Em um de seus primeiros atos, a Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo ditador Nicolás Maduro demitiu hoje a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, que denunciou sua eleição como ilegal e ilegítima. As forças de segurança do regime cercaram a sede do Ministério Público, em Caracas.
Maduro convocou a Constituinte para usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita em 6 de dezembro de 2015 com maioria de dois terços da oposição. Ortega, chavista histórica, rejeitou a manobra alegando não haver necessidade de mudar a Constituição da República Bolivarista da Venezuela, inspirada pelo então presidente Hugo Chávez.
Depois que a empresa que organizou a apuração denunciou fraude, com a adição de pelo menos um milhão de votos falsos, Ortega pediu a dissolução da Constituinte. Ela acusou de "terrorismo de Estado" e de transformar a Venezuela num "Estado policial".
A procuradora-geral investigava violações dos direitos humanos cometidas pelas forças de segurança na repressão às manifestações de protestos realizadas diariamente nas ruas de Caracas e das principais cidades desde o início de abril. Nesse período, pelo menos 121 mortes, 2 mil pessoas saíram feridas e mais de 5 mil foram presas.
Na época, a oposição reagiu à decisão do Tribunal Supremo de Justiça de assumir o Poder Legislativo, negando legitimidade à Assembleia Nacional eleita democraticamente. Sob pressão, o Supremo recuou.
Sem saída legal para revogar os poderes do Parlamento, Maduro inventou a ideia de uma Constituinte eleita "territorialmente" e por "entidades". Nesta fórmula para violar o princípio do voto direto, secreto e universal que é a base da democracia, cada cidade elegeu um deputado e as capitais de estado dois, aumentando desproporcionalmente a representação de pequenas comunidades rurais em detrimento das grandes cidades.
Dois terços foram eleitos em "bases territoriais" e o outro terço por entidades pelegas ligadas ao regime chavista. Como a oposição boicotou as eleições, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) domina totalmente a Constituinte, que deve implantar uma ditadura comunista semelhante às de Cuba e da Coreia do Norte.
O problema é que a Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história independência, com depressão de mais de 30% do PIB desde a morte de Chávez, em 2013, inflação de 1.200% ao ano, desabastecimento generalizado e emagrecimento da população, com mais de 80% vivendo na miséria.
A Constituinte de Maduro não tem a menor chance de fazer as reformas necessárias para levar a Venezuela de volta à economia de mercado, com o fim dos controles sobre preços e câmbio. Os riscos são de um colapso econômico total, agravamento da crise humanitária que já levou centenas de milhares de venezuelanos a fugir para a Colômbia e o Brasil, e guerra civil.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 5 de agosto de 2017
Constituinte de Maduro demite procuradora-geral da Venezuela
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Marechal Al-Sissi anuncia candidatura no Egito
Sob a alegação de não tem outra escolha, o marechal Abdel Fattah al-Sissi, líder do golpe militar de 3 de julho de 2013, anunciou hoje que será candidato à Presidência do Egito, em entrevista ao jornal kuwaitiano Al-Seyassah. A eleição deve ser realizada até junho.
"Não rejeitarei este apelo" do povo egípcio, acrescentou o general, ministro da Defesa e comandante supremo das Forças Armadas. Ele derrubou o islamita Mohamed Mursi, primeiro presidente eleito democraticamente da história do país, e no mês passado foi promovido a marechal.
Desde a aprovação de uma nova Constituição em referendo boicotado pela Irmandade Muçulmana, em janeiro de 2014, havia a expectativa de lançamento da candidatura de Al-Sissi. Longe de reduzir as tensões no Egito, onde mais de mil pessoas foram mortas depois do golpe, a candidatura Al-Sissi deve acirrar os ânimos.
Afinal, a provável vitória de Al-Sissi marcará a volta ao poder dos militares, que governaram o Egito desde a Revolução dos Coronéis, que derrubou a monarquia em 1952, até a queda de Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011.
A ditadura está de volta, com seu Estado policial reprimindo igualmente islamitas e os liberais e socialistas que apoiaram o golpe contra Mursi por causa do autoritarismo e sectarismo da Irmandade Muçulmana.
"Não rejeitarei este apelo" do povo egípcio, acrescentou o general, ministro da Defesa e comandante supremo das Forças Armadas. Ele derrubou o islamita Mohamed Mursi, primeiro presidente eleito democraticamente da história do país, e no mês passado foi promovido a marechal.
Desde a aprovação de uma nova Constituição em referendo boicotado pela Irmandade Muçulmana, em janeiro de 2014, havia a expectativa de lançamento da candidatura de Al-Sissi. Longe de reduzir as tensões no Egito, onde mais de mil pessoas foram mortas depois do golpe, a candidatura Al-Sissi deve acirrar os ânimos.
Afinal, a provável vitória de Al-Sissi marcará a volta ao poder dos militares, que governaram o Egito desde a Revolução dos Coronéis, que derrubou a monarquia em 1952, até a queda de Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011.
A ditadura está de volta, com seu Estado policial reprimindo igualmente islamitas e os liberais e socialistas que apoiaram o golpe contra Mursi por causa do autoritarismo e sectarismo da Irmandade Muçulmana.
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