A agência de classificação de risco Moody's advertiu hoje que a Argentina pode ter problemas para financiar os pagamentos de sua dívida no próximo ano.
"Mesmo que a Argentina consiga pagar o serviço da dívida este ano, é provável que as opções de financiamento para 2010 sejam muito mais reduzidas", declarou a Moody's.
Em um dia de forte turbulência no mercado financeiro internacional por causa do prejuízo recorde da seguradora transnacional americana AIG, o Índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, sofreu uma queda de 7,4%, reflexo do aumento da desconfiança dos investidores quanto ao futuro imediato do país. Foi a maior queda em 2009.
O dólar subiu para 3,62 pesos argentinos. Foi um dia de alta para a moeda americana no mundo inteiro. Apesar dos problemas da economia dos EUA, o dólar ainda é a moeda internacional preferida, a moeda preferida para reserva de valor. Uma alternativa é o ouro, mas o ouro não paga dividendos.
O euro está ameaçado pelos problemas da Europa Oriental e o iene está ligado a uma das economias mais abaladas pela crise.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 2 de março de 2009
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Estatização derruba Bolsa de Buenos Aires
Desde que a presidente Cristina Kirchner anunciou, em 22 de outubro, a estatização da previdência privada, a Bolsa de Valores de Buenos Aires desabou, os bônus da dívida pública argentina caíram e o risco do país aumentou 18% para 1.962 pontos.
O Índice Merval caiu 11% na terça-feira e 10,1% na quarta-feira, depois de passar por um momento por uma queda recorde de 17,7%.
A causa foi a decisão da presidente Cristina Kirchner de acabar com os fundos de pensão, transferindo toda a previdência para o governo, num total estimado de US$ 30 bilhões. Este dinheiro permitiria fechar as contas públicas de um país que antes da crise já não tinha crédito internacional por causa da renegociação incompleta da dívida.
Só que o dinheiro não é do Estado nem dos fundos de pensão. O dinheiro é dos trabalhadores que decidiram fazer uma poupança de longo prazo para a aposentadoria.
Até a Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Chile criticou a decisão de Cristina, marcada por fortes tintas de peronismo. Ela assinou o projeto sob uma tenda gigante cercada por uma claque de ministros, governadores, prefeitos, parlamentares, sindicalistas e empresários amigos.
Para a CUT chilena, o governo argentino deveria criar uma previdência pública e dar aos trabalhadores o direito de migrar, escolhendo em que sistema preferem poupar para a aposentadoria.
A oposição e o jornal liberal La Nación consideraram a medida um "roubo legalizado".
Nas ruas de Buenos Aires, os argentinos defendem a Previdência Social porque desconfiam do mercado, mas também não confiam muito no governo.
O Índice Merval caiu 11% na terça-feira e 10,1% na quarta-feira, depois de passar por um momento por uma queda recorde de 17,7%.
A causa foi a decisão da presidente Cristina Kirchner de acabar com os fundos de pensão, transferindo toda a previdência para o governo, num total estimado de US$ 30 bilhões. Este dinheiro permitiria fechar as contas públicas de um país que antes da crise já não tinha crédito internacional por causa da renegociação incompleta da dívida.
Só que o dinheiro não é do Estado nem dos fundos de pensão. O dinheiro é dos trabalhadores que decidiram fazer uma poupança de longo prazo para a aposentadoria.
Até a Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Chile criticou a decisão de Cristina, marcada por fortes tintas de peronismo. Ela assinou o projeto sob uma tenda gigante cercada por uma claque de ministros, governadores, prefeitos, parlamentares, sindicalistas e empresários amigos.
Para a CUT chilena, o governo argentino deveria criar uma previdência pública e dar aos trabalhadores o direito de migrar, escolhendo em que sistema preferem poupar para a aposentadoria.
A oposição e o jornal liberal La Nación consideraram a medida um "roubo legalizado".
Nas ruas de Buenos Aires, os argentinos defendem a Previdência Social porque desconfiam do mercado, mas também não confiam muito no governo.
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