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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Morte de Mugabe é o fim de mais uma tragédia africana

De revolucionário, herói da independência e pai da pátria, Robert Mugabe se tornou um tirano implacável. Arruinou a economia do Zimbábue e é acusado por milhões de mortes. Sua morte aos 95 anos hoje num hospital de Cingapura é o fim de mais uma história trágica na África.

Nacionalista pan-africano, Robert Gabriel Mugabe aderiu ao socialismo e ao marxismo-leninismo na luta contra o colonialismo europeu nos anos 1960s. Acusado de sedição, ficou preso de 1964 a 1974. 

Livre, foi para Moçambique, onde assumiu a liderança da União Nacional Africana do Zimbábue, ZANU, da sigla em inglês, na luta contra o regime segregacionista da minoria branca, semelhante ao apartheid da África do Sul, chefiado por Ian Smith. 

Na época, o país se chamava Rodésia. Antes, fora a Rodésia do Sul, nomes derivados de Cecil Rhodes, um empresário do imperialismo britânico do século 19. 

Antes da libertação de Nelson Mandela na África do Sul, em fevereiro de 1991, Mugabe, como um dos pais da pátria, era uma das vozes mais fortes em defesa do ideal de unidade do continente, do pan-africanismo, um sonho dos heróis da independência. Mas Mugabe não era Mandela. Meu comentário:

Mugabe foi de herói revolucionário a ditador do Zimbábue

O herói da independência do Zimbábue, Robert Mugabe, que governou da independência, em 1980, até ser deposto num golpe do vice-presidente e atual presidente Emmerson Mnangagwa em 12 de dezembro de 2017, morreu aos 95 anos num tribunal em Cingapura.

Em entrevista à televisão pública britânica BBC, Mnangagwa, o Crocodilo, o descreveu como um "ícone da libertação, não apenas do Zimbábue, mas do continente", um herói pan-africano. De sonhador de uma África próspera e independente, Mugabe se tornou o protótipo ditador africano, recluso atrás de óculos escuros.

Nacionalista africano identificado com o marxismo-leninismo e o socialismo nas guerras de libertação nacional dos anos 1960s e 1970s, Mugabe ficou preso de 1964 e 1974.

Livre, foi para Moçambique, onde assumiu a liderança da União Nacional Africana do Zimbábue (ZANU) de 1975 a 1980 na luta contra a ditadura da maioria branca na Rodésia, antiga Rodésia do Sul, antiga propriedade do empresário do imperialismo britânico Cecil Rhodes.

Antes da libertação de Nelson Mandela na África do Sul, em fevereiro de 1991, Mugabe era uma das vozes em defesa dos ideais de unidade do continente, do pan-africanismo, um sonho dos pais da independência da África.

De 1983 a 1987, Mugabe esmagou a União Popular Africana do Zimbábue (ZAPU), de Joshua Nkomo, numa rebelião interna com pelo menos 10 mil mortes, afirmando um poder implacável.

Para manter o poder, em 2000, quando o Movimento pela Mudança Democrática (MDC), de oposição, era favorito para vencer as eleições, Mugabe incitou os negros a invadir as terras dos brancos. Arrasou a economia do país, um dia conhecido como "celeiro da África". Não aplicou o Acordo da Lancaster House, de 1980, pelo qual o Reino Unido se comprometia a indenizar os fazendeiros brancos desapropriados. A produção de alimentou desabou.

O próprio Mandela criticou a "falha trágica de liderança" no nosso vizinho Zimbábue ao não coibir a "violência de africanos contra africanos". Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções internacionais.

A decadência econômica levou à maior hiperinflação do mundo, de 2.000.000% ao ano, que acabou com a moeda do país. Sob vários aspectos, Mugabe poderia ser considerado o pior presidente do mundo. Sua tirania acabou com a economia de um país próspero sem que a cúpula do regime fosse afetada em seus hábitos luxuosos.

Depois de três viagens para tratamento médico em Cingapura, em julho de 2017, a primeira-dama Grace Mugabe, sua segunda mulher, 41 anos mais moça do que ele, pediu a Robert Mugabe para nomear um sucessor. Ele se negou, mas aumentava a sensação entre a cúpula do regime e o comando das Forças Armadas de que um grupo ligado a Grace Mugabe queria tomar o poder.

Mugabe demitiu o vice-presidente Mnangagwa, em 6 de novembro de 2017, dividindo o regime. Com o aval da China, grande financiadora do Zimbábue nos últimos anos, de 13 a 18 de novembro, as Forças de Defesa do Zimbábue se mobilizaram para derrubar seu herói nacional, pai da pátria e fundador do Exército.

Em 19 de novembro, destituído da presidência do partido, entregue a Mnangagwa, Mugabe fez pronunciamento em cadeia nacional de televisão, mas não falou em renúncia. Os deputados do próprio ZANU-PF entraram com pedido de impeachment na Assembleia Nacional e receberam apoio da oposição. Dois dias depois, Mugabe assinou a renúncia.

Durante entrevista, em 15 de março de 2018, Mugabe declarou ter sido vítima de um golpe e considerou o governo Mnangagwa "ilegal e inconstitucional". Viva em prisão domiciliar. Triste fim de um herói convertido em tirano.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Suprema Corte do Zimbábue aprova resultado da eleição presidencial

Como previsto, a Suprema Corte do Zimbábue considerou hoje legítima a vitória suspeita do presidente Emmerson Mnangagwa na eleição presidencial de julho, com 50,8% dos votos contra 44,3% de Nelson Chamisa.

Mnangagwa, conhecido popularmente como o Crocodilo, era vice-presidente e braço direito do ditador Robert Mugabe, que governou o Zimbábue desde sua independência, em 1980, até o golpe de novembro de 2017, quando foi deposto por Mnangagwa e o então comandante do Exército e atual vice-presidente, general Constantino Chiwenga.

A vitória apertada de um regime golpista nascido no seio de uma ditadura provocou protestos internacionais. O Zimbábue perdeu uma oportunidade de melhorar as relações com o Ocidente. No auge da crise econômica e da hiperinflação criadas pelas políticas de Mugabe, o Zimbábue foi alvo de sanções da Europa e dos Estados Unidos. Precisou recorrer à China.

Dias antes do golpe, o general Chiwenga foi à China para obter o aval do regime comunista chinês para derrubar Mugabe.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Zimbábue anuncia vitória do presidente Mnangagwa

A Comissão Eleitoral do Zimbábue acaba de anunciar a vitória do presidente Emmerson Mnangagwa na eleição da última segunda-feira, com 2,46 milhões de votos (51%), contra 2,15 milhões (44%) para Nelson Chamisa, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), que rejeitou o resultado oficial e promete contestar na Justiça “de todas as formas possíveis”.

Pelo menos seis pessoas foram mortas ontem, quando o Exército e a Polícia atiraram contra uma multidão de manifestantes que protestavam na capital, Harare, contra uma suposta fraude eleitoral.

Como vice-presidente e antigo lugar-tenente do ditador Robert Mugabe, deposto por ele no ano passado, Mnangagwa, conhecido popularmente como Crocodilo, é cúmplice dos crimes cometidos pelos governos da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF), que governa a antiga Rodésia do Sul desde o fim da ditadura da minoria branca, em 1980.

Mugabe, o herói da independência convertido em ditador em mais uma tragédia africana, caiu em 21 de novembro de 2017 por tentar impor sua mulher, Grace Mugabe, como sucessora.

Antes de depor Mugabe, Mnangagwa enviou o então ministro da Defesa, general Constantino Chiwenga, a Beijim para obter o aval da China, única fonte de financiamento externo para o Zimbábue, que há duas décadas sofre sanções das potências ocidentais por causa das violações dos direitos humanos, da corrupção, da má administração e das fraudes eleitorais. Chiwenga é hoje vice-presidente.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ditador Mugabe renuncia à Presidência do Zimbábue após 37 anos

Seis dias depois do golpe militar que o tirou do poder depois de 37 anos, o ditador Robert Mugabe, de 93 anos, cedeu à pressão das Forças Armadas e do partido do governo e renunciou hoje à Presidência do Zimbábue, noticiou a televisão pública britânica BBC. 

Em seu lugar, assume o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, o Crocodilo, que há duas semanas o velho ditador tentou trocar por sua mulher, Grace Mugabe.

É o fim melancólico de um herói da independência que virou um ditador, exerceu o poder com crueldade e arrasou a economia, levando o país conhecido como celeiro da África a uma inflação de 500 bilhões por cento ao ano e à miséria generalizada ao armar gangues para tomar à força as propriedades dos brancos.

Na prática, foi um desfecho para a luta pelo poder em torno da sucessão de Mugabe dentro do partido dominante, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF). Mnangagwa teve o apoio decisivo do comandante das Forças Armadas, general Constantino Chiwenga, o homem-forte por trás do trono.

O golpe de 15 de novembro consolidou o poder do grupo dominante no ZANU-PF e afastou os aliados de Grace Mugabe. O ditador foi poupado como uma figura histórica. Em prisão domiciliar, Mugabe recebeu a visita dos generais.

No domingo, o partido tirou o herói da independência da liderança e expulsou sua mulher. Havia a expectativa de que Mugabe anunciaria a renúncia em pronunciamento em rede nacional de televisão. Ele não renunciou e deu a entender que participaria do próximo congresso do partido.

Para aumentar a pressão, os militares e aliados do regime mobilizaram a população, que saiu às ruas para pedir a queda do odiado Mugabe. Semanas antes, a multidão teria sido metralhada pelo Exército.

Diante da resistência do ditador, o ZANU-PF iniciou a abertura de um processo de impeachment. Um grande guerreiro não se entrega. Provavelmente Mugabe sonhasse em morrer no poder. A tentativa de indicar a mulher como sucessora e o afastamento do vice-presidente foram os últimos abusos de poder.

A dúvida agora é se a massa mobilizada para afastar o ditador vai voltar para casa ou vai aderir à campanha da oposição, surpreendida pelo golpe, por eleições antecipadas. Um memorando interno do Departamento de Estado americano vazado anos atrás pelo sítio de pirataria cibernética WikiLeaks expressava o temor de que Mnangagwa fosse ainda mais repressivo do que Mugabe.

domingo, 19 de novembro de 2017

Mugabe se nega a renunciar e deve sofrer impeachment

Em pronunciamento hoje à noite na televisão, o ex-ditador Robert Mugabe surpreendeu o Zimbábue e não renunciou à presidência do país que governou durante 37 anos até ser deposto num golpe militar na quarta-feira passada.

Mugabe, de 93 anos, foi destituído hoje da liderança da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF). Sua mulher, Grace Mugabe, que pretendia sucedê-lo, foi expulsa do partido.

O ditador tem até amanhã ao meio-dia pela hora local (8h em Brasília) para renunciar. Caso contrário, o Parlamento vai iniciar um processo de impeachment.

O novo líder do partido e do governo é o vice-presidente Emmerson Mnangagwa. Ao afastá-lo, na semana passada, para abrir caminho para sua mulher, Mugabe deflagrou o golpe que o depôs. O outro homem-forte do regime é o ministro da Defesa, general Constantino Chiwenga, que foi a Beijim pedir o aval da China ao golpe branco, sem derramamento de sangue.

Partido tira Mugabe da liderança e o pressiona a renunciar

Depois de uma manifestação de massa organizada ontem pelos militares golpistas, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF) destituiu hoje o ditador Robert Mugabe da liderança do partido e expulsou sua mulher, Grace Mugabe, que pretendia sucedê-lo. O novo líder do partido é o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, afastado na semana passada por Mugabe, o que deflagrou o golpe de Estado.

Mugabe, de 93 anos, estava no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980. Em prisão domiciliar desde quarta-feira, lee negocia seu destino com a mediação da Igreja Católica. Depois de 37 anos no poder, é um líder sem partido e seus principais assessores foram presos pelos militares. Ele faz um pronunciamento pela televisão hoje à noite. A agência Reuters noticiou que ele vai renunciar.

"O partido não pode tirá-lo da Presidência, então o efeito legal da votação é limitado", observou o advogado constitucionalista Fadzayi Mahere.

Se as milhares de pessoas que saíram ontem às ruas de Harare protestassem semanas atrás, provavelmente o Exército abriria fogo contra a multidão. A oposição exige a renúncia de Mugabe e a convocação de eleições antecipadas.

Em 2000, num memorando interno do Departamento de Estado americano vazado posteriormente pelo sítio de pirataria cibernética WikiLeaks, o vice-presidente Mnangagwa foi descrito como "amplamente temido e desprezado através do país", que "pode ser um líder ainda mais repressivo do que Mugabe".

O outro homem-forte do Zimbábue é o ministro da Defesa, general Constantino Chiwenga, que foi a Beijim pedir o apoio da China, maior investidor estrangeiro no país, que sofre boicote das potências ocidentais por causa das violações aos direitos humanos cometidas pela ditadura de Mugabe.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Golpe militar derruba ditador do Zimbábue

O Exército do Zimbábue, no Sul da África, ocupou hoje a televisão estatal e mantém o ditador Robert Mugabe, de 93 anos, que estava no poder desde 1980, sob prisão domiciliar, informou o jornal britânico The Guardian. Na semana passada, Mugabe destituiu o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, abrindo caminho para ser substituído por sua mulher, Grace Mugabe, 41 anos mais jovem do que ele.

Em pronunciamento na TV, os militares afirmaram que não se trata de um golpe de Estado. Eles estariam apenas afastando "criminosos" que cercam o presidente e seriam responsáveis pela manobra. Grace Mugabe teria fugido do país. A primeira-dama, conhecida como Gucci Grace por seu consumo de marcas de luxo, estaria na Namíbia.

Pelo telefone, o ditador falou com o presidente da África do Sul, Jacob Zuma. Mugabe disse que está bem, mas não pode sair de casa.

Herói da independência, conquistada em 1980, com o fim do governo supremacista branco da antiga Rodésia do Sul, Mugabe derrotou os outros líderes da independência para se tornar chefe supremo de um país que chegou a ser conhecido como o "celeiro da África".

A oposição só teve força para desafiar o governo nas urnas no fim do século passado. Mugabe acusou os Estados Unidos e o Reino Unido, a antiga potência colonial, e lançou um movimento para tomar as terras dos brancos, causando uma profunda crise econômica, com queda de um terço no produto interno bruto, o que levou o Zimbábue à hiperinflação de 500 bilhões por cento ao ano.

Sob pressão das potências ocidentais, Mugabe recorreu à China, que vem fortalecendo seus laços com a África para garantir o suprimento de matérias-primas. O golpe veio depois de uma visita do comandante das Forças Armadas, general Constantino Chiwenga, a Beijim na semana passada.

Chiwenga foi para a China em 5 de novembro. Seu alerta era que um dos expurgo nas Forças Armadas liderado pela facção G40 da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), liderada por Grace Mugabe, prejudicaria os interesses chineses no país. O presidente acusou o vice de acirrar a divisão do partido do governo e Grace Mugage o chamou de "golpista" e "covarde".

Mugabe aproveitou a ocasião a viagem do general à China para derrubar Mnangagwa por carta, em 6 de novembro. O ministro da Informação, Simon Khaya Moyo, acusou o vice-presidente de "deslealdade, desrespeito e inconfiabilidade".

Em 7 de novembro, Mugabe demitiu três aliados do vice-presidente afastado: os ministros da Segurança Cibernética, Patrick Chinamasa; do Meio Ambiente, Oppah Muchinguri; e o chefe da Casa Civil, Chris Mushohwe. Com a ajuda do filho, Mnangagwa cruzou a fronteira com Moçambique e de lá foi para a África do Sul.

Do exterior, em 8 de novembro, o ex-vice-presidente fez pesadas críticas a Mugabe e seu grupo, acusando-o pela crise econômica e de tratar o partido e o país como propriedades de sua família.

O aeroporto internacional de Harare foi rebatizado como Aeroporto Robert Mugabe em 9 de novembro. Vai passar por obras de ampliação e modernização no valor de US$ 153 milhões financiados pelo Banco de Exportações e Importações da China. No mesmo dia, o ministro das Finanças, Ignatius Chombo, estimou o déficit orçamentário para este ano em US$ 1,82 bilhão, 11,2% do produto interno bruto.

O general Chiwenga voltou no domingo, dia 12, da China via África do Sul, outro aliado importante a ser avisado da conspiração golpista. Quando soube que o chefe de polícia, Augustine Chinuri, tinha ordens para prendê-lo, preparou uma recepção com muitos soldados e resistiu às pressões de Mugabe para deixar o comando das Forças Armadas.

Em 13 de novembro, o general convocou uma entrevista coletiva em que responsabilizou o faccionalismo dentro do partido nos últimos cinco anos pela crise econômica.  Chiwenga atribuiu os problemas do Zimbábue a "elementos que não participaram como nós da guerra da libertação", referindo-se ao grupo de Grace Mugabe, e pediu o fim do expurgo dos "veteranos de guerra".

A declaração de Chiwenga foi divulgada na versão digital do jornal The Herald, mas logo a notícia foi retirada e não saiu na edição impressa no dia 14.

O presidente do setor jovem do ZANU-PF, Kudzanai Chipanga, entrou em cena no dia 14 denunciando os militares pelos "15 bilhões desaparecidos", a renda do comércio de diamantes. Chipanga prometeu defender a revolução. Seu discurso foi transmitido pela mídia oficial.

Enquanto o ministro da Informação declarava que "o governo quer reafirmar a primazia da política sobre as armas", os militares se mobilizavam sob a chefia de Chiwenga para tomar o poder. No telejornal das oito da noite, a televisão estatal Zimbabwe Broadcasting Corporation (ZBC) não divulgou a mensagem do comandante das Forças Armadas. Os militares ocuparam a emissora. O noticiário das 23h não foi ao ar.

Às duas da madrugada de 15 de novembro, houve tiros e explosões em Harare, confundidos com os trovões de uma forte tempestade tropical. Os militares cercavam o palácio presidencial. Às quatro da madrugada, o general Sibusiso Moyo leu uma declaração na TV dizendo que o ditador e a família estavam em segurança.

"Estamos alvejando apenas os criminosos ao redor dele que estão cometendo crimes e causando sofrimento econômico e social ao país", disse a nota do comando das Forças Armadas. "Pedimos a vocês que permaneçam em calma e evitem movimentações desncessárias."

Os militares prometeram proteger os funcionários públicos de expurgos que o governo estaria planejando e insistiu que não estavam dando um golpe. Isso obrigaria a União Africana a adotar sanções contra o Zimbábue.

"O que as Forças Armadas estão fazendo a pacificar uma situação econômica, política e social degenerada em nosso país que, se não resolvida, pode resultar num conflito violento", acrescentou o pronunciamento, advertindo "as outras forças de segurança" a aderir ao golpe.

ÀS 5h30 (1h30 em Brasília), tanques e soldados em uniforme de combate bloqueavam os acessos ao centro financeiro de Harare. A chuva parou. Uma forte neblina caiu sobre a cidade. As entradas e saídas, o aeroporto da capital, o jornal The Herald e a TV ZBC estavam sob controle militar.

Durante toda a manhã, a ZBC repetiu as declarações do comandante das Forças Armadas e o pronunciamento do porta-voz do golpe, entremeados por clipes de músicas da luta pela libertação.

Na prática, o golpe desnuda a luta pela poder dentro do partido do governo (ZANU-PF), na sucessão do envelhecido, corrupto e decadente pai da pátria. A oposição, liderada pelo Movimento pela Mudança Democrática (MDC), exige o "retorno à democracia".

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Partido do governo afasta grupo da ex-vice-presidente do Zimbábue

Depois de remover Joice Mujuru da liderança do partido e da vice-presidência do Zimbábue, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF) enfrenta o desafio de aumentar a popularidade do novo sucessor designado para suceder o ditador Robert Mugabe, de 91 anos, que está no poder desde a independência da antiga Rodésia do Sul, em 1980.

Joice Mujuru é muito mais popular do que seu sucessor na vice-presidência, Emmerson Mnangagwa, que está participando de uma série de comícios para se tornar mais conhecido. Há dois dias, lançou sua mulher, Auxilia, para uma eleição complementar. A cadeira de Joice também estará em jogo no mesmo dia, 27 de março de 2015.

Nos últimos meses, a mulher do presidente, Grace Mugabe, também deu sinais de interesse em entrar para a política partidária.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Mugabe nomeia ministro linha-dura para vice-presidente

De pouco valeu o congresso da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular, no poder há 34 anos. Mal os delegados voltaram para casa, o ditador Robert Mugabe destituiu a vice-presidente Joice Mujuru e seus aliados, nomeando para o cargo o ministro da Justiça linha-dura, Emmerson Mnangagwa, novo favorito para a sucessão do próprio Mugabe.

Por enquanto, aos 90 anos, Mugabe ainda é o candidato do partido do governo à eleição presidencial de 2018. Joice foi acusada de corrupção, traição e tentativa de assassinar o dirigente máximo zimbabuano.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Mugabe destitui vice-presidente do Zimbábue

O ditador Robert Mugabe, no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980, afastou a vice-presidente Joyce Mujuru e seus aliados numa reforma ministerial, acusando-a de liderar uma conspiração para derrubá-lo e matá-lo, se necessário.

Dentro da luta pelo poder em torno de sua sucessão, Mugabe, de 90 anos, agora chama sua antiga aliada de "traidora". O ditador estaria apoiando a candidatura do ministro da Justiça, Emmerson Mnangagwa.

No fim de semana, o partido governista, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), confirmou Mugabe como líder do partido e candidato à próxima eleição presidencial, em 2018.

Sua mulher, Grace Mugabe, foi eleita líder da ala feminina do partido. Pode ser um degrau para uma ascensão maior. Depois meses depois de entrar para a Universidade do Zimbábue, ela recebeu um doutorado em sociologia sem defender tese.

O Zimbábue já foi conhecido como o "celeiro" da África. Com as políticas de confisco das terras dos brancos lançada em 2000 por Mugabe para combater a oposição interna, enfrenta hiperinflação e desabastecimento.

domingo, 23 de novembro de 2014

Ditador do Zimbábue muda lei para indicar sucessor diretamente

O ditador Robert Mugabe, no poder desde a independência do país do Império Britânico, em 1980, mudou o estatuto do partido do governo, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF, do inglês), para indicar diretamente seu sucessor, informou hoje a agência de notícias Reuters. As alterações devem ser ratificadas na próxima conferência do partido, a ser realizado de 2 a 7 de dezembro de 2014.

Antes da decisão de Mugabe, militantes do ZANU-PF tinham eleito os líderes do partido nas dez regiões do país, mas o presidente é o único candidato à liderança.

De herói da independência do país, a antiga Rodésia do Sul no Império Britânico, Mugabe foi se tornando cada vez mais autoritário, especialmente a partir do ano 2000, quando a oposição se organizou no Partido pela Mudança Democrática (MDC, do inglês).

Desde então, o ditador patrocinou grupos armados que invadiram as terras de propriedade dos brancos e passou a hostilizar o Ocidente, acusando os Estados Unidos e o Reino Unidos por todos os problemas do Zimbábue. Nos últimos anos, o país se aproximou da China em busca da ajuda internacional negada pelo Ocidente.

sábado, 3 de agosto de 2013

Mugabe é declarado vencedor no Zimbábue

O ditador Robert Mugabe, no poder desde a independência do Zimbábue, foi reeleito para mais um mandato com 61% dos votos, anunciou hoje a Comissão Eleitoral, dominada pelo governo, sob protesto da oposição, que denuncia fraude generalizada.

Mais uma vez, toda a máquina do Estado foi mobilizada para garantir a vitória de Mugabe. Não houve muitos incidentes de violência como nas eleições anteriores, mas muitos eleitores não conseguiram votar porque foram rejeitados nas suas zonas eleitorais, entre outras irregularidades.