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sábado, 26 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 26 de Julho

NASCE UM REI DO ROCK

    Em 1943, nasce em Dartford, Kent, na Inglaterra, Michael Philip Jagger, mais conhecido como Mick Jagger, cantor, compositor e líder dos Rolling Stones, que faz 82 anos rocking and rolling.

A banda inspirada pelo blues dos Estados Unidos nasce em 1962, batizada por Brian Jones, rivaliza com os Beatles e bate todos os recordes de longevidade do rock.

 
SEGURANÇA NACIONAL NA GUERRA FRIA

    Em 1947, o presidente Harry Truman sanciona a Lei de Segurança Nacional dos Estados Unidos criando a Força Aérea, o Conselho de Segurança Nacional e a CIA (Agência Central de Inteligência).

No início da Guerra Fria contra a União Soviética, os EUA reforçam o aparelho de segurança nacional, com uma estrutura que seria copiada pela ditadura militar brasileira com o CSN e o SNI (Serviço Nacional de Informações).

MORTE DE EVITA

    Em 1952, María Eva Duarte de Perón, a Evita, a mulher mais importante da história argentina, segunda esposa do caudilho Juan Domingo Perón, morre de câncer aos 33 anos e é mitificada como a mãe dos pobres e descamisados. Os dois são até hoje as personagens dominantes da política argentina.

Filha ilegítima de uma cozinheira, Evita nasce pobre em 1919 em Los Toldos, no interior da província de Buenos Aires. Aos 16 anos, vai para a capital argentina, onde trabalha como modelo, atriz de teatro, cinema e radioteatro.

Ela conhece Perón num evento beneficente no Luna Park em 22 de janeiro de 1944, quando ele era vice-presidente, ministro do Trabalho e ministro da Guerra. 

Outra atriz sentada ao lado do coronel Perón se levanta e Evita não perde a oportunidade. Senta ao lado dele e diz uma frase histórica: "Coronel, obrigada por existir." Eles viram amantes.

Sob pressão da ala conservadora do Exército, Perón é demitido em 9 de outubro de 1945 e preso quatro dias depois. Uma onda de protestos populares organizados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) com a participação de Evita, então apenas uma atriz, força a sua libertação em 17 de outubro, festejado como o Dia da Lealdade, uma data magna do peronismo.

Naquele dia, Perón faz seu primeiro discurso triunfante na janela da Casa Rosada diante de uma multidão reunida na Praça de Maio, ao lado de Evita, com quem se casa quatro dias depois.

Com os votos de mais de 1,5 milhão de argentinos, 53% do eleitorado, Perón é eleito presidente da Argentina em 24 de fevereiro de 1946.

Evita cuida das obras sociais do governo. É ministra do Trabalho e do Bem-Estar Social e preside a Fundação Eva Perón, criada em 1948, com orçamento anual de US$ 50 milhões, que distribui generosamente dinheiro, empregos e moradia para os descamisados, os migrantes vindos do interior.

Em entrevista ao escritor Tomás Eloy Martínez, em 1970, Perón declara que “Evita foi uma criação minha”, negando que a imagem de sua segunda mulher tenha se tornado maior do que a dele. Essa posição é defendida hoje por peronistas que acusam a oligarquia argentina de inflar o mito de Evita para torná-la maior do que o caudilho.

A primeira-dama é fundamental na campanha para a introdução do voto feminino, em 1947. Chega a ser cotada como candidata a vice-presidente, mas enfrenta forte resistência dos conservadores e militares.

Um grande comício realizado pela CGT em 22 de agosto de 1951 é insuficiente para virar o jogo. Depois de uma tentativa de golpe em 28 de setembro, a candidatura de Evita é abandonada. Em 11 de novembro de 1951, Perón é reeleito com 63,5% dos votos.

SANTA EVITA
Uma espécie de cinderela vingadora, Eva Perón morre de câncer no útero menos de um ano depois, em 26 de julho de 1952, no auge de sua popularidade. É convertida numa santa.

Seu funeral dura quatro dias para que todos possam dar adeus à mãe dos pobres. De maio de 1952 a julho de 1954, dois anos depois de sua morte, o Vaticano recebe mais de 40 mil cartas pedindo a canonização de Evita.

Mais da metade das meninas nascidas em algumas províncias argentinas naquela época foram batizadas Eva ou María Eva. As adolescentes pintavam o cabelo de louro. Evita ditava a moda.

DISPUTA PELO CADÁVER
Quando Evita morre, o plano é construir um memorial em sua homenagem. Ela seria enterrada na base de um monumento aos descamisados. Como o líder da revolução comunista na Rússia, Vladimir Lenin, seu corpo embalsamado ficaria em exposição ao público.

Antes da conclusão da obra, Perón é derrubado por golpe militar, a Revolução Libertadora de 16 de setembro de 1955. Foge sem se preocupar com a múmia de Evita, que desaparece da sede da CGT, em Buenos Aires, onde ficara. De 1955 a 1971, o peronismo é proscrito na Argentina. É proibido ter fotos de Eva e Juan Perón em casa e até mesmo citar seus nomes.

Em 1957, com a ajuda do Vaticano, o cadáver de Evita é retirado da Argentina e enterrado com nome falso na Itália.

Só em 1971 os militares revelam que a ex-primeira-dama está enterrada numa cripta em Milão, na Itália, com o nome de María Maggi. Naquele ano, o corpo é exumado e entregue ao general Perón no exílio na Espanha.

Depois da morte de Perón, em 1974, a terceira mulher do caudilho, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume o governo e repatria os restos mortais de Evita, que fica um tempo ao lado dos restos de Perón na Quinta de Olivos, residência oficial dos presidentes da Argentina. Sem o talento político de EvitaIsabelita não se sustenta no cargo.

Com o golpe militar de março de 1976, mais uma vez os peronistas temem pelo destino dos restos mortais da grande líder de massas. Em outubro daquele ano, sob a supervisão da ditadura, o cadáver de Evita é levado de Olivos para o Cemitério da Recoleta, onde estão enterrados os grandes líderes da oligarquia argentina, e sepultado no mausoléu da família Duarte.

Até hoje, os dois cadáveres assombram e dominam a política argentina.

ASSALTO AO QUARTEL DE MONCADA

    Em 1953, o jovem advogado Fidel Castro e outros 165 homens assaltam o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, no primeiro salvo a Revolução Cubana. A maioria dos rebeldes morre.

Fidel é preso e condenado a 15 anos de prisão. Durante o julgamento, profere uma frase famosa: "A história me absolverá."

Anistiado em 1955, Fidel vai para o México, de onde volta no iate Granma com 83 homens e inicia, em 2 de dezembro de 1956, e inicia na Sierra Maestra uma guerrilha contra a ditadura de Fulgencio Batista, vitoriosa em 1º de janeiro de 1959.

Em abril de 1961, exilados cubanos tentam a Invasão da Baía dos Porcos, com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA). O fracasso aproxima ainda mais Cuba da União Soviética, que tenta instalar mísseis nucleares na ilha.

A Crise dos Mísseis em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, é o momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear entre as duas superpotências. 

Os EUA estão prestes a invadir Cuba quando o líder soviético, Nikita Kruschev, aceita retirar os mísseis. Em troca, o presidente norte-americano, John Kennedy, retira mísseis obsoletos da Turquia e faz um acordo tácito para não invadir a ilha, que deixa de servir de base para ataques aos EUA.

Com o fim da URSS, em 1991, Cuba passa anos de grave crise econômica até receber o apoio da Venezuela de Hugo Chávez (1999-2013). Hoje, com o declínio do regime chavista sob Nicolás Maduro, enfrenta séria crise, com escassez de remédios e alimentos em plena pandemia, que seca o setor de turismo, uma das principais fontes de moedas fortes em Cuba.

Fidel fica no poder até 31 de julho de 2006, quando sofre uma grave hemorragia intestinal e transfere o comando da revolução para seu irmão Raúl Castro, que por sua vez é sucedido por Miguel Díaz Canel, presidente desde 19 de abril de 2018 e líder do Partido Comunista desde 19 de abril de 2021.

EGITO TOMA CANAL DE SUEZ

    Em 1956, o ditador do Egito, Gamal Abdel Nasser, ocupa e nacionaliza o Canal de Suez, torna-se o líder do pan-arabismo e provoca uma guerra em que Israel, a França e o Reino Unido invadem partes do território egípcio.

O canal de 163 quilômetros ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho é construído entre 1859 e 1869. Tem importância estratégica porque permite que embarcações vão da Europa à Ásia sem ter de contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança. 

No fim da obra, que custa a vida de 125 mil egípcios, o canal é propriedade do Egito e da França. A dívida externa do Egito força o país a vender sua parte do canal ao Reino Unido. Tropas britânicas se instalam na região em 1882 para proteger a nova propriedade.

A Crise de Suez começa quando os Estados Unidos e o Reino Unido se negam a financiar a construção da Barragem de Assuã porque Nasser se aproxima da União Soviética e da Tcheco-Eslováquia para comprar as armas que o Ocidente não quis lhe vender e reconhece a República Popular da China, a China Comunista.

O ditador egípcio toma o canal por acreditar que a cobrança de pedágio dos navios que o atravassem dará o dinheiro necessário para construir a barragem. Anuncia a nacionalização do canal num discurso em Alexandria em 26 de julho de 1956. Também fecha o Estreito de Tiran e o Golfo de Ácaba.

Em 29 de outubro, Israel invade o canal com o apoio da França e do Reino Unido para reabrir o estreito e o golfo, cujo fechamento isola o porto israelense de Eilat. Forças britânicas e francesas também entram na região ao lado de Israel.

Sob pressão dos EUA, da URSS e das Nações Unidas, os três invasores se retiram e a guerra acaba em 7 de novembro. Em plena Revolução Húngara de 1956 contra a dominação soviética, o governo Dwight Eisenhower não quer outro conflito. Retira o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) às economias da França e do Reino Unido, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45). É uma humilhação e um marco da derrocada final dos impérios Britânico e Francês. 

domingo, 29 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 29 de Junho

ALEMANHA TOMA RIGA E CERCA MINSK

     Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha Nazista invade a União Soviética em três frentes, toma Riga, a capital da Letônia, no Norte, e cerca o exército inimigo em Minsk, a capital da Bielorrússia.

Apesar do Pacto Germano-Soviético, um tratado de não agressão assinado em 23 de agosto de 1939 para adiar um confronto direto, dividir a Polônia e deixar a URSS tomar as repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia), o ditador Josef Stalin considera inevitável a guerra contra a Alemanha por causa da incompatibilidade ideológica entre comunismo e nazismo. Mas acredita que Adolf Hitler não ordenaria a invasão antes de conquistar o Reino Unido. É surpreendido.

Depois de perder a Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea travada de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, com o resto da Europa Ocidental sob seu controle, Hitler se volta para a frente oriental. Ao invadir a URSS, comete seu maior erro, que custa a derrota e a vida. Como Napoleão Bonaparte em 1812, subestima a capacidade de resistência e luta do povo russo.

Em 22 de junho de 1941, 150 divisões alemãs entram na pátria do comunismo com a cobertura da Luftwaffe, a Força Aérea nazista, que tem superioridade aérea, e avançam em três frentes: ao norte, rumo a Leningrado, hoje São Petersburgo; no centro, em direção a Moscou; ao sul, para Kiev, a capital da Ucrânia.

Com a ajuda de seus aliados finlandeses e romenos, a blitzkrieg, a guerra-relâmpago baseada na aviação e em tanques de alta velocidade, logo conquista uma grande área do território soviético. Em 29 de junho, caem Riga e Ventspils, na Letônia, 200 aviões soviéticos são abatidos e os alemães fecham o cerco a três exércitos inimigos.

É um duelo entre os maiores ditadores da história. De um lado, os generais alemães advertem Hitler de que não têm condições de cuidar de prisioneiros durante a invasão da URSS. Os inimigos presos seriam sumariamente executados. Por outro lado, Stalin não aceita a rendição nem o recuo. Quem recua é executado.

Em meados de outubro, Moscou e Leningrado estão sitiadas. O Cerco de Leningrado é uma das grandes batalhas da Segunda Guerra Mundial. Dura quase 900 dias, de 8 de Setembro de 1941 a 27 de Janeiro de 1944. A cidade passa fome. Os pais não deixam os filhos saírem de casa porque há um mercado negro de carne humana. 

A perda da Batalha de Moscou, travada de 30 de setembro de 1941 a 20 de abril de 1942, é a primeira derrota alemã na guerra.

A ofensiva nazista é contida na frente sul, na Batalha de Stalingrado, talvez a mais importante da história, travada de 23 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, com quase 2 milhões de mortes. A partir daí, o Exército Vermelho lança a contraofensiva que termina em Berlim em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa.

BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO

    Em 1958, a seleção brasileira conquista sua primeira Copa do Mundo ao vencer a Suécia em Estocolmo por 5-2, com craques como Pelé, de apenas 17 anos, Garrincha, Didi, eleito o melhor da Copa, e Nílton Santos. Com 6 gols, Pelé é a revelação.

Na estreia, em 8 de junho, o Brasil vence a Áustria por 3-0, com dois gols de Mazzola e um de Nílton Santos. O segundo jogo, em 11 de junho, é um empate de 0-0 com a Inglaterra. O terceiro adversário é a União Soviética, com seu "futebol científico".

Em conversa com Didi no hotel o técnico Vicente Feola aparenta tranquilidade. Didi não tem a mesma segurança e adverte: "Está todo o mundo com medo. Se o senhor não botar o Mané e o Pelé, será muito difícil." O Brasil precisa da vitória.

Ao dar as instruções no hotel, Garrincha disse sua frase mais famosa: "O senhor combinou com os russos?" Não precisa. O jogo, disputado em 15 de junho, revela Pelé e Garrincha ao mundo. Garrincha acaba com seu marcador, Kusnetsov e é chamado de "melhor reserva do mundo".

Com três minutos, talvez os mais eletrizantes da história do futebol, o Brasil chuta duas bolas na trave e abre o placar. No final, ganha por 2-0.

Contra o País de Gales, em 19 de junho, Pelé marca o gol mais importante de sua carreira, furando uma retranca obstinada: 1-0.

No Dia de São João, 24 de junho, o Brasil vence a semifinal contra a favorita França por 5-2, com dois gols anulados, de Zagallo e Garrincha, pelo juiz Benjamin Griffiths, do País de Gales, muito criticado pela imprensa brasileira. É o jogo do melhor ataque contra a melhor defesa. O Brasil leva seus primeiros gols. Vavá, Didi e Pelé (3) marcam para o Brasil. Just Fontaine, o maior artilheiro de uma Copa do Mundo, com 13 gols, e Roger Piantoni, descontam para a França.

A final é disputada no Dia de São Pedro, 29 de junho. A Suécia sai na frente aos 4 minutos, com gol de Nils Liedholm, de 35 anos, o jogador mais velho a marcar numa final de Copa do Mundo. Didi, o líder da equipe, pega a bola no fundo da rede e caminha até o centro do campo com uma ideia na cabeça: passar a bola para o Mané.

Com dois gols de Vavá em cruzamentos de Garrincha, o Brasil vira no primeiro tempo. Aos 10 minutos do segundo tempo, Pelé dá um chapéu num zagueiro se torna o jogador mais jovem a marcar numa final de Copa. Zagallo aumenta para 4-1. Simonsen desconta para a Suécia e Pelé fecha o placar de cabeça no último lance do jogo. Brasil 5-2.  

MICK E KEITH NO BANCO DOS RÉUS

    Em 1967, Mick Jagger e Keith Richards, os líderes dos Rolling Stones, são levados a julgamento por uso de drogas depois de uma batida policial numa casa de Richards.


A promotora atribui o fato de Marianne Faithful, namorada de Jagger, vestir apenas uma pele de urso ao uso de maconha. Keith considera normal e responde: "Não somos velhos. Não estamos preocupados com um moralismo mesquinho." Vira um dos porta-vozes da geração rebelde dos anos 1960.

Mick é preso com quatro comprimidos de anfetamina que havia comprado na Itália. É condenado a três meses de cadeia com direito a recorrer em liberdade. 

O caso de Keith é mais grave. Ele é acusado de deixar usarem sua casa para consumo de drogas. É condenado e sentenciado a um ano de prisão. 

No dia da sentença, sai direto do tribunal para a prisão de Wormwood Scrubs. É recebido pelos outros presos como um astro do rock. E só fica uma noite. No dia seguinte, consegue liberdade mediante pagamento de fiança.

Mais tarde, o caso é anulado porque a tentativa de associar a seminudez de Marianne Faithful ao consumo de drogas é considerada preconceituosa.

Anos depois, ao falar sobre o consumo de substâncias ilícitas, Keith declara: "Nunca tive problemas com drogas. Tive problemas com a polícia."

PUNIÇÃO CRUEL E INCOMUM

    Em 1972, por 5 a 4, a Suprema Corte considera inconstitucional a pena de morte do jeito em que é aplicada, por violar a Emenda nº 8 à Constituição dos Estados Unidos como "punição cruel e incomum".

Não é uma vitória dos defensores da abolição da pena capital. O supremo tribunal federal norte-americano sugere que pode aceitá-la se houver padrões uniformes para júris e juízes decidirem e métodos menos cruéis de execução.

Com 66% dos americanos a favor da pena de morte na época, em 1976, a Suprema Corte restabelece a pena morte. O primeiro executado, no ano seguinte, é Gary Gilmore, condenado no ultraconservador estado de Utah por matar um casal de idosos que se nega a lhe emprestar um carro.

ISABELITA ASSUME A PRESIDÊNCIA

    Em 1974, a vice-presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume a Presidência da Argentina diante do estado terminal do marido Juan Domingo Perón, o líder populista que até hoje, 51 anos depois de sua morte, em 1º de julho daquele ano, domina a política do país.

O coronel Perón participa de um golpe militar em 1943. Vira ministro do Trabalho e depois vice-presidente e ministro da Guerra. Afastado em 9 de outubro de 1945 num golpe dentro do golpe, volta nos braços do povo (sonho de todo populista) sob pressão dos sindicatos e de sua carismática amante, a atriz María Eva Duarte, a Evita. 

Em 17 de outubro, a data magna do peronismo, o Dia da Lealdade, Perón é solto e faz seu primeiro discurso do balcão da Casa Rosada para uma multidão estimada em 300 mil pessoas. Quatro dias depois, Perón, que é viúvo, casa com Evita, formando o casal que até hoje domina a política argentina.

Com a promessa de um salariaço aos trabalhadores, Perón é eleito presidente com 52,4% dos votos em 1946. O aumento no salário salarial deflagra uma grande alta no consumo: as vendas de fogões aumentam 106%, de geladeiras 218%, de calçados 133%, de discos fonográficos 200% e de rádios 600%, incentivadas por programas de redistribuição da renda e de crédito barato. Entre 1945 e 1948, a economia cresce a um recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais aumentam 46%.

Perón é reeleito com 62% votos em 1951. Evita chega a ser cotada para vice. Sob pressão conservadora, não é indicada. Ela morre aos 33 anos, em 26 de julho de 1952, de câncer de útero, como a primeira mulher de Perón, Aurelia Tizón.

A terceira mulher de Perón, Isabelita, 35 anos mais moça do que ele, é bailarina no Panamá quando conhece o general, no Natal de 1955. Perón está exilado depois do golpe militar de 16 de setembro daquele ano, que os golpistas chamam de Revolução Libertadora.

Atraído por sua beleza, o general vê nela a companheira de que sente falta desde a morte da segunda mulher, sua grande paixão. Perón volta à Argentina em 1973 e ganha a eleição para um terceiro governo de menos de nove meses em meio a uma crise econômica e política, com uma guerra civil entre grupos guerrilheiros de esquerda e grupos paramilitares de extrema direita.

A tentativa de transformar Isabelita numa segunda Evita, dando-lhe a vice-presidência e o governo quando Perón morre, leva a uma tragédia, ao golpe militar de 24 de março de 1976 e à ditadura sanguinária que mata 30 mil argentinos até ser derrotada e humilhada pelos britânicos na Guerra das Malvinas (1982). A democracia volta à Argentina com a eleição de Raúl Alfonsín, empossado em 10 de dezembro de 1983.

ATLANTIS SE ACOPLA À ESTAÇÃO MIR

    Em 1995, a nave espacial norte-americana Atlantis se acopla à estação espacial russa Mir para formar o maior satélite artificial da Terra. É um momento histórico de cooperação entre os antigos inimigos da Guerra Fria.


São seis da manhã pelo horário da costa leste dos Estados Unidos quando a nave com seis tripulantes se aproxima da estação espacial a cerca de 392 quilômetros da Terra, na altura da fronteira entre a Rússia e a Mongólia. Os três cosmonautas russos transmitem canções folclóricas da Rússia como um gesto de boas-vindas.

O comandante da Atlantis, Robert Gibson, manobra durante duas horas para realizar o acoplamento. Tem de aproximar a nave de 100 toneladas até uma distância de menos de três polegadas (7,62 centímetros) a uma velocidade de não mais do que 3 cm/seg.

Na época, o diretor da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA), Daniel Goldin, saúda o encontro no espaço como marco do "início de uma nova era de cooperação e amizade" entre a Rússia e os EUA. O projeto tem mais 11 missões. É decisivo para a construção da Estação Espacial Internacional que está em órbita hoje.

CALIFADO UNIVERSAL

    Em 2014, o líder da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Abu Baker al-Baghdadi, proclama na Grande Mesquita de Mossul, no Iraque, a fundação de um califado com jurisdição universal baseado inicialmente nos territórios conquistados pelo grupo na Síria e no Iraque, mas destinado a converter o mundo inteiro ao fundamentalismo islâmico sunita, ao salafismo. Muda o nome do grupo terrorista para Estado Islâmico.

O Estado Islâmico é filho da rede Al Caeda no Iraque, fruto da infiltração do grupo terrorista de Ossama ben Laden no país depois da invasão norte-americana de março de 2003. Em 15 de outubro de 2006, vira Estado Islâmico do Iraque. Com a guerra civil iniciada em março de 2011 na Síria e a expansão de sua área de atuação, em 8 de abril de 2013, torna-se Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A conquista de Mossul, a terceira maior cidade do Iraque e origem da palavra muçulmano, em 10 de junho de 2014, leva o califado a sua maior expansão, com controle de uma área com pelo menos 8 milhões de pessoas na Síria e no Iraque, onde implanta um reino do terror, com escravização de mulheres, execução sumária de homossexuais e soldados inimigos.

Em agosto de 2014, quando o Estado Islâmico comete genocídio contra o povo yazidi no Iraque e degola o norte-americano James Foley, o presidente Barack Obama declara guerra ao grupo terrorista. Sob pressão de bombardeios dos Estados Unidos, da Rússia, da França e do Reino Unido, em 13 de novembro de 2015, os jihadistas aterrorizam Paris e matam 130 pessoas.

O último bastião do Estado Islâmico é derrotado em 23 de março de 2019 na Batalha de Baghuz Fauqani. Al-Baghdadi é morto em 27 de outubro de 2019 numa operação militar de forças especiais dos EUA. Mas o Estado Islâmico sobrevive nas prisões, na clandestinidade e em outros países como o Afeganistão, na Rússia e na África. 

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Adeus, Marianne Faithfull!

Musa dos anos 1960 sai de cena com um legado formidável

Linda, inteligente, culta, nada recatada e muito menos do lar. Era uma mulher do mundo. Marianne Faithfull foi musa e diva da Londres trepidante dos anos 1960. Namorada de Mick Jagger, saía para a noite com Mick, Keith Richards, John Lennon, Paul McCartney e outras estrelas do rock. Aos 17 anos, a interpretação com voz suave, melancólica e carinhosa de As Tears Go By, de Jagger e Richards, que ainda não havia sido gravada pelos Rolling Stones, a lançou ao estrelato. Essa voz eterna se calou na quinta-feira, 30 de janeiro, aos 78 anos. 

Marianne e Anita Pallenberg, namorada de Brian Jones e mulher de Keith Richards, foram as mulheres que fizeram a cabeça dos Rolling Stones e se tornaram símbolos da rebeldia dos loucos anos 1960. Dizem que Keith Richards era um bundão antes de Anita, uma atriz e modelo ítalo-alemã, a Rainha Negra de Sogo, a vilã do filme Barbarella (1968), de Roger Vadim, estrelado por Jane Fonda. 

Filha de uma baronesa austríaca da dinastia dos Habsburgo e de um major do serviço de inteligência britânica, Marianne Faithfull nasceu 29 de dezembro de 1947 em Hampstead, um bairro de classe média alta e intelectuais do Norte de Londres. Foi atriz de Jean-Luc Godard em Made in USA (1966). Foi A Garota da Motocicleta (1968), contracenando com Alain Delon, Ofélia em Hamlet (1969) e a imperatriz Maria Teresa da Áustria em Maria Antonieta (2006), de Sofia Coppola. 

Quando a polícia prende Mick e Keith por posse e uso de drogas, em 1967, a promotora associa o fato de Marianne estar nua, coberta apenas por um tapete de pele de urso, Keith considera normal e responde: "Não somos velhos. Não estamos preocupados com um moralismo mesquinho." Vira um dos porta-vozes da geração rebelde dos anos 1960.

Mick e Keith saem com a imagem de meninos maus cultivada pelo marketing dos Rolling Stones fortalecida. Marianne, nas palavras dela, sai "diminuída, humilhada e espezinhada".

Mais tarde, o caso é anulado porque a tentativa de associar a seminudez de Marianne Faithfull ao consumo de drogas é considerada preconceituosa. 

Ela perde um filho de Mick e se afunda em álcool e drogas, inclusive heroína. Durante alguns anos, vaga pelas ruas do Soho, no centro de Londres. 

 Jagger e Richards usam seus versos em Wild Horses e You Can’t Always Get What You Want. Marianne ressurge com uma segunda voz rouca em Sister Morphine, em 1979, e depois processa os Rolling Stones para que reconheçam a coautoria. 

A influência mais forte de sua poesia vem da Geração Beat. Marianne Faithfull “aprende a escrever na escola de Jack Kerouac de poesia desencarnada, na Universidade Naropa, no Colorado”, escreveu o jornal francês Libération, que colocou a jovem Marianne na capa na sexta-feira. 

O poeta beat Allen Ginsburg corrigia seus textos: “Allen ne ensinou tanto sobre William Blake e Walt Whitman, mas principalmente me ensinou a meditar. Sou eternamente grata a ele, era uma das pessoas mais queridas no meu coração.” 

Em 2009, tive a oportunidade de assistir a um show de Marianne Faithfull no Royal Festival Hall. Havia perdido a beleza da juventude para o álcool e as drogas, mas dado a volta por cima como uma grande dama da canção com uma voz rascante que vendeu milhares de discos e lhe valeu a indicação para um Prêmio Grammy. 

Adeus, Marianne Faithfull! Às vezes, parece que o mundo era muito mais inteligente e mais interessante, e certamente muito mais louco, de uma loucura que às vezes levava à lucidez, mas cobrava seu preço.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Hoje na História do Mundo: 26 de Julho

NASCE UM REI DO ROCK

    Em 1943, nasce em Dartford, Kent, na Inglaterra, Michael Philip Jagger, mais conhecido como Mick Jagger, cantor, compositor e líder dos Rolling Stones, que faz 81 anos rocking and rolling.

A banda inspirada pelo blues dos Estados Unidos nasce em 1962, batizada por Brian Jones, rivaliza com os Beatles e bate todos os recordes de longevidade do rock.

 
SEGURANÇA NACIONAL NA GUERRA FRIA

    Em 1947, o presidente Harry Truman sanciona a Lei de Segurança Nacional dos Estados Unidos criando a Força Aérea, o Conselho de Segurança Nacional e a CIA (Agência Central de Inteligência).

No início da Guerra Fria contra a União Soviética, os EUA reforçam o aparelho de segurança nacional, com uma estrutura que seria copiada pela ditadura militar brasileira com o CSN e o SNI (Serviço Nacional de Informações).

MORTE DE EVITA

    Em 1952, María Eva Duarte de Perón, a Evita, a mulher mais importante da história argentina, segunda esposa do caudilho Juan Domingo Perón, morre de câncer aos 33 anos e é mitificada como a mãe dos pobres e descamisados. Os dois são até hoje as personagens dominantes da política argentina.

Filha ilegítima de uma cozinheira, Evita nasce pobre em 1919 em Los Toldos, no interior da província de Buenos Aires. Aos 16 anos, vai para a capital argentina, onde trabalha como modelo, atriz de teatro, cinema e radioteatro.

Ela conhece Perón num evento beneficente no Luna Park em 22 de janeiro de 1944, quando ele era vice-presidente, ministro do Trabalho e ministro da Guerra. 

Outra atriz sentada ao lado do coronel Perón se levanta e Evita não perde a oportunidade. Senta ao lado dele e diz uma frase histórica: "Coronel, obrigada por existir." Eles viram amantes.

Sob pressão da ala conservadora do Exército, Perón é demitido em 9 de outubro de 1945 e preso quatro dias depois. Uma onda de protestos populares organizados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) com a participação de Evita, então apenas uma atriz, força a sua libertação em 17 de outubro, festejado como o Dia da Lealdade, uma data magna do peronismo.

Naquele dia, Perón faz seu primeiro discurso triunfante na janela da Casa Rosada diante de uma multidão reunida na Praça de Maio, ao lado de Evita, com quem se casa quatro dias depois.

Com os votos de mais de 1,5 milhão de argentinos, 53% do eleitorado, Perón é eleito presidente da Argentina em 24 de fevereiro de 1946.

Evita cuida das obras sociais do governo. É ministra do Trabalho e do Bem-Estar Social e preside a Fundação Eva Perón, criada em 1948, com orçamento anual de US$ 50 milhões, que distribui generosamente dinheiro, empregos e moradia para os descamisados, os migrantes vindos do interior.

Em entrevista ao escritor Tomás Eloy Martínez, em 1970, Perón declara que “Evita foi uma criação minha”, negando que a imagem de sua segunda mulher tenha se tornado maior do que a dele. Essa posição é defendida hoje por peronistas que acusam a oligarquia argentina de inflar o mito de Evita para torná-la maior do que o caudilho.

A primeira-dama é fundamental na campanha para a introdução do voto feminino, em 1947. Chega a ser cotada como candidata a vice-presidente, mas enfrenta forte resistência dos conservadores e militares.

Um grande comício realizado pela CGT em 22 de agosto de 1951 é insuficiente para virar o jogo. Depois de uma tentativa de golpe em 28 de setembro, a candidatura de Evita é abandonada. Em 11 de novembro de 1951, Perón é reeleito com 63,5% dos votos.

SANTA EVITA
Uma espécie de cinderela vingadora, Eva Perón morre de câncer no útero menos de um ano depois, em 26 de julho de 1952, no auge de sua popularidade. É convertida numa santa.

Seu funeral dura quatro dias para que todos possam dar adeus à mãe dos pobres. De maio de 1952 a julho de 1954, dois anos depois de sua morte, o Vaticano recebe mais de 40 mil cartas pedindo a canonização de Evita.

Mais da metade das meninas nascidas em algumas províncias argentinas naquela época foram batizadas Eva ou María Eva. As adolescentes pintavam o cabelo de louro. Evita ditava a moda.

DISPUTA PELO CADÁVER
Quando Evita morre, o plano é construir um memorial em sua homenagem. Ela seria enterrada na base de um monumento aos descamisados. Como o líder da revolução comunista na Rússia, Vladimir Lenin, seu corpo embalsamado ficaria em exposição ao público.

Antes da conclusão da obra, Perón é derrubado por golpe militar, a Revolução Libertadora de 16 de setembro de 1955. Foge sem se preocupar com a múmia de Evita, que desaparece da sede da CGT, em Buenos Aires, onde ficara. De 1955 a 1971, o peronismo é proscrito na Argentina. É proibido ter fotos de Eva e Juan Perón em casa e até mesmo citar seus nomes.

Em 1957, com a ajuda do Vaticano, o cadáver de Evita é retirado da Argentina e enterrado com nome falso na Itália.

Só em 1971 os militares revelam que a ex-primeira-dama está enterrada numa cripta em Milão, na Itália, com o nome de María Maggi. Naquele ano, o corpo é exumado e entregue ao general Perón no exílio na Espanha.

Depois da morte de Perón, em 1974, a terceira mulher do caudilho, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume o governo e repatria os restos mortais de Evita, que fica um tempo ao lado dos restos de Perón na Quinta de Olivos, residência oficial dos presidentes da Argentina. Sem o talento político de EvitaIsabelita não se sustenta no cargo.

Com o golpe militar de março de 1976, mais uma vez os peronistas temem pelo destino dos restos mortais da grande líder de massas. Em outubro daquele ano, sob a supervisão da ditadura, o cadáver de Evita é levado de Olivos para o Cemitério da Recoleta, onde estão enterrados os grandes líderes da oligarquia argentina, e sepultado no mausoléu da família Duarte.

Até hoje, os dois cadáveres assombram e dominam a política argentina.

ASSALTO AO QUARTEL DE MONCADA

    Em 1953, o jovem advogado Fidel Castro e outros 165 homens assaltam o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, no primeiro salvo a Revolução Cubana. A maioria dos rebeldes morre.

Fidel é preso e condenado a 15 anos de prisão. Durante o julgamento, profere uma frase famosa: "A história me absolverá."

Anistiado em 1955, Fidel vai para o México, de onde volta no iate Granma com 83 homens e inicia, em 2 de dezembro de 1956, na Sierra Maestra, uma guerrilha contra a ditadura de Fulgencio Batista, vitoriosa em 1º de janeiro de 1959.

Em abril de 1961, exilados cubanos tentam a Invasão da Baía dos Porcos, com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA). O fracasso aproxima ainda mais Cuba da União Soviética, que tenta instalar mísseis nucleares na ilha.

A Crise dos Mísseis em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, é o momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear entre as duas superpotências. 

Os EUA estão prestes a invadir Cuba quando o líder soviético, Nikita Kruschev, aceita retirar os mísseis. Em troca, o presidente norte-americano, John Kennedy, retira mísseis obsoletos da Turquia e faz um acordo tácito para não invadir a ilha, que deixa de servir de base para ataques aos EUA.

Com o fim da URSS, em 1991, Cuba passa anos de grave crise econômica até receber o apoio da Venezuela de Hugo Chávez (1999-2013). Hoje, com o declínio do regime chavista sob Nicolás Maduro, enfrenta séria crise, com escassez de remédios e alimentos em plena pandemia, que secou o turismo, uma das principais fontes de moedas fortes em Cuba.

Fidel fica no poder até 31 de julho de 2006, quando sofre uma grave hemorragia intestinal e transfere o comando da revolução para seu irmão Raúl Castro, que por sua vez é sucedido por Miguel Díaz Canel, presidente desde 19 de abril de 2018 e líder do Partido Comunista desde 19 de abril de 2021.

EGITO TOMA CANAL DE SUEZ

    Em 1956, o ditador do Egito, Gamal Abdel Nasser, ocupa e nacionaliza o Canal de Suez, torna-se o líder do pan-arabismo e provoca uma guerra em que Israel, a França e o Reino Unido invadem partes do território egípcio.

O canal de 163 quilômetros ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho é construído entre 1859 e 1869. Tem importância estratégica porque permitia que embarcações vão da Europa à Ásia sem ter de contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança. 

No fim da obra, que custa a vida de 125 mil egípcios, o canal é propriedade do Egito e da França. A dívida externa do Egito força o país a vender sua parte do canal ao Reino Unido. Tropas britânicas se instalam na região em 1882 para proteger a nova propriedade.

A Crise de Suez começa quando os Estados Unidos e o Reino Unido se negam a financiar a construção da Barragem de Assuã porque Nasser se aproxima da União Soviética e da Tcheco-Eslováquia para comprar as armas que o Ocidente não quis lhe vender e reconhece a República Popular da China, a China Comunista.

O ditador egípcio toma o canal por acreditar que a cobrança de pedágio dos navios que o atravassem dará o dinheiro necessário para construir a barragem. Anuncia a nacionalização do canal num discurso em Alexandria em 26 de julho de 1956. Também fecha o Estreito de Tiran e o Golfo de Ácaba.

Em 29 de outubro, Israel invade o canal com o apoio da França e do Reino Unido para reabrir o estreito e o golfo, cujo fechamento isola o porto israelense de Eilat. Forças britânicas e franceses também entram na região.

Sob pressão dos EUA, da URSS e das Nações Unidas, os três invasores se retiram e a guerra acaba em 7 de novembro. Em plena Revolução Húngara de 1956 contra a dominação soviética, o governo Dwight Eisenhower não quer outro conflito. Retira o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) às economias da França e do Reino Unido, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45). É uma humilhação e um marco da derrocada final dos impérios Britânico e Francês.

sábado, 29 de junho de 2024

Hoje na História do Mundo: 29 de Junho

 ALEMANHA TOMA RIGA E CERCA MINSK

     Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), uma semana depois de invadir a União Soviética em três frentes, a Alemanha Nazista toma Riga, a capital da Letônia, no Norte, e cerca o exército inimigo em Minsk, a capital da Bielorrússia.

Apesar do Pacto Germano-Soviético, um tratado de não agressão assinado em 23 de agosto de 1939 para adiar um confronto direto, dividir a Polônia e deixar a URSS tomar as repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia) e a Finlândia, o ditador Josef Stalin considera inevitável a guerra contra a Alemanha por causa da incompatibilidade ideológica entre comunismo e nazismo. Mas acredita que Adolf Hitler não ordenaria a invasão antes de conquistar o Reino Unido. É surpreendido.

Depois de perder a Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea travada de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, com o resto da Europa Ocidental sob seu controle, Hitler se volta para a frente oriental. Ao invadir a URSS, comete seu maior erro, que custa a derrota e a vida. Como Napoleão Bonaparte em 1812, subestima a capacidade de resistência e luta do povo russo.

Em 22 de junho de 1941, 150 divisões alemãs entram na pátria do comunismo com a cobertura da Luftwaffe, a Força Aérea nazista, que tinha superioridade aérea, e avançam em três frentes: ao norte, rumo a Leningrado, hoje São Petersburgo; no centro, em direção a Moscou; ao sul, para Kiev, a capital da Ucrânia.

Com a ajuda de seus aliados finlandeses e romenos, a blitzkrieg, a guerra-relâmpago baseada na aviação e em tanques de alta velocidade, logo conquista uma grande área do território soviético. Em 29 de junho, caem Riga e Ventspils, na Letônia, 200 aviões soviéticos são abatidos e os alemães fecham o cerco a três exércitos inimigos.

É um duelo entre os maiores ditadores da história. De um lado, os generais alemães advertem Hitler de que não têm condições de cuidar de prisioneiros durante a invasão da URSS. Os inimigos presos seriam sumariamente executados. Por outro lado, Stalin não aceita a rendição nem o recuo. Quem recuasse seria executado.

Em meados de outubro, Moscou e Leningrado estão sitiadas. O Cerco de Leningrado foi uma das grandes batalhas da Segunda Guerra Mundial. Durou quase 900 dias, de 8 de Setembro de 1941 a 27 de Janeiro de 1944. A cidade passa fome. Os pais não deixam os filhos saírem de casa porque há um mercado negro de carne humana. 

A perda da Batalha de Moscou, travada de 30 de setembro de 1941 a 20 de abril de 1942, é a primeira derrota alemã na guerra.

A ofensiva nazista é contida na frente sul, na Batalha de Stalingrado, talvez a mais importante da história, travada de 23 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, com quase 2 milhões de mortes. A partir daí, o Exército Vermelho lança a contraofensiva que termina em Berlim em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa.

BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO

    Em 1958, a seleção brasileira conquista sua primeira Copa do Mundo ao vencer a Suécia em Estocolmo por 5-2, com craques como Pelé, de apenas 17 anos, Garrincha, Didi, eleito o melhor da Copa, e Nílton Santos. Com 6 gols, Pelé é a revelação.

Na estreia, em 8 de junho, o Brasil vence a Áustria por 3-0, com dois gols de Mazzola e um de Nílton Santos. O segundo jogo, em 11 de junho, é um empate de 0-0 com a Inglaterra. O terceiro adversário é a União Soviética, com seu "futebol científico".

Em conversa com Didi no hotel, o técnico Vicente Feola aparenta tranquilidade. Didi não tem a mesma segurança e adverte: "Está todo o mundo com medo. Se o senhor não botar o Mané e o Pelé, será muito difícil." O Brasil precisa da vitória.

Ao dar as instruções no hotel, Garrincha disse sua frase mais famosa: "O senhor combinou com os russos?" Não precisa. O jogo, disputado em 15 de junho, revela Pelé e Garrincha ao mundo. Garrincha acaba com seu marcador, Kusnetsov e é chamado de "melhor reserva do mundo.

Com três minutos, talvez os mais eletrizantes da história do futebol, o Brasil chuta duas bolas na trave e abre o placar. No final, ganha por 2-0.

Contra o País de Gales, em 19 de junho, Pelé marca o gol mais importante de sua carreira, furando uma retranca obstinada.

No Dia de São João, 24 de junho, o Brasil vence a semifinal contra a favorita França por 5-2, com dois gols anulados, de Zagalo e Garrincha, pelo juiz Benjamin Griffiths, do País de Gales, muito criticado pela imprensa brasileira. É o jogo do melhor ataque contra a melhor defesa. O Brasil leva seus primeiros gols. Vavá, Didi e Pelé (3) marcam para o Brasil. Just Fontaine, o maior artilheiro de uma Copa do Mundo, com 13 gols, e Roger Piantoni, descontam para a França.

A final é disputada no Dia de São Pedro, 29 de junho. A Suécia sai na frente aos 4 minutos, com gol de Nils Liedholm, de 35 anos, o jogador mais velho a marcar numa final de Copa do Mundo. Didi, o líder da equipe pega a bola no fundo da rede e caminha até o centro do campo com uma ideia na cabeça: passar a bola para o Mané.

Com dois gols de Vavá em cruzamentos de Garrincha, o Brasil vira no primeiro tempo. Aos 10 minutos do segundo tempo, Pelé dá um chapéu num zagueiro se torna o jogador mais jovem a marcar numa final de Copa. Zagallo aumenta para 4-1. Simonsen desconta para a Suécia e Pelé fecha o placar de cabeça no último lance do jogo. Brasil 5-2.  

MICK E KEITH NO BANCO DOS RÉUS

    Em 1967, Mick Jagger e Keith Richards, os líderes dos Rolling Stones, são levados a julgamento por uso de drogas depois de uma batida policial numa casa de Richards.


A promotora atribuiu o fato de Marianne Faithful, namorada de Jagger, vestir apenas uma pele de urso ao uso de maconha. Keith considera normal e responde: "Não somos velhos. Não estamos preocupados com um moralismo mesquinho." Vira um dos porta-vozes da geração rebelde dos anos 1960.

Mick é preso com quatro comprimidos de anfetamina que havia comprado na Itália. É condenado a três meses de cadeia com direito a recorrer em liberdade. 

O caso de Keith é mais grave. Ele é acusado de deixar usarem sua casa para consumo de drogas, condenado e sentenciado a um ano de prisão. 

No dia da sentença, sai direto do tribunal para a prisão de Wormwood Scrubs. É recebido pelos outros presos como um astro do rock. E só fica uma noite. No dia seguinte, consegue liberdade mediante pagamento de fiança.

Mais tarde, o caso é anulado porque a tentativa de associar a seminudez de Marianne Faithful ao consumo de drogas é considerada preconceituosa.

Anos depois, ao falar sobre o consumo de substâncias ilícitas, Keith declara: "Nunca tive problemas com drogas. Tive problemas com a polícia."

PUNIÇÃO CRUEL E INCOMUM

    Em 1972, por 5 a 4, a Suprema Corte considera inconstitucional a pena de morte do jeito em que é aplicada, por violar a Emenda nº 8 à Constituição dos Estados Unidos como "punição cruel e incomum".

Não é uma vitória dos defensores da abolição da pena capital. O supremo tribunal federal norte-americano sugere que pode aceitá-la se houver padrões uniformes para júris e juízes decidirem e métodos menos cruéis de execução.

Com 66% dos americanos a favor da pena de morte na época, em 1976, a Suprema Corte restabelece a pena morte. O primeiro executado, no ano seguinte, é Gary Gilmore, condenado no ultraconservador estado de Utah por matar um casal de idosos que se nega a lhe emprestar um carro.

ISABELITA ASSUME A PRESIDÊNCIA

    Em 1974, a vice-presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume a Presidência da Argentina diante do estado terminal do marido Juan Domingo Perón, o líder populista que até hoje, 50 anos depois de sua morte, em 1º de julho daquele ano, domina a política do país.

O coronel Perón participa de um golpe militar em 1943. Vira ministro do Trabalho e depois vice-presidente e ministro da Guerra. Afastado em 9 de outubro de 1945 num golpe dentro do golpe, volta nos braços do povo (sonho de todo populista) sob pressão dos sindicatos e de sua carismática amante, a atriz María Eva Duarte, a Evita. 

Em 17 de outubro, a data magna do peronismo, Perón é solto e faz seu primeiro discurso do balcão da Casa Rosada para uma multidão estimada em 300 mil pessoas. Quatro dias depois, Perón, que é viúvo, casa com Evita, formando o casal que até hoje domina a política argentina.

Com a promessa de um salariaço aos trabalhadores, Perón é eleito presidente com 52,4% dos votos em 1946. O aumento no salário salarial deflagra uma grande alta no consumo: as vendas de fogões aumentam 106%, de geladeiras 218%, de calçados 133%, de discos fonográficos 200% e de rádios 600%, incentivadas por programas de redistribuição da renda e de crédito barato. Entre 1945 e 1948, a economia cresce a um recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais aumentam 46%.

Perón é reeleito com 62% votos em 1951. Evita chega a ser cotada para vice. Sob pressão conservadora, não é indicada. Ela morre aos 33 anos, em 26 de julho de 1952, de câncer de útero, como a primeira mulher de Perón, Aurelia Tizón.

A terceira mulher de Perón, Isabelita, 35 anos mais moça do que ele, é bailarina no Panamá quando conhece o general, no Natal de 1955. Perón está exilado depois do golpe militar de 16 de setembro daquele ano, que os golpistas chamam de Revolução Libertadora.

Atraído por sua beleza, o general vê nela a companheira de que sente falta desde a morte da segunda mulher, Evita, sua grande paixão. Perón volta à Argentina em 1973 e ganha a eleição para um terceiro governo de menos de nove meses em meio a uma crise econômica e política, com uma guerra civil entre grupos guerrilheiros de extrema esquerda e grupos paramilitares de extrema direita.

A tentativa de transformar Isabelita numa segunda Evita, dando-lhe a vice-presidência e o governo quando Perón morre, leva a uma tragédia, ao golpe militar de 24 de março de 1976 e à ditadura sanguinária que matou 30 mil argentinos até ser derrotada e humilhada pelos britânicos na Guerra das Malvinas (1982). A democracia volta à Argentina com a eleição de Raúl Alfonsín, empossado em 10 de dezembro de 1983.

ATLANTIS SE ACOPLA À ESTAÇÃO MIR

    Em 1995, a nave espacial americana Atlantis se acopla à estação espacial russa Mir para formar o maior satélite artificial da Terra. É um momento histórico de cooperação entre os antigos inimigos da Guerra Fria.


 
São seis da manhã pelo horário da costa leste dos Estados Unidos quando a nave com seis tripulantes se aproxima da estação espacial a cerca de 392 quilômetros da Terra, na altura da fronteira entre a Rússia e a Mongólia. Os três cosmonautas russos transmitem canções folclóricas da Rússia como um gesto de boas-vindas.

O comandante da Atlantis, Robert Gibson, manobra durante duas horas para realizar o acoplamento. Tem de aproximar a nave de 100 toneladas até uma distância de menos de três polegadas (7,62 centímetros) a uma velocidade de não mais do que 3 cm/seg.

Na época, o diretor da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA), Daniel Goldin, saúda o encontro no espaço como marco do "início de uma nova era de cooperação e amizade" entre a Rússia e os EUA. O projeto tem mais 11 missões. É decisivo para a construção da Estação Espacial Internacional que está em órbita hoje.

CALIFADO UNIVERSAL

    Em 2014, o líder da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Abu Baker al-Baghdadi, proclama na Grande Mesquita de Mossul, no Iraque, a fundação de um califado com jurisdição universal baseado inicialmente nos territórios conquistados pelo grupo na Síria e no Iraque, mas destinado a converter o mundo inteiro ao fundamentalismo islâmico sunita, ao salafismo. Muda o nome do grupo terrorista para Estado Islâmico.

O Estado Islâmico é filho da rede Al Caeda no Iraque, fruto da infiltração do grupo terrorista de Ossama ben Laden no país depois da invasão norte-americana de março de 2003. Em 15 de outubro de 2006, vira Estado Islâmico do Iraque. Com a guerra civil iniciada em março de 2011 na Síria e a expansão de sua área de atuação, em 8 de abril de 2013, torna-se Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A conquista de Mossul, a terceira maior cidade do Iraque e origem da palavra muçulmano, em 10 de junho de 2014, leva o califado a sua maior expansão, com controle de uma área com pelo menos 8 milhões de pessoas na Síria e no Iraque, onde implanta um reino do terror, com escravização de mulheres, execução sumária de homossexuais e soldados inimigos.

Em agosto de 2014, quando o Estado Islâmico comete genocídio contra o povo yazidi no Iraque e degola o norte-americano James Foley, o presidente Barack Obama declara guerra ao grupo terrorista. Sob pressão de bombardeios dos Estados Unidos, da Rússia, da França e do Reino Unido, em 13 de novembro de 2015, os jihadistas aterrorizam Paris e matam 130 pessoas.

O último bastião do Estado Islâmico é derrotado em 23 de março de 2019 na Batalha de Baghuz Fauqani. Al-Baghdadi é morto em 27 de outubro de 2019 numa operação militar de forças especiais dos EUA. Mas o Estado Islâmico sobrevive nas prisões, na clandestinidade e em outros países como o Afeganistão, na Rússia e na África.