Mostrando postagens com marcador Getúlio Vargas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Getúlio Vargas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Agosto

ERUPÇÃO DO VESÚVIO

    No ano 79 da era cristã, o vulcão Vesúvio entra em erupção no que hoje é o Sul da Itália, na época parte do Império Romano, e arrasa as cidades de Herculano e Pompeia, matando milhares de pessoas.

Em 17 minutos, o Vesúvio mata toda a população de Pompeia. As duas cidades são cobertas por uma grossa camada de lava e poeira vulcânica e não são reconstruídas. Ficam praticamente esquecidas até serem redescobertas no século 18.

O Vesúvio é o único vulcão ativo da Europa. A última grande erupção foi em 1631 e a mais recente em 1944. Cerca de 700 mil pessoas vivem em áreas próximas, que seriam atingidas numa grande erupção.

VISIGODOS SAQUEIAM ROMA

    Em 410, Alarico I, rei dos visigodos, é o primeiro líder germânico a tomar Roma, num dos marcos da queda do Império Romano do Ocidente. Depois de três dias de saques, os visigodos deixam a cidade e rumam para o Sul da Itália levando como refém Galla Placidia, irmã do imperador Honório.


Na época, Roma não é mais capital do Império Romano do Ocidente, transferida pela Mediolano (hoje Milão) em 286 e Ravena em 402. É a primeira vez que a Cidade Eterna cai sob o poder de um estrangeiro, desde que o líder gaulês Breno a tomou, em 390 antes de Cristo. 

O imperador Teodósio II, do Império Romano do Oriente, decreta três dias de luto em Constantinopla. São Jerônimo, que vive em Belém, comenta: "A cidade que conquistou o mundo inteiro foi conquistada."

Alguns romanos atribuem o saque à ira dos deuses pagãos tradicionais, abandonados desde que o imperador Constantino acaba com a perseguição aos cristãos, em 313, e o imperador Teodósio I adota o cristianismo como religião oficial do império, em 380.

Os ataques ao cristianismo levam Santo Agostinho a escrever o livro A Cidade de Deus, uma das obras fundamentais do catolicismo.

Um saque ainda mais violento de Roma é feito pelos vândalos, em 455. O Império Romano do Ocidente acaba em 4 de setembro de 476, quando Flávio Odoacro, filho de um príncipe da corte de Átila, o reino dos hunos, depõe o imperador Rômulo Augusto, mais conhecido Augústulo, que significa pequeno Augusto. Odoacro se torna o primeiro rei da Itália.

MASSACRE DA NOITE DE SÃO BARTOLOMEU

    Em 1572, sob pressão da rainha-mãe, Catarina de Medici, o rei Carlos IX da França manda matar os líderes dos protestantes huguenotes em Paris, deflagrando o massacre de dezenas de milhares de huguenotes na noite do Dia de São Bartolomeu.

Dois dias antes, a rainha-mãe ordena o assassinato do almirante Gaspard de Coligny, um líder huguenote, temendo que leve o filho a uma guerra com a Espanha. O almirante, que tem um forte com seu nome na França Antártida, criada pela Invasão Francesa ao Rio de Janeiro em 1555, sai ferido. O rei promete investigar para acalmar os huguenotes. A mãe o convence de que eles estão prestes a se rebelar.

Com o beneplácito da coroa, hordas de católicos sedentos de sangue atacam os huguenotes, primeiro em Paris, depois por toda a França. O rei baixa um decreto no dia 25, mas a matança continua até outubro. Pelo menos 3 mil huguenotes são mortos em Paris e 70 mil em toda a França.

WASHINGTON EM CHAMAS

    Em 1814, durante a Guerra Anglo-Americana de 1812, os britânicos tomam a capital dos Estados Unidos e incendeiam vários prédios públicos, inclusive o Capitólio e a sede do governo, que ainda não se chama Casa Branca.

A Revolução Francesa de 1789 e as guerras napoleônicas (1799-1815) geram instabilidade política nos EUA. Os federalistas admiram o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, e os republicanos simpatizam com a França. O Império Britânico vê uma oportunidade para reconquistar a ex-colônia. Passa a fornecer armas aos indígenas ao sul dos Grandes Lagos e os estimula a atacar os pioneiros que desbravam o Oeste.

Em resposta ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão Bonaparte ao comércio com o Reino Unido, este país, que domina o Oceano Atlântico desde a vitória do almirante Horace Nelson na Batalha de Trafalgar (1805), impede o comércio transatlântico com a França e afunda ou apreende os navios norte-americanos.

Na expectativa de conquistar o Canadá, o presidente James Madison declara guerra ao Reino Unido, aprovada pelo Congresso em 17 de junho de 1812. A guerra começa no dia seguinte. A invasão ao Canadá é repelida. 

Depois da derrota e abdicação de Napoleão em Fontainebleau, em 11 de abril de 1814, o Reino Unido decide lançar uma operação punitiva contra a ex-colônia, sob o comando do general Robert Ross e do almirante George Cochrane.

Uma esquadra de 17 navios leva 4 mil soldados experientes nas guerras da Europa. Eles desembarcam em Benedict, no estado de Maryland, em 19 de agosto de 1814. Sem grande resistência, tomam e incendeiam Washington. A letra do Hino dos EUA é um poema de exaltação à resistência da "terra dos livres e lar dos bravos".

Os britânicos se retiram depois de 26 horas. Menos de quatro dias mais tarde, uma tempestade e um tornado apagam as chamas e causam uma destruição ainda maior. A paz é assinada em Gante, na Bélgica, em 24 de dezembro de 1814, mas os combates só terminam em 24 de maio de 1815 porque alguns generais britânicos não sabem do acordo.

ESPANHA RECONHECE INDEPENDÊNCIA DO MÉXICO

    Em 1821, onze anos depois do início da guerra da independência, o vice-rei espanhol Juan O’Donojú assina o Tratado de Córdoba, um plano para transformar o México em uma monarquia constitucional

A invasão de Napoleão Bonaparte à Espanha, em 1808, na Guerra Peninsular, meses depois de invadir Portugal, deflagra a independência das colônias americanas.

Em 16 de setembro de 1810, o padre Miguel Hidalgo y Costilla dá o Grito de Dolores, proclamando a independência do que até então era a Nova Espanha, com propostas de redistribuição da terra e igualdade racial. Ele é derrotado, capturado e executado, mas a semente da revolta está plantada.

Outros líderes camponeses, José María Morelos y Pavón, Mariano Matamoros e Vicente Guerrero comandam exércitos rebeldes. Por ironia da história, a vitória cabe aos monarquistas, mexicanos conservadores de origem espanhola.

Na falta de uma família real, em 1822, Agustín de Iturbide, o comandante militar rebelde, é proclamado imperador do México. Seu reino é curto. Em 1823, Guadalupe Victoria e Antonio López de Santa Ana o depõe e proclamam a república. Santa Ana perde mais de 40% do território mexicano para os EUA.

SUICÍDIO DE VARGAS

    Em 1954, o presidente Getúlio Vargas se mata com um tiro no peito no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, sob forte pressão da oposição e dos militares desde o atentado da Rua Tonelero contra o deputado Carlos Lacerda, líder da oposição, em 5 de agosto, quando morre o major-aviador Rubens Vaz.

Getúlio Dornelles Vargas nasce em São Borja, no Rio Grande do Sul, em 19 de abril de 1882, e inicia a carreira política como herdeiro de Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros. É eleito deputado estadual em 1909 pelo Partido Republicano Rio-Grandense, deputado federal em 1923 e presidente (assim se chama na época) do Rio Grande do Sul em 1927. Antes, é ministro da Fazenda do presidente Washington Luiz (1926-30) durante um ano.

Em 1930, Vargas disputa a Presidência do Brasil com o paulista Júlio Prestes, candidato da oligarquia café com leite (São Paulo e Minas Gerais), que domina a política na República Velha (1889-1930), e perde. Mas o assassinato de seu candidato a vice-presidente, o governador da Paraíba João Pessoa, um crime passional e não político, em 26 de julho de 1930, leva, em 3 de outubro, à Revolução de 30, Vargas assume a Presidência um mês depois.

São Paulo não aceita a nomeação de um interventor e se rebela. A Revolução Constitucionalista de 1932 não consegue derrubá-lo, mas Getúlio convoca uma Assembleia Constituinte. A Constituição de 1934 introduz o voto feminino e tem vida curta. Em 10 de novembro de 1937, um golpe palaciano cria o Estado Novo, uma ditadura que vai até 29 de outubro de 1945, quando Vargas é deposto sobre pressão dos Estados Unidos.

Getúlio volta eleito pelo povo em 1951 e governa até a morte sob pressão das oligarquias e dos militares. Durante seus governos, além do voto feminino, consolida as leis do trabalho, cria a Companhia Siderúrgica Nacional, a Petrobrás e a Eletrobrás.

Na carta-testamento, Vargas acusa forças ocultas de bloquear o desenvolvimento do Brasil. O suicídio adia por dez anos o golpe militar, que vem em 31 de março de 1964. Antes, há uma tentativa de golpe quando o presidente Jânio Quadros renuncia, em 25 de agosto de 1961, quando o vice-presidente João Goulart está em vista à República Popular da China. O governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, resiste, lança a Campanha da Legalidade e garante a posse de Jango.

Vargas deixa os dois como principais herdeiros políticos, o presidente Goulart (1961-64) e o governador Brizola.

PLUTÃO VIRA ANÃO

    Em 2006, a União Astronômica Internacional decide rebaixar Plutão, até então considerado o nono planeta do sistema solar, para planeta anão.

Plutão é descoberto em 1930 por Clide Tombaugh. Formado por rocha e gelo, tem um quinto da massa da Lua e um terço do volume.

Com a descoberta de vários corpos celestes semelhantes a partir de 1992, sua classificação como planeta passa a ser questionada, especialmente depois da identificação, em 2005, de Éris, outro planeta anão, que tem massa 27% maior.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 10 de Novembro

  FUZILEIROS NAVAIS

    Em 1775, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83), o Congresso Continental aprova uma resolução para criar "dois batalhões de fuzileiros navais", soldados de infantaria embarcados na recém-criada Marinha para desembarcar em operações de assalto anfíbio.

A data é comemorada como o nascimento do Corpo dos Fuzileiros Navais, uma das armas das Forças Armadas dos EUA. 

Depois do fim da guerra, tanto a Marinha quanto os batalhões de fuzileiros navais são desmobilizados. Mas os conflitos no mar com a França revolucionária levam à recriação da Marinha em maio de 1798. Dois meses depois, em 11 de julho, o Corpo de Fuzileiros Navais torna-se uma força permanente, sob o controle do Departamento da Marinha.

Além da quase guerra com a França, os fuzileiros navais combatem a pirataria no Oceano Atlântico e invadem o Marrocos. Até hoje, os marines participaram de mais de 300 invasões norte-americanas. Os EUA têm hoje cerca de 170 mil fuzileiros navais e mais 33 mil reservistas da arma.

"DR. LIVINGSTONE, EU PRESUMO"

    Em 1871, o jornalista britânico Henry Stanley encontra o Dr. David Livingstone, médico, cientista, missionário e abolicionista escocês, talvez o mais famoso dos exploradores africanos.

O Dr. Livingstone viaja por todo o Deserto do Kalahari, percorre o Rio Zambeze e descobre as espetaculares Cataratas de Vitória, em 16 de novembro de 1855, batizando-as em homenagem à Rainha da Inglaterra.

A área é preservada hoje como Parque Nacional Mosi-oa-Tunya (Fumo que Troveja), o nome local da cachoeira, na Zâmbia. Desde 1989, é patrimônio cultural da humanidade mantido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

Ao chegar à foz do Zambeze, no Oceano Índico, em 1842, o Dr. Livingstone se torna o primeiro ocidental a cruzar a África Meridional de costa a costa. Em 15 anos, atravessa duas vezes o Deserto de Kalahari, vai de Angola a Moçambique pelo Zambeze, descobre as cataratas de Vitória e é o primeiro europeu a atravessar o Lago Tanganica. Cruza o Quênia, a Tanzânia e Uganda.

Em 1866, o Dr. Livingstone sai do porto de Zanzibar, no Oceano Índico, para chegar ao Lago Niassa. Abandonado por guias africanos que roubam a comida e os medicamentos, enfraquecido pela malária, chega à aldeia Ujiji, no lago Tanganica.

Desaparecido há anos, é dado como morto na Inglaterra quando quando o jornal nova-iorquino New York Herald encarrega o repórter Henry Stanley de encontrá-lo, em março de 1871. Com um batalhão de 200 guias e carregadores, ele encontra o Dr. Livingstone entre 24 e 28 de outubro, de acordo com o diário do explorador, ou em 10 de novembro de 1871, de acordo com Stanley. 

Ao encontrar o explorador, Stanley diz uma frase que entrou para a história: “Dr. Livingstone, eu presumo?” A resposta: “Sim, eu me sinto muito grato por recebê-lo”. Stanley insiste para que volte para a Inglaterra, mas Livingstone tinha dedicado sua vida à África. Frágil e doente depois de muitas malárias, David Livingstone morre na aldeia do chefe chitambo, na Rodésia do Norte, hoje Zâmbia, em 1º de maio de 1873. 

 ESTADO NOVO

    Em 1937, o presidente Getúlio Vargas dá um golpe de Estado, fecha o Congresso, impõe uma Constituição outorgada e instaura a ditadura do Estado Novo, um período marcado pelo autoritarismo, o nacionalismo, a censura, a tortura e o anticomunismo, sob inspiração do nazifascismo europeu.

A desculpa para o golpe é o Plano Cohen, uma suposta conspiração comunista para tomar o poder no Brasil. Mais tarde, sabe-se que é  forjado pelo capitão Olímpio Mourão Filho, o mesmo que, como coronel, deflagra o golpe militar de 1964 ao marchar da guarnição de Juiz de Fora rumo ao Rio de Janeiro.

Em manifesto à nação, Vargas alega que o golpe visa a "ajustar o organismo político às necessidades econômicas do país".

A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-45) ao lado dos Estados Unidos e os ataques de submarinos alemães a navios brasileiros no Oceano Atlântico afastam o Brasil do nazifascismo. 

Com o fim da guerra, Vargas cai e o país vive seu primeiro período democrático, sob a Constituição de 1946, até o golpe militar de 31 de março de 1964, início de uma ditadura de 21 anos.

SARO-WIWA ENFORCADO

    Em 1995, a ditadura do general Sani Abacha enforca o escritor e ativista nigeriano Ken Saro-Wiwa e outros oito militantes do Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogôni.

O escritor pretexta inocência e afirma estar sendo condenado por criticar a exploração de petróleo nas terras da etnia ogôni pela empresa multinacional Shell, mas Abacha rejeita os pedidos de clemência e até mesmo de adiar a execução.

A ditadura acaba com a morte de Abacha, em 8 de junho de 1998, envenenado, possivelmente com Viagra falsificado, quando se divertia com duas prostitutas. Desde então, a Nigéria vive um período democrático.

RENÚNCIA DE EVO

    Em 2019,  o primeiro presidente indígena da Bolívia, Evo Morales, renuncia e foge para o México sob pressão de uma onda de violência depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) considera sua reeleição fraudulenta. Evo, ex-líder sindical dos produtores de coca, afirma ter sido vítima de um golpe de Estado.

No poder desde 2006, Morales, como fiel discípulo de Fidel Castro e Hugo Chávez, não tem a menor intenção de entregar o poder. Por força da Constituição aprovada por sua iniciativa, não pode concorrer a um terceiro mandato, mas alega, em 2014, que sua primeira eleição, em 2005, fora sob a Constituição anterior.

Em 2016, Evo Morales perde um plebiscito para acabar com limites à reeleição. Mesmo assim, recorre ao Tribunal Constitucional alegando, com base em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, em outro caso, que ser candidato é um direito humano fundamental.

Como dificilmente venceria no segundo turno, quanto toda a oposição se uniria ao redor de Mesa, Morales frauda a eleição e grita golpe quando a população revoltada sai às ruas. Depois de se negar a fazer qualquer concessão, em 30 de outubro, Morales aceita uma auditoria da OEA.

A missão da OEA suspeita desde a mudança abrupta no resultado depois de interrupções na apuração. A auditoria revela que houve seções eleitorais sem nenhuma abstenção, urnas em que todas as cédulas foram preenchidas pela mesma pessoa e irregularidades na transmissão dos resultados para o Tribunal Supremo Eleitoral.

Morales aceita, então, realizar nova eleição com novas autoridades eleitorais, como recomenda a OEA. A oposição exige que ele não se candidate à reeleição. Diante do impasse e do risco de aumento da violência, os comandantes das Forças Armadas e da Polícia e a poderosa Central Operária Boliviana (COB) sugerem a renúncia do presidente.

Tecnicamente, é um golpe de Estado porque comandantes militares não podem recomendar a renúncia do presidente. Na realidade, é um contragolpe, depois dos golpes de Morales ao forçar mais uma reeleição e fraudar a eleição.

A renúncia coletiva dele e dos presidentes da Câmara e do Senado é o terceiro golpe de Evo Morales contra as instituições e a democracia bolivianas. Deixa o Estado totalmente acéfalo, apostando no caos para tentar voltar ao poder como salvador da pátria, e fuge para o exílio no México.

Morales regressa do exílio e o MAS volta ao poder em 2020 com a eleição Luis Arce, seu ministro de Economia e Finanças. Hoje Morales trava uma guerra interna dentro do partido contra Arce para ser candidato à Presidência em 2025. 

Com a guerra interna, o MAS recebe apenas 3% dos votos na eleição presidencial deste ano. Rodrigo Paz Pereira, de centro-direita, é eleito no segundo turno.

ESTE BLOG DEPENDE DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37 

domingo, 24 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 24 de Agosto

 ERUPÇÃO DO VESÚVIO

    No ano 79 da era cristã, o vulcão Vesúvio entra em erupção no que hoje é o Sul da Itália, na época parte do Império Romano, e arrasa as cidades de Herculano e Pompeia, matando milhares de pessoas.

Em 17 minutos, o Vesúvio mata toda a população de Pompeia. As duas cidades são cobertas por uma grossa camada de lava e poeira vulcânica e não são reconstruídas. Ficam praticamente esquecidas até serem redescobertas no século 18.

O Vesúvio é o único vulcão ativo da Europa. A última grande erupção foi em 1631 e a mais recente em 1944. Cerca de 700 mil pessoas vivem em áreas próximas, que seriam atingidas numa grande erupção.

VISIGODOS SAQUEIAM ROMA

    Em 410, Alarico I, rei dos visigodos, é o primeiro líder germânico a tomar Roma, num dos marcos da queda do Império Romano do Ocidente. Depois de três dias de saques, os visigodos deixam a cidade e rumam para o Sul da Itália levando como refém Galla Placidia, irmã do imperador Honório.


Na época, Roma não é mais capital do Império Romano do Ocidente, transferida pela Mediolano em 286 e Ravena em 402. É a primeira vez que a Cidade Eterna cai sob o poder de um estrangeiro, desde o líder gaulês Breno a tomou, em 390 antes de Cristo. 

O imperador Teodósio II, do Império Romano do Oriente, decreta três dias de luto em Constantinopla. São Jerônimo, que vive em Belém, comenta: "A cidade que conquistou o mundo inteiro foi conquistada."

Alguns romanos atribuem o saque à ira dos deuses pagãos tradicionais, abandonados desde que o imperador Constantino acaba com a perseguição aos cristãos, em 313, e o imperador Teodósio I adota o cristianismo como religião oficial do império, em 380.

Os ataques ao cristianismo levam Santo Agostinho a escrever o livro A Cidade de Deus, uma das obras fundamentais do catolicismo.

Um saque ainda mais violento de Roma é feito pelos vândalos, em 455. O Império Romano do Ocidente acaba em 4 de setembro de 476, quando Flávio Odoacro, filho de um príncipe da corte de Átila, o reino dos hunos, depõe o imperador Rômulo Augusto, mais conhecido Augústulo, que significa pequeno Augusto. Odoacro se torna o primeiro rei da Itália.

MASSACRE DA NOITE DE SÃO BARTOLOMEU

    Em 1572, sob pressão da rainha-mãe, Catarina de Medici, o rei Carlos IX da França manda matar os líderes dos protestantes huguenotes em Paris, deflagrando o massacre de dezenas de milhares de huguenotes na noite do Dia de São Bartolomeu.

Dois dias antes, a rainha-mãe ordena o assassinato do almirante Gaspard de Coligny, um líder huguenote, temendo que leve o filho a uma guerra com a Espanha. O almirante, que tem um forte com seu nome na França Antártida, criada pela Invasão Francesa ao Rio de Janeiro em 1555, sai ferido. O rei promete investigar para acalmar os huguenotes. A mãe o convence de que eles estão prestes a se rebelar.

Com o beneplácito da coroa, hordas de católicos sedentos de sangue atacam os huguenotes, primeiro em Paris, depois por toda a França. O rei baixa um decreto no dia 25, mas a matança continua até outubro. Pelo menos 3 mil huguenotes são mortos em Paris e 70 mil em toda a França.

WASHINGTON EM CHAMAS

    Em 1814, durante a Guerra Anglo-Americana de 1812, os britânicos tomam a capital dos Estados Unidos e incendeiam vários prédios públicos, inclusive o Capitólio e a sede do governo, que ainda não se chama Casa Branca.

A Revolução Francesa de 1789 e as guerras napoleônicas (1799-1815) geram instabilidade política nos EUA. Os federalistas admiram o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, e os republicanos simpatizam com a França. O Império Britânico vê uma oportunidade para reconquistar a ex-colônia. Passa a fornecer armas aos indígenas ao sul dos Grandes Lagos e os estimula a atacar os pioneiros que desbravam o Oeste.

Em resposta ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão Bonaparte ao comércio com o Reino Unido, este país, que domina o Oceano Atlântico desde a vitória do almirante Horace Nelson na Batalha de Trafalgar (1805), impede o comércio transatlântico com a França e afunda ou apreende os navios norte-americanos.

Na expectativa de conquistar o Canadá, o presidente James Madison declara guerra ao Reino Unido, aprovada pelo Congresso em 17 de junho de 1812. A guerra começa no dia seguinte. A invasão ao Canadá é repelida. 

Depois da derrota e abdicação de Napoleão em Fontainebleau, em 11 de abril de 1814, o Reino Unido decide lançar uma operação punitiva contra a ex-colônia, sob o comando do general Robert Ross e do almirante George Cochrane.

Uma esquadra de 17 navios leva 4 mil soldados experientes nas guerras da Europa. Eles desembarcam em Benedict, no estado de Maryland, em 19 de agosto de 1814. Sem grande resistência, tomam e incendeiam Washington. A letra do Hino dos EUA é um poema de exaltação à resistência da "terra dos livres e lar dos bravos".

Os britânicos se retiram depois de 26 horas. Menos de quatro dias mais tarde, uma tempestade e um tornado apagam as chamas e causam uma destruição ainda maior. A paz é assinada em Gante, na Bélgica, em 24 de dezembro de 1814, mas os combates só terminam em 24 de maio de 1815 porque alguns generais britânicos não sabem do acordo.

ESPANHA RECONHECE INDEPENDÊNCIA DO MÉXICO

    Em 1821, onze anos depois do início da guerra da independência, o vice-rei espanhol Juan O’Donojú assina o Tratado de Córdoba, um plano para transformar o México em uma monarquia constitucional

A invasão de Napoleão Bonaparte à Espanha, em 1808, na Guerra Peninsular, meses depois de invadir Portugal, deflagra a independência das colônias americanas.

Em 16 de setembro de 1810, o padre Miguel Hidalgo y Costilla dá o Grito de Dolores, proclamando a independência do que até então era a Nova Espanha, com propostas de redistribuição da terra e igualdade racial. Ele é derrotado, capturado e executado, mas a semente da revolta está plantada.

Outros líderes camponeses, José María Morelos y Pavón, Mariano Matamoros e Vicente Guerrero comandam exércitos rebeldes. Por ironia da história, a vitória cabe aos monarquistas, mexicanos conservadores de origem espanhola.

Na falta de uma família real, em 1822, Agustín de Iturbide, o comandante militar rebelde, é proclamado imperador do México. Seu reino é curto. Em 1823, Guadalupe Victoria e Antonio López de Santa Ana o depõe e proclamam a república. Santa Ana perde mais de 40% do território mexicano para os EUA.

SUICÍDIO DE VARGAS

    Em 1954, o presidente Getúlio Dornelles Vargas se mata com um tiro no peito no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, sob forte pressão da oposição e dos militares desde o atentado da Rua Tonelero contra o deputado Carlos Lacerda, líder da oposição, em 5 de agosto, quando morre o major-aviador Rubens Vaz.

Getúlio Dornelles Vargas nasce em São Borja, no Rio Grande do Sul, em 19 de abril de 1882, e inicia a carreira política como herdeiro de Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros. É eleito deputado estadual em 1909 pelo Partido Republicano Rio-Grandense, deputado federal em 1923 e presidente (assim se chama na época) do Rio Grande do Sul em 1927. Antes, é ministro da Fazenda do presidente Washington Luiz (1926-30) durante um ano.

Em 1930, Vargas disputa a Presidência do Brasil com o paulista Júlio Prestes, candidato da oligarquia café com leite (São Paulo e Minas Gerais), que domina a política na República Velha (1889-1930), e perde. Mas o assassinato de seu candidato a vice-presidente, o governador da Paraíba João Pessoa, um crime passional e não político, em 26 de julho de 1930, leva, em 3 de outubro, à Revolução de 30 e ele assume a Presidência um mês depois.

São Paulo não aceita a nomeação de um interventor e se rebela. A Revolução Constitucionalista de 1932 não consegue derrubá-lo, mas Getúlio convoca uma Assembleia Constituinte. A Constituição de 1934 introduz o voto feminino e tem vida curta. Em 10 de novembro de 1937, um golpe palaciano cria o Estado Novo, uma ditadura que vai até 29 de outubro de 1945, quando Vargas é deposto sobre pressão dos Estados Unidos.

Getúlio volta eleito pelo povo em 1951 e governa até a morte sob pressão das oligarquias e dos militares. Durante seus governos, além do voto feminino, consolida as leis do trabalho, cria a Companhia Siderúrgica Nacional, a Petrobrás e a Eletrobrás.

Na carta-testamento, Vargas acusa forças ocultas de bloquear o desenvolvimento do Brasil. O suicídio adia por dez anos o golpe militar, que vem em 31 de março de 1964. Ele deixa como principais herdeiros políticos o presidente João Goulart (1961-64) e o governador Leonel Brizola.

PLUTÃO VIRA ANÃO

    Em 2006, a União Astronômica Internacional decide rebaixar Plutão, até então considerado o nono planeta do sistema solar, para planeta anão.

Plutão é descoberto em 1930 por Clide Tombaugh. Formado por rocha e gelo, tem um quinto da massa da Lua e um terço do volume.

Com a descoberta de vários corpos celestes semelhantes a partir de 1992, sua classificação como planeta passou a ser questionada, especialmente depois da identificação, em 2005, de Éris, outro planeta anão, que tem massa 27% maior.

domingo, 10 de novembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 10 de Novembro

 FUZILEIROS NAVAIS

    Em 1775, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83), o Congresso Continental aprova uma resolução para criar "dois batalhões de fuzileiros navais", soldados de infantaria embarcados na recém-criada Marinha para desembarcar em operações de assalto anfíbio.

A data é comemorada como o nascimento do Corpo dos Fuzileiros Navais, uma das armas das Forças Armadas dos EUA. 

Depois do fim da guerra, tanto a Marinha quanto os batalhões de fuzileiros navais são desmobilizados. Mas os conflitos no mar com a França revolucionária levam à recriação da Marinha em maio de 1798. Dois meses depois, em 11 de julho, o Corpo de Fuzileiros Navais torna-se uma força permanente, sob o controle do Departamento da Marinha.

Além da quase guerra com a França, os fuzileiros navais combatem a pirataria no Oceano Atlântico e invadem o Marrocos. Até hoje, os marines participaram de mais de 300 invasões norte-americanas. Os EUA têm hoje 181,2 mil fuzileiros navais.

"DR. LIVINGSTONE, EU PRESUMO"

    Em 1871, o jornalista britânico Henry Stanley encontra o Dr. David Livingstone, médico, cientista, missionário e abolicionista escocês, talvez o mais famoso dos exploradores africanos.

O Dr. Livingstone viaja por todo o Deserto do Kalahari, percorre o Rio Zambeze e descobre as espetaculares Cataratas de Vitória, em 16 de novembro de 1855, batizando-as em homenagem à Rainha da Inglaterra.

A área é preservada hoje como Parque Nacional Mosi-oa-Tunya (Fumo que Troveja), o nome local da cachoeira, na Zâmbia. Desde 1989, é patrimônio cultural da humanidade mantido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

Ao chegar à foz do Zambeze, no Oceano Índico, em 1842, o Dr. Livingstone se torna o primeiro ocidental a cruzar a África Meridional de costa a costa. Em 15 anos, atravessa duas vezes o Deserto de Kalahari, vai de Angola a Moçambique pelo Zambeze, descobre as cataratas de Vitória e é o primeiro europeu a atravessar o Lago Tanganica. Cruza o Quênia, a Tanzânia e Uganda.

Em 1866, o Dr. Livingstone sai do porto de Zanzibar, no Oceano Índico, para chegar ao Lago Niassa. Abandonado por guias africanos que roubam a comida e os medicamentos, enfraquecido pela malária, chega à aldeia Ujiji, no lago Tanganica.

Desaparecido há anos, é dado como morto na Inglaterra quando quando o jornal nova-iorquino New York Herald encarrega o repórter Henry Stanley de encontrá-lo, em março de 1871. Com um batalhão de 200 guias e carregadores, encontra o Dr. Livingstone entre 24 e 28 de outubro, de acordo com o diário do explorador, ou 10 de novembro de 1871. 

Ao encontrar o explorador, Stanley diz uma frase que entrou para a história: “Dr. Livingstone, eu presumo?” A resposta: “Sim, eu me sinto muito grato por recebê-lo”. Stanley insiste para que volte para a Inglaterra, mas Livingstone tinha dedicado sua vida à África. Frágil e doente depois de muitas malárias, David Livingstone morre na aldeia do chefe chitambo, na Rodésia do Norte, hoje Zâmbia, em 1º de maior de 1873. 

 ESTADO NOVO

    Em 1937, o presidente Getúlio Vargas dá um golpe de Estado, impõe uma Constituição outorgada, fecha o Congresso e instaura a ditadura do Estado Novo, um período marcado pelo autoritarismo, o nacionalismo, a censura, a tortura e o anticomunismo, sob inspiração do nazifascismo europeu.

A desculpa para o golpe é o Plano Cohen, uma suposta conspiração comunista para tomar o poder no Brasil. Mais tarde, sabe-se que é  forjado pelo capitão Olímpio Mourão Filho, o mesmo que, como coronel, deflagra o golpe militar de 1964 ao marchar da guarnição de Juiz de Fora rumo ao Rio de Janeiro.

Em manifesto à nação, Vargas alega que o golpe visa a "ajustar o organismo político às necessidades econômicas do país".

A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-45) ao lado dos Estados Unidos e os ataques de submarinos alemães a navios brasileiros no Oceano Atlântico afastam o Brasil do nazifascismo. 

Com o fim da guerra, Vargas cai e o país vive seu primeiro período democrático, sob a Constituição de 1946, até o golpe militar de 31 de março de 1964, início de uma ditadura de 21 anos.

SARO-WIWA ENFORCADO

    Em 1995, a ditadura do general Sani Abacha enforca o escritor e ativista nigeriano Ken Saro-Wiwa e outros oito militantes do Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogôni.

O escritor pretexta inocência e afirma estar sendo condenado por criticar a exploração de petróleo nas terras da etnia ogôni pela empresa multinacional Shell, mas Abacha rejeita os pedidos de clemência e até mesmo de adiar a execução.

A ditadura acaba com a morte de Abacha, em 8 de junho de 1998, envenenado, possivelmente com Viagra falsificado, quando fazia festa com duas prostitutas. Desde então, a Nigéria vive um período democrático.

RENÚNCIA DE EVO

    Em 2019,  o primeiro presidente indígena da Bolívia, Evo Morales, renuncia e foge para o México sob pressão de uma onda de violência depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) considera sua reeleição fraudulenta. Ex-líder sindical dos produtores de coca, afirma ter sido vítima de um golpe de Estado.

No poder desde 2006, Morales, como fiel discípulo de Fidel Castro e Hugo Chávez, não tem a menor intenção de entregar o poder. Por força da Constituição aprovada por sua iniciativa, não pode concorrer a um terceiro mandato, mas alega, em 2014, que sua primeira eleição, em 2005, fora sob a Constituição anterior.

Em 2016, Evo Morales perdeu um plebiscito para acabar com limites à reeleição. Mesmo assim, recorre ao Tribunal Constitucional alegando, com base em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos em outro caso, que ser candidato é um direito humano fundamental.

Como dificilmente venceria no segundo turno, quanto toda a oposição se uniria ao redor de Mesa, Morales frauda a eleição e grita golpe quando a população revoltada sai às ruas. Depois de se negar a fazer qualquer concessão, em 30 de outubro, Morales aceita uma auditoria da OEA.

A missão da OEA suspeita desde a mudança abrupta no resultado depois das interrupções na apuração. A auditoria revela que houve seções eleitorais sem nenhuma abstenção, urnas em que todas as cédulas foram preenchidas pela mesma pessoa e irregularidades na transmissão dos resultados para o Tribunal Supremo Eleitoral.

Morales aceita, então, realizar nova eleição com novas autoridades eleitorais, como recomenda a OEA. A oposição exige que ele não se candidate à reeleição. Diante do impasse e do risco de aumento da violência, os comandantes das Forças Armadas e da Polícia e a poderosa Central Operária Boliviana (COB) sugerem a renúncia do presidente.

Tecnicamente, é um golpe de Estado. Na realidade, é um contragolpe, depois dos golpes de Morales ao forçar mais uma reeleição e roubar a eleição.

A renúncia coletiva dele e dos presidentes da Câmara e do Senado é o terceiro golpe de Evo Morales contra as instituições e a democracia bolivianas. Deixa o Estado totalmente acéfalo, apostando no caos para tentar voltar ao poder como salvador da pátria, e fuge para o exílio no México.

Morales regressa do exílio e o MaS volta ao poder em 2020 com a eleição Luis Arce, seu ministro de Economia e Finanças. Hoje Morales trava uma guerra interna dentro do partido contra Arce para ser candidato à Presidência em 2025.

sábado, 24 de agosto de 2024

Hoje na História do Mundo: 24 de Agosto

 ERUPÇÃO DO VESÚVIO

    No ano 79 da era cristã, o vulcão Vesúvio entra em erupção no que hoje é o Sul da Itália, na época parte do Império Romano, e arrasa as cidades de Herculano e Pompeia, matando milhares de pessoas.

Em 17 minutos, o Vesúvio mata toda a população de Pompeia. As duas cidades são cobertas por uma grossa camada de lava e poeira vulcânica e não são reconstruídas. Ficam praticamente esquecidas até serem redescobertas no século 18.

O Vesúvio é o único vulcão ativo da Europa. A última grande erupção foi em 1631 e a mais recente em 1944. Cerca de 700 mil pessoas vivem em áreas próximas, que seriam atingidas numa grande erupção.

VISIGODOS SAQUEIAM ROMA

    Em 410, Alarico I, rei dos visigodos, é o primeiro líder germânico a tomar Roma, num dos marcos da queda do Império Romano do Ocidente. Depois de três dias de saques, os visigodos deixam a cidade e rumam para o Sul da Itália levando como refém Galla Placidia, irmã do imperador Honório.


Na época, Roma não é mais capital do Império Romano do Ocidente, transferida pela Mediolano em 286 e Ravena em 402. É a primeira vez que a Cidade Eterna cai sob o poder de um estrangeiro, desde o líder gaulês Breno a tomou, em 390 antes de Cristo. 

O imperador Teodósio II, do Império Romano do Oriente, decreta três dias de luto em Constantinopla. São Jerônimo, que vive em Belém, comenta: "A cidade que conquistou o mundo inteiro foi conquistada."

Alguns romanos atribuíram o saque à ira dos deuses pagãos tradicionais, abandonados desde que o imperador Constantino acaba com a perseguição aos cristãos, em 313, e o imperador Teodósio I adota o cristianismo como religião oficial do império, em 380.

Os ataques ao cristianismo levam Santo Agostinho a escrever o livro A Cidade de Deus, uma das obras fundamentais do catolicismo.

Um saque ainda mais violento de Roma é feito pelos vândalos, em 455. O Império Romano do Ocidente acaba em 4 de setembro de 476, quando Flávio Odoacro, filho de um príncipe da corte de Átila, o reino dos hunos, depõe o imperador Rômulo Augusto, mais conhecido Augústulo, que significa pequeno Augusto. Odoacro se torna o primeiro rei da Itália.

MASSACRE DA NOITE DE SÃO BARTOLOMEU

    Em 1572, sob pressão da rainha-mãe, Catarina de Medici, o rei Carlos IX da França manda matar os líderes dos protestantes huguenotes em Paris, deflagrando o massacre de dezenas de milhares de huguenotes na noite do Dia de São Bartolomeu.

Dois dias antes, a rainha-mãe ordena o assassinato do almirante Gaspard de Coligny, um líder huguenote, temendo que leve o filho a uma guerra com a Espanha. O almirante, que teve um forte com seu nome na França Antártida, criada pela Invasão Francesa ao Rio de Janeiro em 1555, sai ferido. O rei promete investigar para acalmar os huguenotes. A mãe o convence de que eles estão prestes a se rebelar.

Com o beneplácito da coroa, hordas de católicos sedentos de sangue atacam os huguenotes, primeiro em Paris, depois por toda a França. O rei baixa um decreto no dia 25, mas a matança continua até outubro.

Pelo menos 3 mil huguenotes são mortos em Paris e 70 mil em toda a França.

WASHINGTON EM CHAMAS

    Em 1814, durante a Guerra Anglo-Americana de 1812, os britânicos tomam a capital dos Estados Unidos e incendeiam vários prédios públicos, inclusive o Capitólio e a sede do governo, que ainda não se chamava Casa Branca.

A Revolução Francesa de 1789 e as guerras napoleônicas (1799-1815) geram instabilidade política nos EUA. Os federalistas admiram o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, e os republicanos simpatizam com a França. O Império Britânico vê uma oportunidade para reconquistar a ex-colônia. Passa a fornecer armas aos indígenas ao sul dos Grandes Lagos e os estimula a atacar os pioneiros que desbravam o Oeste.

Em resposta ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão Bonaparte ao comércio com o Reino Unido, este país, que domina o Oceano Atlântico desde a vitória do almirante Horace Nelson na Batalha de Trafalgar (1805), impede o comércio transatlântico com a França e afunda ou apreende os navios norte-americanos.

Na expectativa de conquistar o Canadá, o presidente James Madison declara guerra ao Reino Unido, aprovada pelo Congresso em 17 de junho de 1812. A guerra começa no dia seguinte. A invasão ao Canadá é repelida. 

Depois da derrota e abdicação de Napoleão em Fontainebleau, em 11 de abril de 1814, o Reino Unido decide lançar uma operação punitiva contra a ex-colônia, sob o comando do general Robert Ross e do almirante George Cochrane.

Uma esquadra de 17 navios leva 4 mil soldados experientes nas guerras da Europa. Eles desembarcam em Benedict, no estado de Maryland, em 19 de agosto de 1814. Sem grande resistência, tomam e incendeiam Washington. A letra do Hino dos EUA é um poema de exaltação à resistência da "terra dos livres e lar dos bravos".

Os britânicos se retiram depois de 26 horas. Menos de quatro dias mais tarde, uma tempestade e um tornado apagam as chamas e causam uma destruição ainda maior. A paz é assinada em Gand, na Bélgica, em 24 de dezembro de 1814, mas os combates só terminam em 24 de maio de 1815 porque alguns generais britânicos não sabem do acordo.

ESPANHA RECONHECE INDEPENDÊNCIA DO MÉXICO

    Em 1821, onze anos depois do início da guerra da independência, o vice-rei espanhol Juan O’Donojú assina o Tratado de Córdoba, um plano para transformar o México em uma monarquia constitucional

A invasão de Napoleão Bonaparte à Espanha, em 1808, na Guerra Peninsular, meses depois de invadir Portugal, deflagra a independência das colônias americanas.

Em 16 de setembro de 1810, o padre Miguel Hidalgo y Costilla dá o Grito de Dolores, proclamando a independência do que até então era a Nova Espanha, com propostas de redistribuição da terra e igualdade racial. Ele é derrotado, capturado e executado, mas a semente da revolta está plantada.

Outros líderes camponeses, José María Morelos y Pavón, Mariano Matamoros e Vicente Guerrero comandam exércitos rebeldes. Por ironia da história, a vitória cabe aos monarquistas, mexicanos conservadores de origem espanhola.

Na falta de uma família real, em 1822, Agustín de Iturbide, o comandante militar rebelde, é proclamado imperador do México. Seu reino é curto. Em 1823, Guadalupe Victoria e Antonio López de Santa Ana o depõe e proclamam a república. Santa Ana perde mais de 40% do território mexicano para os EUA.

SUICÍDIO DE VARGAS

    Em 1954, o presidente Getúlio Dornelles Vargas se mata com um tiro no peito no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, sob forte pressão da oposição e dos militares desde o atentado da Rua Tonelero contra o deputado Carlos Lacerda, líder da oposição, em 5 de agosto, quando morre o major-aviador Rubens Vaz.

Getúlio Dornelles Vargas nasce em São Borja, no Rio Grande do Sul, em 19 de abril de 1882, e inicia a carreira política como herdeiro de Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros. É eleito deputado estadual em 1909 pelo Partido Republicano Rio-Grandense, deputado federal em 1923 e presidente (assim se chama na época) do Rio Grande do Sul em 1927. Antes, é ministro da Fazenda do presidente Washington Luiz (1926-30) durante um ano.

Em 1930, Vargas disputa a Presidência do Brasil com o paulista Júlio Prestes, candidato da oligarquia café com leite (São Paulo e Minas Gerais), que domina a política na República Velha (1889-1930), e perde. Mas o assassinato de seu candidato a vice-presidente, o governador da Paraíba João Pessoa, um crime passional e não político, em 26 de julho de 1930, leva, em 3 de outubro, à Revolução de 30 e ele assume a Presidência um mês depois.

São Paulo não aceita a nomeação de um interventor e se rebela. A Revolução Constitucionalista de 1932 não consegue derrubá-lo, mas Getúlio convoca uma Assembleia Constituinte. A Constituição de 1934 introduz o voto feminino e tem vida curta. Em 10 de novembro de 1937, um golpe palaciano cria o Estado Novo, uma ditadura que vai até 29 de outubro de 1945, quando Vargas é deposto sobre pressão dos Estados Unidos.

Getúlio volta eleito pelo povo em 1951 e governa até a morte sob pressão das oligarquias dos militares. Durante seus governos, além do voto feminino, consolida as leis do trabalho, cria a Companhia Siderúrgica Nacional, a Petrobrás e a Eletrobrás.

Na carta-testamento, Vargas acusa forças ocultas de bloquear o desenvolvimento do Brasil. O suicídio adia por dez anos o golpe militar, que viria em 31 de março de 1964. Ele deixa como principais herdeiros políticos o presidente João Goulart (1961-64) e o governador Leonel Brizola.

PLUTÃO VIRA ANÃO

    Em 2006, a União Astronômica Internacional decide rebaixar Plutão, até então considerado o nono planeta do sistema solar, para planeta anão.

Plutão é descoberto em 1930 por Clide Tombaugh. Formado por rocha e gelo, tem um quinto da massa da Lua e um terço do volume.

Com a descoberta de vários corpos celestes semelhantes a partir de 1992, sua classificação como planeta passou a ser questionada, especialmente depois da identificação, em 2005, de Éris, outro planeta anão, que tem massa 27% maior.