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domingo, 21 de junho de 2026

Extrema direita vence por um ponto na Colômbia

Por menos de um ponto percentual, o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella, apoiado pelo governo Donald Trump, venceu o segundo turno da eleição presidencial na Colômbia ao derrotar o senador Iván Cepeda, apadrinhado pelo presidente esquerdista Gustavo Petro. Se o resultado oficial confirmar a vitória, vai governar o país por quatro anos a partir de 7 de agosto.


Com 99,99% das urnas apuradas, de acordo com a contagem preliminar, De la Espriella (na foto indo para a festa da vitória em veículo blindado) soma 12.959.515 votos (49,66%) contra 12.708.695 (48,70%) de Cepeda, pouco mais de 250 mil. É o segundo resultado mais apertado da história da Colômbia. O comparecimento às urnas foi de 63,6%, o maior desde 1998.

O presidente e seu candidato não reconheceram a derrota. Querem esperar o resultado oficial a ser divulgado nesta semana e tentam impugnar 33 mil urnas. O Ministério do Interior recebeu mais de 2,6 mil denúncias de irregularidades

No discurso da vitória, De la Espriella, do movimento Defensores da Pátria, declarou, em tom ultranacionalista: "A Colômbia nunca esteve vencida, a Colômbia estava apenas esperar o movimento de se levantar e esse momento chegou hoje para toda a pátria. Queridos reservistas e militares e da polícia, de suas casas, me ajudem a recitar a oração pátria: Colômbia, minha pátria, te levo com amor, Colômbia no meu coração, creio em teu destino e esperar te er sempre grande, respeitada e livre. Em ti, Colômbia, amo todo o que me é querido, tuas glórias, tua beleza, meu lar, a tumba dos meus antepassados, o fruto de meus esforços e a realização de meus sonhos."

Também bateu no peito e estendeu o braço direito numa saudação militar nazifascistoide. Ao mesmo tempo em que defendeu a reconciliação, De la Espriella fez uma advertência à oposição: "Terá todas as garantias para fazer oposição, sempre que for pelo marco constitucional e legal. Mas deixo muito claro, senador Iván Cepeda, que não lhe ocorra estimular a violência. Abstenha-se de semear o terror."

A esquerda defende uma política de pacificação com os últimos grupos guerrilheiros e inclusive com os cartéis do tráfico de drogas, enquanto a ultradireita aposta no uso da força contra guerrilheiros e criminosos comuns. A segurança pública foi tema central da campanha de De la Espriella, que promete construir dez prisões de segurança máxima sob a inspiração do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, liberalizar a economia e se aproximar dos Estados Unidos.

Na campanha do Pacto Histórico, a frase mais ouvida é: "Aqui ninguém se rende." Como outros países do continente, a Colômbia está dividida. Petro, o primeiro presidente de esquerda da história do país, termina o mandato com 50% de aprovação e 44,5% de reprovação. Mas não conseguiu eleger o sucessor.

A questão é se a onda de direita e extrema direita é uma guinada ideológica baseada no conservadorismo social da América Latina ou apenas um reflexo do descontentamento popular  com os governos do dia que leva a uma alternância no poder entre direita e esquerda.

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