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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Morte de Mugabe é o fim de mais uma tragédia africana

De revolucionário, herói da independência e pai da pátria, Robert Mugabe se tornou um tirano implacável. Arruinou a economia do Zimbábue e é acusado por milhões de mortes. Sua morte aos 95 anos hoje num hospital de Cingapura é o fim de mais uma história trágica na África.

Nacionalista pan-africano, Robert Gabriel Mugabe aderiu ao socialismo e ao marxismo-leninismo na luta contra o colonialismo europeu nos anos 1960s. Acusado de sedição, ficou preso de 1964 a 1974. 

Livre, foi para Moçambique, onde assumiu a liderança da União Nacional Africana do Zimbábue, ZANU, da sigla em inglês, na luta contra o regime segregacionista da minoria branca, semelhante ao apartheid da África do Sul, chefiado por Ian Smith. 

Na época, o país se chamava Rodésia. Antes, fora a Rodésia do Sul, nomes derivados de Cecil Rhodes, um empresário do imperialismo britânico do século 19. 

Antes da libertação de Nelson Mandela na África do Sul, em fevereiro de 1991, Mugabe, como um dos pais da pátria, era uma das vozes mais fortes em defesa do ideal de unidade do continente, do pan-africanismo, um sonho dos heróis da independência. Mas Mugabe não era Mandela. Meu comentário:

Mugabe foi de herói revolucionário a ditador do Zimbábue

O herói da independência do Zimbábue, Robert Mugabe, que governou da independência, em 1980, até ser deposto num golpe do vice-presidente e atual presidente Emmerson Mnangagwa em 12 de dezembro de 2017, morreu aos 95 anos num tribunal em Cingapura.

Em entrevista à televisão pública britânica BBC, Mnangagwa, o Crocodilo, o descreveu como um "ícone da libertação, não apenas do Zimbábue, mas do continente", um herói pan-africano. De sonhador de uma África próspera e independente, Mugabe se tornou o protótipo ditador africano, recluso atrás de óculos escuros.

Nacionalista africano identificado com o marxismo-leninismo e o socialismo nas guerras de libertação nacional dos anos 1960s e 1970s, Mugabe ficou preso de 1964 e 1974.

Livre, foi para Moçambique, onde assumiu a liderança da União Nacional Africana do Zimbábue (ZANU) de 1975 a 1980 na luta contra a ditadura da maioria branca na Rodésia, antiga Rodésia do Sul, antiga propriedade do empresário do imperialismo britânico Cecil Rhodes.

Antes da libertação de Nelson Mandela na África do Sul, em fevereiro de 1991, Mugabe era uma das vozes em defesa dos ideais de unidade do continente, do pan-africanismo, um sonho dos pais da independência da África.

De 1983 a 1987, Mugabe esmagou a União Popular Africana do Zimbábue (ZAPU), de Joshua Nkomo, numa rebelião interna com pelo menos 10 mil mortes, afirmando um poder implacável.

Para manter o poder, em 2000, quando o Movimento pela Mudança Democrática (MDC), de oposição, era favorito para vencer as eleições, Mugabe incitou os negros a invadir as terras dos brancos. Arrasou a economia do país, um dia conhecido como "celeiro da África". Não aplicou o Acordo da Lancaster House, de 1980, pelo qual o Reino Unido se comprometia a indenizar os fazendeiros brancos desapropriados. A produção de alimentou desabou.

O próprio Mandela criticou a "falha trágica de liderança" no nosso vizinho Zimbábue ao não coibir a "violência de africanos contra africanos". Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções internacionais.

A decadência econômica levou à maior hiperinflação do mundo, de 2.000.000% ao ano, que acabou com a moeda do país. Sob vários aspectos, Mugabe poderia ser considerado o pior presidente do mundo. Sua tirania acabou com a economia de um país próspero sem que a cúpula do regime fosse afetada em seus hábitos luxuosos.

Depois de três viagens para tratamento médico em Cingapura, em julho de 2017, a primeira-dama Grace Mugabe, sua segunda mulher, 41 anos mais moça do que ele, pediu a Robert Mugabe para nomear um sucessor. Ele se negou, mas aumentava a sensação entre a cúpula do regime e o comando das Forças Armadas de que um grupo ligado a Grace Mugabe queria tomar o poder.

Mugabe demitiu o vice-presidente Mnangagwa, em 6 de novembro de 2017, dividindo o regime. Com o aval da China, grande financiadora do Zimbábue nos últimos anos, de 13 a 18 de novembro, as Forças de Defesa do Zimbábue se mobilizaram para derrubar seu herói nacional, pai da pátria e fundador do Exército.

Em 19 de novembro, destituído da presidência do partido, entregue a Mnangagwa, Mugabe fez pronunciamento em cadeia nacional de televisão, mas não falou em renúncia. Os deputados do próprio ZANU-PF entraram com pedido de impeachment na Assembleia Nacional e receberam apoio da oposição. Dois dias depois, Mugabe assinou a renúncia.

Durante entrevista, em 15 de março de 2018, Mugabe declarou ter sido vítima de um golpe e considerou o governo Mnangagwa "ilegal e inconstitucional". Viva em prisão domiciliar. Triste fim de um herói convertido em tirano.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Zimbábue anuncia vitória do presidente Mnangagwa

A Comissão Eleitoral do Zimbábue acaba de anunciar a vitória do presidente Emmerson Mnangagwa na eleição da última segunda-feira, com 2,46 milhões de votos (51%), contra 2,15 milhões (44%) para Nelson Chamisa, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), que rejeitou o resultado oficial e promete contestar na Justiça “de todas as formas possíveis”.

Pelo menos seis pessoas foram mortas ontem, quando o Exército e a Polícia atiraram contra uma multidão de manifestantes que protestavam na capital, Harare, contra uma suposta fraude eleitoral.

Como vice-presidente e antigo lugar-tenente do ditador Robert Mugabe, deposto por ele no ano passado, Mnangagwa, conhecido popularmente como Crocodilo, é cúmplice dos crimes cometidos pelos governos da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF), que governa a antiga Rodésia do Sul desde o fim da ditadura da minoria branca, em 1980.

Mugabe, o herói da independência convertido em ditador em mais uma tragédia africana, caiu em 21 de novembro de 2017 por tentar impor sua mulher, Grace Mugabe, como sucessora.

Antes de depor Mugabe, Mnangagwa enviou o então ministro da Defesa, general Constantino Chiwenga, a Beijim para obter o aval da China, única fonte de financiamento externo para o Zimbábue, que há duas décadas sofre sanções das potências ocidentais por causa das violações dos direitos humanos, da corrupção, da má administração e das fraudes eleitorais. Chiwenga é hoje vice-presidente.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ditador Mugabe renuncia à Presidência do Zimbábue após 37 anos

Seis dias depois do golpe militar que o tirou do poder depois de 37 anos, o ditador Robert Mugabe, de 93 anos, cedeu à pressão das Forças Armadas e do partido do governo e renunciou hoje à Presidência do Zimbábue, noticiou a televisão pública britânica BBC. 

Em seu lugar, assume o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, o Crocodilo, que há duas semanas o velho ditador tentou trocar por sua mulher, Grace Mugabe.

É o fim melancólico de um herói da independência que virou um ditador, exerceu o poder com crueldade e arrasou a economia, levando o país conhecido como celeiro da África a uma inflação de 500 bilhões por cento ao ano e à miséria generalizada ao armar gangues para tomar à força as propriedades dos brancos.

Na prática, foi um desfecho para a luta pelo poder em torno da sucessão de Mugabe dentro do partido dominante, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF). Mnangagwa teve o apoio decisivo do comandante das Forças Armadas, general Constantino Chiwenga, o homem-forte por trás do trono.

O golpe de 15 de novembro consolidou o poder do grupo dominante no ZANU-PF e afastou os aliados de Grace Mugabe. O ditador foi poupado como uma figura histórica. Em prisão domiciliar, Mugabe recebeu a visita dos generais.

No domingo, o partido tirou o herói da independência da liderança e expulsou sua mulher. Havia a expectativa de que Mugabe anunciaria a renúncia em pronunciamento em rede nacional de televisão. Ele não renunciou e deu a entender que participaria do próximo congresso do partido.

Para aumentar a pressão, os militares e aliados do regime mobilizaram a população, que saiu às ruas para pedir a queda do odiado Mugabe. Semanas antes, a multidão teria sido metralhada pelo Exército.

Diante da resistência do ditador, o ZANU-PF iniciou a abertura de um processo de impeachment. Um grande guerreiro não se entrega. Provavelmente Mugabe sonhasse em morrer no poder. A tentativa de indicar a mulher como sucessora e o afastamento do vice-presidente foram os últimos abusos de poder.

A dúvida agora é se a massa mobilizada para afastar o ditador vai voltar para casa ou vai aderir à campanha da oposição, surpreendida pelo golpe, por eleições antecipadas. Um memorando interno do Departamento de Estado americano vazado anos atrás pelo sítio de pirataria cibernética WikiLeaks expressava o temor de que Mnangagwa fosse ainda mais repressivo do que Mugabe.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Golpe militar derruba ditador do Zimbábue

O Exército do Zimbábue, no Sul da África, ocupou hoje a televisão estatal e mantém o ditador Robert Mugabe, de 93 anos, que estava no poder desde 1980, sob prisão domiciliar, informou o jornal britânico The Guardian. Na semana passada, Mugabe destituiu o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, abrindo caminho para ser substituído por sua mulher, Grace Mugabe, 41 anos mais jovem do que ele.

Em pronunciamento na TV, os militares afirmaram que não se trata de um golpe de Estado. Eles estariam apenas afastando "criminosos" que cercam o presidente e seriam responsáveis pela manobra. Grace Mugabe teria fugido do país. A primeira-dama, conhecida como Gucci Grace por seu consumo de marcas de luxo, estaria na Namíbia.

Pelo telefone, o ditador falou com o presidente da África do Sul, Jacob Zuma. Mugabe disse que está bem, mas não pode sair de casa.

Herói da independência, conquistada em 1980, com o fim do governo supremacista branco da antiga Rodésia do Sul, Mugabe derrotou os outros líderes da independência para se tornar chefe supremo de um país que chegou a ser conhecido como o "celeiro da África".

A oposição só teve força para desafiar o governo nas urnas no fim do século passado. Mugabe acusou os Estados Unidos e o Reino Unido, a antiga potência colonial, e lançou um movimento para tomar as terras dos brancos, causando uma profunda crise econômica, com queda de um terço no produto interno bruto, o que levou o Zimbábue à hiperinflação de 500 bilhões por cento ao ano.

Sob pressão das potências ocidentais, Mugabe recorreu à China, que vem fortalecendo seus laços com a África para garantir o suprimento de matérias-primas. O golpe veio depois de uma visita do comandante das Forças Armadas, general Constantino Chiwenga, a Beijim na semana passada.

Chiwenga foi para a China em 5 de novembro. Seu alerta era que um dos expurgo nas Forças Armadas liderado pela facção G40 da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), liderada por Grace Mugabe, prejudicaria os interesses chineses no país. O presidente acusou o vice de acirrar a divisão do partido do governo e Grace Mugage o chamou de "golpista" e "covarde".

Mugabe aproveitou a ocasião a viagem do general à China para derrubar Mnangagwa por carta, em 6 de novembro. O ministro da Informação, Simon Khaya Moyo, acusou o vice-presidente de "deslealdade, desrespeito e inconfiabilidade".

Em 7 de novembro, Mugabe demitiu três aliados do vice-presidente afastado: os ministros da Segurança Cibernética, Patrick Chinamasa; do Meio Ambiente, Oppah Muchinguri; e o chefe da Casa Civil, Chris Mushohwe. Com a ajuda do filho, Mnangagwa cruzou a fronteira com Moçambique e de lá foi para a África do Sul.

Do exterior, em 8 de novembro, o ex-vice-presidente fez pesadas críticas a Mugabe e seu grupo, acusando-o pela crise econômica e de tratar o partido e o país como propriedades de sua família.

O aeroporto internacional de Harare foi rebatizado como Aeroporto Robert Mugabe em 9 de novembro. Vai passar por obras de ampliação e modernização no valor de US$ 153 milhões financiados pelo Banco de Exportações e Importações da China. No mesmo dia, o ministro das Finanças, Ignatius Chombo, estimou o déficit orçamentário para este ano em US$ 1,82 bilhão, 11,2% do produto interno bruto.

O general Chiwenga voltou no domingo, dia 12, da China via África do Sul, outro aliado importante a ser avisado da conspiração golpista. Quando soube que o chefe de polícia, Augustine Chinuri, tinha ordens para prendê-lo, preparou uma recepção com muitos soldados e resistiu às pressões de Mugabe para deixar o comando das Forças Armadas.

Em 13 de novembro, o general convocou uma entrevista coletiva em que responsabilizou o faccionalismo dentro do partido nos últimos cinco anos pela crise econômica.  Chiwenga atribuiu os problemas do Zimbábue a "elementos que não participaram como nós da guerra da libertação", referindo-se ao grupo de Grace Mugabe, e pediu o fim do expurgo dos "veteranos de guerra".

A declaração de Chiwenga foi divulgada na versão digital do jornal The Herald, mas logo a notícia foi retirada e não saiu na edição impressa no dia 14.

O presidente do setor jovem do ZANU-PF, Kudzanai Chipanga, entrou em cena no dia 14 denunciando os militares pelos "15 bilhões desaparecidos", a renda do comércio de diamantes. Chipanga prometeu defender a revolução. Seu discurso foi transmitido pela mídia oficial.

Enquanto o ministro da Informação declarava que "o governo quer reafirmar a primazia da política sobre as armas", os militares se mobilizavam sob a chefia de Chiwenga para tomar o poder. No telejornal das oito da noite, a televisão estatal Zimbabwe Broadcasting Corporation (ZBC) não divulgou a mensagem do comandante das Forças Armadas. Os militares ocuparam a emissora. O noticiário das 23h não foi ao ar.

Às duas da madrugada de 15 de novembro, houve tiros e explosões em Harare, confundidos com os trovões de uma forte tempestade tropical. Os militares cercavam o palácio presidencial. Às quatro da madrugada, o general Sibusiso Moyo leu uma declaração na TV dizendo que o ditador e a família estavam em segurança.

"Estamos alvejando apenas os criminosos ao redor dele que estão cometendo crimes e causando sofrimento econômico e social ao país", disse a nota do comando das Forças Armadas. "Pedimos a vocês que permaneçam em calma e evitem movimentações desncessárias."

Os militares prometeram proteger os funcionários públicos de expurgos que o governo estaria planejando e insistiu que não estavam dando um golpe. Isso obrigaria a União Africana a adotar sanções contra o Zimbábue.

"O que as Forças Armadas estão fazendo a pacificar uma situação econômica, política e social degenerada em nosso país que, se não resolvida, pode resultar num conflito violento", acrescentou o pronunciamento, advertindo "as outras forças de segurança" a aderir ao golpe.

ÀS 5h30 (1h30 em Brasília), tanques e soldados em uniforme de combate bloqueavam os acessos ao centro financeiro de Harare. A chuva parou. Uma forte neblina caiu sobre a cidade. As entradas e saídas, o aeroporto da capital, o jornal The Herald e a TV ZBC estavam sob controle militar.

Durante toda a manhã, a ZBC repetiu as declarações do comandante das Forças Armadas e o pronunciamento do porta-voz do golpe, entremeados por clipes de músicas da luta pela libertação.

Na prática, o golpe desnuda a luta pela poder dentro do partido do governo (ZANU-PF), na sucessão do envelhecido, corrupto e decadente pai da pátria. A oposição, liderada pelo Movimento pela Mudança Democrática (MDC), exige o "retorno à democracia".

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Partido do governo afasta grupo da ex-vice-presidente do Zimbábue

Depois de remover Joice Mujuru da liderança do partido e da vice-presidência do Zimbábue, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF) enfrenta o desafio de aumentar a popularidade do novo sucessor designado para suceder o ditador Robert Mugabe, de 91 anos, que está no poder desde a independência da antiga Rodésia do Sul, em 1980.

Joice Mujuru é muito mais popular do que seu sucessor na vice-presidência, Emmerson Mnangagwa, que está participando de uma série de comícios para se tornar mais conhecido. Há dois dias, lançou sua mulher, Auxilia, para uma eleição complementar. A cadeira de Joice também estará em jogo no mesmo dia, 27 de março de 2015.

Nos últimos meses, a mulher do presidente, Grace Mugabe, também deu sinais de interesse em entrar para a política partidária.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Mugabe destitui vice-presidente do Zimbábue

O ditador Robert Mugabe, no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980, afastou a vice-presidente Joyce Mujuru e seus aliados numa reforma ministerial, acusando-a de liderar uma conspiração para derrubá-lo e matá-lo, se necessário.

Dentro da luta pelo poder em torno de sua sucessão, Mugabe, de 90 anos, agora chama sua antiga aliada de "traidora". O ditador estaria apoiando a candidatura do ministro da Justiça, Emmerson Mnangagwa.

No fim de semana, o partido governista, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), confirmou Mugabe como líder do partido e candidato à próxima eleição presidencial, em 2018.

Sua mulher, Grace Mugabe, foi eleita líder da ala feminina do partido. Pode ser um degrau para uma ascensão maior. Depois meses depois de entrar para a Universidade do Zimbábue, ela recebeu um doutorado em sociologia sem defender tese.

O Zimbábue já foi conhecido como o "celeiro" da África. Com as políticas de confisco das terras dos brancos lançada em 2000 por Mugabe para combater a oposição interna, enfrenta hiperinflação e desabastecimento.

domingo, 23 de novembro de 2014

Ditador do Zimbábue muda lei para indicar sucessor diretamente

O ditador Robert Mugabe, no poder desde a independência do país do Império Britânico, em 1980, mudou o estatuto do partido do governo, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF, do inglês), para indicar diretamente seu sucessor, informou hoje a agência de notícias Reuters. As alterações devem ser ratificadas na próxima conferência do partido, a ser realizado de 2 a 7 de dezembro de 2014.

Antes da decisão de Mugabe, militantes do ZANU-PF tinham eleito os líderes do partido nas dez regiões do país, mas o presidente é o único candidato à liderança.

De herói da independência do país, a antiga Rodésia do Sul no Império Britânico, Mugabe foi se tornando cada vez mais autoritário, especialmente a partir do ano 2000, quando a oposição se organizou no Partido pela Mudança Democrática (MDC, do inglês).

Desde então, o ditador patrocinou grupos armados que invadiram as terras de propriedade dos brancos e passou a hostilizar o Ocidente, acusando os Estados Unidos e o Reino Unidos por todos os problemas do Zimbábue. Nos últimos anos, o país se aproximou da China em busca da ajuda internacional negada pelo Ocidente.

sábado, 14 de junho de 2008

Mugabe diz que MDC jamais governará o Zimbábue


Em mais uma declaração de guerra à oposição, diante do general Constantine Chiwenga (foto), comandante das Forças Armadas e novo homem-forte do Zimbábue, o presidente Robert Mugabe declarou hoje que o Movimento pela Mudança Democrática (MDC, do inglês) jamais governará o país, acrescentando que está disposto a lutar por isso enquanto estiver vivo.

Mugabe chamou a oposição de "aqueles fantoches", acusando-os de serem representantes da minoria branca a serviço dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. Como bom ditador, acena com o inimigo externo para massacrar o inimigo interno, no caso, a maioria da população, que rejeita seu governo, responsável pelo desemprego de 70% e a maior inflação hoje no mundo, de 150.000% ao ano..

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Zimbábue marca segundo turno para 27 de junho

O governo do Zimbábue marcou para 27 de junho o segundo turno da eleição presidencial e finalmente o presidente Robert Mugabe reconheceu a derrota no primeiro turno, em 29 de março.

A oposição, que declarou vitória e acusa o governo de ter fraudado o resultado do primeiro turno, confirmou hoje que vai disputar o segundo turno.

Em visita ao Reino Unido, Morgan Tsvangirai, candidato do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), declarou que voltará ao Zimbábue para disputar o segundo turno, apesar das ameaças. Ele fez um apelo à Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral para que enviei monitores para fiscalizar a campanha e evitar a violência de partidários do governo para intimidar oposicionistas.

Mugabe advertiu seu partido, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF) de que não se esforçou suficientemente para vencer no primeiro turno. Foi complacente e agora precisa mudar. Não vê seus próprios erros, como uma economia que já foi um celeiro da África em ruínas, com inflação de 165.000% ao ano.

Há fortes razões para temer que será uma campanha violenta.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Zimbábue anuncia segundo turno oficialmente

Mais de um mês depois, a Comissão Eleitoral do Zimbábue divulgou hoje o resultado oficial da eleição presidencial de 29 de março de 2008, anunciado que haverá necessidade de um segundo turno.

Pelo resultado oficial, Morgan Tsvangirai, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), teve 47,9% dos votos, vencendo o presidente Robert Mugabe, da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), que teria recebido 43,2%, sem maioria absoluta. O problema é que todo o mundo suspeita ser fraudulento por causa da demora em sua divulgação.

Agora, o MDC, que proclamou a vitória de Tsvangirai, com o aval dos Estados Unidos e do Reino Unido, deve decidir se disputa o segundo turno, daqui a três semanas.

A previsão é de uma campanha eleitoral sangrenta. Mugabe e seus generais deram um golpe. Ficaram semanas com as urnas decidindo o que fazer. Há denúncias de violência, tortura e morte no campo e em bairros populares onde a oposição venceu.

O segundo turno, se houver, será uma batalha sangrenta.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

ZANU-PF fala em segundo turno no Zimbábue

Um dirigente da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), o partido do governo, anunciou hoje que haverá segundo turno da eleição presidencial de 29 de março.

O resultado oficial não saiu até hoje. Mas o dirigente do partido governista afirma que o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), obteve 47% dos votos contra 43% para o presidente Robert Mugabe.

A oposição garante que obteve maioria absoluta no primeiro turno, não havendo necessidade de uma segunda votação. Os Estados Unidos acreditam que Tsvangirai venceu.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Polícia do Zimbábue prende oposicionistas

A polícia do Zimbábue prendeu hoje dezenas de oposicionistas e funcionários da Comissão Eleitoral, como parte da manobra do presidente Robert Mugabe para anular a eleição presidencial de 29 de março, onde ao que tudo indica foi derrotado pelo sindicalista Morgan Tsvangirai, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC, do inglês).

Até hoje, não saiu o resultado oficial. Há uma recontagem parcial dos votos das eleições legislativas, mas aí tampouco há novidade.

Diante da derrota, o presidente teria iniciado uma negociação com o MDC para transferir o poder num governo de união nacional, com alguns ministros da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF, do inglês). Este partido governa o país desde a derrota do regime supremacista branco de Ian Smith, em 1980, e a total independência do Império Britânico.

Os generais de Mugabe teriam convencido ou forçado o presidente a dar o golpe e ignorar o resultado das urnas, com medo de processos por corrupção e violações dos direitos humanos.

Em tom agressivo e desafiante, o presidente discursou na inauguração de uma feira internacional advertindo contra as tentativas de "recolonizar o Zimbábue". Esse velho discurso de herói da independência não faz mais sentido 28 anos depois, com 80% de desemprego e uma inflação de 165.000% ao ano que destrui a economia de um país antes conhecido como o celeiro da África.

É mais uma tragédia africana anunciada.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

ZANU-PF chegou a negociar transição com MDC

A União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), partido do presidente Robert Mugabe, chegou a negociar uma transição com o Movimento pela Mudança Democrática (MDC), afirmou ontem o suposto vencedor da eleição presidencial de 29 de março, Morgan Tsvangirai. Seus resultados não foram divulgados até hoje.

Os chefes da ZANU-PF queriam negociar a impunidade e a continuidade do regime num "governo de união nacional", revelou Tsvangirai. Agora, ele se recusa a disputar um segundo turno.

domingo, 6 de abril de 2008

Governo agora pede recontagem no Zimbábue

Em mais uma manobra para fraudar o resultado da eleição presidencial de 29 de março, o partido do governo do Zimbábue pede agora uma recontagem dos votos.

O vice-ministro da Informação e Propaganda, Bright Matonga, já anunciou recursos para nova apuração em 16 distritos, numa armação para obter maioria na Câmara dos Deputados, onde o Movimento pela Mudança Democrática (MDC), de oposição, conquistou 99 cadeiras, contra 93 a governista da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF).

sábado, 5 de abril de 2008

Oposição acusa Mugabe de preparar guerra

O candidato da oposição à Presidência do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, acusou neste sábado, 5 de abril de 2008, o presidente Robert Mugabe de preparar uma guerra contra o povo para ficar no poder.

Uma semana depois das eleições, o resultado da votação para presidente ainda não foi divulgado oficialmente, alimentando suspeitas de fraude e conspiração. Ontem, logo após uma reunião de sua cúpula, o partido do governo, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF) anunciou que Mugabe vai disputar o segundo turno.

"Ganhamos a eleição sem necessidade de segundo turno", declarou Tsvangirai, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC). "No segundo turno, a violência será a arma para impedir a vitória do povo. A ZANU-PF está preparando uma guerra contra o povo, como vimos em 2000."

Hoje, foram divulgados os resultados oficiais das eleições para o Senado. O governo e a oposição elegeram 30 senadores cada. A maioria depende de quem for o próximo presidente, que indica, junto com líderes tribais, os outros 33 senadores.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Partido afirma que Mugabe ganha segundo turno

Depois de cinco dias de mistério, os resultados oficiais da eleição presidencial de sábado no Zimbábue devem ser anunciados nesta sexta-feira. Dirigentes da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF, do inglês) afirmam que o presidente Robert Mugabe está pronto para disputar o segundo turno e obter uma grande vitória.

"Presumo que não haverá um vencedor e que a eleição irá para um segundo turno onde vencerá quem tiver maioria simples", declarou o vice-ministro da Informação e Publicidade, Bright Matonga. "Sob a perspectiva do ZANU-PF, estamos prontos, estamos confiantes que o presidente Mugabe vai ganhar desta vez".

Nos últimos dias, o Movimento pela Mudança Democrática (MDC, do inglês) proclamou a vitória de seu candidato, o sindicalista Morgan Tavangirai, declarando que ele obteve mais de 50% dos votos válidos, o que evitaria um segundo turno.

Para os observadores, é evidente que o governo foi surpreendido com a apuração e precisou de alguns dias para redefinir sua estratégia.

Com a inflação em mais de 100.000% ao ano e o desemprego em 80%, o antigo celeiro da África tem hoje uma economia arrasada. Isso explica a derrota que o governo se nega a reconhecer.

Toda a cúpula do ZANU-PF é cúmplice da corrupção generalizada e dos abusos de poder que caracterizaram o governo Mugabe nos últimos dez anos.

Para acalmar seus generais, ele envolveu o Zimbábue na guerra civil na República Democrática do Congo, com o único objetivo de acalmá-los via distribuição do butim de guerra.

Esses oficiais temem que um governo de oposição revele suas falcatruas. Devem fazer de tudo para não entregar o poder à oposição.

O Zimbábue está à beira da guerra civil. Nesta quinta-feira, a polícia revistou um hotel de Harare, prendendo quatro jornalistas estrangeiros sob a alegação de que não tinham visto de trabalho. O quarto onde estava hospedado o secretário-geral do MDC também foi alvo da operação policial.

Vários dirigentes da oposição teriam desaparecido temendo represálias do governo. Eles são acusados de tentativa de golpe por se declararem vencedores das eleições.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Governo perde eleição parlamentar no Zimbábue

O partido do governo do Zimbábue perdeu a maioria no parlamento pela primeira vez desde a independência do país, há 28 anos. Mas o resultado da eleição presidencial ainda é um mistério.

A Comissão Eleitoral só divulgou até agora os resultados das eleições legislativas. As oposições elegeram 109 deputados e a governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular conquistou apenas 97 das 210 cadeiras.

Enquanto os jornais governistas indicam que haveria segundo turno na eleição presidencial, dentro de três semanas.

Nesta quarta-feira, o Movimento pela Mudança Democrática (MDC, do inglês) proclamou a vitória de seu candidato, o sindicalista Morgan Tsvangirai, dizendo que ele obteve maioria absoluta, não havendo necessidade de realizar um segundo turno.

Na África do Sul, o arcebispo Desmond Tutu elogiou o passado do presidente Robert Mugabe, herói da independência do Zimbábue, e desejou uma transição pacífica.

Há três possibilidades: segundo turno, a renúncia de Mugabe ou a entrega do poder para a oposição, que enfrentaria resistência de oficiais das Forças Armadas envolvidos em corrupção.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Governo segura resultado da eleição no Zimbábue

Mais de 60 horas do fim da votação, a Comissão Eleitoral do Zimbábue ainda não divulgou o resultado oficial da eleição presidencial de sábado. Desde domingo, o Movimento pela Mudança Democrática (MDC, do inglês) proclama-se vencedor. Seu candidato, Morgan Tsvangirai, teria obtido 60% dos votos válidos.

Uma rede de observadores independentes estimou a votação de Tsvangirai em 49,8%, contra 42% para Mugabe, o que forçaria a realização de um segundo turno dentro de três semanas.

Até agora, só foram divulgados resultados oficiais parciais das eleições legislativas, com uma ligeira vantagem do MDC sobre a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), partido do presidente Robert Mugabe.

"Há vários rumores no ar", comentou um porta-voz do MDC, "inclusive de que a Comissão Eleitoral vai anunciar a vitória de Mugabe com 52%".

Com o aumento da tensão, a tropa de choque ocupou duas favelas de Harare onde a oposição é maioria.

sábado, 29 de março de 2008

Oposição canta vitória no Zimbábue

Logo após o início da apuração, o Movimento pela Mudança Democrática (MDC, do inglês) anunciou sua vitória nas eleições presidencial, legislativas e municipais deste sábado no Zimbábue, onde a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-FP) está no poder há 28 anos, desde a independência do país do Império Britânico.

O governo afirma que os resultados oficiais só serão divulgados na segunda-feira.