quarta-feira, 13 de junho de 2018

RÚSSIA: fim do domínio mongol restaura a independência

A dominação mongol acabou no governo de Ivã III, o Grande, príncipe de Moscou e grão-duque de Todas as Rússias de 1462 a 1505. 
Depois da queda de Constantinopla para os turcos e do fim do Império Bizantino, em 1453, Moscou reivindicou a herança do também chamado Império Romano do Oriente.
Ivã III se casou com Sophia Palaiologina, sobrinha do último imperador bizantino, Constantino IX, e incluiu a águia de duas cabeças bizantina no escudo de armas da Rússia. Chegou a dizer que era descendente de Otávio César Augusto, o primeiro imperador romano.
Ivã III triplicou o território, reconstruiu o Kremlin, a fortaleza e sede do governo que virou símbolo do poder na Rússia e na União Soviética, e lançou as bases para a reconstrução do Estado russo depois da colonização mongol. Foi o primeiro a enviar embaixadores à Europa Ocidental, a Roma e Viena, para contrabalançar o poder da confederação Polônia-Lituânia.

TERCEIRA ROMA

Dentro da proposta de fazer de Moscou uma “terceira Roma” depois da queda de Constantinopla para os turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453, o grão-duque Ivã IV foi oficialmente coroado czar ou tzar (césar) da Rússia em 1547 aos 16 anos. Ele governou até 1584 e entrou para a História como Ivã, o Terrível.

IVÃ O TERRÍVEL

Doente e debilitado mentalmente, de temperamento violento, Ivã, o Terrível, casou-se sete vezes e fez um governo desastroso, impondo um reino de terror com a primeira polícia política da Rússia para se firmar diante dos boiardos, a aristocracia rural, com expurgos, prisões arbitrárias, torturas e assassinatos.
Ivã IV praticamente dobrou o já extenso território russo, derrotando três canatos tártaros que pertenciam ao Império Mongol em desintegração: Cazã, Astracã, no vale do Rio Volga, e o da Sibéria, no sul da Sibéria.
No fim do século 16, a Rússia havia se tornado num império multinacional, multiétnico, multirreligioso e transcontinental. Ivã, o Terrível, é acusado de introduzir o terrorismo de Estado e a polícia política que assombrariam a Rússia até o fim da URSS e além dela.

OPRÍCHNINA

A Opríchnina foi uma parte do território russo administrada diretamente por Ivã, o Terrível, a maior parte no território da antiga República de Novgorod. O czar criou um Estado policial de 1565 a 1572, com polícia secreta, repressão em massa, execuções públicas e confisco de propriedades da aristocracia. 
A polícia política, formada por 6 mil opríchniks, era conhecida por sua brutalidade e violência. No Massacre de Novgorod, entre 2 a 3 mil pessoas de todas as classes sociais foram mortas indiscriminadamente pelos oprichiniks em janeiro e fevereiro de 1570. 
Para o historiador Ruslan Skrynnikov, biógrafo de Ivã, o Terrível, “o saque de Novgorod é o episódio mais repulsivo da história brutal da Opríchnina. O massacre cruel e sem sentido de pessoas inocentes tornou Opríchnina sinônimo de arbitrariedade e abuso de poder”.

GUERRA RÚSSIA-CRIMEIA

Quando a Rússia entrou em guerra com o canato da Crimeia e os tártaros invadiram e incendiaram Moscou, em 1571, os opríchniks não foram capazes de oferecer resistência. A política de terrorismo de Estado enfraquecera a Rússia. Em 1572, a Opríchnina foi extinta, o país foi reunificado sob a supervisão de um Conselho de Boiardos (Nobres).
A longo prazo, o terrorismo de Estado deixou uma população itinerante de camponeses expulsos de suas terras, o que contribuiu para a adoção de um regime de servidão.
Ivã, o Terrível, matou o filho mais velho, Ivã, provavelmente num surto psicótico, em 15 de novembro de 1581. A cena foi imortalizada no quadro de Ilia Ripin de 1885, que está na Galeria Tretiakov, um dos grandes museus de arte russa, em Moscou.
Ao morrer, em 1584, Ivã IV deixou apenas um filho mentalmente incapaz, Teodoro I, que reinou até o fim da dinastia Rurikovitch, em 1598. Foi sucedido por seu cunhado Boris Godunov (1598-1605), que instaurou o Patriarcado Ortodoxo de Moscou em 1588, quando já mandava na prática como regente.
Sua autoridade, contestada, levou a Rússia à guerra civil depois da sua morte.

FOME EM MASSA

No chamado Tempo de Dificuldades (1598-1613), a fome de 1601-3 foi a pior da era pré-soviética, matando pelo menos 2 milhões de pessoas, cerca de um terço da população russa, e levou o país à guerra civil.
A causa da fome teria sido a erupção do vulcão Huaynaputina, no Peru, que teria jogado até 32 milhões de toneladas de partículas na atmosfera, formando nuvens de cinza vulcânica que bloquearam a luz do sol, causando invernos rigorosos e quebras de safra.
Acusado pela opinião pública de matar o príncipe Demétrio, filho de Ivã, o Terrível, Godunov morre doente e isolado politicamente em 1605. 
Seu filho Teodoro II foi assassinado em 20 de junho, dois meses e uma semana depois de ascender ao trono, o que permitiu a coroação de um príncipe impostor que se faz passar por Demétrio em 1605.
Demétrio II, o Falso, foi czar da Rússia de 30 de junho de 1605 a 17 de maio de 1606, quando foi morto por uma conspiração, deixando o trono para Basílio IV, o último rei da Dinastia Rurik, que fundara a Rússia Kievana em 862.

INVASÃO POLACO-LITUANA

Em 27 de setembro de 1610, a Rússia foi invadida pela República das Duas Nações ou Comunidade Polaco-Lituana, que ocupou Moscou até 4 de novembro de 1612, sendo expulsa por uma revolta popular. O monumentos aos líderes da revolta está na Praça Vermelha, diante da Catedral de São Basílio. 
Desde 2005, o Dia da União Popular é festejado como uma data nacional alternativa à do início da Revolução Comunista, em 1917.

DINASTIA ROMANOV

O Império Russo seria restaurado pela eleição para czar por unanimidade numa assembleia nacional de Miguel I, o primeiro rei da Dinastia dos Romanov, que governaria a Rússia durante três séculos, de 1613 até a Revolução de Fevereiro de 1917.
Miguel I fez a paz com a Suécia em 1617 e com a Polônia em 1618, e evitou se envolver na Guerra dos Trinta Anos (1618-48), entre católicos e protestantes. Seu sucessor, Alexis I, anexou o Leste da Ucrânia à Rússia. O século 17 foi uma época de desenvolvimento econômico e consolidação da burocracia estatal.
Em 1648, os camponeses da Ucrânia se uniram aos cossacos da Zaporójia numa revolta contra a opressão religiosa e social na Comunidade Polaco-Lituana. Depois da Revolta de Khmelnitski, o líder ucraniano Bohdan Khmelnitsky pediu em 1654 a proteção ao czar russo Alexis I (1645-76), anexando na prática seu país à Rússia.
Três séculos depois, o ucraniano Nikita Kruschev, na condição de líder da União Soviética, festejou  a Península da Crimeia, onde a maioria da população é russa, para a república soviética da Ucrânia, na expectativa de que a URSS jamais se dividiria. Em 2014, o presidente russo, Vladimir Putin, anexou a Crimeia ilegalmente, violando o direito internacional.

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