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sexta-feira, 20 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Março

 PANDEMIA DA PESTE

    Em 1345, professores da Universidade de Paris atribuem a pandemia da peste bubônica, a pior da história da humanidade, com total de mortes na Eurásia estimado entre 75 e 200 milhões de pessoas de 1346 a 1353, a "uma tripla conjunção de Saturno, Júpiter e Marte" ocorrida em 20 de março.

Hoje a ciência sabe que a causa da peste negra é a bactéria yersinia pestis, transmitida por pulgas de ratos que pulam para outras espécies de mamíferos quando os ratos hospedeiros morrem.

Os primeiros casos em seres humanos aparecem por volta de 1320 na Mongólia, mas pesquisas recentes sugerem que pode ter ocorrido séculos antes na Europa.

Os sintomas iniciais são dor de cabeça, febre e calafrios. A língua fica enbranquecida. As glândulas linfáticas incham com a reação do organismo. Surgem manchas pretas e vermelhas na pele. A morte vem uma semana depois.

Depois de dizimar as tribos nômades da Mongólia, a peste migra para o Leste e o Sul da China e a Índia. Chega à Europa em 1346.

Há um episódio em que os tártaros, um povo de origem turca, lutam contra italianos de Gênova no Oriente Médio quando um surto da peste atinge os tártaros. Eles catapultam os cadáveres pesteados no território sob o controle dos genoveses, que assim levariam a doença consigo no regresso à Europa.

Mesmo que esta história seja verdadeira, a hipótese mais provável é que a peste chegue à Europa levada por ratos nos porões dos navios. Inicialmente as cidades portuárias são as mais atingidas. Em Veneza, há 100 mil mortes e uma média de 600 por dia.

Em 1347, a peste chega a Paris, onde mata 50 mil pessoas. No ano seguinte, contamina a Grã-Bretanha. Um terço da população da Europa morre até a pandemia recuar, em 1352.

A culpa da desgraça não é atribuída aos astros. Judeus, ciganos e supostas bruxas são torturados e queimados na fogueira. Os religiosos a consideram um castigo divino pela imoralidade. Todos os remédios caseiros, inclusive banhos de urina e de sangue menstrual, fracassam.

Há outros surtos da peste até o século 18. No Brasil, só é controlada no século 20 com Oswaldo Cruz no Ministério da Saúde, quando a população chega a criar ratos porque o governo paga pela captura destes animais. Nunca mais houve uma pandemia como no século 14.

Ao suscitar dúvidas sobre o poder da Igreja e da religião, a pandemia da peste acelera o fim da Idade Média (476-1453).

HENRIQUE V

    Em 1413, com a morte de Henrique IV, primeiro rei da Dinastia de Lancaster, seu filho mais velho ascende ao trono da Inglaterra como Henrique V durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), contra a França.

Henrique Bolingbroke é coroado Henrique IV em 1399, depois de vencer Ricardo II, enfraquecido por constantes conflitos com o Parlamento de Westminster. No fim da vida, com doenças crônicas, o jovem herdeiro toma conta dos negócios do reino. Lidera o Exército contra galeses rebeldes na Batalha de Shrewsbury.

No trono, Henrique V retoma a reivindicação de seu bisavô Eduardo III pela coroa francesa. Em 1415, invade a França e vence a Batalha de Agincourt. A Inglaterra domina toda a Normandia em 1419. 

Pelo acordo de Troyes, em 1420, Henrique V casa com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, da França, é reconhecido como regente e herdeiro da coroa. Sua vitória dura pouco. Em 1422, Henrique V morre da chamada febre do acampamento, o tifo, comum na época em campanhas militares.

CEM DIAS

    Em 1815, depois de onze meses de exílio na Ilha de Elba, Napoleão Bonaparte volta a Paris e reassume o poder nos Cem Dias, na verdade 110 dias, até a derrota final na Batalha de Waterloo, 18 de junho, e a restauração da dinastia real pré-Revolução Francesa com Luís XVIII.

Napoleão volta ao poder quando o Congresso de Viena já está reunido e a Santa Aliança decidida a restaurar a ordem monárquica anterior às guerras napoleônicas.

Em 25 de março, o Reino Unido, a Áustria, a Prússia e a Rússia, as grandes potências da Sétima Coalizão contra Napoleão formam um exército de 150 mil homens para acabar de vez com o imperador francês. Napoleão é preso e enviado ao exílio da Ilha de Santa Helena, uma possessão britânica no Oceano Atlântico a 1.950 quilômetros da costa do Sudoeste da África, onde morre de câncer no estômago em 5 de maio de 1821.

KRUSCHEV EM ASCENSÃO

    Em 1953, 15 dias depois da morte do ditador Josef Stalin, o ucraniano Nikita Kruschev é um dos cinco indicados para o novo Secretariado do Partido Comunista da União Soviética. Em setembro, ele se torna secretário-geral do partido e, em 1958, primeiro-ministro.

A morte repentina de Stalin, em 5 de março de 1953, deixa um vácuo de poder na liderança soviética. Giorgi Malenkov é nomeado primeiro-secretário do PC e primeiro-ministro.

Kruschev, membro ativo desde que entrou para o partido, em 1918. Sua lealdade a Stalin é total, inclusive durante o Holodomor, a morte de mais de 3,9 milhões de ucranianos no processo de coletivização da agricultura na URSS (1929-33), que causa uma grande fome, especialmente na Ucrânia. Assim, ele escapa dos expurgos dos anos 1930.

Depois da morte de Stalin, Kruschev derrota Malenkov para se tornar líder do partido em seis meses. Consolida o poder no 20º Congresso do PC da URSS. Em 25 de fevereiro de 1956, numa reunião de cinco horas a portas fechadas, denuncia os crimes do stalinismo.

É o primeiro-ministro soviético que tenta instalar mísseis nucleares em Cuba, mas acaba recuando diante da iminência de uma invasão dos EUA à ilha, na Crise dos Mísseis, em outubro de 1962. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear. Kruschev cai dois anos depois numa disputa interna de poder no partido.

INVASÃO DO IRAQUE

    Em 2003, os Estados Unidos e aliados lançam uma invasão do Iraque para depor o ditador Saddam Hussein sob o falso pretexto de que o país tem um arsenal de armas químicas e biológicas e está desenvolvendo armas atômicas. Centenas de milhares de pessoas morreram.

A guerra destrói a promessa de uma nova ordem mundial com base no direito internacional, desestabiliza ainda mais o Oriente Médio, gera o Estado Islâmico, talvez o mais feroz dos grupos extremistas muçulmanos, fortalece o Irã e serve de desculpa para a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Depois de derrubar a milícia dos Talebã e não conseguir capturar o líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden, na Batalha de Tora Bora, no Afeganistão, em dezembro de 2001, no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002, o então presidente George Walker Bush acusa o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte de serem um "eixo do mal".

Os EUA mudam seu foco na Guerra contra o Terror, deflagrada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Como Saddam Hussein é um ditador secularista, inimigo dos terroristas muçulmanos, é preciso inventar uma alegação falsa para justificar a guerra. Mas o governo Bush não consegue convencer aliados europeus importantes como a Alemanha e a França, que estão prontas para votar contra a guerra no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como a França tem poder de veto, assim como a China e a Rússia, que também votariam contra a guerra, os EUA não submetem uma nova resolução ao Conselho de Segurança, se valem de uma anterior que apertava o regime de sanções internacionais que desmantela o arsenal iraquiano.

A guerra é ilegal porque não é aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e ilegítima porque jamais são encontradas as armas de destruição em massa que justificariam a invasão.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 20 de Março

PANDEMIA DA PESTE

    Em 1345, professores da Universidade de Paris atribuem a pandemia da peste bubônica, a pior da história da humanidade, com total de mortes na Eurásia estimado entre 75 e 200 milhões de pessoas de 1346 a 1353, a "uma tripla conjunção de Saturno, Júpiter e Marte" ocorrida em 20 de março.

Hoje a ciência sabe que a causa da peste negra é a bactéria yersinia pestis, transmitida por pulgas de ratos que pulam para outras espécies de mamíferos quando os ratos hospedeiros morrem.

Os primeiros casos em seres humanos aparecem por volta de 1320 na Mongólia, mas pesquisas recentes sugerem que pode ter ocorrido séculos antes na Europa.

Os sintomas iniciais são dor de cabeça, febre e calafrios. A língua fica enbranquecida. As glândulas linfáticas incham com a reação do organismo. Surgem manchas pretas e vermelhas na pele. A morte vem uma semana mais tarde.

Depois de dizimar as tribos nômades da Mongólia, a peste migra para o Leste e o Sul da China e a Índia. Chega à Europa em 1346.

Há um episódio em que os tártaros, um povo de origem turca, lutam contra italianos de Gênova no Oriente Médio quando um surto da peste atinge os tártaros. Eles catapultam os cadáveres pesteados no território sob o controle dos genoveses, que assim levariam a doença consigo no regresso à Europa.

Mesmo que esta história seja verdadeira, a hipótese mais provável é que a peste chegue à Europa levada por ratos nos porões dos navios. Inicialmente as cidades portuárias são as mais atingidas. Em Veneza, há 100 mil mortes e uma média de 600 por dia.

Em 1347, a peste chega a Paris, onde mata 50 mil pessoas. No ano seguinte, contamina a Grã-Bretanha. Um terço da população da Europa morre até a pandemia recuar, em 1352.

A culpa da desgraça não é atribuída aos astros. Judeus, ciganos e supostas bruxas são torturados e queimados na fogueira. Os religiosos a consideram um castigo divino pela imoralidade. Todos os remédios caseiros, inclusive banhos de urina e de sangue menstrual, fracassam.

Há outros surtos da peste até o século 18. No Brasil, só é controlada no século 20 com Oswaldo Cruz no Ministério da Saúde, quando a população chega a criar ratos porque o governo paga pela captura destes animais. Nunca mais houve uma pandemia como no século 14.

Ao suscitar dúvidas sobre o poder da Igreja e da religião, a pandemia da peste acelera o fim da Idade Média (476-1453).

HENRIQUE V

    Em 1413, com a morte de Henrique IV, primeiro rei da Dinastia de Lancaster, seu filho mais velho ascende ao trono da Inglaterra como Henrique V durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), contra a França.

Henrique Bolingbroke é coroado Henrique IV em 1399, depois de vencer Ricardo II, enfraquecido por constantes conflitos com o Parlamento de Westminster. No fim da vida, com doenças crônicas, o jovem herdeiro toma conta dos negócios do reino. Lidera o Exército contra galeses rebeldes na Batalha de Shrewsbury.

No trono, Henrique V retoma a reivindicação de seu bisavô Eduardo III pela coroa francesa. Em 1415, invade a França e vence a Batalha de Agincourt. A Inglaterra domina toda a Normandia em 1419. 

Pelo acordo de Troyes, em 1420, Henrique V casa com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, da França, é reconhecido como regente e herdeiro da coroa. Sua vitória dura pouco. Em 1422, Henrique V morre da chamada febre do acampamento, o tifo, comum na época em campanhas militares.

CEM DIAS

    Em 1815, depois de onze meses de exílio na Ilha de Elba, Napoleão Bonaparte volta a Paris e reassume o poder nos Cem Dias, na verdade 110 dias até a derrota final na Batalha de Waterloo, 18 de junho, e a restauração da dinastia real pré-Revolução Francesa com Luís XVIII.

Napoleão volta ao poder quando o Congresso de Viena já está reunido e a Santa Aliança decidida a restaurar a ordem monárquica anterior às guerras napoleônicas.

Em 25 de março, o Reino Unido, a Áustria, a Prússia e a Rússia, as grandes potências da Sétima Coalizão contra Napoleão formam um exército de 150 mil homens para acabar de vez com o imperador francês. Napoleão é preso e enviado ao exílio da Ilha de Santa Helena, uma possessão britânica no Oceano Atlântico a 1.950 quilômetros da costa do Sudoeste da África, onde morre de câncer no estômago em 5 de maio de 1821.

KRUSCHEV EM ASCENSÃO

    Em 1953, 15 dias depois da morte do ditador Josef Stalin, o ucraniano Nikita Kruschev é um dos cinco indicados para o novo Secretariado do Partido Comunista da União Soviética. Em setembro, ele se torna secretário-geral do partido e, em 1958, primeiro-ministro.

A morte repentina de Stalin, em 5 de março de 1953, deixa um vácuo de poder na liderança soviética. Giorgi Malenkov é nomeado primeiro-secretário do PC e primeiro-ministro.

Kruschev, membro ativo desde que entrou para o partido, em 1918. Sua lealdade a Stalin é total, inclusive durante o Holodomor, a morte de mais de 3,9 milhões de ucranianos durante o processo de coletivização da agricultura na URSS (1929-33), que causa uma grande fome, especialmente na Ucrânia. Assim, ele escapa dos expurgos dos anos 1930.

Depois da morte de Stalin, Kruschev derrota Malenkov para se tornar líder do partido em seis meses. Consolida o poder no 20º Congresso do PC da URSS. Em 25 de fevereiro de 1956, numa reunião de cinco horas a portas fechadas, denuncia os crimes do stalinismo.

É o primeiro-ministro soviético que tenta instalar mísseis nucleares em Cuba, mas acaba recuando diante da iminência de uma invasão dos EUA à ilha, na Crise dos Mísseis, em outubro de 1962. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear. Kruschev cai dois anos depois.

INVASÃO DO IRAQUE

    Em 2003, os Estados Unidos e aliados lançam uma invasão do Iraque para depor o ditador Saddam Hussein sob o falso pretexto de que o país tem um arsenal de armas químicas e biológicas e está desenvolvendo armas atômicas. Centenas de milhares de pessoas morreram.

A guerra destrói a promessa de uma nova ordem mundial com base no direito internacional, desestabiliza ainda mais o Oriente Médio, gera o Estado Islâmico, talvez o mais feroz dos grupos extremistas muçulmanos, fortalece o Irã e serve de desculpa para a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Depois de não conseguir capturar o líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden, na Batalha de Tora Bora, no Afeganistão, no fim de 2001, no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002, o então presidente George Walker Bush acusa o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte de serem um "eixo do mal".

Os EUA mudam seu foco na Guerra contra o Terror, deflagrada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Como Saddam Hussein é um ditador secularista, inimigo dos terroristas muçulmanos, é preciso inventar uma alegação falsa para justificar a guerra. Mas o governo Bush não consegue convencer aliados europeus importantes como a Alemanha e a França, que estão prontas para votar contra a guerra no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como a França tem poder de veto, assim como a China e a Rússia, que também votariam contra a guerra, os EUA não submetem uma nova resolução ao Conselho de Segurança, se valem de uma anterior que apertava o regime de sanções internacionais que desmantelara o arsenal iraquiano.

A guerra é ilegal porque não foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e ilegítima porque jamais foram encontradas as armas de destruição em massa que justificariam a invasão.

quarta-feira, 20 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 20 de Março

 PANDEMIA DA PESTE

    Em 1345, professores da Universidade de Paris atribuem a pandemia da peste bubônica, a pior da história da humanidade, com total de mortes na Eurásia estimado entre 75 e 200 milhões de pessoas de 1346 a 1353, a "uma tripla conjunção de Saturno, Júpiter e Marte" ocorrida em 20 de março.

Hoje a ciência sabe que a causa da peste negra é a bactéria yersinia pestis, transmitida por pulgas de ratos que pulam para outras espécies de mamíferos quando os ratos hospedeiros morrem.

Os primeiros casos em seres humanos aparecem por volta de 1320 na Mongólia, mas pesquisas recentes sugerem que pode ter ocorrido séculos antes na Europa.

Os sintomas iniciais são dor de cabeça, febre e calafrios. A língua fica enbranquecida. As glândulas linfáticas incham com a reação do organismo. Surgem manchas pretas e vermelhas na pele. A morte vem uma semana mais tarde.

Depois de dizimar as tribos nômades da Mongólia, a peste migra para o Leste e o Sul da China e a Índia. Chega à Europa em 1346.

Há um episódio em que os tártaros, um povo de origem turca, lutam contra italianos de Gênova no Oriente Médio quando um surto da peste atinge os tártaros. Eles catapultam os cadáveres pesteados no território sob o controle dos genoveses, que assim levariam a doença consigo no regresso à Europa.

Mesmo que esta história seja verdadeira, a hipótese mais provável é que a peste chegue à Europa levada por ratos nos porões dos navios. Inicialmente as cidades portuárias são as mais atingidas. Em Veneza, houve 100 mil mortes e uma média de 600 por dia.

Em 1347, a peste chega a Paris, onde mata 50 mil pessoas. No ano seguinte, contamina a Grã-Bretanha. Um terço da população da Europa morre até a pandemia recuar, em 1352.

A culpa da desgraça não é atribuída aos astros. Judeus, ciganos e supostas bruxas são torturados e queimados na fogueira. Os religiosos a consideram um castigo divino pela imoralidade. Todos os remédios caseiros, inclusive banhos de urina e de sangue menstrual, fracassam.

Há outros surtos da peste até o século 18. No Brasil, só é controlada no século 20 com Oswaldo Cruz no Ministério da Saúde, quando a população chega a criar ratos porque o governo paga pela captura destes animais. Nunca mais houve uma pandemia como no século 14.

HENRIQUE V

    Em 1413, com a morte de Henrique IV, primeiro rei da Dinastia de Lancaster, seu filho mais velho ascende ao trono da Inglaterra como Henrique V durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), contra a França.

Henrique Bolingbroke é coroado Henrique IV em 1399, depois de vencer Ricardo II, enfraquecido por constantes conflitos com o Parlamento de Westminster. No fim da vida, com doenças crônicas, o jovem herdeiro toma conta dos negócios do reino. Lidera o Exército contra galeses rebeldes na Batalha de Shrewsbury.

No trono, Henrique V retoma a reivindicação de seu bisavô Eduardo III pela coroa francesa. Em 1415, invade a França e vence a Batalha de Agincourt. A Inglaterra domina toda a Normandia em 1419. 

Pelo acordo de Troyes, em 1420, Henrique V casa com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, da França, é reconhecido como regente e herdeiro da coroa. Sua vitória dura pouco. Em 1422, Henrique V morre da chamada febre do acampamento, o tifo, comum na época em campanhas militares.

CEM DIAS

    Em 1815, depois de onze meses de exílio na Ilha de Elba, Napoleão Bonaparte volta a Paris e reassume o poder nos Cem Dias, na verdade 110 dias até a derrota final na Batalha de Waterloo, 18 de junho, e a restauração da dinastia real pré-Revolução Francesa com Luís XVIII.

Napoleão volta ao poder quando o Congresso de Viena já está reunido e a Santa Aliança decidida a restaurar a ordem monárquica anterior às guerras napoleônicas.

Em 25 de março, o Reino Unido, a Áustria, a Prússia e a Rússia, as grandes potências da Sétima Coalizão contra Napoleão formam um exército de 150 mil homens para acabar de vez com o imperador francês. Napoleão é preso e enviado ao exílio da Ilha de Santa Helena, uma possessão britânica no Oceano Atlântico a 1.950 quilômetros da costa do Sudoeste da África, onde morre de câncer no estômago em 5 de maio de 1821.

KRUSCHEV EM ASCENSÃO

    Em 1953, 15 dias depois da morte do ditador Josef Stalin, o ucraniano Nikita Kruschev é um dos cinco indicados para o novo Secretariado do Partido Comunista da União Soviética. Em setembro, ele se torna secretário-geral do partido e, em 1958, primeiro-ministro.

A morte repentina de Stalin, em 5 de março de 1953, deixa um vácuo de poder na liderança soviética. Giorgi Malenkov é nomeado primeiro-secretário do PC e primeiro-ministro.

Kruschev, membro ativo desde que entrou para o partido, em 1918. Sua lealdade a Stalin é total, inclusive durante o Holodomor, a morte de mais de 3 milhões de ucranianos durante o processo de coletivização da agricultura na URSS (1929-33), que causou uma grande fome, especialmente na Ucrânia. Assim, ele escapa dos expurgos dos anos 1930.

Depois da morte de Stalin, Kruschev derrota Malenkov para se tornar líder do partido em seis meses. Consolida o poder no 20º Congresso do PC da URSS. Em 26 de fevereiro de 1956, denuncia os crimes do stalinismo.

É o primeiro-ministro soviético que tenta instalar mísseis nucleares em Cuba, mas acaba recuando diante da iminência de uma invasão dos EUA à ilha, na Crise dos Mísseis, em outubro de 1962. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. Kruschev cai dois anos depois.

INVASÃO DO IRAQUE

    Em 2003, os Estados Unidos e aliados lançam uma invasão do Iraque para depor o ditador Saddam Hussein sob o falso pretexto de que o país tinha um arsenal de armas químicas e biológicas e estaria desenvolvendo armas atômicas. Centenas de milhares de pessoas morreram.

A guerra destruiu a promessa de uma nova ordem mundial com base no direito internacional, desestabilizou ainda mais o Oriente Médio, gerou o Estado Islâmico, talvez o mais feroz dos grupos extremistas muçulmanos, fortaleceu o Irã e serviu de desculpa para a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Depois de não conseguir capturar o líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden, na Batalha de Tora Bora, no Afeganistão, no fim de 2001, no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002, o então presidente George Walker Bush acusou o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte de serem um "eixo do mal".

Os EUA mudavam seu foco na Guerra contra o Terror, deflagrada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Como Saddam Hussein era um ditador secularista, inimigo dos terroristas muçulmanos, é preciso inventar uma alegação falsa para justificar a guerra. Mas o governo Bush não consegue convencer aliados europeus importantes como a Alemanha e a França, que estão prontas para votar contra a guerra no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como a França tem poder de veto, assim como a China e a Rússia, que também votariam contra a guerra, os EUA não submetem uma nova resolução ao Conselho de Segurança, se valem de uma anterior que apertava o regime de sanções internacionais que desmantelara o arsenal iraquiano.

A guerra é ilegal porque não foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e ilegítima porque jamais foram encontradas as armas de destruição em massa que justificariam a invasão.

segunda-feira, 20 de março de 2023

Hoje na História do Mundo: 20 de Março

 PANDEMIA DA PESTE

    Em 1345, professores da Universidade de Paris atribuem a pandemia da peste bubônica, a pior da história da humanidade, com total de mortes na Eurásia estimado entre 75 e 200 milhões de pessoas de 1346 a 1353, a "uma tripla conjunção de Saturno, Júpiter e Marte" ocorrida em 20 de março.

Hoje a ciência sabe que a causa da peste negra é a bactéria yersinia pestis, transmitida por pulgas de ratos que pulam para outras espécies de mamíferos quando os ratos hospedeiros morrem.

Os primeiros casos em seres humanos aparecem por volta de 1320 na Mongólia, mas pesquisas recentes sugerem que pode ter ocorrido séculos antes na Europa.

Os sintomas iniciais são dor de cabeça, febre e calafrios. A língua fica enbranquecida. As glândulas linfáticas incham com a reação do organismo. Surgem manchas pretas e vermelhas na pele. A morte vem uma semana mais tarde.

Depois de dizimar as tribos nômades da Mongólia, a peste migra para o Leste e o Sul da China e a Índia. Chega à Europa em 1346.

Há um episódio em que os tártaros, um povo de origem turca, lutam contra italianos de Gênova no Oriente Médio quando um surto da peste atinge os tártaros. Eles catapultam os cadáveres pesteados no território sob o controle dos genoveses, que assim levariam a doença consigo no regresso à Europa.

Mesmo que esta história seja verdadeira, a hipótese mais provável é que a peste chegue à Europa levada por ratos nos porões dos navios. Inicialmente as cidades portuárias são as mais atingidas. Em Veneza, houve 100 mil mortes e uma média de 600 por dia.

Em 1347, a peste chega a Paris, onde mata 50 mil pessoas. No ano seguinte, contamina a Grã-Bretanha. Um terço da população da Europa morre até a pandemia recuar, em 1352.

A culpa da desgraça não é atribuída aos astros. Judeus, ciganos e supostas bruxas são torturados e queimados na fogueira. Os religiosos a consideram um castigo divino pela imoralidade. Todos os remédios caseiros, inclusive banhos de urina e de sangue menstrual, fracassam.

Há outros surtos da peste até o século 18. No Brasil, só é controlada no século 20 com Oswaldo Cruz no Ministério da Saúde, quando a população chega a criar ratos porque o governo paga pela captura destes animais. Nunca mais houve uma pandemia como no século 14.

HENRIQUE V

    Em 1413, com a morte de Henrique IV, primeiro rei da Dinastia de Lancaster, seu filho mas velho ascende ao trono da Inglaterra como Henrique V durante a Guerra dos Cem Anos, contra a França.

Henrique Bolingbroke é coroado Henrique IV em 1399, depois de vencer Ricardo II, enfraquecido por constantes conflitos com o Parlamento de Westminster. No fim da vida, com doenças crônicas, o jovem herdeiro toma conta dos negócios do reino. Lidera o Exército contra galeses rebeldes na Batalha de Shrewsbury.

No trono, Henrique V retoma a reivindicação de seu bisavô Eduardo III pela coroa francesa. Em 1415, invade a França e vence a Batalha de Agincourt. A Inglaterra domina toda a Normandia em 1419. 

Pelo acordo de Troyes, em 1420, Henrique V casa com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, da França, é reconhecido como regente e herdeiro da coroa. Sua vitória dura pouco. Em 1422, Henrique V morre da chamada febre do acampamento, o tifo, comum na época em campanhas militares.

KRUSCHEV EM ASCENSÃO

    Em 1953, 15 dias depois da morte do ditador Josef Stalin, o ucraniano Nikita Kruschev é um dos cinco indicados para o novo Secretariado do Partido Comunista da União Soviética. Em setembro, ele se torna secretário-geral do partido e, em 1958, primeiro-ministro.

A morte repentina de Stalin, em 5 de março de 1953, deixa um vácuo de poder na liderança soviética. Giorgi Malenkov é nomeado primeiro-secretário do PC e primeiro-ministro.

Kruschev, membro ativo desde que entrou para o partido, em 1918. Sua lealdade a Stalin é total, inclusive durante o Holodomor, a morte de mais de 3 milhões de ucranianos durante o processo de coletivização da agricultura na URSS (1929-33), que causou uma grande fome, especialmente na Ucrânia. Assim, ele escapa dos expurgos dos anos 1930.

Depois da morte de Stalin, Kruschev derrota Malenkov para se tornar líder do partido em seis meses. Consolida o poder no 20º Congresso do PC da URSS. Em 26 de fevereiro de 1956, denuncia os crimes do stalinismo.

É o primeiro-ministro soviético que tenta instalar mísseis nucleares em Cuba, mas acaba recuando diante da iminência de uma invasão dos EUA à ilha, na Crise dos Mísseis, em outubro de 1962. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. Kruschev cai dois anos depois.

INVASÃO DO IRAQUE

    Em 2003, os Estados Unidos e aliados lançam uma invasão do Iraque para depor o ditador Saddam Hussein sob o falso pretexto de que o país tinha um arsenal de armas químicas e biológicas e estaria desenvolvendo armas atômicas. Centenas de milhares de pessoas morreram.

A guerra destruiu a promessa de uma nova ordem mundial com base no direito internacional, desestabilizou ainda mais o Oriente Médio, gerou o Estado Islâmico, talvez o mais feroz dos grupos extremistas muçulmanos, fortaleceu o Irã e serviu de desculpa para a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Depois de não conseguir capturar o líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden, na Batalha de Tora Bora, no Afeganistão, no fim de 2001, no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002, o então presidente George Walker Bush acusou o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte de serem um "eixo do mal".

Os EUA mudavam seu foco na Guerra contra o Terror, deflagrada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Como Saddam Hussein era um ditador secularista, inimigo dos terroristas muçulmanos, é preciso inventar uma alegação falsa para justificar a guerra. Mas o governo Bush não consegue convencer aliados europeus importantes como a Alemanha e a França, que estão prontas para votar contra a guerra no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como a França tem poder de veto, assim como a China e a Rússia, que também votariam contra a guerra, os EUA não submetem uma nova resolução ao Conselho de Segurança, se valem de uma anterior que apertava o regime de sanções internacionais que desmantelara o arsenal iraquiano.

A guerra é ilegal porque não foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e ilegítima porque jamais foram encontradas as armas de destruição em massa que justificariam a invasão.

domingo, 20 de março de 2022

Hoje na História do Mundo: 20 de Março

PANDEMIA DA PESTE

    Em 1345, professores da Universidade de Paris atribuem a pandemia da peste bubônica, a pior da história da humanidade, com total de mortes na Eurásia estimado entre 75 e 200 milhões de pessoas de 1346 a 1353, a "uma tripla conjunção de Saturno, Júpiter e Marte ocorrida em 20 de março.

Hoje a ciência sabe que a causa da peste negra é a bactéria yersinia pestis, transmitida por pulgas de ratos que pulam para outras espécies de mamíferos quando os ratos hospedeiros morrem.

Os primeiros casos em seres humanos aparecem por volta de 1320 na Mongólia, mas pesquisas recentes sugerem que pode ter ocorrido séculos antes na Europa.

Os sintomas iniciais são dor de cabeça, febre e calafrios. A língua fica enbranquecida. As glândulas linfáticas incham com a reação do organismo. Surgem manchas pretas e vermelhas na pele. A morte vem uma semana mais tarde.

Depois de dizimar as tribos nômades da Mongólia, a peste migrou para o Leste e o Sul da China e a Índia. Chega à Europa em 1346.

Há um episódio em que os tártaros, um povo de origem turca, lutam contra italianos de Gênova no Oriente Médio quando um surto da peste atinge os tártaros. Eles catapultam os cadáveres pesteados no território sob o controle dos genoveses, que assim levariam a doença consigo no regresso à Europa.

Mesmo que esta história não seja verdadeira, a hipótese mais provável é que a peste chegue à Europa levada por ratos nos porões dos navios. Inicialmente as cidades portuárias são as mais atingidas. Em Veneza, houve 100 mil mortes e uma média de 600 por dia.

Em 1347, a peste chega a Paris, onde mata 50 mil pessoas. No ano seguinte, contamina a Grã-Bretanha. Um terço da população da Europa morre até a pandemia recuar, em 1352.

A culpa da desgraça não é atribuída aos astros. Judeus, ciganos e supostas bruxas são torturados e queimados na fogueira. Os religiosos a consideram um castigo divino pela imoralidade. Todos os remédios caseiros, inclusive banhos de urina e de sangue menstrual, fracassam.

Houve outros surtos da peste até o século 18. No Brasil, só é controlada no século 20 com Oswaldo Cruz no Ministério da Saúde, quando a população chega a criar ratos porque o governo paga pela captura destes animais. Nunca mais houve uma pandemia como no século 14.

HENRIQUE V

    Em 1413, com a morte de Henrique IV, primeiro rei da Dinastia de Lancaster, seu filho mas velho ascende ao trono da Inglaterra como Henrique V durante a Guerra dos Cem Anos, contra a França.

Henrique Bolingbroke é coroado Henrique IV em 1399, depois de vencer Ricardo II, enfraquecido por constantes conflitos com o Parlamento de Westminster. No fim da vida, com doenças crônicas, o jovem herdeiro toma conta dos negócios do reino. Lidera o Exército contra galeses rebeldes na Batalha de Shrewsbury.

No trono, Henrique V retoma a reivindicação de seu bisavô Eduardo III pela coroa francesa. Em 1415, invade a França e vence a Batalha de Agincourt. A Inglaterra domina toda a Normandia em 1419. 

Pelo acordo de Troyes, em 1420, Henrique V casa com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, da França, é reconhecido como regente e herdeiro da coroa. Sua vitória dura pouco. Em 1422, Henrique V morre da chamada febre do acampamento, o tifo, comum na época em campanhas militares.

KRUSCHEV EM ASCENSÃO

    Em 1953, 15 dias depois da morte do ditador Josef Stalin, o ucraniano Nikita Kruschev é um dos cinco indicados para o novo Secretariado do Partido Comunista da União Soviética. Em setembro, ele se torna secretário-geral do partido e, em 1958, primeiro-ministro.

A morte repentina de Stalin, em 4 de março de 1953, deixa um vácuo de poder na liderança soviética. Giorgi Malenkov é nomeado primeiro-secretário do PC e primeiro-ministro.

Kruschev, membro ativo desde que entrou para o partido, em 1918. Sua lealdade a Stalin é total, inclusive durante o Holodomor, a morte de mais de 3 milhões de ucranianos durante o processo de coletivização da agricultura na URSS (1929-33), que causou uma grande fome, especialmente na Ucrânia. Assim, ele escapa dos expurgos dos anos 1930.

Depois da morte de Stalin, Kruschev derrota Malenkov para se tornar líder do partido em seis meses. Consolida o poder no 20º Congresso do PC da URSS. Em 26 de fevereiro de 1956, denuncia os crimes do stalinismo.

É o primeiro-ministro soviético que tenta instalar mísseis nucleares em Cuba, mas acaba recuando diante da iminência de uma invasão dos EUA à ilha, na Crise dos Mísseis, em outubro de 1962. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. Kruschev cai dois anos depois.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

RÚSSIA: Introdução ao gigantesco país da Copa

Gigantesca e fascinante, marcada por grandes tragédias, guerras e a primeira revolução comunista, a Rússia é um país bipolar que oscila entre a euforia das vitórias e a depressão de seu longo e rigoroso inverno. 
Rica em energia e recursos naturais, ainda não criou as instituições capazes de desenvolver o extraordinário talento de um povo de poetas, escritores, músicos, bailarinos, artistas plásticos, cineastas, físicos e engenheiros da melhor qualidade.
Depois de se livrar de décadas de ditadura comunista e de uma década caótica de liberalização econômica e capitalismo selvagem, enfrenta a volta do autoritarismo com o presidente Vladimir Putin.
A Copa de 2018 é mais um teste para um país ficou décadas fechado sob um dos regimes mais repressivos da história da humanidade, mais um momento de se abrir para o mundo sem temer invasões e a perda de sua identidade cultural.
Maior país do mundo em superfície e palco da primeira revolução comunista, a Federação Russa é herdeira da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a superpotência que enfrentou os Estados Unidos na Guerra Fria da segunda metade do século 20.
Desde a desintegração da URSS, a Rússia passou por uma década de transição e liberalização caótica, com enriquecimento extraordinário dos chamados “oligarcas”, que ficaram ricos da noite para o dia com as privatizações, e empobrecimento da imensa maioria. 
Sob Vladimir Putin, que sonha em restaurar o poder imperial czarista e soviético, a Rússia recuou para o autoritarismo em busca de estabilidade, mas precisa de reformas para deslanchar seu imenso potencial econômico. A redução em 20% do orçamento militar de 2017, a primeira em 19 anos, para US$ 63 bilhões é um sinal evidente de fraqueza.

GEOGRAFIA

Na Rússia, tudo é gigantesco. São pouco mais de 17 milhões de quilômetros quadrados, duas vezes o tamanho do Brasil, que se estendem por dois continentes: Europa e Ásia. Cerca de 10 milhões de km2, uma área maior do que qualquer outro país, ficam permanentemente gelados.
São 11 fusos-horários e mais de 8 mil quilômetros na maior extensão de leste a oeste por 4 mil km de norte a sul.
A Rússia tem mais de 20 mil quilômetros de fronteiras, com Noruega, Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Bielorrússia, Ucrânia, Geórgia, Azerbaijão, Casaquistão, China, Mongólia e Coreia do Norte. Tem fronteira marítima com os Estados Unidos no Estreito de Bering, no Alasca, e com o Japão no Mar de Okhotsk. 
Somando as fronteiras terrestres e a orla marítima, são 60 mil km, equivalentes a uma volta e meia no planeta Terra. A Rússia Europeia vai até os Montes Urais. A Rússia Asiática termina no Oceano Pacífico. 
O Rio Volga é o mais longo da Europa, com 3.688 km. Ladoga, o maior lago. O Lago Baikal é o mais profundo do mundo e a maior fonte de água doce do planeta, com 23,62 quintilhões de litros ou 23,260 mil quilômetros cúbicos, 22% de toda água doce.
Nas planícies da Sibéria, na Ásia, concentram-se as reservas de minérios estratégicos, carvão, petróleo e gás natural que fazem da Rússia o país mais rico do mundo em energia.
Por falta de fronteiras naturais, historicamente o país sempre se sentiu vulnerável. Depois da invasão da Alemanha na Segunda Guerra Mundial (1939-45), o ditador soviético Josef Stalin impôs regimes comunistas aos países da Europa Oriental libertados do nazismo para criar uma zona de proteção da URSS.

CLIMA

A Rússia registra as menores temperaturas do mundo fora da Antártida, com recorde de 71,2ºC negativos em 1924 na Yakútia, uma república da Sibéria onde fica o Polo Norte do Frio, em cidades domo Verkhoyansk e Oimiakon.
A menor temperatura natural já medida na Terra foi 89,2ºC abaixo de zero em 21 de julho de 1983 na estação russa de Vostok, na Antártida.
A neve começa em outubro. Quando não chega, provoca ansiedade. Mas como o país é enorme, a temperatura máxima no ano foi de 45,4ºC.

BIODIVERSIDADE

A vasta planície da Eurásia Interior se divide em cinco faixas. É seca e desértica no sul, um pouco mais úmida na região das estepes, território de nômades, seguida por uma faixa de florestas mistas e de latifoliadas, uma de floresta de coníferas (taiga) e pela tundra nas terras geladas e pantanosas cortadas por rios que desaguam no Oceano Ártico. 
A Rússia tem a maior área florestal do mundo. São 40 reservas de biosfera reconhecidas pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) e 182 parques nacionais e reservas naturais que cobrem 330 mil km2, 1,4% do território.
O país tem 266 espécies de mamíferos e 780 espécies de pássaros. Um total de 415 estão desde 1997 numa lista de espécies protegidas. O urso é o símbolo nacional.

ATRASO SECULAR

“O traço essencial e o mais constante da História da Rússia é a lentidão com que o país se desenvolveu, apresentando como consequência uma economia atrasada, uma estrutura social primitiva e baixo nível cultural”, analisou Leon Davidovitch Bronstein, mais conhecido como Trotsky, na sua História da Revolução Russa.
“A população da gigantesca planície, com seu clima rigoroso, exposta ao vento leste e às migrações asiáticas, estava destinada pela própria natureza a uma prolongada estagnação”, acrescentou o líder comunista.

GEOPOLÍTICA

A geografia ajuda a moldar a história e a psicologia do povo.
A Eurásia Interior inclui o território da antiga URSS, a Mongólia e a província de Xinjiang, no Noroeste da China.
Os Montes Urais, que dividem a Rússia Europeia da Rússia Asiática, são relativamente baixos e penetráveis. Nunca constituíram uma barreira capaz de deter inimigos, o que deixa o território russo aberto a leste e a oeste, onde não há fronteiras naturais que o separem do resto da Europa Oriental.
As duas faixas de vegetação mais ao sul, especialmente a estepe, são o território clássico de tribos pastoris nômades. Com a vegetação escassa, a falta de chuva e o terreno aberto, era difícil instalar assentamentos agrícolas.
Os rebanhos de gado, cabras, ovelhas e em alguns lugares camelos são parte da história da Eurásia. Seus pastores dependiam deles, mas não conseguiam tirar deles tudo o que precisavam.

CONFEDERAÇÕES

Assim, a Eurásia Interior era obrigada a se relacionar com a Eurásia Exterior. Como os pastores estavam quase sempre em desvantagem na hora de negociar, aumentava a tendência de usar a força. Para defender suas terras e animais, os clãs e tribos se organizaram em confederações.
Desde as invasões bárbaras que acabaram como Império Romano do Ocidente e durante toda a Idade Média, até a invenção da pólvora, o cavalo seria o principal instrumento da guerra. Os nômades eram grandes guerreiros, mas, culturalmente inferiores, absorveram a cultura dominada, como na China. A luta contra os nômades durou até o fim do século 17.
Para o historiador britânico Geoffrey Hosking, professor da Universidade de Londres e autor de Rússia e os Russos: dos tempos antigos até 2001(Londres, 2002), “era natural que o mais duradouro império da Eurásia Interior devesse ser formado em seu extremo oeste. (…) A primeira unidade política dos eslavos orientais foi fundada no extremo sul da região, em Kiev.”

COMÉRCIO

A Rússia Kievana conseguiu se estabelecer graças à rota comercial norte-sul que ligava a Escandinávia a Constantinopla e passava pelo entroncamento de rotas comerciais ligando a Europa à Pérsia, à Índia e à China.
Seu declínio, com as Cruzadas e a alteração das rotas comerciais, deslocou o eixo da civilização dos eslavos orientais mais para o norte do século 11 ao século 13.
Uma vez estabelecido um Estado na região, pondera Hosking, “havia muitas razões para acreditar que fosse duradouro. (…) …seus líderes e súditos poderiam sobreviver quase que indefinidamente. Eles poderiam recuar indefinidamente”.
Ao mesmo tempo, as terras do centro da grande massa continental tinham graves problemas. A maior parte do solo era pouco fértil, distante do mar e portanto de contato fácil com o mundo exterior, além das sérias dificuldades internas de comunicação.

FRAQUEZA

A consequência disso é que, a menos que todo o território e seus principais acessos sejam ocupados, as fronteiras ficarão abertas e vulneráveis.
Essas terras foram ocupadas por numerosos povos com línguas, culturas, costumes, leis e religiões diferentes. Construir um Estado capaz de assimilar e acomodar todos esses povos seria um desafio complexo, caro e às vezes aparentemente inútil.
A combinação paradoxal de uma força colossal com fraquezas e vulnerabilidades foi uma característica essencial do Império Russo, como observou o príncipe Klemens von Metternich, chanceler e primeiro-ministro do Império Austríaco da época das guerras napoleônicas até as revoluções de 1848: “Nunca tão forte quanto parece nem tão fraca como parece.” 

MEDO DO CERCO

Sem fronteiras naturais, a Rússia pode facilmente invadir e ser invadida. Historicamente isso criou a sensação de estar cercada de inimigos, o que levou o ditador soviético Josef Stalin a criar uma zona de segurança formada pelos países da Europa Oriental ocupados pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial: Alemanha Oriental, Polônia, Hungria, Tcheco-Eslováquia, Romênia e Bulgária.
Ao longo da história, com a exceção dos mongóis no século 13, as invasões mais destrutivas vieram do Ocidente.
Durante os séculos 16 a 18, a metade do Exército foi deslocada para defender a fronteira sul, onde até hoje há problemas como a revolta muçulmana nas repúblicas da Chechênia e do Daguestão.

INVADIR, OCUPAR E ANEXAR

A solução histórica foi aproveitar a fraqueza e a desorganização das tribos rebeldes para invadir e tomar suas terras. Basquírios, cossacos, lituanos, poloneses, ucranianos, georgianos foram súditos leais, aliados incertos e inimigos jurados em momentos diferentes.
O Império Russo era um império multinacional, com uma diversidade étnica e religiosa só comparável à do Império Britânico, dominado por uma aristocracia heterogênea. A classe dominante incluía representantes dos vários povos.
Era um império subdesenvolvido, situado numa região de temperaturas extremas e afastado desde o século 15 das rotas comerciais mais importantes. A vulnerabilidade e a pobreza obrigaram o governo a destinar grande parte da riqueza nacional a segurança e defesa.

OCIDENTE X ORIENTE

O Império Russo sempre esteve esparramado entre o Ocidente e o Oriente, dividido entre os europeístas defensores da aproximação com a Europa e os eslavófilos favoráveis a um excepcionalismo russo que às vezes beira o fascismo. 
A Rússia nasceu como um país cristão ortodoxo, inspirado pelo Império Bizantino. Do jugo do Império Mongol, herdou o “despotismo oriental”.
A influência cultural europeia na Rússia, descrita por um europeu no século 16 como “um reino rude e bárbaro”, tem pelo menos 300 anos. Toda cultura foi reorientada para o Ocidente, mas nunca se livrou dessa bipolaridade.

CLIENTELISMO

Se o tamanho e a vulnerabilidade exigiram governos fortes e autoritários, a falta de recursos para administrar um território tão vasto impediu o império de controlar diretamente a vida de cada cidadão, a não ser na URSS.
Sem condições de criar leis e instituições, o Império Russo distribuía o poder através de redes de relações pessoais. Nesse sentido, se assemelhava à Roma Antiga, um vasto império construído militarmente com um sistema de patronato e clientela que se manifestou na relação entre servos e senhores e na nomenklatura, que orientava as nomeações e promoções na URSS.

TERRORISMO

Um dos grandes desafios de czares e líderes do Partido Comunista foi derrotar grupos criados ao redor de personalidades poderosas. Tanto Ivã, o Terrível, quanto Stalin usaram o terror para tentar controlar e destruir focos de dissidência e oposição. Ambos fracassaram.
O resultado foi a criação de estruturas coercitivas na base e no topo da sociedade, observa Hosking. No meio, na falta de uma sociedade civil, as instituições são frágeis e dependem de personalidades, dos homens-fortes que historicamente governaram a Rússia.
Esse atraso de estrutura social e mentalidade atrelados ao passado atrapalha a introdução de uma economia de mercado, de uma sociedade civil e de uma democracia que funcione.

EXTREMISMO

Alguns sociólogos apontam para a “natureza binária” ou bipolar da sociedade russa por sua tendência histórica de buscar soluções radicais para seus problemas, como a mudança abrupta do paganismo para o cristianismo ortodoxo em 988; as reformas modernizadoras de Pedro, o Grande, no início do século 18; a Revolução Comunista de 1917; e a transição caótica para a economia de mercado da era pós-soviética nos anos 1990s.
Em todos os casos, o novo foi apresentado como a superação completa do passado, a substituição do mal absoluto pelo bem absoluto. “O dualismo e a ausência de uma zona neutra levam o novo a ser visto não como uma continuação, mas como uma substituição total”, comentaram Iuri Lotman e Boris Uspenski.

CONSERVADORISMO

Numa sociedade marcada por descontinuidades extremas, qualquer tentativa reformista da elite tende a esbarrar no conservadorismo da massa, reforçado pelo temor de que num ambiente político e geograficamente difícil qualquer novidade ou experiência possa dar errado e até ser desastrosa.
Nesta sociedade de utopias e distopias, o resultado tem sido um conflito crônico entre as elites e a massa, com a reprodução de velhos padrões e velhos conflitos.

RESPONSABILIDADE CONJUNTA

Na base da sociedade, os camponeses, pressionados pela ausência do Estado, a vulnerabilidade e a inclemência da natureza, se organizaram em torno do conceito de “responsabilidade conjunta”. 
Associada a uma suspeição quanto aos ricos, aversão à propriedade individual e à autopiedade inspirada pela Igreja Ortodoxa, tudo isso ajudou a Rússia a aceitar o regime comunista.

FIBRA MORAL

Como durante seis a sete meses por ano a agricultura é inviável porque a terra está gelada, os camponeses tiveram de partir para outras atividades. “Nenhum outro povo europeu é capaz de resistir a tanta pressão”, sustentou o historiador Vassili Kliuchevski no século 19.
A versatilidade, a tenacidade e a capacidade de se dedicar ao trabalho duro ajudam a explicar por que os russos são bons soldados e bons atletas. Mas, em condições por vezes extremamente adversas, qualquer trabalho, não importa quão intenso e prolongado, pode não render o esperado.

DESESPERANÇA

Isso gera uma sensação de impotência e desesperança que desestimula o planejamento e o investimento de longo prazo, fundamentais para qualquer empresa. A resignação e o fatalismo são outras marcas do caráter nacional.
Assim, a solidariedade comunitária não é necessária apenas em tempos de emergência, crise e escassez. O conflito ameaça a existência da comunidade.
Essa solidariedade se constrói na base de dois princípios fundamentais à vida na sociedade russa: mir (paz) e pravda (verdade). Verdade aqui tem um sentido amplo. Incorpora o correto, a Justiça, a moralidade, a lei de Deus e o comportamento de acordo com a consciência.