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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Democratas são favoritos para eleger maioria da Câmara dos EUA

O Partido Democrata tem 87,7% de chance de reconquistar a maioria na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, enquanto o Partido Republicano tem 81,1% de chance de manter a maioria no Senado nas eleições desta terça-feira, pelos cálculos do sítio 538, do matemático Nate Silver, que usa modelos estatísticos para prever resultados eleitorais.

Silver era considerado o mago das pesquisas, mas errou o resultado da eleição de Donald Trump, quando dava 71% de chance de vitória para Hillary Clinton no Colégio Eleitoral. Ele alega que Hillary perdeu porque teve um desempenho abaixo das pesquisas no Meio-Oeste e no Cinturão da Ferrugem.

Estão em jogo nestas eleições as 435 cadeiras da Câmara, 35 das 100 cadeiras do Senado e 39 governos estaduais. Pela pesquisa divulgada hoje à noite pela rede de televisão CNN, 55% devem votar em democratas e 44% em republicanos. Como os deputados são eleitos pelo voto distrital, cada cadeira é disputada numa eleição diferente.

Se os democratas perderem amanhã, Silver acredita que será por causa da excelente situação econômica e por que os republicanos redesenharam os distritos eleitorais nos estados que dominam. Por outro lado, a oposição costumam levar vantagens nas eleições de meio de mandato e a popularidade do presidente é muito baixa, de 42% na média das pesquisas.

Trump fez campanha até o último minuto com um discurso do medo, acenando com a ameaça de três caravanas de imigrantes da America Central, com um total de 7 mil miseráveis, que se aproximam lentamente do território americano, onde vão chegar muito depois das eleições.

Por razões meramente eleitoreiras, o presidente deslocou 5,2 mil soldados do Exército para conter o que descreve como uma "invasão". Trump acusa os democratas de quererem abrir a fronteira e o megainvestidor George Soros, um judeu húngaro naturalizado americano, de patrocinar as caravanas.

Quando o terrorista Robert Bowers atacou uma sinagoga nove dias atrás em Pittsburgh, na Pensilvânia, matando 11 de judeus, gritou que "todos os judeus têm de morrer" e citou Soros como patrocinador da "invasão".

Com o país altamente radicalizado, as eleições devem ser um plebiscito sobre o governo Trump.

domingo, 3 de julho de 2016

Trump tem 20% de chance de ser presidente, prevê matemático

A ex-secretária de Estado Hillary Clinton tem 80% de chance de ser eleita a primeira mulher a presidir os Estados Unidos em 8 de novembro de 2016, previu o matemático Nate Silver, que acertou o resultado das duas últimas eleições presidenciais americanas. Restam 20% para o bilionário Donald Trump.

Silver é um mestre do jornalismo de dados. Ele pegou todos os dados disponíveis de diferentes pesquisas desde 1972 e criou seu próprio modelo. Desafiou os analistas políticos e acertou com precisão das duas eleições de Barack Obama. Agora, acertou os resultados 53 de 58 eleições primárias e convenções estaduais. Silver espera uma vantagem de pontos de Clinton em novembro.

No momento, Clinton, do Partido Democrata, tem uma vantagem de 6,7 pontos percentuais sobre Trump, do Partido Republicano, na pesquisa das pesquisas feita pelo sítio FiveThirtyEight.com. Seu nome vem de 538, o número de delegados do Colégio Eleitoral que elege o presidente dos EUA com base na votação por estado. Quem ganha num estado leva todos os votos eleitorais daquele estado.

Assim, os estados-chaves que decidem as eleições para a Casa Branca são aqueles que podem ser vencidos por qualquer um dos grandes partidos. Nestes, Clinton lidera com vantagem de 5,7 pontos na Flórida, 4,8 em Ohio, 3,9 em Iowa e 2 pontos no Colorado.

A se confirmar nas urnas, o resultado da Flórida seria o pior para o Partido Republicano desde 1948.

O matemático promete atualizar sua pesquisa das pesquisas à medida que a eleição se aproxima. Pelos números atuais, Hillary teria 347 votos no Colégio Eleitoral, menos do Obama em 2008, mas mais do que na reeleição do atual presidente, em 2012.

Outro modelo, que leva em conta as condições econômicas, dá uma chance de 26% a Trump.

A tendência é que a disputa fique mais apertada na reta final, se não houver uma crise séria que afete o partido no poder, considerando que os dois grandes partidos têm recursos mais ou menos semelhantes.

Desta vez, Hillary está arrecadando mais contribuições de campanha e tem uma infraestrutura partidária superior. Trump está em guerra aberta com parte de seu próprio partido.

Como na pesquisa das pesquisas Hillary tem 43% das preferências contra 36% para Trump, os 21% indecisos aumentam a incerteza e a volatilidade das pesquisas. Para ser eleito, Trump não precisa roubar votos de Hillary. Basta convencer os indecisos.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Donald Trump é o mais impopular dos aspirantes à Casa Branca

Com seu talento de showmen e homem de vendas, o bilionário Donald Trump abriu ampla vantagem nas pesquisas sobre seus concorrentes na disputa pela candidatura do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos. Mas o estatístico Nate Silver, famoso por acertar o resultado das eleições presidenciais de 2008 e 2012, adverte que ele é o candidato com a maior rejeição diante do conjunto do eleitorado.

Se 33% dos eleitores têm uma imagem favorável de Trump, 58% têm uma imagem desfavorável, especialmente os democratas e os independentes, observa Silver no sítio 538.com, o número de grandes eleitores do Colégio Eleitoral que elege o presidente dos EUA com base nas votações obtidas em cada estado.

Como o partidarismo é forte nos EUA, Silver admite que muitos republicanos votariam em Trump simplesmente por ser o candidato do partido. Também reconhece que o magnata imobiliário tem instintos políticos tão agudos que pode, uma vez nomeado candidato republicano, marchar para o centro para tentar conquistar o eleitorado independente.

Uma recessão ou um atentado terrorista ajudariam o bilionário e seu estilo rolo-compressor. "Mas Trump começa com uma grande desvantagem: a maioria dos americanos simplesmente não gosta do cara", observa o matemático.

O único pré-candidato com saldo positivo entre imagem favorável e desfavorável é o senador socialista Bernie Sanders, que disputa a candidatura democrata com a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e não tem nenhuma chance de ser escolhido, a não ser que algo catastrófico aconteça na campanha da ex-primeira-dama. Um socialista não tem nenhuma chance de ser eleito presidente dos EUA.

Hillary também enfrenta rejeição pelos escândalos e negócios do ex-presidente Bill Clinton, por ter usado uma conta de correio eletrônico pessoal quando chefiava a diplomacia americana e outros deslizes. Não é uma figura simpática. Ela tem 42% de imagem favorável e 50% desfavorável.

Trump é o pior de todos. Ao chamar os mexicanos de criminosos e estupradores, e prometer construir um muro na fronteira com o México, Trump ergueu um muro entre o partido e o eleitorado de origem latino-americana. Quando ameaçou proibir a entrada de muçulmanos nos EUA, violou o princípio de liberdade religiosa inscrito na Constituição e alienou outra parcela do eleitorado.

Nas últimas pesquisas para a eleição presidencial de 8 de novembro de 2016, Clinton tem uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre Trump e fica praticamente empatada com o senador pela Flórida Marco Rubio, descendente de imigrantes cubanos, que aparece em terceiro na disputa pela candidatura republicana e seria hoje o preferido da cúpula do partido.

Talvez só o senador texano Ted Cruz, filho de pai cubano, seja um candidato pior do Trump, na análise de Silver. O eleitorado americano rejeita candidatos a presidente extremistas e Cruz é o candidato à Casa Branca mais conservador desde Barry Goldwater, em 1964.

"Mas o fato de Cruz ser um mau candidato não torna Trump bom", conclui o estatístico. "É uma perplexidade que as elites republicanas tenham se resignado a nomear Trump ou Cruz quando outros nove candidatos estão concorrendo e ninguém votou até agora."

As eleições primárias começam em 1º de fevereiro.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Nate Silver lança Manifesto do Jornalismo de Dados

Depois de prever com sucesso o resultado da eleição presidencial de 2012 nos Estados Unidos em todos os estados com base num modelo matemático, o matemático Nate Silver defende a ideia de um jornalismo de dados, em que a análise estatística se torne um instrumento fundamental da reportagem.

Enquanto alguns comentaristas, sobretudo conservadores, previam a vitória do republicano Mitt Romney, Silver cravou a vitória de Barack Obama, batendo, na prática, todas as especulações do jornalismo tradicional, inclusive nos estados onde a eleição parecia indefinida. A mesma metodologia, entende o estatístico, pode ser usada na cobertura de economia, esportes, ciência e da vida cotidiana.

Nesta semana, Silver lançou o Manifesto do Jornalismo de Dados em seu sítio fivethirtyeight.com (538 é o número de votos do Colégio Eleitoral que elege o presidente americano). Ele observa que "a maioria dos alunos de jornalismo e comunicação social tem nota acima da média em redação e intrerpretação de textos, mas fica abaixo da média em matemática". Quem é bom em matemática geralmente vai para engenharia, ciências exatas, economia e finanças, outras carreiras.

É um problema, raciocina o matemático. Mais de 80% dos americanos se informa através do jornalismo, enquanto apenas 25% estão matriculados em algum curso regular. A qualidade da informação jornalística é importante.

Silver acredita que "o grande volume de dados ainda não se traduziu em ganhos generalizados nas condições econômicas, no bem-estar social e nem mesmo no crescimento tecnológico". Não é um problema só do jornalismo, mas também da ciência, do governo, da academia e do setor privado.

Na sua opinião, o jornalismo cria uma oportunidade imediata. O primeiro passo da investigação jornalística é coletar dados, indícios e provas. No jornalismo tradicional, isso combina uma série de entrevistas, leitura e análise de documentos, além da observação pessoal do repórter. No jornalismo de dados, também haveria coleta de dados via Internet, pesquisas de opinião e experiências práticas.

A segunda etapa é a organização das informações a serem apresentadas a leitores, ouvintes e telespectadores. Normalmente os jornalistas usam o estilo chamado de pirâmide invertida, do mais importante para o menos importante, e às vezes o estilo cronológico para ser mais didático ao reconstruir uma história, mas têm toda a liberdade para para escreverem como quiserem. O jornalismo de dados acrescentaria gráficos e tabelas para ajudar na análise quantitativa.

Na terceira etapa, o jornalista tenta explicar e interpretar os fatos que são notícia. Silver argumenta que os jornalistas tradicionais são muito bons para apurar notícias e contar histórias, mas suas explanações muitas vezes são baseados em instintos ou achismo sem base nos dados e, portanto, na realidade.

Uma interpretação só sobrevive ao teste da objetividade se puder apresentar relações de causa e efeito comprováveis além da subjetividade. Caso contrário, o jornalismo opinativo vira mero opinionismo. As previsões viram jogos de palavras que exigem pouco esforço e não são cobradas por editores e pela opinião pública.

O maior defeito do jornalismo, adverte o estatístico, é saltar à frente dos fatos e chegar a grandes conclusões baseadas em indícios frágeis. Ele admite que raramente dará furos. Sacrifica a velocidade em nome da precisão.

Por tudo isso, argumenta Silver, uma abordagem mais sustentada por dados ajuda no que ele chama de quarta etapa da produção jornalística, chegar a generalizações e conclusões. A generalização é um aspecto central da ciência: uma hipótese pode ser testada por experiências e previsões.