Depois de liderar a implantação de Internet móvel com tecnologia 3G, o Reino Unido ficou para trás na 4G. Agora pretende dar um salto tecnológico para 5G, que daria acesso praticamente imediato à rede, permitindo baixar músicas em segundos e um filme em menos de um minuto, informa o jornal Financial Times.
O primeiro-ministro David Cameron, que fechou um acordo entre universidades britânicas e alemãs para acelerar o desenvolvimento da Internet ultraveloz, estima o aumento da atividade econômica com a nova tecnologia em 100 bilhões de libras, cerca de R$ 390 bilhões, a mais no produto interno bruto em 2025.
A expectativa é de uma revolução em outras áreas, da telefonia a uma variedade cada vez maior de serviços móveis pessoais. Do aquecimento ao abastecimento, a vida doméstica poderia ser controlada e monitorada, tipo: ainda tenho cervejas na geladeira para o jogo desta noite? Na medicina, os avanços iriam da cirurgia a distância ao monitoramento da pacientes a distância.
Com a proliferação dos telefones inteligentes, o Escritório de Comunicações (Ofcom), o órgão regulador do Reino Unido prevê um aumento de 80 vezes no tráfego de dados até 2030.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 11 de março de 2014
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Dilma quer aprofundar relações com os EUA
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou ontem a seguinte nota sobre os objetivos da visita que a presidente Dilma Rousseff fará a Washington e Boston, nos Estados Unidos, na próxima semana, quando deve se encontrar com o presidente Barack Obama:
A visita da Presidenta Dilma Rousseff aos Estados Unidos, dias 9 e 10 de abril, permitirá aprofundar a parceria Brasil-EUA, além de avançar o diálogo bilateral mantido desde a visita do Presidente Barack Obama ao Brasil, em março de 2011.
Figuram com proeminência na agenda do encontro temas relacionados a comércio, investimentos, ciência e tecnologia, inovação, cooperação educacional e energia, além de assuntos da agenda regional e global.
Em Washington, dia 9, a Presidenta Dilma Rousseff se reunirá com o Presidente Barack Obama, participará do Fórum Brasil-EUA de Altos Empresários (“CEO Forum”) e fará o encerramento do Seminário “Brasil-EUA: Parceria para o Século XXI”. O Seminário reunirá representação expressiva das comunidades empresarial, acadêmica e governamental dos dois países.
Dia 10 de abril, em Cambridge (Massachusetts), a Presidenta visitará o Massachusetts Institute of Technology (MIT), ocasião em que manterá encontros com a comunidade acadêmica e científica, e a Universidade de Harvard, onde terá encontro com bolsistas brasileiros selecionados pelo programa “Ciência sem Fronteiras”. Em Boston, a Presidenta se encontrará com Governador de Massachusetts, Deval Patrick.
Brasil e EUA possuem vinte e quatro mecanismos bilaterais de diálogo, coordenação e consulta em nível ministerial, três dos quais considerados prioritários: o Diálogo de Parceria Global (MRE/Departamento de Estado); o Diálogo Econômico e Financeiro (Fazenda/Tesouro) e o Diálogo Estratégico sobre Energia (MME/Departamento de Energia).
Os Estados Unidos foram o 2º principal parceiro comercial brasileiro em 2011, após a China. Entre 2007 e 2011, o intercâmbio comercial brasileiro com o país cresceu 37%, passando de US$ 44 bilhões para US$ 60 bilhões. A participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro foi de 12,4%, em 2011. Em janeiro e fevereiro de 2012, o intercâmbio comercial com o Brasil aumentou em 20% em relação ao mesmo período de 2011, evoluindo de US$ 7,9 bilhões para US$ 9,5 bilhões. As exportações brasileiras cresceram em 38% e as importações, em 6%, no mesmo período.
Em 2011, o Brasil foi a 6ª maior fonte de visitantes para os EUA (após Canadá, México, Japão, Reino Unido e Alemanha) e os EUA a segunda maior fonte de visitantes para Brasil (atrás apenas da Argentina).
Itamaraty faz coletiva no Twitter sobre Dilma nos EUA
Em mais uma inovação para sintonizar o país com a era da informação, o Ministério das Relações Exteriores realizou uma entrevista coletiva sobre a visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos na próxima semana. Vejam abaixo a transcrição feita pelo Itamaraty:
#Dilma presenteará Obama com obras de arte brasileiras, @lilittz. #DilmaintheUS
No contexto dos preparativos da visita da Presidenta da República aos Estados Unidos, o Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores, Embaixador Tovar da Silva Nunes, concedeu entre as 17h e as 18h20 de hoje entrevista coletiva via Twitter.
Seguem abaixo os tweets, que foram publicados por meio do perfil do MRE no Twitter(@MREBRASIL)
* * *
Boa tarde a todos! Sou Tovar Nunes, Porta-Voz do @MREBRASIL. E é um prazer conversar com vocês sobre as relações Brasil-EUA. #DilmaintheUS
Espero que todos vocês estejam gostando da campanha que o @MREBRASIL está fazendo nas mídias sociais para a visita #DilmaintheUS.
Antes de passar às perguntas de vocês, gostaria de conversar sobre o programa tentativo da visita da Presidenta aos EUA. #DilmaintheUS
A Presidenta #Dilma tem chegada prevista em Washington no final da tarde do dia 8, onde fica até a manhã do dia 10. #DilmaintheUS
No dia 9, #Dilma se reunirá com Obama e também se encontrará com empresários brasileiros e americanos. #DilmaintheUS
Ainda no dia 9, a Presidenta #Dilma participará do seminário "Brasil-EUA: Parceria para o Século XXI". #DilmaintheUS
A Presidenta #Dilma deve chegar em Boston na manhã do dia 10. #DilmaintheUS
Em Boston, a Presidenta se reunirá com as duas mulheres que presidem o MIT e a Universidade de Harvard. #DilmaintheUS
No MIT, #Dilma visitará um laboratório de inovação e participará de mesa redonda com a comunidade acadêmica e científica. #DilmaintheUS
Em Harvard, a Presidenta conversará com bolsistas brasileiros beneficiados pelo programa #CiênciasemFronteiras. #DilmaintheUS
Ainda em Harvard, a Presidenta #Dilma proferirá discurso na Kennedy School of Government. #DilmaintheUS
Em Boston, a #Dilma também se reunirá com o Governador de Massachussets. #DilmaintheUS
Agora que já falei um pouco sobre o programa (tentativo) da visita da Presidenta, vamos às perguntas que vocês enviaram. #DilmaintheUS
Alguns de vocês perguntaram sobre o formato protocolar da visita – será uma visita "oficial", não "de Estado". #DilmaintheUS @caioquero @dianario
Por escolha da Presidenta, a visita a Washington terá o mesmo formato da visita do Obama ao Brasil. #DilmaintheUS
A opção pelo protocolo simplificado privilegia o que é realmente importante: a substância da visita. #DilmaintheUS
Recebi uma pergunta de @CFrancisi sobre quem receberá a Presidenta no aeroporto.
A diferença é meramente protocolar, @admtalesmartins. Visita de Estado envolve encontro com representantes dos três Poderes. #DilmaintheUS
Seguindo a praxe, a Presidenta será recebida pelo Embaixador do Brasil nos EUA e por representante do Cerimonial americano. #DilmaintheUS
Um de vocês perguntou como avaliaríamos se a visita da Presidenta aos EUA foi um sucesso ou não. @elisonzogabriel
Queremos manter diálogo em alto nível com os EUA, confirmando a amplitude das parcerias em todas as áreas. #DilmaintheUS
"What is the one thing Brazil wants the most to get out of Pres. Rousseff's trip to the US ?" (@elizondogabriel)
If we had to mention only one, it would be increased cooperation in science, technology and innovation. #DilmaintheUS
Muitos de vocês enviaram perguntas relacionadas à reforma das instituições de governança global. #DilmaintheUS
Nessa visita, queremos reiterar o compromisso comum com a reforma do CSNU, dotando-o de mais legitimidade e eficácia. #DilmaintheUS
Recebi uma pergunta do @jnascim sobre as eleições para a presidência do @WorldBank.
Sobre @WorldBank, o Brasil defende que a escolha do próximo presidente seja feita com base em competência e experiência. #DilmaintheUS
Recebi uma pergunta de @luan_oliveira sobre a cooperação cultural entre Brasil e EUA.
A Embaixada (@BrazilinUSA) e os Consulados apoiam extensa programação voltada à promoção da cultura brasileira nos EUA. #DilmaintheUS
Está prevista assinatura de ato entre o IBRAM e a Smithsonian Institution para treinamento de profissionais na área de museus. #DilmaintheUS
(Foto do Porta-Voz do @MREBRASIL e sua equipe, respondendo ao vivo a perguntas sobre relações Brasil-EUA) http://pic.twitter.com/gOZEDdpo
Energia, em especial biocombustíveis, é um dos temas prioritários da agenda da visita da Presidenta#Dilma aos EUA @peacemakergirl.
Recebi várias perguntas, como de @globopolitica, sobre as negociações para que brasileiros não precisem mais de visto para viajar para os EUA.
Os Governos brasileiro e americano têm trabalhado em conjunto para buscar aproximar ainda mais as duas sociedades. #DilmaintheUS
O cronograma do processo que pode levar à isenção de visto para brasileiros cabe, contudo, aos EUA. #DilmaintheUS
Não podemos nos esquecer que imigração é um assunto que depende da legislação interna de cada país. #DilmaintheUS
Sobre cooperação em educação, o @felippe_ramos perguntou se há algo previsto para estimular aulas por videoconferência.
Essa é uma boa ideia, que merece ser explorada. #DilmaintheUS
A @giulianamorrone pergunta quantos brasileiros são beneficiados pelo #CiênciasemFronteiras em universidades Ivy League.
Dentre os cerca de 800 bolsistas do #CiênciasemFronteiras nos EUA, 31 estudam hoje nas oito universidades que compõem a Ivy League.
Também há bolsistas em outras universidades de renome, como MIT (6), John Hopkins (3), Stanford (2) e NYU (2). #CiênciasemFronteiras
Passemos agora às perguntas sobre as relações econômicas e comerciais, como a enviada por @lena-olin. #DilmaintheUS.
A jornalista @elianeo perguntou se há previsão para assinatura de acordos comerciais e de investimentos na visita #DilmaintheUS.
Estão sendo negociados entendimentos sobre aviação e comunicações. #DilmaintheUS.
Também recebi uma pergunta da @peacemakergirl sobre a questão do suco de laranja.
A questão do zeroing foi resolvida na OMC, com decisão favorável ao Brasil de que os EUA deverão alterar suas leis. #DilmaintheUS
Aliás, os EUA reconhecerão a cachaça como produto tipicamente brasileiro, o que facilitará sua exportação ao país. #DilmaintheUS
O @diariosdebrasilia pergunta sobre o acesso da carne suína brasileira ao mercado americano e sobre a lei agrícola.
A mercado dos EUA já se abriu para a carne suína de SC e negociaremos para que a certificação beneficie também outras áreas do Brasil.
O Brasil acompanha atentamente a discussão da nova lei agrícola nos EUA, que pode impactar as exportações brasileiras. #DilmaintheUS
Recebi uma pergunta do @nelsonfrjobim sobre o "tsunami financeiro".
No final de março, o Brasil promoveu na OMC amplo debate sobre os efeitos dos desalinhamentos cambiais no comércio.
Brasil e EUA assinaram em 2010 um acordo-quadro sobre defesa, @andretonini. Novos acordos estão tramitando.
O Brasil apoia a missão ONU-LEA liderada por Kofi Annan para mediar o conflito na Síria, @midiacrucis.
Os esforços coletivos em prol do desenvolvimento sustentável também serão tema da conversa entre #Dilma e Obama. #DilmaintheUS
Aliás, @marcosibaja, a Presidenta #Dilma vai reiterar o convite para o que Presidente Obama participe da #Rio+20, em junho.
(Foto do Porta-Voz do @MREBRASIL, Embaixador Tovar da Silva Nunes, respondendo ao vivo perguntas sobre #DilmaintheUS) http://pic.twitter.com/ibpo9IRN
Há importante diálogo bilateral sobre DDHH, @conectas. Não está previsto que a questão de Guantánamo seja singularizada na reunião.
O @judsononline pergunta se a Presidenta tratará da questão palestina em sua conversa com o Presidente Obama.
Gostaria de recordar que as legítimas aspirações do povo palestino e a segurança de Israel são preocupações constantes do Brasil.
O #CienciasemFronteiras terá continuidade, @raquel_ed.
A experiência mostra que os EUA estão abertos, sim, à transferência de tecnologia, @Cfrancisi.#DilmaintheUS
A hashtag #DilmaintheUS está em inglês para atingir também o público americano por meio da atuação @BrazilinUSA no #Twiitter, @diego339.
A crise econômica internacional e coordenação Brasil-EUA no G-20 terão destaque na conversa da entre os Presidentes. #DilmaintheUS
O Brasil respeita a democracia americana e não se pronuncia sobre processos eleitorais internos,@filipematoso.
A posição do Brasil é a de que esta deve ser a última Cúpula das Américas sem Cuba, @dianario.
O acordo para evitar dupla tributação está sendo negociado, @RubemMauro.
Estou respondendo perguntas ao vivo por #Twitter, @raquel_ed. Veja a foto emhttp://pic.twitter.com/ibpo9IRN
Nessa visita, queremos reiterar o compromisso comum com a reforma do CSNU, dotando-o de mais legitimidade e eficácia, @OdenirFG
Há diálogo bilateral sobre direitos humanos, @mayra_cf. Não está previsto que a questão de Guantánamo seja singularizada na reunião.
A crise econômica internacional e coordenação Brasil-EUA no G-20 terão destaque na conversa da entre os Presidentes, @alinenobile.
Brasil e EUA têm diálogo sobre governança da internet e defesa cibernética, @CFrancisi.
Aliás, Brasil e EUA defendem a participação do setor privado, da academia e da sociedade civil nas políticas sobre internet, @CFrancisi.
O Brasil quer democratizar e baratear o acesso à internet, @CFrancisi.
Obrigado pela oportunidade de conversar com vocês!
Continuem acompanhando o @MREBRASIL nas mídias sociais. Forte abraço e até a próxima!
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
"Grécia não pode ser rica como a Irlanda"
Nem a austeridade fiscal monetarista imposta pela Alemanha num um estímulo fiscal keynesiano é capaz de salvar a Grécia, adverte hoje o professor venezuelano Ricardo Hausmann, ex-economista do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e atual diretor do Centro de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard nos Estados Unidos.
Em artigo no jornal inglês Financial Times, principal diário econômico-financeiro da Europa, o economista observa que, ao contrário da Irlanda, a Grécia não fábricas máquinas, eletroeletrônicos nem produtos químicos, produtos com alto valor agregado. Sem uma profunda reforma econômica para aumentar sua competitividade, não terá como manter o nível de renda atingido com a adesão à união monetária europeia.
O déficit nas contas externas da Grécia foi de 8,6% do produto interno bruto em 2011. Isso é insustentável, alerta Hausmann. Para sair desta situação, os gregos precisam exportar mais ou gastar menos.
Como um em cada quatro dólares gastos pelos gregos vai para o exterior, o professor calcula que seria necessária uma queda de 25% no PIB para promover o ajuste. Isso é politicamente inviável.
Para acertar as contas via comércio exterior, será preciso aumentar as exportações em 50%. Não é fácil para um país sem a opção de desvalorizar sua moeda para aumentar a competitividade. O setor de turismo, um dos mais importantes da Grécia, teria de crescer três vezes. Isso é improvável.
Além de não poder desvalorizar a moeda sem uma catastrófica saída da Zona do Euro, falta à Grécia a produtividade para vender produtos de alto valor agregado. No Atlas da Complexidade Econômica, Hausmann e outros economistas calcularam a quantidade de conhecimento agregado em 128 países.
Um país com elevado nível de "conhecimento produtivo" exporta produtos de alto valor agregado, de alto conteúdo tecnológico, o que também não é o caso do Brasil, com a exceção dos aviões da Embraer. De cada 10 dólares movimentados no mundo pelo setor de tecnologia da informação, só um centavo vai para a Grécia.
Em contraste, a Irlanda, abalada por sua pior crise econômica desde que aderiu à então Comunidade Econômica Europeia, em 1973, fruto do estouro de uma bolha no mercado imobiliário e da decisão do governo de salvar bancos, conseguiu rapidamente obter um saldo positivo na conta corrente porque durante décadas atraiu empresas estrangeiras de alta tecnologia como a Apple e a Microsoft.
"A Irlanda tem o que precisa para ser rica como é agora", conclui Hausmann. "A Grécia deve aproveitar o apoio internacional para reduzir em vez de adiar a dor do ajuste. (...) Precisa aumentar sua base de exportações. Tem de atrair exportadores com investimentos em infraestrutura, formação profissional, pesquisa e desenvolvimento".
O economista sugere a criação de uma agência de desenvolvimento industrial como a da Irlanda. Hausmann tem uma boa notícia: dos países estudados no atlas, a Grécia é o segundo, depois da Índia, em melhores condições para se tornar um exportador de produtos de alto conteúdo tecnológico.
"Infelizmente", conclui o professor de Harvard, "esta lição não está sendo observada e a Grécia está cada vez mais perto do abismo."
Em artigo no jornal inglês Financial Times, principal diário econômico-financeiro da Europa, o economista observa que, ao contrário da Irlanda, a Grécia não fábricas máquinas, eletroeletrônicos nem produtos químicos, produtos com alto valor agregado. Sem uma profunda reforma econômica para aumentar sua competitividade, não terá como manter o nível de renda atingido com a adesão à união monetária europeia.
O déficit nas contas externas da Grécia foi de 8,6% do produto interno bruto em 2011. Isso é insustentável, alerta Hausmann. Para sair desta situação, os gregos precisam exportar mais ou gastar menos.
Como um em cada quatro dólares gastos pelos gregos vai para o exterior, o professor calcula que seria necessária uma queda de 25% no PIB para promover o ajuste. Isso é politicamente inviável.
Para acertar as contas via comércio exterior, será preciso aumentar as exportações em 50%. Não é fácil para um país sem a opção de desvalorizar sua moeda para aumentar a competitividade. O setor de turismo, um dos mais importantes da Grécia, teria de crescer três vezes. Isso é improvável.
Além de não poder desvalorizar a moeda sem uma catastrófica saída da Zona do Euro, falta à Grécia a produtividade para vender produtos de alto valor agregado. No Atlas da Complexidade Econômica, Hausmann e outros economistas calcularam a quantidade de conhecimento agregado em 128 países.
Um país com elevado nível de "conhecimento produtivo" exporta produtos de alto valor agregado, de alto conteúdo tecnológico, o que também não é o caso do Brasil, com a exceção dos aviões da Embraer. De cada 10 dólares movimentados no mundo pelo setor de tecnologia da informação, só um centavo vai para a Grécia.
Em contraste, a Irlanda, abalada por sua pior crise econômica desde que aderiu à então Comunidade Econômica Europeia, em 1973, fruto do estouro de uma bolha no mercado imobiliário e da decisão do governo de salvar bancos, conseguiu rapidamente obter um saldo positivo na conta corrente porque durante décadas atraiu empresas estrangeiras de alta tecnologia como a Apple e a Microsoft.
"A Irlanda tem o que precisa para ser rica como é agora", conclui Hausmann. "A Grécia deve aproveitar o apoio internacional para reduzir em vez de adiar a dor do ajuste. (...) Precisa aumentar sua base de exportações. Tem de atrair exportadores com investimentos em infraestrutura, formação profissional, pesquisa e desenvolvimento".
O economista sugere a criação de uma agência de desenvolvimento industrial como a da Irlanda. Hausmann tem uma boa notícia: dos países estudados no atlas, a Grécia é o segundo, depois da Índia, em melhores condições para se tornar um exportador de produtos de alto conteúdo tecnológico.
"Infelizmente", conclui o professor de Harvard, "esta lição não está sendo observada e a Grécia está cada vez mais perto do abismo."
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terça-feira, 5 de dezembro de 2006
China já é segundo investidor mundial em pesquisa
A China vai superar o Japão neste ano, tornando-se o segundo país do mundo em investimentos em pesquisa científica e desenvolvimento de projetos, abaixo apenas dos Estados Unidos, previu hoje a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 30 países industrializados.
"O crescimento rápido da China, tanto em dinheiro quanto em pesquisadores empregados, é impressionante", exclamou o chefe da Divisão de Política de Ciência e Tecnologia da OCDE, Dirk Pilat. "Para acompanhá-lo, os países da OCDE precisam tornar seus sistemas de pesquisa e inovação tecnológica mais eficientes, e descobrir novas formas de estimular a inovação numa economia globalizada e cada vez mais competitiva."
Em 2006, a China deve investir um total de US$ 136 bilhões, superando os US$ 130 bilhões do Japão, enquanto os EUA devem aplicar US$ 330 bilhões e os 15 países que formavam a União Européia antes da entrada dos antigos países comunistas da Europa Oriental (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Portugal e Suécia), juntos, pouco mais de US$ 230 bilhões.
"O crescimento rápido da China, tanto em dinheiro quanto em pesquisadores empregados, é impressionante", exclamou o chefe da Divisão de Política de Ciência e Tecnologia da OCDE, Dirk Pilat. "Para acompanhá-lo, os países da OCDE precisam tornar seus sistemas de pesquisa e inovação tecnológica mais eficientes, e descobrir novas formas de estimular a inovação numa economia globalizada e cada vez mais competitiva."
Em 2006, a China deve investir um total de US$ 136 bilhões, superando os US$ 130 bilhões do Japão, enquanto os EUA devem aplicar US$ 330 bilhões e os 15 países que formavam a União Européia antes da entrada dos antigos países comunistas da Europa Oriental (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Portugal e Suécia), juntos, pouco mais de US$ 230 bilhões.
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