Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Pouco mais de nove meses depois de sair da prisão, o ex-ditador do Peru de origem japonesa Alberto Fujimori, condenado por corrupção e violação dos direitos humanos, morreu hoje aos 86 anos. Quando assumiu o poder, em 1990, teve de enfrentar uma hiperinflação e o terrorismo dos grupos guerrilheiros de esquerda Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Tupac Amaru.
Em conflito com o Poder Legislativo, Fujimori deu um golpe em 5 de abril de 1992, fechou o Congresso e anulou a Constituição. Sob pressão, abandonou o cargo em 2000 e pediu asilo político ao Japão, onde tinha nacionalidade.
Filho de imigrantes japoneses, Alberto Kenya Fujimori nasceu em 28 de julho de 1938 no bairro aristocrático de Miraflores, em Lima, se formou em agronomia. Antes de entrar na política, foi reitor da Universidade Nacional Agrária (1984-89) e presidente da Assembleia Nacional de Reitores no Peru. Tornou-se conhecido por apresentar o programa de televisão Consertando, em que propunha reformas estruturais para superar os problemas econômicos do país.
Populista de direita, Fujimori explorou o descontentamento com a hiperinflação e o terrorismo que assolaram o primeiro governo Alan García (1985-90) e a desconfiança dos peruanos mais pobres com o escritor conservador Mario Vargas Llosa, associando-o à elite limenha de origem europeia num país com grande população indígena e mestiça. Assim, venceu a eleição de 1990.
Para combater a hiperinflação, que chegou a 12.377,32% ao ano em agosto de 1990, logo depois de sua posse, Fujimori aplicou uma série de políticas neoliberais conhecidas como o Fujichoque. A economia se recuperou. Em 1994, o Peru foi o país que mais cresceu no mundo (12,3%).
Antes disso, em conflito com o Poder Legislativo, onde não tinha maioria, Fujimori deu um golpe com o apoio das Forças Armadas. Dissolveu o Congresso, fechou a Corte Suprema, o Ministério Público e o Conselho da Magistratura.
A recuperação da economia garantiu uma reeleição por ampla margem em 1995, mas o autoritarismo e as denúncias de corrupção e de violações direitos humanos minaram o governo Fujimori. Depois da revelação de vídeos em que o homem-forte do regime na luta contra os grupos guerrilheiros, coronel Vladimiro Montesinos, subornava autoridades, em meio a outras escândalos, Fujimori fugiu para o Japão no ano 2000.
Em 2005, ele vai para o Chile para tentar influenciar na eleição presidencial peruana de 2005. Preso e extraditado, responde a quatro processos. É condenado a um total de 44 anos e meio de prisão. Como a lei peruana prevê que as penas sejam cumpridas simultaneamente, a pena fica em 25 anos de reclusão.
Depois de 16 anos de prisão, o Tribunal Constitucional lhe deu o direito de cumprir o resto da pena em prisão domiciliar. Fujimori saiu da cadeia em 6 de dezembro do ano passado e morreu na casa da filha e principal herdeira política, Keiko Fujimori, vencida no segundo turno nos três últimas eleições presidenciais peruanas.
Em 1997, o presidente Alberto Fujimori ordena um ataque de forças especiais à residência do embaixador do Japão no Peru, tomada por guerrilheiros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru, no qual morrem os 14 rebeldes, dois comandos e um ministro da Corte Suprema, Carlos Giusti.
Quatorze guerrilheiros invadem a casa do embaixador japonês, Morihisha Aoki, em 17 de dezembro de 1996, e tomam como reféns centenas de diplomatas, empresários, altos funcionários públicos civis e militares que participam de uma festa de fim de ano.
As mulheres estrangeiras são libertadas na primeira noite e a maioria dos estrangeiros depois de cinco dias em que sofreram repetidas ameaças de mortes. Depois de 126 dias, as forças especiais de Fujimori atacam a casa.
Fujimori ganha pontos com a ação. Mais tarde, há alegações de que vários terroristas foram sumariamente executados depois de se render.
Parentes dos guerrilheiros entram na Justiça do Peru.Um diplomata japonês, Hidetaka Ogura, declara em depoimento que três rebeldes foram torturados. Dois soldados admitem ter visto Eduardo Tito Cruz vivo antes dele morrer com uma bala na nuca.
A denúncia é retirada no Peru, mas a Corte InterAmericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, na Costa Rica, decide em 2015 que Cruz foi vítima de uma "execução extrajudicial" e que os direitos humanos de Victor Peceros e Herma Meléndez foram violados.
Em 1997, o presidente Alberto Fujimori ordena um ataque de forças especiais à residência do embaixador do Japão no Peru, tomada por guerrilheiros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru, no qual morrem os 14 rebeldes e um ministro da Corte Suprema, Carlos Giusti.
O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori, de 72 anos, condenado a 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra os direitos humanos, foi hospitalizado hoje. Em março, ele foi operado pela quarta vez de uma lesão pré-cancerosa na língua chamada de leucoplasia.
Fujimori governou o Peru de 1990 a 2000. Em 5 de abril de 1992, deu um golpe de Estado, dissolveu o Congresso e fechou o Supremo Tribunal. Vangloria-se de ter derrotado a inflação e os grupos terroristas de esquerda Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Tupac Amaru.
Por pouco sua filha, a deputada Keiko Fujimori, não foi eleita presidente no domingo passado. Pesou contra a alegação de que daria um indulto ao pai. Nas últimas semanas, ele chegou a receber 300 visitas por dia, articulando a campanha da filha para o segundo turno.
O presidente eleito, Ollanta Humala, admitiu conceder indulto a Fujimori por razões humanitárias, se suas condições de saúde forem realmente graves.
Guerrilheiros suspeitos de pertenceram ao grupo esquerdista Sendero Luminoso mataram 13 militares em duas emboscadas no vale do Rio Apurimac, no Sudeste do Peru, uma região produtora de coca.
De 1980 a 1992, o Sendero Luminoso, um grupo comunista marxista-leninista de orientação maoísta, enfrentou o Estado peruano numa guerra de guerrilhas em que morreram cerca de 75 mil pessoas, marcada por atrocidades cometidas tanto pelos guerrilheiros como pelas forças de segurança do Peru.
O ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) acaba de ser condenado a 25 anos de prisão por formação de esquadrão da morte, sequestro e assassinato na luta contra o Sendero e o Movimento Revolucionário Tupac Amarú (MRTA), outro grupo armado comunista.
Em sua defesa, ele declarou ter orgulho de ter vencido a guerra civil contra as guerrilhas esquerdistas. Mas o Sendero Luminoso voltou à atividade na Amazônia peruana e está usando o tráfico de cocaína como fonte de renda para financiar a luta armada.