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terça-feira, 21 de junho de 2016

Tunísia prorroga estado de emergência por mais um mês

O presidente Beji Caïd Essebsi prorrogou por mais um mês a partir de hoje o estado de emergência em vigor na Tunísia desde novembro de 2015, informou a Agência France Presse (AFP).

A medida de exceção está em vigor desde que um terrorista suicida se detonou ao lado de um ônibus que transportava membros da guarda presidencial no centro de Túnis, matando 13 pessoas e ferindo outras 16 em 24 de novembro de 2015. O grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria do atentado.

No ano passado, houve outras duas ações terroristas ainda piores na Tunísia. Em 18 de março, três jihadistas atacaram o Museu Nacional do Bardo, uma das principais atrações turísticas da capital, matando 22 pessoas e ferindo outras 50. O governo responsabilizou a rede terrorista Al Caeda no Magrebe Islâmico.

O pior ataque foi na cidade de Sousse. Em 26 de junho, um atirador ligado ao grupo Ansar al-Charia matou 38 pessoas e feriu outras 39 em dois hotéis de luxo frequentados por turistas europeus numa praia do Mar Mediterrâneo.

A Tunísia foi o berço da onda de revoltas populares da chamada Primavera Árabe. Tudo começou quando o jovem universitário desempregado Mohamed Bouazizi se imolou em protestos por ter sua mercadoria de vendedor ambulante confiscada por um fiscal corrupto, em 17 de dezembro de 2010.

Sua morte, em 4 de janeiro de 2011, atiçou a revolta popular. Em 14 de janeiro, caiu o ditador Zine al-Abidine Ben Ali, que estava no poder há 23 anos. O ditador do Egito, Hosni Mubarak, renunciou em 11 de fevereiro, enquanto o homem-forte da vizinha Líbia, Muamar Kadafi, resistiu numa guerra civil que levou a uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com a autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Kadafi caiu em agosto de 2011, mas até hoje a situação da Líbia não se normalizou. Esta instabilidade e o tráfico de armas levaram à proliferação de milícias extremistas muçulmanas na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

Se a Tunísia foi o único país onde a Primavera Árabe levou à democracia, ao mesmo tempo a liberdade em meio à crise econômica e política gerou uma grande frustração, especialmente entre os jovens que fizeram a revolução. É o país que mais forneceu voluntários para a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Outros 15 mil foram barrados a caminho dos campos de batalha do Oriente Médio.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Atentado terrorista mata 12 guardas presidenciais na Tunísia

O presidente Beji Caïd Essebsi decretou hoje estado de emergência por 30 dias na Tunísia depois de um ataque a um ônibus da guarda presidencial que deixou 12 mortos e 18 feridos na capital. Túnis está sob toque de recolher noturno das 21h às 5h.

A Tunísia é o país onde começou a chamada Primavera Árabe e o único em que a revolução levou à democracia. A abertura política levou ao fortalecimento de partidos islamitas e de movimentos jihadistas. Pelo menos 3 mil tunisianos se alistaram para lutar ao lado do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Dois importantes advogados defensores dos direitos humanos foram mortos nos últimos anos por extremistas muçulmanos. Em 18 de março de 2015, 22 pessoas, na maioria turistas europeus, foram mortas num ataque ao Museu do Bardo, em Túnis. Os terroristas morreram e não foi esclarecido a que grupo pertenciam.

Mais mortal ainda foi o ataque à praia de Sousse. Em 26 de junho, Seifeddine Rezgui disparou com um fuzil de guerra Kalachnikov contra pessoas que estavam na praia perto de um hotel de cinco estrelas de uma companhia espanhola, matando 39 pessoas antes de ser morto. O Estado Islâmico reinvidicou a autoria desse atentado.

Uma turista luso-brasileira de 76 anos, Maria da Glória Moreira, morreu em Sousse, tornando-se a primeira vítima brasileira do Estado Islâmico.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Estado Islâmico reivindica ataque a museu na Tunísia

Em mensagem de voz distribuída na Internet, a milícia terrorista Estado Islâmico reivindicou hoje a responsabilidade pelo ataque contra o Museu do Bardo, na Tunísia, em que 23 pessoas morreram e outras 50 saíram feridas ontem.

Nove suspeitos foram presos. Quatro teriam ligação direta do ataque e cinco fariam parte da "célula terrorista", informou a Presidência do país.

O Estado Islâmico identificou os dois terroristas mortos no ataque como Abu Zakariya al-Tunisi e Abu Anas al-Tunisi, ambos tunisianos. A mensagem descreveu o ato terrorista como "uma invasão abençoada a um dos antros dos infiéis e do vício na Tunísia muçulmana".

A ação visa sobretudo a abalar o setor de turismo, um dos mais importante da economia da Tunísia, onde começou o movimento liberal da Primavera Árabe e o único onde a revolta popular levou à democracia. Ao mesmo tempo, os terroristas atacaram mais uma vez a cultura e a civilização depois de destruírem monumentos e sítios históricos considerados patrimônio da humanidade no Iraque.