Mostrando postagens com marcador Alm. Matthew Perry. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alm. Matthew Perry. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

CAMINHO DAS ÍNDIAS

    Em 1497, o navegador português Vasco da Gama zarpa de Lisboa com uma frota de quatro navios em busca do caminho marítimo para a Índia contornando o Sul da África.

A frota de Vasco da Gama dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias, em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a guia até a Índia, onde chega em 20 de maio de 1498. 

Durante a viagem, ao se afastar da costa da África para evitar as calmarias, Vasco da Gama teria visto aves e plantas aquáticas num sinal de que haveria terra por perto e teria dito isto a Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobre o Brasil para os portugueses.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante norte-americano Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas exigências do presidente Millard Fillmore (1853-50). Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fecha para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas na ilha de Dejima, em Nagasáki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a instalação de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com o xogunato. É o fim da Idade Média japonesa, em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta os EUA e o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasáki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética está boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança valido até hoje para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que faz uma reforma agrária e estatiza propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala é o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois da China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares – e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam. 

 ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

terça-feira, 31 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 31 de Março

 REIS CATÓLICOS EXPULSAM JUDEUS

    Em 1492, depois de libertar a Espanha, em 2 de janeiro, de quase 800 anos de invasão muçulmana, os reis católicos, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, baixam o Decreto de Alhambra, expulsando todos os judeus do reino.

Por mais de um século antes do Decreto de Alhambra, há massacres e atos de violência individual contra judeus e leis antissemitas na Espanha católica. Muitos judeus se convertem ao cristianismo. São os cristãos novos. A conversão e as mortes reduzem a população judaica.

Em 1478, Fernando e Isabel introduzem a Inquisição, sob o pretexto de livrar a Espanha dos hereges. Além de forçar as conversões, a Igreja persegue quem continua praticando o judaísmo em segredo com grande violência.

A pedido do grande inquisidor Tomás de Torquemada, o mais notório torturador e assassino do Santo Ofício, depois de anos de pressão, os monarcas decidem expulsar os judeus da Espanha e dão prazo até o fim de julho para que saiam do país.

Muitos se convertem. Pelo menos 40 mil fogem da Espanha. Algumas estimativas falam em centenas de milhares. Muitos pagam passagens de navio e são jogados no mar por capitães espanhóis.

O Império Otomano recebe os judeus da Espanha, mas outros países da Europa os tratam com a mesma crueldade dos espanhóis. Muitos vão para Portugal, onde o rei Dom João II cobra dois escudos de cada imigrante. 

Um novo rei, Dom Manuel I, ascende ao trono em 1495 e se casa com a princesa Isabel de Castela, filha dos reis católicos, que exigem a expulsão de todos os hereges (muçulmanos e judeus). Em 5 de dezembro de 1496, o rei expulsa os judeus e dá prazo até 31 de outubro de 1497 para que deixem Portugal.

Como precisa do capital e do conhecimento técnico dos judeus, quase todos alfabetizados e com conhecimento de matemática, Dom Manuel tenta promover uma conversão em massa, mas a maioria dos judeus decide sair do país.

O rei fecha todos os portos, menos Lisboa, onde se concentram 20 mil judeus à espera de um navio. Dom Manuel manda sequestrar todas as crianças judias de menos de 14 anos para serem educadas por famílias cristãs.

Quando o prazo se esgota, os judeus que ficam são arrastados por multidões insufladas por fanáticos religiosos até pias batismais.

Destes batismos forçados, surgem os marranos ou criptojudeus, que praticam o judaísmo clandestinamente e em público professam a fé católica. Os cristãos novos nunca são bem aceitos.

Em 1506, durante um surto da peste bubônica, há o Pogrom de Lisboa, um massacre de judeus com mais de 2 mil mortes, seguido de nova fuga em massa, principalmente para a Holanda e a Alemanha, e também para o Sul da França, a Inglaterra e o Oriente Médio.

NASCIMENTO DE DESCARTES

    Em 1596, nasce em Le Haye, na França, o matemático, cientista e filósofo René Descartes, mestre do racionalismo, considerado e fundador da filosofia moderna, autor da frase "penso, logo existo."

Descartes abandona a escolástica aristotélica, formula uma versão moderna do dualismo entre corpo e mente, e defende o desenvolvimento de uma nova ciência baseada na observação e experimentação. No Discurso do Método, ele propõe a "dúvida metódica" como meio de chegar à verdade.

Em 1604, René vai para um colégio jesuíta em La Flèche, onde 1,2 mil jovens do sexo masculino recebem educação para carreiras como engenharia militar, direito e administração pública. Além de ciências, matemática e metafísica, o estudo inclui música, poesia, dança, esgrima e andar a cavalo.

Dez anos depois, Descartes vai para Poitiers, onde se forma em direito em 1616, em meio à revolta dos huguenotes contra o rei Luís XIII. O pai quer que ele seja membro do Parlamento, mas a idade mínima é 27 anos e ele tem apenas 20.

Em 1618, vai para Breda, na Holanda, Descartes estuda ciência e matemática, e escreve o Compêndio de Música. Quando está na Boêmia, em 1619, inventa a geometria analítica, um ramo da matemática que usa a álgebra para resolver problemas geométricos e a geometria para resolver problemas de álgebra.

De 1619 a 1628, ele viaja pelo Sul da Europa, onde diz ter aprendido "o livro da vida". Em 1637, ele formula o Discurso do Método, com quatro regras básicas:

  • Não tomar como verdade nada que não seja evidente.
  • Dividir os problemas em partes mais simples.
  • Começar a resolver problemas das partes mais simples para as mais complexas.
  • Reavaliar o raciocínio.
Ele morre em Estocolmo, na Suécia, em 11 de fevereiro de 1650, aos 53 anos.

NASCIMENTO DE HAYDN

    Em 1732, o compositor Franz Joseph Haydn, um dos nomes mais importantes da música clássica no século 18, nasce em Rohrau, na Áustria.

A família é humilde. O pai é um marceneiro fabricante de rodas. A mãe cozinha para os senhores da cidade. Desde criança, Haydn revela talento para a música. Aos seis anos, um primo que é diretor de escola e mestre do coro o leva para a igreja, onde o pequeno Franz Joseph canta no coral e aprende vários instrumentos.

Aos 8 anos, o diretor musical da Catedral de Santo Estêvão, em Viena, o convida para ser corista da igreja mais importante da capital austríaca e do Sacro Império Romano-Germânico. Quando a voz muda na adolescência, Haydn é demitido. Aos 17 anos, está na miséria.

Enquanto sobrevive conseguindo bicos como músico, Haydn estuda e conhece o compositor e professor de canto italiano Nicola Porpora, que lhe dá aulas de voz e corrige suas composições. Faz contato com a nobreza ao tocar para a aristocracia. 

Em 1758, Haydn se torna diretor musical do Conde Ferdinando Maximilian von Morzin. da Boêmia. À frente de uma orquestra de 16 músicos, Haydn compõe sua primeira sinfonia. Sua carreira decola quando ele vai trabalhar para o Príncipe Pal Antal Esterhazy. A família Esterhazy é uma das mais poderosas do Sacro Império. Até a morte, Haydn trabalha para eles.

Numa das viagens a Viena, Haydn conhece Wolfgang Amadeus Mozart. Os dois ficam amigos e se influenciam. Mozart aprende a compor quartetos com Haydn.

Haydn chega à Inglaterra no Ano Novo de 1791 para um ano e meio de grande produção. Ele compõe em Londres 12 sinfonias que são suas melhores obras para orquestra. Em junho de 1792, vai para a Alemanha. Conhece em Bonn o jovem Ludwig van Beethoven, de 22 anos, e o leva para ser seu aluno. Numa carta ao preceptor de Beethoven, o prefeito de Colônia, Haydn escreve: "Beethoven um dia será considerado um dos maiores compositores da Europa e terei orgulho de ser chamado de seu professor."


ABERTURA DO JAPÃO

    Em 1854, sob pressão do almirante Matthew Parry, que ameaça bombardear o porto de Tóquio, o Japão assina o Tratado de Kanagawa e se abre ao comércio com os Estados Unidos depois de 215 anos de fechamento durante o Xogunato Tokugawa (1603-1868).

O almirante Perry entra na Baía de Tóquio em julho de 1853 com uma frota de navios de guerra e exige a abertura do Japão. Volta em fevereiro para negociar o tratado. Tenta falar com o imperador, mas acaba negociando com o xogum Ieyoshi Tokugawa. Com o tratado, o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate aos navios dos EUA.

Em 1858, os EUA e o Japão assinam um Tratado de Amizade e Comércio. Essa abertura comercial feita com a diplomacia das canhoneiras causa uma revolução. É o fim da Idade Média no Japão. Em 1868, acaba o xogunato. Vem a Restauração Meiji, que restitui o poder ao imperador.

Para não ser dominado pelo colonialismo, o Japão se ocidentaliza e se industrializa. Ao vencer a China na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), acaba com a ordem sinocêntrica de 2 mil anos no Leste da Ásia. Derrota a Rússia na Guerra do Pacífico ou Guerra Russo-Japonesa (1904-5).

INAUGURAÇÃO DA TORRE EIFFEL

    Em 1889, para festejar o centenário da Revolução Francesa de 1789, a Torre Eiffel, obra do engenheiro Gustav Eiffel, é inaugurada em Paris. 


Mais de 100 projetos são apresentados quando a França prepara as festividades. O vencedor é uma torre de 300 metros quase toda construída com ferro forjado de malha aberta. Várias críticas são feitas do ponto de vista estético. O arco serve de portão de entrada da Exposição Internacional de 1889.

É a construção mais alta do mundo na época, duas vezes mais alta do que a Basílica de São Pedro, no Vaticano, e do que a Pirâmide de Quéops, no Egito.

HORÁRIO DE VERÃO

    Em 1918, para economizar energia, os Estados Unidos adiantam os relógios em uma hora e adotam o horário de verão.

A medida é sugerida pela primeira vez pelo político e cientista norte-americano Benjamin Franklin, um dos fundadores dos EUA. Vários países, entre eles a Alemanha, a Austrália, os EUA e o Reino Unido adotam a medida para poupar combustível durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Hoje, os países do Hemisfério Norte usam o horário de verão do fim de março ou início de abril até o fim de setembro ou outubro. Fazem a mudança de madrugada para não alterar a data.

LYNDON JOHNSON DESISTE DA REELEIÇÃO

    Em 1968, sob pressão por causa do descontentamento com a intervenção dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, o presidente Lyndon Johnson surpreende os norte-americanos ao anunciar que não será candidato à reeleição.

Lyndon Baynes Johnson nasce no condado de Gillespie, no Texas, em 27 de agosto de 1908. Um moderado dentro do Partido Democrata, se destaca como líder do Senado e é indicado como candidato a vice-presidente na chapa de John Kennedy, em 1960.

Com o assassinato de Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume a Presidência e obtém uma grande vitória na eleição de 1964 contra o segregacionista Barry Goldwater.

Johnson luta pela aprovação de propostas de Kennedy como a Lei dos Direitos Civis (1964) e a Lei dos Direitos de Voto (1965), ambas para acabar com a discriminação racial que os negros ainda sofriam, especialmente no Sul dos EUA, um século depois do fim da Guerra da Secessão (1861-65). Também lança o projeto Grande Sociedade para eliminar a pobreza, reduzir a desigualdade e a criminalidade, proteger o meio ambiente e melhorar a educação e a saúde.

Ao mesmo tempo, em agosto de 1964, seu governo forja o Incidente do Golfo de Tonquim para conseguir a aprovação do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte, depois de Kennedy enviar mais de 2,8 mil assessores militares para o Sudeste Asiático.

Quando o Vietnã do Norte e seus guerrilheiros aliados do Viet Cong fazem a Ofensiva do Tet, no Ano Novo Lunar chinês, a partir de 30 de janeiro de 1968, fica evidente que os EUA não têm como ganhar a guerra e a opinião pública se volta contra a intervenção militar.

Diante da impopularidade do presidente, os senadores Eugene McCarthy e Robert Kennedy lançam suas candidaturas e decidem disputar as eleições primárias. Johnson desiste de tentar a reeleição.

O assassinato do líder do movimento negro pacífico, Martin Luther King Jr., em 4 de abril de 1968, deflagra uma onda de protestos no país. Dois meses depois, Bob Kennedy é baleado no dia em que vence a eleição primária da Califórnia, praticamente garantindo a candidatura democrata, e morre no dia seguinte.

Numa convenção nacional democrata tumultuada em Chicago, em agosto, o partido nomeia o vice-presidente Hubert Humphrey como candidato do partido. Johnson anuncia o fim dos bombardeios e o início de negociações de paz com o Vietnã do Norte, mas é tarde demais. Richard Nixon, o ex-vice-presidente derrotado por John Kennedy em 1960, vence Humphrey por 31,7 a 30,9 milhões de votos.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

terça-feira, 8 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

 CAMINHO DAS ÍNDIAS

    Em 1497, o navegador português Vasco da Gama zarpa de Lisboa com uma frota de quatro navios em busca do caminho marítimo para a Índia contornando o Sul da África.

A frota de Vasco da Gama dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias, em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a guia até a Índia, onde chega em 20 de maio de 1498. 

Durante a viagem, ao se afastar da costa da África para evitar as calmarias, Vasco da Gama teria visto aves e plantas aquáticas num sinal de que haveria terra por perto e teria dito isto a Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobre o Brasil para os portugueses.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas exigências do presidente Millard Fillmore (1853-50). Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fecha para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas na ilha de Dejima, em Nagasáki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a instalação de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com o xogunato. É o fim da Idade Média japonesa, em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasaki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética estava boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança, que têm até hoje, para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que fizera uma reforma agrária e estatizara propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala é o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira, o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


 Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois da China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares – e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam. 

segunda-feira, 31 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 31 de Março

 REIS CATÓLICOS EXPULSAM JUDEUS

    Em 1492, depois de libertar a Espanha, em 2 de janeiro, de quase 800 anos de invasão muçulmana, os reis católicos, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, baixam o Decreto de Alhambra, expulsando todos os judeus do reino.

Por mais de um século antes do Decreto de Alhambra, há massacres e atos de violência individual contra judeus e leis antissemitas na Espanha católica. Muitos judeus se convertem ao cristianismo. São os cristãos novos. A conversão e as mortes reduzem a população judaica.

Em 1478, Fernando e Isabel introduzem a Inquisição, sob o pretexto de livrar a Espanha dos hereges. Além de forçar as conversões, a Igreja persegue quem continua praticando o judaísmo em segredo com grande violência.

A pedido do grande inquisidor Tomás de Torquemada, o mais notório torturador e assassino do Santo Ofício, depois de anos de pressão, os monarcas decidem expulsar os judeus da Espanha e dão prazo até o fim de julho para que saiam do país.

Muitos se convertem. Pelo menos 40 mil fogem da Espanha. Algumas estimativas falam em centenas de milhares. Muitos pagam passagens de navio e são jogados no mar por capitães espanhóis.

O Império Otomano recebe os judeus da Espanha, mas outros países da Europa os tratam com a mesma crueldade dos espanhóis. Muitos vão para Portugal, onde o rei Dom João II cobra dois escudos de cada imigrante. 

Um novo rei, Dom Manuel I, ascende ao trono em 1495 e se casa com a princesa Isabel de Castela, filha dos reis católicos, que exigem a expulsão de todos os hereges (muçulmanos e judeus). Em 5 de dezembro de 1496, o rei expulsa os judeus e dá prazo até 31 de outubro de 1497 para que deixem Portugal.

Como precisa do capital e do conhecimento técnico dos judeus, quase todos alfabetizados e com conhecimento de matemática, Dom Manuel tenta promover uma conversão em massa, mas a maioria dos judeus decide sair do país.

O rei fecha todos os portos, menos Lisboa, onde se concentram 20 mil judeus à espera de um navio. Dom Manuel manda sequestrar todas as crianças judias de menos de 14 anos para serem educadas por famílias cristãs.

Quando o prazo se esgota, os judeus que ficam são arrastados por multidões insufladas por fanáticos religiosos até pias batismais.

Destes batismos forçados, surgem os marranos ou criptojudeus, que praticam o judaísmo clandestinamente e em público professam a fé católica. Os cristãos novos nunca são bem aceitos.

Em 1506, durante um surto da peste bubônica, há o Pogrom de Lisboa, um massacre de judeus com mais de 2 mil mortes, seguido de nova fuga em massa, principalmente para a Holanda e a Alemanha, e também para o Sul da França, a Inglaterra e o Oriente Médio.

NASCIMENTO DE DESCARTES

    Em 1596, nasce em Le Haye, na França, o matemático, cientista e filósofo René Descartes, mestre do racionalismo, considerado e fundador da filosofia moderna, autor da frase "penso, logo existo."

Descartes abandona a escolástica aristotélica, formula uma versão moderna do dualismo entre corpo e mente, e defende o desenvolvimento de uma nova ciência baseada na observação e experimentação. No Discurso do Método, ele propõe a "dúvida metódica" como meio de chegar à verdade.

Em 1604, René vai para um colégio jesuíta em La Flèche, onde 1,2 mil jovens do sexo masculino recebem educação para carreiras como engenharia militar, direito e administração pública. Além de ciências, matemática e metafísica, o estudo inclui música, poesia, dança, esgrima e andar a cavalo.

Dez anos depois, Descartes vai para Poitiers, onde se forma em direito em 1616, em meio à revolta dos huguenotes contra o rei Luís XIII. O pai quer que ele seja membro do Parlamento, mas a idade mínima é 27 anos e ele tem apenas 20.

Em 1618, vai para Breda, na Holanda, Descartes estuda ciência e matemática, e escreve o Compêndio de Música. Quando está na Boêmia, em 1619, inventa a geometria analítica, um ramo da matemática que usa a álgebra para resolver problemas geométricos e a geometria para resolver problemas de álgebra.

De 1619 a 1628, ele viaja pelo Sul da Europa, onde diz ter aprendido "o livro da vida". Em 1637, ele formula o Discurso do Método, com quatro regras básicas:

  • Não tomar como verdade nada que não seja evidente.
  • Dividir os problemas em partes mais simples.
  • Começar a resolver problemas das partes mais simples para as mais complexas.
  • Reavaliar o raciocínio.
Ele morre em Estocolmo, na Suécia, em 11 de fevereiro de 1650, aos 53 anos.

NASCIMENTO DE HAYDN

    Em 1732, o compositor Franz Joseph Haydn, um dos nomes mais importantes da música clássica no século 18, nasce em Rohrau, na Áustria.

A família é humilde. O pai é um marceneiro fabricante de rodas. A mãe cozinha para os senhores da cidade. Desde criança, Haydn revela talento para a música. Aos seis anos, um primo que é diretor de escola e mestre do coro o leva para a igreja, onde o pequeno Franz Joseph canta no coral e aprende vários instrumentos.

Aos 8 anos, o diretor musical da Catedral de Santo Estêvão, em Viena, o convida para ser corista da igreja mais importante da capital austríaca e do Sacro Império Romano-Germânico. Quando a voz muda na adolescência, Haydn é demitido. Aos 17 anos, está na miséria.

Enquanto sobrevive conseguindo bicos como músico, Haydn estuda e conhece o compositor e professor de canto italiano Nicola Porpora, que lhe dá aulas de voz e corrige suas composições. Faz contato com a nobreza ao tocar para a aristocracia. 

Em 1758, Haydn se torna diretor musical do Conde Ferdinando Maximilian von Morzin. da Boêmia. À frente de uma orquestra de 16 músicos, Haydn compõe sua primeira sinfonia. Sua carreira decola quando ele vai trabalhar para o Príncipe Pal Antal Esterhazy. A família Esterhazy é uma das mais poderosas do Sacro Império. Até a morte, Haydn trabalha para eles.

Numa das viagens a Viena, Haydn conhece Wolfgang Amadeus Mozart. Os dois ficam amigos e se influenciam. Mozart aprende a compor quartetos com Haydn.

Haydn chega à Inglaterra no Ano Novo de 1791 para um ano e meio de grande produção. Ele compõe em Londres 12 sinfonias que são suas melhores obras para orquestra. Em junho de 1792, vai para a Alemanha. Conhece em Bonn o jovem Ludwig van Beethoven, de 22 anos, e o leva para ser seu aluno. Numa carta ao preceptor de Beethoven, o prefeito de Colônia, Haydn escreve: "Beethoven um dia será considerado um dos maiores compositores da Europa e terei orgulho de ser chamado de seu professor."


ABERTURA DO JAPÃO

    Em 1854, sob pressão do almirante Matthew Parry, que ameaça bombardear o porto de Tóquio, o Japão assina o Tratado de Kanagawa e se abre ao comércio com os Estados Unidos depois de 215 anos de fechamento durante o Xogunato Tokugawa (1603-1868).

O almirante Perry entra na Baía de Tóquio em julho de 1853 com uma frota de navios de guerra e exige a abertura do Japão. Volta em fevereiro para negociar o tratado. Tenta falar com o imperador, mas acaba negociando com o xogum Ieyoshi Tokugawa. Com o tratado, o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate aos navios dos EUA.

Em 1858, os EUA e o Japão assinam um Tratado de Amizade e Comércio. Essa abertura comercial feita com a diplomacia das canhoneiras causa uma revolução. É o fim da Idade Média no Japão. Em 1868, acaba o xogunato. Vem a Restauração Meiji, que restitui o poder ao imperador.

Para não ser dominado pelo colonialismo, o Japão se ocidentaliza e se industrializa. Ao vencer a China na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), acaba com a ordem sinocêntrica de 2 mil anos no Leste da Ásia. Derrota a Rússia na Guerra do Pacífico ou Guerra Russo-Japonesa (1904-5).

INAUGURAÇÃO DA TORRE EIFFEL

    Em 1889, para festejar o centenário da Revolução Francesa de 1789, a Torre Eiffel, obra do engenheiro Gustav Eiffel, é inaugurada em Paris. 


Mais de 100 projetos são apresentados quando a França prepara as festividades. O vencedor é uma torre de 300 metros quase toda construída com ferro forjado de malha aberta. Várias críticas são feitas do ponto de vista estético. O arco serve de portão de entrada da Exposição Internacional de 1889.

É a construção mais alta do mundo na época, duas vezes mais alta do que a Basílica de São Pedro, no Vaticano, e do que a Pirâmide de Quéops, no Egito.

HORÁRIO DE VERÃO

    Em 1918, para economizar energia, os Estados Unidos adiantam os relógios em uma hora e adotam o horário de verão.

A medida é sugerida pela primeira vez pelo político e cientista norte-americano Benjamin Franklin, um dos fundadores dos EUA. Vários países, entre eles a Alemanha, a Austrália, os EUA e o Reino Unido adotam a medida para poupar combustível durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Hoje, os países do Hemisfério Norte usam o horário de verão do fim de março ou início de abril até o fim de setembro ou outubro. Fazem a mudança de madrugada para não alterar a data.

LYNDON JOHNSON DESISTE DA REELEIÇÃO

    Em 1968, sob pressão por causa do descontentamento com a intervenção dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, o presidente Lyndon Johnson surpreende os norte-americanos ao anunciar que não será candidato à reeleição.

Lyndon Baynes Johnson nasce no condado de Gillespie, no Texas, em 27 de agosto de 1908. Um moderado dentro do Partido Democrata, se destaca como líder do Senado e é indicado como candidato a vice-presidente na chapa de John Kennedy, em 1960.

Com o assassinato de Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume a Presidência e obtém uma grande vitória na eleição de 1964 contra o segregacionista Barry Goldwater.

Johnson luta pela aprovação de propostas de Kennedy como a Lei dos Direitos Civis (1964) e a Lei dos Direitos de Voto (1965), ambas para acabar com a discriminação racial que os negros ainda sofriam, especialmente no Sul dos EUA, um século depois do fim da Guerra da Secessão (1861-65). Também lança o projeto Grande Sociedade para eliminar a pobreza, reduzir a desigualdade e a criminalidade, proteger o meio ambiente e melhorar a educação e a saúde.

Ao mesmo tempo, em agosto de 1964, seu governo forja o Incidente do Golfo de Tonquim para conseguir a aprovação do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte, depois de Kennedy enviar mais de 2,8 mil assessores militares para o Sudeste Asiático.

Quando o Vietnã do Norte e seus guerrilheiros aliados do Viet Cong fazem a Ofensiva do Tet, no Ano Novo Lunar chinês, a partir de 30 de janeiro de 1968, fica evidente que os EUA não têm como ganhar a guerra e a opinião pública se volta contra a intervenção militar.

Diante da impopularidade do presidente, os senadores Eugene McCarthy e Robert Kennedy lançam suas candidaturas e decidem disputar as eleições primárias. Johnson desiste de tentar a reeleição.

O assassinato do líder do movimento negro pacífico, Martin Luther King Jr., em 4 de abril de 1968, deflagra uma onda de protestos no país. Dois meses depois, Bob Kennedy é baleado no dia em que vence a eleição primária da Califórnia, praticamente garantindo a candidatura democrata, e morre no dia seguinte.

Numa convenção nacional democrata tumultuada em Chicago, em agosto, o partido nomeia o vice-presidente Hubert Humphrey como candidato do partido. Johnson anuncia o fim dos bombardeios e o início de negociações de paz com o Vietnã do Norte, mas é tarde demais. Richard Nixon, o ex-vice-presidente derrotado por John Kennedy em 1960, vence Humphrey por 31,7 a 30,9 milhões de votos.

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

CAMINHO DAS ÍNDIAS

    Em 1497, o navegador português Vasco da Gama zarpa de Lisboa com uma frota de quatro navios em busca do caminho marítimo para a Índia contornando o Sul da África.

A frota de Vasco da Gama dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias, em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a guia até a Índia, onde chega em 20 de maio de 1498. 

Durante a viagem, ao se afastar da costa da África para evitar as calmarias, Vasco da Gama teria visto aves e plantas aquáticas num sinal de que haveria terra por perto e teria dito isto a Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobre o Brasil para os portugueses.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas exigências do presidente Millard Fillmore (1853-50). Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fechou para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas da ilha de Dejima, em Nagasaki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a instalação de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com o xogunato. É o fim da Idade Média japonesa em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasaki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética estava boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtiveram um mandato do Conselho de Segurança, que têm até hoje, para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que fizera uma reforma agrária e estatizara propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala foi o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira, o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


 Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois a China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares - e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam.