirleaf divide o Prêmio Nobel da Paz com a também liberiana Leyman Gbowee e a iemenita Tawakkal Karman pela luta pelos direitos da mulher. Ela governa a Libéria até 2018 e entrega o poder a George Weah.

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Dezembro

ÚNICO PAPA INGLÊS

    Em 1154, Adriano IV torna-se o único papa inglês da história da Igreja Católica.

Nicholas Breakspear nasce por volta de 1100 na Abadia de Langley, perto da cidade de Saint Albans, no condado de Hertford, na Inglaterra.

Em 1150, o papa Eugênio II o nomeia cardeal e bispo de Albano, na Itália. Dois anos depois, é enviado para reorganizar a hierarquia da Igreja na Escandinávia. É tão bem-sucedido que na volta, em 1154, é eleito papa.

No ano seguinte, Adriano IV coroa Frederico Barbarossa como o imperador Frederico I do Sacro Império Romano-Germânico depois que este captura e entrega Arnoldo de Bréscia, que lidera uma revolta em Roma. Mas a relação entre os dois é tumultuada. O conflito entre a Igreja e o imperador continua no pontificado de Alexandre III.

Adriano IV se nega a reconhecer a coroação de Guilherme I, o Mau, como rei da Sicília. Os sicilianos reagam e atacam Benevento, uma possessão papal, e a levar a guerra à Campânia. Campânia. Adriano IV marcha para Benevento e recebe o apoio de João de Salisbury, secretário do arcebispo da Cantuária em troca de uma bula papal que dá a Irlanda ao rei Henrique II, da Inglaterra. É o início do conflito secular entre a Inglaterra e a Irlanda que só acaba com o acordo de paz na Irlanda do Norte, em 1998.

Com a pacificação da Sicília, em junho de 1156, Adriano IV concorda com a investidura de Guilherme, o que irrita o imperador Frederico I. Adriano IV morre em 1º de setembro de 1159 em Anagni, perto de Roma, na Itália.

IVÃ, O TERRÍVEL

    Em 1533, aos três anos de idade, o futuro czar Ivã IV, o Terrível, é nomeado grão-príncipe do Principado de Moscou depois da morte do pai, o grão-príncipe Basílio III, com a mãe como regente até morrer em 1538.

Ivã IV é o primeiro czar da Rússia. É o césar. A Rússia Kievana ou Principado de Kiev adota o cristianismo ortodoxo como religião oficial em 988, num acordo com o Império Bizantino, o Império Romano do Oriente, mas acaba com a invasão mongol, que toma Kiev em 1240 e domina a região até 1480.

Quando os turcos do Império Otomano tomam Constantinopla, em 29 de maio de 1453, e acabam com o Império Bizantino, Moscou reivindica a posição de Terceira Roma, o novo centro do cristianismo oriental.

Seu reinado, que vai até 1584, é marcado pelo nascimento da Rússia czarista e pela expansão imperial para subjugar povos não eslavos. Ele trava longas e malsucedidas guerras com a Polônia e a Suécia, e cria um reino de terror ao tentar impor disciplina militar, centralização administrativa e enquadrar os boiardos, o mais alto escalão da nobreza feudal.

FIM DO LED ZEPPELIN

    Em 1980, pouco mais de dois meses depois da morte do baterista John Bonham, a banda de rock britânica Led Zeppelin anuncia sua dissolução.

O Led Zeppelin nasce em 1968 como New Yardbirds por iniciativa de Jimmy Page, que é o último guitarrista solo da lendária banda Yardbirds, que teve guitarristas como Eric Clapton e Jeff Beck. Os três estão entre os maiores guitarristas da história.

A nova banda de Page tem John Paul Jones no contrabaixo e nos teclados, Bonham na bateria e o cantor Robert Plant. Tem influência rock, do rock psicodélico, do blues, do folclore norte-americano e das músicas celta, árabe e indiana. É considerada pioneira do heavy metal. Stairway to Heaven é considerada por muitos a melhor música da história do rock.

Ao lado dos Beatles, dos Rolling Stones, The Who e Pink Floyd, o Led Zeppelin está entre as cinco maiores bandas de rock and roll, todas britânicas, embora não haja unanimidade a esse respeito. Bonham morre em 25 de setembro de 1980, depois de tomar 40 doses de vodca em 24 horas.

TERRY ANDERSON LIBERTADO

     Em 1991, o jornalista norte-americano Terry Anderson, chefe do escritório da agência de notícias Associated Press no Líbano, é solto depois de 2.454 dias (seis anos e meio) sequestrado por extremistas muçulmanos em Beirute.

Anderson cobria a Guerra Civil Libanesa (1975-90). Em 16 de março de 1985, é capturado no setor oeste de Beirute, onde os muçulmanos são maioria, ao sair de uma quadra de tênis. Os sequestradores o levam para a Zona Sul da capital libanesa, onda a maioria é xiita.

Durante a Guerra Civil Libanesa, 92 estrangeiros são sequestrados, entre eles 17 norte-americanos. Os sequestros são realizados pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), fundado em 1982 em reação à invasão israelense ao Líbano.

Vários norte-americanos são sequestrados pouco depois que a Justiça do Kuwait condena 17 xiitas pelos atentados a bomba contra os quartéis-generais dos Fuzileiros Navais dos EUA e da Legião Estrangeira da França em Beirute, em 23 de outubro de 1983.

Em 1990, quando a a Guerra Civil Libanesa chega ao fim, os EUA melhoram as relações com o Irã e a Síria. Isto ajuda a libertação dos reféns.

MISSÃO CONTRA A FOME

    Em 1992, depois de perder a eleição presidencial, diante da fome na região do Chifre da África, o presidente George Bush manda 28 mil soldados dos Estados Unidos para a Somália em missão humanitária.

Bush justifica a Operação Restaurar a Esperança para salvar mais de um milhão de vidas somalianas. Em 1992, uma guerra civil entre clãs que vem desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 26 de janeiro de 1991, e uma das piores secas do século na África deixam um quarto da população da Somália à beira da fome.

As Nações Unidas iniciam uma missão humanitária para distribuir alimentos e remédios em agosto de 1992, sem sucesso. Como os capacetes azuis da ONU não conseguem controlar a guerra civil, milhares de toneladas de alimentos se deterioram em armazéns portuários.

Cinco dias depois do anúncio de Bush, os primeiros fuzileiros navais desembarcam em Mogadíscio. Os EUA conseguem distribuir ajuda humanitária enquanto  não intervêm na guerra civil somaliana. Em maio de 1993, já no governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA entregam formalmente o comando da missão à ONU.

Em 5 de junho de 1993, quando restam 4,3 mil soldados norte-americanos na Somália, 24 soldados paquistaneses da ONU morrem numa emboscada dos rebeldes liderados pelo general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra no controle da região de Mogadíscio.

As forças dos EUA e da ONU começam então uma caçada a Aidid, com 400 soldados de elite da Força Delta enviados especialmente para capturar o senhor da guerra mais procurado da Somália.

Dois meses depois, em 3 a 4 de outubro, 18 soldados norte-americanos são mortos e 84 feridos na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo. A batalha dura 17 horas. É o combate mais violento dos EUA desde a Guerra do Vietnã (1955-75). Cerca de mil somalianos morrem.

Três dias depois, Clinton anuncia a retirada total. Os últimos soldados dos EUA deixam a Somália em 25 de março de 1994. Fica uma força de paz da ONU de 20 mil homens que sai em 1995 sem pacificar o país.

A última missão da ONU começa em 2014. Foi prorrogada várias vezes, com nomes diferentes. A mais recente inicia em 1º de novembro de 2024.

Por causa da tragédia na Somália, o presidente Clinton decide não intervir em Ruanda, onde um genocídio mata cerca de 800 mil pessoas de 7 de abril a 15 de julho de 1994, no que ele considera seu maior erro de política externa.

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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 16 de Janeiro

 IVÃ O TERRÍVEL

    Em 1547, Ivã IV, o Terrível, é coroado czar e grão-príncipe da Rússia.

Ivã Vassilievich nasce em 25 de agosto de 1530 em Kolomenskoye, perto de Moscou. É filho do grão-príncipe Basílio III, do Principado de Moscou e o penúltimo monarca da Dinastia Rurique. Aos 3 anos, com a morte do pai, é proclamado grão-príncipe de Moscou. A mãe reina em seu nome até morrer, em 1538.

O período de 1538 a 1547 é marcado por conflitos violentos entre uma casta de nobres guerreiros conhecidos como boiardos que marcam Ivã. 

O título de czar vem de césar. Depois da tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453, e do fim do Império Romano do Oriente, a Rússia se apresenta como o centro do cristianismo oriental, a Terceira Roma.

Pouco depois da coroação, em fevereiro de 1547, ele se casa com Anastássia Romanovna, tia-avó do primeiro czar da Dinastia Romanov, que manda na Rússia de 1613 até o fim do Império Russo na Revolução de Fevereiro de 1917.

Ivã IV completa a construção da Rússia como um Estado centralizado. Trava, sem sucesso, guerras longas contra a Suécia e a Polônia. Para manter a disciplina militar e a administração centralizada, impõe um reino de terror.

Com medo da traição de aristocratas, Ivã sai de Moscou em 3 de dezembro de 1564 e vai para Alexandrov. Em 3 de janeiro de 1565, envia uma carta ao arcebispo de Moscou anunciando a intenção de renunciar. Uma delegação composta pelo clero, inclusive o arcebispo de Moscou, boiardos e comerciantes vai até ele pedir que volte. Ivã IV exige um poder ilimitado.

Em fevereiro de 1565, Ivã IV retorna e baixa um decreto para dividir o Principado de Moscou em dois: a Zémschina, sob administração czarista, e a Opríchnina, onde ele tem poderes absolutos. O sistema da Opríchnina dura até 1572. Em sete anos, se esforça para aniquilar seus inimigos e acabar com o sistema de governo. Seus homens são conhecidos como a "tropa satânica". Vestem-se de preto e tem um cachorro e uma vassoura como insígnia.

Violento e impiedoso, Ivã o Terrível tem acessos de raiva e surtos psicóticos. Num desses ataques, mata o filho mais velho e sucessor, Ivã (quadro). Ao morrer, 28 de março de 1584, deixa o trono para o filho mais moço, Teodoro I, que tem problemas mentais.

LEI SECA RATIFICADA

    Em 1919, a 18ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, proibindo "manufatura, venda ou transporte de licores e bebidas intoxicantes", está ratificada por 75% dos estados, condição necessária para entrar em vigor.

O objetivo expresso da lei é evitar problemas como violência e pobreza. O resultado é muito diferente.

A Lei Seca, a proibição de produzir, vender, distribuir e ingerir bebidas alcoólicas, entra em vigor em 17 de janeiro de 1920 e dura até 5 de dezembro de 1933, criando um mercado negro onde imperam gângsters como Al Capone, a corrupção e a impunidade.

FIM DA GUERRA EM EL SALVADOR

    Em 1992, depois de cerca de 75 mil mortes em 12 anos, 3 meses e 1 dia, termina a guerra civil em El Salvador, com a assinatura no México do Acordo de Paz de Chapultec entre o governo e a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN).

El Salvador tem uma longa história de concentração da riqueza nas mãos de uma oligarguia. A guerra civil começa com um golpe de Estado, em 15 de outubro de 1979, apoiado pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria, três meses depois da vitória da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Revolução da Nicarágua. Os militares salvadorenhos temem que o país siga o mesmo destino.

O presidente Carlos Humberto Romero é deposto por uma junta militar com o coronel Álvoro Magaña como presidente. A FMLN tem o apoio da União Soviética, de Cuba e dos sandinistas da Nicarágua.

Em 24 de março de 1980, o arcebispo de San Salvador, Dom Óscar Romero, é assassinado durante a missa na catedral da cidade. A guerra é marcada por sequestros, tortura e assassinados cometidos por esquadrões da morte. Os rebeldes são responsáveis por 5% das violações dos direitos humanos. Um dos grandes assassinos é o major Roberto d'Aubuisson, suspeito da morte de Dom Romero.

Uma anistia aprovada em 1993 impediu a punição desses crimes. Em 2016, a Corte Suprema de El Salvador declarou a anistia inconstitucional.

PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE AFRICANA

    Em 2006, Ellen Johnson Sirleaf, a primeira mulher eleita chefe de Estado na África, toma posse como presidente da Libéria.

Ellen nasce em 29 de outubro de 1938 em Monróvia, a capital do país. Em 1961, ela vai para os EUA estudar economia e administração de empresas. Depois de um mestrado em administração pública da Universidade de Harvard, ela entra no serviço público liberiano.

Em 1972-73, Ellen Johnson Sirleaf é a segunda no Ministéro das Finanças do presidente William Tolbert. De 1980-85, é ministra das Finanças da ditadura de Samuel Doe. Conhecida por sua integridade, entra em choque com os dois presidentes. Na ditadura, é presa duas vezes. Escapa por pouco da execução.

Durante a campanha eleitoral de 1985, Ellen luta por uma vaga no Senado denunciando a ditadura. É condenada a 10 anos de prisão e solta desde que saia do país. Ela fica 12 anos no Quênia e nos EUA, enquanto a Libéria mergulha numa guerra civil brutal.

Ellen trabalha como economista do Banco Mundial. De 1992-97, dirige o Escritório Regional para a África do Programa das Nações para o Desenvolvimento (PNUD).

Em 1997, Ellen Johnson Sirleaf concorre à Presidência da Libéria contra o ditador Charles Taylor. Quando o governo a acusa de traição, volta para o exílio. A guerra civil recomeça em 1999. Quando Taylor vai para o exílio, em 2003, ela volta para presidir a Comissão pela Boa Governança, que preparou o país para eleições democráticas.

Na segunda tentativa, em 2005, ela se elege presidente vencendo o ex-jogador de futebol George Weah no segundo turno e toma posse em janeiro.

Com 15 mil soldados da ONU no país e 80% de desemprego, os desafios são enormes. Em 2006, cria uma Comissão da Verdade e Reconciliação. Ela própria é citada por ter apoiado Taylor contra Doe no início da Primeira Guerra Civil Liberiana (1989-97).

Em 2011, Ellen Johnson Sirleaf divide o Prêmio Nobel da Paz com a também liberiana Leyman Gbowee e a iemenita Tawakkal Karman pela luta pelos direitos da mulher. Ela governa a Libéria até 2018 e entrega o poder a George Weah. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 4 de Dezembro

 IVÃ, O TERRÍVEL

    Em 1533, aos três anos de idade, o futuro czar Ivã IV, o Terrível, é nomeado grão-príncipe do Principado de Moscou depois da morte do pai, o grão-príncipe Basílio III, com a mãe como regente até morrer em 1538.

Ivã IV é o primeiro czar da Rússia. É o césar. A Rússia Kievana ou Principado de Kiev adota o cristianismo ortodoxo como religião oficial em 988, num acordo com o Império Bizantino, o Império Romano do Oriente, mas acaba com a invasão mongol, que toma Kiev em 1240 e domina a região até 1480.

Quando os turcos do Império Otomano tomam Constantinopla, em 29 de maio de 1453, e acabam com o Império Bizantino, Moscou reivindica a posição de Terceira Roma, o novo centro do cristianismo oriental.

Seu reinado, que vai até 1584, é marcado pelo nascimento da Rússia czarista e pela expansão imperial para subjugar povos não eslavos. Ele trava longas e malsucedidas guerras com a Polônia e a Suécia, e cria um reino de terror ao tentar impor disciplina militar, centralização administrativa e enquadrar os boiardos, o mais alto escalão da nobreza feudal.

FIM DO LED ZEPPELIN

    Em 1980, pouco mais de dois meses depois da morte do baterista John Bonham, a banda de rock britânica Led Zeppelin anuncia sua dissolução.

O Led Zeppelin nasce em 1968 como New Yardbirds por iniciativa de Jimmy Page, que é o último guitarrista solo da lendária banda Yardbirds, que teve guitarristas como Eric Clapton e Jeff Beck. Os três estão entre os maiores guitarristas da história.

A nova banda de Page tem John Paul Jones no contrabaixo e nos teclados, Bonham na bateria e o cantor Robert Plant. Tem influência rock, do rock psicodélico, do blues, do folclore norte-americano e das músicas celta, árabe e indiana. É considerada pioneira do heavy metal. Stairway to Heaven é considerada por muitos a melhor música da história do rock.

Ao lado dos Beatles, dos Rolling Stones, The Who e Pink Floyd, o Led Zeppelin está entre as cinco maiores bandas de rock and roll, todas britânicas, embora não haja unanimidade a esse respeito. Bonham morre em 25 de setembro de 1980, depois de tomar 40 doses de vodca em 24 horas.

TERRY ANDERSON LIBERTADO

     Em 1991, o jornalista norte-americano Terry Anderson, chefe do escritório da agência de notícias Associated Press no Líbano, é solto depois de 2.454 dias (seis anos e meio) sequestrado por extremistas muçulmanos em Beirute.

Anderson cobria a Guerra Civil Libanesa (1975-90). Em 16 de março de 1985, é capturado no setor oeste de Beirute, onde os muçulmanos são maioria, ao sair de uma quadra de tênis. Os sequestradores o levam para a Zona Sul da capital libanesa, onda a maioria é xiita.

Durante a Guerra Civil Libanesa, 92 estrangeiros são sequestrados, entre eles 17 norte-americanos. Os sequestros são realizados pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), fundado em 1982 em reação à invasão israelense ao Líbano.

Vários norte-americanos são sequestrados pouco depois que a Justiça do Kuwait condena 17 xiitas pelos atentados a bomba contra os quartéis-generais dos Fuzileiros Navais dos EUA e da Legião Estrangeira da França em Beirute, em 23 de outubro de 1983.

Em 1990, quando a a Guerra Civil Libanesa chega ao fim, os EUA melhoram as relações com o Irã e a Síria. Isto ajuda a libertação dos reféns.

MISSÃO CONTRA A FOME

    Em 1992, depois de perder a eleição presidencial, diante da fome na região do Chifre da África, o presidente George Bush manda 28 mil soldados dos Estados Unidos para a Somália em missão humanitária.

Bush justifica a Operação Restaurar a Esperança para salvar mais de um milhão de vidas somalianas. Em 1992, uma guerra civil entre clãs que vem desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 26 de janeiro de 1991, e uma das piores secas do século na África deixam um quarto da população da Somália à beira da fome.

As Nações Unidas iniciam uma missão humanitária para distribuir alimentos e remédios em agosto de 1992, sem sucesso. Como os capacetes azuis da ONU não conseguem controlar a guerra civil, milhares de toneladas de alimentos se deterioram em armazéns portuários.

Cinco dias depois do anúncio de Bush, os primeiros fuzileiros navais desembarcam em Mogadíscio. Os EUA conseguem distribuir ajuda humanitária enquanto  não intervêm na guerra civil somaliana. Em maio de 1993, já no governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA entregam formalmente o comando da missão à ONU.

Em 5 de junho de 1993, quando restam 4,3 mil soldados norte-americanos na Somália, 24 soldados paquistaneses da ONU morrem numa emboscada dos rebeldes liderados pelo general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra no controle da região de Mogadíscio.

As forças dos EUA e da ONU começam então uma caçada a Aidid, com 400 soldados de elite da Força Delta enviados especialmente para capturar o senhor da guerra mais procurado da Somália.

Dois meses depois, em 3 a 4 de outubro, 18 soldados norte-americanos são mortos e 84 feridos na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo. A batalha dura 17 horas. É o combate mais violento dos EUA desde a Guerra do Vietnã (1955-75). Cerca de mil somalianos morrem.

Três dias depois, Clinton anuncia a retirada total. Os últimos soldados dos EUA deixam a Somália em 25 de março de 1994. Fica uma força de paz da ONU de 20 mil homens que sai em 1995 sem pacificar o país.

A última missão da ONU começa em 2014. Foi prorrogada várias vezes, com nomes diferentes. A mais recente inicia em 1º de novembro de 2024.

Por causa da tragédia na Somália, o presidente Clinton decide não intervir em Ruanda, onde um genocídio mata cerca de 800 mil pessoas de 7 de abril a 15 de julho de 1994, no que ele considera seu maior erro de política externa.  

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 16 de Janeiro

IVAN O TERRÍVEL

    Em 1547, Ivã IV, o Terrível, é coroado czar e grão-príncipe da Rússia.

Ivã Vassilievich nasce em 25 de agosto de 1530 em Kolomenskoye, perto de Moscou. É filho do grão-príncipe Basílio III, do Principado de Moscou e o penúltimo monarca da Dinastia Rurique. Aos 3 anos, com a morte do pai, é proclamado grão-príncipe de Moscou. A mãe reina em seu nome até morrer, em 1538.

O período de 1538 a 1547 é marcado por conflitos violentos entre uma casta de guerreiros conhecidos como boiardos que marcam Ivã. 

O título de czar vem de césar. Depois da tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453, e do fim do Império Romano do Oriente, a Rússia se apresenta como o centro do cristianismo oriental, a Terceira Roma.

Pouco depois da coroação, em fevereiro de 1547, ele se casa com Anastássia Romanovna, tia-avó do primeiro czar da Dinastia Romanov, que mandaria na Rússia de 1613 até o fim do Império Russo na Revolução de Fevereiro de 1917.

Ivã IV completa a construção da Rússia como um Estado centralizado. Trava, sem sucesso, guerras longas contra a Suécia e a Polônia. Para impor a disciplina militar e a administração centralizada, impõe um reino de terror.

Com medo da traição de aristocratas, Ivã sai de Moscou em 3 de dezembro de 1564 e vai para Alexandrov. Em 3 de janeiro de 1565, envia uma carta ao arcebispo de Moscou anunciando a intenção de renunciar. Uma delegação composta pelo clero, inclusive o arcebispo de Moscou, boiardos e comerciantes vai até ele pedir que volte. Ivã IV exige um poder ilimitado.

Em fevereiro de 1565, Ivã IV retorna e baixa um decreto para dividir o Principado de Moscou em dois: a Zémschina, sob administração czarista, e a Opríchnina, onde ele tem poderes absolutos. O sistema da Opríchnina dura até 1572. Em sete anos, se esforça para aniquilar seus inimigos e acabar com o sistema de governo. Seus homens são conhecidos como a "tropa satânica". Vestem-se de preto e tem um cachorro e uma vassoura como insígnia.

Violento e impiedoso, Ivã o Terrível tem acessos de raiva e surtos psicóticos. Num desses ataques, mata o filho mais velho e sucessor, Ivã (foto). Ao morrer, 28 de março de 1584, deixa o trono para o filho mais moço, Teodoro I, que tem problemas mentais.

LEI SECA RATIFICADA

    Em 1919, a 18ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, proibindo "manufatura, venda ou transporte de licores e bebidas intoxicantes", está ratificada por 75% dos estados, condição necessária para entrar em vigor.

O objetivo expresso da lei é evitar problemas como violência e pobreza. O resultado é muito diferente.

A Lei Seca, a proibição de produzir, vender, distribuir e ingerir bebidas alcoólicas, entra em vigor em 17 de janeiro de 1920 e dura até 5 de dezembro de 1933, criando um mercado negro onde imperam gângsters como Al Capone, a corrupção e a impunidade.

FIM DA GUERRA EM EL SALVADOR

    Em 1992, depois de cerca de 75 mil mortes 12 anos, 3 meses e 1 dia, termina a guerra civil em El Salvador, com a assinatura no México do Acordo de Paz de Chapultec entre o governo e a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN).

El Salvador tem uma longa história de concentração da riqueza nas mãos de uma oligarguia. A guerra civil começa com um golpe de Estado, em 15 de outubro de 1979, apoiado pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria, três meses depois da vitória da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Revolução da Nicarágua. Os militares saldorenhos temem que o país siga o mesmo destino.

O presidente Carlos Humberto Romero é deposto por uma junta militar com o coronel Álvoro Magaña como presidente. A FMLN tem o apoio da União Soviética, de Cuba e dos sandinistas da Nicarágua.

Em 24 de março de 1980, o arcebispo de San Salvador, Dom Óscar Romero, é assassinado durante a missa na catedral da cidade. A guerra é marcada por sequestros, tortura e assassinados cometidos por esquadrões da morte. Os rebeldes são responsáveis por 5% das violações dos direitos humanos. Um dos grandes assassinos é o major Roberto d'Aubuisson, suspeito da morte de Dom Romero.

Uma anistia aprovada em 1993 impediu a punição desses crimes. Em 2016, a Corte Suprema de El Salvador declarou a anistia inconstitucional.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 4 de Dezembro

IVÃ, O TERRÍVEL

    Em 1533, aos três anos de idade, o futuro czar Ivã IV, o Terrível, é nomeado grão-príncipe do Principado de Moscou depois da morte do pai, o grân-príncipe Basílio III, com a mãe como regente até morrer em 1538.

Ivã IV é o primeiro czar da Rússia. É o césar. A Rússia Kievana ou Principado de Kiev adota o cristianismo ortodoxo como religião oficial em 988, num acordo com o Império Bizantino, o Império Romano do Oriente.

Quando os turcos do Império Otomano tomam Constantinoploa, em 29 de maio de 1453, e acabam com o Império Bizantino, Moscou reivindica a posição de Terceira Roma, o novo centro do cristianismo oriental.

Seu reinado, que vai até 1584, é marcado pelo nascimento da Rússia czarista e pela expansão imperial para subjugar povos não eslavos. Ele trava longas e malsucedidas guerras com a Polônia e a Suécia, e cria um reino de terror ao tentar impor disciplina militar, centralização administrativa e enquadrar os boiardos, o mais alto escalão da nobreza feudal. 

TERRY ANDERSON LIBERTADO

     Em 1991, o jornalista norte-americano Terry Anderson, chefe do escritório da agência de notícias Associated Press no Líbano, é solto depois de 2.454 dias (seis anos e meio) sequestrado por extremistas muçulmanos em Beirute.

Anderson cobria a Guerra Civil Libanesa (1975-90). Em 16 de março de 1985,  é capturado no setor oeste de Beirute, onde os muçulmanos são maioria, quando saía de uma quadra de tênis. Os sequestradores o levam para a Zona Sul da capital libanesa.

Durante a Guerra Civil Libanesa, 92 estrangeiros são sequestrados, entre eles 17 norte-americanos. Os sequestros são realizados pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), fundado em 1982 em reação à invasão israelense ao Líbano.

Vários norte-americanos são sequestrados pouco depois que a Justiça do Kuwait condena 17 xiitas pelos atentados a bomba contra os quartéis-generais dos Fuzileiros Navais dos EUA e da Legião Estrangeira da França em Beirute, em outubro de 1983.

Em 1990, quando a a Guerra Civil Libanesa chega ao fim, os EUA melhoram as relações com o Irã e a Síria. Isto ajuda a libertação dos reféns.

MISSÃO CONTRA A FOME

    Em 1992, depois de perder a eleição presidente, diante da fome na região do Chifre da África, o presidente George Bush manda 28 mil soldados dos Estados Unidos para a Somália em missão humanitária.

Bush justifica a Operação Restaurar a Esperança para salvar mais 1 milhão de vidas somalianas. Em 1992, uma guerra civil entre clãs que vem desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 26 de janeiro de 1991, e uma das piores secas do século na África deixam um quarto da população da Somália à beira da fome.

As Nações Unidas iniciam uma missão humanitária para distribuir alimentos e remédios em agosto de 1992, sem sucesso. Como os capacetes azuis da ONU não conseguem controlar a guerra civil, milhares de toneladas de alimentos se deterioram em armazéns portuários.

Cinco dias depois do anúncio de Bush, os primeiros fuzileiros navais desembarcam em Mogadíscio. Os EUA conseguem distribuir ajuda humanitária enquanto  não intervêm na guerra civil somaliana. Em maio de 1993, já no governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA entregam formalmente o comando da missão à ONU.

Em 5 de junho de 1993, quando restam 4,3 mil soldados norte-americanos na Somália, 24 soldados paquistaneses da ONU morrem numa emboscada dos rebeldes liderados pelo general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controlava a região de Mogadíscio.

As forças dos EUA e da ONU começam então uma caçada a Aidid, com 400 soldados de elite da Força Delta enviados especialmente para capturar o senhor da guerra mais procurado da Somália.

Dois meses depois, em 3 a 4 de outubro, 18 soldados norte-americanos foram mortos e 84 feridos na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo. A batalha dura 17 horas. É o combate mais violento dos EUA desde a Guerra do Vietnã (1955-75). Cerca de mil somalianos morrem.

Três dias depois, Clinton anuncia a retirada total. Os últimos soldados dos EUA deixam a Somália em 25 de março de 1994. Fica uma força de paz da ONU de 20 mil homens que sai em 1995 sem pacificar o país.

A última missão da ONU começa em 2014. Em outubro de 2022, o Conselho de Segurança a prorrogou até 31 de outubro de 2023. No momento, uma seca causa escassez de alimentos e fome no Quênia, na Etiópia e da Somália.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

RÚSSIA: fim do domínio mongol restaura a independência

A dominação mongol acabou no governo de Ivã III, o Grande, príncipe de Moscou e grão-duque de Todas as Rússias de 1462 a 1505. 
Depois da queda de Constantinopla para os turcos e do fim do Império Bizantino, em 1453, Moscou reivindicou a herança do também chamado Império Romano do Oriente.
Ivã III se casou com Sophia Palaiologina, sobrinha do último imperador bizantino, Constantino IX, e incluiu a águia de duas cabeças bizantina no escudo de armas da Rússia. Chegou a dizer que era descendente de Otávio César Augusto, o primeiro imperador romano.
Ivã III triplicou o território, reconstruiu o Kremlin, a fortaleza e sede do governo que virou símbolo do poder na Rússia e na União Soviética, e lançou as bases para a reconstrução do Estado russo depois da colonização mongol. Foi o primeiro a enviar embaixadores à Europa Ocidental, a Roma e Viena, para contrabalançar o poder da confederação Polônia-Lituânia.

TERCEIRA ROMA

Dentro da proposta de fazer de Moscou uma “terceira Roma” depois da queda de Constantinopla para os turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453, o grão-duque Ivã IV foi oficialmente coroado czar ou tzar (césar) da Rússia em 1547 aos 16 anos. Ele governou até 1584 e entrou para a História como Ivã, o Terrível.

IVÃ O TERRÍVEL

Doente e debilitado mentalmente, de temperamento violento, Ivã, o Terrível, casou-se sete vezes e fez um governo desastroso, impondo um reino de terror com a primeira polícia política da Rússia para se firmar diante dos boiardos, a aristocracia rural, com expurgos, prisões arbitrárias, torturas e assassinatos.
Ivã IV praticamente dobrou o já extenso território russo, derrotando três canatos tártaros que pertenciam ao Império Mongol em desintegração: Cazã, Astracã, no vale do Rio Volga, e o da Sibéria, no sul da Sibéria.
No fim do século 16, a Rússia havia se tornado num império multinacional, multiétnico, multirreligioso e transcontinental. Ivã, o Terrível, é acusado de introduzir o terrorismo de Estado e a polícia política que assombrariam a Rússia até o fim da URSS e além dela.

OPRÍCHNINA

A Opríchnina foi uma parte do território russo administrada diretamente por Ivã, o Terrível, a maior parte no território da antiga República de Novgorod. O czar criou um Estado policial de 1565 a 1572, com polícia secreta, repressão em massa, execuções públicas e confisco de propriedades da aristocracia. 
A polícia política, formada por 6 mil opríchniks, era conhecida por sua brutalidade e violência. No Massacre de Novgorod, entre 2 a 3 mil pessoas de todas as classes sociais foram mortas indiscriminadamente pelos oprichiniks em janeiro e fevereiro de 1570. 
Para o historiador Ruslan Skrynnikov, biógrafo de Ivã, o Terrível, “o saque de Novgorod é o episódio mais repulsivo da história brutal da Opríchnina. O massacre cruel e sem sentido de pessoas inocentes tornou Opríchnina sinônimo de arbitrariedade e abuso de poder”.

GUERRA RÚSSIA-CRIMEIA

Quando a Rússia entrou em guerra com o canato da Crimeia e os tártaros invadiram e incendiaram Moscou, em 1571, os opríchniks não foram capazes de oferecer resistência. A política de terrorismo de Estado enfraquecera a Rússia. Em 1572, a Opríchnina foi extinta, o país foi reunificado sob a supervisão de um Conselho de Boiardos (Nobres).
A longo prazo, o terrorismo de Estado deixou uma população itinerante de camponeses expulsos de suas terras, o que contribuiu para a adoção de um regime de servidão.
Ivã, o Terrível, matou o filho mais velho, Ivã, provavelmente num surto psicótico, em 15 de novembro de 1581. A cena foi imortalizada no quadro de Ilia Ripin de 1885, que está na Galeria Tretiakov, um dos grandes museus de arte russa, em Moscou.
Ao morrer, em 1584, Ivã IV deixou apenas um filho mentalmente incapaz, Teodoro I, que reinou até o fim da dinastia Rurikovitch, em 1598. Foi sucedido por seu cunhado Boris Godunov (1598-1605), que instaurou o Patriarcado Ortodoxo de Moscou em 1588, quando já mandava na prática como regente.
Sua autoridade, contestada, levou a Rússia à guerra civil depois da sua morte.

FOME EM MASSA

No chamado Tempo de Dificuldades (1598-1613), a fome de 1601-3 foi a pior da era pré-soviética, matando pelo menos 2 milhões de pessoas, cerca de um terço da população russa, e levou o país à guerra civil.
A causa da fome teria sido a erupção do vulcão Huaynaputina, no Peru, que teria jogado até 32 milhões de toneladas de partículas na atmosfera, formando nuvens de cinza vulcânica que bloquearam a luz do sol, causando invernos rigorosos e quebras de safra.
Acusado pela opinião pública de matar o príncipe Demétrio, filho de Ivã, o Terrível, Godunov morre doente e isolado politicamente em 1605. 
Seu filho Teodoro II foi assassinado em 20 de junho, dois meses e uma semana depois de ascender ao trono, o que permitiu a coroação de um príncipe impostor que se faz passar por Demétrio em 1605.
Demétrio II, o Falso, foi czar da Rússia de 30 de junho de 1605 a 17 de maio de 1606, quando foi morto por uma conspiração, deixando o trono para Basílio IV, o último rei da Dinastia Rurik, que fundara a Rússia Kievana em 862.

INVASÃO POLACO-LITUANA

Em 27 de setembro de 1610, a Rússia foi invadida pela República das Duas Nações ou Comunidade Polaco-Lituana, que ocupou Moscou até 4 de novembro de 1612, sendo expulsa por uma revolta popular. O monumentos aos líderes da revolta está na Praça Vermelha, diante da Catedral de São Basílio. 
Desde 2005, o Dia da União Popular é festejado como uma data nacional alternativa à do início da Revolução Comunista, em 1917.

DINASTIA ROMANOV

O Império Russo seria restaurado pela eleição para czar por unanimidade numa assembleia nacional de Miguel I, o primeiro rei da Dinastia dos Romanov, que governaria a Rússia durante três séculos, de 1613 até a Revolução de Fevereiro de 1917.
Miguel I fez a paz com a Suécia em 1617 e com a Polônia em 1618, e evitou se envolver na Guerra dos Trinta Anos (1618-48), entre católicos e protestantes. Seu sucessor, Alexis I, anexou o Leste da Ucrânia à Rússia. O século 17 foi uma época de desenvolvimento econômico e consolidação da burocracia estatal.
Em 1648, os camponeses da Ucrânia se uniram aos cossacos da Zaporójia numa revolta contra a opressão religiosa e social na Comunidade Polaco-Lituana. Depois da Revolta de Khmelnitski, o líder ucraniano Bohdan Khmelnitsky pediu em 1654 a proteção ao czar russo Alexis I (1645-76), anexando na prática seu país à Rússia.

Três séculos depois, o ucraniano Nikita Kruschev, na condição de líder da União Soviética, deu de presente a Península da Crimeia, onde a maioria da população é russa, para a república soviética da Ucrânia, na expectativa de que a URSS jamais se dividiria. Em 2014, o presidente russo, Vladimir Putin, anexou a Crimeia ilegalmente, violando o direito internacional.