O ex-guerrilheiro e ex-presidente Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional, está praticamente reeleito presidente da Nicarágua. Com 61,83% dos votos apurados, Ortega lidera com 38,59% dos votos válidos, contra 30,94% de Eduardo Montealegre, da Aliança Liberal Nicaragüense, e 22,93% de José Rizo, do Partido Liberal Constitucionalista.
Pela nova lei eleitoral, alterada para favorecer Ortega, um candidato ganha no primeiro turno se tiver pelo menos 40% dos votos válidos ou pelo menos 35% e uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Ortega governou a Nicarágua desde a vitória da revolução sandinista sobre a ditadura de Anastasio Somoza, em 19 de julho de 1979, até sua derrota para Violeta Chamorro, em 1990. Desde então, tenta voltar ao poder, sem sucesso. Agora, além da reforma eleitoral, aliou-se a um comandante dos rebeldes contra-revolucionários que tentaram derrubá-lo nos anos 80 e ao ex-presidente conservador Arnoldo Alemán, que está em prisão domiciliar por corrupção.
Os EUA apoiam Montealegre, um banqueiro e ex-ministro do Exterior e da Fazenda. Ortega tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 7 de novembro de 2006
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
Ortega pode ganhar no primeiro turno na Nicarágua
O ex-guerrilheiro e ex-presidente Daniel Ortega (1979-90), da Frente Sandinista de Libertação Nacional, pode ganhar a eleição presidencial de ontem na Nicarágua no primeiro turno. Apurados 40% dos votos, Ortega lidera com 41,1%, seguido pelo banqueiro e ex-ministro do Exterior e da Fazenda Eduardo Montealegre, apoiado pelos Estados Unidos, com 32,7%.
Pela nova lei eleitoral nicaragüense, alterada para favorecer Ortega, para ganhar no primeiro turno, um candidato precisa de no mínimo 35% dos votos e uma vantagem de pelo menos cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Ortega era um dos nove comandante da FSLN, que derrubou o ditador Anastasio Somoza Debayle em 19 de julho de 1979, depois de dez anos de guerra civil. Como eram dois Ortegas na junta, Daniel acabou sendo eleito presidente
O líder sandinista aliou-se ao ex-presidente direitista Arnoldo Alemán, que está em prisão domiciliar por corrupção, e a um ex-comandante dos contra-revolucionários que tentaram derrubá-lo nos anos 80, com ajuda do então presidente americano Ronald Reagan. Tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Pela nova lei eleitoral nicaragüense, alterada para favorecer Ortega, para ganhar no primeiro turno, um candidato precisa de no mínimo 35% dos votos e uma vantagem de pelo menos cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Ortega era um dos nove comandante da FSLN, que derrubou o ditador Anastasio Somoza Debayle em 19 de julho de 1979, depois de dez anos de guerra civil. Como eram dois Ortegas na junta, Daniel acabou sendo eleito presidente
O líder sandinista aliou-se ao ex-presidente direitista Arnoldo Alemán, que está em prisão domiciliar por corrupção, e a um ex-comandante dos contra-revolucionários que tentaram derrubá-lo nos anos 80, com ajuda do então presidente americano Ronald Reagan. Tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
domingo, 5 de novembro de 2006
Daniel Ortega é o favorito na Nicarágua
O ex-presidente Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), é o favorito para a eleição presidencial deste domingo na Nicarágua. Mas talvez não consiga a porcentagem mínima de 35% com vantagem de pelo menos cinco pontos percentuais sobre o segundo lugar, exigências para ganhar no primeiro turno.
Em segundo está o banqueiro e ex-ministro da Fazenda Eduardo Montealegre, da direitista Aliança Liberal Nicaragüense, um racha do Partido Liberal do ex-ditador Anastasio Somoza, hoje sob a liderança do ex-presidente Arnoldo Alemán, condenado à prisão domiciliar por corrupção.
Em terceiro, entre cinco candidatos, está José Rizo, do PLC, de Alemán e do atual presidente Enrique Bolaños, que não pode ser candidato à reeleição e terá de passar o cargo em 10 de janeiro.
Montelaegre é apoiado pelos Estados Unidos, acusados de interferir na campanha. Ortega, por sua vez, tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e de Alemán, que abandonou o candidato de seu partido.
Se houver segundo turno, em dezembro, Ortega terá de entrentar a união de seus quatro adversários, tornando sua tão sonhada reeleição muito mais difícil. Por isto, os sandinistas e seus aliados, que controlam a Comissão Eleitoral, rebaixaram o limite mínimo para a vitória no primeiro turno de 45% para 35% dos votos válidos.
O governo George W. Bush ameaça boicotar a Nicarágua se Ortega ganhar. As remessas de dinheiro dos nicaragüenses que vivem nos EUA são uma importante fonte de renda e de moeda forte para o país.
Daniel Ortega era um dos nove comandantes que tomaram o poder em 19 de julho de 1979, depois de uma década de luta contra a ditadura de Anastasio Somoza Debayle, segundo filho de Anastasio Somoza García, que governou o país de 1936 a 1956 depois de receber o poder de uma invasão americana que derrotara a rebelião nacionalista de Augusto Cesar Sandino. Como seu irmão Humberto Ortega era outro dos nove e virou ministro da Defesa, e o irmão mais velho morrera como herói da revolução, Daniel tornou-se presidente da Nicarágua guerrilheira, onde estive em 1982.
Sob pressão internacional, os sandinistas convocaram eleições em 1984, vencidas por Ortega mas boicotadas pela oposição, que preferia, seguindo a orientação dos EUA de Ronald Reagan, apoiar os contra-revolucionários. A guerra civil empurrou o governo sandinista para a esquerda. Em 1990, Ortega perdeu a eleição para Violeta Chamorro.
Desde então, tenta voltar ao poder em todas as eleições. Quando a direita concorreu unida, conseguiu derrotá-lo. Agora, há uma divisão na direita.
Ao mesmo tempo, Ortega se apresenta como um conciliador. Invoca o exemplo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se aliou tanto a um comandante dos contras que o combateram nos anos 80 como ao ex-presidente direitista Arnoldo Alemán, que vive sob prisão domiciliar, condenado por corrupção. Seu vice-presidente, Jaime Morales Carazo, é ex-banqueiro e antigo comandante dos contras.
Em segundo está o banqueiro e ex-ministro da Fazenda Eduardo Montealegre, da direitista Aliança Liberal Nicaragüense, um racha do Partido Liberal do ex-ditador Anastasio Somoza, hoje sob a liderança do ex-presidente Arnoldo Alemán, condenado à prisão domiciliar por corrupção.
Em terceiro, entre cinco candidatos, está José Rizo, do PLC, de Alemán e do atual presidente Enrique Bolaños, que não pode ser candidato à reeleição e terá de passar o cargo em 10 de janeiro.
Montelaegre é apoiado pelos Estados Unidos, acusados de interferir na campanha. Ortega, por sua vez, tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e de Alemán, que abandonou o candidato de seu partido.
Se houver segundo turno, em dezembro, Ortega terá de entrentar a união de seus quatro adversários, tornando sua tão sonhada reeleição muito mais difícil. Por isto, os sandinistas e seus aliados, que controlam a Comissão Eleitoral, rebaixaram o limite mínimo para a vitória no primeiro turno de 45% para 35% dos votos válidos.
O governo George W. Bush ameaça boicotar a Nicarágua se Ortega ganhar. As remessas de dinheiro dos nicaragüenses que vivem nos EUA são uma importante fonte de renda e de moeda forte para o país.
Daniel Ortega era um dos nove comandantes que tomaram o poder em 19 de julho de 1979, depois de uma década de luta contra a ditadura de Anastasio Somoza Debayle, segundo filho de Anastasio Somoza García, que governou o país de 1936 a 1956 depois de receber o poder de uma invasão americana que derrotara a rebelião nacionalista de Augusto Cesar Sandino. Como seu irmão Humberto Ortega era outro dos nove e virou ministro da Defesa, e o irmão mais velho morrera como herói da revolução, Daniel tornou-se presidente da Nicarágua guerrilheira, onde estive em 1982.
Sob pressão internacional, os sandinistas convocaram eleições em 1984, vencidas por Ortega mas boicotadas pela oposição, que preferia, seguindo a orientação dos EUA de Ronald Reagan, apoiar os contra-revolucionários. A guerra civil empurrou o governo sandinista para a esquerda. Em 1990, Ortega perdeu a eleição para Violeta Chamorro.
Desde então, tenta voltar ao poder em todas as eleições. Quando a direita concorreu unida, conseguiu derrotá-lo. Agora, há uma divisão na direita.
Ao mesmo tempo, Ortega se apresenta como um conciliador. Invoca o exemplo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se aliou tanto a um comandante dos contras que o combateram nos anos 80 como ao ex-presidente direitista Arnoldo Alemán, que vive sob prisão domiciliar, condenado por corrupção. Seu vice-presidente, Jaime Morales Carazo, é ex-banqueiro e antigo comandante dos contras.
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